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Escatologia   Doutrina das Últimas Coisas

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passa a ter continuidade. 
Por isso é que Ap 21.1, 2 diz que a Jerusalém celestial descerá para a nova terra. O 
resultado está no v. 3: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com 
eles...”. 
 
9. O estado final dos ímpios e dos justos 
 
 O estado final dos ímpios é o “lago de fogo” (Ap 20.15), um nome usado na Bíblia 
para designar o “inferno final”, no qual habitará todos os que forem condenados à morte 
eterna. Esse será o destino não somente dos ímpios, mas de Satanás9, do Anticristo e do 
falso profeta (Ap 20.10). Note que, nesse lugar, as pessoas serão atormentadas “de dia e 
de noite, pelos séculos dos séculos”. 
 O estado final dos justos, como já foi estudado, será nesta mesma terra, só que 
completamente purificada do pecado. 
 
Como será na nova terra 
 
 Antes de mais nada, vamos recapitular: 
1º) O terceiro céu (2 Co 12.2), que é a morada de Deus, e a nova terra, serão uma 
coisa só. Esta junção pode ser vista pela descida da nova Jerusalém (do céu) e a 
afirmação de que Deus passa a habitar com seu povo (Ap 21.2, 3) 
2º) Na nova terra os crentes habitarão em seus corpos físicos transformados. No 
estado intermediários os crentes vivem no céu, apenas em espírito. 
Cientes disso, vamos às características da nova terra: 
¾ Nós reinaremos sobre ela como vice-gerentes de Deus, assim como foi no início, com 
Adão e Eva (Ap 5.9, 10 cf. Gn 1.27, 28). 
¾ Reconheceremos nossos familiares e amigos queridos que já partiram antes de nós. 
Isso é deduzido pelos seguintes fatos: 
1. Moisés foi reconhecido por Pedro (Mt 17.1-4). 
 
9 Alguns questionam o fato de Satanás ser condenado ao inferno, uma vez que, popularmente, ele é 
considerado como o chefe de lá. Ora, se Satanás é ou não um líder no inferno, o fato é que ele passará a 
sofrer os tormentos do mesmo (Ap 20.14). 
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2. A ressurreição envolve uma volta do espírito para o mesmo corpo, e não um 
corpo diferente. Reencarnação é que diz respeito a corpos diferentes. 
3. Ressuscitaremos à semelhança de Cristo, e Cristo ressuscitou com a mesma 
aparência terrena (1 Co 15.20-23 cf. Mt 28.8, 9; Lc 24.13-16, 30 e 31). 
4. A transformação do corpo não envolve aspectos estéticos, os quais mudam em 
cada geração (1 Co 15.42-44). Basta ver o padrão de beleza do Século 19 e 
comparar com o do Século 20. 
¾ Nessa nova terra não haverá lágrimas (Ap 21.4). Ou seja, serão banidos o choro e a 
dor. Isso quer dizer que não haverá mais mortes. Não haverá acidentes fatais, doenças 
incuráveis nem serviços fúnebres. 
¾ Haverá uma cidade santa, provavelmente no centro da nova terra (Ap 21.23, 24), um 
lugar onde todas as nações de crentes se encontrarão periodicamente para adoração (Is 
66.22, 23). 
¾ Mas não haverá templo na cidade, e é fácil entender por quê. Afinal, os habitantes da 
nova terra terão comunhão direta e contínua com Deus (Ap 21.22). 
¾ Os reis ou governantes da nova terra, bem como todos os seus habitantes, levarão a 
Deus como oferta tudo aquilo que for produzido entre as nações, especificamente aquelas 
coisas que trazem glória ao Seu nome (Ap 21.24-26). 
 Imagine como será a produção cultural e artística na nova terra. E a produção 
científica? Certamente recuperaremos os cem por cento de nossa capacidade mental; o 
nosso domínio sobre a natureza será completo e a nossa união de forças e conhecimento 
será total. Sim, as nossas obras nos acompanharão, só que numa dimensão inimaginável 
(Ap 14.13). 
¾ Na nova terra as nações viverão em paz (Is 2.4). Todos, sem exceção, servirão a Deus 
(Ap 22.3). 
Se todos servirão a Deus, o projeto original, com Adão e Eva, será retomado (Is 
65.17, 21, 22, 24 e 25). E, com obediência, o resultado só pode ser alegria e louvor ao 
nosso Deus (Is 61.7, 11) 
 
Amém. Vem, Senhor Jesus! 
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Apêndice sobre o Milênio 
 
 Analisemos a questão do “milênio”, um dos pontos mais controvertidos e 
polêmicos da Escatologia. Milênio é a palavra latina para a expressão “mil anos”, e o 
texto básico para sua discussão é o de Ap 20.1-10. A expressão também aparece em 2 
Pd 3.8 
 Há 3 sistemas de interpretação com respeito ao significado desse período. São 
eles: (1º) Pré-milenismo ; (2º) Pós-milenismo; (3º) Amilenismo. 
 
