A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
41 pág.
fisiologiarenal-fmup-130629155526-phpapp01

Pré-visualização | Página 2 de 10

como o Na+, 
Cl-, HCO3-, PO42-, Ca2+, Mg2+, glicose, a.a., água, entre outras. 
 
• Secreção 
Pode ser definida como a movimentação de solutos do sangue para o lúmen tubular ou, 
de substâncias produzidas nas células tubulares, do interior destas para o lúmen tubular. 
É um processo importante para algumas substâncias entre as quais o H+, K+, NH4+. 
 
• Excreção 
A excreção de uma determinada substância depende destes 3 processos que se relacionam 
matematicamente pela seguinte equação: 
Taxa excreção urinária = Taxa filtração – Taxa reabsorção + Taxa secreção 
Fisiologia Renal 7 
!"MECANISMOS DE TRANSPORTE 
 
Os mecanismos envolvidos na reabsorção e excreção renais são os mecanismos gerais de 
transporte de solutos através de membranas celulares e incluem os seguintes: 
1. Difusão simples (ureia, CO2, K+, Ca2+) 
É o resultado do movimento aleatório de partículas dissolvidas que, na presença de uma diferença 
de concentração química ou de um potencial eléctrico, pode resultar num movimento orientado. É, 
por definição, passiva do ponto de vista energético. A difusão de iões no epitélio tubular usa a via 
paracelular. 
2. Difusão facilitada (glicose e ureia) 
A substância a ser transportada liga-se à proteína transportadora; requer um gradiente 
electroquímico (é passiva); pode saturar e ser inibida por substâncias que competem para o mesmo 
transportador. 
3. Transporte activo primário (Na+, K+, H+, Ca2+) 
A energia para o transporte activo realizado contra gradiente electroquímico, é obtida directamente 
da hidrólise do ATP; pode ser saturado e depende do fornecimento contínuo de energia. 
Os transportadores primários activos que se conhecem incluem a ATPase Na+/K+, ATPase H+, 
ATPase K+/H+ e ATPase Ca2+. 
4. Transporte activo secundário (Cl-, K+, glicose, H+, HCO3-, a.a,) 
É um processo mediado por um transportador no qual o movimento activo de uma substância (ex: 
glicose) está associado ao transporte passivo de um ião cujo gradiente foi gerado activamente; a 
substância transportada activamente não está directamente ligada ao ATP (ou a outra fonte de 
energia). 
Relativamente à direcção do transporte das substâncias pode ser : 
#"Co-transporte ou simporte - as duas substâncias movimentam-se na mesma direcção; 
ex.: Na+/glicose, Na+/ a.a. 
#"Antiporte - as duas substâncias movem-se em direcções opostas; 
ex.: Na+/H+, 
Relativamente à carga das substâncias transportadas, pode ser: 
#"Electricamente neutro (ex. cotransportador Na+/Cl-, cotransportador Na+/K+/Cl-, 
trocador Na+/H+); não é afectado pelas diferenças de potencial. 
#"Electrogénico (ex. cotransporte Na+, 3HCO3-, cotransporte Na+/ glicose) pode ser afectada 
por gradientes eléctricos. 
 
 
Fisiologia Renal 8 
5. Pinocitose (proteínas) 
É uma forma de transporte activo existente em algumas partes do túbulo do nefrónio 
(principalmente, no túbulo proximal) para reabsorção de grandes moléculas, como as proteínas, 
com subsequente degradação nos lisossomas. 
6. Osmose 
É o movimento da água segundo o gradiente de actividade da água, isto é, o fluxo osmótico da 
água ocorre dos locais de baixa concentração de partículas (alta concentração de água) para os 
locais de alta concentração de partículas (baixa concentração de água). É determinado pela área da 
membrana, pela permeabilidade à água e pela diferença da concentração da partícula impermeável. 
Em parte, a permeabilidade à água é determinada pelas aquaporinas, proteínas transmembranares 
desenhadas especificamente para a passagem da água. Este movimento osmótico de água através 
dos canais pode arrastar substâncias dissolvidas de um modo indiscriminado (“Solvent drag”). 
 
