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AUDITORIA DE EQUIPAMENTOS, APAREL HOS E INSTRUMENTOS AULA 2 Prof. a Luciana Schleder Gonçalves 2 CONVERSA INICIAL As características especificas de cada serviço, sua finalidade, especialidade e público ao qual atende, e padrão de qualidade estabelecido pela gestão para cada serviço, influencia na escolha dos equipamentos que irão compor sua estrutura física, tanto em termos quantitativos como qualitativos. Para tanto, faremos algumas reflexões acerca da importância do planejamento para os serviços de saúde, de modo que haja congruência entre modelo assistencial, atendimento à demanda, e qualidade. Sendo assim, faz-se necessário recorrermos à ciência da administração para tratar de aspectos de gerenciamento desses recursos, aliando esses conhecimentos àqueles da área da saúde, considerando especificidades importantes que merecem atenção de todos que atuam nessa área. Veremos que, como parte do processo administrativo, ações de planejamento, controle e avaliação são fundamentais, tanto em termos de manutenção, de monitoramento e auditoria do seu uso para fins de cobrança relacionada ao seu uso como parte do processo de cuidado. Especificamente no que diz respeito a ações de gerenciamento de equipamentos, aparelhos e instrumentais, elas são fundamentais a qualquer serviço de saúde, de forma a monitorar ciclo de vida, depreciação, manutenção, atualização, e uso adequado por profissionais treinados, visando a prestação de um cuidado seguro para quem o presta e para quem o recebe. Ainda, se de um lado, temos profissionais da saúde que receberam treinamento eminentemente técnico, voltado ao cuidado direto aos pacientes, e que não se veem como corresponsáveis pelas ações de gerenciamento dos equipamentos, por outro, sabemos que o país carece de profissionais gerentes com formação em administração, de modo a profissionalizar essa prática que ainda sofre com a cultura do apadrinhamento e clientelismo político, dentre os interesses particulares de diversos atores nesta área, o que só contribui para intensificar as desigualdades e falta de acesso à produtos e serviços de saúde, no Brasil. Nossa ideia é mudar esta realidade, a partir das discussões que estamos tendo nessa disciplina! Você aceita esse desafio? Clique aqui e acesse o vídeo 1 3 CONTEXTUALIZANDO Assista à esta reportagem de outubro de 2016, sobre a falta de equipamentos em um hospital do interior de São Paulo. FALTA de equipamentos prejudica atendimento em hospital maternidade em Ribeirão Pires. GloboPlay, 26 out. 2016. Disponível em: <https://globoplay.globo.com/v/5403456/>. Acesso em: 16 abr. 2017. Reportagens iguais a essa são bastante recorrentes. É um típico problema da área da saúde que nunca se resolve. Por que é tão difícil resolver a falta de recurso, equipamentos, materiais, medicamentos, pessoal, nos serviços de saúde públicos e privados neste país? Como diz Edmund Burke, um povo que não conhece a sua história, acaba condenado a repeti-la! Se estudarmos como foram estabelecidos os serviços de saúde em nosso país, verificaremos que existem situações repetidas ao longo dos anos e, se não nos predispormos a uma atitude disruptiva, acabaremos por fazer como sempre foi feito. Autores apontam algumas causas estruturais: falta de prioridade política para o setor, como baixos salários, baixo investimento, corrupção; o clientelismo político, o que permite a existência de maus gestores e a falta de critérios na fixação de prioridades; controles burocráticos que vêm ao encontro com o pensamento burocrático – o importante é fazer certo as coisas e não as coisas certas – gestão do papel (processo) e não do produto; e na centralização excessiva do planejamento e da decisão política. (Nunes, 1998, citado por Azevedo Neto et al., 2010, p. 16) Existem também as causas organizacionais: que podem ser resumidas na falta de identificação da missão, dos objetivos e das metas institucionais, o que faz com que cada unidade seja independente, e a instituição em um conjunto de sistemas interdependentes. O que acontece numa situação extrema é que cada unidade do serviço de saúde passa a ter suas próprias