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Nessahan Alita   Como lidar com mulheres (Ed. 2008)

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o que a observação l iv re de preconcei tos tem me reve lado a té o momento (e es tou 
abe r to e modi f icar es ta concepção desde que me provem) . Sendo ass im, o homem que f a la em 
tom de comando não as es tá agred indo emociona lmente mas a tendendo a uma so l ic i t ação. 
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casamento são procurados os bons, fiéis, honestos e trabalhadores. Logo, a 
melhor parte muitas vezes é destinada aos que não prestam e a pior é 
destinada aos politicamente corretos. 
Movidas pelo desejo inconsciente de manter o maior número possível 
de machos desejando-as, para criar um clã matriarcal, as fêmeas elaboram 
sofisticadas estratégias psicológicas para se exporem ao desejo masculino 
sem serem responsabilizadas. A grosso modo, podemos dividir os machos 
procurados em dois tipos: o provedor e o amante. Lutam incessantemente 
para submeter a todos e quando se deparam com um que não se submete, 
este se torna um grande problema emocional. Os que se submetem servem 
para serem provedores, maridos, e os que não se submetem servem para 
serem amantes, recebendo carinho, amor e sexo de boa qualidade. 
A auto-estima de muitas mulheres é definida pela quantidade de 
machos que a desejam e perseguem. Necessitam sentirem-se desejadas 
(ALBERONI, 1986; NIETZSCHE, 1884-1885/1985), razão pela qual 
incessantemente criam mecanismos para se exporem ao desejo e se 
esquivarem da fúria dos machos que já conquistaram. Desejam ser 
perseguidas para que possam repudiar o perseguidor e contar isso a todos, 
chamando a atenção para seu poder de fascinar e atrair. São violentamente 
atingidas no sentimento quando descobrem de modo inequívoco que seus 
favores sexuais e afetivos são rejeitados. Necessitam pressupor 
continuamente que serão perseguidas. O macho inacessível torna-se um 
problema e, simultaneamente, objeto de maiores esforços no sentido de 
seduzir para submeter. A inacessibilidade desencadeia tentativas de 
sedução. A fêmea rejeitada sai da inércia e se mobiliza para virar o jogo e 
se vingar porque foi violentamente atingida no amor próprio. Normalmente, 
a maioria das fêmeas heterossexuais que, por algum motivo, são 
explicitamente evitadas por um homem e o percebem, tentam em seguida 
uma aproximação motivadas pelo desejo de vingança, pela necessidade de 
levantar a auto-estima e de não ficar “por baixo” das demais que receberam 
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a atenção e gentilezas deste. Se enfurecem e se irri tam terrivelmente porque 
o desejo insatisfeito de rejeitá-lo e, ao mesmo tempo, não serem rejeitadas 
as traga vivas por dentro16. 
O carinho feminino não é uma retribuição ou um reflexo automático 
do amor masculino mas uma estratégia para conquista e aprisionamento. É 
por isto que é direcionado àqueles que não as amam. É, igualmente, 
desviado dos apaixonados e submissos. O carinho, o amor e a dedicação são 
ferramentas para aprisionamento. Logo, se você quiser recebê-los 
ininterruptamente, terá que manter-se em um estado intermediário, a "um 
passo da submissão" sem nunca se entregar realmente. Nosso erro consiste 
em acreditar na mentira de que carinho e amor são reflexos de nossos 
sentimentos mais sublimes. Quanto mais as agradarmos, menos os 
receberemos. 
Para que sua esposa ou namorada se mantenham fiéis, precisam sentí-
lo quase preso mas continuamente inacessível, além de vê-lo como único e 
diferente dos demais. Se o prenderem de fato, partirão para a conquista de 
outro macho superior a você. 
O macho inacessível é um obstáculo ao impulso acumulativo 
constante que visa ampliar a quantidade de possíveis protetores e 
provedores no estoque. É por isso que a fêmea se detém nele, tentando 
vencê-lo e mantendo-se fiel enquanto não for capaz de submetê-lo. 
O razão do desejo de acumular protetores/provedores é uma 
necessidade inconsciente de segurança contra possíveis abandonos futuros. 
Neste sentido, elas não sentem o menor escrúpulo em usar os sentimentos 
alheios porque o fazem inconscientemente, negando veementemente para si 
mesmas ou para qualquer pessoa tais ardis. 
 
