Prévia do material em texto
As IRAS podem ocorrer em qualquer topografia do corpo humano, como pele e partes moles, sítio cirúrgico, corrente sanguínea, trato respiratório, trato urinário, olhos, entre outras. A imagem abaixo mostra algumas topografias onde ocorrem as IRAS. As IRAS podem ser de origem endógena, isto é, causadas por microrganismos que colonizam a pele e as mucosas do paciente e que, devido a condições clínicas predisponentes desse paciente, como baixa imunidade, associadas a procedimentos diagnóstico-terapêuticos invasivos, encontram uma situação favorável para causar uma infecção. Também podem ser de origem exógena, ou seja, ocasionadas por microrganismos provenientes de outros pacientes, profissionais de saúde, produtos para saúde, equipamentos e ambientes contaminados. Em geral, as IRAS são atribuídas a falhas no processo de assistência (por exemplo, não higienização das mãos, limpeza e desinfecção de superfícies inadequadas, não aplicação de medidas de prevenção de infecções específicas), o que aumenta o risco de aquisição dessas infecções por indivíduos suscetíveis. Direto: ocorre quando o agente infeccioso é transferido diretamente de uma pessoa para outra. Exemplo de agente infeccioso: bactérias multiressistentes, Sarcoptes sacabiei (escabiose) e microrganismos causadores de doenças diarreicas. Indireto: ocorre quando o agente infeccioso é transferido de uma pessoa para outra por meio de objetos, ambiente ou pelas mãos de outra pessoa. Exemplo de agente infeccioso: bactérias multiressistentes, Sarcoptes sacabiei (escabiose) e microrganismos causadores de doenças diarreicas. Previous Subsection other 3.3.1 IRAS other 3.3.2 Resistência Microbiana (RM) Next Unit Clique para adicionar Adicionar a favoritos As IRAS podem ocorrer em qualquer topografia do corpo humano, como pele e partes moles, sítio cirúrgico, corrente sanguínea, trato respiratório, trato urinário, olhos, entre outras. A imagem abaixo mostra algumas topografias onde ocorrem as IRAS. As IRAS podem ser de origem endógena, isto é, causadas por microrganismos que colonizam a pele e as mucosas do paciente e que, devido a condições clínicas predisponentes desse paciente, como baixa imunidade, associadas a procedimentos diagnóstico-terapêuticos invasivos, encontram uma situação favorável para causar uma infecção. Também podem ser de origem exógena, ou seja, ocasionadas por microrganismos provenientes de outros pacientes, profissionais de saúde, produtos para saúde, equipamentos e ambientes contaminados. Em geral, as IRAS são atribuídas a falhas no processo de assistência (por exemplo, não higienização das mãos, limpeza e desinfecção de superfícies inadequadas, não aplicação de medidas de prevenção de infecções específicas), o que aumenta o risco de aquisição dessas infecções por indivíduos suscetíveis. Os microrganismos causadores de IRAS podem ser transmitidos por meio do contato (direto ou indireto), de gotículas ou de aerossóis. x Por gotículas: ocorre quando o agente infeccioso é transferido diretamente de uma pessoa infectada para a superfície mucosa de outra pessoa, por meio de gotículas respiratórias (>5µm). Essas gotículas deslocam-se em pequenas distâncias e são geradas quando o indivíduo infectado tosse, espirra, fala ou durante procedimentos como, por exemplo, aspiração, intubação traqueal e ressucitação cardiopulmonar. Exemplo de agente infeccioso: vírus Influenza, Bordetella pertussis (coqueluche), Rubella vírus (Rubéola). Por aerossóis: ocorre pela disseminação de pequenas partículas (≥5µm) contendo o agente infeccioso, que podem ser inaladas por pessoas suscetíveis. Estas partículas possuem a capacidade infectante por tempo prolongado e podem percorrer longas distâncias por meio de correntes de ar. Exemplo de agente infeccioso: Mycobacterium tuberculosis (tuberculose pulmonar e laríngia e tuberculose extrapulmonar com lesão drenando), vírus Varicella-zoster (varicela). O problema das IRAS tem se agravado grandemente com o crescente avanço da Resistência Microbiana (RM), levando à consequências catastróficas para a saúde individual e coletiva. A RM é a capacidade dos microrganismos de resistir a ação dos antimicrobianos. Os microrganismos multirresistentes, em geral, são definidos como aqueles resistentes a pelo menos um antimicrobiano, de três ou mais classes, desses tipos de medicamentos. Os microrganismos podem adquirir a resistência por meio de mutação genética, que ocorre de forma espontânea e progressiva ou por transmissão de genes de resistência entre os microrganismos. Porém, alguns