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Escatologia   Doutrina das Últimas Coisas

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inaugurado” (pg. 173) 
Se, de fato, o amilenismo admite uma espécie de milênio, como ele seria? 
 
Ap 20.1-10 
 
Indo diretamente à passagem objeto deste estudo, e considerando a natureza 
simbólica do livro, crê-se que a expressão “mil anos” não é literal, mas simbólica. 
Portanto, interpreta-se que essa expressão refere-se a um longo e indefinido período de 
tempo. 
Sabemos, pelo início da passagem, que Satanás foi preso11 por mil anos, para que 
“não mais enganasse as nações” (vs. 2 e 3). Agora, indo ao texto de Mt 12.24-29, vemos 
a necessidade de se “amarrar” - o mesmo verbo usado em Ap 20.2, do qual deriva a 
palavra “preso” - o valente (Satanás), para impedi-lo de agir em determinada área ou na 
vida de alguma pessoa. No caso de Mt 12.29, ele não pôde continuar possuindo o corpo 
de alguém, deixando-o, por meio da possessão, cego e mudo (Mt 12.22-24). Já em Ap 20, 
ele ficaria amarrado para não enganar as nações. Sabemos que Satanás considerava-se, 
com efeito, o dono deste mundo (Lc 4.8) Sabemos também que, na época do VT, todas 
as nações do mundo, exceto Israel, estavam sob o governo de Satanás. Repetimos: todas 
as outras nações, salvo algumas exceções, como uma pessoa, família ou cidade que, 
ocasionalmente, entrasse em contato com a revelação especial de Deus, viviam sob 
densas trevas espirituais, cada qual andando segundo seus próprios caminhos (At 14.16), 
ignorantes (At 17.30) e cegos pelo poder de Satanás (2 Co 4.4) 
Quando de Sua primeira vinda, Cristo mudou radicalmente esse quadro descrito 
acima, por intermédio de Sua Igreja. Ele “amarrou” o valente, e deu à Igreja autoridade 
para proclamar boas-novas de Salvação a todos os povos, sendo que, agora, as portas 
do inferno não prevalecerão contra a Igreja (Mt 16.18) e Satanás não poderá mais 
enganar as nações, desviando-as dos caminhos de Deus. Ele está amarrado num duplo 
sentido: primeiramente, ele não pode impedir que a Igreja cumpra sua tarefa missionária e 
evangelística, nem tampouco cegar a consciência dos que desejam receber o evangelho. 
Veja que Jesus, quando falava sobre a aproximação de Sua morte, disse, em João 12.31, 
32: “chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será 
expulso. E eu, quando for levantado da Terra, atrairei todos a mim mesmo.” Para 
isto acontecer, basta que preguemos o evangelho a todos os povos (Rm 10.13, 14 e 17). 
Hoje há esperança para conversões sem que Satanás nos atrapalhe, pois ele não pode 
manter as pessoas no inferno ou a caminho do mesmo. 
Evidentemente, o fato de ele estar preso ou amarrado não quer dizer inércia total, 
pois, como está escrito em 1 Pd 5.8 e 9, ele é um “leão...procurando alguém para 
devorar”. Por isso, voltamos a explicar: “amarrar o diabo” significa impedi-lo de agir em 
determinada área ou na vida de alguma pessoa. Entendemos que o milênio citado nos 
vs. 1-3 está ocorrendo na Terra. Este milênio começou na primeira vinda de Cristo e vai 
até o seu retorno triunfante, sendo que, no final desse período, Satanás será solto por 
pouco tempo, até que, inesperadamente, Cristo voltará segunda vez e o vencerá. 
Os vs. 4-6 falam do mesmo milênio citado acima, mas agora nos revela como 
ele ocorre no céu. Este trecho mostra os santos com Cristo, no estado intermediário. 
Aqui reinam suas almas. Depois da segunda vinda, os santos continuarão a reinar, porém 
em um corpo glorificado. Analisemos os vs. 4-6, um por um: “Vi também tronos, e 
nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as 
almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da 
 
