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Escatologia   Doutrina das Últimas Coisas

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a vida eterna, mas 
sem receber qualquer tipo de galardão (contraste os vs. 14 e 15). Quanto ao fogo como 
elemento de purificação, veja os seguintes textos: Nm 31.22, 23; Ml 3.2-4 e Ap 3.18a. 
Alguém poderia argumentar o seguinte: se o crente de verdade não corre o risco 
de perder a salvação, porque ele se preocuparia em ter boas obras diante de Deus? Só 
pelo galardão? Em primeiro lugar, devemos ter boas obras diante de Deus porque é isso 
que se espera de um crente de verdade, de alguém que realmente ame a Jesus (Jo 
14.21). Se você não se preocupa em agradar a Cristo, então como você pode ter certeza 
de que é uma nova criatura, um crente autêntico? Em segundo lugar, o crente que tiver 
uma vida espiritual relaxada com certeza sofrerá as conseqüências por isso. Deus 
certamente haverá de puni-lo ainda nesta vida (Gl 6.7 e Hb 10.26, 27, 30 e 31; 12.4, 5). 
Quais os resultados específicos do julgamento dos crentes 
 
Citaremos apenas dois: 
a) Receberemos uma posição de superioridade ou inferioridade na nova terra (Mt 
5.19). Com base em trechos assim, muitos estudiosos crêem que na nova terra alguns 
crentes terão mais privilégios do que outros, ou seja, assim como há diferença de funções 
entre os anjos7, haveria uma espécie de hierarquia entre nós, baseada em funções 
diferentes que haveríamos de receber. A parábola das minas8, que fala sobre a volta de 
Cristo, declara de forma implícita que o servo fiel haverá de receber autoridade ou poder 
de governar na nova terra (Lc 19.12-19). É possível que isso ocorra sem afetar nossas 
relações como irmãos, visto que não teremos mais qualquer tipo de sentimento facciosos 
ou inveja uns dos outros. 
b) Receberemos um presente, uma recompensa ou galardão pelas obras 
praticadas nesta vida terrena (1 Co 3.11, 14), mas não temos informações específicas 
sobre que tipo de “tesouros” iremos receber (Mt 6.19, 20). 
Para terminar essa parte de galardão do crente, devo dizer que tais galardões são 
imerecidos, sendo verdadeiros dons da graça de Deus (Lc 17.10; 1 Co 4.7; Fp 2.12, 13). 
Veja a resposta que foi dada, no Catecismo de Heidelberg, à sua Pergunta 63: Pergunta: 
“Nossas obras, então, não têm mérito? Deus não promete recompensá-las nesta vida e 
na futura?” Resposta: “Essa recompensa não nos é dada por mérito, mas por sua graça 
(Lc 17.10)”. 
 
Duas questões complexas 
 
Toda vez que estudamos sobre o Juízo Final há sempre duas questões que nos 
são apresentadas. A primeira delas é a seguinte: Como fica a situação daqueles que 
nunca ouviram o Evangelho? Serão todos condenados (Rm 2.12). A única maneira de 
ser salvo é crer no Messias. O povo do Velho Testamento foi salvo por causa disso, bem 
como os judeus que creram em Jesus quando Ele veio ao mundo (Jó 19.25; Jo 1.11, 12 e 
 
7 A Bíblia diz que, além dos anjos, há arcanjos (Jd 9) Um anjo, por nome Gabriel, disse que “assistia diante 
de Deus”. Foi esse anjo que avisou Zacarias sobre o nascimento de João Batista (Lc 1.13, 19) e avisou 
Maria sobre o nascimento de Jesus (Lc 1.26, 27 e 31). O profeta Isaías, no Cap. 6 de seu livro, viu anjos, 
chamados serafins, que ficam diante do trono de Deus, exaltando e glorificando Seu nome. Isso não é um 
privilégio? Há outro tipo de anjo, chamado querubim, cujo objetivo é guardar as coisas sagradas de Deus, 
para que não sejam violadas (Gn 3.24 e Ex 37.6, 7 e 9). Fica claro, por esses textos, que os anjos têm 
privilégios e funções diferentes. 
8 A mina representava uma quantia semelhante a cerca de três meses de ordenado. 
 17
At 15.10, 11). Infelizmente as nações da época do Velho Testamento foram condenadas, 
justamente por não terem um conhecimento salvífico com respeito ao Deus verdadeiro (At 
14.15-17 cf. Rm 1.18-20). Mesmo que isso nos espante, devemos lembrar que não há 
qualquer injustiça em Deus condenar pecadores, visto que a Bíblia ensina claramente que 
o salário do pecado é a morte (Rm 6.23a). 
A segunda questão normalmente levantada quando falamos sobre o Dia do Juízo é 
a seguinte: É verdade que os crentes julgarão o mundo? Sabemos que alguns textos 
atribuem aos crentes a função de juizes, tanto de homens quanto de anjos caídos. Veja, 
por exemplo, Mt 19.28 e 1 Co 6.1-3 (compare o v. 3 com 2 Pd 2.4 e Jd 6). Infelizmente 
não sabemos como será a participação dos crentes como juízes no Dia do Juízo Final, 
pois a Bíblia não dá qualquer tipo de informação sobre isso, e nem os melhores teólogos 
se arriscam a fazê-lo. 
 
