A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
249 pág.
Nessahan Alita   Como lidar com mulheres (Ed. 2008)

Pré-visualização | Página 13 de 50

e jogos emocionais; se 
comprazem em nos observar sofrendo enquanto tentamos desarticulá-los. 
Quando nos vêem no sufoco, desesperados para sair das tramas psicológicas 
que criam, ficam felizes e podem medir nossa persistência para, assim, 
avaliar até que ponto conseguiram nos fascinar, pois buscam a continuidade 
unilateral do encontro amoroso. Tenha sempre a razão no seu lado para não 
cair de cabeça no precipício. 
O aprimoramento desta habilidade de ferir emocionalmente inicia-se 
no começo da adolescência, quando as meninas tendem a substituir 
agressões físicas por palavras: 
“Aos t reze anos, ocorre uma reveladora diferença entre os sexos: as meninas se 
tornam mais capazes do que os meninos de planejar ardilosas tát icas agressivas como, 
por exemplo, i solar os outros, fazer fut r icas e cometer v ingancinhas diss imuladas. Os 
meninos, em geral , cont inuam br iguentos, ignorando a ut i l ização de es tra tégias mais 
sut is . Essa é apenas uma das mui tas formas como os meninos – e , depois , os homens – 
são menos sofis t icados que o sexo oposto nos atalhos da vida afet iva .” (GOLEMAN, 
1997, p. 145) 
A inteligência emocional da mulher é mais desenvolvida do que a do 
homem, por ser ela encorajada a encarar e a falar sobre suas emoções desde 
a infância (GOLEMAN, 1997). Isso lhes confere uma sofisticada habilidade 
de nos atingir nos sentimentos, tanto para o bem quanto para o mal. Um 
exemplo da má instrumentalização desta forma de inteligência pode ser 
visto quando a mulher descobre que um homem, antes considerado especial, 
 
1
 Essas " tor turas" são uma das expressões do amor sádico descr i to por Fromm (1976). 
2
 Ref i ro -me ao domín io emocional que resu l ta na tura lmente da renúncia mascu l ina a toda forma 
de dominação coe rc i t iva . 
3
 Re f i ro -me à seve r idade que o homem deve exe rce r sobre s i mesmo pa ra educar sua vontade. 
 49
é na verdade um simples mortal comum. Ela então se desencanta e perde o 
interesse. Desiludida, passa a detestá-lo e a atormentá-lo psicologicamente 
(ALBERONI, 1986/sem data): 
“É então tomada de i rr i tação, de cólera. Evade-se nas fantas ias . Ao mesmo 
tempo, vinga-se com gestos rot ineiros que i r r i tam o homem, deixam-no exasperado. 
Conhecendo seus gostos e desejos, a t inge-o de modo cont ínuo, obsess ivo. É um r i tual de 
ódio, ao qual se dedica com o mesmo afinco que dedicava ao do amor” (p. 78) 
Portanto, a fragilidade feminina é inegável no âmbito físico mas não 
no âmbito emocional em sua totalidade (CREVELD, 2004), ao contrário da 
crença generalizada na cultura popular. No campo da relação a dois, muitas 
fêmeas humanas não são nem um pouco delicadas ou frágeis, são poderosas, 
impiedosas e jogam sujo4. Entretanto, devemos aceitar tais características 
como instintivas e naturais, sem nos revoltarmos. 
Elas possuem grande poder magnético (LÉVI, 1855/2001) para 
provocar sentimentos negativos no macho. Se este for emocionalmente 
fraco, com facilidade fazem-no cair em estados de ciúme, irritação, 
impaciência (JUNG, 1996) e, do mesmo modo, fazem-no sentir-se pequeno, 
como se fosse um pirralho (ALBERONI, 1986/sem data). Estas influências 
são atuações do animus, a parte masculina do inconsciente feminino, sobre 
a anima, que é a parte feminina do inconsciente masculino (JUNG, 1979; 
JUNG, 1995). Você já deve ter visto aquelas situações engraçadas em que 
as mulheres em grupo riem de um homem solitário para fazê-lo sentir-se 
pequeno (ALBERONI, 1986/sem data). Se ele não for emocionalmente forte 
o bastante para devolver o fluxo magnético, retrocederá momentaneamente 
à infância. Adoro desarticular essa manipulação sentimental simplesmente 
devolvendo-lhes um sorriso sarcástico enquanto as fito nos olhos por 
bastante tempo até que elas fiquem intrigadas a respeito dos meus motivos e 
comecem a me encher de perguntas. Então me retiro sem responder, 
vitorioso. 
 
