Resenha do livro Como Nasce o Direito - Francesco Carnelutti
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Resenha do livro Como Nasce o Direito - Francesco Carnelutti


DisciplinaIntrodução ao Estudo ao Direito1.402 materiais1.650 seguidores
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No livro Como Nasce O Direito, Francesco Carnelutti faz jus ao nome discorrendo sobre as mais diversas formas de expressão e surgimento do direito. Passando pelos campos da economia, moral, delitos, propriedade, estado, dentre outros, mostrando suas ideias de forma abrangente e de fácil compreensão.
Antes de adentrar nos mais diversos campos que contribuíram para o surgimento do direito, devemos antes conceituar o que é direito. Segundo Carnelutti, direito nos remonta antes de tudo a ideia de lei. Em uma concepção mais completa, um conjunto de leis que regula a conduta dos homens. Já no campo do direito, não poderíamos esquecer que sem alguém para fabrica-lo ou opera-lo, seria praticamente inútil. Estas pessoas que são chamadas e operadores do direito, sendo qualificados, quando antes de fabrica-lo o estudam, e não qualificados, quando não tem tanta propriedade para tal feito. Mas o direito, traduzindo-se em lei, não é um produto acabado, sendo que o legislador apenas o faz de forma abstrata e geral, deixando a cargo do juiz adequar à situação e individuo.
Tendo feito o conceito, passemos a uma das áreas que possibilitaram o surgimento do direito, a economia. Economia expressa as ideias de propriedade e algo necessário e essencial ao homem, e o homem nunca está satisfeito com o que possui. Dessa necessidade de sempre adquirir mais, surge a guerra, que pode ser entre homens ou entre estados. Então, guerra seria, em uma concepção mínima, invasão de propriedade. De uma necessidade de paz, essencial ao povo, surge o direito acabando com a guerra. Pois a guerra é o caos, e o homem não consegue viver no caos. Portanto, onde há direito não há guerra, consequentemente, imperando a paz.
Entrando no campo da moral, mas ainda passando pelo da economia, para que haja paz, o homem tem que deixar de ser egoísta. Então, essa necessidade sempre adquirir mais, que tem por consequência a guerra, desaparecerá. Mas para que essa necessidade desapareça, seria necessário a ordem de alguém superior, que impusesse sua vontade, através de um mandato, sobre as demais e que fosse obedecido. Em resumo, o direito é uma regra posta a ser obedecida por todos, enquanto a moral vai da idoneidade moral de cada um.
Falando agora sobre o delito, resume-se em guerra entre os indivíduos. A guerra sendo proibida, seu único resquício aceito pela sociedade é a legitima defesa. Em seu principio, o delito divide-se em dois: homicídio e furto, sendo os dois uma forma de agressão à propriedade alheia. Sobre o delito, são posta sansões, que são classificadas em penal e civil. O sansão penal consiste em punir o individuo por condutas antissociais. A sansão penal tem por objetivo a prevenção dos delitos, sendo de forma geral ou especial. Geral, por dirigir-se a todos, especial ensinando ao já apenado a não reincidir. Assim sendo, a pena tem por objetivo punir ou intimidar os indivíduos. Já a sansão civil tem por objetivo restituir o dano causado a quem teve sua propriedade invadida. 	
Não seria possível falar do surgimento sem falar sobre propriedade. Esta, que está mais ligada a economia que ao direito, está sob tutela de seu proprietário que tem de defende-la. Mas, quando o ente superior proíbe o furto e aplica-lhe sansões, este bem não está somente sob a tutela de seu proprietário, mas também do estado, que passa a defende-lo. Deixando assim a propriedade de ser um mero bem, passa a ser um direito, e como todo direito, tutelado pelo estado. Então, o direito de propriedade pode ser definido como o direito sobre a própria coisa. E quando alguém infringe esse direito, lhe é aplicado uma sanção de restituir o dano. Isso não sendo possível, surge então o direito de credito, que consiste em ter direito sobre as coisas alheias.
