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Aline e Yasmin, Revisional de Alimentos

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NPJ	 
ESTADO DO PARÁ
DEFENSORIA PÚBLICA2
NPJ	 
ESTADO DO PARÁ
DEFENSORIA PÚBLICA
SALOMÃO GALUPPO PACHECO, menor impúbere, neste ato representado por seu genitora, YANDRA KARINE GALUPPO, brasileira, solteira, funcionária pública, portadora da carteira de identidade n.º 2452721 e do CPF n.º 129410918-90, fone (91) 998128-3129, e-mail ygaluppo@gmail.com, residente e domiciliado na Av. Alcindo Cacela, n° 3854, Bairro Condor, CEP 66065-213, nesta cidade, vem, por intermédio da Defensoria Pública do Estado, em cooperação com o NPJ-ESTÁCIO FAP, ajuizar AÇÃO REVISIONAL DE ALIMENTOS em face de VINÍCIUS DE ARAÚJO PACHECO, brasileiro, divorciado, funcionário público, portador da carteira de identidade 102008 e do CPF 37313991215, telefone desconhecido, e-mail desconhecido, residente e domiciliado na Rua Diogo Módia, n° 212, Bairro Cremação, CEP 66045-318, nesta cidade, pelas razões de fato e de direito que passa a aduzir.
DA PRIORIDADE NA TRAMITAÇÃO DO FEITO
Faz-se mister ressaltar, inicialmente, a prioridade absoluta na tramitação dos feitos em que seja parte criança e adolescente, em observação ao espírito protecionista da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente, que aponta o dever do Poder Público, com prioridade absoluta, à efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, máxime em seu art. 4º, parágrafo único, b, o qual determina a precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública, devendo tal informação constar no rosto dos autos. Corroborando tais argumentos, o Novo Código de Processo Civil dispõe no inciso II e no § 2º do artigo 1048 a respeito da tramitação prioritária dos processos em que são partes crianças e/ou adolescentes.
DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA
Inicialmente pleiteia os benefícios da Justiça Gratuita assegurado pela Constituição Federal, artigo 5º, LXXIV, Lei Federal 1.060/50, e artigos 98 e 99, § 3º, do CPC/15, por não ter condições de arcar com custas, despesas processuais e honorários advocatícios sem prejuízo do próprio sustento e de suas famílias, conforme atestado de hipossuficiência econômica em anexo, indicando a Defensoria Pública do Pará para o patrocínio da causa.
DAS PRERROGATIVAS LEGAIS DA DEFENSORIA PÚBLICA
A DEFENSORIA PÚBLICA possui as prerrogativas legais da dispensa de apresentação de mandato e prazos em dobro, intimação pessoal mediante entrega dos autos com vista, além de outras, (cf. Lei Complementar Federal n.º 80/94; Lei Complementar Estadual n.º 54/2006; Lei n.º 1.060/50; e CPC/15).
DA AUSÊNCIA DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS
À luz do que dispõe o art. 976 do Código de Processo Civil/15, vale afirmar ao Douto Julgador que o caso em tela não se trata de uma demanda repetitiva, nem configura um risco de ofensa à isonomia e nem à segurança jurídica. 
DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO/MEDIAÇÃO
O Assistido pleiteia, com fulcro no art. 319, inciso VII, do Diploma Adjetivo, que seja realizada audiência de autocomposição comprometendo-se a parte Autora a comparecer na referida assentada.
Requer, ainda, que as intimações para comparecimento à audiência sejam feitas na pessoa da Parte, dada as peculiaridades das atribuições defensoriais, com fulcro no art. 186, §2º, do CPC.