microrganismos podem possuir uma resistência natural (forma intrínseca). Um fator que agrava ainda mais o problema da RM, e que é de extrema relevância para sua disseminação, é o uso indiscriminado de antimicrobianos. A bactérias podem apresentar um ou mais mecanismos de resistência demonstrados na figura abaixo. Com estes mecanismos presentes nas bactérias causadoras da infecção, os antimicrobianos não conseguem cumprir a sua função, que é eliminá-las ou inativá-las. Como consequência, haverão cada vez menos opções de antimicrobianos capazes de tratar as infecções. Por que o uso de antimicrobiano pode aumentar a resistência microbiana? O uso de antimicrobiano pode aumentar a RM através da seleção de bactérias resistentes (pressão seletiva). Isso se dá quando o antimicrobiano elimina, de um determinado meio, apenas bactérias suscetíveis (sensíveis). Neste caso, as bactérias resistentes sobrevivem e se multiplicam neste meio. Como resultado, o conjunto de bactérias desse determinado meio, será composto na sua grande maioria por bactérias resistentes. Portanto, o uso de antimicrobianos induz uma pressão seletiva sobre as As IRAS são um grave problema de segurança do paciente que preocupa gestores, profissionais de saúde e pacientes em todo o mundo, ocasionando milhões de lesões graves e óbitos nos hospitais todos os anos, a despeito de todas as ações regulatórias e publicações de práticas baseadas em evidência para a prevenção desses agravos. São os eventos adversos associados à assistência à saúde mais frequentemente reportados, com alta morbidade e mortalidade e com repercussão no aumento do tempo de hospitalização e elevado custo do tratamento. Tem forte impacto na segurança do paciente, e sua ocorrência reflete problemas de qualidade do serviço de saúde e da assistência prestada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que todos os serviços de saúde do mundo, mesmo os mais avançados e sofisticados, convivem com o problema das IRAS e recomenda a existência de programas de prevenção e controle das IRAS em âmbito nacional e institucional, uma vez que a implantação de várias medidas resulta na redução da ocorrência desse agravo. Um tema de extrema relevância no contexto das IRAS é a resistência microbiana (RM), que vem sendo discutida em todo o mundo e consiste em um dos mais sérios problemas de saúde da atualidade, uma vez que infecções causadas por bactérias resistentes a múltiplas classes de antimicrobianos têm se tornado cada vez mais comuns. Diante disso, desde 2001, a OMS chama atenção para um problema mundial: a crescente resistência bacteriana aos antimicrobianos, especialmente para as infecções associadas aos cuidados à saúde. Naquela ocasião, uma Estratégia Global para Contenção da Resistência Antimicrobiana foi lançada como um desafio para as diversas instituições de saúde do mundo, tendo em vista as publicações científicas com números crescentes e alarmantes de infecções por bactérias resistentes a múltiplos antimicrobianos. Observe na imagem abaixo que, ainda de acordo com a OMS, até 2050, 10 milhões de pessoas morrerão por causa de infecção causada por microrganismos multirresistentes. Em 2015, a AssembleiaMundial de Saúde aprovou um Plano de Ação Global em Resistência Microbiana cujo objetivo geral é assegurar a continuidade da capacidade de tratar e prevenir doenças infecciosas utilizando medicamentos eficazes, seguros e com qualidade comprovada, usados de forma responsável e que sejam acessíveis a todos os que deles necessitam. Além dos impactos relacionados à morbimortalidade, as IRAS produzem um forte impacto financeiro tanto individual quanto no sistema de saúde. Estima-se que as perdas financeiras anuais devido às IRAS cheguem à 7 bilhões de euros na Europa, incluindo apenas os custos diretos e 6,5 bilhões de dólares nos Estados Unidos (OMS, 2015). A OMS estima que, nos países da América Latina e Caribe, os benefícios da prevenção variam entre um mínimo de 5,7 a 6,8 bilhões para um máximo de US$ 25,0 a 31,5 bilhões de dólares (OMS, 201 A OMS reconhece o fenômeno das IRAS como um problema de saúde pública e preconiza que as autoridades em âmbito nacional e regional desenvolvam ações com vistas à redução do risco de aquisição. Atualmente, o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica das IRAS define a obrigatoriedade de os serviços de saúde com leitos de UTI e centro cirúrgico notificarem algumas infecções ocorridas nesses ambientes. Para auxiliar na elaboração de diretrizes, normas e medidas para prevenção e controle