Em uma breve conceituação sobre contrato, pode-se dizer que é um dos fatores que faz extinguir a guerra, pois estabelece um equilíbrio entre os combatentes garantindo assim sua proteção futura. Outra forma de contrato é a de empréstimo, que garante que os bens não serão violados, mas sim emprestados a curto ou longo prazo. O contrato, ao contrario da promessa, tem uma garantia jurídica, garantindo seguridade a ambas as partes. 
Como já foi dito brevemente em parágrafos anteriores, a lei é um comando do estado que proíbe condutas nocivas a ordem publica. Aprofundando mais no assunto, a lei forma uma conduta a ser seguida, ao contrário é aplicado uma punição. Mas as leis são vagas por ter a necessidade de ser confeccionado antes do fato. Sendo assim feitas de forma geral e hipotética. Geral pelo fato de serem feitas para todos, e hipotéticas por preverem uma conduta. A medida que a sociedade evolui, há a necessidade de evolução também das leis, pois estas têm que acompanhar as diferentes condutas do povo ao longo do tempo. As leis, devido a sua evolução temporal, tonaram-se numerosas, tornando-se necessário compreende-las em códigos.
Mas as leis, sendo abstratas e semielaboradas, necessitam de alguém que as interprete. Surge então a figura do juiz, com a função de aplicar as normas que antes englobavam todo o povo e todas as situações às situações especificas e pessoas especificas. Não havendo como prologar a explicação, a atuação do juiz é simples e puramente a de interprete e aplicador da norma ao fato ocorrido.
Tendo visto que o direito é o conjunto de normas que regula a conduta social evitando o caos. E o que difere uma sociedade estável de uma em completo caos é a presença de algo que a regule, chamado Estado. Toda sociedade juridicamente estável recebe o nome de Estado. Carnelutti diz em seu livro que Direito e Estado estão firmemente ligados, pois sem uma das partes a outra não existe. Um outro fato a ser destacado é que o Estado, sendo constituído por uma sociedade em constante movimento e evolução, também transforma-se. Um exemplo disso é a família, a menor e mais primitiva de estado, que sofreu incontáveis mudanças ao longo do tempo.
Já com uma concepção de Estado, podemos agora falar sobre suas relações, que não restringem-se a seu povo, mas também a outros. Um Estado, dotado de sua soberania, não a fere mantendo suas relações com outros povos. Pelo contrario, estas relações fortalecem não só a economia dos envolvidos, mas outros aspectos como leis e cultura, dentre outros benefícios.
Como foi visto nos parágrafos anteriores, o direito esteve presente e foi responsável em grandes mudanças ocorridas ao longo do tempo na sociedade. E sua necessidade foi comprovada para garantir não somente a paz, mas também o direito a propriedade e na punição dos que iam contra a vontade do Estado. Mas só a vontade do Estado não bastava, era necessário alguém que a interpretasse e aplicasse corretamente. 
Como pode ser entendido, Francesco Carnelutti discorreu em seu livro sobre os mais diversos temas e remontou a eras sórdidas da humanidade buscando uma explicação para o surgimento do Direito. Não só ele, mas incontáveis escritores já buscaram uma resposta para a pergunta \u201cComo Nasce o Direito? \u201d, mas até hoje poucos conseguiram chegar a uma explicação razoável. Creio eu que essa pergunta esteva longe de chegar a uma resposta razoável, mas se pensarmos sem restrição de ideias, chegaremos a conclusão de que o Direito não \u201cnasceu\u201d, mas que sempre esteve presente na vida não só do ser humano, mas na vida de tudo o que vive em sociedade, seja um formigueiro ou uma matilha. Concluindo assim, que o direito não é somente uma regra a ser seguida, posta por alguém ou algo mais importante, mas uma questão puramente moral que representa o que deve ser respeitado.
Luis Miguel Afonso Gonçalves \u2013 1º Direito A / 2015