lógicas, objetivos e metas". (Nunes, 1998, citado por Azevedo Neto et al., 2010, p. 16) Outras causas podem ser elencadas, como consequências das que já abordamos: falta de gestão profissionalizada; carência no desenvolvimento contínuo dos recursos humanos; insuficiências de recursos financeiros; ausência de controle e 4 acompanhamento; falta de planejamento; e chefes improvisados e servidores desmotivados. (Azevedo Neto et al., 2010, p. 16) O que pretendemos nesta aula é abordar algumas dessas causas com conhecimento estruturado à área de administração e auditoria, de forma a contribuir parcialmente, porém, sem despertar consciência para todas as demais, de modo a instrumentalizá-lo a encontrar soluções para esses desafios do gerenciamento em serviços de saúde! Clique aqui e acesse o vídeo 2 TEMA 1 – AMBIENTES DE SAÚDE FUNCIONAIS E PARQUE DE EQUIPAMENTOS Sabemos que os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS) são construídos de acordo com os serviços a serem ofertados à uma determinada população, dentro de normas estabelecidas para a segurança de todos os que vão utilizá-lo, sejam trabalhadores, sejam pacientes. A estrutura física desses EAS contempla o espaço edificado, ou seja a construção do prédio, que deve prezar pela segurança e conforto; o espaço instalado, que visa compor as instalações hidráulicas, elétricas, eletrônicas, de luz, vácuo, gases e uma relação íntima com a segurança dos cuidados a serem prestados nesse ambiente; e o espaço ocupado, que conecta a utilidade e o conforto e é onde são instalados equipamentos relativos ao processo de trabalho que será realizado. Lembre-se: “onde não há hospital bem aparelhado dificilmente haverá médicos, e bons clínicos e especialistas” (Brasil, 1965, p. 148). Confira na Figura 1. Figura 1 – Planejamento dos espaços de EAS 5 Fonte: Azevedo Neto et al., 2010 Para saber mais a respeito do regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, acesse a RDC 50 da Anvisa: BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC n. 50, de 21 de fevereiro de 2002. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 fev. 2002. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/anvisalegis/resol/2002/50_02rdc.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2017. Parece relativamente fácil para engenheiros e arquitetos seguirem as normas técnicas que a Anvisa dispõe para executarem o projeto físico de um serviço, não é mesmo? Ainda mais com softwares específicos! Contudo, para que o EAS seja funcional e preze pela ergonomia, pela saúde do trabalhador e segurança dos pacientes, na maioria das vezes é muito interessante usar da consultoria de profissionais da saúde, que conhecem os fluxos e os processos de trabalho. Ao mesmo tempo, o profissional de saúde como consultor pode contribuir para a definição de quais materiais podem ser utilizadas na construção do EAS e auxiliar na determinação de ambientes de difícil manutenção (por serem 6 críticos e não poderem parar, muitas vezes, para ações de manutenção), na definição de tecnologias utilitárias que possam otimizar o processo de trabalho dos profissionais de saúde e na correlação entre o tipo de atendimento previsto para o EASe sua estrutura física. Você já havia pensado nessa possibilidade de atuação? Geralmente, os editais para construção de EAS solicitam que um responsável técnico da área de saúde assine tanto o projeto quanto o memorial físico funcional e, também, o plano de gerenciamento de resíduos. Depois que o prédio do EAS está construído, uma ação possível de auditoria é a verificação entre o que foi planejado e o que foi efetivamente construído, conforme as normas e contratos estabelecidos. Os padrões para a construção dos EAS estão contemplados na RDC 50 da Anvisa (Brasil, 2002), e também nas normas das agências certificadoras de qualidade, como a Organização Nacional de Acreditação (ONA), no Brasil, e a Joint Commission on Accreditation of Heathcare Organizations (JCAHO), internacionalmente. Além dessas, existe o sistema Achieving Excellent Design Evaluation Toolkit (AEDET), uma publicação do Centre for Healthcare Architecture & Design, agência do Sistema Nacional de