A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
38 pág.
Material de Apoio   Direito Penal   Crimes em Espécie   Material Extra

Pré-visualização | Página 6 de 10

tanto pode resultar de dolo (o assaltante atira na cabeça da vítima e a mata) quanto de culpa (o agente 
desfere um golpe contra o rosto do ofendido para feri-lo, vindo, no entanto, a matá-lo). 
É considerado crime hediondo. 
86
Súmula 610 do STF: “Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, 
ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima”. 
 
Súmula 603 do STF: “A competência para o processo e julgamento de latrocínio é 
do juiz singular e não do Tribunal do Júri.” 
 
 
12) EXTORSÃO – Art. 158 
A) AÇÃO NUCLEAR 
Extorsão é o fato de o sujeito constranger alguém, mediante violência ou grave 
ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que 
se faça ou deixar de fazer alguma coisa. 
A diferença em relação ao roubo concentra-se no fato de a extorsão exigir a 
participação ativa da vítima fazendo alguma coisa, tolerando que se faça ou deixando de fazer algo em virtude 
da ameaça ou da violência sofrida. 
A ação nuclear do tipo consubstancia-se no verbo constranger, que significa coagir, 
compelir, forçar, obrigar alguém a fazer (p. ex: quitar uma dívida não paga), tolerar que se faça (ex: permitir 
que o rasgue um contrato) ou deixar de fazer alguma coisa (ex: obrigar a vítima a não propor ação judicial 
contra o agente). 
O constrangimento pode ser exercido mediante o emprego de violência ou grave 
ameaça, os quais podem atingir tanto o titular do patrimônio quanto pessoa ligada a ele (filhos, pai, mãe, 
etc.). 
B) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
A extorsão atinge a consumação com a conduta típica imediatamente anterior à 
produção do resultado visado pelo sujeito. 
Para a consumação, portanto, o agente deve atingir o segundo estágio, isto é, a 
consumação ocorre quando a vítima cede ao constrangimento imposto e faz ou deixa de fazer algo. Esse é o 
entendimento que prevalece na doutrina. Nesse sentido a Súmula 96 do STJ: “O crime de extorsão consuma-
se independentemente da obtenção da vantagem indevida”. 
A tentativa é admissível. Ocorre quando o sujeito passivo, não obstante constrangido 
pelo autor por intermédio da violência física ou moral, não realiza a conduta positiva ou negativa pretendida, 
por circunstâncias alheias à sua vontade. 
C) EXTORSÃO QUALIFICADA – Art. 158, §§ 2º e 3º 
87
As duas hipóteses (lesão corporal grave ou morte) elencadas, como no roubo, 
caracterizam condições de exasperação da punibilidade em razão da maior gravidade do resultado. 
A extorsão qualificada pela morte da vítima também é crime hediondo e, assim, 
como o latrocínio, é da competência do juiz singular, e não do Tribunal do Júri. 
 
D) EXTORSÃO QUALIFICADA PELA PRIVAÇÃO DA LIBERDADE – ART. 158, § 3º 
Conforme leciona Damásio, na hipótese em que o ladrão constrange a vítima a 
entregar-lhe o cartão magnético e a fornecer-lhe a senha, acompanhando-a até caixas eletrônicos de bancos 
para sacar dinheiro, ocorre o crime de extorsão qualificada, uma vez que é imprescindível a atuação do sujeito 
passivo do ataque patrimonial para a obtenção da vantagem indevida por parte do autor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13) EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO – Art. 159 
 
 
 
 
 
I) CONCEITO E OBJETIVIDADE JURÍDICA 
O fato é definido como “sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para 
outrem, qualquer vantagem como condição ou preço de resgate”. 
EXTORSÃO 
MEDIANTE 
SEQUESTRO 
Art. 159 - Sequestrar pessoa com o fim de 
obter, para si ou para outrem, qualquer 
vantagem, como condição ou preço do 
resgate: 
Pena - reclusão, de oito a quinze anos. 
 
