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Escatologia   Doutrina das Últimas Coisas

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qual realmente era enterrado junto ao de um parente. Já a expressão “reunir-se ao seu povo” refere-se indubitavelmente 
ao destino da alma. 
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3. Estado intermediário da alma 
 
Como as almas estão 
 O Novo Testamento não apenas ensina que a alma continua existindo após a 
morte física, como faz o Velho Testamento, mas também revela que essa alma 
permanece consciente. Veja só: 
 1. O caso de Moisés. 
 Sabemos que Moisés morreu fisicamente (Dt 34.4-6), mas o Novo Testamento foi 
além dessa informação, mostrando-nos que a alma de Moisés permanece consciente (Mc 
9.2-4). 
 2. As almas mencionadas no livro de Apocalipse. 
 Em Ap 6.9-11 temos o registro de que as almas dos crentes estão conscientes. 
Nesse trecho elas clamam pela justiça divina, demonstrando uma atitude que era muito 
comum entre os salmistas de Israel (Sl 28.4; 40.14, 15). 
 3. As palavras de Jesus ao ladrão da cruz. 
 Em Lc 23.43 Jesus garante ao ladrão da cruz que os dois estariam juntos, naquele 
mesmo dia, em um lugar chamado “paraíso”. Não parece haver sentido a idéia de que 
ambos estariam inconscientes. Pelo contrário. Parece mais lógico que Jesus e o ladrão 
iriam se encontrar em estado consciente, o mesmo estado em que se encontra o espírito 
de Moisés. 
 4. As palavras de Jesus com respeito aos patriarcas. 
 Conforme Jesus afirma em Mt 22.31 e 32, os patriarcas estão bem vivos diante de 
Deus. Somente seus corpos é que estão em estado de morte. 
 5. Os dois testemunhos de Paulo. 
 Por duas vezes o apóstolo Paulo comenta sobre o destino de sua alma e, nesses 
dois comentários, ele sugere claramente a consciência pós-morte. O primeiro testemunho 
está em 2 Co 5.6-8. Note que, segundo o apóstolo, enquanto estivermos vivos 
fisicamente estamos vivendo pela fé, e não pelo que vemos (v. 7). Em outras palavras, 
cremos em Jesus, mas não conseguimos visualizá-lo. Quando, porém, deixarmos este 
corpo, habitaremos com o Senhor e poderemos vê-Lo pessoalmente (v. 8). Precisa dizer 
mais alguma coisa? 
 O outro testemunho de Paulo está em Fp 1.21-23. Nesse texto o apóstolo também 
afirma que após a sua morte física ele iria ao encontro de Cristo. 
 6. As descrições que Jesus nos fornece sobre o inferno. 
 Jesus descreve o inferno como um lugar de sofrimento, e sabemos que uma alma 
inconsciente não pode sofrer, gritar, chorar ou fazer qualquer outra coisa que expresse 
sua dor (Mt 8.11, 12; 13.42; 25.30; Mc 9.43; se a alma fica inconsciente, para que se 
preocupar com esse “fogo” do inferno? Jd 7). É claro que essas descrições do inferno são 
figuradas, não literais, pois é impossível que haja, literalmente, fogo e trevas no mesmo 
lugar (Mt 25.30 cf. Mc 9.43). Essas figuras nos ensinam que há sofrimento e angústia 
para as almas que se encontram no inferno. 
 7. A parábola do rico e o mendigo, em Lucas 16.19-31. 
 Nessa parábola Jesus pressupõe a consciência pós-morte dos personagens (23, 
24). Porém, não podemos formar uma doutrina em cima de parábolas, pelo seu caráter 
altamente fictício. Alguns argumentam que a parábola, por ser uma estória inventada, não 
merece crédito. Cabe dizer, porém, que essa é a única parábola de Jesus que cita um 
personagem com nome próprio: Lázaro (v. 20). 
 Quanto à figura de Lázaro “no seio de Abraão”, devemos saber que tal figura 
procura retratar a idéia de comunhão e filiação. Na passagem de Jo 13.23-25, vemos que 
jazer no seio era o lugar dos convidados mais favorecidos. Na qualidade de hóspede 
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favorecido no céu, Lázaro descansava no seio de Abraão, o pai da fé e um dos 
personagens mais importantes para o povo judeu (4.13, 16-18). 
 8. A igreja do céu. 
 Em Hb 12.22, 23 está escrito que o crente tem acesso, entre outras coisas, “à 
universal assembléia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus... aos espíritos dos 
justos aperfeiçoados”. Obviamente, teremos acesso a essa igreja após passarmos pela 
morte física. Paulo também diz, em Ef 3.14 e 15, que a família de Deus (a Igreja) existe 
tanto no céu como sobre a terra. 
Conclusão 
Enfatizamos novamente que a idéia bíblica de morte não tem nada a ver com 
extinção, pois o homem pode estar espiritualmente morto antes de passar pela morte 
física e, mesmo assim, continua consciente (1 Tm 5.5, 6; Cl 2.13; Ap 3.1). Como eu disse 
no tópico da morte física, o conceito de morte, na Bíblia, sempre está associado à idéia de 
“separação”, não de inconsciência. 
Além disso, para nós, que acreditamos no inferno, dificilmente se pode dizer que a 
aniquilação é uma punição, visto que qualquer punição implica necessariamente em 
consciência de sofrimento, ao passo que, quando termina a existência, cessa também a 
consciência (Extraído do Livro Teologia Sistemática, de Louis Berkhof, pg. 698). 
 
