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arte visual

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de cavalete 
pode ser considerada a única, verdadei-
ramente Arte?
Maysa Nara Eisenbach1<
GALVAN, Marcelo. Pintura de Cavalete, 
2005. Ilustração Gráfica.
<
3Colégio Estadual Campos Sales - Campina Grande do Sul - PR
44 Movimentos e Períodos
Ensino Médio
Das paredes das cavernas 
aos muros das cidades
O chamado Homem de Cro-Magno, há aproximadamente 25 mil 
anos, ainda habitava as cavernas e em seu cotidiano fazia rituais que 
ele considerava vitais, pois por meio deles, cultuava os deuses em que 
acreditava. Esses deuses são hoje chamados de “animistas” que são os 
elementos da natureza como o sol, a lua, o vento, a chuva, ou seja, ele-
mentos que o homem pré-histórico podia perceber e que influencia-
vam diretamente em sua vida.
Foi com intenção ritualística que surgiram as primeiras pinturas ru-
pestres que constituem registros que permanecem até a atualidade e 
auxiliam inclusive na compreensão, por parte de historiadores e arque-
ólogos, sobre como era a vida naquela época.
z
“O artista caçador e o sentido 
mágico de sua arte”
O “artista-caçador” da Pré-história, ao representar os animais nas 
paredes das cavernas, acreditava dominá-los. No Paleolítico Superior, 
ele supunha que, pintando o animal, seu grupo conseguiria capturá-lo 
durante a caçada. Observe a imagem:
z
Touro Negro. Parte de uma 
pintura rupestre, 15.000-10.000 
a.C. – Gruta de Lascaux (Dor-
dogne), França. (JANSON, H.W. 
História Geral da Ar-
te: O mundo Antigo e a 
Idade Média. SP: Martins 
Fontes, 1993, p. 66]
<
Períodos da Pré-história:
A Pré-história está dividida da seguinte forma:
 Paleolítico Inferior (c. de 500.000 a c. de 30.000 a.C.);
 Paleolítico Superior (c. de 30.000 a c. de10.000 a.C.); 
 Neolítico (c. de 10.000 a.C. até o surgimento da escrita a c. de 3.000 a.C). 
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=
=
45Você suporta arte?
Arte
Como o artista fez para representar os olhos, o focinho e a pata do 
touro? Se você observar bem, notará que ele consegue representar cer-
to volume na barriga utilizando para isto um material com cor mais 
clara. Veja que logo abaixo do focinho dele, parece haver uma pintu-
ra mais desgastada de outro animal, possivelmente um cavalo. Próxi-
mo aos seus chifres, pode ser percebido também que por baixo desta 
pintura há outras aspas pintadas, o que indica a pintura de outro tou-
ro ali. Mais para trás, na região do cupim, aparecem outros chifres no-
vamente. Você consegue imaginar por que há tantas pinturas no mes-
mo lugar?
O “artista-caçador” escolhia uma parede de difícil acesso para pin-
tar, e lá retratava o animal tal qual era visto na natureza, utilizando 
como material o carvão, a seiva de plantas e de frutas, argila, fezes e 
sangue de animais. Nessas paredes, as pinturas costumavam se repe-
tir muito, umas sobre as outras como ocorre no Touro Negro. Isto le-
vou alguns pesquisadores a afirmar que para o homem pré-histórico, 
não era só a imagem do animal que era mágica, mas a própria parede 
da caverna. E você, se acreditasse que a parede de sua casa é mágica 
o que representaria lá?
Homens e Touros, Pinturas rupestres encontradas em Tassili, região do 
Saara (c. de 4500 a.C). (PROENÇA, Graça. História da Arte. SP: Editora Áti-
ca, 2000, p.14 – figura 2.1.)
<
Observe que há homens e animais nesta 
pintura. O que eles parecem estar fazendo? Vo-
cê sabia que no Período Paleolítico não eram 
desenhados seres humanos? Sua representa-
ção pictórica começa a acontecer no Neolítico. 
Nesta fase, o homem começou a utilizar a pare-
de para registrar sua história, retratando cenas 
ocorridas em seu cotidiano. Nelas dá para per-
ceber a convivência entre homens e animais, 
o que mostra que os homens já os domestica-
vam nessa época. Para estas representações, 
o homem continuava utilizando elementos da 
natureza, porém suas pinturas agora são mais 
simplificadas do que no Paleolítico. 
