Escrever melhor  guia para passar os textos a limpo   Alerte Salvador
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Escrever melhor guia para passar os textos a limpo Alerte Salvador


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Pré-visualização37 páginas
Copyright	©	2008	Dad	Squarisi	e	Arlete	Salvador
Todos	os	direitos	desta	edição	reservados	à
Editora	Contexto	(Editora	Pinsky	Ltda.)
Capa
Antonio	Kehl
Diagramação
Gustavo	S.	Vilas	Boas
Revisão
Dad	Squarisi
Arlete	Salvador
Daniela	Marini	Iwamoto
	
Dados	Internacionais	de	Catalogação	na	Publicação	(CIP)
(Câmara	Brasileira	do	Livro,	SP,	Brasil)
Squarisi,	Dad
Escrever	melhor	:	guia	para	passar	os	textos	a	limpo	/	Dad	Squarisi,	Arlete	Salvador.	\u2013	2.	ed.	\u2013
São	Paulo	:	Contexto,	2013.
	
Bibliografia
ISBN	978-85-7244-518-4
	
1.	Arte	de	escrever	I.	Salvador,	Arlete.	II.	Título.
	
08-00616 CDD-808.0469
Índice	para	catálogo	sistemático:
1.	Arte	de	escrever	:	Português	:	Técnica	de	redação	808.0469
	
2013
EDITORA	CONTEXTO
Diretor	editorial:	Jaime	Pinsky
Rua	Dr.	José	Elias,	520	\u2013	Alto	da	Lapa
05083-030	\u2013	São	Paulo	\u2013	SP
PABX:	(11)	3832	5838
contexto@editoracontexto.com.br
www.editoracontexto.com.br
Para	meus	pais,	Hind	e	Youssef	Abi	Chahine,
e	minha	irmã	Houda,	que	foram	na	frente.
Dad	Squarisi
	
