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Nessahan Alita   Como lidar com mulheres (Ed. 2008)

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pretexto qualquer e desligará em seguida para 
 
6
 No sen t ido dado pe los d ic ioná r ios Michael is (1995) e Aurél io (FERREIRA, 1995) . 
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mantê-lo neste estado durante os próximos dias. É que elas gostam de nos 
ver assim, desesperados, porque isso lhes dá um mórbido prazer associado à 
sensação de que há um trouxa que as esperará por toda a vida. Entretanto, 
esta modalidade de prazer não as preenche enquanto mulheres e você será 
considerado um macho secundário e desinteressante caso se mostre assim, 
um mero sobressalente guardado de reserva para o último caso. O primeiro 
da lista será aquele que não der muita bola sem se deixar polarizar na 
frieza. Se você cometeu este erro de ser ciumento, para corrigí-lo é 
necessário desfazer a crença que foi criada. Este padrão comportamental 
feminino de afastar-se quando o macho está enciumado ou carente também 
pode ser muito útil quando você estiver de saco cheio e quiser sossego por 
alguns dias: basta simular uma cena assim e você será deixado em paz. Mas 
não se esqueça: se com o passar dos dias você não confirmar com sinais 
adicionais a crença que induziu, sua companheira virá desesperada atrás de 
você. 
Outra forma comum de infernizar nossa mente é marcar encontros e 
não comparecer. Para destroçar este joguinho, nunca se esqueça de marcar 
um teto para os horários dos encontros e nunca fique esperando feito um 
idiota após o prazo ter findado. Prazos as desconcertam por serem acordos 
definidos explicitamente para ambas as partes que encurralam suas mentes, 
impedindo-as de se movimentarem nas indefinições. 
Há ainda uma engenhosa estratégia feminina que consiste em não 
manifestar cuidados e negar o carinho para induzir o macho a manifestá-los. 
Em praticamente todos os jogos psicológicos torturantes 
encontraremos indefinições e contradições que visam confundir. Os vemos, 
por exemplo, naquela que flerta para fugir em seguida, naquela que inicia 
uma discussão levantando pontos críticos e se evade antes que os mesmos 
sejam esclarecidos, naquela que toma a iniciativa de telefonar e em seguida 
se comporta como se quisesse desligar logo o telefone etc. A intenção é 
deixar questões importantes no ar, sentimentos mal resolvidos. 
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Em síntese, os mecanismos de tortura consistem em atiçar nossa 
dúvida, nosso impulso sexual e nossos sentimentos amorosos ao máximo 
mas nunca satisfazê-los. Quando resolvem satisfazê-los, o fazem por se 
sentirem ameaçadas7, movidas pela idéia de que estão perdendo o domínio, 
mas mantendo a expectativa de que mais à frente poderão nos lançar na 
insatisfação prolongada novamente. O desejo erótico e o sentimento de 
amor (entendido aqui como apaixonamento e apego) são normalmente as 
principais ferramentas usadas, sendo as demais raramente empregadas a não 
ser em associação direta com estas ou em casos excepcionais. A excitação 
não satisfeita promove um estado de desconforto que pode ser prolongado 
ao máximo. É por este motivo que o ódio, a rejeição ou a indiferença reais 
por parte do homem as atemoriza: as tornam impotentes. O ódio não é 
recomendável8. A indiferença9 sim e esta pode ser conquistada quando 
eliminamos todos os egos relacionados com paixão, apego, luxúria, afeto 
etc. 
Como meio de defesa, pode ser conveniente desmascarar os joguinhos 
algumas vezes. Mas isto deve ser feito no momento exato em que estiverem 
acontecendo e de um modo que a encurrale e não permita nenhuma evasiva. 
A melhor maneira de desmascaramento que encontrei foi simplesmente 
apontá-los convictamente no exato instante em que estiverem sendo 
aplicados, de modo a surpreender e não permitir a negação. Sua desatenção 
será aproveitada contra você. Por isto, esteja alerta para flagrar e 
denunciar de forma impiedosa, cruel10 e implacável11 todas as artimanhas, 
mentiras e manipulações. O fundamental é estar alerta, pronto para 
 
