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arte visual

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pintar interiores com 
pessoas lendo e mulheres tricotando; deve-
mos pintar pessoas que vivem, respiram, so-
frem e amam”. Dessa forma Munch retratava o 
ser humano, vendo-os por dentro, represen-
tando seus sentimentos, propondo cenas de 
medo e angústia. Sofria com crises nervosas 
e depressão, mas isso não o impediu de se 
tornar um artista genial. 
27Afinal, a arte tem valor?
Arte
O que significa essa expressão, deformada pelo desespero, do per-
sonagem do centro que parece levar o eco do grito a todos os cantos? 
O que ele pode estar gritando? E você já gritou desesperadamente? Por 
quê? Sua expressão de alguma forma se assemelhou à expressão do 
Grito de Munch? Gritamos apenas por desespero ou existem outras si-
tuações que nos fazem gritar? 
Nessa obra de Munch podemos quase tocar o medo com as nossas 
mãos ou sentí-lo na própria pele. Nesse quadro vemos uma das maio-
res representações do medo humano. Por isso, essa imagem já foi uti-
lizada em campanhas anti-aborto, em camisetas, anúncios e pôsteres 
sempre com o intuito de despertar uma reflexão sobre o verdadeiro 
valor da vida. 
Realmente, essa obra mexe com nossos sentimentos, mas, por 
quê?
Primeiro somos levados pelo movimento das linhas, das cores vi-
brantes e da deformação no rosto da figura. Na verdade, o pintor pas-
sou para a tela uma sensação, uma paisagem interior, expressa desta 
forma por Edward Munch: 
“Léguas de fogo e sangue se estendiam pelo fiorde negro-azulado. 
Meus amigos seguiram caminho enquanto eu me detive, apoiando-me 
num corrimão, tremendo de medo – e senti o guincho enorme, infini-
to da natureza”. (...) Veja, 23 de fevereiro,1994, p. 105.
O Grito de Munch traduz o grito da natureza humana, um horizon-
te conturbado por uma das maiores e mais antigas sensações huma-
nas: o medo.
Para Edvard Munch, a arte não devia representar o mundo das apa-
rências, e sim o mundo interior das pessoas. A paisagem natural é 
substituída por uma paisagem interior que mais parecia um turbilhão 
de emoções como podemos observar em sua obra “O Grito”. 
Expressionismo: a emoção à flor da pele! 
Essa forma de pintar era a marca registrada dos pintores expressio-
nistas, que se inspiraram nas obras de Vincent Van Gogh (1853–1890). 
Munch foi um dos fundadores do movimento expressionista. Todos 
eles tinham em comum a preocupação com a vida humana. Mas, afi-
nal, o que é Expressionismo?
Ouvimos falar a todo momento em liberdade de expressão. E vo-
cê, sente-se livre para expressar seus sentimentos? Pois esse foi um 
z
28 Composição
Ensino Médio
dos pontos fortes do Movimento Expressionista: manifestar o mundo interior, ou seja, a dor, 
o sofrimento, a solidão, a angústia, a morte, o sufoco. De acordo com Gombrich (1993, p. 449), “o 
Movimento Expressionista surgiu na Alemanha em 1910, aproximadamente, e seus artistas ali-
mentavam sentimentos tão fortes em relação ao sofrimento humano, à pobreza, à violência e 
à paixão, que eram propensos a pensar que a insistência na harmonia e beleza em arte nasce-
ra exatamente de uma recusa em ser sincero. Não desejavam criar cópias idealizadas do real e 
sim uma representação dos sentimentos humanos”. 
Aliás, os sentimentos humanos e as deformações próprias da vida humana também são re-
tratados na foto abaixo. Não é impressionante a semelhança entre a expressão facial do feto 
morto e O Grito de Munch?
Observe com atenção:
Foto de um feto morto pela contaminação radioativa.<
O Grito de Munch data, como já vimos antes, de 1895 
e o feto, morto por contaminação radioativa, uma vítima 
da explosão da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, 
no ano de 1986. O acidente nuclear de Chernobyl foi um 
dos piores de todos os tempos. Ocasionado por um dos 
reatores da usina que lançou, no meio ambiente, uma 
imensa quantidade de radiação, deixando um rastro de 
destruição até mesmo em países distantes, como a Itália 
e a França. Esse desastre matou cerca de 14 mil pessoas 
só na Rússia e na Ucrânia. 
