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Material de Apoio 2 \u2013 Direito Civil I 
 
1. Bens \u2013 Relações Jurídicas 
 
O significado do termo "bem" e seu alcance está inserido em constantes discussões nas 
doutrinas do mundo jurídico. Alguns autores se limitam a definir como bem um conjunto de 
anseios e desejos materiais ou não, que sejam de interesse da pessoa humana. 
 
BENS são as coisas materiais ou imateriais que têm valor econômico e que podem servir de 
objeto a uma relação jurídica; para que o bem seja objeto de uma relação jurídica é preciso que 
ele apresente os seguintes caracteres, idoneidade para satisfazer um interesse econômico, 
gestão econômica autônoma e subordinação jurídica ao seu titular. 
 
 
2. Patrimônio Jurídico 
 
O conceito de patrimônio do nosso código civil tem como finalidade definir todos aqueles bens 
jurídicos que podem ser mensurados, assim o direito da família e o direito da personalidade 
por exemplo seriam classificados como bens extrapatrimoniais. 
 
Bens corpóreos e incorpóreos: corpóreos são os que têm existência material, como uma casa, 
um terreno, um livro; são o objeto do direito; incorpóreos são os que não têm existência tangível 
e são relativos aos direitos que as pessoas físicas ou jurídicas têm sobre as coisas, sobre os 
produtos de seu intelecto ou com outra pessoa, apresentando valor econômico, tais como os 
direitos reais, obrigacionais e autorais. 
 
 
Bens móveis e imóveis: móveis são os que podem ser transportados por movimento próprio ou 
removidos por força alheia; imóveis são os que não podem ser transportados sem alteração de 
sua substância. 
 
 
Bens imóveis por sua natureza: abrange o solo com sua superfície, os seus acessórios e 
adjacências naturais, compreendendo as árvores e frutos pendentes, o espaço aéreo e o 
subsolo. 
 
Bens imóveis por acessão física artificial: inclui tudo aquilo que o homem incorporar 
permanentemente ao solo, como a semente lançada à terra, os edifícios e construções, de modo 
que não se possa retirar sem destruição, modificação, fratura ou dano. 
 
 
Bens imóveis por acessão intelectual: são todas as coisas móveis que o proprietário do imóvel 
mantiver, intencionalmente, empregadas em sua exploração industrial, aformoseamento ou 
comodidade. 
 
 
\u201cArt. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe 
incorporar natural ou artificialmente.\u201d 
 
 
Bens imóveis por determinação legal: são direitos reais sobre imóveis (usufruto, uso, habitação, 
enfiteuse, anticrese, servidão predial), inclusive o penhor agrícola e as ações que o asseguram; 
apólices da dívida pública oneradas com a cláusula de inalienabilidade, decorrente de doação 
ou de testamento; o direito à sucessão aberta, ainda que a herança só seja formada de bens 
móveis. 
 
 
Bens móveis por natureza: são as coisas corpóreas que se podem remover sem dano, por força 
própria ou alheia, com exceção das que acedem aos imóveis, logo, os materiais de construção, 
enquanto não forem nela empregados, são bens móveis. 
 
Bens móveis por antecipação: são bens imóveis que a vontade humana mobiliza em função da 
finalidade econômica; ex: árvores, frutos, pedras e metais, aderentes ao imóvel, são imóveis; 
separados, para fins humanos, tornam-se móveis; ex: são móveis por antecipação árvores 
convertidas em lenha. 
 
Bens móveis por determinação de lei: são os direitos reais sobre objetos móveis e as ações 
correspondentes, os direitos de obrigação e as ações respectivas e os direitos de autor. 
 
Bens fungíveis e infungíveis: fungíveis são os bens móveis que podem ser substituídos por 
outros de mesma espécie, qualidade e quantidade; infungíveis são os insubstituíveis, por 
existirem somente se respeitada sua individualidade. 
 
 
Bens consumíveis e inconsumíveis: consumíveis são os que se destroem assim que vão sendo 
usados (alimentos em geral); inconsumíveis são os de natureza durável, como um livro. 
 