de IRAS e RM, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conta com a Comissão Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (CNCIRAS) e a Câmara Técnica de Resistência Microbiana em Serviços de Saúde (CATREM), ambas instituídas por meio de portarias (Portaria nº 2.034/2016 e Portaria nº 1.355/2015). A Anvisa ainda instituiu, em 2013, a Sub-rede Analítica de Resistência Microbiana em Serviços de Saúde, composta por um grupo de laboratórios centrais de saúde pública e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cujo objetivo é subsidiar ações de vigilância e monitoramento da RM em serviços de saúde por meio da identificação e tipagem molecular de microrganismos multirresistentes em situações de surtos. A Anvisa também elaborou o Plano Nacional para a Prevenção e o Controle da Resistência Microbiana nos Serviços de Saúde. A Anvisa tem realizado diversas ações com o objetivo de disseminar o conhecimento sobre prevenção e controle de IRAS tanto para os técnicos de estados e municípios quanto para os profissionais que atuam na assistência à saúde. Entre essas ações, destacam-se a publicação e divulgação de diversos materiais técnicos e de orientação sobre o tema (manuais, guias, cartazes, fôlderes e notas técnicas), a realização de seminários de segurança do paciente, a participação em eventos nacionais e regionais sobre o tema, a realização e participação em eventos de capacitação para as coordenações estaduais/distrital e municipais de controle de infecção, entre outras. As diretrizes para a prevenção e controle de IRAS e RM estão definidas no PNPCIRAS 2016-2020. Os programas de prevenção e controle de IRAS (PCIRAS) estaduais, distrital e municipais, assim como os programas dos serviços de saúde, devem ser elaborados em alinhamento ao PNPCIRAS, de acordo com o perfil epidemiológico e a necessidade local. Há uma série de ações que impactam nas taxas de infecção dos serviços de saúde e, para que se alcance resultados satisfatórios na redução dessas taxas, é necessário que essas ações de prevenção e controle sejam organizadas e sistematizadas através de uma iniciativa denominada PCIRAS. A obrigatoriedade da existência de PCIRAS nos hospitais brasileiros foi estabelecida pela Lei Federal nº 9.431/1997, e as ações de prevenção e controle de infecção hospitalar foram instituídas pela Portaria GM/MS nº 2.616/1998. Essas normas são direcionadas para a prevenção de infecções hospitalares. No entanto, todos os serviços de saúde devem desenvolver ações de prevenção e controle de infecção, conforme estabelece a RDC nº 36/2013, que institui ações de segurança do paciente, e a RDC nº 63/2011, que dispõe sobre os requisitos de boas práticas de funcionamento para os serviços de saúde. Portanto, é necessário que essas ações sejam sistematizadas, disponibilizadas e aplicadas pelos profissionais dos serviços de saúde. Clique para adicionar Adicionar a favoritos A Portaria GM/MS nº 2.616/1998 determina que, para a adequada execução do Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH, atualmente chamado de PCIRAS), os hospitais deverão constituir uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), órgão de assessoria à autoridade máxima da instituição e de execução das ações de controle de infecção hospitalar. As competências da CCIH estão descritas no item 3 do anexo 1 da Portaria GM/MS nº 2.616/1998, entre as quais destacamos: Elaborar, implementar, manter e avaliar um PCIRAS adequado às características e necessidades da instituição; Implantar um sistema de vigilância epidemiológica das infecções; Adequar, implementar e supervisionar as normas e rotinas técnico-operacionais; Realizar a capacitação do quadro de funcionários e profissionais da instituição, no que diz respeito à prevenção e controle das infecções hospitalares; Contribuir para o estabelecimento do uso racional de antimicrobianos, germicidas e artigos médico-hospitalares; Avaliar de forma periódica e sistemática as informações do sistema de vigilância epidemiológica das infecções hospitalares e aprovar as medidas de controle propostas pelos membros executores; Realizar investigação epidemiológica de casos e surtos, sempre que indicado, e implantar medidas imediatas de controle; Elaborar, implementar e supervisionar a aplicação de normas e rotinas técnico-operacionais, visando limitar a disseminação de agentes presentes nas infecções em curso, através de medidas de precaução e isolamento; Notificar os indicadores de IRAS definidos pelas coordenações municipais, estaduais/distrital ou federal (Anvisa).