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Nessahan Alita   Como lidar com mulheres (Ed. 2008)

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ca ract er ís t ica que t enho obse rvado mui to em nossos tempos e uma das razões 
p r incipa is pel as quais os casamentos não duram ma is . A out ra razão pr inc ipa l é a i nsa t i s fação 
do homem, que valor iza as mulhe res pe la beleza e pe lo desempenho sexua l . 
11
 Ref i ro-me às cont rad ições au tên t icas , que es tão fo ra do poder de cont ro le consc ien te , e não às 
cont rad ições aparen tes , a lgumas das quais são s imuladas in tenc iona lmente , a lgumas vezes de 
fo rma consc iente e ou t ras de forma inconsc ien te . 
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80. Detestam adaptações12. 
 
12
 Da í a impor tância de não forçá - l as . Re je i ta r mudanças é uma carac te r ís t ica do ego . 
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2. As etapas do trabalho de encantamento de mulheres refratárias e 
arredias 
 
Para os homens bons que ainda não encontraram uma parceira 
adequada e não sabem o que fazer, darei agora algumas dicas. O faço 
unicamente para ajudar os bons, já que elas demonstram preferir os maus1. 
Entretanto, que fique claro que este não é um livro sobre sedução. Estas 
dicas são apenas para que os desfavorecidos possam fazer frente aos 
preferidos e os ultrapassem na acirrada competição pelas fêmeas. 
O trabalho de encantar possui três grandes etapas. Na primeira, não 
temos contato algum com aquela que desejamos possuir. Na segunda, 
conseguimos o contato mas as intenções não estão reveladas. Na terceira, as 
intenções estão reveladas. A sedução de desconhecidas pertence à primeira 
etapa. A amizade pertence à segunda. Todas as relações que acontecem após 
declararmos o que queremos pertencem à terceira. Vamos estudar a 
primeira. 
A linha mestra que guia todo o trabalho de encantamento é o 
estreitamento da intimidade mesclado à indiferença e ao desinteresse. 
Fixe seu olhar em uma mulher qualquer que seja exageradamente 
“bonita”, metida, esnobe e pouco inteligente. Você a verá desviando-o. O 
que estará ocorrendo nestes instantes é uma rejeição, uma recusa oriunda de 
pensamentos em seu petulante cérebro de perua2. O que ela estará 
pensando? É fácil adivinhar: que você é apenas um idiota a mais como 
qualquer outro, que não possui nada interessante pois, se assim não fosse, 
estaria com alguma potranca ao lado e desprezaria todas as demais. Logo, é 
perda de tempo ficar paquerando deste modo pois as damas que 
 
1
 Fo i El iphas Lév i (1855/2001) quem pr ime i ramente me chamou a a tenção para es te fa to . 
2
 Devolvo, ass im, as p rovocações de Karen Sa lmanshon (1994) que nos compara , em seu l iv ro 
in te i ro , a cães que devem se r domes t icados (e la o faz de forma expl íc i ta e l i te ra l ) . Apesa r de 
tudo , es tou me re fe r indo somente às mulheres fú te is , aquelas que cos tumam despreza r os 
 21
corresponderão serão apenas as muito “feias” e chatas3 que se sentem 
rejeitadas e não as melhores4. Somente as desesperadas aceitam homens 
assediadores. 
As mais desejáveis mantêm a guarda continuamente fechada e não 
adianta tentarmos penetrar. O que se deve fazer é levá-las a abrirem a 
guarda por vontade própria. Para permitir a abertura, você deve transmitir 
rejeição ou indiferença5. Deve encontrar um modo silencioso de dizer-lhe, 
como se não quisesse fazê-lo, que ele é desinteressante e que você não a 
nota. Para tanto, basta ignorar sua presença, evitando olhar para seu corpo e 
rosto. Mas isso não é tudo. 
Uma vez que tenha procedido assim, você a terá incomodado, como 
poderá notar pelos seus gestos e movimentos (mexer os cabelos, 
movimentar-se mais, mexer na roupa, falar alto para ser notada etc.). 
Começará a ser observado, com a visão periférica ou focal. Surpreenda-a, 
cumprimentando-a de forma ousada, destemida, antes que haja tempo para 
pensar e olhando nos olhos de forma extremamente séria porém ainda assim 
com certa indiferença. Se conseguir flagrá-la te olhando, não haverá outra 
saída além de corresponder ao seu cumprimento. O contato terá sido 
estabelecido. Em seguida, se quiser principiar uma conversa, fale em tom de 
comando, com voz grave, e sempre atento a “contragolpes” emocionais, 
brincadeirinhas de mau gosto, cinismo etc. Se perceber abertura, faça as 
investidas mas com o cuidado de não ir além ou aquém do permitido. Se a 
barreira ainda continuar em pé, isto é, se a mulher ainda assim manter-se 
fechada, não dando nenhum sinal de abertura para uma investida, discorde 
 