16
 Es ta tendênc ia inconsc ien te lhes é ex t remamente pre judic ia l por que as impe le a persegui r 
aqueles que as re je i tam e , ao mesmo tempo, impede que se s in tam a t ra ídas por aque les que as 
amam e desej am. Se es tes ú l t imos despe r tassem v iolen tamente o dese jo femin ino , o encont ro 
dos sent imentos , t ão sonhado pela humanidade desde os pr imórd ios , se r ia poss íve l . Porém, sou 
incapaz de an teve r que conseqüênc ias i s so te r ia . 
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A necessidade de se sentirem desejadas as mobiliza para o clássico 
jogo de atrair e repelir, provocar e rejeitar. 
Pode parecer estranho, mas a combinação do medo com admiração e 
proteção formam uma mistura que incendeia o desejo feminino. Seja 
temível, admirável e protetor. Não me entenda mal: o temor a que me refiro 
é o temor da perda, de ser abandonada e trocada; é também o temor do peso 
de suas decisões; não é o temor de sua força física, embora esta também 
conte17. Não pense que estou sugerindo violência contra a mulher ou algo ao 
estilo. 
A despeito de todas as asneiras ditas em contrário, nossas amigas, no 
fundo, desejam que o homem exerça o domínio18. Os dominantes são os 
destinados a receberem seus tesouros, as delícias eróticas. 
 
17
 Pa ra p re jud ica r a re lação e torná- la p io r . 
18
 Re fi ro-me ao domínio da l i de rança , convergente com os dese jos e necess idades da mulhe r e 
não à coerção f í s ica ou ps ico lógica que se cont rapõe a es tes . Tra ta -se de um domínio l ideran te e 
consent ido , que a leva a sent i r - se pro teg ida e segura como uma c r iança . Para f ica r ma is c l aro: 
uma fo rma de domín io au tor i zado em que o homem ordena exa tamente aqui lo que a mulher 
necess i ta e o faz para o bem de la . A ten ta t iva de dominação coerc i t iva por par te do homem 
leg i t ima in fe rn izações emocionais por par te da mulher como forma de de fesa . O exerc íc io não 
consent ido ou egoís ta do poder mascul ino in tens i f ica os dramas emoc iona is e p iora a re lação . 
Quanto ao exe rc íc io consen t ido do poder , é o que consagra toda soc iedade democrá t ica (o casa l 
é uma fo rma de soc iedade) . O contrá r io d isso se r ia a anarquia . Sabe-se que todas as soc iedades 
humanas democrá t icas adotam o exe rc íc io consent ido do poder , possuem hierarquias e 
autor idades , as quai s exercem o domín io que lhes cabe . A recusa em exe rcer es t e domínio , por 
par te das autor idades , ca rac te r iza r ia uma omissão que p rovocar ia p ro tes tos e a té o caos socia l . 
É nes te sen t ido que a Bíb l ia ( I Cor ín t ios , 7 , 1 -40; I Pedro , 3 , 3 -7 e I T imóteo, 2 , 1 -15) o rdena 
às mulhe res que se jam su je i tas aos mar ido (e não em um sent ido opressor como in te rpre tam 
e rroneamente os in imigos do c r is t i an i smo) e p revê punições para o abuso de poder des te ú l t imo. 
O poder deve se r exerc ido cor re tamente , v i sando o bem comum (da soc iedade como um todo, da 
famí l ia ou do casa l ) por par te daquele que l ide ra . É sab ido que , na g í r ia popular , as mulhe res 
ro tu lam como “bananas” aqueles que se recusam a exercer o poder que lhes cabe na re lação a 
dois , pre fe r indo submeter -se e obedecer a parcei ra . Ass im, d izem, “ fu lano é um banana pois 
deixa que eu mande e desmande nele!” Es t a qua l i f icação dos submissos