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Nessahan Alita   Como lidar com mulheres (Ed. 2008)

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como “bananas” 
evidenc ia a sol ic i t ação de uma pos tu ra mascul ina dominante . É a es ta modal idade de domín io 
que me re f i ro em meus l iv ros e não ao domínio coerc i t i vo e nem opressor . É um domín io 
exe rc ido sobre a mulher , po r seus e fe i tos , mas an tes di sso é exerc ido sobre o ps iquismo do 
homem. As mulhe res são unânimes em a f i rmar que de tes tam se r l ideradas , mas se con tradizem 
quando tomam a t i tudes que in fe rn izam o homem submisso , so l ic i t ando domínio e l iderança , e 
quando se mos t ram v io len tamente a t ra ídas pe los l íde res e , de forma ge ra l , po r todos os homens 
que se des taquem como o cent ro do c í rcu lo soc ia l no qua l es tão inse r idas . É mui to ma is cômodo 
e seguro se r l iderado do que l i de ra r . Os r iscos e pe r igos da responsabi l idade pesam mui to ma i s 
sobre os l íde res do que sobre os l i de rados e es ta é uma das razões pelas qua is as mulhe res 
exigem o domín io mascul ino e sen tem desprezo pe los capachos . Ent re tan to , se a l ide rança for 
desas t rosa , aque le que a exerceu se rá in fe rnizado a té a be i ra da loucura . É um duplo peso : a lém 
de a rcar com o incômodo da l ide rança , aque le que l idera não pode cometer e r ros ao dominar e 
l idera r . 
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Quando um povo invade e conquista o território de outro, dominando-
o, as fêmeas do povo dominado se entregam ao povo dominador. O fazem 
não somente por serem obrigadas à força, como parece à primeira vista, mas 
também por se sentirem atraídas pelos machos que detém o poder. Isto pode 
ser comprovado ao se observar, por exemplo, como as brasileiras se 
comportam em relação a turistas norte-americanos ou europeus. O inverso 
não ocorre: as fêmeas do povo dominante não se sentem muito atraídas 
pelos machos do povo dominado. Excetuando-se os casos especiais, a 
tendência geral confirma minha hipótese. 
Nunca nos esqueçamos de que nossas deliciosas companheiras 
possuem uma relação contraditória com nosso phalus erectus : o temem mas 
simultaneamente dele necessitam para se sentirem desejadas (querem ser 
desejadas porque isto lhes garante proteção, eleva a auto-estima e as faz 
serem invejadas pelas rivais). Desta contradição derivam todos os 
comportamentos absurdos, desconcertantes e ilógicos em suas relações 
conosco, bem como suas naturais propensões à histeria e à oscilação que as 
leva a atrair para fugir e repudiar em seguida. Isto torna o desejo feminino 
extremamente difícil de ser compreendido, mapeado e descrito, até por elas 
mesmas19. Por isto, nunca leve a sério o que disserem. Salvo em casos 
excepcionais, se você se mostrar intensamente interessado, será repudiado 
ou evitado. Há nisso um objetivo muito claro: intensificar nossas paixões e 
nossos desejos para nos induzir à perseguição e à insistência para fazê-las 
se sentirem desejadas e curtirem a sensação de serem “as mais gostosas”. 
Somos desejados apenas para fecundar, dar proteção à fêmea, à sua 
prole e para a realização de tarefas perigosas, pesadas e difíceis. O sexo 
enquanto ato de prazer é uma simples retribuição a esta função. Fora destes 
campos, não somos necessários para mais nada. Nossa falta será sentida 
apenas se oferecermos estes benefícios e os tomarmos de vez em quando, 
como castigo por algum erro. Ou seja: sua parceira suportará imensamente 
 
