ESTUDO PROVA DE PIDH
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ESTUDO PROVA DE PIDH


DisciplinaProteção Internacional dos Direitos Humanos4 materiais121 seguidores
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1ª PROVA PIDH 
Unidade 1 
Cap. 1 \u201cTratado de Direito Internacional dos Direitos Humanos\u201d \u2013 Cançado Trindade 
A proteção internacional dos DH: antecedentes e primeiros passos 
 Na época dos dois grandes conflitos mundiais não existiam órgãos internacionais de 
implementação e aos indivíduos não era reconhecida a capacidade processual no plano 
internacional. A proteção dos direitos individuais se efetuava inevitavelmente com algumas 
variantes no contexto das relações interestatais. Assim, não era de se estranhar que um mecanismo 
baseado em ultima analise no livre arbítrio dos Estados viesse a dar margem a inúmeros abusos de 
que dá testemunho a prática diplomática do século XIX e inicio do século XX. 
 Os indivíduos e grupos particulares, até então desprovidos de capacidade processual no 
plano internacional, passaram a atuar nesse muito timidamente através de petições a conferências ad 
hoc. Mas ainda faltava um órgão internacional permanente para processar tais petições. A 
capacidade processual dos indivíduos passou a ser gradualmente reconhecida. Na era da SDN 
destacam-se os sistemas de minorias e de mandatos; em que os habitantes das minorias de certos 
países europeus podiam enviar petições aos comitês de minorias, e ainda, as petições dos habitantes 
dos territórios sob mandato eram enviadas a Comissão Permanente dos Mandatos. Tal sistema veio 
a ter como sucessor na ONU o atual sistema de tutela, sob o qual também se reconhece o direito de 
petição individual. 
 A capacidade processual internacional dos indivíduos contou assim com reconhecimento em 
experiências de direito internacional antes mesmo da adoção das Declarações Universal e 
Americana de Direitos Humanos (1948), ponto de partida do processo de generalização da proteção 
internacional dos DH. 
A Carta Internacional dos Direitos Humanos 
 Ao final das reuniões celebradas em Paris, em 26/06- 02/07/1947, A comissão so Princípios 
Filosóficos dos DH, da UNESCO, reuniu suas conclusões no documento intitulado: Bases de uma 
Declaração Internacional de DH. A referida Comissão observou que uma declaração universal 
confrontar-se-ia com interpretações varias derivadas das distintas filosofias prevalecentes em cada 
época. Na Declaração, adotada e proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 
10/12/1948, foram inclusos os direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. 
 Há que reconhecer o mérito da Comissão de Direitos Humanos por ter conclusivo o Projeto 
dos dois Pactos, apesar da diversidade de pontos de vista, tarefa difícil de realizar em uma época 
caracterizada pelos conflitos ideológicos da Guerra Fria e também marcada pelo processo incipiente 
de descolonização, cujos impactos se podiam fazer sentir em seus trabalhos. O quadro geral de 
implementação, adotado em 1966, compreendia 3 medidas principais: o sistema de relatórios, 
comum a ambos os pactos; o sistema de comunicações interestatais, constantes do Pacto de Direitos 
Civis e Políticos; e o sistema de comunicações individuais. O Pacto de Direitos Econômicos, 
Sociais e Culturais entrou em vigor em 03/01/1976 e o de Direitos Civis e Políticos em 23/03.1976. 
Com os dois Pactos em vigor, concretizava-se a Carta Internacional dos DH, acelerava-se o 
processo de generalização da proteção internacional dos DH e abria-se o campo para a gradual 
passagem da fase legislativa à de implementação dos tratados e instrumentos internacionais de 
proteção. 
Beatriz Sartori Bernabé
Beatriz Sartori Bernabé
Beatriz Sartori Bernabé
Beatriz Sartori Bernabé
Beatriz Sartori Bernabé
Beatriz Sartori Bernabé
Beatriz Sartori Bernabé
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O Processo de Generalização da proteção internacional dos Direitos Humanos 
 No tocante à projeção normativa, constituíram ambas as Declarações (Americana e de DH) 
um ímpeto decisivo. Este processo passou a visar a proteção dis ser humano como tal, e não mais 
sob certas condições ou em setores circunscritos como no passado. As declarações sobre DH 
abriram caminho para a adoção de tratados sobre a matéria. 