Saúde inglês, de onde derivou, na Holanda, em 2004, o sistema conhecido como Qind, abreviatura de quality index. São utilizados instrumentos para avaliação, com base no conceito do Healing Environment, ou ambiente que cura. "Verificam a qualidade do espaço quanto à percepção (impacto), a função e a técnica, durante as várias fases do processo de projeto e construção de edifícios de saúde, partindo do princípio de que a excelência é atingida na intersecção destes aspectos" (Guelli; Zucchi, 2005, p. 180). Vimos, então, que existe uma lógica de planejamento dos EAS, na qual o arquitetônico as definições define a forma, o local, os materiais de acabamento da construção. Já o planejamento físico funcional define cada atividade que acontecerá em cada espaço físico; este, por sua vez, define como se dará a ocupação dos espaços, a movimentação dos profissionais da saúde e pacientes; 7 o espaço para a instalação de equipamentos, tais como: autoclave; respiradores; bombas de infusão; grade de gases, entre outros. Clique aqui e assista o vídeo 3 Para saber mais a respeito deste tema, indicamos a leitura obrigatória do artigo: LIMA, C. D.; LOPES, M. A.; GONÇALVES, V. M. S. O enfermeiro no planejamento do espaço físico hospitalar. Revista Enfermagem Integrada, v. 3, n. 2, nov./dez., 2010. Disponível em: <http://www.unilestemg.br/enfermagemintegrada/artigo/V3_2/02-enfermeiro- noplanejamento-fisico-hospitalar.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2017. TEMA 2 – MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE SAÚDE Para planejar as ações de manutenção dos equipamentos em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), a definição das unidades e setores clínicos com uso de equipamentos semelhantes é o primeiro passo. Assim, deriva-se o planejamento das instalações e a avaliação do risco associado a esses equipamentos, e o próprio plano de manutenção, de acordo com a sua importância quanto à sua segurança e das vidas às quais eles estarão ligados. Ainda, devem ser elaborados documentos nos quais devem estar registradas todas as intervenções sofridas ao longo de sua vida economicamente útil (ensaios, validações metrológicas, instalações, reformas, troca de acessórios e tudo o que possa contribuir para análise e diagnóstico de desempenho do material em uso), com um prontuário, e que deve ser utilizado como fonte de informação sobre os equipamentos a qualquer momento (Azevedo Neto et al., 2010, p. 71). Os equipamentos do hospital são classificados de acordo com sua utilização clínica: parques de terapia; diagnóstico; análise; apoio; hotelaria. Ainda, podem ser classificados de acordo com sua função, risco físico ou grau de importância, para compor uma equação de priorização de manutenção. O método de priorização da manutenção de Fennigkoh & Smith (1989) é o mais referenciado na literatura internacional. Ele atribui notas para o risco, a função do equipamento e as recomendações de manutenção. Em uma iniciativa de adaptar essa metodologia para a realidade brasileira, reavaliaram-se esses critérios clássicos, foram propostos outros, como taxa de utilização do 8 equipamento, taxa de falhas, mantenabilidade, custos da manutenção, importância do equipamento na missão da instituição (Morais, 2004). Para saber mais a respeito de um método para priorizar a manutenção de equipamentos médicos de acordo com a sua criticidade, acesse: SANTOS, R. Como priorizar a manutenção de equipamentos médicos pelo método criticidade. Equipacare, 28 ago. 2015. Disponível em: <http://equipacare.com.br/web/index.php/manutencao-de-equipamentos-criticidade/>. Acesso em: 16 abr. 2017. Você conhece as ações de manutenção possíveis para os equipamentos em saúde? Vamos conferir! 