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Disbiose

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A microbiota intestinal é considerada um ecossistema essencialmente bacteriano 
que reside normalmente nos intestinos do homem, exerce o papel de proteção, 
impedindo o estabelecimento de bactérias patogênicas que geralmente são 
ocasionadas pelo desequilíbrio da microbiota. 
 
Alterações nesse ecossistema bacteriano intestinal podem ocorrer por diversos 
fatores, internos ou externos ao hospedeiro, incluindo o tipo de parto, a alimentação, 
o uso de antibióticos, de prebióticos e de probióticos, fatores genéticos, idade, 
estresse, entre outros. O desequilíbrio ocasionado por esses fatores se reflete na 
modificação desta microbiota, ocorrendo diminuição de bactérias benéficas e 
aumento de patógenos, caracterizando um quadro de disbiose (ZHANG et al., 
2015). 
 
Esse desequilíbrio da microbiota pode levar a perda de efeitos imunes normais 
reguladores na mucosa do intestino, sendo associada a um número de doenças 
inflamatórias e imuno-imediata. Obter uma homeostase adequada durante o 
momento de colonização do trato gastrointestinal é um dos principais elementos 
para a modulação do sistema imune adequada e indução da tolerância imunológica. 
 
O não funcionamento desse sistema é a grande causa de doenças autoimunes ou 
atópicas (SATOKARI et al., 2014; FRANCINO, 2014). A disbiose apresenta um 
agravante quando associada com outros distúrbios, como aumento da 
permeabilidade intestinal, a constipação intestinal. Em uma microbiota anormal, a 
quebra dos peptídeos e reabsorção de toxinas do lúmen intestinal, ocorre de 
maneira inadequada, induzindo o surgimento de patologias pelo não funcionamento 
das funções da microbiota intestinal (ALMEIDA et al., 2009) 
 
 
TERAPIA NUTRICIONAL/PRESCRIÇÃO NUTRICIONAL/TRATAMENTO 
 
Existem basicamente duas formas de se tratar esse distúrbio, sendo uma pela 
abstinência de certos alimentos da dieta, e outra à base de alimentos funcionais. Em 
casos severos faz-se necessário lavagens colônicas (hidrocolonterapia), o que 
possibilita a drenagem linfática do cólon, através da eliminação de conteúdos 
putrefativos do intestino. 
 
Os probióticos e prebióticos atuam de forma incisiva e positiva no restabelecimento 
da microbiota intestinal, pois estes promovem o estímulo do sistema imune 
(ALMEIDA et al., 2009). A junção entre prebióticos e probióticos constituem os 
simbióticos, essa união promove uma ação com maior efetividade. As 
Bifidobactérias, galactooligossacarídeos, frutooligossacarídeos e os Lactobacillus 
são exemplos de compostos que conferem benefício à saúde, eles têm a 
capacidade de equilibrar a microbiota por provocar uma melhora na implantação e 
na sobrevivência dos microrganismos benéficos, resultando no equilíbrio dos 
microrganismo intestinais, acarretando em uma série de efeitos positivos para o 
trânsito intestinal. 
 
 
Além disso, favorece a passagem do bolo fecal durante a evacuação, diminuindo a 
absorção de glicose, e os níveis de colesterol, reestruturando a mucosa intestinal e 
consequentemente evita o surgimento de doenças ,bem como a redução da 
translocação bacteriana, por diminuir a incidência de infecções sistêmicas. 
 
 
 
Um importante fator no tratamento da disbiose diz respeito à alimentação, na qual o 
paciente deve passar por uma reeducação, evitando o consumo exagerado de 
carnes vermelhas, leite e derivados, ovos e alimentos processados. O excesso na 
ingestão de carboidratos aumenta a fermentação pelas bactérias no intestino 
grosso, enquanto que o de proteínas produz putrefação aumentada. 
 
A má absorção de carboidratos e proteínas no intestino delgado pode permitir que 
esses nutrientes cheguem ao intestino grosso, o que leva à formação de gases em 
excesso ou substâncias tóxicas através da ação bacteriana, comprometendo a 
microbiota benéfica. A ingestão de grandes quantidades de lactose e açúcares pode 
causar flatulência e diarreia, o que também prejudica a microbiota. 
 
A dieta do paciente com disbiose deve consistir em alimentos ricos em FOS, pois 
estes têm influência significativa na prevenção de doenças inflamatórias intestinais. 
Ao aderir a uma dieta alimentar, bem como introduzir a administração de nutrientes 
essenciais, como produtos ricos em prebióticos e probióticos, o paciente trata a 
disbiose, pois com isso, há o reparo da mucosa intestinal, por meio da eliminação 
de patógenos, alérgenos alimentares e xenobióticos (BARROS NETO et al., 2011; 
SOUZA et al., 2010) 
 
 
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