A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
25 pág.
Escatologia   Doutrina das Últimas Coisas

Pré-visualização | Página 5 de 10

crermos que Jesus voltará duas 
vezes, uma vez para a Igreja, antes da Grande Tribulação, e outra para o mundo, como 
ensinam as igrejas pentecostais. A igreja terá de passar pela Grande Tribulação, visto que 
as provações deste mundo fazem parte do plano de Deus para a nossa vida (At 14.22; 
Rm 5.3; 12.12; 2 Co 4.17; 7.4; 8.2; 1 Ts 1.6; Ap 2.9, 10; 7.14). A tribulação aproxima a 
igreja de Deus, além de testar a fidelidade dos verdadeiros crentes. É óbvio que Deus não 
nos deixará abandonados no período da tribulação. Deus jamais permitirá que sejamos 
arrancados definitivamente de suas mãos (Jo 17.15 “não peço que os tires do mundo, e 
sim que os guardes do mal”; Rm 8.35, 39 e Ap 3.10, “te guardarei da hora...”, o mesmo 
verbo grego que foi traduzido por “guardar” em Jo 17.15. Trata-se do verbo τηρησηω, 
terésô). 
 A idéia de que a igreja será arrebatada antes da Grande Tribulação foi semeada 
no Século 19, por alguns norte-americanos pentecostais que receberam “novas 
revelações” nesse sentido. Aqui no Brasil, esse ensino foi popularizado pelo disco “A 
última trombeta”, que traz a revelação que um homem teve sobre esse tipo de 
arrebatamento pregado nas igrejas pentecostais. 
 O arrebatamento da Igreja vai ocorrer exatamente quando Cristo aparecer diante 
de todos os povos do planeta (Mt 24.30, 31). Vamos ao encontro de Cristo nos ares e 
desceremos com ele, como se fôssemos uma comitiva para receber o nosso Senhor e 
escoltá-lo até a terra (Zc 14.5; Cl 3.4). De fato, a palavra grega que foi traduzida por 
 12
“encontro”, em 1 Ts 4.17, é um termo técnico para se referir a um encontro de boas-
vindas, conforme se vê em At 28.14 e 15. Não é exatamente isso que nos ensina a 
parábola das dez virgens, em Mt 25.1-10? As cinco virgens prudentes, aqui 
representando a Igreja, vão receber o noivo que estava chegando e o acompanham até o 
lugar onde o casamento seria realizado (vs. 6-10). Sabemos que o noivo, nessa parábola, 
é Cristo. Note que a Igreja vai receber a Cristo, não para ir embora com ele, mas para 
recebê-lo em comitiva e escoltá-lo até o local do casamento. E onde é o local do 
casamento? Na “nova” terra, a qual será esta mesma terra em que vivemos, só que 
completamente restaurada (Ap 21.1-3). Esse é o ensino bíblico sobre o assunto. 
 
6. A ressurreição geral dos mortos 
 
 Assim como o assunto do “estado intermediário” é explicado mais claramente no 
NT do que no Velho, da mesma maneira ocorre com respeito à ressurreição geral. Foram 
selecionados três textos significativos que mencionam a consciência deste fato, no Velho 
Testamento: Sl 17.15; Is 26.19; Dn 12.1, 25 
 A respeito do Sl 17.15, temos dois comentários, feitos pelas Bíblias Vida Nova e 
Anotada: 
 BVN: “...depois de despertarmos após a morte, teremos o gozo da presença de 
Deus durante toda a eternidade.” 
 BA: “...a ressurreição (acordar) na presença de Deus é eterna.” 
As Bíblias acima também comentam o texto de Is 26.19. 
 BVN: “Sublime testemunho da ressurreição do corpo no AT.” 
 BA: “Este versículo...ensina explicitamente a ressurreição corporal dos crentes.” 
 No Novo Testamento há inúmeras passagens que ensinam sobre a ressurreição, 
tanto a dos justos quanto a dos ímpios: At 4.1, 2; 23.6-8 (veja que Paulo e os fariseus 
admitiam a ressurreição, sendo que os fariseus eram os mestres da Lei de sua época.); 
24.14, 15; 1 Co 6.14; 
 Cristo expõe claramente esta doutrina nos seguintes textos: Jo 5.25-29; 6.39, 40, 
44, 54; 11.23, 24 (veja que Marta tinha conhecimento da ressurreição geral, antes mesmo 
dos escritores do NT escreverem algo sobre o assunto. Isto prova que já havia 
consciência desse assunto entre os judeus.) 
 Paulo pode ser considerado o grande expositor da doutrina da ressurreição em 1 
Co 15. 
 
