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TECNOLOGIA ASSISTIVA

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com deficiência na seleção, 
aquisição ou uso de um equipamento de TA. 
O processo de assistência pode ser caracterizado pelas seguintes etapas (EUROPEAN COMMISSION):
1. Iniciativa do usuário em procurar o serviço para suprir alguma necessidade;
2. Avaliação e identificação de necessidades, incluindo uma avaliação funcional do indi-
víduo em seu ambiente habitual;
3. Determinação da tipologia da solução, incluindo o nível de avanço tecnológico do 
equipamento utilizado, se realmente for necessário utilizar algum equipamento;
4. Experimentação, personalização, treinamento do uso do equipamento;
5. Seleção do conjunto específico de dispositivos e serviços, com respeito a marcas, mo-
delos e configurações de montagem entre equipamentos, se for o caso;
6. Aquisição do equipamento pelo próprio usuário ou familiares, concessão por entidade 
financiadora, ou uma combinação de ambos;
7. Implementação do uso do equipamento no contexto de vida do usuário;
8. Seguimento e avaliação, incluindo adaptação, manutenção, conserto e substituição do 
equipamento.
5.2 Modelos de prestação de serviços em TA:
Segundo o Center on Disabilities da California State University, Northridge (CSUN), 2006, os 
modelos de prestação de serviços em TA podem ser classificados em dois grupos distintos:
No primeiro modelo, denominado “paradigma do déficit individual“, o foco é a pessoa com 
deficiência. A natureza do problema é a falha no desempenho das atividades e as conseqüências 
para o indivíduo são a internalização do papel do diferente e a aceitação de um “status” menor. 
As estratégias empregadas são o tratamento, a educação especial e a reabilitação. As conse-
qüências destas estratégias são o ganho em habilidades individuais, a confiança no sistema de 
serviços e a internalização do papel de paciente. Os resultados pretendidos são a promoção da 
capacidade funcional, o retorno ao trabalho, a promoção de ajustes personalizados, o menor 
suporte de serviços.
No segundo modelo, denominado “paradigma tecnológico/ecológico“, o foco está nos siste-
mas de recursos de TA: informações, financiamento, avaliação e desenvolvimento. A natureza do 
problema é a falta de acesso aos recursos apropriados: ferramentas, informações e treinamento. 
As conseqüências para o indivíduo são a internalização de um “status” de consumidor/cliente e a 
externalização da ação de adquirir recursos. As estratégias empregadas são o desenvolvimento de 
tecnologia e o desenvolvimento de sistemas de serviços integrados, direcionados às necessidades 
do consumidor; sistema guiado pelo mercado. As conseqüências destas estratégias são a remoção 
de barreiras sistêmicas e estruturais, a pessoa com deficiência considerando a si mesma e sendo 
considerada capaz; a confiança nas ferramentas econômicas, ambientais, legais e sociais. Os re-
sultados pretendidos são a promoção de oportunidades iguais e de escolhas livres, bem como a 
realização de objetivos pessoais.
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A reflexão sobre diferentes modelos de sistemas de prestação de serviços em TA auxilia a 
projetar ações para garantir que os investimentos nesta área atendam seus objetivos de promover 
a funcionalidade e a participação social da pessoa com deficiência, em igualdade de condições, sem 
riscos de subutilização de recursos ou mesmo abandono, por conta de uma dissociação entre o que é 
realmente necessário ao usuário e o que lhe é concedido. Pelo referencial estudado percebe-se que 
houve uma evolução natural na forma de se entender e organizar o serviço de TA, que está cada vez 
mais centrado no usuário, no desenvolvimento tecnológico, nas políticas para a remoção de barreiras 
sistêmicas e estruturais e na equiparação de oportunidades.
