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AUDITORIA DE 
EQUIPAMENTOS, APAREL HOS 
E INSTRUMENTOS 
 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. a Luciana Schleder Gonçalves 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
As características especificas de cada serviço, sua finalidade, 
especialidade e público ao qual atende, e padrão de qualidade estabelecido pela 
gestão para cada serviço, influencia na escolha dos equipamentos que irão 
compor sua estrutura física, tanto em termos quantitativos como qualitativos. 
Para tanto, faremos algumas reflexões acerca da importância do planejamento 
para os serviços de saúde, de modo que haja congruência entre modelo 
assistencial, atendimento à demanda, e qualidade. 
Sendo assim, faz-se necessário recorrermos à ciência da administração 
para tratar de aspectos de gerenciamento desses recursos, aliando esses 
conhecimentos àqueles da área da saúde, considerando especificidades 
importantes que merecem atenção de todos que atuam nessa área. Veremos 
que, como parte do processo administrativo, ações de planejamento, controle e 
avaliação são fundamentais, tanto em termos de manutenção, de monitoramento 
e auditoria do seu uso para fins de cobrança relacionada ao seu uso como parte 
do processo de cuidado. 
Especificamente no que diz respeito a ações de gerenciamento de 
equipamentos, aparelhos e instrumentais, elas são fundamentais a qualquer 
serviço de saúde, de forma a monitorar ciclo de vida, depreciação, manutenção, 
atualização, e uso adequado por profissionais treinados, visando a prestação de 
um cuidado seguro para quem o presta e para quem o recebe. 
Ainda, se de um lado, temos profissionais da saúde que receberam 
treinamento eminentemente técnico, voltado ao cuidado direto aos pacientes, e 
que não se veem como corresponsáveis pelas ações de gerenciamento dos 
equipamentos, por outro, sabemos que o país carece de profissionais gerentes 
com formação em administração, de modo a profissionalizar essa prática que 
ainda sofre com a cultura do apadrinhamento e clientelismo político, dentre os 
interesses particulares de diversos atores nesta área, o que só contribui para 
intensificar as desigualdades e falta de acesso à produtos e serviços de saúde, 
no Brasil. Nossa ideia é mudar esta realidade, a partir das discussões que 
estamos tendo nessa disciplina! Você aceita esse desafio? Clique aqui e acesse 
o vídeo 1 
 
 
3 
CONTEXTUALIZANDO 
Assista à esta reportagem de outubro de 2016, sobre a falta de 
equipamentos em um hospital do interior de São Paulo. 
FALTA de equipamentos prejudica atendimento em hospital maternidade em 
Ribeirão Pires. GloboPlay, 26 out. 2016. Disponível em: 
<https://globoplay.globo.com/v/5403456/>. Acesso em: 16 abr. 2017. 
Reportagens iguais a essa são bastante recorrentes. É um típico problema 
da área da saúde que nunca se resolve. Por que é tão difícil resolver a falta de 
recurso, equipamentos, materiais, medicamentos, pessoal, nos serviços de 
saúde públicos e privados neste país? 
Como diz Edmund Burke, um povo que não conhece a sua história, acaba 
condenado a repeti-la! Se estudarmos como foram estabelecidos os serviços de 
saúde em nosso país, verificaremos que existem situações repetidas ao longo 
dos anos e, se não nos predispormos a uma atitude disruptiva, acabaremos por 
fazer como sempre foi feito. 
Autores apontam algumas causas estruturais: 
falta de prioridade política para o setor, como baixos salários, baixo investimento, 
corrupção; o clientelismo político, o que permite a existência de maus gestores e a 
falta de critérios na fixação de prioridades; controles burocráticos que vêm ao 
encontro com o pensamento burocrático – o importante é fazer certo as coisas e 
não as coisas certas – gestão do papel (processo) e não do produto; e na 
centralização excessiva do planejamento e da decisão política. (Nunes, 1998, citado 
por Azevedo Neto et al., 2010, p. 16) 
Existem também as causas organizacionais: 
que podem ser resumidas na falta de identificação da missão, dos objetivos e das 
metas institucionais, o que faz com que cada unidade seja independente, e a 
instituição em um conjunto de sistemas interdependentes. O que acontece numa 
situação extrema é que cada unidade do serviço de saúde passa a ter suas próprias 
lógicas, objetivos e metas". (Nunes, 1998, citado por Azevedo Neto et al., 2010, p. 
16) 
Outras causas podem ser elencadas, como consequências das que já 
abordamos: 
falta de gestão profissionalizada; carência no desenvolvimento contínuo dos 
recursos humanos; insuficiências de recursos financeiros; ausência de controle e 
 
