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DocGo.Net CASTELLANI FILHO Educação Física no Brasil A História que não se conta.pdf


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Apoiada numa concepção histórico-crítica da educação,
esta obra procura dar indícios de uma prática transforma\ue000
dora da Educação Física no Brasil. Com depoimentos e
relatos de fatos muito significativos, Lino Castellani Filho
procura, a todo momento, resgatar a criticidade, tantas
vezes ausente nessa área do conhecimento humano.
Inspirando-se em Adam Schaff, o autor não vê a história
como verdade absoluta, definitivamente acabada, mas
como processo sujeito a constantes reinterpretações.
 
Lino Castellani Filho,Lino Castellani Filho, nascido em
São Paulo em 1951, é professor de
Educação Física formado pela USP
em 1974. Defendeu sua disser\ue000
tação de mestrado em Educação
(Filosofia da Educação) na PUC de
São Paulo em 1988. Entre 1978 e
1986 foi docente do curso de
Educação Física da Universidade
Federal do Maranhão e da Escola
Técnica Federal do Maranhão, exer\ue000
cendo a função de coordenador do
curso de Educação Física nos anos
de 1981 e 1982.
Atualmente leciona na Faculdade
de Educação Física da Unicamp, é
membro pesquisador do Colégio
Brasileiro de Ciências do Esporte e
do Instituto de Análises sobre o
Desenvolvimento Econômico-
Social, sendo conhecido e respei\ue000
tado por suas constantes participa\ue000
ções em eventos diversos e movi\ue000
mentos que lutam por dignificar a
Educação Física do Brasil .
EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL:
A HISTÓRIA QUE NÃO SE CONTA
 
LINO CASTELLANI FILHO
*
EDUCAÇ ÃO FÍSICA NO BRASIL:
A HISTÓRIA QUE NÃO SE CONTA
 
Capa: Francis Rodrigues
Diagramaçâo (18 B ed): DPG Editora
Copidesque: Marilize Silva Pedra
Revisão: Caroline N. Vieira,
Cristina Mariko Namassu e
Josiane de Fátima Pio Romera
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Castellani Filho, Lino
Educação física no Brasil: A história que não se conta/Uno
Castellani Filho.-Campinas, SP: Papirus, 1988. - (Coleção Corpo
& Motricidade)
Bibliografia
ISBN 85-308-0021-4
1. Educação física - Brasil - História I. Título. II. Série.
88-1865 CDD-613.70981
índice para catálogo sistemático:
1. Brasil: Educação física: História 613.70981
Exceto no caso de citações, a grafia deste livro está atualizada segundo
o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa adotado no Brasil a partir
de 2009, em conformidade ao prescrito no Vocabulário Ortográfico da
Língua Portuguesa (Volp) cia Academia Brasileira de Letras e suas
correções e aditamentos divulgados até a data desta publicação.
18a Edição
2010
Proibida a reprodução total ou parcial
da obra de acordo com a lei 9.610/98.
Editora afiliada â Associação Brasileira
dos Direitos Reprográficos (ABDR).
*
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 HOMENAGEIO
 Na memória do Zé Ricardo, aqueles que participaram
do processo de construção da História e de suas páginas
 foram apagados.
 AGRADEÇO
 A Sandra, minha companheira, ao Xan e ao Rafinha,
meus filhos, pela compreensão dos motivos que me
 fizeram ausente em alguns momentos de suas vidas, bem
como a todos os demais que vêm me acompanhando ao
longo desses anos de estudo e luta,
 
SUMARIOSUMARIO
APRESENTAÇÃO 9
INTRODUÇÃO 11
I. "LÁ VEM COM HISTÓRIA" 13
II. DA HISTÓRIA QUE NOS É CONTADA PARA
O REVELAR DE UMA OUTRA HISTÓRIA 25
PRIMEIRO ATO 25
SEGUNDO ATO 57
TERCEIRO ATO 79
01. PRA ONDE CAMINHA ESSA HISTÓRIA 99
Os DEPOIMENTOS 103
TENDÊNCIAS NA EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL 152
BIBLIOGRAFIA 173
 
