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TECNOLOGIA ASSISTIVA

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equiparação de 
oportunidades e promoção dos Direitos Humanos.
Izabel de Loureiro Maior
Subsecretária Nacional de Promoção dos 
Direitos da Pessoa com Deficiência
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2. Introdução
No marco da ratificação pelo Brasil da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência 
da Organização das Nações Unidas (ONU), o Comitê de Ajudas Técnicas (CAT) traz sua contribuição à 
histórica luta pelos direitos dos cidadãos brasileiros com deficiência.
Os dados de 2000 (censo do IBGE) indicam que cerca de 24,5 milhões de pessoas (14,5%) da 
população brasileira têm algum tipo de deficiência (física, auditiva, visual, intelectual ou múltipla). 
O censo revelou ainda que os dados de deficiência variam de acordo com a região do País. Norte e 
Nordeste têm as maiores proporções (16,1% e 17,7% respectivamente) de pessoas que afirmam ter 
pelo menos uma das deficiências investigadas pelos técnicos. A prevalência das incapacidades e defi-
ciências é maior nas regiões mais pobres e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre as 
crianças e adolescentes estas taxas alcançam valores 10 vezes maiores que os países desenvolvidos. 
Diante dos quadros de incapacidade funcional, as sociedades se organizam de forma a superarem 
essas dificuldades promovendo a inclusão social dessas pessoas. Um dos mecanismos necessários 
é a utilização de Tecnologia Assistiva por essa parcela da população em qualquer faixa etária, e em 
qualquer situação do cotidiano.
A Tecnologia Assistiva (TA) é fruto da aplicação de avanços tecnológicos em áreas já estabele-
cidas. É uma disciplina de domínio de profissionais de várias áreas do conhecimento, que interagem 
para restaurar a função humana. Tecnologia Assistiva diz respeito à pesquisa, fabricação, uso de 
equipamentos, recursos ou estratégias utilizadas para potencializar as habilidades funcionais das 
pessoas com deficiência. 
A aplicação de Tecnologia Assistiva abrange todas as ordens do desempenho humano, desde 
as tarefas básicas de autocuidado até o desempenho de atividades profissionais. 
O interesse da sociedade brasileira sobre a temática tem-se ampliado continuamente, o que 
pode ser observado pelo crescimento de participantes e expositores em feiras desta tecnologia, mui-
tas das quais se sucedem em edições anuais e que têm encontrado lugar em diversas localidades de 
nosso país, indicando um potencial vigor deste segmento da economia. No País existem vários grupos 
de pesquisa do terceiro setor e de pesquisa acadêmica trabalhando no tema em todas as regiões. 
No sistema SUS há entidades cadastradas como concessoras de órteses e próteses, distribuídas de 
acordo com a densidade populacional no território nacional. 
Tendo esta preocupação em tela, o legislativo brasileiro indicou, na Lei no 10.098, de 19 de de-
zembro de 2000, a necessidade de proporcionar condições equânimes a todo conjunto de pessoas 
com deficiência, o que foi regulamentado pelo Poder Executivo, por meio do Decreto no 5.296, de 2 
de dezembro de 2004. Tal instrumento determina a criação de um Comitê de Ajudas Técnicas, com a 
finalidade principal de propor a criação de políticas públicas, aos órgãos competentes, relacionadas 
com o desenvolvimento e uso de Tecnologia Assistiva. Determina tal Decreto que:
“Art. 66. A Secretaria Especial dos Direitos Humanos instituirá Comitê de Ajudas Técnicas, cons-
tituído por profissionais que atuam nesta área, e que será responsável por:
I - estruturação das diretrizes da área de conhecimento;
II - estabelecimento das competências desta área;
III - realização de estudos no intuito de subsidiar a elaboração de normas a respeito de ajudas 
técnicas;
IV - levantamento dos recursos humanos que atualmente trabalham com o tema; e
V - detecção dos centros regionais de referência em ajudas técnicas, objetivando a formação 
de rede nacional integrada.