ª O Pré-milenismo ensina que o milênio é um longo período de paz e justiça, 
durante o qual Cristo governará em pessoa, como rei, nesta Terra. Portanto, a 
segunda vinda ocorrerá antes desse período, daí a designação “pré”. 
Entre os pré-milenistas há os pré-tribulacionistas, os mid ou meso-tribulacionistas e 
os pós-tribulacionistas. Os primeiros crêem que a Igreja será arrebatada secretamente 
antes da grande tribulação que ocorrerá no fim dos tempos (a Igreja ficaria no céu com 
Cristo, vindo com o Senhor em sua segunda vinda, após a grande tribulação) Estes são 
chamados pré-milenistas dispensacionalistas10; o segundo grupo acha que a Igreja 
será arrebatada no meio da grande tribulação; o terceiro grupo acredita que Cristo virá 
após a tribulação - neste caso, o arrebatamento e a segunda vinda seriam uma coisa só; 
estes últimos são conhecidos como pré-milenistas históricos. 
 
ª O Pós-milenismo ensina que o reino de Deus está atualmente sendo 
expandido através do ensino e pregação cristãs. Essa atividade fará com que o 
mundo se cristianize e resultará em um longo período de paz e prosperidade 
chamado milênio. O mal não será eliminado, mas reduzido a um mínimo conforme a 
influência moral e espiritual dos cristãos cresce. Somente no fim desse milênio 
haverá uma manifestação grandiosa das forças do mal, juntamente com o 
surgimento do Anticristo. Então, Cristo virá. Portanto, a segunda vinda ocorrerá 
após o milênio, daí a designação “pós”. 
 
ª O Amilenismo (“a” significando “não”, mais “milenismo”, referindo-se a 
“milênio”; significa, literalmente, “negação do milênio”) é o terceiro sistema, e 
aquele adotado, em tese, pelos presbiterianos. Louis Berkhof, em seu Teologia 
Sistemática, pg. 714, diz, quanto ao Amilenismo: “sempre foi o conceito mais amplamente 
aceito, é o único que vem expresso ou implícito nas grandes confissões históricas da 
igreja, e sempre foi o conceito predominante nos círculos reformados”. Américo J. Ribeiro, 
conhecido pastor presbiteriano e autor do livro Iniciação Doutrinária, da Editora “Luz para 
o Caminho”, acrescenta, em seus escritos, que: “os argumentos que embasam a 
atitude...do amilenismo...são também sólidos, quer do ponto de vista histórico, quer 
bíblico.”(pg. 166) 
O mesmo Ribeiro explica, em seu livro, que a palavra “amilenismo” somente tem 
sentido no aspecto em que nega os conceitos do milênio segundo os pré e os pós-
 
10 O Dispensacionalismo é um sistema de interpretação criado por J. N. Darby (1800-1882) “Ele descreveu 
a vinda de Cristo antes do milênio consistindo de dois estágios: o primeiro, um arrebatamento secreto 
removendo a igreja antes da Grande Tribulação devastar a terra; o segundo, Cristo vindo com seus santos 
para estabelecer o reino. Ele cria também...que os propósitos de Deus na Escritura podiam ser entendidos 
através de uma série de períodos de tempo chamados dispensações.” (Extraído do livro “Milênio - 
Significado e Interpretações”). As sete “dispensações” são: 1ª) Da Inocência - no Éden; 2ª) Da Consciência - 
da queda ao dilúvio; 3ª) Do Governo Humano - do dilúvio à chamada de Abraão; 4ª) Da Promessa - de 
Abraão ao Sinai; 5ª) Da Lei - do Sinai ao ministério público de Cristo; 6ª) Da Graça - do ministério público de 
Cristo à Sua segunda vinda; 7ª) Do Reino - da volta de Cristo ao fim do Seu reinado terrestre (neste caso, o 
“milênio pré-milenista”). 
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milenistas. Na verdade, o Amilenismo também apregoa a existência de uma espécie de 
milênio. Por isso, o autor acha o termo inapropriado, preferindo usar a designação 
“milênio