5.3 Objetivo dos serviços de TA:
Os serviços de TA se organizam e têm por objetivo desenvolver ações práticas que garantam 
ao máximo os resultados funcionais pretendidos pela pessoa com deficiência, no uso da tecnologia 
apropriada. Eles incluem a avaliação individualizada para seleção de recursos apropriados; o apoio 
e orientações legais para concessão da TA; a coordenação da utilização da TA com serviços de reabi-
litação, educação e formação para o trabalho; a formação de usuários para conhecimento e uso da 
TA; a assistência técnica e a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. 
Mesmo quando os equipamentos são adequadamente indicados e a habilidade no uso do 
equipamento alcançada, é freqüente seu abandono por parte do usuário, por diversas razões (KING, 
1999). Alguns fatores podem ser associados a uma maior chance de sucesso no uso da TA, e estes 
estão associados a (KINTSCH, 2002):
– O fabricante: tipos de produtos comercialmente disponíveis no mercado; requisitos de projeto 
que atenda as necessidades identitárias, expectativas e funcionalidades; testes e avaliações 
feitas com diversas categorias de usuários, durante o projeto; critérios de utilidade, eficiência, 
segurança, durabilidade, estética adequada e preço realista; compreensão das condições em 
que seu projeto vai ser utilizado;
– O usuário: iniciativa, reconhecimento da necessidade de TA, busca ativa da ampliação de 
suas atividades funcionais, conhecimento dos próprios direitos, informação sobre as poten-
cialidades da TA; uso da TA dentro de um projeto de vida e não apenas como mecanismo 
compensatório;
– O cuidador: identificação e avaliação das necessidades, capacidades e limitações reais do 
usuário; observação e conhecimento das atividades e contextos reais de uso; conhecimento 
da satisfação e conforto do usuário com a TA utilizada;
– O profissional e prestadores de serviços de TA: identificação e avaliação das necessidades, 
capacidades e limitações reais do usuário; observação e conhecimento das atividades em 
situações reais de vida do usuário; busca de compatibilidade entre tecnologias; consideração 
das opiniões e preferências do usuário bem como dos valores culturais e familiares envol-
vidos; seguimento adequado do usuário, com foco na avaliação da satisfação e conforto do 
usuário com a TA utilizada.
5.4 Recomendações
– O sucesso de qualquer projeto, prescrição ou utilização de TA depende da ação integrada e 
complementar de diversas áreas do conhecimento com um objetivo último comum, que é a 
satisfação das necessidades do usuário com deficiência, em todas as esferas da sua atuação 
pessoal, doméstica e comunitária. Neste contexto, o usuário deve ser tratado e incentivado 
a ser um consumidor consciente. 
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– A mudança do modelo médico para um modelo biopsicossocial, exigida atualmente das 
organizações de serviços em TA, aponta para a evolução do conceito e do entendimento 
prático do que é a TA. 
– O serviço de TA vai além da habilitação no uso de uma ferramenta específica para o ganho de 
funcionalidade e em alguns casos estes serviços não estão relacionados a nenhuma ferramen-
ta. Pertence a este grupo o desenvolvimento de algumas habilidades específicas, como, por 
exemplo, aquelas envolvidas na realização da maior parte das tarefas domésticas diárias por 
pessoas cegas e por pessoas sem funcionalidades dos membros superiores e a disseminação 
de métodos e boas práticas, que facilitam a realização destas tarefas.
– Os fatores humanos que influenciam a satisfação e conforto do usuário com a TA são com-
plexos e de natureza multicausal;
– Pressupostos mal fundamentados ou sem base na realidade dos diversos usuários, compro-
metem o sucesso do projeto e uso da TA;
– Faz-se necessária a inclusão dos usuários durante o projeto, o planejamento estratégico, a 
validação de protótipos e a avaliação do produto final e seus aperfeiçoamentos;
– As melhores soluções terão sempre que ser balizadas a partir de cada usuário, independente 
do nível tecnológico envolvido.
6. Mapeamento de referências normativas
Uma atividade de fundamental importância para a aplicação das diretrizes estabelecidas pelo 
Decreto