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Nessahan Alita   Como lidar com mulheres (Ed. 2008)

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problema não aparece nos contos românticos por 
ser inconsciente e é justamente a que nos interessa conhecer: as histórias 
em que vencemos as batalhas. A parte de nossa alma que as vence é fria, 
implacável, cruel, decidida, segura, objetiva e, ainda assim, protetora. Esta 
é a face que as domina. 
 
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 Tra ta -se de uma mani fes tação do processo de se leção na tu ra l desc r i to por Darwin. 
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 Po is o inconsc iente não segue o que convencionamos se r a lógica . 
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Há duas formas de frieza e domínio: a protetora e a exploradora-
opressora. A primeira as beneficia e é desejada por atender às necessidades 
biológicas e sociais da mulher. A segunda as atemoriza, provoca ódio e 
repulsa. Abusamos da segunda forma no passado24 e hoje sofremos as 
conseqüências terríveis. Somos odiados porque, quando tivemos o poder na 
mão, o utilizamos de forma errada. Só nos resta agora corrigir o erro. 
Domine-a25 para protegê-la, assuma o comando. 
A necessidade de serem protegidas está vinculada à necessidade de se 
sentirem próximas de um macho superior que lhes inspire um pouco de 
temor26. Gostam de olhar para cima e querem ser acolhidas no território de 
algum garanhão poderoso. As damas com alto poder de mando, que não 
obedecem a ninguém, a quem todos servem e se apressam em agradar 
(rainhas, princesas, grandes empresárias etc.) tendem a ser depressivas por 
não terem esta carência preenchida. 
Quando as damas afirmam que querem os bons, sensíveis, românticos, 
honestos, trabalhadores e sentimentais estão dizendo a verdade porém de 
forma parcial pois não revelam para que os querem. E para que os desejam? 
Para que as sirvam enquanto elas entregam seu coração, alma e sexo aos 
insensíveis e cafajestes. Os bons são desejados como bestas de carga 
provedoras que garantem a criação da prole mas jamais como reprodutores. 
A função reprodutora cabe aos maus, infelizmente, pois estes comunicam 
 
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 Es t e fo i o er ro do machismo ext remis ta . Ao fazê- lo , forneceu razões de sobra à rebe ld ia das 
mulheres . O resu l tado da evolução des te processo de abuso de poder fo i o nasc imento do 
femini smo. 
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 Pa ra ev i t ar qua isquer confusões , d i fe renc iemos to ta lmente o domín io da dominação . Nes te 
l iv ro , suger imos ao homem apenas o domín io de s i , da s i tuação que envolve a ambos os 
parce i ros , da re lação e , quando sol ic i tado e consent ido , da mulher (no sent ido puramente 
amoroso da pa lavra e em nenhum out ro – sou to ta lmen te con trá r io à dominação da men te a lheia 
com qua isquer f ins que se jam) . Es ta idé ia de domínio (e não de dominação) susc i tou mui t as 
cont rové rs ias . O domínio consent ido , t ra tado aqui , é na ve rdade resul tado natura l da renúncia à 
dominação coe rc i t iva . A dominação coe rc i t iva é opressora . Ao renunciarmos de fo rma comple ta 
e verdade i ra à dominação coerc i t iva , ges ta -se na mulhe r um sen t imento de vulne rab i l idade 
(despro teção) que a leva a so l ic i ta r inconsc ientemente pos turas mascul inas dominantes . Es t a 
sol ic i t ação se exte r ior iza sob a fo rma de compor tamentos p rovoca t ivos , desaf i adores e 
i r r i t an tes . I s so parece te r re lação com o complexo de Elekt ra ou , pe lo menos , es ta r de a lguma 
fo rma v incu lado à ques tão pa te rna . 
26
 Como acontec ia quando e la e ra c r iança em re lação ao pai . Novamente o mesmo complexo . 
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que são portadores dos melhores genes no sentido da sobrevivência animal, 
uma vez que não buscam o amor de ninguém para serem felizes27. Isto 
explica porque os vilões, mafiosos, famosos, empresários inescrupulosos e 
poderosos possuem tantas mulheres lindas. Explica ainda porque os bons 
maridos normalmente recebem apenas um mínimo em termos sexuais e 
porque as esposas não sentem por estes últimos grandes paixões ou 
excitações. 
Quando se trata de descobrir os desejos femininos para obter sucesso 
na conquista, há muitas mentiras, confusões e armadilhas. Uma armadilha 
muito conhecida é a de que devemos fazê-las rir para que se entreguem e 
nos amem. Segundo esta teoria absurda, aqueles que as fazem rir seriam os 
preferidos. Vou agora desmascarar esta mentira tão propalada. 
As damas realmente costumam dar especial atenção aos caras 
engraçados que as fazem rir e esta pode ser uma boa forma de se aproximar 
mas, se você se limitar a isso, será apenas um simples palhaço. Ela o usará 
como um comediante que não cobra pelo trabalho e não pagará um tostão. 
Como gostam muito de se aproveitar dos trouxas, explorando-os para 
obterem favores de graça, util izam os infelizes engraçadinhos para 
aliviarem suas crises de tristeza e depressão, oriundas de oscilações 
hormonais. Os palhaços gratuitos são usados e explorados pelas espertinhas 
do mesmo modo que outros tipos de trouxas, como aqueles tontos que se 
apressam em mandar flores, pagar bebidas, dar presentes, carregar sacolas, 
oferecer-lhes o assento em veículos públicos etc. sem receber nada em 
troca, muito menos o sexo. Pode ser bom fazer-se de imbecil para 
aproximar-se mas, uma vez que tenha obtido o contato, você precisa mudar 
de conduta para ir além ou acabará chupando o próprio dedo, para não dizer 
outra coisa... Para ser amado, é necessário não apenas fazê-las rir de vez em 
 
