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Material de Apoio   Direito Penal   Crimes em Espécie   Material Extra

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escusa 
absolutória, incidente sobre os crimes contra o patrimônio, nas seguintes hipóteses: 
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; 
II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil 
ou natural. 
II) IMUNIDADE RELATIVA – Art. 182 
Consubstancia-se em imunidade penal relativa ou processual, a qual não extingue a 
punibilidade, mas tão-somente impõe uma condição objetiva de procedibilidade. 
Neste caso, ao contrário da imunidade absoluta, o autor do crime não é isento de 
pena, mas os crimes de ação penal pública incondicionada passam a ser condicionados à representação do 
ofendido. 
III) EXCLUSÃO DE IMUNIDADE OU PRIVILÉGIO – Art. 183 
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I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de 
grave ameaça ou violência à pessoa; 
II - ao estranho que participa do crime. 
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 
(sessenta) anos. 
19) ESTUPRO – art. 213 
 
 
 
 
 
I) CONCEITO E ELEMENTOS DO TIPO 
A Lei n. 12.015, de 07 de agosto de 2009 proporcionou uma unificação das figuras 
anteriormente caracterizadoras do estupro e do atentado violento ao pudor. Aliás, está revogado o artigo 214 
do Código Penal que, anteriormente, previa o atentado violento ao pudor. 
Constranger significa tolher a liberdade, forçar ou coagir. Nesse caso, o cerceamento 
destina-se a obter a conjunção carnal. Ato libidinoso é aquele destinado a satisfazer a lascívia, o apetite sexual 
do agente. Considerando que a conjunção carnal é a cópula vagínica, todos os demais atos que servem à 
satisfação do prazer sexual são considerados libidinosos, tais como o sexo oral ou anal, o toque em partes 
íntimas, a masturbação, o beijo lascivo, a introdução dos dedos na vagina. 
II) SUJEITO ATIVO E PASSIVO 
Com a lei nova, outra inovação substancial diz respeito ao sujeito passivo. 
Anteriormente à reforma, o sujeito passivo do crime de estupro era apenas a mulher. Atualmente, o estupro 
poderá ter como sujeito passivo homens ou mulheres, quando constrangidos à prática de atos libidinosos de 
qualquer natureza. 
Atinente ao sujeito ativo, por sua vez, pode ser homem ou mulher, 
indistintamente. 
III) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
O delito consuma-se com a prática do ato de libidinagem (gênero que abrange 
conjunção carnal e vasta enumeração de atos libidinosos ofensivos à dignidade sexual da vítima), sendo 
perfeitamente possível a tentativa, quando, iniciada a execução, o ato sexual visado não se consuma por 
circunstâncias alheias à vontade do agente. 
ESTUPRO 
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência 
ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a 
praticar ou permitir que com ele se pratique 
outro ato libidinoso: 
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. 
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Antes da Lei nova, se ocorresse conjunção carnal e atos libidinosos substanciais 
contra a mesma mulher, tínhamos estupro e atentado violento ao pudor. Discutia-se, apenas, se deveria incidir 
a continuidade delitiva ou se se tratava de concurso material de crimes. 
Agora, tendo o legislador unificado os tipos penais do estupro e do atentado violento 
ao pudor, passando a existir apenas o estupro e o estupro contra vulnerável, haverá crime único, se praticado 
no mesmo contexto fático. 
 
IV) FORMAS QUALIFICADAS – art. 213, §§1º e 2º 
Duas são as hipóteses: 1ª) ocorrência de lesões graves (que abrangem as lesões 
gravíssimas) decorrentes da conduta do agente. 2ª) vítima maior de 14 anos e menor de 18 anos na data do 
fato. 
Quanto às lesões graves (ou gravíssimas), devem ocorrer da conduta. Com isso, 
deixou claro o legislador que tais resultados devem decorrer da conduta, portanto da violência ou grave 
ameaça empregadas contra a vítima. 
O parágrafo 2º do artigo 213, por sua vez, prevê o resultado qualificador morte, 
também decorrente da conduta. Neste particular, houve redução da pena máxima, que anteriormente era de 
25 anos, passando para 20 anos de reclusão. 
Em ambos os casos, consoante já se tinha definido por ocasião do revogado artigo 
223 do Código Penal, os resultados lesões graves (ou gravíssimas) e morte devem ocorrer a título de culpa do 
agente. 
 
