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barriga de aluguel

Centro Universitário Newton Paiva
Barriga de Aluguel à Luz dos Princípios do Direito Civil
Bárbara Gonçalves de Abreu R.A.: 11410490
Gisele Uel Rosa Mota R.A.: 11412012
Belo Horizonte
2018
Avalie o tratamento normativo atual acerca da temática “barriga de aluguel” à luz dos Princípios do Direito Civil
	Ao se buscar informações acerca do tema e regulamentação na lei brasileira da barriga de aluguel, também chamada de gestação por substituição ou surrogate mother, em inglês, nos deparamos com uma situação na qual cabem diversas linhas de entendimento e que dá espaço a várias indagações, principalmente por não haver uma legislação específica que trate do tema.
	Quando da gestação por substituição, se o parto for realizado pelo mesmo médico que realizou a fertilização, o registro de nascimento, que é obrigatório pela lei nº 6.015/73, constará o nome da mãe biológica ou social. Caso o registro seja feito com o nome da mãe biológica, se, por exemplo, o médico que realize o parto não seja o mesmo que cuidou do procedimento da fertilização e desconheça a gestação por substituição, é cabível que o interessado suscite procedimento de dúvida ao juiz da Vara de Registros Públicos. 
Isso é possível porque há a mitigação da presunção mater semper certa est nesses casos. Ou seja, há relativização da certeza da filiação da criança em relação à mulher que lhe deu à luz, como se vê do enunciado 129 da Jornada de Direito Civil, que deu nova redação ao artigo 1.597-A do Código Civil, que fala da presunção da maternidade pela gestação. O parágrafo único acrescido pelo enunciado estipula que a maternidade/paternidade será estabelecida em favor daquele(a) que forneceu o material genético, ou que planejou a gestação no caso de reprodução assistida heteróloga (aquela que se dá com a utilização de material genético doado por terceiro).
	A principal orientação na seara da barriga de aluguel é extraída da resolução nº 1.957/10, do Conselho Federal de Medicina, que dentre suas orientações e determinações, veda a remuneração da gestante pela cessão do útero, estipula que as pessoas envolvidas pela gestação de substituição devem ser da mesma família com parentesco até segundo grau, devendo os demais casos serem submetidos à autorização do CRM, e que a técnica apenas deverá ser utilizada com finalidade médica, por pessoas que estejam realmente impossibilitadas de gestar, ou de levar a gravidez até o final.
	Em análise às determinações da resolução anteriormente citada, vê-se que a vedação à remuneração da “mãe de aluguel” tem escopo no artigo 199,§ 4º da CRFB/88, que proíbe a comercialização de qualquer órgão, tecido ou substância. De fato, é perceptível a intenção de proteção à integridade física do legislador constitucional, possivelmente baseando-se no louvável e essencial princípio da dignidade da pessoa humana, pois a permissão da comercialização destes itens, em determinados casos, poderiam acarretar danos irreparáveis à saúde e vida daqueles que disporiam deles em troca de remuneração, dando ao entendimento do CFM uma justificativa plausível.
Entretanto, há quem discorde da não remuneração da barriga de Aluguel. Apesar de explicar que a gestação por substituição seria negócio jurídico nulo, pois haveria uma obrigação de fazer, não fazer e dar (que seria a entrega da criança, que de forma alguma pode ser objeto de contrato), Maria Berenice Dias entende que há uma prestação de serviço em tempo integral, pelo prazo de nove meses, o que justificaria a remuneração do mesmo, a exemplo de como é feito em outros países, que possuem regulamentação acerca do tema. Ainda, a autora invoca o argumento de que o procedimento de inseminação artificial é remunerado, não havendo questionamentos quanto a isso.
No tocante à necessidade de comprovação de parentesco para utilização da barriga de aluguel, há o entendimento doutrinário de que parentes por afinidade também possam ceder o útero, como sogra ou cunhada, por exemplo, apesar da falta de remuneração. Ainda sim, possivelmente seria necessária autorização expressa, bem como no caso de mães de aluguel que não tenham parentesco nenhum com a família, tendo em vista o não preenchimento do requisito do grau de parentesco das partes envolvidas.
Ainda, alguns juristas entendem que podem ser mães de aluguel parentes até o 4º grau, em razão da lei n° 9.434/97, que dispõe sobre a remoção de órgõs, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento. Tal lei determina, em seu artigo 9º, que cônjuges e parentes consanguíneos até o 4° grau podem dispor gratuitamente de órgãos, tecidos e partes do próprio corpo para fins terapêuticos ou transplantes.
Por fim, ao refletirmos sobre a exclusividade da utilização da gestação por substituição àqueles impedidos de levar adiante uma gestação, por motivos físicos ou de saúde, é cabível ressaltar que, como explanado por Maria Berenice Dias, o Conselho Federal de Medicina, na resolução n° 2.013/13, que trata da reprodução assistida, admite que casais homoafetivos utilizem a técnica de reprodução assistida sem a necessidade de comprovação de esterilidade, já que ela decorre, por óbvio, da orientação sexual do casal.
Assim, é perfeitamente cabível que um casal homoafetivo utilize uma barriga de aluguel, mas provavelmente ainda sim o casal deverá comprovar o grau de parentesco com quem gerará a criança, e, em caso de não possuir parente que possa ser incumbido de tal responsabilidade, um terceiro poderia realiza-la, com a devida autorização do Conselho Federal de Medicina.
Finalmente, ratifica-se não é cabível a utilização da gestação por substituição valendo-se de justificativas rasas para alcançar o objetivo de ser pai e mãe, como por exemplo questões estéticas ou simplesmente tentando evitar os “desconfortos” que uma gestação possa trazer, se a pessoa que planeja a gravidez seria saudável e capaz de levá-la adiante por si mesma, pois, se fosse este o caso, haveria desrespeito direto à resolução do Conselho Regional de Medicina, podendo, inclusive, haver a possibilidade de vinculação da maternidade do nascituro à gestante e não aos pais sociais, pela falta de preenchimento dos requisitos e causando um problema judicial.
BIBLIOGRAFIA
Dias, Maria Berenice. Manual de direito das famílias- 10. Ed. rev., atual. e ampl.- São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015. Páginas 400-405.
Farias, Cristiano Chaves de; Rosenvald, Nelson. Curso de Direito Civil, volume 6: famílias. 6ª ed. rev., atual. e ampl.- Salvador: Editora Juspodivm, 2014. Páginas 577-580.