11 Esta palavra, “preso”, deriva do verbo grego δεω, que pode significar, também, “atar ou amarrar”. 
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palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua 
imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão;” 
A palavra “trono” é usada 47 vezes no livro de Apocalipse. Todos, menos três 
desses tronos (2.13; 13.2; 16.10) parecem estar no Céu. Além disso, João vê “almas”. Daí 
porque cremos que agora se trata de uma visão do milênio no Céu. João está tendo uma 
visão do estado intermediário, onde estão aqueles que morrem em Cristo, desde Sua 
primeira vinda até Seu retorno. 
O fato de que os santos estão sentados em tronos mostra que todos eles têm uma 
posição privilegiada, assim como Jesus prometeu em Ap 3.21. A afirmação de que teriam 
“autoridade de julgar” é tratada em outra parte desta mesma apostila. 
A expressão “almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus” deixa 
claro que estes são os mártires da Igreja (veja um texto paralelo a este em Ap 6.9-11), e a 
expressão “tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem...” refere-
se especificamente àqueles que morreram no período da grande tribulação (Ap 13.4, 7-10 
na BLH, e 15-17; 14.9-11; 15.2) É lógico que, assim como estes que foram citados, todos 
aqueles que permanecerem fiéis a Cristo - no passado, no presente e no futuro - até o 
fim, receberão a mesma recompensa (veja novamente Ap 3.21) 
 “...e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos 
mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira 
ressurreição.” 
Vejamos, com cuidado, o que o texto diz: o apóstolo João chama de “primeira 
ressurreição” o “viver e reinar com Cristo” (v. 4). Essa ressurreição é chamada de 
“primeira” porque ocorre no momento em que somos regenerados (Rm 6.11; Ef 2.5, 6; Cl 
3.1-3). Note que nessas passagens o termo ressurreição é usado para descrever a 
regeneração. Todos quantos são regenerados ressuscitaram com Cristo. Essa é a 
“primeira ressurreição”, a ressurreição espiritual. Já a ressurreição do corpo seria a 
“segunda” ressurreição. Concluímos, então, que esse “restantes dos mortos” são aqueles 
que ímpios que permaneceram fisicamente mortos até que se completassem os mil anos 
(v. 5), ou melhor, até que Cristo voltasse e os ressuscitasse fisicamente. 
Veja bem: esse restante já está morto fisicamente, e, após o milênio, ressuscitará e 
estará sujeito à “segunda morte”, também conhecida como “lago de fogo” (vs. 5, 6, 13-15) 
Quando isso ocorrer, é porque os mil anos terão acabado e Jesus terá voltado. 
Os vs. 7-10 comprovam que Satanás será solto no fim do milênio e, juntamente 
com Gogue e Magogue (Ez 38.2), que representam todo o mundo ímpio que se unirá 
contra a Igreja, darão início à famosa batalha do Armagedom. Eis que Cristo surgirá de 
repente e destruirá seus inimigos. Satanás será lançado no lago de fogo e enxofre (onde 
já se encontrarão a besta e o falso profeta). Seguir-se-á o juízo final, definindo-se o 
destino dos justos e injustos, e o estabelecimento definitivo do Reino de Deus. 
É bom deixar claro que esta é apenas uma das posições, especificamente a da 
IPB, quanto ao significado do milênio. Porém, o professor presbiteriano Américo J. Ribeiro 
disse o seguinte, com respeito a isso: “... esta teoria está sujeita a muitas objeções. 
Sustentamos, porém, que todas as outras que se propõem a interpretar a intrincada 
passagem de Apocalipse 20.1-10 estão também sob o peso de objeções porventura ainda 
mais graves e numerosas.”(pg. 190) 
Devo dizer ainda que, embora teoricamente a posição da Igreja Presbiteriana do 
Brasil seja amilenista, a maioria dos pastores presbiterianos brasileiros são, de fato, pré-
milenistas. Há também aqueles que não estudam seriamente o assunto e acabam 
misturando e transmitindo ensinos do pré, do pós e do amilenismo. Como não se trata de 
algo referente à salvação do indivíduo, há a liberdade para discordâncias. Como palavra 
final, de tudo que foi estudado, aconselhamos que sejam guardadas como dogma a 
verdade escatológica fundamental e indiscutível, qual seja, Cristo realmente virá, e 
devemos estar preparados! 
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BIBLIOGRAFIA 
 
 
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