 
4 
acompanhamento; falta de planejamento; e chefes improvisados e servidores 
desmotivados. (Azevedo Neto et al., 2010, p. 16) 
O que pretendemos nesta aula é abordar algumas dessas causas com 
conhecimento estruturado à área de administração e auditoria, de forma a 
contribuir parcialmente, porém, sem despertar consciência para todas as demais, 
de modo a instrumentalizá-lo a encontrar soluções para esses desafios do 
gerenciamento em serviços de saúde! 
Clique aqui e acesse o vídeo 2 
TEMA 1 – AMBIENTES DE SAÚDE FUNCIONAIS E PARQUE DE 
EQUIPAMENTOS 
Sabemos que os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS) são 
construídos de acordo com os serviços a serem ofertados à uma determinada 
população, dentro de normas estabelecidas para a segurança de todos os que 
vão utilizá-lo, sejam trabalhadores, sejam pacientes. 
A estrutura física desses EAS contempla o espaço edificado, ou seja a 
construção do prédio, que deve prezar pela segurança e conforto; o espaço 
instalado, que visa compor as instalações hidráulicas, elétricas, eletrônicas, de 
luz, vácuo, gases e uma relação íntima com a segurança dos cuidados a serem 
prestados nesse ambiente; e o espaço ocupado, que conecta a utilidade e o 
conforto e é onde são instalados equipamentos relativos ao processo de trabalho 
que será realizado. Lembre-se: “onde não há hospital bem aparelhado 
dificilmente haverá médicos, e bons clínicos e especialistas” 
(Brasil, 1965, p. 148). Confira na Figura 1. 
Figura 1 – Planejamento dos espaços de EAS 
 
 
5 
 
Fonte: Azevedo Neto et al., 2010 
Para saber mais a respeito do regulamento técnico para planejamento, 
programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos 
assistenciais de saúde, acesse a RDC 50 da Anvisa: 
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC n. 
50, de 21 de fevereiro de 2002. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 fev. 
2002. Disponível em: 
<http://www.anvisa.gov.br/anvisalegis/resol/2002/50_02rdc.pdf>. Acesso em: 16 
abr. 2017. 
Parece relativamente fácil para engenheiros e arquitetos seguirem as 
normas técnicas que a Anvisa dispõe para executarem o projeto físico de um 
serviço, não é mesmo? Ainda mais com softwares específicos! Contudo, para 
que o EAS seja funcional e preze pela ergonomia, pela saúde do trabalhador e 
segurança dos pacientes, na maioria das vezes é muito interessante usar da 
consultoria de profissionais da saúde, que conhecem os fluxos e os processos 
de trabalho. 
Ao mesmo tempo, o profissional de saúde como consultor pode contribuir 
para a definição de quais materiais podem ser utilizadas na construção do EAS 
e auxiliar na determinação de ambientes de difícil manutenção (por serem 
 
 
6 
críticos e não poderem parar, muitas vezes, para ações de manutenção), na 
definição de tecnologias utilitárias que possam otimizar o processo de trabalho 
dos profissionais de saúde e na correlação entre o tipo de atendimento previsto 
para o EASe sua estrutura física. 
Você já havia pensado nessa possibilidade de atuação? Geralmente, os 
editais para construção de EAS solicitam que um responsável técnico da área de 
saúde assine tanto o projeto quanto o memorial físico funcional e, também, o 
plano de gerenciamento de resíduos. 
Depois que o prédio do EAS está construído, uma ação possível de 
auditoria é a verificação entre o que foi planejado e o que foi efetivamente 
construído, conforme as normas e contratos estabelecidos. 
Os padrões para a construção dos EAS estão contemplados na RDC 50 
da Anvisa (Brasil, 2002), e também nas normas das agências certificadoras de 
qualidade, como a Organização Nacional de Acreditação (ONA), no Brasil, e a 
Joint Commission on Accreditation of Heathcare Organizations (JCAHO), 
internacionalmente. Além dessas, existe o sistema Achieving Excellent Design 
Evaluation Toolkit (AEDET), uma publicação do Centre for Healthcare 
Architecture & Design, agência do Sistema Nacional de Saúde inglês, de onde 
derivou, na Holanda, em 2004, o sistema conhecido como Qind, abreviatura de 
quality index. 
São utilizados instrumentos para avaliação, com base no conceito do 
Healing Environment, ou ambiente que cura. "Verificam a qualidade do espaço 
quanto à percepção (impacto), a função e a técnica, durante as várias fases do 
processo de projeto e construção de edifícios de saúde, partindo do princípio de 
que a excelência é atingida na intersecção destes aspectos" 
(Guelli; Zucchi, 2005, p. 180). 
Vimos, então, que existe uma lógica de planejamento dos EAS, na qual o 
arquitetônico as definições define a forma, o local, os materiais de acabamento 
da construção. Já o planejamento físico funcional define cada atividade que 
acontecerá em cada espaço físico; este, por sua vez, define como se dará a 
ocupação dos espaços, a movimentação dos profissionais da saúde e pacientes; 
 