8. Novo céu e nova terra 
 
A expressão “novo céu e nova terra” (Ap 21.1) se refere à transformação ou 
renovação deste mundo. Trata-se da restauração da Criação para a habitação dos filhos 
de Deus. Vejamos, abaixo, as bases bíblicas para essa afirmação. 
 
1) TODA A CRIAÇÃO FOI AFETADA PELO PECADO, NÃO SOMENTE A 
HUMANIDADE. 
 Gn 3.17, 18 
Um exemplo claro do quanto a Criação foi afetada por ser visto nas desordens naturais 
como terremotos, maremotos, El Ninõ, aquecimento do Sol etc. 
 
2) DIANTE DISSO, DEUS NÃO VISA SOMENTE REDIMIR OU RESTAURAR A 
HUMANIDADE CAÍDA. ELE VAI RESTAURAR TODA A SUA CRIAÇÃO. 
 Rm 8.19-23; Is 65.17-19, 25; 11 (o capítulo inteiro); 
Inclusive, há duas palavras gregas que querem dizer “novo” ou “nova”. A primeira é néos 
(νεος), e se refere a algo totalmente novo, que está vindo à existência pela primeira vez. A 
segunda é kainós (καινος). Esta, por sua vez, refere-se a algo que já existia e que foi 
renovado ou feito novo. Adivinhem qual é a palavra que temos em Ap 21.1? Kainós. Essa 
mesma expressão grega aparece em 2 Co 5.17, para se referir ao crente como uma 
“nova” criatura. Ora, sabemos que, quando nos tornamos novas criaturas, isso não quer 
dizer que a pessoa anterior foi destruída e que surgiu um novo ser humano, 
completamente desvinculado do anterior. Pelo contrário. Ser nova criatura é ser a mesma 
pessoa, só que uma pessoa transformada pelo Espírito Santo de Deus. 
 
3) PORTANTO, ESSA RESTAURAÇÃO DA CRIAÇÃO VISA PURIFICÁ-LA DA 
MALDIÇÃO DO PECADO PRONUNCIADA EM GN 3.17, 18. 
 
Visto que o fogo, na Bíblia, muitas vezes é tido como um elemento de purificação (Nm 
31.22, 23; Ml 3.2-4; 1 Co 3.12-15, especialmente v. 15; Ap 3.18a), o apóstolo Pedro diz 
que a purificação deste mundo se dará pelo fogo (2 Pd 3.5-7, 10-13). Note que nesse 
mesmo capítulo o apóstolo Pedro diz que o mundo, nos dias de Noé, pereceu (v. 6). Mas 
sabemos que aquele mundo que pereceu é o mesmo nosso. Na verdade, o que 
aconteceu é que as águas do dilúvio purificaram o mundo do pecado, ou melhor, dos 
ímpios que viviam aqui. O mesmo vai acontecer quando do surgimento de um novo céu e 
uma nova terra. Haverá a purificação do pecado que existe neste mundo. Só que, aí, será 
uma transformação completa. Não somente os ímpios serão banidos deste mundo, mas o 
pecado pronunciado sobre a Criação também. Portanto, esse “fogo” mencionado por 
Pedro representa tanto a destruição do mal quanto a purificação deste mundo. Essas 
 18
duas coisas são sinônimas (Sf 3.8 cf. Ml 3.2). 
 
4) APÓS A PURIFICAÇÃO OU RESTAURAÇÃO DA CRIAÇÃO, A CARACTERÍSTICA 
MARCANTE DOS NOVOS CÉUS E NOVA TERRA SERÁ A PRESENÇA DA JUSTIÇA. 
 2 Pd 3.13 
Em outras palavras, prevalecerá a justiça divina, ou seja, aquilo que é certo e bom, de 
acordo com a vontade de Deus. 
 
5) ENTÃO, DEUS PASSARÁ A HABITAR COM OS HOMENS NESTA TERRA 
TRANSFORMADA. 
 Ap 21.2, 3 
Sabemos que Deus não vive entre os homens hoje. Ele vive em um lugar que 
normalmente chamamos de céu ou céus, no plural (Mt 6.9, 10; 7.11; Hb 9.23, 24), paraíso 
(Lc 23.43; 2 Co 12.4), terceiro céu (2 Co 12.2) ou Jerusalém celestial (Hb 12.22). 
Atualmente, somente os crentes que já morreram vivem nesse lugar com Deus. 
Porém, quando este mundo for restaurado, Deus voltará a habitar com o homem, como 
era no princípio, no jardim do Éden (Gn 2.19; 3.8). O plano original, iniciado em Gênesis,