homens s ince ros , e não às demais . L imi to a inda es t a observação exc lus ivamente ao campo 
amoroso e não a es tendo pa ra ou t ros campos . 
3
 Segundo as convenções socia i s . Como a be leza não ex is te de um ponto de vi s ta obje t ivo , 
entenda-se por “ fe ias” aquelas que não se cons ideram a t raen tes ao ponto de desprezar e 
desdenhar do amor s incero dos “des in te ressantes” ou “apagados” . 
4
 Segundo as mesmas convenções soc ia i s . A soc iedade moderna supervalor iza a be leza feminina 
e culpa somente os homens por i sso . Mas em verdade , as mulheres que se o lham no espe lho e se 
cons ideram “boni tas” mui t as vezes são as pr ime i ras a despreza rem e se sent i rem super iores às 
mulheres e homens comuns . 
5
 Não se t ra ta de s imular mas de adqui r i r um es tado in te rno de neut ra l idade ve rdade i ra que se 
reve la rá em suas a t i t udes . 
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de suas opiniões, provoque uma discussão mas não termine. Então ofereça 
um número de telefone ou e-mail para continuá-la, dando prazo de espera. 
Em casos extremos, é necessário impressioná-la muito, 
“horrorizando-a”6 de forma calculada. Não vá “horrorizá-la” de qualquer 
modo: impressione-a da forma correta, para que o resultado não seja um 
desastre. Uma boa forma de marcar-lhe a imaginação para que fique 
pensando em você por um bom tempo é assumir-se como machista 
(esclarecido, consciente, pacífico e protetor, é claro) pois seus rivais 
sempre fingirão7 que são feministas para agradar. O que interessa aqui é 
sobressair-se como um cara diferente, seguro, que não teme mostrar suas 
convicções8 e que não precisa de ninguém. A respeito deste pormenor, 
Eliphas Lévi nos diz o seguinte: 
"Aquele que quer fazer-se amar (a tr ibuímos ao homem somente todas es tas 
manobras i legí t imas, supondo que uma mulher náo tenha necess idade delas) deve, num 
pr imeiro momento, insinuar-se e produzir uma impressão qualquer na imaginação da 
pessoa que é obje to de sua cobiça. Que lhe cause admiração, assombro, terror [sic] e 
mesmo horror 9 se não dispõe de outro recurso. Mas é preciso , por qualquer preço, que 
aos olhos dessa pessoa se des taque dos homens comuns e que ocupe, de bom grado ou 
por força, um lugar em suas lembranças, em seus temores ou ainda em seus sonhos. Os 
Lovelace não são certamente o ideal confessado das Clar ices , mas elas pensam 
constantemente neles para censurá- los, para maldizê- los, para se compadecer de suas 
ví t imas, para desejar sua conversão e seu arrependimento. Logo desejarão regenerá- los 
 
6
 O pr ime i ro autor que mencionou es ta es t ra tég ia da “hor ror ização” , pe lo que me lembro, fo i 
E l iphas Lévi . Vár i as vezes pense i em subs t i tu i r es te te rmo, pe las confusões que pode susc i ta r , 
mas a inda não