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 T ra ta -se de uma remin iscênc ia ances t ra l dos pr imatas hominídeos , ent re os quais o mai s 
poderoso e in te l igen te pa ra fazer f ren te ao mundo hos t i l e se lvagem e ra o melhor p ro te tor 
(DOBZHANSKY, 1968) . Suspe i to que v ida c iv i l izada tenha inve r t ido ou des toe o sen t ido do 
c r i t ér io se le t ivo feminino. 
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quando mas também, e talvez principalmente, fazê-las chorar com certa 
freqüência. 
A aparente contradição inerente ao desejo feminino, que na verdade é 
a simples ocultação de sua faceta mais importante, é o principal fator que 
nos deixa tão confusos e perdidos. O problema está em nós, em nossa 
equivocada visão a respeito do sexo oposto, e não nelas. As crenças 
absurdas que carregamos, inculcadas desde a infância, fazem-nas parecer 
incompreensíveis, incoerentes e absurdas aos nossos olhos mas, em 
realidade, a psique feminina segue uma lógica (completamente diferente 
daquela que imaginamos) e é totalmente compreensível. As damas não são 
incompreensíveis como querem, muitas vezes propositalmente, parecer.28 
 
 
 
28
 Há uma i log ic idade apa rente e uma i log ic idade rea l . Ambas podem ser ou não ser 
inconscien tes e in tenc iona is . Há casos em que a mulhe r que r apenas pa rece r i lóg ica sem sê- lo 
de fa to , mas não es tá conscien te de ta l dese jo . Nes te caso, a i log ic idade se rve a uma meta 
lógica ma is p rofunda . Há ou t ros casos em que e la é rea lmente i lóg ica . Es te ú l t imo caso resu l ta 
de desejos cont rad i tór ios e mutuamente exc ludentes . Mas em ambos os casos podem haver 
res íduos var iáve is de consc iência . Não podemos sabe r nada sobre a consc iênc ia imed ia ta do 
out ro . 
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6. As torturas psicológicas 
As fêmeas espertinhas "atormentarão" (provocarão e irritarão)1 os 
machos que não souberem exercer o domínio2 por meio de uma frieza 
protetora, de uma vontade poderosa e de uma severidade extrema3. Sentem 
grande satisfação ao criarem quebra-cabeças