4
 Por mot ivações inconsc ien tes já que o inconsc ien te não obedece às reg ras mora is . 
 50
Por serem psicológicas, as estratégias femininas de ataque e 
retaliação raramente são admitidas. Ocultam-se muito bem dos olhos 
comuns que apenas sabem enxergar o externo, o físico. Não obstante, são 
altamente eficazes na indução do sofrimento alheio. 
 O segredo para se defender de todas as artimanhas femininas de 
manipulações e torturas mentais/emocionais consiste em não nos 
identificarmos com as estratégias da mulher, isolando-a em seus próprios 
atos caprichosos e contraditórios. Para tanto, é imprescindível não estar 
apaixonado, o que se consegue somente por meio da morte dos egos. Então 
ela realizará seus jogos sozinha e sorverá toda a loucura que tentou 
introduzir em nosso coração. Tal poder é conseguido quando rompemos com 
a identificação por meio do forte trabalho de eliminação do 
sentimentalismo. Também convém olhá-la como uma “vadia”5 até prova em 
contrário, já que em nossa moderna civilização ocidental, com seus 
costumes "avançados", poucas se salvam. Há espertinhas que se fingem de 
"santinhas" por vários anos. 
 A capacidade de resistir aos enfeitiçamentos e encantamentos 
femininos é um dos pré-requisitos dos heróis míticos, os quais resistem aos 
temores e atrativos, não permitindo que os desejos e temores lhes roubem a 
alma e turvem a consciência. Por uma simples questão de saúde espiritual e 
sobrevivência emocional, o homem deve reconciliar-se com os padrões 
masculinos retratados nos mitos (JUDY, 1998). Uma vez que tenhamos 
conseguido tal independência, devemos observar a fêmea, aguardando para 
saber quanto tempo resistirá em suas tentativas de nos enfeitiçar e 
submeter. Temos que devolver-lhe o fardo que insistentemente tenta ser 
lançado sobre nossas costas, ou seja, deixá-la realizar todo o trabalho 
pesado e apenas aguardar, até que lhe sobrevenha a extenuação. 
 
5
 No sen t ido dado pe los d ic ioná r ios Michael is (1995) e Auré l io (FERREIRA, 1995) . 
 51
Uma forma muito comum de torturar é por meio de atitudes suspeitas 
que provocam ciúmes. As etapas desse processo de tortura mental são as 
seguintes: 
1ª fase - A mulher se comporta como santa, dando carinho e sexo até 
que estejamos emocionalmente dependentes. Nesta fase ela finge não se 
interessar por mais ninguém, não dar atenção ou bola para nenhum outro 
homem. 
2ª fase - Após ter certeza de que mordemos a isca, estando bem 
presos pelo sentimento, a “vadia6” principia a ter atitudes suspeitas com 
relação a outros machos, de modo a lançar dúvidas em nossa mente para que 
se inicie um sofrimento por ciúmes. 
3ª fase - Quando protestamos com justa razão, ela nega 
terminantemente as intenções que estão por trás de tais atitudes 
visivelmente comprometedoras, alegando inocência, indignação, tristeza 
etc. chorando lágrimas de crocodilo e insistindo nas mesmas atitudes em 
seguida. 
Por esta estratégia, a fêmea consegue prolongar indefinidamente o 
sofrimento do macho. A utiliza com maior ou menor intensidade, de acordo 
com as concepções de mundo e a disposição que possuem para lutar contra 
os próprios instintos malignos. Note que o fundamento da tortura é o 
sentimento de apego e paixão. A despeito de todas as suas tentativas de se 
desvencilhar e se debater inutilmente, ela não deixará de torturá-lo com tais 
jogos a menos que sinta que você se desapaixonou de verdade. Este é o 
segredo. Quanto mais apaixonado, mais submetido aos joguinhos infernais 
você estará. 
Experimente mostrar-se intensamente ciumento e carente ao telefone: 
sua parceira alegará algum