 
7 
o espaço para a instalação de equipamentos, tais como: autoclave; respiradores; 
bombas de infusão; grade de gases, entre outros. 
Clique aqui e assista o vídeo 3 
Para saber mais a respeito deste tema, indicamos a leitura obrigatória do 
artigo: 
LIMA, C. D.; LOPES, M. A.; GONÇALVES, V. M. S. O enfermeiro no 
planejamento do espaço físico hospitalar. Revista Enfermagem Integrada, v. 3, 
n. 2, nov./dez., 2010. Disponível em: 
<http://www.unilestemg.br/enfermagemintegrada/artigo/V3_2/02-enfermeiro-
noplanejamento-fisico-hospitalar.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2017. 
TEMA 2 – MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE SAÚDE 
Para planejar as ações de manutenção dos equipamentos em 
Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), a definição das unidades e 
setores clínicos com uso de equipamentos semelhantes é o primeiro passo. 
Assim, deriva-se o planejamento das instalações e a avaliação do risco 
associado a esses equipamentos, e o próprio plano de manutenção, de acordo 
com a sua importância quanto à sua segurança e das vidas às quais eles estarão 
ligados. 
Ainda, 
devem ser elaborados documentos nos quais devem estar registradas todas as 
intervenções sofridas ao longo de sua vida economicamente útil (ensaios, 
validações metrológicas, instalações, reformas, troca de acessórios e tudo o que 
possa contribuir para análise e diagnóstico de desempenho do material em uso), 
com um prontuário, e que deve ser utilizado como fonte de informação sobre os 
equipamentos a qualquer momento (Azevedo Neto et al., 2010, p. 71). 
Os equipamentos do hospital são classificados de acordo com sua 
utilização clínica: parques de terapia; diagnóstico; análise; apoio; hotelaria. 
Ainda, podem ser classificados de acordo com sua função, risco físico ou grau 
de importância, para compor uma equação de priorização de manutenção. 
O método de priorização da manutenção de Fennigkoh & Smith (1989) é 
o mais referenciado na literatura internacional. Ele atribui notas para o risco, a 
função do equipamento e as recomendações de manutenção. Em uma iniciativa 
de adaptar essa metodologia para a realidade brasileira, reavaliaram-se esses 
critérios clássicos, foram propostos outros, como taxa de utilização do 
 
 
8 
equipamento, taxa de falhas, mantenabilidade, custos da manutenção, 
importância do equipamento na missão da instituição (Morais, 2004). 
Para saber mais a respeito de um método para priorizar a manutenção de 
equipamentos médicos de acordo com a sua criticidade, acesse: 
SANTOS, R. Como priorizar a manutenção de equipamentos médicos pelo 
método criticidade. Equipacare, 28 ago. 2015. Disponível em: 
<http://equipacare.com.br/web/index.php/manutencao-de-equipamentos-criticidade/>. 
Acesso em: 16 abr. 2017. 
Você conhece as ações de manutenção possíveis para os equipamentos 
em saúde? Vamos conferir! 
1. Calibração: é a comparação de precisão de um dispositivo em relação a 
um padrão conhecido e a adaptação desse dispositivo para concordar com esse 
padrão, dentro de uma tolerância recomendada; 
2. Inspeções: são procedimentos utilizados para averiguar e assegurar que 
um equipamento tenha a segurança apropriada em seu período de vida 
economicamente útil, de forma a apresentar seu pleno desempenho; 
3. Teste de aceitação ou ensaio: é um procedimento detalhado que verifica 
a segurança e o desempenho de um equipamento antes de ele ser colocado em 
serviço; é realizado durante o aceite inicial de compra ou quando o equipamento 
está retornando de oficina, onde sofreu algum reparo ou modificação; 
4. Modificação de melhoramento: são reposições, substituições, 
modificações, remontagens, adaptações ou adições de componentes, partes, 
peças ou subsistemas realizados em um equipamento objetivando a melhoria de 
segurança, confiança ou desempenho, como a recomendada pelo fabricante; 
5. Reforma: é revisão geral com reposição de partes usadas, atualizando ou 
modificando, calibrando e pintando segundo conformações e recomendações do 
fabricante; 
6. Reparo ou conserto: é a localização de defeitos a fim de identificar a causa 
de mau funcionamento, com a reposição ou adaptação de componentes ou 
 