1. Calibração: é a comparação de precisão de um dispositivo em relação a um padrão conhecido e a adaptação desse dispositivo para concordar com esse padrão, dentro de uma tolerância recomendada; 2. Inspeções: são procedimentos utilizados para averiguar e assegurar que um equipamento tenha a segurança apropriada em seu período de vida economicamente útil, de forma a apresentar seu pleno desempenho; 3. Teste de aceitação ou ensaio: é um procedimento detalhado que verifica a segurança e o desempenho de um equipamento antes de ele ser colocado em serviço; é realizado durante o aceite inicial de compra ou quando o equipamento está retornando de oficina, onde sofreu algum reparo ou modificação; 4. Modificação de melhoramento: são reposições, substituições, modificações, remontagens, adaptações ou adições de componentes, partes, peças ou subsistemas realizados em um equipamento objetivando a melhoria de segurança, confiança ou desempenho, como a recomendada pelo fabricante; 5. Reforma: é revisão geral com reposição de partes usadas, atualizando ou modificando, calibrando e pintando segundo conformações e recomendações do fabricante; 6. Reparo ou conserto: é a localização de defeitos a fim de identificar a causa de mau funcionamento, com a reposição ou adaptação de componentes ou 9 subsistemas para restaurar a função normal, a segurança, o desempenho e a confiança do equipamento. 7. Manutenção preventiva: são procedimentos periódicos que objetivam minimizar o risco de falha do equipamento e também assegurar a continuidade de operação." Fonte: Azevedo Neto et al., 2010, p. 82-83. Lembre-se: existem alguns aspectos da manutenção de equipamentos de saúde que estão na Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Saúde (NR 32) (Brasil, 2011). Para saber mais a respeito deste tema, indicamos a leitura obrigatória deste artigo: AMORIM, GM et al. Prestação de serviços de manutenção predial em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 18, n. 1, p. 145-158, jan. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 81232013000100016&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 19 abr. 2017. Clique aqui e acesse o vídeo 4 TEMA 3 – AUDITORIA EM SAÚDE: ASPECTOS GERAIS A auditoria em saúde é uma especialidade relativamente nova, se a compararmos com a clínica médica, a cirurgia, a cardiologia. Ao mesmo tempo, é bastante relevante no cenário atual, haja vista que os conselhos federais de medicina, de enfermagem, de fisioterapia e odontologia a reconhecem oficialmente. Nascido na contabilidade, o termo auditoria “significa o mesmo que revisão, perícia, intervenção ou exame de contas ou de toda uma escrita, periódica ou constantemente, eventual ou definitivamente” (Motta, 1992, p.14). Do grego, significa ouvir,escutar, entender. 1 0 Em uma tentativa de relacionar essas definições com a área da saúde, Motta (2003) propõe: a Auditoria aborda a avaliação da qualidade da assistência em saúde prestada ao cliente pela análise de prontuários, o acompanhamento do cliente in loco e verificação da compatibilidade entre o procedimento realizado e os itens que compõem a conta hospitalar cobrados, garantindo um pagamento justo mediante a cobrança adequada (Motta, 2003, p. 12, grifo nosso) A autora foi muito feliz nessa definição, por contemplar as vertentes importantes da Auditoria em Saúde, as quais são a avaliação da qualidade, o acompanhamento do cliente e a análise de itens que compõem a conta hospitalar, contudo, faltou somente abordar a auditoria de gestão. Quando o foco da auditoria é a qualidade, os auditores têm como objetivo a avaliação da estrutura, os processos e os resultados dos serviços de saúde, tanto na percepção dos gestores quanto dos trabalhadores, ou mesmo dos usuários. Se o foco da auditoria é a gestão em saúde, seus objetivos versam na avaliação da operacionalização das políticas públicas. Já quando a perspectiva é a avaliação da quantidade e dos valores financeiros despendidos na assistência a saúde e na avaliação das contas médicas hospitalares, classificamos essa auditoria como quântico-financeira. Existem algumas maneiras de operacionalizar as ações de auditoria, que refletem o momento na qual ela é realizada, considerando o foco da auditoria. Embora as ações de auditora em saúde são melhor verificadas por conta da mediação entre operadoras de planos de saúde (fonte pagadora), prestadores de serviços de saúde (profissionais, hospitais, clínicas, laboratórios, serviços de imagem) e usuários (pacientes ou suas famílias). Historicamente, a auditoria em saúde no Brasil nasceu com o Sistema Nacional de Auditoria (SNA), junto