 No Brasil tivemos um desastre semelhante: o aci-
dente nuclear de Goiânia, em outubro de 1987, quando 
muitas pessoas também morreram. Na verdade, tudo co-
meçou como uma brincadeira. Dois homens, à procura 
de sucata, entraram numa clínica de radioterapia, desati-
vada, encontraram um aparelho de radioterapia (utiliza-
do para tratamento de câncer), levaram-no e venderam-
no a um ferro-velho.
Durante a desmontagem do aparelho, cerca de 20g de 
cloreto de Césio 137 (137 CsCI), que estavam numa cápsu-
la que foi quebrada, foram expostos.
O Césio 137 é um elemento químico radioativo, artifi-
cial, semelhante a um sal de cozinha que brilha no escu-
ro. A radioatividade é um fenômeno que alguns elemen-
tos químicos apresentam e se caracteriza pela emissão 
espontânea de radiações ALFA ( ) , BETA ( ) e GAMA ( ), 
que interagem com as partículas do ar produzindo efeitos 
luminosos. A luminosidade do Césio atraiu muitas pesso-
as que o manipularam e o distribuíram entre parentes e 
amigos. Foi colocado no bolso, esfregado no corpo e le-
vado para as casas de muitos moradores da região; o cé-
sio acabou contaminando muitas pessoas.
29Afinal, a arte tem valor?
Arte
SIRON FRANCO. Segunda vítima, série Césio. Técnica mista s/ tela, 155 x 
135 cm, 1987. Coleção Naify, Rio de Janeiro. 
In: Siron Franco – Pinturas dos 70 aos 90. Centro Cultural Banco do Bra-
sil, 15 de janeiro a 1 de março, 1998. Pinacoteca do Estado (Pavilhão Pa-
dre Manoel da Nóbrega, Parque do Ibirapuera) São Paulo, 13 de março a 3 
de maio de 1998.
<
O Artista: 
Siron Franco nasceu em Goiás Velho – Goiás 
em 1947. Chegou à arte sem qualquer conceito 
do que ela deveria ser. Filho de uma família nume-
rosa de Goiás, sem referências artísticas na famí-
lia e longe dos centros artísticos é admirável que 
tenha seguido a carreira nas artes visuais. A pintu-
ra de Siron é constituída por uma variedade de lin-
guagens visuais que exploram os limites e as pos-
sibilidades da pintura e da arte. 
O artista brasileiro Siron Franco retratou tudo isso em uma série de 
pinturas intituladas de Césio. Observe sua obra com atenção.
A arte para Siron Franco tem o compromisso com acontecimentos 
sociais e com a complexidade do mundo contemporâneo e precisa dar 
visibilidade às experiências sentimentais, intelectuais, éticas e morais 
inerentes a essa época. 
Por meio das linhas, das cores e das formas, é possível evocar um 
sentimento difícil de expressar com palavras. As imagens podem, algu-
mas vezes, dizer mais do que as palavras? Por quê?
O artista nesta obra retrata uma criança dentro de um retângulo azulado. Sobre ele podemos obser-
var um par de sapatos demonstrando a luminosidade do Césio. O fundo da composição tem como ma-
terial de pintura a terra, pois foi pela terra que a contaminação se espalhou.
Quem é essa criança?
O que o artista evoca por essa representação pictórica?
Compare o vermelho da obra Segunda vítima, de Siron com o vermelho da obra O Grito, de Munch 
e destaque as semelhanças e diferenças. 
O que significa esse vermelho em cada uma das obras? Qual relação existe entre as duas obras?
A série Césio, além de revelar uma preocupação social do artista, leva-nos a refletir sobre a vida. Na 
sua opinião, a Arte nos faz refletir sobre a vida? Escreva uma pequena crítica sobre a função da Arte na 
sociedade. Leia para seus colegas e analisem as diferentes visões.
	 dEBATE
30 Composição
Ensino Médio
O Expressionismo das Linhas
Será que uma simples linha pode passar uma mensagem ou uma 
sensação? Mas, o que é uma linha? Ou melhor, o que pode expressar 
uma linha?
Analisando as linhas podemos perceber que são carregadas de 
emoção e portadoras de sentido. Cada artista pode estruturá-las e 
expressá-las, em uma obra, de modo diferente. 
É o caso de Munch que, embora tão expressivo quanto Van

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