 
9 
subsistemas para restaurar a função normal, a segurança, o desempenho e a 
confiança do equipamento. 
7. Manutenção preventiva: são procedimentos periódicos que objetivam 
minimizar o risco de falha do equipamento e também assegurar a continuidade 
de operação." 
Fonte: Azevedo Neto et al., 2010, p. 82-83. 
Lembre-se: existem alguns aspectos da manutenção de equipamentos de 
saúde que estão na Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no 
Trabalho em Estabelecimentos de Saúde (NR 32) (Brasil, 2011). 
Para saber mais a respeito deste tema, indicamos a leitura obrigatória 
deste artigo: 
AMORIM, GM et al. Prestação de serviços de manutenção predial em 
Estabelecimentos Assistenciais de Saúde. Ciênc. saúde coletiva, Rio de 
Janeiro , v. 18, n. 1, p. 145-158, jan. 2013. Disponível 
 em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 
81232013000100016&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 19 abr. 2017. 
Clique aqui e acesse o vídeo 4 
 
TEMA 3 – AUDITORIA EM SAÚDE: ASPECTOS GERAIS 
A auditoria em saúde é uma especialidade relativamente nova, se a 
compararmos com a clínica médica, a cirurgia, a cardiologia. Ao mesmo tempo, 
é bastante relevante no cenário atual, haja vista que os conselhos federais de 
medicina, de enfermagem, de fisioterapia e odontologia a reconhecem 
oficialmente. 
Nascido na contabilidade, o termo auditoria “significa o mesmo que 
revisão, perícia, intervenção ou exame de contas ou de toda uma escrita, 
periódica ou constantemente, eventual ou definitivamente” (Motta, 1992, p.14). 
Do grego, significa ouvir,escutar, entender. 
 
 
1
0 
 
Em uma tentativa de relacionar essas definições com a área da saúde, 
Motta (2003) propõe: 
a Auditoria aborda a avaliação da qualidade da assistência em saúde prestada ao 
cliente pela análise de prontuários, o acompanhamento do cliente in loco e 
verificação da compatibilidade entre o procedimento realizado e os itens que 
compõem a conta hospitalar cobrados, garantindo um pagamento justo mediante 
a cobrança adequada (Motta, 2003, p. 12, grifo nosso) 
A autora foi muito feliz nessa definição, por contemplar as vertentes 
importantes da Auditoria em Saúde, as quais são a avaliação da qualidade, o 
acompanhamento do cliente e a análise de itens que compõem a conta 
hospitalar, contudo, faltou somente abordar a auditoria de gestão. 
Quando o foco da auditoria é a qualidade, os auditores têm como objetivo 
a avaliação da estrutura, os processos e os resultados dos serviços de saúde, 
tanto na percepção dos gestores quanto dos trabalhadores, ou mesmo dos 
usuários. 
Se o foco da auditoria é a gestão em saúde, seus objetivos versam na 
avaliação da operacionalização das políticas públicas. 
Já quando a perspectiva é a avaliação da quantidade e dos valores 
financeiros despendidos na assistência a saúde e na avaliação das contas 
médicas hospitalares, classificamos essa auditoria como quântico-financeira. 
Existem algumas maneiras de operacionalizar as ações de auditoria, que 
refletem o momento na qual ela é realizada, considerando o foco da auditoria. 
Embora as ações de auditora em saúde são melhor verificadas por conta da 
mediação entre operadoras de planos de saúde (fonte pagadora), prestadores 
de serviços de saúde (profissionais, hospitais, clínicas, laboratórios, serviços de 
imagem) e usuários (pacientes ou suas famílias). Historicamente, a auditoria em 
saúde no Brasil nasceu com o Sistema Nacional de Auditoria (SNA), junto com a 
Lei n. 8080, de 1990 (Brasil, 1990), do Sistema Único de Saúde (SUS). 
O fato é, mesmo após 30 anos de sua regulamentação, as diretrizes do 
SUS não foram totalmente implantadas em todos os municípios do país. Para 
contribuir para a eficiência gerencial do sistema, precisamos lançar mão dos 
procedimentos da auditoria operacional, que contemplam mecanismos e 
 