Onde as almas estão 
 Onde estão os justos e os ímpios entre a morte e a ressurreição? Já vimos que 
suas almas estão conscientes. Mas onde? 
 Jesus afirmou ao ladrão da cruz, em Lc 23.43, que ambos iriam para um lugar 
chamado “paraíso”. À luz de 2 Co 12.2-4, esse “paraíso” fica no terceiro céu, o lugar onde 
Deus habita. De fato, a Bíblia indica que há três tipos de céu. (1) O primeiro céu é a 
atmosfera que circunda a Terra (Os 2.18); (2) O segundo céu é o das estrelas (Gn 1.14-
18; Hb 11.12); (3) O terceiro céu, também chamado paraíso, é a habitação de Deus e o 
lar de todos os salvos que já morreram. Sua localização exata não está revelada. É ao 
terceiro céu que vemos mencionado em textos como Mc 16.19; Lc 15.7; Jo 3.27 e Ap 
11.15. 
 Quanto aos ímpios, a Escritura ensina que, caso não se convertam, já estão 
condenados, sendo destinados ao inferno (Jo 3.18 e 36; Jd 7). Essa realidade é ilustrada, 
como vimos, na parábola do rico e o mendigo (Lc 16.22-24). 
 As almas dos justos e dos ímpios ficarão respectivamente no céu e no inferno, 
aguardando a ressurreição geral dos corpos e o juízo final, coisas que ocorrerão por 
ocasião da segunda vinda de Cristo. É sobre essa segunda vinda que falaremos a seguir. 
 
Escatologia Geral 
 
4. O retorno de Cristo 
 
 Jesus se referiu ao seu retorno mais de uma vez (Mt 24.30, 31; 25.31; Jo 14.3). 
Anjos apontaram para esse regresso (At 1.10, 11), e os apóstolos falam disso em 
diversas passagens (At 3.19, 20; Fp 3.20; 1 Ts 4.15, 16; Hb 9.28). 
 A expressão “segunda vinda” não ocorre no NT. O termo mais conhecido para 
denotar esse grande evento é a palavra grega παρουσια (parusía, que significa, 
literalmente, “presença”). Essa palavra foi traduzida como “vinda”, e aparece nos 
seguintes trechos bíblicos: Mt 24.3, 27, 37; 1 Ts 2.19; 3.13; Tg 5.7, 8 e 1 Jo 2.28. 
Segundo Berkhof, famoso teólogo reformado, esse termo aponta para “a vinda que resulta 
na presença”. 
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Eventos grandiosos que ocorrerão antes da vinda do Senhor 
 
ª O chamamento dos gentios ou a pregação do Evangelho a todas as nações (Mt 
24.14) 
 As nações deverão ser evangelizadas antes da vinda de Cristo. No final dos 
tempos deverá ser possível dizer que a todas as nações foi dado conhecer o Evangelho. 
Sabemos, porém, que a mensagem de salvação tem tido muita dificuldade de penetrar na 
famosa janela 10/40, que abrange diversos países muçulmanos. 
ª Conversão de todos os eleitos de Deus, sejam judeus ou gentios 
 Haverá a conversão daqueles judeus que foram eleitos segundo a graça de Deus. 
Trata-se de um remanescente, não de todo o Israel (Rm 11.1-5 cf. 9.27). Hoje, por 
exemplo, sabemos que alguns judeus se convertem ao Evangelho (2 Co 3.15, 16) 
Evidentemente, os judeus que tiverem de aceitar a Cristo tomarão tal atitude antes de Sua 
volta e, com isso, estarão anunciando que essa volta está para acontecer. O mesmo 
ocorrerá entre os gentios. O fato é que todos os que forem eleitos terão de vir a Cristo 
antes de Ele retornar a este mundo, pois no Seu retorno não haverá uma segunda chance 
para ninguém (Jo 6.37 cf. Mt 25.10-13; 2 Ts 1.7, 8). 
ª Grande tribulação (Mt 24.21, 29 e 30)