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Material de Apoio   Direito Penal   Crimes em Espécie   Material Extra

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alheio, isto é, em nome de outrem. 
O núcleo do tipo é o verbo “apropriar-se”, que significa fazer sua a coisa alheia. 
Tendo o sujeito a posse ou a detenção do objeto material, em dado momento faz mudar o título da posse ou 
da detenção, comportando-se como se dono fosse. 
A apropriação pode ser classificada em: 
1º) APROPRIAÇÃO INDÉBITA PROPRIAMENTE DITA: Ocorre quando o sujeito realiza 
ato demonstrativo de que inverteu o título da posse, como a venda, doação, consumo, penhor, ocultação, etc. 
2º) NEGATIVA DE RESTITUIÇÃO: Neste caso, o sujeito afirma claramente ao 
ofendido que não irá devolver o objeto material. 
I) CAUSAS DE AUMENTO DE PENA – Art. 168, § 1º 
a) EM DEPÓSITO NECESSÁRIO; 
O depósito necessário, disciplinado no inciso I do § 1º do art. 168, é apenas aquele 
conhecido como miserável, ou seja, levado pela necessidade de salvar a coisa da iminência de uma calamidade, 
ou, como define o próprio CC, “o que se efetua por ocasião de alguma calamidade, como o incêndio, a 
inundação, o naufrágio ou o saque” (art. 647). Está excluído, por conseguinte, o depósito legal. 
b) NA QUALIDADE DE TUTOR, CURADOR, SÍNDICO, LIQUIDATÁRIO, INVENTARIANTE, 
TESTAMENTEIRO OU DEPOSITÁRIO JUDICIAL; 
c) EM RAZÃO DE OFÍCIO, EMPREGO OU PROFISSÃO. 
Para que se configure a agravante especial em exame é necessário que o sujeito 
tenha recebido a posse ou detenção do objeto material em razão do emprego, ou seja, deve existir um nexo 
de causalidade entre a relação de trabalho e o recebimento. 
 
16) ESTELIONATO – Art. 171 
I) AÇÃO NUCLEAR 
Consiste em induzir ou manter alguém em erro, mediante o emprego de artifício, 
ardil, ou qualquer meio fraudulento, a fim de obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita em prejuízo 
alheio. 
A característica primordial do estelionato é a fraude: engodo empregado pelo sujeito 
para induzir ou manter a vítima em erro, com o fim de obter um indevido proveito patrimonial. 
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O meio de execução deve ser apto a enganar a vítima. Tratando-se de meio 
grotesco, que facilmente demonstra a intenção fraudulenta, não há nem tentativa, por atipicidade do fato. 
II) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
Trata-se de crime material. Consuma-se com a obtenção da vantagem ilícita 
indevida, em prejuízo alheio, ou seja, quando o agente aufere o proveito econômico, causando dano à vítima. 
Via de regra, esses resultados ocorrem simultaneamente. Há, assim, ao mesmo tempo, a obtenção de proveito 
pelo estelionatário e o prejuízo da vítima. 
III) FRAUDE NO PAGAMENTO POR MEIO DE CHEQUE – Art. 171, § 2º, VI 
Se o indivíduo emite um cheque na certeza de que tem fundos disponíveis para o 
devido pagamento pelo banco, quando na realidade não há qualquer numerário depositado na agência 
bancária, não se pode falar em ilícito criminal, ante a ausência de má-fé. 
O que a lei penal pune é o pagamento fraudulento. Nesse sentido é o teor da 
Súmula 246 do STF: “comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de cheque 
sem fundos”. 
Emitir cheque significa pôr em circulação o título de crédito; frustrar o pagamento 
quer dizer iludir ou enganar o credor, evitando a sua remuneração. 
a) Emitir cheque sem provisão de fundos 
O agente preenche, assina e coloca o cheque em circulação sem ter numerário 
suficiente na instituição bancária (banco sacado) para cobrir o valor quando da apresentação do título pelo 
tomador. No momento da emissão do cheque – que não significa simplesmente o seu preenchimento, mas a 
entrega a terceiro – é preciso que o estabelecimento bancário, encarregado da compensação, já não possua 
fundo suficiente para cobrir o pagamento. 
b) Frustrar o pagamento de cheque 
Neste caso, o agente possui fundos suficientes na instituição bancária quando da 
emissão do cheque, contudo, antes de o beneficiário apresentar o título ao banco, aquele retira todo o 
numerário depositado ou apresenta uma contraordem de pagamento. 
C) Consumação 
Segundo o art. 4º, § 1º, da Lei 7.357/85, a existência de fundos disponíveis é 
verificada no momento da apresentação do cheque para pagamento. Destarte, o crime se consuma no 
momento e no local em que o banco sacado recusa o pagamento, pois só nesse momento ocorre o prejuízo 
(trata-se de crime material). 
Esse é o teor da Súmula 521 do STF: “O foro competente para o processo e 
julgamento dos crimes de estelionato, sob a modalidade da emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos, 
é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado”. 
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Arrependendo-se o agente antes da apresentação do título pelo beneficiário no 
banco sacado, e depositando o numerário necessário para cobrir a quantia constante do cheque, haverá 
arrependimento eficaz, não respondendo ele por crime algum. 
Se, por outro lado, o agente arrepender-se somente após a consumação do crime, 
ou seja, após a recusa do pagamento pelo banco sacado, incidirá a Súmula 554 do STF: “ O pagamento de 
cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da 
ação penal”. 
Assim, o pagamento do cheque antes do recebimento da denúncia extingue a 
punibilidade do agente. 
 