Como será a ressurreição 
 
 Tomando por base a pessoa de Jesus Cristo, que é referido como “as primícias da 
ressurreição”6 (1 Co 15.20, 21 e 23), e sabendo que Sua ressurreição foi física e corpórea 
(tinha um corpo tangível), com base em Jo 20.27, cremos que assim também se dará na 
ressurreição geral dos mortos. 
 Quem morreu em Cristo participa da chamada “ressurreição dos justos”. Dois 
textos referentes à mesma são: Rm 6.5 e 8.11. Essa ressurreição destruirá todas as 
coisas do “velho corpo” que não se adequarem ao novo estado e o dotará de aptidões 
que o qualificarão para a nova vida. 
 
5 O v. 2 de Daniel 12 diz que “muitos...ressuscitarão”, em vez de dizer “todos ressuscitarão”. Alguns acreditam que o 
escritor queria, simplesmente, enfatizar a grande quantidade de pessoas mortas à época da ressurreição geral. Visto que 
o Novo Testamento ensina claramente que todos ressuscitarão no Dia do Juízo (Jo 5.25, 28 e 29; Ap 20.13), parece 
óbvio que estamos diante de uma sinédoque, onde a palavra “muitos” está sendo usada no lugar de “todos”. 
6 “primícias” significa, segundo a BLH, o “primeiro de todos” 
 13
 
De acordo com 1 Co 15.42-44, 
o corpo sofrerá 4 modificações após a ressurreição: 
 
1ª) “Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na 
corrupção, ressuscita na incorrupção.” (v. 42, partes a e b) 
 “Assim também é a ressurreição dos mortos” refere-se aos versos anteriores, 
que dizem haver diferença entre os corpos, entre as constituições físicas de cada um, 
sejam homens, aves e peixes, entre outros (35, 38-41). Da mesma forma, haverá 
diferença entre o corpo atual que temos e o corpo glorificado que teremos. 
 “Semeia-se...”: a BLH optou pelo verbo “enterrar”, em vez de “semear”. Ficou 
melhor. Veja só: “.. Quando o corpo é enterrado, é um corpo mortal; mas, quando 
ressuscitar, será imortal. Quando ele é enterrado...” E por aí vai. 
 “na corrupção”: a vida humana foi criada em corrupção. Essa palavra “corrupção”, 
no grego, é φθορα (phthóra), e pode significar, entre outras coisas, “destruição e/ou 
dissolução”, o que parece ser o conceito mais adequado a este texto. Logo, o corpo do 
homem foi criado sujeito à destruição, à decomposição, à deterioração. Não é à toa que 
surgem rugas, que envelhecemos, que alguns praticamente “murcham”. A BVN comenta: 
“Corrupção. Sujeito a decomposição.” E a BEP acrescenta: “ressuscita na incorrupção. 
Esse novo corpo não terá possibilidade de deterioração.” Em outras palavras, o novo 
corpo não poderá ser aniquilado, destruído, extinto. 
2ª) “Semeia-se em desonra, ressuscita em glória.” (v. 42c) 
 Esta palavra, “desonra”, poderia ser traduzida de várias formas: “humilhação, 
estado desprezível, rebaixamento”, ensinando-nos que o estado pecaminoso do ser 
humano o humilha, rebaixa, despreza, desonra. Mas, quando ressuscitarmos, seremos 
glorificados como Cristo o foi (Fp 3.21) Encontrar-se em um estado de glorificação é estar 
impossibilitado de ser atingido pelo pecado que macula a perfeição do modo divino de 
vida e convívio. O homem fica impossibilitado de sofrer depravação. Não haverá o 
domínio da carne, pois a nova “carne”, digamos assim, será gloriosa (veja Rm 7.18, 19, 
23 e 25) 
3ª) “Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder.” (v. 43) 
 Surgirá um corpo poderoso, não mais sujeito às enfermidades ou à fraqueza 
(cansaço, fadiga). 
4ª) “Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual.” (v. 44) 
Corpo natural é aquele que foi gerado do pó da terra, é “natural” deste mundo, feito 
de carne e, portanto, não pode herdar o reino de Deus (1 Co 15.50a). Nosso corpo 
passará a ser um corpo espiritual quando for feito de outra substância, não algo terreno, 
como o pó da terra, e sim celestial (veja 1 Co 15.47-49). Logo, esta questão de ser natural 
ou espiritual diz respeito à adaptabilidade do corpo. O corpo natural é adaptado à vida 
humana e terrena. O corpo espiritual é adaptado à vida espiritual e à nova terra. Esse 
novo corpo corresponderá às necessidades da vida espiritual. 
Obs.: Com respeito às transformações do corpo