A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
140 pág.
TECNOLOGIA ASSISTIVA

Pré-visualização | Página 5 de 43

uma condição de ausência ou não funcionamento adequado de 
parte de corpo; 
– a incapacidade é uma dificuldade ou impossibilidade de realizar uma ação pretendida e 
– a desvantagem é uma privação da participação social, em igualdade de direitos e condições.
16
 
Nos conceitos de Tecnologia Assistiva constantes nos decretos brasileiros, EUSTAT, Cook & Hussey 
e ADA, não aparece como objetivo da TA eliminar ou compensar a deficiência (que diz respeito à condi-
ção do corpo). O foco destes documentos é a ampliação ou obtenção de uma habilidade na realização 
da atividade pretendida e, consequentemente, de participação social das pessoas com deficiência.
Estes documentos nacionais e internacionais evidenciam uma compreensão conceitual abrangente, 
sendo a Tecnologia Assistiva entendida como a aplicação de um conhecimento que se traduz numa técnica, 
procedimento, metodologia ou recurso específico, que busca ampliar ou proporcionar o desempenho de 
atividades necessárias e pretendidas por uma pessoa com deficiência ou incapacidade.
A revisão da literatura apontou também para a necessidade de conhecer mais profundamente 
os modelos existentes de classificação de Tecnologia Assistiva.
Também o conceito do Desenho Universal esteve presente em vários textos estudados, sendo 
discutido juntamente com o tema da Tecnologia Assistiva. O Decreto n° 5.296 de 2004 diz:
“Desenho Universal: concepção de espaços, artefatos e produtos que visam atender simultane-
amente todas as pessoas, com diferentes características antropométricas e sensoriais, de forma 
autônoma, segura e confortável, constituindo-se nos elementos ou soluções que compõem a 
acessibilidade.” (BRASIL, 2004)
Os modelos de Sistemas de Prestação de Serviços - SPS em Tecnologia Assistiva e a rede inter-
disciplinar envolvida nesta prática são outro tema de central importância. Com relação aos modelos 
de serviços, constatou-se que em países onde a organização de serviços de Tecnologia Assistiva já 
existe há mais tempo, como em vários países europeus e da América do Norte, há uma tendência de 
revisão e mudança de paradigma, que abandona o modelo médico, pautado no déficit individual e 
na prescrição de um recurso de Tecnologia Assistiva específico, para um modelo social, tecnológico 
e ecológico (PALACIOS, 2008).
Desenvolver soluções tecnológicas valorizando o conhecimento do usuário, de suas demandas e do 
contexto em que esta tecnologia será aplicada, colabora para que este usuário se aproprie e realmente 
usufrua de uma tecnologia que atenda à sua necessidade e expectativa. Neste sentido, o conhecimen-
to da Tecnologia Social entendida como “um conjunto de técnicas e metodologias transformadoras, 
desenvolvidas e/ou aplicadas na interação com a população e apropriadas por ela e que representam 
soluções para inclusão social e melhoria das condições de vida” (ITS, 2007) poderá ajudar a estabelecer 
modelos para serviços e projetos de desenvolvimento tecnológico em nosso país. 
Em resumo, as bases para formulação conceitual de Tecnologia Assistiva adotadas pelo CAT são:
– Área do conhecimento
– Interdisciplinaridade 
– Objetivos: promover a funcionalidade (atividade, participação) de pessoas com deficiência, 
mobilidade reduzida ou idosas, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e 
inclusão social.
– Composição: produtos, recursos, estratégias, práticas, processos, métodos e serviços
– Considerar os princípios do Desenho Universal e da Tecnologia Social.
3. Classificações de TA
No estudo sobre Classificação de TA, foram adotadas três importantes referências que apre-
sentam diferentes focos de organização e aplicação. 
• ISO 9999
• Classificação Horizontal European Activities in Rehabilitation Technology - HEART 
• Classificação Nacional de Tecnologia Assistiva, do Instituto Nacional de Pesquisas em Deficiências 