com a Lei n. 8080, de 1990 (Brasil, 1990), do Sistema Único de Saúde (SUS). O fato é, mesmo após 30 anos de sua regulamentação, as diretrizes do SUS não foram totalmente implantadas em todos os municípios do país. Para contribuir para a eficiência gerencial do sistema, precisamos lançar mão dos procedimentos da auditoria operacional, que contemplam mecanismos e 1 1 instrumentos de regulação, como a central de regulação e demais ações de controle, roteiros de supervisão de serviços e a auditoria analítica. Os roteiros de supervisão contemplam os modelos assistenciais previstos no SUS e as normas para construção de EAS. Já na auditoria analítica, é proposta a identificação de indicadores quantitativos, que podem alertar distorções no acesso ou na própria prestação de serviços de saúde. A auditoria operacional concentra-se nas condições da rede física, nos mecanismos de regulação e no desenvolvimento das ações de saúde. Já a analítica, em aprofundar as análises de aspectos específicos do sistema de saúde. A operação do sistema de auditoria deve ocorrer de forma descentralizada, com definição das competências de cada esfera de governo. E esse sistema é integrado por uma comissão corregedora tripartite. Para saber mais a respeito deste tema, indicamos a leitura obrigatória deste artigo: ROSA, V. L. Evolução da auditoria no Brasil. 32 f. Monografia (Especialização em Auditoria em Saúde) – Centro Universitário Filadélfia, Londrina, 2012. Disponível em: <http://web.unifil.br/pergamum/vinculos/000007/000007B1.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2017. Clique aqui e acesse o vídeo 5 TEMA 4 – TIPOS DE AUDITORIA EM SAÚDE Vamos agora conferir as nomenclaturas utilizadas por alguns autores da área no que diz respeito aos momentos da auditoria em saúde. Caso a ação de auditoria seja realizada com o objetivo de que a situação seja auditada antes do acontecimento, estamos falando da auditoria preventiva, pré-Auditoria ou auditoria prospectiva. Essa ação pode estar relacionada ao setor de liberações de procedimentos ou guias do plano de saúde, realizada por um call center que conta com o apoio de profissionais da saúde (geralmente, os médicos) para poderem fazer as liberações (Junqueira, 2001). Ainda, podem ser 1 2 incluídos os procedimentos de perícia pré-operatória, visita técnica para avaliação de um serviço a ser contratado para a rede de serviços do sistema de saúde e, até mesmo, a elaboração dos contratos entre prestadores/fornecedores e pagadores de serviços de saúde. Na vertente da qualidade, a auditoria interna, prévia à avaliação da agência certificadora, pode ser um exemplo de auditoria prospectiva, considerando que a prevenção de futuros erros, fraudes, má prática é uma das funções desse tipo de ação. Já a auditoria operacional, per auditoria, ou auditoria concorrente ocorre no momento (ou logo após) na qual ocorre a situação a ser auditada. O auditor pode atuar junto aos profissionais que prestam os cuidados de saúde, com os objetivos de monitorização do estado clínico do paciente internado; verificação da legitimidade da internação; gerenciamento da internação, com orientação com relação à liberação de procedimentos, uso de equipamentos, materiais e medicamentos especiais ou de alto custo; verificação da qualidade da assistência prestada; indicação, desde que com a concordância do médico do paciente, de outras opções de assistência médica ao usuário: home care ou o gerenciamento de casos crônicos (Junqueira, 2001). Para alguns autores, o processo de análise de contas faz parte da auditoria operacional, pelo fato de muitos profissionais atuarem nessa atividade. Assim, ela pode ser chamada de Visita Hospitalar de Alta (VHA) (Lorvedos, 1999). No caso das contas hospitalares ambulatoriais – ou que se referem a procedimentos nos quais não houve uso de material ou medicamento –, elas podem ser analisadas pela equipe administrativa de análise de contas e fazer pós-auditoria ou auditoria retrospectiva. Isso se deve ao fato de a ação de auditoria ser realizada pela análise retrospectiva do prontuário do paciente, e não nas dependências do prestador, mas da fonte pagadora (operadora de planos