Bens divisíveis e indivisíveis: divisíveis são aqueles que podem ser fracionados em porções reais; 
indivisíveis são aqueles que não podem ser fracionados sem se lhes alterar a substância, ou que, 
mesmo divisíveis, são considerados indivisíveis pela lei ou pela vontade das partes. 
 
Bens singulares e coletivos: as coisas singulares são as que, embora reunidas, se consideram de 
per si, independentemente das demais; são consideradas em sua individualidade; coletivas são 
as constituídas por várias coisas singulares, consideradas em conjunto, formando um todo único, 
que passa a ter individualidade própria, distinta de seus objetos componentes, que conservam 
sua autonomia funcional. 
 
Bens principais e acessórios: principais são os que existem em si e por si, abstrata ou 
concretamente; acessórios são aqueles cuja existência supõe a existência do principal. 
 
Benfeitorias: são bens acessórios acrescentados ao imóvel, que é o bem principal; podem ser 
necessárias (imprescindíveis à conservação do imóvel ou para evitar-lhe a deterioração), úteis 
(aumentam ou facilitam o uso do imóvel) e voluptuárias (embelezam o imóvel, para mero deleite 
ou recreio). 
 
 
Frutos: são bens acessórios que derivam do principal; podem ser naturais (das árvores), 
industriais (da cultura ou da atividade) e civis (do capital, como os juros). 
 
Bens particulares e bens públicos: são respectivamente, os que pertencem a pessoas naturais 
ou jurídicas de direito privado e os que pertencem as pessoas jurídicas de direito público, 
políticas, à União, aos Estados a aos Municípios. 
Bens públicos de uso comum do povo: são os que embora pertencentes as pessoa jurídica de 
direito público interno, podem ser utilizados, sem restrição e gratuitamente, por todos, sem 
necessidade de qualquer permissão especial. 
Bens públicos de uso especial: são utilizados pelo próprio poder público, constituindo-se por 
imóveis aplicados ao serviço ou estabelecimento federal, estadual ou municipal, como prédios 
onde funcionam tribunais, escolas públicas, secretarias, ministérios, etc; são os que têm uma 
destinação especial. 
Bens públicos dominicais: são os que compõem o patrimônio da União, dos Estados ou dos 
Municípios, como objeto do direito pessoal ou real dessas pessoas; abrangem bens móveis ou 
imóveis. 
 
Bens que estão fora do comércio: os bens alienáveis, disponíveis ou no comércio, são os que se 
encontram livres de quaisquer restrições que impossibilitem sua transferência ou apropriação, 
podendo, portanto, passar, gratuita ou onerosamente, de um patrimônio a outro, quer por sua 
natureza, quer por disposição legal, que permite, por exemplo, a venda de bem público; os bens 
inalienáveis ou fora do comércio são os que não podem ser transferidos de um acervo 
patrimonial a outro ou insuscetíveis de apropriação. 
 
Bens inalienáveis por sua natureza: são os bens de uso inexaurível, como o ar, o mar, a luz solar; 
porém a captação, por meio de aparelhagem, do ar atmosférico ou da água do mar para extrair 
certos elementos com o escopo de atender determinadas finalidades, pode ser objeto de 
comércio. 
 
Bens legalmente inalienáveis: são os que, apesar de suscetíveis de apropriação pelo homem, 
têm sua comercialidade excluída pela lei, para atender aos interesses econômico-sociais, à 
defesa social e à proteção de determinadas pessoas; poderão ser alienados, por autorização 
legal apenas em certas circunstâncias e mediante determinadas formalidades; entram nessa 
categoria: os bens públicos; os dotais; os das fundações; os dos menores; os lotes rurais 
remanescentes de loteamentos já inscritos; o capital destinado a garantir o pagamento de 
alimentos pelo autor do fato ilícito; o terreno onde está edificado em edifício de condomínio 
por andares; o bem de família; os móveis ou imóveis tombados; as terras ocupadas pelos índios. 
 
Bens inalienáveis pela vontade humana: são os que lhes impõe cláusula de inalienabilidade, 
temporária ou vitalícia, nos