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GUIA DO USUÁRIO PARA A SCID-5-CV
1.\u2002Introdução
A Entrevista Clínica Estruturada para os Transtornos do DSM-5 (SCID-5) é um guia de en-
trevista para a realização dos principais diagnósticos do DSM-5 (anteriormente diagnos-
ticados no Eixo I). Ela é aplicada por um clínico ou por um profissional da saúde mental 
treinado que esteja familiarizado com a classificação e com os critérios diagnósticos do 
DSM-5 (American Psychiatric Association, 2013). Os sujeitos da entrevista podem ser 
pacientes psiquiátricos ou de outras especialidades médicas \u2013 ou indivíduos que não se 
identificam como pacientes, como sujeitos de um levantamento comunitário de doenças 
mentais ou familiares de pacientes psiquiátricos. A linguagem e a cobertura diagnóstica 
fazem a SCID-5 ser mais adequada para o uso com adultos (com idade de 18 anos ou 
mais); contudo, com uma ligeira modificação na redação das perguntas, ela pode ser 
usada com adolescentes. O indivíduo mediano deve ser capaz de compreender a lingua-
gem da SCID-5. Alguns indivíduos com prejuízo cognitivo grave, agitação ou sintomas 
psicóticos graves não poderão ser entrevistados com a SCID-5. Isso ficará evidente nos 
primeiros 10 minutos da aplicação da seção Visão Geral, e, nesses casos, a SCID-5 pode 
ser utilizada como uma lista de verificação diagnóstica e como uma árvore de decisão, 
com informações diagnósticas obtidas de outras fontes.
A SCID-5 pode ser usada de várias maneiras:
 \u2022 Para assegurar que todos os principais diagnósticos do DSM-5 sejam sistema-
ticamente avaliados. Por exemplo, a SCID é frequentemente usada como parte 
de procedimentos de admissão em contextos clínicos e para ajudar a assegurar 
uma avaliação diagnóstica forense abrangente.
 \u2022 Para selecionar uma população de estudo. Por exemplo, em um estudo sobre 
a eficácia de um tratamento para a depressão, a SCID-5 pode ser usada para 
assegurar que todos os sujeitos do estudo tenham sintomas que satisfaçam os 
critérios do DSM-5 para Transtorno Depressivo Maior e que todos os sujeitos 
com uma história de qualquer Transtorno por Uso de Substâncias nos últimos 
12 meses sejam excluídos.
 \u2022 Para caracterizar uma população de estudo em termos de diagnósticos psi-
quiátricos atuais e passados. Por exemplo, os dados diagnósticos obtidos por 
meio da entrevista SCID-5 podem ser usados por pesquisadores, profissionais, 
legisladores, entre outros, que estejam interessados na prevalência e nas estima-
tivas de incidência de transtornos psiquiátricos entre certas populações (p. ex., 
adultos nos Estados Unidos).
 \u2022 Para melhorar as habilidades de entrevista dos estudantes das profissões re-
lacionadas à saúde mental, incluindo psiquiatria, psicologia, serviço social psi-
quiátrico e enfermagem psiquiátrica. Por exemplo, a SCID-5 pode proporcionar 
aos estudantes/estagiários um repertório de perguntas úteis para extrair infor-
mações de um paciente, as quais serão a base para fazer julgamentos sobre os 
critérios diagnósticos. Por meio das repetidas aplicações da SCID-5, os estudan-
tes/estagiários se familiarizam com os critérios do DSM-5 e, ao mesmo tempo, 
incorporam perguntas úteis ao repertório de entrevista.
Para as últimas informações sobre a SCID-5, incluindo traduções disponíveis,* 
versões assistidas por computador, materiais de treinamento que incluem vídeos e 
* N. de R.T. A tradução da SCID-5-RV foi realizada pelo grupo de pesquisadores do Departamento de Neurociên-
cias e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Riberão Preto da Universidade de São Paulo, sob 
a liderança dos Professores Doutores Flávia de Lima Osório, José Alexandre de Souza Crippa e João Paulo Macha-
do de Sousa com a autorização da American Psychiatric Association. Este grupo está desenvolvendo, no momento 
da publicação desta obra, o estudo de confiabilidade desta versão para o contexto brasileiro. 