20) ESTUPRO DE VULNERÁVEL – Art. 217-A 
Antes da Lei 12.015/2009, o ato sexual com pessoa vulnerável configurava, a 
depender do caso, estupro ou atentado violento ao pudor, mesmo que praticado sem violência física ou moral, 
pois presumida no art. 224 do CP. Este dispositivo agora está expressamente revogado, subsumindo-se a 
conduta ao disposto no art. 217-A do CP. 
I) SUJEITOS DO CRIME 
O crime é comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. 
A vítima, por sua vez, só pode ser pessoa com menos de 14 anos (caput) ou 
portadora de enfermidade ou deficiência mental ou incapaz de discernimento para a prática do ato, ou que, 
por qualquer outra causa, sem condições de oferecer resistência (§ 1º). 
 
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II) TIPO SUBJETIVO 
O crime é punido a título de dolo, devendo o agente ter ciência de que age em face 
de pessoa vulnerável. 
III) FORMAS QUALIFICADAS – ART. 217-A, §§ 3º E 4º 
Os parágrafos 3º e 4º qualificam o delito de estupro contra vulnerável se da conduta 
ocorrer resultado lesão grave (por consequência, gravíssima também) ou morte da vítima. 
 
21) AÇÃO PENAL – Art. 225 
Relevantes inovações foram produzidas quanto à ação penal. 
Primeira delas foi a eliminação da ação penal privada em delitos dessa natureza, que 
antes era a regra. 
Com a reforma, a regra é a ação penal pública condicionada à representação. 
Veja-se que o estupro com resultado lesões graves (gravíssimas) ou morte passou 
a ser delito de ação penal pública condicionada à representação. Ora, total impropriedade cometeu o 
legislador. Imagine-se aludido delito com resultado morte da vítima. 
Evidentemente, pode-se ter a representação por aquelas pessoas elencadas no 
artigo 24, parágrafo 1º, do CPP. De qualquer sorte, parte da doutrina considera ainda aplicável a Súmula 608 
do STF, em vigor, determina que o estupro com violência real é delito de ação penal pública incondicionada. 
Certamente, deverá prevalecer ante a redação do Código, consoante já ocorria anteriormente quando a ação 
era, de regra, privada. 
 
22) PECULATO – Art. 312 
 
 
I) CONCEITO 
O peculato próprio, na realidade, constitui uma apropriação indébita, só que 
praticada por funcionário público com violação do dever funcional. Antes de ser uma ação lesiva aos interesses 
patrimoniais da Administração Pública, é principalmente uma ação que fere a moralidade administrativa, em 
virtude de quebra do dever funcional. 
 
A) PECULATO-APROPRIAÇÃO: 
É o denominado peculato próprio. 
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de 
dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público 
ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, 
ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: 
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. 
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A ação nuclear típica consubstancia-se no verbo apropriar. Assim como no crime de 
apropriação indébita, o agente tem a posse (ou detenção) lícita do bem móvel, público ou particular, e inverte 
esse título, pois passa a comportar-se como se dono fosse, isto é, consome-o, aliena-o. 
 
B) PECULATO-DESVIO: 
É o denominado peculato próprio. Está previsto na segunda parte do caput do art. 
312: “ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio”. 
O agente tem a posse da coisa e lhe dá destinação diversa da exigida por lei, agindo 
em proveito próprio ou de terceiro. 
Por exemplo, o funcionário empresta o dinheiro público para perceber os juros. 
II) SUJEITOS DO DELITO 
Trata-se de crime próprio. Somente o funcionário público (art. 327, caput) e as 
pessoas a ele equiparadas legalmente (art. 327, §§1º e 2º) podem praticar o delito de peculato.