 
1
1 
 
instrumentos de regulação, como a central de regulação e demais ações de 
controle, roteiros de supervisão de serviços e a auditoria analítica. 
Os roteiros de supervisão contemplam os modelos assistenciais previstos 
no SUS e as normas para construção de EAS. Já na auditoria analítica, é 
proposta a identificação de indicadores quantitativos, que podem alertar 
distorções no acesso ou na própria prestação de serviços de saúde. 
A auditoria operacional concentra-se nas condições da rede física, nos 
mecanismos de regulação e no desenvolvimento das ações de saúde. Já a 
analítica, em aprofundar as análises de aspectos específicos do sistema de 
saúde. 
A operação do sistema de auditoria deve ocorrer de forma 
descentralizada, com definição das competências de cada esfera de governo. E 
esse sistema é integrado por uma comissão corregedora tripartite. 
Para saber mais a respeito deste tema, indicamos a leitura obrigatória 
deste artigo: 
ROSA, V. L. Evolução da auditoria no Brasil. 32 f. Monografia (Especialização 
em Auditoria em Saúde) – Centro Universitário Filadélfia, Londrina, 2012. 
Disponível em: <http://web.unifil.br/pergamum/vinculos/000007/000007B1.pdf>. 
Acesso em: 16 abr. 2017. 
Clique aqui e acesse o vídeo 5 
 
TEMA 4 – TIPOS DE AUDITORIA EM SAÚDE 
Vamos agora conferir as nomenclaturas utilizadas por alguns autores da 
área no que diz respeito aos momentos da auditoria em saúde. 
Caso a ação de auditoria seja realizada com o objetivo de que a situação 
seja auditada antes do acontecimento, estamos falando da auditoria preventiva, 
pré-Auditoria ou auditoria prospectiva. Essa ação pode estar relacionada ao setor 
de liberações de procedimentos ou guias do plano de saúde, realizada por um 
call center que conta com o apoio de profissionais da saúde (geralmente, os 
médicos) para poderem fazer as liberações (Junqueira, 2001). Ainda, podem ser 
 
 
1
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incluídos os procedimentos de perícia pré-operatória, visita técnica para 
avaliação de um serviço a ser contratado para a rede de serviços do sistema de 
saúde e, até mesmo, a elaboração dos contratos entre prestadores/fornecedores 
e pagadores de serviços de saúde. 
Na vertente da qualidade, a auditoria interna, prévia à avaliação da 
agência certificadora, pode ser um exemplo de auditoria prospectiva, 
considerando que a prevenção de futuros erros, fraudes, má prática é uma das 
funções desse tipo de ação. 
Já a auditoria operacional, per auditoria, ou auditoria concorrente ocorre 
no momento (ou logo após) na qual ocorre a situação a ser auditada. O auditor 
pode atuar junto aos profissionais que prestam os cuidados de saúde, com os 
objetivos de monitorização do estado clínico do paciente internado; verificação 
da legitimidade da internação; gerenciamento da internação, com orientação com 
relação à liberação de procedimentos, uso de equipamentos, materiais e 
medicamentos especiais ou de alto custo; verificação da qualidade da 
assistência prestada; indicação, desde que com a concordância do médico do 
paciente, de outras opções de assistência médica ao usuário: home care ou o 
gerenciamento de casos crônicos (Junqueira, 2001). 
Para alguns autores, o processo de análise de contas faz parte da 
auditoria operacional, pelo fato de muitos profissionais atuarem nessa atividade. 
Assim, ela pode ser chamada de Visita Hospitalar de Alta (VHA) (Lorvedos, 
1999). No caso das contas hospitalares ambulatoriais – ou que se referem a 
procedimentos nos quais não houve uso de material ou medicamento –, elas 
podem ser analisadas pela equipe administrativa de análise de contas e fazer 
pós-auditoria ou auditoria retrospectiva. Isso se deve ao fato de a ação de 
auditoria ser realizada pela análise retrospectiva do prontuário do paciente, e não 
nas dependências do prestador, mas da fonte pagadora (operadora de planos 
de saúde). 
Junqueira (2001) engloba na classificação de auditoria analítica os dados 
levantados nas demais ações (prospectiva, preventiva e 
concorrente/operacional) e de sua comparação com indicadores. Os relatórios 
que são realizados com base nessas análises podem contribuir 
 
