PETIÇÃO CASO CONCRETO 5   PRATICA SIMULADA I
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PETIÇÃO CASO CONCRETO 5 PRATICA SIMULADA I


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PRATICA SIMULADA I
Prof.: CRISTIANE RODRIGUES DUTRA
 UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
 Curso de Graduação em Direito
 Aluna: Thamyris da Silva Barros
 PRATICA SIMULADA I
 (CASO CONCRETO 5)
 Setembro
 2018
 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CÍVEL DA COMARCA DE BRUSQUE-SC
PAULO, brasileiro, viúvo, militar da reserva, idoso na forma da lei, residente e domiciliado na Rua Bauru, 371, Brusque/SC, inscrito no registro geral sob o correspondente número xxxxxx e no cadastro nacional de pessoas físicas xxxxxx, vem, mui respeitosamente, através de seu advogada Thamyris Barros, OAB/RJ xxxxxx, residente e domiciliada na Rua x, São João de Meriti- RJ, e-mail: xxx@xxx, vem mui respeitosamente a este juízo PROPOR, PELO RITO COMUM, AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULID ADE DE NEGÓCIO JURÍDICO, em face de JUDITE, brasileira, solteira, advogada, residente na Rua dos Diamantes, n° 123, Brusque/SC, e de JONATAS, espanhol, casado, comerciante e sua esposa JULIANA, brasileira, casada, ambos residentes na Rua Jirau, 366, Florianópolis cujo cadastro n os registros gerais de pessoas físicas é ignorado, PELOS MOTIVOS QUE PASSA A EXPOR: 
I. DAS PRELIMINARES
I.II. DA GRATUÍDADE JUDICIÁRIA
Requer o autor nos termos da lei n° 1060 de 1950 e do artigo 98 e seguintes do CPC, que lhe seja concedido o benefício da justiça gratuita, tendo em vista que o mesmo não pode arcar com as custas processuais e com os honorários advocatícios sem prejuízo de seu próprio sustento.
\u201cArt. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios têm direito à gratuidade da justiça, na forma da lei\u201d
I.II. DA COMPETÊNCIA DE JUÍZO
 É competente este foro para propositura da presente ação haja vista que o objeto do caso em tela trata-se da efetiva validade sobre a competência para alienação, por esta razão resta-se nítido tratar-se de direito pessoal podendo ser a demanda postulada no domicílio do autor, pessoa idosa nos termos da lei, conforme dicção do artigo 53, inciso III, alínea \u201ce\u201d do CPC.
\u201cArt. 53. É competente o foro: III - do lugar: (...) 
e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo estatuto;\u201d
I.III. DA TRAMITAÇÃO PRIORITÁRIA
O autor da presente demanda é pessoa idosa na forma da lei, o mesmo possui 65 ( sessenta e cinco), anos de idade, com isso o arrimo da tramitação prioritária na prestação jurisdicional se faz necessário, devendo sua causa ter prioridade de análise e celebridade em toda a tramitação de atos, diligências e procedimentos do feito, conforme o que aduz o artigo 71 da Lei nº 10.741/03 (Estatuto do Idoso) e o artigo 1.048 do CPC nesse ínterim:
\u201cArt. 71. É assegurada prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. (Lei nº 10.741/03)\u201d
\u201cArt. 1.048. Terão prioridade de tramitação, em qualquer juízo ou tribunal, os procedimentos judiciais:
 I - em que figure como parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos ou portadora de doença grave, assim compreendida qualquer das enumeradas no art. 6º, inciso XIV, da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988.\u201d
I.IV. DO LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO. 
 Excelência, como se verá no decorrer do presente feito, tornar-se-á explicitamente necessário o estabelecimento do litisconsórcio passivo necessário simples, tendo em vista da conexão entre os pedidos e a causa de pedir que o feito reclama perante os Réus, e a inda, podendo-se acrescentar o contexto fático e jurídico do caso exposto. Nos termos dos artigos 113 e 114 e seguintes do CPC: 
\u201cArt. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando: 
I- entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide;
 II - entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir;
 III - ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito.\u201d
 \u201cArt. 114. O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela natureza da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da citação de todos que devam ser litisconsortes.\u201d 
II. DOS FATOS
Ocorre que em novembro de 2011 o autor outorgou procuração com poderes especiais e expressos para a Ré Judite, objetivando alienação de imóvel situado no Balneário de Camboriú \u2013 SC. Verifica-se que, em 16/11/2016, o autor revogou a procuração no Cartório do 1º Ofício de Notas em que havia sido lavrada. Bem como a Ré foi devidamente notificada em 05/12/2016. Em seguimento aos fatos, a Ré em 15/12 /2016, utilizando-se da procuração, alienou o imóvel para os Réus Paulo e Juliana após 10 dias da notificação de revogação da procuração. O Autor só teve ciência da alienação no dia 01/02/2017, ao chegar no aludido imóvel e ver que o mesmo estava ocupado.
Negócio jurídico foram celebrados sem anuência do titular do imóvel o que o excita seguirá análise de mérito da questão.
III. DO MÉRITO
No caso em tela o artigo 662 do código civil elenco os casos de extinção do mandato outorgado pela parte.
Art. 662. Os atos praticados por quem não tenha mandato, ou o tenha sem poderes suficientes, são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados, salvo se este os ratificar.
Frise-se que temos a revogação da procuração outorgada pelo autor.
Importante mencionar que a procuração foi revogada em 16/11/2016, sendo dado publicidade ao ato. Logo a alienação ocorreu após a revogação de poderes contidos na procuração, o que torna NULO negócio jurídico celebrado, conforme preceitua o artigo 166 do código civil.
\u201cArt. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.\u201d
Nesse contexto, urge trazer à demanda o entendimento jurisprudencial do nosso Tribunal de Justiça do Paraná TJ-PR - Apelação Cível, cuja a transcrição segue abaixo:
\u201cEmenta
APELACAO - AÇÃO REIVINDICATORIA CUMULADA COM ANULACAO DE REGISTRO IMOBILIARIO - ALIENAÇÃO DE IMOVEIS COM UTILIZACAO DE PROCURACAO FALSA - TERCEIROS ADQUIRENTES DE BOA-FE - AÇÃO JULGADA PROCEDENTE - NULIDADE DA PROCURACAO COMO TAMBEM DOS ATOS JURIDICOS SUBSEQUENTES.
Comprovado nos autos a falsidade da procuração e em sendo nula, nulos também o são os atos subsequentes, "in casu", as escrituras públicas de compra e venda e os seus registros. A lei assegura ao proprietário reaver a posse do imóvel do poder de quem quer que injustamente os possua.\u201d
IV. DA AUDIENCIA DE MEDIAÇÃO/ CONCILIAÇÃO
Atendendo ao disposto no artigo 319, inciso VII do NCPC, o requerente informa que possui interesse na realização de audiência de conciliação ou mediação.
V. DO PEDIDO
Em vista do exposto, uma vez constatado a efetiva nulidade do negócio jurídico celebrado, requer desde logo o autor:
a) Deferimento da prioridade de tramitação.
b) Deferimento da gratuidade de justiça.
c) Designação de audiência de mediação com a intimação das partes para comparecer ficando ciente que uma vez não realizado acordo será iniciado o prazo para contestar.