7
 Em seu poder sobre nós 
8
 Faço ques tão de subl inha r e s ta recomendação . O ódio é o r igem de inúmeras ps icopatologias e 
aqueles que o cu l t ivam, independentemente de es ta rem ou não com a razão, condenam-se a v iver 
o in fe rno na a lma . O s is tema ne rvoso e o s is tema imune se in f luenc iam rec iprocamente 
(GOLEMAN, 1997) , o que faz com que emoções negat ivas , t a i s como o ód io , a l te ram a 
qua l idade e a i n t ens idade da re s is tênc ia corpora l , p rovocando doenças . Um es tudo no Reino 
Unido reve lou que as des i lusões amorosas aumentam o índice de doenças ca rdíacas (BUSTV, 
2007) 
9
 Nos casos em que i s so se jus t i f i ca pe la tenta t iva da ou t ra pessoa br inca r com os nossos 
sent imentos . 
10
 Ou se ja , sem de ixar -se d i ssuadi r por man ipulações sent imenta is . 
11
 O que é mui to ma is nobre e não é covarde como o a to agredi r . 
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desmascarar com a velocidade de um raio. Se a denúncia for adiada, se 
transformará em mera discussão e a oportunidade terá sido perdida. Não 
deixe jamais o desmascaramento para depois porque não surtirá o mesmo 
efeito devido às artimanhas femininas para evasão dos problemas da relação 
amorosa. O problema aqui consiste no fato de que somos lentos, por sermos 
mais racionais, enquanto nossas amigas são velozes por se moverem e se 
motivarem apenas por sentimentos12. Para superar esta deficiência de 
velocidade, basta que nos acostumemos a esperar o pior13. Deste modo, 
estaremos um passo à frente, adiantados na percepção das artimanhas 
alheias. 
Normalmente, os joguinhos ficam inibidos quando as deixamos saber 
que os estamos esperando. Enquanto nossas companheiras sentem que 
estamos aguardando seus truques, evitam utilizá-los. 
O sofrimento psicológico do ser humano, seja homem ou mulher, é 
algo real porém inimputável. É inimputável porque subestimamos o aspecto 
psíquico da vida, considerando-o "subjetivo". Isto significa que o ato de 
atormentar emocionalmente o próximo não é considerado crime do ponto de 
vista legal14, fato que as favorece muito pois não podemos denunciá-las 
pelas torturas amorosas. O contínuo emprego destas torturas se deve, em 
parte, ao ódio ancestral que possuem contra nós15 e, em parte, à necessidade 
de nos testarem. 
Observe uma roda de mulheres e você as verá condenando, 
ridicularizando e satirizando o masculino, jamais enaltecendo. Você nunca 
 
12
 A in te l igência emoc iona l é mui to ma is ráp ida do que a in te lec tua l e as mulhe res supe ram os 
homens nesse campo . O int e lec to é le rdo , re ta rdatár io . Logos é uma função predominante no 
homem e Eros a função predominante na mulher ( JUNG, 2002) . 
13
 De ou t ra forma, ta lvez ma is ace r tada , poder íamos d ize r : esperar tudo , tan to no que se re fe re 
ao bem como no que se re fe re ao ma l , ou en tão não espe ra r nada , o que é quase a mesma co isa . 
A agress iv idade é uma função inconsc ien te humana na tura l (FREUD, 1913/1974) em suas vár ias 
moda l idades . Todos os se res humanos agr idem, a inda que não sa ibam disso ou não ace i t em. 
14
 I s so já não é a tua lmente ma is vá l ido pa ra a lguns pa íses . Ent re t an to , as l e i s a inda não 
reconhecem a v io lênc ia emocional amorosa perpe t rada por mulheres cont ra homens , mas apenas 
por homens cont ra mulhe res . É um ref lexo do p reconce i to genera l izado cont ra o gênero 
mascul ino (CREVELD, 2004) . 
15
 Que se re lac iona es t re i tamente ao complexo da inve ja do Pênis (Freud) .