Trabalho de Ginecologia - Tumores Benignos de Ovário
8 pág.

Trabalho de Ginecologia - Tumores Benignos de Ovário


DisciplinaAtencao Integral A Saude VI (saude da Mulher)51 materiais300 seguidores
Pré-visualização2 páginas
afirmaram a benignidade do quadro e o diagnóstico diferencial com os tumores malignos do ovário cujo quadro clínico pode ser muito parecido com o da síndrome de Meigs, porém o tratamento e o prognóstico são muito diferentes (Op. Cit). A síndrome de Meigs é definida como a presença de derrame pleural e/ou ascite associado a um tumor benigno do ovário. O fibroma e o tecoma os tipos histológicos mais frequentes, com resolução espontânea do quadro clínico logo após remoção do tumor.(6, 8) 
Outros tumores do ovário foram associados à síndrome de Meigs: cistadenoma mucinoso, adenofibroma, síndrome de Brenner e cistos dermóides. Em relação à patogênese dessa síndrome, existem várias teorias. Na teoria secretória afirma-se que a existência de um epitélio secretório que reveste o tumor teria a capacidade de secretar fatores vasoativos, como o fator do endotélio vascular, o fator de crescimento dos fibroblastos, e a interleucina 6. Estes fatores estariam associados à formação de ascite e derrame pleural também em outras entidades patológicas como na síndrome da hiperestimulação ovárica e no carcinoma de ovário. Já na teoria endócrina, avanta-se que o hiperestrogenismo estimularia a hipófise anterior por via nervosa e/ou hormonal.(6)
Para o diagnóstico das pacientes com suspeita da síndrome de Meigs, ao exame ginecológico, pode-se observar na região anexial uma volumosa formação dura, pouco móvel, melhor definida por uma ecografia transvaginal. Também é necessária a dosagem sérica pré-operatória do marcador tumoral CA-125 que, na maioria das vezes, encontra-se aumentado. Esta elevação parece estar relacionada com a quantidade de líquido ascítico e não com o tamanho do tumor, sofrendo normalização após ressecção do tumor.(6, 7)
Quanto ao tratamento desta síndrome, a paciente deve ser submetida a uma anexectomia ou por laparotomia exploradora ou por via laparoscópica, levando em seguida a peça extirpada para estudo anatomopatológico. Logo após a retirada do tumor, há regressão total do derrame pleural e da ascite, confirmando o bom prognóstico desta síndrome.(6, 8)
Fernandes e col. (2003) propôs calcular a sensibilidade, a especificidade e a acurácia das variáveis: idade da paciente, aspecto ultra-sonográfico e dosagem do marcador CA-125 para o diagnóstico diferencial entre tumores malignos e benignos do ovário. Estabelecer, ainda, índice de risco de malignidade (IRM) com a incorporação dessas três variáveis e calcular a sua sensibilidade, especificidade e acurácia para aquele diagnóstico diferencial. Encontrou como resultados para a variável idade, a sensibilidade, a especificidade e a acurácia diagnóstica foram respectivamente 58,8, 68,2 e 65,0%. Para a ultra-sonografia, 88,2, 77,3 e 81,0%. Para a dosagem do CA-125 esses valores foram 64,7, 74,2 e 71,0%. Quando as três variáveis foram agrupadas sob a forma do IRM observou-se sensibilidade de 76,5%, especificidade de 87,9% e acurácia diagnóstica de 84,0%.(2)
2.6 - Tumores de Brener
Os tumores de Brenner são neoplasias fibroepiteliais constituídas de tecido derivado do estroma ovariano e por células epiteliais, poliédricas ou redondas, do tipo urotelial ou de transição. (10, 11) Essas células contêm um pequeno núcleo em fenda ou em forma de \u201cgrão de café\u201d, podendo haver grupamentos dessas células e configurar estruturas denominadas nichos ou ninhos5.
Os nichos epiteliais podem formar glândulas ou cistos, revestidos de células planas, cuboides ou cilíndricas; às vezes há células escamosas. Os tumores de Brenner representam de 2 a 3% de todos os tumores ovarianos. A maioria destes tumores de Brenner são benignos; 2 a 5% são malignos ao passo que outros 2 a 5% apresentam histologia limítrofe.(12)
Referências Bibliográficas
1 - REIS, Francisco José Candido dos. Rastreamento e diagnóstico das neoplasias de ovário: papel dos marcadores tumorais. Rev. Bras. Ginecol. Obstet., Rio de Janeiro, v.27, n.4, Apr. 2005.
2 - FERNANDES, Luís Roberto Araujo; LIPPI, Umberto Gazi; BARACAT, Fausto Farah. Índice de risco de malignidade para tumores do ovário incorporando idade, ultra-sonografia e o CA-125. Rev. Bras. Ginecol. Obstet.,  Rio de Janeiro ,  v. 25, n. 5, June  2003.
3 - Messen, Ana Lidia e Funes, Osear R Flores. Tumores benignos de ovário. Revista Médica Hondureña, Tegucigalpa, Vol. 58 - No. 1 pag 16 - 19, 1990.
4- DIAS, M., PEREIRA, H., SOUSA, L., TORGAL, I., DE OLIVEIRA, C.. Estudo comparativo de tumores benignos e malignos do ovário.. Acta Médica Portuguesa, América do Norte, 10, Out. 1997
5 - GONÇALVES, Wagner Jose et al. Neoplasisas Benignas do ovário. In: BARACAT, Edmundo Chada; LIMA, Geraldo Rodrigues de. Ginecolocia: Guia de medicina ambulatória e hospitalar. São Paulo: Manole, 2005. p. 543-552.
6. CUSTÓDIO A.S. et al. Síndrome de Meigs: a propósito de um caso clínico. Iniciação ao exame clínico Revista de Ginecologia e Obstetrícia. 85: 109-114,1999.
8. SIMÕES, P.M.; OLIVEIRA, H.C.; SOUZA, J.W. Síndrome de Meigs: apresentação de caso. Jornal Brasileiro de Ginecologia. 94 (4): 211-214, 1982.
9. Urbano U, Facchini V, Gadducci A, Basile AG, Pellegrini F. Brenner\u2019s tumor. Observations on six cases. Eur J Gynaecol Oncol 1984; 5:207-13. 628 RBGO - v. 24, nº 9, 2002
10. Austin RM, Norris HJ. Malignant Brenner tumor and transitional cell carcinoma of the ovary: a comparison. Int J Gynecol Pathol 1987; 6:29-39.
11. Lima GR, Lima AO, Baracat EC, Vasserman J, Burnier M Jr. Virilizing Brenner tumor of the ovary: case report. Obstet Gynecol 1989; 73:895-8.
7. VIEIRA S.C. et AL. Síndrome de Meigs com CA 125 elevado: relato de caso. Revista Paulista de Medicina. 121 (5): 210-212, 2003.