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§ 1º O Comitê de Ajudas Técnicas será supervisionado pela CORDE e participará do Programa 
Nacional de Acessibilidade, com vistas a garantir o disposto no art. 62.
§ 2º Os serviços a serem prestados pelos membros do Comitê de Ajudas Técnicas são conside-
rados relevantes e não serão remunerados.”
Por conta desta determinação, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, da Presidência da 
República cria tal Comitê, por meio da Portaria no 142, de 16 de novembro de 2006, reunindo os 
principais órgãos da administração pública relacionados com o tema, assim como um grupo de es-
pecialistas da área. A referida Portaria institui ainda, como responsabilidade do Comitê: 
III - apresentar propostas de políticas governamentais e parcerias entre a sociedade civil e 
órgãos públicos referentes à área de ajudas técnicas;
Os instrumentos formais que criam o Comitê, assim como todas as publicações estão disponí-
veis no sítio da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, da Presidência da República: www.sedh.
gov.br/corde.
Desde sua primeira reunião, em dezembro de 2006, o Comitê vem trabalhando em um conjun-
to de ações de curto, médio e longo prazos, com o sentido de cumprir suas atribuições. A primeira 
delas foi a elaboração de um Plano de Trabalho. No decorrer dos trabalhos foram criadas 4 (quatro) 
comissões temáticas para abranger todas as ações previstas no referido plano. Uma das comissões 
está encarregada de estabelecer e sedimentar os conceitos e terminologias a serem utilizados nessa 
área do conhecimento (Tecnologia Assistiva); outra comissão tem como propósito tratar os temas 
relativos ao uso da Tecnologia Assistiva na área da educação; uma terceira comissão está encarregada 
de tratar da área da pesquisa, desenvolvimento e inovação; uma quarta comissão cuida das questões 
relativas à aquisição e uso dos recursos de tecnologia assistiva.
Esta publicação tem a finalidade de apresentar os trabalhos que estão sendo realizados pelo 
Comitê, fornecendo um instrumento a partir do qual a sociedade possa tomar conhecimento e inte-
ragir com o Comitê de Ajudas Técnicas, assim como subsidiar a elaboração de políticas públicas que 
contribuam para a efetivação de direitos das pessoas com deficiência em nosso país.
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3. Comissão Temática 1 – Conceituação e Estudo de Normas
Adjane Amorim, Ana Isabel Bezerra Bruni Paraguay, Elza Maria 
Ferraz Barbosa, Lêda Lúcia Spelta, Maria Aparecida Martinelli, 
Rita de Cássia Reckziegel Bersch, Teófilo Galvão Filho
1. Introdução
Um dos focos do trabalho do Comitê de Ajudas Técnicas (CAT) foi conceituar, propor uma ter-
minologia adequada, pesquisar e propor classificações e modelos para os sistemas de prestação de 
serviços em Tecnologia Assistiva (TA). 
Para esta finalidade, durante o período de 11/2006 a 10/2008, as seguintes ações foram reali-
zadas pela Comissão Temática 1 – Conceituação e Estudos de Normas:
a) Elaboração e proposição de bases conceituais, realizada a partir de revisão teórica internacio-
nal, utilizando as seguintes palavras-chave: tecnologia assistiva, ajudas técnicas, tecnologia 
de apoio. 
b) Elaboração de pesquisa para proposição de terminologia oficial, resultando na aprovação do 
termo “tecnologia assistiva”, a ser sempre utilizado no singular, por se tratar de uma área 
do conhecimento. 
c) Formulação do conceito de TA: “Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de carac-
terística interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas 
e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, 
de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, 
independência, qualidade de vida e inclusão social.” 
d) Elaboração de lista de termos para o desenvolvimento de um glossário (atividade em andamento); 
e) Pesquisa bibliográfica e documental sobre normas brasileiras, vigentes e em projeto, rela-
cionadas à TA;
f) Análise das normas brasileiras para auxílio na classificação