É interessante lembrar que o termo “artista-caçador” foi utilizado entre 
aspas porque nesta época as pinturas tinham apenas função mágica e de 
registro. 
O termo artista, entendido como aquele que se dedica às Belas Artes ou 
que delas faz profissão, é aplicado somente a partir do século XV, tanto é que 
até o século XIV o artista era considerado um artesão ou artífice.
E no Brasil, há pinturas pré-históricas? Se você supõe que não, sai-
ba que o sítio arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí, é um dos 
mais importantes do mundo. Que tal pesquisar?
46 Movimentos e Períodos
Ensino Médio
Em uma folha de papel kraft, crie um desenho com as características do Paleolítico e em outra fo-
lha com as características do Período Neolítico. Assim como os “artistas-caçadores” utilize apenas ma-
teriais extraídos da natureza, não vale partir para o lápis.
	 ATIVIdAdE
A palavra graffiti, extraída do italiano, tem 
sentido de “rabisco”. Se considerarmos as es-
critas, palavras, desenhos e outras expres-
sões feitas com materiais alternativos nas pa-
redes como graffitis, as inscrições encontradas 
nas paredes das cavernas e até nas tumbas 
do Egito Antigo também podem ser conside-
radas como tal.
Graffiti, no Egito Antigo?
No Egito Antigo, país localizado na região nordeste da África, em 
aproximadamente 3000 a.C., a parede já era usada para desenhar e fa-
zer baixos relevos com a intenção de registrar a sua história das dinas-
tias e de sua mitologia. O povo egípcio acreditava que após a sua mor-
te, poderia viver eternamente no “Mundo dos Mortos”, se tivesse lido 
o “Livro dos Mortos” que comentava sobre os deuses egípcios. Mas eles 
z
Nesta pintura também estão presentes ani-
mais e humanos juntos. O que está represen-
tado na mão das pessoas? O que pretendiam 
contar por meio do desenho desta parede?
Agora compare as três obras. Perceba que a 
do Paleolítico detalha melhor o animal, repre-
sentando o focinho, a barriga, etc. Já no Neo-
lítico, as figuras são mais simplificadas, com os 
animais sendo representados com uma cor só 
e quase sem detalhes. Será que no Neolítico o 
homem piorou seu desenho? Ou será que ele 
aprendeu a compreender imagens mais sim-
ples, não necessitando mais de tantos detalhes Arte pré-histórica Brasileira – Serra da Capivara – PI. Revista História Viva. nº 9, julho 2004, p.12.
<
para entender que o desenho tratava deste ou daquele animal?
47Você suporta arte?
ArteArte
Você suporta arte? 47
só poderiam viver neste mundo, desfrutando de tudo o que tiveram em vida, após um julga-
mento, conhecido como “Julgamento de Osíris”. O Faraó contratava artesãos e escribas para, 
nas paredes das pirâmides, registrar com desenhos detalhados a sua vida. Mas, para que o cor-
po do faraó se mantivesse intacto para esta nova vida, era necessário mumificá-lo.
A representação dos personagens nestas paredes obedecia a um padrão conhecido como 
“Lei da Frontalidade”, segundo o qual as figuras eram representadas com o tronco de frente, as 
pernas, braços e cabeça de lado. Quanto mais importante o personagem, maior o espaço que 
sua representação ocupa na parede, obedecendo-se à seguinte hierarquia: primeiro o Faraó, 
em seguida sacerdotes, depois militares, camponeses e por último escravos.
Observe este baixo relevo. Nele fica fácil observar como foi utilizada a lei da frontalidade 
nos personagens humanos. Observe que na parte superior há uma pessoa maior que represen-
ta o rei Ramsés II caçando touros selvagens. Ele usa um arco e uma flecha e há um risco repre-
sentando o trajeto de uma flecha até a parte traseira de um touro que corre para a mata. Veja 
que Ramsés II não está correndo, mas apoiado em uma espécie de charrete presa a um cava-
lo. É interessante destacar que os cavalos não são provenientes do Egito, quem os levou para 
lá foram povos chamados hicsos, entre 1750 e 1580 a.C.
Note as pessoas representadas em dimensão menor, logo abaixo de Ramsés II. O que

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