APRESENTAÇÃO
A HISTÓRIA QUE SE CONTA...
A prática sistemática de atividades físicas, desportivas ou lúdicas
não é manifestação exclusiva da cultura contemporânea, mas é, sem dúvida,
a partir de um certo crescimento urbano e, principalmente, do processo de
industrialização, que essa prática adquire contornos especiais.
A Educação Física por sua vez (canal institucionalizado desta prática) ,
vista num plano educacional mais amplo a partir do final do século XIX e
início do século XX, vai sendo incrementada e defendida como uma
necessidade imperiosa dos povos civilizados. Claro que sua implantação
nas diversas sociedades contemporâneas não tem sido tarefa tranqüila. As
dificuldades variam de acordo com as contradições inere ntes a cada realid ade
e seus respectivos regime(s) político(s) e cultura.
Também parece cer to que, de vido às suas características, a Educação
Física tem sido utilizada politicamente como uma arma a serviço de projetos
que nem sempre apontam na direção das conquistas de melhores condições
existenciais para todos, de verdadeir a democracia política, socia l e econômic a
e de mais liberdade para que vivamos nossa vida plenamente. Pelo c ontrário,
Educação física no Brasil 9
 
muitas vezes, ela tem servido de poderoso instrumento ideológico e de
manipulação para que as pessoas continuem alienadas e impotentes diante
da necessidade de verdadeiras transformações no seio da sociedade. Por
conseqüência escreve-se quase sempre uma história que é o próprio reflexo
dessa situação de dominação que se pretende eterna.
s
E contra isso que Lino Castellani se insurge neste seu trabalho. Procura
interpretar a Educação Física com outros olhos, tentando fugir da leitura
dominante que se faz dela. Busca reescrever a sua história. E a faz de
maneira singular. Inspirando-se em Adam Schaff não vê a história como
verdade absoluta, definitivamente acabada, mas como processo sujeito a
constantes reinterpretações.
Se se buscasse destacar uma das maiores virtudes do Lino, eu diria
que é a sua quase obsessão na crítica constante (às vezes empedernida)
que faz à "neutralidade política" de todos os envolvidos com a causa da
Educação Física, bem como o seu incansável engajamento na luta pela
superação desse estado de coisas. E po r isso que ele - a exemplo do grande
pensador italiano Antônio Gramsci - parece desprezar os indiferentes. Crê
que "não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem
verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença
é abulia, parasitismo, covardia, não é vida".
Apoiada numa concepção histórico-crítica da educação, esta obra
procura dar indícios de uma prática transformadora da Educação Física no
Brasil. Colhendo depoimentos importantes ou relatando fatos dos mais
significativos da nossa história, procura a todo momento resgatar a
criticidade, tantas vezes ausente nessa área do conhecimento hum ano. Assim
é que Educação física no Brasil: A história que não se conta é obra
fundamental para podermos entender melhor a nossa história e, a partir daí,
melhor atuarmos como profissionais e cidadãos de um país que clama
igualmente por mudanças e participação consciente.
 João Paulo S. Medina
10 Papirus Editora
INTRODUÇÃO
Segundo Aurélio Buarque de Holanda, CARACTERIZAR significa
"... descrever com propriedade, individualizar, assinalar../'. Mas, ainda
segundo ele, pode significar também "... pintar e trajar (o ator), para que
pareça a personagem que representa em cena...". Assim, com vistas à
elaboração deste estudo, passamos a considerar que, para descrevermos
com propriedade a Educação Física, teríamos que despi-la das vestes por
ela até então trajadas (descaracterizá-la, portanto), pretendendo-se, com o
gesto de desnudá-la, desvendarmos e passarmos a entender a personagem
por ela representada no cenário educacional a rmado no palco social brasileiro.
Assim, ao vê-la nua, poderíamos resgatá-la em sua dimensão histórica,
nela objetivando-se encontrar a sua identidade.
Isto posto, passamos a admitir como verdadeira a premissa de ter
sido de competência da Educação Física, ao longo de sua história, a
representação de diversos papéis que, embora com significados