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Material de Apoio   Direito Penal   Crimes em Espécie   Material Extra

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A condição especial funcionário público, como elementar do crime de peculato, 
comunica-se ao particular que eventualmente concorra, na condição de coautor ou partícipe, para a prática 
do crime, nos termos da previsão do art. 30 do CP. Portanto, é perfeitamente possível o concurso de pessoas, 
dada a comunicabilidade da elementar do crime (art. 30). 
III) PECULATO-FURTO – Art. 312, § 1º: 
É o denominado peculato impróprio. 
Estamos agora diante de um crime de furto, só que praticado por funcionário público, 
o qual se vale dessa qualidade para cometê-lo. Aqui o agente não tem a posse ou detenção do bem como no 
peculato-apropriação ou desvio, mas se vale da facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário 
público para realizar a subtração. 
IV) PECULATO CULPOSO – Art. 312, § 2º 
Pune-se aqui o funcionário público que por negligência, imprudência ou imperícia 
concorre para a prática de crime de outrem. 
O funcionário para ser punido insere-se na figura do garante, prevista no art. 13, § 
2º. Assim, tem ele o dever de agir, impedindo o resultado de ação delituosa de outrem. Não o fazendo, 
responde por peculato culposo. 
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Ex. se um vigia de prédio público desvia-se de sua função de guarda, por 
negligência, permitindo, pois, que terceiros invadam o lugar e de lá subtraiam bens, responde por peculato 
culposo. 
V) EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE NO PECULATO CULPOSO – Art. 312, § 3º 
A reparação do dano, para dar causa à extinção da punibilidade, deve ser anterior 
ao trânsito em julgado da sentença criminal. 
Deve ser completa e não exclui eventual sanção administrativa contra o funcionário. 
A extinção da punibilidade somente aproveita o funcionário, autor do peculato culposo. 
Consoante a segunda parte do § 3º, no crime culposo, se a reparação do dano é 
posterior à sentença irrecorrível, isto é, transitada em julgado, haverá a redução de metade da pena imposta. 
23) CONCUSSÃO – Art. 316 
I) AÇÃO NUCLEAR 
A ação nuclear consubstancia-se no verbo exigir, isto é, ordenar, reivindicar, impor 
como obrigação. 
A vítima cede às exigências formuladas pelo agente ante o temor de represálias 
relacionadas ao exercício da função pública por ele exercida. 
Assim, não é necessária a promessa da causação de um mal determinado; basta o 
temor que autoridade inspira. 
Ex. carcereiro que exige dinheiro dos presos sob sua custódia. Na hipótese, o 
simples fato de os presos encontrarem-se sob a guarda daquele gera neles o temor de eventuais represálias. 
Contudo, não pratica esse delito, mas o de extorsão ou roubo, por exemplo, o policial 
militar que exige vantagem indevida da vítima utilizando-se de violência, ou ameaçando-a gravemente de 
sequestrar seu filho. 
II) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
Trata-se de crime formal. A consumação ocorre com a mera exigência da vantagem 
indevida, independentemente de sua efetiva obtenção. Se esta sobrevém, há mero exaurimento do crime. 
E possível a tentativa, na hipótese em que o crime é plurissubsistente. 
 
24) EXCESSO DE EXAÇÃO – Art. 316, § 1º e 2º 
I) MODALIDADES 
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São duas as modalidades previstas: 
* EXIGÊNCIA INDEVIDA: 
Aqui a exigência do tributo ou contribuição social é indevida (elemento normativo 
do tipo), isto é, não há autorização legal para sua cobrança, ou seu valor já foi quitado pela vítima, ou então 
se refere a quantia excedente à fixada por lei. 
* COBRANÇA VEXATÓRIA OU GRAVOSA NÃO AUTORIZADA EM LEI (EXCESSO NO MODO DE 
EXAÇÃO OU EXAÇÃO FISCAL VEXATÓRIA). 
Ao contrário da modalidade criminosa precedente, aqui a exigência de tributo ou 
contribuição social é devida, mas a cobrança se faz com o emprego de meio gravoso ou vexatório para o 
devedor, o qual não é autorizado por lei. 
 
II) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
A) EXIGÊNCIA INDEVIDA: Aqui o delito se consuma no momento em que é feita a exigência do tributo ou 
contribuição social. 
Trata-se de crime formal, portanto a consumação independe do efetivo pagamento 
do tributo ou contribuição social pela vítima. 
A tentativa é possível. Ex. carta contendo a exigência de vantagem, a qual é 
interceptada antes de chegar ao conhecimento da vítima. 
B) COBRANÇA VEXATÓRIA OU GRAVOSA: Consuma-se com o emprego do meio vexatório ou gravoso na 
cobrança do tributo ou contribuição social, independentemente de seu efetivo recebimento. 
A tentativa é possível. 
Ex. Com o devido aparato já se acha na casa ou estabelecimento do ofendido, mas 
é obstado antes que inicie a cobrança. 
 
C) EXCESSO DE EXAÇÃO – FORMA QUALIFICADA – Art. 316, § 2º 
Nessa modalidade mais gravosa do crime de excesso de exação, pune-se o 
funcionário público que, em vez de recolher o tributo ou contribuição social, indevidamente exigido (§1º), para 
os cofres públicos, desvia-o em proveito próprio ou alheio. 
 
25) CORRUPÇÃO PASSIVA – Art. 317 
 
I) AÇÃO NUCLEAR 
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Trata-se de crime de ação múltipla. Três são as condutas típicas previstas: 
a) SOLICITAR: pedir, manifestar que deseja algo. Não há o emprego de qualquer ameaça explícita ou 
implícita. O funcionário solicita vantagem, e a vítima cede por deliberada vontade. 
 
b) RECEBER: aceitar, entrar na posse. Significa obter, direta ou indiretamente, para si ou para outrem, 
vantagem indevida. 
Aqui a proposta parte de terceiros e a ela adere o funcionário, ou seja, o agente não 
só aceita a proposta como recebe a vantagem indevida. 
Ao contrário da primeira modalidade, é condição essencial para sua existência que 
haja a anterior configuração do crime de corrupção ativa, isto é, o oferecimento de vantagem indevida (art. 
333). Sem essa oferta pelo particular, não há como falar em recebimento de vantagem. 
c) ACEITAR A PROMESSA DE RECEBÊ-LA: Nessa modalidade típica basta que o funcionário concorde com 
o recebimento da vantagem. Não há o efetivo recebimento dela. Deve haver necessariamente uma proposta 
formulada por terceiros, à qual adere o funcionário, mediante a aceitação de receber a vantagem. 
II) CLASSIFICAÇÃO 
a) CORRUPÇÃO PASSIVA PRÓPRIA 
Na corrupção passiva o funcionário, em troca de alguma vantagem, pratica ou deixa 
de praticar ato de ofício para beneficiar alguém. O ato a ser praticado pode ser ilegítimo, ilícito ou injusto. É 
a chamada corrupção própria. 
Ex. o funcionário do cartório criminal solicita indevida vantagem econômica para 
suprimir documentos do processo judicial. 
 
b) CORRUPÇAO PASSIVA IMPRÓPRIA 
Também configura o crime a prática de ato legítimo, lícito, justo. É a chamada 
corrupção passiva imprópria. 
Ex. oficial de justiça solicita vantagem econômica ao advogado, a fim de dar 
prioridade ao cumprimento do mandado judicial expedido em processo em que aquele atua. 
 
III) SUJEITOS DO DELITO 
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Trata-se de crime próprio . Portanto, o delito só pode ser cometido por funcionário 
público em razão da função (ainda que esteja fora dela ou antes de assumi-la) 
Nada impede, contudo, a participação do particular, ou de outro funcionário, 
mediante induzimento, instigação ou auxílio. O particular que oferece ou promete vantagem indevida ao 
funcionário público responde pelo delito de corrupção ativa (art. 333) e não pela participação no crime em 
estudo. Trata-se de exceção á regra prevista no artigo 29 do CP. 
IV) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
Trata-se de crime formal . Portanto, a consumação ocorre com o ato de solicitar, 
receber ou aceitar a promessa de vantagem indevida. 
A corrupção passiva consuma-se instantaneamente, isto é, com a simples solicitação 
da vantagem indevida, recebimento desta ou com a aceitação da mera promessa daquela. 
O tipo penal não exige que o funcionário pratique ou se abstenha da prática do ato 
funcional. Se isso suceder, haverá mero exaurimento do crime, o qual constitui condição de maior punibilidade 
(causa de aumento de pena prevista no § 1º do art. 317).