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2\u2003\u2003GUIA DO USUÁRIO PARA A SCID\u3735\u373CV
testes de conhecimento da SCID, bem como revisões/correções de erros, visite o site 
da SCID: www.scid5.org.
2.\u2002História da SCID
A publicação do DSM-III, em 1980, revolucionou a psiquiatria ao incluir critérios 
diagnósticos específicos para praticamente todos os transtornos mentais (American 
Psychiatric Association, 1980). Antes disso, havia diversos conjuntos de critérios 
diagnósticos, como os Critérios Feighner (Feighner et al., 1972) e os Critérios Diag-
nósticos de Pesquisa (RDC; Spitzer et al., 1978), alem de entrevistas estruturadas 
projetadas para a realização de diagnósticos de acordo com esses sistemas (Endicott 
e Spitzer 1978; Helzer et al., 1981). Em 1983, começou-se a trabalhar na elaboração da 
SCID como um instrumento para fazer diagnósticos do DSM-III em resposta à ado-
ção dos critérios do DSM-III como a linguagem-padrão para a descrição de temas 
de pesquisa. A SCID incorporou diversos recursos que não estavam presentes em 
instrumentos anteriores e que facilitariam seu uso na pesquisa psiquiátrica, como a 
inclusão de uma seção de Visão Geral, a qual permite que o paciente descreva o de-
senvolvimento do episódio atual da doença, e uma estrutura modular, a qual permi-
te que os pesquisadores eliminem a consideração de classes diagnósticas principais 
que sejam irrelevantes aos seus estudos.
Em 1983, o National Institute of Mental Health reconheceu a necessidade de um 
procedimento clínico de avaliação diagnóstica para a realização de diagnósticos do 
DSM-III e publicou uma Solicitação de Proposta para desenvolver esse procedimento. 
Com base no trabalho-piloto com a SCID, foi feito um contrato para desenvolver ainda 
mais o instrumento. Em abril de 1985, o Biometrics Research Department (Departa-
mento de Pesquisas Biométricas) do New York State Psychiatric Institute (Instituto 
Psiquiátrico do Estado de Nova York) recebeu uma subvenção de dois anos para fa-
zer testes de campo com a SCID e determinar sua confiabilidade em diversos grupos 
diferentes de sujeitos clínicos e não clínicos (Spitzer et al., 1992; Williams et al., 1992). 
Depois da publicação do DSM-III revisado (DSM-III-R; American Psychiatric Associa-
tion, 1987), a SCID para o DSM-III-R foi publicada pela American Psychiatric Press, 
em maio de 1990 (Spitzer et al., 1990a, 1990b).
O trabalho para a revisão da SCID para o DSM-IV (American Psychiatric As-
sociation, 1994) começou no outono de 1993. As versões preliminares da revisão fo-
ram testadas por pesquisadores interessados durante o segundo semestre de 1994. 
A versão final da SCID para o DSM-IV foi produzida em fevereiro de 1996. Diversas 
revisões da SCID se sucederam; a mais abrangente delas foi feita em fevereiro de 
2001, quando a SCID foi atualizada para o DSM-IV: Texto Revisado (DSM-IV-TR; 
American Psychiatric Association, 2000).
O trabalho de revisão da SCID para o DSM-5 começou em 2012. A multi-
plicidade de mudanças nos conjuntos de critérios do DSM-5 (American Psychia-
tric Association, 2013) exigiu o desenvolvimento de muitas perguntas novas para a 
SCID, bem como ajustes para o algoritmo desse instrumento. Também, aproveitou-
-se a oportunidade para revisitar todas as perguntas e fazer modificações até mesmo 
na redação dos itens de critério que não mudaram no DSM-5. As revisões das ver-
sões preliminares foram realizadas pelos membros do Grupo de Trabalho do DSM-5 
e experimentadas por usuários experientes da SCID durante a primeira metade de 
2013, e os testes de campo da SCID-5 começaram no final de 2013. A versão final da 
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VERSÕES DA SCID\u2003\u20033
SCID para o DSM-5 foi submetida para publicação na American Psychiatric Associa-
tion Publishing em agosto de 2014.*
3.\u2002Versões da SCID
A SCID foi originalmente elaborada para ser um documento único que pudesse ser 
usado tanto por pesquisadores quanto por clínicos.