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1. Conhecimentos Gerais Nordeste Prof. Joanilson

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Profs.: Italo Trigueiro / Joanilson Jr. GEOGRAFIA DO NORDESTE – BNB 
 
 
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GEOGRAFIA DO NORDESTE 
 
Prof. Italo Trigueiro 
 
 
 
E-mail: prof.italotrigueiro@gmail.com 
 
Prof. Joanilson Jr. 
 
 
 
E-mail: prof.joanilson@gmail.com 
 
APRESENTAÇÃO 
 
“Eu viajo para conhecer a minha Geografia!” 
Walter Benjamin. 
 
A matéria de Geografia – associada a 
Conhecimentos Gerais – têm feito parte do programa 
de estudo de diversos concursos, incluindo o 
concurso do Banco do Nordeste, retratando o caráter 
inovador da disciplina a partir da abordagem crítica. 
O material traz uma visão una e múltipla sobre 
a Geografia, abordando especificidades físicas e 
humanas. Natureza e sociedade se misturam e 
moldam o planeta em seus vários recantos. Os temas 
abordados adentram na explicação da natureza e do 
dia-a-dia dos habitantes do planeta, abordando os 
mais variados temas. 
Várias temáticas vêm acompanhadas de 
textos complementares para que um maior 
arcabouço teórico possa ser oferecido ao candidato. 
Acreditamos que a partir dessa leitura possamos 
ampliar o conhecimento de nossa realidade. 
 
Sucesso! 
 
Prof. Italo Trigueiro. 
 
Prof. Joanilson Jr. 
 
“Não é, somente, agindo sobre o corpo dos 
flagelados, roendo-lhes as vísceras e abrindo chagas e 
buracos na sua pele, que a fome aniquila a vida do 
sertanejo, mas, também, atuando sobre o seu espírito, 
sobre a sua estrutura mental, sobre sua conduta social. 
(...) Nenhuma calamidade é capaz de desagregar tão 
profundamente e num sentido tão nocivo a 
personalidade humana como a fome quando alcançada 
os limites da verdadeira inanição.” Josué de Castro. In: Geografia da 
Fome. 
INTRODUÇÃO 
 
O Nordeste é uma das cinco macrorregiões do 
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 
apresentando uma superfície de 1.554.257,004 km², 
ocupando cerca de 18,2% do território nacional, o que 
lhe assegura a posição de terceira região em extensão 
territorial do país, atrás do Norte e do Centro-Oeste e 
bem maior que o Sul e o Sudeste. 
As últimas estimativas do IBGE apontam para um 
crescimento demográfico no qual a população da região 
atingiu, em 2009, o número de 53.591.197 habitantes. 
 
ESTADOS ÁREA (km²) POPULAÇÃO 
MARANHÃO 331.983,293 6.367.138 
PIAUÍ 251.529,186 3.145.325 
CEARÁ 148.825,602 8.547.809 
R. G. DO NORTE 52.796,791 3.137.541 
PARAÍBA 56.439,838 3.769.977 
PERNAMBUCO 98.311,616 8.810.256 
ALAGOAS 27.767,661 3.156.108 
SERGIPE 21.910,348 2.019.679 
BAHIA 564.692,669 14.637.364 
Fonte: IBGE, 2009. 
 
É composta por nove estados – Maranhão, Piauí, 
Ceará, Rio Grande do Norte (incluindo o Atol das 
Rocas), Paraíba, Pernambuco (incluindo o arquipélago 
de Fernando de Noronha e o arquipélago de São Pedro 
e São Paulo), Alagoas, Sergipe e Bahia –, sendo assim a 
região que apresenta o maior número de estados. 
Porém este Nordeste, enquanto região e posto da 
forma como se encontra, não é uma área cristalizada, 
ela apresentou inúmeras alterações ao longo dos anos 
até atingir a atual configuração. 
 
 
 
Está situado entre os paralelos de 01° 02' 30" e 
18° 20' 07" de latitude sul e entre os meridianos de 34° 
47' 30" e 48° 45' 24" a oeste do meridiano de Greenwich. 
Limita-se a norte e a leste com o Oceano Atlântico; ao 
sul com os estados de Minas Gerais e Espírito Santo e a 
oeste com os estados do Pará, Tocantins e Goiás. 
Contudo, a consciência de uma “unidade 
territorial” construiu-se apenas no século XX. Ela foi, em 
grande parte, fruto das mitologias existentes em torno de 
sua região que foram criadas pelas elites aliadas a figura 
da mídia. 
 