 
1
3 
 
substancialmente para a gestão dos recursos da organização. Para outros, este 
é o tipo de ação realizada pelos coordenadores de um grupo de auditores em 
saúde, pois não fariam parte do dia a dia do profissional auditor. 
Importante salientar: a prática de auditoria pode ser muito ampla, não fica 
restrita às ações nas operadoras de planos de saúde. Desde que exista a 
necessidade de se confrontar uma situação com um padrão preestabelecido, por 
meio de formulário específico, essa ação pode ser classificada como uma 
auditoria. Por exemplo: vistorias de vigilância sanitária, auditorias internas 
preparatórias para processos de acreditação, entre outras. Quando a situação 
está adequada, há conformidade. Do contrário, são encontradas não 
conformidades ao padrão ou norma vigente. 
Cada serviço ou operadora de plano de saúde pode adotar práticas de 
auditoria conforme suas características, demandas, foco ou metas. 
Para saber mais sobre diretrizes gerais da prática da auditoria no âmbito 
das operadoras de planos de saúde, acesse: 
DIRETRIZES para os processos de auditoria dos serviços de assistência à 
saúde, prestados pela rede contratada por Operadora de Planos de Saúde(OPS). Unidas, Disponível em: 
<http://www.unidas.org.br/periodicos/arq_periodicos/diretrizes.pdf>. Acesso em: 
16 abr. 2017. 
Para saber mais a respeito de auditoria no Sistema Único de Saúde, 
acesse: 
AUDITORIA, controle e programação de serviços de saúde. Saúde e cidadania, 
2012. Disponível em: 
<http://portalses.saude.sc.gov.br/arquivos/sala_de_leitura/saude_e_cidadania/e
d_05/index. html>. Acesso em: 16 abr. 2017. 
 Para saber mais a respeito deste tema, indicamos a leitura obrigatória dos 
capítulos 2 e 8 desta dissertação de mestrado: 
SCARPARO, A. F. Auditoria de enfermagem: identificando sua concepção e 
métodos. Dissertação (Mestrado em Enfermagem Fundamental) – Universidade 
 
 
1
4 
 
de São Paulo, Ribeirão Preto, 2007. Disponível em: 
<http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-18102007-
152508/ptbr.php>. Acesso em: 16 abr. 2017. 
Clique aqui e acesse o vídeo 6 
 
TEMA 5 – COMPETÊNCIAS GERENCIAIS 
Você percebeu que desde o início desta disciplina, temos discutido 
assuntos que extrapolam as disciplinas técnicas da área da saúde? Influenciada 
pela globalização, pela inovação e o crescimento exponencial das informações 
com uso de tecnologias da informação e comunicação, a área da saúde 
demanda, atualmente, de profissionais que entendam a importância de estarem 
sempre atualizados e lhes permitam ser proativos, apresentar soluções para 
alcance de objetivos individuais, organizacionais e coletivos. 
Assim, diante dessa realidade, parece não ser possível improvisar 
médicos ou enfermeiros, os quais muitas vezes são excelentes técnicos, clínicos 
resolutivos, entretanto, desconhecem instrumentos gerenciais importantes para 
exercer a responsabilidade maior do gestor, que é “proporcionar o bom 
desenvolvimento das diversas atividades técnicas e profissionais que são 
realizadas ao mesmo tempo” (Seixas; Melo, 2004, citado por Vieira et al., 2015). 
Entre algumas competências consideradas importantes 
para os gestores em saúde, encontramos alguns eixos temáticos que se referem à 
economia e demografia; política, planejamento e avaliação em saúde; gestão do 
trabalho e educação em saúde; administração e contabilidade; e metodologias 
estruturantes. 
Entre as competências comportamentais, encontramos: tomada de decisão; 
relacionamento interpessoal; ética; liderança; trabalho em equipe; flexibilidade; 
comunicação; empreendedorismo, marketing pessoal; e gestão de conflitos. 
(Vieira et al., 2015, p. 1) 
Apesar de escutarmos muito a expressão “fulano é um líder nato!”, 
pesquisadores ponderam: as competências gerencias, entre elas a liderança, 
podem ser aprendidas e desenvolvidas por qualquer ser humano. Chamamos a 
atenção para a afirmação de que a competência de alguém não pode ser 
reduzida a um conhecimento específico e nem a um estado, mas à confluência 
de sua formação pessoal, de sua formação profissional e de sua experiência 
 