 
 
Fisiologia Renal 9 
!"ULTRAFILTRAÇÃO GLOMERULAR 
 
O filtrado glomerular tem uma composição idêntica ao plasma excepto no conteúdo de 
proteínas que, virtualmente não existem no filtrado (0,03%) e nos elementos celulares, 
também ausentes neste. 
O plasma tem de transpor uma série de 
membranas: 
-endotélio fenestrado dos capilares; 
-membrana basal (matriz contendo colagéneo e 
glicoproteínas); é o primeiro local de restrição às 
proteínas plasmáticas; 
 
Figura 3 – Barreira de filtração. 
- lâmina interna da cápsula de Bowman - constituída pelos podócitos com os 
diafragmas de filtração entre os pedicelos. 
A filtração de solutos é determinada pelo seu tamanho e carga eléctrica: 
1) à medida que o peso molecular dos solutos aumenta, diminui a sua filtração 
(moléculas com peso molecular superior a 70Kd não são filtradas); 
2) moléculas carregadas negativamente são filtradas com maior dificuldade do que 
moléculas carregadas positivamente de igual tamanho; este facto deve-se à 
presença de cargas negativas fixas na barreira de filtração como os proteoglicanos 
heparinizados na membrana basal ou as sialoglicoproteínas nos pedicelos. A 
presença de proteínas na urina – proteinúria – pode ser por perda de selectividade 
pela carga (aumento da excreção da albumina sem alteração de excreção das 
globulinas) ou pelo tamanho (aumento da excreção da albumina e de globulinas). 
 
• Determinantes da Taxa de Filtração Glomerular (GFR) 
A GFR é determinada por: 
1) equilíbrio das forças hidrostática e osmótica ao nível da membrana capilar; 
2) coeficiente de filtração (Kf) que é o produto da área de superfície com a 
permeabilidade dos capilares. 
Pode ser expressa através de uma equação: 
Fisiologia Renal 10 
GFR = Kf x Pressão filtração 
e é cerca de 125 mL/min (ou 180L/dia) num adulto normal (muito maior do que na 
maioria dos capilares). Note-se que apenas 20% do plasma é filtrado de cada passagem 
do sangue pelos rins. 
A pressão de filtração é a soma das forças hidrostáticas e osmóticas que actuam ao 
nível dos capilares glomerulares e incluem: 
1) Pressão hidrostática glomerular (PG) – é normalmente 60 mmHg e promove a 
filtração; 
2) Pressão hidrostática na cápsula de Bowman (PB) - normalmente 18 mmHg e opõe-
se à filtração; 
3) Pressão colóide osmótica glomerular ( ΠΠΠΠG ) – a média é de 33 mmHg e opõe-se à 
filtração; 
4) Pressão colóide osmótica capsular ( ΠΠΠΠB ) – é aproximadamente 0, pelo que tem 
pouco efeito em condições normais. 
 
Pressão filtração = PG – PB - ΠΠΠΠG = 10mmHg 
 
Daqui podemos concluir que: 
a) Diminuição do Kf diminui a GFR ex: na Hipertensão e na Diabetes mellitus, a GFR é 
reduzida pela maior espessura da membrana glomerular ou por perda de superfície de filtração 
(por lesão dos capilares); 
b) Aumento da pressão na cápsula de Bowman diminui a GFR. ex: obstrução do ureter por 
um cálculo; 
c) Aumento da pressão colóide osmótica glomerular diminui a GFR - a ΠG é influenciada 
pela pressão colóide osmótica arterial; deste modo, o aumento desta conduz a um aumento de ΠG ; 
d) Aumento de pressão hidrostática glomerular aumenta a GFR; a PG é determinada por: 
1) pressão arterial – o seu aumento tende aumentar a PG; contudo, é normalmente controlado pelo 
mecanismo de autorregulação; 
2) resistência arteriolar eferente – o seu aumento conduz à elevação da PG e tende a aumentar a 
GFR durante o intervalo em que o fluxo renal não é comprometido. 
 
• Regulação da filtração glomerular 
A pressão hidrostática