de saúde). Junqueira (2001) engloba na classificação de auditoria analítica os dados levantados nas demais ações (prospectiva, preventiva e concorrente/operacional) e de sua comparação com indicadores. Os relatórios que são realizados com base nessas análises podem contribuir 1 3 substancialmente para a gestão dos recursos da organização. Para outros, este é o tipo de ação realizada pelos coordenadores de um grupo de auditores em saúde, pois não fariam parte do dia a dia do profissional auditor. Importante salientar: a prática de auditoria pode ser muito ampla, não fica restrita às ações nas operadoras de planos de saúde. Desde que exista a necessidade de se confrontar uma situação com um padrão preestabelecido, por meio de formulário específico, essa ação pode ser classificada como uma auditoria. Por exemplo: vistorias de vigilância sanitária, auditorias internas preparatórias para processos de acreditação, entre outras. Quando a situação está adequada, há conformidade. Do contrário, são encontradas não conformidades ao padrão ou norma vigente. Cada serviço ou operadora de plano de saúde pode adotar práticas de auditoria conforme suas características, demandas, foco ou metas. Para saber mais sobre diretrizes gerais da prática da auditoria no âmbito das operadoras de planos de saúde, acesse: DIRETRIZES para os processos de auditoria dos serviços de assistência à saúde, prestados pela rede contratada por Operadora de Planos de Saúde(OPS). Unidas, Disponível em: <http://www.unidas.org.br/periodicos/arq_periodicos/diretrizes.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2017. Para saber mais a respeito de auditoria no Sistema Único de Saúde, acesse: AUDITORIA, controle e programação de serviços de saúde. Saúde e cidadania, 2012. Disponível em: <http://portalses.saude.sc.gov.br/arquivos/sala_de_leitura/saude_e_cidadania/e d_05/index. html>. Acesso em: 16 abr. 2017. Para saber mais a respeito deste tema, indicamos a leitura obrigatória dos capítulos 2 e 8 desta dissertação de mestrado: SCARPARO, A. F. Auditoria de enfermagem: identificando sua concepção e métodos. Dissertação (Mestrado em Enfermagem Fundamental) – Universidade 1 4 de São Paulo, Ribeirão Preto, 2007. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-18102007- 152508/ptbr.php>. Acesso em: 16 abr. 2017. Clique aqui e acesse o vídeo 6 TEMA 5 – COMPETÊNCIAS GERENCIAIS Você percebeu que desde o início desta disciplina, temos discutido assuntos que extrapolam as disciplinas técnicas da área da saúde? Influenciada pela globalização, pela inovação e o crescimento exponencial das informações com uso de tecnologias da informação e comunicação, a área da saúde demanda, atualmente, de profissionais que entendam a importância de estarem sempre atualizados e lhes permitam ser proativos, apresentar soluções para alcance de objetivos individuais, organizacionais e coletivos. Assim, diante dessa realidade, parece não ser possível improvisar médicos ou enfermeiros, os quais muitas vezes são excelentes técnicos, clínicos resolutivos, entretanto, desconhecem instrumentos gerenciais importantes para exercer a responsabilidade maior do gestor, que é “proporcionar o bom desenvolvimento das diversas atividades técnicas e profissionais que são realizadas ao mesmo tempo” (Seixas; Melo, 2004, citado por Vieira et al., 2015). Entre algumas competências consideradas importantes para os gestores em saúde, encontramos alguns eixos temáticos que se referem à economia e demografia; política, planejamento e avaliação em saúde; gestão do trabalho e educação em saúde; administração e contabilidade; e metodologias estruturantes. Entre as competências comportamentais, encontramos: tomada de decisão; relacionamento interpessoal; ética; liderança; trabalho em equipe; flexibilidade; comunicação; empreendedorismo, marketing pessoal; e gestão de conflitos. (Vieira et al., 2015, p. 1) Apesar de escutarmos muito a expressão “fulano é um líder nato!”, pesquisadores ponderam: as competências gerencias, entre elas a liderança, podem ser aprendidas e desenvolvidas por qualquer ser humano. Chamamos a atenção para a afirmação de que a competência de alguém não pode ser