 
1
5 
 
profissional (Le Boterf, 2003). Consequentemente, trata-se de um conceito mais 
amplo, relacionado ao que a pessoa realizou na vida, dentro de um contexto 
específico (Vieira et al, 2015). 
Por outro lado, Fleury e Fleury (2013) sugerem três níveis de 
competências a serem desenvolvidas pelos gestores. O primeiro refere-se à 
competência de negócio – compreender o mercado, o comportamento dos 
clientes e competidores e o ambiente político e social. Outro nível trata da 
competência social, visando a negociação, ações de sensibilização e 
mobilização. Finalmente, o nível técnico-profissional da competência, voltada 
para o saber fazer de determinada ocupação ou atividade. 
O fato é que vivemos em uma sociedade que pede por líderes e gestores 
competentes, responsáveis socialmente e capazes de equilibrar custo, acesso e 
qualidade nos serviços e produtos de saúde. Tornarmo-nos esse líder é 
realmente um desafio, pois precisamos romper com simplificações e abraçar a 
complexidade da área da saúde; partir da visão fragmentada e afastada da 
realidade, para a transformação com base em abordagens multiprofissionais e 
disruptivas, sem perder o foco no planejamento, nas metas, e na resolução de 
problemas relevantes para a sociedade em geral. 
Para saber mais a respeito deste tema, indicamos a leitura obrigatória 
deste artigo: 
SILVA, Y. C.; ROQUETE, F. F. Competências do gestor em serviços de saúde: 
análise da produção científica no período de 2001 a 2011. RAS_, v. 15, n. 58, 
jan./mar., 2013. Disponível em: 
<http://www.cqh.org.br/portal/pag/anexos/baixar.php?p_ndoc=597&p_nanexo= 
378>. Acesso em: 16 abr. 2017. 
Clique aqui e acesse o vídeo 7 
 
SÍNTESE 
Esta aula objetivou discorrer a respeito de aspectos gerais relativos a 
equipamentos, aparelhos e instrumentos de saúde. 
 
 
1
6 
 
Assim, abordamos estrutura física de estabelecimentos assistenciais de 
saúde e seu parque de equipamentos, incluindo manutenção; ações de auditoria 
gerais em saúde e relacionadas ao gerenciamento de setores que mantêm 
equipamentos em funcionamento; e as competências gerenciais necessárias 
para o trabalho gerencial. 
Ao considerarmos que a incorporação das inovações tecnológicas não 
aguarda que nos preparemos para lidar com elas de forma eficiente na prática, 
esperamos ter contribuído para a atualização dos seus conhecimentos na área, 
de modo que você possa estar preparado para o desafio de gerenciar e auditar 
serviços de saúde com vistas à qualidade, a racionalidade econômica, e o 
cumprimento de contratos. 
É preciso ter em mente que todos os grandes líderes, os grandes gestores 
não nasceram sabendo como enfrentar os desafios da vida profissional. Nesse 
sentido, é fundamental termos conhecimento das teorias, das técnicas e métodos 
que existem para que possamos liderar equipes, alcançar metas – o 
conhecimento estruturado – e, juntamente com uma atitude proativa, 
comprometida e resiliente, possamos desenvolver essas habilidades práticas e 
para nos sentirmos satisfeitos no cotidiano desafiador da gestão em saúde. 
 
Clique aqui e acesse o vídeo 8 
REFERÊNCIAS 
AMORIM, GM et al. Prestação de serviços de manutenção predial em 
Estabelecimentos Assistenciais de Saúde. Ciênc. saúde coletiva, Rio de 
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