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Material de Apoio   Direito Penal   Crimes em Espécie   Material Extra

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DE PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO. 
Trata-se de hipótese em que o legislador condiciona a imposição da pena à produção 
do resultado, que no caso pode ser morte ou a lesão corporal de natureza grave. Ou a vítima morre ou sofre 
lesão grave e o crime se consuma, ou não morre ou não sofre lesão grave e o fato é atípico. 
SE NÃO HÁ OCORRÊNCIA DE MORTE OU DE LESÃO CORPORAL DE NATUREZA LEVE, 
O FATO É ATÍPICO. 
III) FIGURAS TÍPICAS QUALIFICADAS – ART. 122, PARÁGRAFO ÚNICO 
a) Se o crime é praticado por motivo egoístico 
Motivo egoístico é o excessivo apego a si mesmo, o que evidencia o desprezo pela 
vida alheia, desde que algum benefício concreto advenha ao agente. Logicamente, merece maior punição. 
Ex: É o caso, por exemplo, de o sujeito induzir a vítima a suicidar-se para ficar com 
a herança. 
b) Se a vítima é menor 
Em segundo lugar, a pena é agravada quando a vítima é menor. Qual a idade para 
efeito da qualificadora? 
 
 
c) Tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência 
A terceira qualificadora prevê a hipótese de a vítima ter diminuída, por qualquer 
causa, a capacidade de resistência, como enfermidade física ou mental, idade avançada. 
Ex. induzir ao suicídio vítima embriagada. 
 
Por fim, é de ressaltar que o suicida com RESISTÊNCIA NULA, pelos abalos ou 
situações supramencionadas, incluindo-se a idade inferior a 14 anos, é vítima de HOMICÍDIO, e não de 
induzimento, instigação ou auxílio a suicídio. 
 seria alterada? (valor: 0,60) 
 
03) INFANTICÍDIO – Art. 123 
I) CONCEITO 
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Trata-se de homicídio cometido pela mãe contra seu filho, nascente ou recém-
nascido, sob a influência do estado puerperal. 
O infanticídio ocorre quando a ação é praticada durante o parto ou logo após. 
Antes de iniciado o parto existe o aborto e não infanticídio. 
Não incidem as agravantes previstas no art. 61, II, “e” e “h”, do CP (crime cometido 
contra descendente e contra criança), vez que integram a descrição do delito de infanticídio. Caso incidissem, 
haverá bis in idem. 
II) ELEMENTOS DO TIPO OBJETIVO 
A ação nuclear é o verbo matar, assim como no delito de homicídio, que significa 
destruir a vida alheia, no caso, a eliminação da vida do próprio filho pela mãe. 
A ação física, todavia, deve ocorrer durante ou logo após o parto, não obstante a 
superveniência da morte em período posterior. 
Admite-se a forma omissiva, visto que a mãe tem o dever legal de proteção, cuidado 
e vigilância em relação ao filho. 
Ex: Mãe, sob influência do estado puerperal, percebe que o filho está morrendo 
sufocado com o leite materno e nada faz para impedir o resultado morte. Incide, no caso, o disposto no artigo 
13, § 2º, do CP. 
 