CRIME 
FORMAL 
SÚMULA 
96 STJ 
EXTORSÃO 
QUALIFICADA 
O crime de extorsão consuma-se 
independentemente da obtenção 
da vantagem indevida. 
EXTORSÃO 
ART. 158, §2º: se resultar lesão 
corporal grave ou morte 
Independe do resultado, isto é, 
da obtenção da vantagem 
indevida 
ART. 158, §3º: Quando a 
restrição à liberdade da vítima 
for imprescindível para obtenção 
da vantagem indevida 
88
É crime hediondo. 
Consubstancia-se no verbo sequestrar, que significa privar a vítima de sua liberdade 
de locomoção, ainda que por breve espaço de tempo. 
II) CONSUMAÇÃO
A consumação ocorre com a privação de liberdade de locomoção da vítima, exigindo-
se tempo juridicamente relevante. 
Trata-se de crime permanente, cuja consumação se prolonga no tempo. Assim, 
enquanto a vítima estiver submetida à privação de sua liberdade de locomoção o crime estará em fase de 
consumação. 
Tratando-se de crime formal, pune-se a mera atividade de sequestrar pessoa, tendo 
a finalidade de obter vantagem. Assim, embora o agente não consiga a vantagem almejada, o delito está 
consumado quando a liberdade da vítima é cerceada. 
III) FORMAS QUALIFICADAS – Art. 159, § 1º
a) Sequestro por mais de 24 horas
b) Sequestro de menor de 18 ou maior de 60 anos
c) Sequestro praticado por bando ou quadrilha
É possível responsabilizar-se o agente pelo crime autônomo de associação criminosa 
(art. 288) em concurso material com a forma qualificada em estudo. Não há falar em bis in idem, uma vez 
que os momentos consumativos e a objetividade jurídica entre tais crimes são totalmente diversos, além do 
que a figura prevista no art. 288 do CP existe independentemente de algum crime vir a ser praticado pela 
quadrilha ou bando. 
IV) EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO QUALIFICADA PELO RESULTADO: LESÃO GRAVE OU
MORTE – Art. 159, §§ 2º e 3º
A regra, repetindo, é que, nesses crimes, o resultado agravador seja sempre produto 
de culpa. Contudo, na hipótese em apreço, a extrema gravidade das sanções cominadas uniu o entendimento 
doutrinário que passou a admitir a possibilidade, indistintamente, de o resultado agravador poder decorrer 
tanto de culpa quanto de dolo, direto ou eventual. 
a) Se resulta lesão corporal grave
b) se resulta morte
V) DELAÇÃO PREMIADA – Art. 159, § 4º
89
A Lei 8.072/90, que instituiu os crimes hediondos, houve por bem criar, no Brasil, a 
delação premiada, que significa a possibilidade de se reduzir a pena do criminoso que entregar o(s) 
comparsa(s) a qualquer autoridade capaz de levar o caso à solução almejada, causando a liberação da vítima 
(delegado, juiz, promotor, entre outros). 
14) DANO – Art. 163 
 
 
 
 
I) AÇÃO NUCLEAR 
Destruir quer dizer arruinar, extinguir ou eliminar. Inutilizar significa tornar inútil ou 
imprestável alguma coisa aos fins para os quais se destina. Deteriorar é a conduta de quem estraga ou 
corrompe alguma coisa parcialmente. 
É o dolo. Não há a forma culposa, nem se exige qualquer elemento subjetivo do tipo 
específico (dolo específico). 
Basta a vontade de destruir, não sendo exigível o fim especial de causar prejuízo ao 
ofendido, pois a figura penal não faz referência expressa a nenhum elemento subjetivo do tipo. 
 
II) DANO QUALIFICADO – Art. 163, parágrafo único 
I) VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA A PESSOA 
II) COM EMPREGO DE SUBSTÂNCIA INFLAMÁVEL OU EXPLOSIVA, SE O FATO NÃO CONSTITUI CRIME MAIS 
GRAVE 
III) PATRIMÔNIO PÚBLICO 
IV) MOTIVO EGOÍSTICO E PREJUÍZO CONSIDERÁVEL 
III) AÇÃO PENAL – Art. 167 
De acordo com o art. 167, a ação penal privada é cabível no crime de dano simples 
(caput) e qualificado (somente na hipótese do inciso IV do parágrafo único). 
A ação penal pública incondicionada é cabível nas demais hipóteses. 
15) APROPRIAÇÃO INDÉBITA – Art. 168 
I) CONCEITO E OBJETIVIDADE JURÍDICA 
DANO 
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou 
deteriorar coisa alheia: 
Pena - detenção, de um a seis meses, 
ou multa. 
 
90
O pressuposto do crime de apropriação indébita é a anterior posse lícita da coisa 
alheia, da qual o agente se apropria indevidamente. A posse, que deve preexistir ao crime, deve ser exercida 
pelo agente em nome