GEOGRAFIA DO NORDESTE – BNB Profs.: Italo Trigueiro / Joanilson Jr. 
 
 
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O PRECONCEITO CONTRA O NORDESTINO 
 
“O Nordeste, como recorte espacial, como uma 
identidade regional à parte, nem sempre existiu, como 
faz crer quase toda a produção artística, literária e 
acadêmica contemporâneas, que normalmente se 
referem ao Nordeste como este tendo existido desde o 
período colonial; os portugueses já teriam desembarcado 
no Nordeste e teria sido esta a área onde primeiro se 
efetivou a implantação da colonização portuguesa, com 
o sucesso da produção açucareira. Esta designação 
Nordeste para nomear uma região específica do país, 
tendo pretensamente uma história particular, só vai 
surgir, no entanto, muito recentemente, na década de 10 
do século XX. Antes, a divisão regional do Brasil se fazia 
apenas entre o Norte, que abrangia todo o atual 
Nordeste e toda a atual Amazônia e o Sul que abarcava 
toda a parte do Brasil que ficava abaixo do estado da 
Bahia. Por isso, ainda hoje, os nordestinos são 
comumente chamados de nortistas em São Paulo ou em 
outros estados do Sul e do Sudeste e os moradores 
destas regiões dizem que vão passar férias no Norte, 
para se referirem ao Nordeste. Isto indica, também, que 
a criação da idéia de Nordeste e, conseqüentemente, da 
idéia de ser nordestino, surgiram nesta própria área, 
foram produzidas pelas elites políticas e pelos letrados 
deste próprio espaço, não foi uma criação feita de fora, 
por membros das elites de outras regiões. O sentimento, 
as práticas e os discursos regionalistas que irão dar 
origem à região que conhecemos, hoje, como Nordeste, 
emergiram entre as elites ligadas às atividades agrícolas 
e agrárias tradicionais, como à produção do açúcar, do 
algodão ou ligadas à pecuária, mesmo que muitos 
destes vivessem nas cidades, exercessem profissões 
liberais ou fossem comerciantes, de parte do então 
chamado Norte do país, no final do século XIX. Este 
regionalismo, como vimos, é fruto da própria forma como 
se constituiu o Estado Nacional brasileiro, 
caracterizando, por um lado, pela centralização das 
decisões, e por outro, por sua presença episódica e sua 
incapacidade de dar soluções para os problemas que 
afetam os interesses das elites de certas áreas do país, 
notadamente daquelas que representavam áreas que 
eram ou se tornaram periféricas do ponto de vista 
econômico ou que ficavam distantes do centro das 
decisões políticas.” JÚNIOR, Durval Muniz de Albuquerque. Preconceito 
contra a origem geográfica e de lugar: as fronteiras da discórdia. São Paulo: Ed. 
Cortez, 2007, p. 90. 
OCUPAÇÃO 
 
As primeiras mudas de cana chegaram ao Brasil 
com Martim Afonso de Sousa, em 1531. Em pouco 
tempo a lavoura canavieira foi introduzida na Zona da 
Mata nordestina. Na segunda metade do século XVI, a 
região nordeste da colônia havia se firmado como o 
centro da empresa agrícola. O açúcar produzido nos 
engenhos era transportado por rios ou em carros de boi 
até os portos exportadores – Recife e Salvador. A 
maioria dos navios era de origem portuguesa, porém, os 
comerciantes eram holandeses que refinavam e 
negociavam o produto. A empresa agrícola implantada 
pelos colonizadores no século XVI fincou-se no litoral. 
O século XVII marcou a expansão pastoril e a 
exportação de fumo nas receitas coloniais. O tabaco 
produzido principalmente no Recôncavo Baiano e em 
Alagoas era exportado para o mercado europeu, além de 
servir como moeda de troca com os aparelhos negreiros 
da costa africana. Com o sucesso comercial do açúcar 
na Europa, houve um aumento da área de cultivo e as 
terras de pasto diminuíram substancialmente. O gado foi 
expulso das terras nobres da zona litorânea e ganhou os 
sertões. 
O século XVIII marca a decadência da região 
nordeste do país e a era do ouro nas Minas Gerais, no 
sudeste brasileiro. Na segunda metade do século XIX, o 
comércio do café se tornou o núcleo das relações no 
Brasil, confirmando a hegemonia econômica da região 
centro-sul do país. 
 
ECONOMIA COLONIAL NORDESTINA – SÉC.XVI 
 
 
FAE. Atlas histórico escolar. São Paulo: 1993, p.15. 
 
O Nordeste concentra um conjunto de mitologias

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