reduzida a um conhecimento específico e nem a um estado, mas à confluência de sua formação pessoal, de sua formação profissional e de sua experiência 1 5 profissional (Le Boterf, 2003). Consequentemente, trata-se de um conceito mais amplo, relacionado ao que a pessoa realizou na vida, dentro de um contexto específico (Vieira et al, 2015). Por outro lado, Fleury e Fleury (2013) sugerem três níveis de competências a serem desenvolvidas pelos gestores. O primeiro refere-se à competência de negócio – compreender o mercado, o comportamento dos clientes e competidores e o ambiente político e social. Outro nível trata da competência social, visando a negociação, ações de sensibilização e mobilização. Finalmente, o nível técnico-profissional da competência, voltada para o saber fazer de determinada ocupação ou atividade. O fato é que vivemos em uma sociedade que pede por líderes e gestores competentes, responsáveis socialmente e capazes de equilibrar custo, acesso e qualidade nos serviços e produtos de saúde. Tornarmo-nos esse líder é realmente um desafio, pois precisamos romper com simplificações e abraçar a complexidade da área da saúde; partir da visão fragmentada e afastada da realidade, para a transformação com base em abordagens multiprofissionais e disruptivas, sem perder o foco no planejamento, nas metas, e na resolução de problemas relevantes para a sociedade em geral. Para saber mais a respeito deste tema, indicamos a leitura obrigatória deste artigo: SILVA, Y. C.; ROQUETE, F. F. Competências do gestor em serviços de saúde: análise da produção científica no período de 2001 a 2011. RAS_, v. 15, n. 58, jan./mar., 2013. Disponível em: <http://www.cqh.org.br/portal/pag/anexos/baixar.php?p_ndoc=597&p_nanexo= 378>. Acesso em: 16 abr. 2017. Clique aqui e acesse o vídeo 7 SÍNTESE Esta aula objetivou discorrer a respeito de aspectos gerais relativos a equipamentos, aparelhos e instrumentos de saúde. 1 6 Assim, abordamos estrutura física de estabelecimentos assistenciais de saúde e seu parque de equipamentos, incluindo manutenção; ações de auditoria gerais em saúde e relacionadas ao gerenciamento de setores que mantêm equipamentos em funcionamento; e as competências gerenciais necessárias para o trabalho gerencial. Ao considerarmos que a incorporação das inovações tecnológicas não aguarda que nos preparemos para lidar com elas de forma eficiente na prática, esperamos ter contribuído para a atualização dos seus conhecimentos na área, de modo que você possa estar preparado para o desafio de gerenciar e auditar serviços de saúde com vistas à qualidade, a racionalidade econômica, e o cumprimento de contratos. É preciso ter em mente que todos os grandes líderes, os grandes gestores não nasceram sabendo como enfrentar os desafios da vida profissional. Nesse sentido, é fundamental termos conhecimento das teorias, das técnicas e métodos que existem para que possamos liderar equipes, alcançar metas – o conhecimento estruturado – e, juntamente com uma atitude proativa, comprometida e resiliente, possamos desenvolver essas habilidades práticas e para nos sentirmos satisfeitos no cotidiano desafiador da gestão em saúde. Clique aqui e acesse o vídeo 8 REFERÊNCIAS AMORIM, GM et al. Prestação de serviços de manutenção predial em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 18, n. 1, p. 145-158, jan. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 81232013000100016&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 19 abr. 2017. AZEVEDO NETO, F. P. B. et al. Gestão logística em saúde. Florianópolis: UFSC, 2010. BRASIL. Lei n. 8080, de 19 de setembro de 1990. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 20 set. 1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm>. Acesso em: 16 abr. 2017. 1 7 BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC n. 50, de 21 de fevereiro de 2002. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 fev. 2002. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/anvisalegis/resol/2002/50_02rdc.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento Nacional de Saúde. Divisão de Organização Hospitalar. 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