DOS ALIMENTOS PROVISÓRIOS
Considerando que o Alimentante é autônomo, solteiro e não se sabe da existência de outros filhos além deste constante no polo ativo da presente ação, e, diante da necessidade premente do Alimentando, requer a V.Exa., com fulcro nos arts. 1694, 1695 e 1696 do Código Civil e no art. 4º da Lei 5.478/68 cumulado com o artigo 693 do Código de Processo Civil/15, sejam arbitrados os alimentos provisórios, no valor equivalente a 50% (cinquenta por cento) do salário mínimo. Devendo ser os depósitos realizados diretamente na conta poupança n. 00056 652-0 agência n. 0883, do Caixa Econômica, sob a titularidade da mãe do Autor, sob as penas dos arts. 22 da Lei 5478/1968 e 529, §1º, do Código de Processo Civil.
DOS FATOS
O Autor é filho do Réu, consoante documentação em anexo. Ocorre que, após o término do relacionamento dos genitores, o Réu deixou de contribuir para o sustento do filho. 
A genitora por várias vezes tentou fazer acordo, mas foram todos infrutíferos, não restando alternativa, se não a via judicial. 
Vale ressaltar que o Autor tem conhecimento que a renda do Réu gira em torno de R$ 3.000,00 (Três mil reais).
DAS NECESSIDADES DO ALIMENTANDO
A mãe do Autor é costureira, recebe um salário mínimo por mês aproximadamente por sua atividade autônoma, reside de aluguel e possui 2 filhos. Assim, não tem a mínima condição de arcar sozinha com todas as despesas para alimentação, vestuário, moradia, saúde, lazer e materiais escolares do filho.
DAS POSSIBILIDADES DO ALIMENTANTE
O Réu é autônomo, solteiro e tem apenas mais um filho menor, dessa maneira, possui total condição de contribuir regularmente com uma pensão digna.
Portanto, o Réu, que trabalha e goza de boa saúde, pode e deve contribuir com o valor equivalente 50% (cinquenta por cento) do salário mínimo. Devendo ser os depósitos realizados diretamente na conta poupança n. 00056 652-0 agência n. 0883, do Caixa Econômica, sob a titularidade da mãe do Autor.
DO DIREITO
A proteção à família encontra-se albergada na Constituição Federal, em seu art. 226 e 227, caput e 229. Sobre o dever alimentar, dispõe: 
Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.
O ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE positiva que: 
Art. 22 – Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes, ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.
O CÓDIGO CIVIL, a seu turno, estabelece parâmetro nas necessidades do Alimentante:
Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação.
A Lei nº 5.478/68, em seu artigo 2º, embasa a pretensão:
Art. 2º. O credor, pessoalmente, ou por intermédio de advogado, dirigir-se-á ao juiz competente, qualificando-se e exporá suas necessidades, provando, apenas o parentesco ou a obrigação de alimentar do devedor, indicando seu nome e sobrenome, residência ou local de trabalho, profissão e naturalidade, quanto ganha aproximadamente ou os recursos de que dispõe.
Da mesma forma, o fato do Réu não participar com a manutenção necessária do Autor, comete o crime de abandono material previsto no artigo 244 do Código Penal:
Artigo 244. Deixar, sem justa causa, de prover à subsistência do cônjuge, ou do filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou valetudinário, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente, gravemente enfermo. 
A mais abalizada doutrina, na voz do mestre Yussef Said Cahali, orienta-nos para o real sentido e alcance da expressão “alimentos”, senão vejamos:
“Alimentos são, pois as prestações devidas, feitas para quem as recebe possa subsistir, isto é, manter sua existência, realizar o direito à vida, tanto física (sustento do corpo) como intelectual e moral (cultivo e educação do espírito, do ser racional”.[1: 	 CAHALI, Yussef Said. Dos Alimentos, 3ª edição, São Paulo: Revistas dos Tribunais, p. 16.]
Dessa forma, mostra-se cabido o presente pleito de condenação do Réu ao pagamento de pensão alimentícia para que o Autor possa subsistir com o mínimo de dignidade, suprindo suas necessidades de educação, alimentação, vestimenta,