e Reabilitação, dos Programas da Secretaria de Educação Especial, Departamento de Educação 
dos Estados Unidos.
17
3.1 ISO 9999
A classificação da ISO 9999 é largamente usada em vários países, em bases de dados e catálogos, 
sendo focada especificamente em recursos, que são organizados em classes que se desdobram em 
itens de produtos (ISO 9999:2007, 2008).
A ISO - International Organization for Standardization (Associação Internacional de Normalização) 
é uma federação mundial composta por associações nacionais. O trabalho de preparar as normas 
internacionais é geralmente executado pelos comitês técnicos da ISO. Cada representante interessado 
em um assunto para o qual o comitê técnico foi criado tem o direito de estar representado naquele 
comitê. Organizações internacionais, governamentais e não-governamentais, em colaboração com 
a ISO, também tomam parte neste trabalho de elaboração de normas.
A tarefa principal dos comitês técnicos é preparar as normas internacionais. Projetos de nor-
mas internacionais elaborados pelos comitês circulam entre os associados, para votação. Para ser 
publicada, uma norma internacional requer aprovação de pelo menos 75% de votos.
A ISO 9999:2007 - Produtos assistivos para pessoas com deficiência - Classificação e terminolo-
gia, publicada em 01/03/2007, é a 4a edição desta norma. Neste documento, os produtos assistivos, 
incluindo software, são classificados por função. Esta classificação consiste de três níveis hierárquicos 
com seus respectivos códigos. Como em outras classificações, para cada nível são fornecidos os códi-
gos, títulos, notas explicativas, inclusões, exclusões e referências cruzadas. Além do texto explicativo 
e da própria classificação, é fornecida uma tabela de conversão entre a edição anterior (2002) e a 
mais recente (2007) desta norma, bem como um índice alfabético, para facilitar o uso da norma e o 
acesso a esta classificação.
Na 4a edição da norma ISO 9999:2007, o título anterior - “Ajudas técnicas para pessoas com defi-
ciência - Classificação e terminologia” - mudou para “Produtos Assistivos para pessoas com deficiência 
- Classificação e terminologia”. Assim, “Ajudas Técnicas” são citadas agora como “Produtos Assistivos”.
Em 2003, a ISO 9999:2007 foi aceita como um membro associado da Organização Mundial de 
Saúde (OMS). A CIF (Organização Mundial de Saúde - Classificação Internacional de Funcionalidade 
e Saúde) e é uma das classificações-chave da OMS.
A CIF compreende classificações altamente qualificadas de saúde e domínios relacionados à 
saúde. Estes domínios são classificados a partir de perspectivas fisiológicas, individuais e sociais, por 
meio de duas listagens: 
– uma lista de funções e estrutura do corpo humano e 
– uma lista de domínios de atividade e participação. 
Como a funcionalidade e a deficiência ocorrem em um contexto, a CIF também inclui uma 
listagem de fatores ambientais. 
A ISO 9999:2007 tem como escopo estabelecer uma classificação de produtos assistivos, es-
pecialmente produzidos ou geralmente disponíveis para pessoas com deficiência. Também estão 
incluídos nesta classificação aqueles produtos assistivos que requerem o auxílio de outra pessoa para 
sua operação. Esta classificação fundamenta-se na função do produto classificado.
Como é enfatizado em seu escopo, estão explicitamente excluídos dessa Norma Internacional 
os seguintes itens:
– itens utilizados para a instalação dos produtos assistivos;
– soluções obtidas pela combinação de produtos assistivos que, isoladamente, estão classifi-
cados nesta Norma Internacional;
– medicamentos;
– produtos e instrumentos assistivos utilizados exclusivamente por profissionais de serviços 
de saúde;
18
 
– soluções não-técnicas, tais como auxilio pessoal, cães-guia ou leitura labial;
– implantes;
– apoio financeiro.
A classificação apresenta-se em três níveis diferentes: classe, subclasse e detalhamento da 
classificação, com explicações e referencias. O primeiro nível mais geral de