 No decorrer dos anos, e a partir da DUDH de 1948, multiplicaram-se os tratados gerais de 
DH e os dois Pactos da ONU (supra) e as 3 convenções regionais (Europeia, Americana e Africana) 
de DH, quanto especializados, voltados a setores ou aspectos especiais da proteção dos DH. A 
DUDH afigura-se assim como fonte de inspiração e um ponto de irradiação e convergência dos 
instrumentos sobre DH em nível global e regional. Isso sugere que os instrumentos regionais e 
globais sobre DH, inspirados e derivados de fonte comum, se complementam, desviando o foco de 
atenção ou ênfase da questão clássica da estrita delimitação de competências para a da garantia de 
uma proteção cada vez mais eficaz dos DH. Assim, a multiplicação desses instrumentos globais e 
regionais teve o propósito e a consequência de ampliar a proteção devida às supostas vítimas. 
 Ressalta-se ainda a interação entre as declarações de DH e os dispositivos das cartas 
constitutivas de organizações internacionais voltados à observância dos DH. Desse modo, tanto os 
dois Pactos de DH da ONU quanto as convenções especializadas referem-se não só à DUDH, mas 
também à Carta das Nações Unidas. Em nível global, a interação entre a DUDH e a Carta das 
Nações Unidas explica-se pelo fato de que os próprios órgãos da ONU tem não raro utilizado a 
DUDH como fonte de interpretação dos dispositivos de DH da Carta das Nações Unidas. 
 Independentemente das posições individuais de Estados Membros da ONU em relação a tais 
convenções, instrumentos tecnicamente não mandatório têm igualmente exercido efeitos jurídicos 
sobre Estados Membros da Organização. Também, tem-se feito uso do direito internacional no 
propósito de ampliar e aprimorar a proteção dos DH. 
 No Plano Processual, três são os principais métodos de implementação internacional dos 
DH, com variantes: o sistema de petições ou reclamações ou comunicações, o sistema de relatórios 
e o sistema de determinação dos fatos ou investigações. O primeiro é acionado ou provocado pelas 
supostas vitimas, ao passo que os dois últimos constituem métodos de controle exercidos ex officio 
pelos órgãos de supervisão internacionais. Os órgão de supervisão internacionais têm operado sobre 
bases jurídicas distintas, a saber, tratados ou convenções de DH, instrumentos constitutivos das OI e 
instrumentos outros que tratados (resoluções de OI). 
 Em 1967, a Comissão ECOSOC, passou a lograr de condições necessárias ao 
estabelecimento de mecanismos para a proteção efetiva dos DH. Assim, a velha objeção da 
competência nacional exclusiva em relação aos DH passou a não valer mais. Adentramo-nos então, 
definitivamente na era dos DH, na qual Estado algum pode deixar de responder pelo tratamento 
dispensado a seus habitantes. Longe de recair em seu domínio reservado, como se invocava no 
passado, é essa hoje uma matéria de interesse reconhecidamente legítimo por parte da comunidade 
internacional. Deve-se destacar também o importante papel exercido pelo processo dinâmico de 
interpretação na evolução da proteção internacional dos DH. Construção jurisprudencial dos 
distintos órgãos de supervisão internacionais tem se mostrado consistentemente convergente, ao 
enfatizar o carretam objetivo das obrigações e a necessidade de realização do objeto e propósito dos 
tratados ou convenções em questão. 
 Alcançamos hoje, um estagio de evolução em que a busca alentadora de um núcleo comum 
de direitos fundamentais interrogáveis, como conquista definitiva da civilização, ao passo que, 
concomitantemente, no plano processual, continua a prevalecer a ausência de hierarquia entre os 
distintos mecanismos de proteção. Tais mecanismos têm, na pratica, se reforçado um ao outro 
revelando ou compartilhando uma natureza essencialmente complementar. 
Beatriz Sartori Bernabé
Beatriz Sartori Bernabé
Beatriz