Estado puerperal é o estado que envolve a mulher durante o parto. Há profundas 
alterações psíquicas e físicas, que chegam a transtornar a mãe, deixando-a sem plenas condições de entender 
o que está fazendo. 
Portanto, o estado puerperal é o conjunto das perturbações psicológicas e físicas 
sofridas pela mulher em face do fenômeno do parto. 
É possível que autora possua doença mental ou desenvolvimento mental incompleto 
ou retardado, como situação preexistente ao parto e que, dada a presença do estado puerperal, seja ela 
considerada incapaz de compreender o caráter ilícito da sua conduta ou de se determinar conforme esse 
entendimento. No caso, incido o disposto no artigo 26 do Código Penal, podendo ser inimputável ou semi-
imputável, conforme o caso. 
O infanticídio pressupõe que a conduta seja praticada “durante o parto ou logo 
após”. 
Não há na literatura médica ou jurídica regra absoluta quanto à duração do estado 
puerperal. Há quem adote o parâmetro máximo de sete dias. Todavia, para maioria da doutrina, a melhor 
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solução é deixar a conceituação da elementar “logo após” para a análise do caso concreto, entendendo-se 
que há delito enquanto perdurar a influência do estado puerperal. 
III) SUJEITOS DO DELITO 
a) Sujeito ativo 
A autora do infanticídio SÓ PODE SER A MÃE. Cuida-se de CRIME PRÓPRIO, uma 
vez que não pode ser cometido por qualquer autor. 
O tipo penal exige qualidade especial do sujeito ativo. Entretanto, isso não impede 
que terceiro responda por infanticídio diante do concurso de agentes. 
b) Sujeito passivo 
Sujeito passivo é o neonato ou nascente, de acordo com a ocasião da prática do 
fato: durante o parto ou logo após. 
Antes do parto, o sujeito passivo será o feto, caracterizando, portanto, o delito de 
aborto. 
c) A participação de terceiros no ato 
Segundo boa parte da doutrina, estando a mulher sob influência do estado 
puerperal, responde ela por infanticídio, delito que também será atribuído aos eventuais concorrentes do fato, 
uma vez que se trata de circunstância de caráter pessoal que constitui elementar do crime. Logo, comunica-
se aos coautores ou partícipes, nos termos do art. 30 do CP. 
IV) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
O infanticídio atinge a consumação com a morte do nascente ou neonato. 
Trata-se de crime material. Diante disso, admite-se a tentativa, desde que a morte 
não ocorra por circunstâncias alheias à vontade da autora. 
Ex: a genitora, ao tentar sufocar a criança com um travesseiro, tem a sua conduta 
impedida por terceiros. 
 
04) ABORTO 
I) ABORTO PROVOCADO PELA GESTANTE OU COM SEU CONSENTIMENTO – Art. 124 
O sujeito ativo é a gestante, enquanto o passivo é o feto. 
Trata-se de crime de mão própria, pois somente a gestante pode realizá-lo, contudo 
isso não afasta a possibilidade de participação no crime em questão. 
1ª figura: Aborto provocado pela própria gestante (autoaborto): 
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É a própria mulher quem executa a ação material do crime, ou seja, ela própria 
emprega os meios ou manobras abortivas em si mesma. 
Se um terceiro executar ato de provocação do aborto, não será partícipe do crime 
do art. 124 do CP, mas sim autor do fato descrito no art. 126 (provocação do aborto com consentimento da 
gestante). 
2ª figura – Aborto consentido 
A mulher apenas consente na prática abortiva, mas a execução material do crime é 
realizada por terceira pessoa. 
Em tese, a gestante e o terceiro deveriam responder pelo delito do art. 124. Contudo, 
o CP prevê uma modalidade especial de crime para aquele que provoca o aborto com o consentimento da 
gestante (art. 126). 
Assim, há a previsão separada de dois crimes: um para a gestante que consente na 
prática abortiva (art. 124); e outro para o terceiro que executou materialmente a ação provocadora do aborto 
(art. 126). Há aqui, perceba-se, mais uma exceção à teoria monista adota pelo CP em seu art. 29. 
II) ABORTO PROVOCADO POR TERCEIRO – Art. 125 
Trata-se de forma mais gravosa do delito de aborto. 
Ao contrário da figura típica do art. 126, não há o consentimento da gestante no 
emprego dos meios ou manobras abortivas por terceiro. Aliás, a ausência de consentimento constitui 
elementar do tipo penal. 
As formas de dissentimento estão retratadas no art. 126, parágrafo único: 
a) DISSENTIMENTO PRESUMIDO 
É necessário que a gestante tenha capacidade para consentir, não se tratando de 
capacidade civil. 
Para o CP, quando a vítima não é maior de 14 anos ou é alienada mental, não possui 
consentimento válido, levando à consideração de que o aborto deu-se contra a sua vontade. 
b) DISSENTIMENTO REAL 
Quando o agente emprega violência, grave ameaça ou mesmo fraude, é natural 
supor que extraiu o consentimento da vítima à força, de modo que o aborto necessita encaixar-se na figura 
do art. 125. 
III) ABORTO CONSENSUAL – Art. 126 
Para que se caracterize a figura do aborto consentido (art. 126), é necessário que o 
consentimento da gestante seja válido, isto é, que ela tenha capacidade para consentir. Ausente essa 
capacidade, o delito poderá ser outro (art. 125). 
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Trata-se de uma exceção à teoria