17) RECEPTAÇÃO – Art. 180 
I) CONCEITO 
Nos termos do artigo 180, “caput”, do CP, a receptação é o fato de adquirir, receber, 
transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio coisa que sabe ser produto de crime, ou influir 
para que terceiro, de boa fé, a adquira, receba ou oculte. 
É pressuposto do crime de receptação a existência de crime anterior. Trata-se de 
delito acessório, em que o objeto material deve ser produto de crime antecedente, chamado de delito 
pressuposto. 
A receptação dolosa pode ser: 
A) PRÓPRIA : Constitui receptação dolosa própria o fato de o sujeito adquirir, 
receber, ocultar etc, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime (art. 180, “caput”, 1ª 
parte). 
B) IMPRÓPRIA : A receptação dolosa imprópria se encontra descrita no art. 180, 
“caput”, 2ª parte. Constitui o fato de o sujeito influir para que terceiro, de boa fé, adquira, receba ou oculte 
coisa produto de crime. 
A receptação culposa constitui o fato de o sujeito adquirir ou receber coisa que, por 
sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve 
presumir-se obtida por meio criminoso (art. 180, § 3º). 
II) RECEPTAÇÃO QUALIFICADA – Art. 180, § 1º 
Forma qualificada - § 1º: Tem como elemento subjetivo o dolo, seja direto ou 
eventual. 
III) RECEPTAÇÃO CULPOSA – Art. 180, §3º 
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Forma culposa - § 3º: O código refere coisa que, “pela sua natureza, deve presumir-
se obtida por meio criminoso”. A expressão “deve presumir-se” é indicativo de culpa na modalidade 
imprudência. 
IV) RECEPTAÇÃO PUNÍVEL AUTONOMAMENTE – Art. 180, § 4º 
Receptação punível autonomamente - § 4º: Para a concretização do crime de 
receptação não importa se houve a anterior condenação do autor do crime anterior. Porém, é necessário 
evidenciar-se a existência do crime anterior. 
V) PERDÃO JUDICIAL – Art. 180, § 5º 
Nos termos do artigo 180, § 5º, 1ª parte, do CP, na hipótese da receptação culposa, 
se o criminoso é primário, deve o juiz, tendo em consideração determinadas circunstâncias, deixar de aplicar 
a pena. No caso, fixaram a doutrina e a jurisprudência, que, além da primariedade, deve-se exigir o seguinte: 
a) diminuto valor da coisa objeto da receptação; b) bons antecedentes; c) ter o agente atuado com culpa 
levíssima. 
VI) TIPO QUALIFICADO – Art. 180, § 6º 
Outra forma qualificada: Quando o produto de crime pertencer à União, Estado, 
Município, empresa de serviços públicos ou sociedade de economia mista. Exige-se que o agente tenha 
conhecimento disso. 
18) ESCUSAS ABSOLUTÓRIAS 
 
I) IMUNIDADE ABSOLUTA – Art. 181 
Trata-se da chamada imunidade penal absoluta, também conhecida como