19
 E is ou t ra p rova de que as caracte r ís t i cas descr i tas aqui são inconsc ientes . 
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sua ausência e não sentirá nenhuma saudade ou falta de sexo a menos que se 
veja exposta a algum perigo ou dificuldade. O apaixonado não é valorizado 
porque está sempre disponível. O mesmo vale para o assediador. 
Agrada-lhes muito rejeitar assediadores20. A rejeição é altamente 
gratificante por elevar-lhes a auto-estima. É por isto que se insinuam, 
simulando estarem interessadas, para nos rejeitarem amavelmente em 
seguida. Quando não podem rejeitar, ou seja, quando ninguém mais as quer 
por estarem “feias”(sic)21, tornam-se depressivas. Rejeitar ao invés de ser 
rejeitada é uma das insanas obsessões do inconsciente feminino. 
O desejo feminino não é o que se mostra à primeira vista, possui 
muitas nuances e contradições. Um engano muito divulgado é o de que 
seremos amados se tomarmos sempre atitudes agradáveis. Isto é apenas 
parte da verdade. Os cafajestes, por exemplo, tem suas atitudes 
unanimemente reprovadas por todas mas são amados, nadam em haréns. O 
que se passa? Simples: as atitudes são reprovadas enquanto aqueles que as 
tomam são cada vez mais amados exatamente por terem a coragem de 
desafiar a aprovação geral, inclusive a feminina. As atitudes do cafajeste, e 
também do homem amadurecido e verdadeiro, possuem diversas implicações 
sobre o inconsciente feminino. Não se guie apenas pelo que as pessoas 
dizem e assumem explicitamente. 
O inconsciente feminino não vê a bondade masculina como algo nobre 
que deva ser retribuído com amor fiel . A toma como um sintoma de 
fraqueza que precisa ser explorado para se obter benefícios pessoais e nada 
mais além disso. É por isto que os bajuladores submissos levam cornos: não 
 
20
 Não me re f i ro aos ps icopatas que assed iam sem serem provocados e ins i s tem consc ien temente 
cont ra os dese jos evidentes da mulher de mantê- los dis tan tes mas s im aos homens desas t rados 
que o fazem por ac redi ta rem que es tão agradando ou que tenham a lguma chance com a mulhe r 
dese jada . Geralmente ta l confusão ocor re por do i s mot ivos : a ) o assediador in te rpre ta 
e r roneamente os s ina is env iados pelo compor tamento feminino; b) a mulhe r env ia , 
p ropos i ta lmente ou não , s ina is indicando es ta r i n t eressada que mantêm, ass im, as esperanças do 
in fe l i z . 
21
 A soc iedade convenc ionou, in fe l izmente , que as mulhe res perdem a be leza à medida em que 
envelhecem e a té ho je se recusa a re la t iv iza r o be lo . 
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servem para nada além de trabalhar, prover e levar chifres. Ao assumirem 
um papel passivo na relação, comunicam que são exemplares inferiores22 da 
espécie, portadores dos piores genes e, portanto, inadequados ao 
acasalamento. Conseqüentemente, as fêmeas não sentem pelos mesmos 
nenhuma excitação sexual. Quando os submissos se casam, recebem apenas 
uma quantidade racionada de favores eróticos, o mínimo para não se 
rebelarem contra o adestramento. 
Muitas vezes as vemos extasiadas lendo romances água-com-açúcar e 
acreditamos por isto que os homens românticos correspondam ao ideal 
masculino que trazem na alma e ao qual desejam ardentemente se entregar. 
Isto é um erro: o romântico é um escravo emocional que dá amor sem 
recebê-lo e que não as completa. Ao lerem os romances, as leitoras se 
situam no papel da mocinha simples de pouca beleza que conquista e 
submete pelo amor o herói que está no topo de hierarquia masculina. É 
curioso notar que em tais romances o herói apaixonado satisfaz todos os 
sonhos absurdos23 da mocinha mas não tem seus sonhos satisfeitos pois é 
um simples servo. As leitoras se imaginam recebendo amor e não dando, 
como às vezes parece. Há nisso tanta perversidade e crueldade quanto na 
pornografia masculina pois as peculiaridades do sexo oposto são 
violentadas. O carinho e o sexo que os heróis dos contos românticos 
recebem são mínimos e o amor é assexuado ou apenas levemente sexuado. 
Não há pornografia. Os contos cor-de-rosa são contos de vitórias femininas 
na batalha do amor. São “épicos” neste sentido. 
A outra metade do