Para	os	Fagundes,	minha	família.
Arlete	Salvador
Sumário
Apresentação
Parte	I
O	que	é	passar	a	limpo
Facão	e	pé	de	cabra
Palavra	perfeita
Ingredientes	do	blá-blá-blá
Anatomia	da	frase
Paralelismo
Partículas	de	transição
Centopeias	e	labirintos
Coerência
Trilhos	das	ideias
Ponto	de	partida:	o	parágrafo
As	estações:	desenvolvimento	do	parágrafo
Falhas	dos	parágrafos
Ponto	final
Parte	II
Pontos	&	Cia.
Vírgula,	a	discreta
Ponto	e	vírgula,	o	sofisticado
Dois	pontos,	o	abre-alas
Travessão,	o	realce
Parênteses,	a	desqualificação
Aspas,	o	urubu	do	texto
Ponto,	o	sedutor
Resumo	da	ópera
Verbo,	o	senhor	da	fala
O	paradigma
A	origem
Filhotes	do	presente	do	indicativo
Filhotes	do	pretérito	perfeito
Filhotes	do	infinitivo
Os	outros
Verbos	abundantes,	generosos
Voz	passiva
Pronomes,	calos	no	pé
Relativos,	os	dolorosos
Porquês,	o	quebra-cabeça
Demonstrativos,	nó	nos	miolos
Pronome	oblíquo,	o	bilíngue
Todo,	o	manhoso
Possessivo,	o	ambíguo
Parte	III
Ciladas	da	língua
Crase,	a	humilhação
Percentagem,	as	opções
Tempo,	sempre	ou	às	vezes
Palavras	que	confundem
Sobressair,	o	solitário
Milhão,	o	macho
Pedir,	o	jeitoso
Dado,	sem	discriminação
Redundâncias,	as	manhosas
Embora,	a	raivosa
De	+	eu,	o	elitismo
Em	face	de,	a	legítima
A	partir,	o	começo
Demais	x	de	mais,	o	excesso
Já	x	mais,	dois	bicudos
Em	vez	de,	vale	por	dois
À	medida	que	x	na	medida	em	que,	8	ou	80
Falar	e	dizer,	a	usurpação
A	nível	de,	a	praga	da	frase
Haver
Reaver,	o	filho	do	peixe
Chegar,	o	verbo	fiel
Quem,	o	gilete
De	encontro	x	ao	encontro,	os	opostos
Hora,	a	sem-sem
Enquanto,	a	usurpadora
A	par	x	ao	par,	a	diferença
Nome	próprio,	sem	privilégios
O	mais	possível,	olho	no	artigo
Meio	x	meia,	a	cilada
Flexão,	a	vez	delas
Afim	x	a	fim,	as	razões
Sigla,	a	moderninha
Implicar,	o	implicante
Artigo,	o	galo	da	concordância
Entre	x	dentre,	a	dúvida
Mais	bem	x	mais	mal,	a	meia	lição
Mais	grande	x	mais	pequeno,	as	comparações
Preposição,	a	vez	do	repeteco
Em	princípio	x	a	princípio,	a	diferença
Ex,	o	que	era
De	esses	e	zês,	o	macete
Família	-ear
Intervir,	a	cara	e	o	coração
Acontecer
Passo	a	passo	da	edição
Venham,	pontos
Abra	alas,	concisão
Salve,	salve,	clareza
Tchau,	tchau,	tchau
Sim,	sim,	sim
Adeus,	voz	passiva
Bem-vinda,	harmonia
Xô,	intrometidos
Caso	perdido
As	autoras
Apresentação
\u201cO	diamante	é	um	pedaço	de	carvão	que	saiu	bem	sob	pressão.\u201d
Anônimo
A	frase	passou	de	boca	em	boca,	caiu	no	gosto	do	povo	e	virou	sabedoria	popular:	escrever	exige
10%	de	 inspiração	 e	 90%	de	 transpiração.	 Sim,	 senhor,	 escrever	 é	 trabalho	 árduo,	 equivalente	 ao	 do
ourives.	 Textos	 passam	 por	 processos	 de	 lapidação	 como	 os	 diamantes.	 São	 cortados,	 aumentados,
transformados,	virados	pelo	avesso,	amassados,	condensados.	O	texto,	como	o	diamante,	só	brilha	depois
de	muito	apanhar.
O	ourives	do	texto	é	o	próprio	autor.	Ele	trabalha	sobre	o	diamante	bruto	das	redações.	Nas	grandes
editoras,	há	o	especialista	contratado	para	 ler	os	originais,	apontar	erros	gramaticais,	 incongruências	e
problemas	de	estilo.	Até	autores	consagrados	submetem-se	a	ele.
Estudantes,	jornalistas,	advogados,	executivos	e	outros	profissionais	que	usam	a	escrita	no	dia	a	dia
não	 costumam	 ter	 editores	 por	 perto.	 Eles	 próprios	 atuam	 como	 ourives.	 Leem,	 releem	 e	 reescrevem
dissertações,	 reportagens,	 teses,	 petições,	 e-mails,	 relatórios,	 documentos.	 Embora	 não	 se	 destine	 ao
grande	 público,	 a	mensagem	precisa	 chegar	 às	mãos	 dos	 chefes,	 professores	 e	 clientes	 com	 correção,
clareza	e	objetividade.
Este	 livro	 se	 destina	 aos	 que	 querem	 melhorar	 os	 textos.	 Eles	 encontrarão	 instrumentos	 de
aprimoramento	das	técnicas	de	redação.	Passar	a	limpo	é	a	segunda	etapa	do	processo	de	criação.	Muitos
autores	acreditam	até	que	o	verdadeiro	trabalho	começa	depois	de	concluída	a	primeira	fase.
É	o	momento	de	cortar,	ajustar,	mudar,	adaptar,	 transformar,	amassar,	socar,	chacoalhar.	Sempre	é
possível	encontrar	uma	palavra	mais	específica,	uma	estrutura	mais	precisa,	uma	frase	mais	objetiva.	O
potencial	de	melhoria	do	texto,	de	qualquer	texto,	é	infinito.
Mas	 como	 saber	 quando	 e	 onde	mexer?	 Este	 livro	 serve	 de	 guia.	Nele,	 apresentamos	 roteiro	 de
elementos	 lógicos,	 estilísticos	 e	 gramaticais	 que	 comprometem	 a	 qualidade	 da	 produção	 e	 indicamos
soluções.	Melhorar	 o	 texto	 significa	 deixá-lo	 conciso,	 objetivo,	 claro	 e...	 sedutor.	 Em	 suma,	 eficaz	 \u2013
garantia	de	que	o	recado	chegará	sem	ruídos	ao	destinatário.
Escrever	melhor	 tem	três	partes.	Na	primeira,	explicamos	o	que	é	editar.	Não	se	 trata	de	corrigir
erros	gramaticais	como	pode	parecer	à	primeira	vista.	Passar	a	limpo	é	reescrever	o	original	para	torná-
lo	fiel	à	ideia	do	autor.	São	comuns	os	casos	de	profissionais	desesperados	diante	da	tela	em	branco	do
computador:	\u201cNão	consigo	dizer	o	que	quero!\u201d,	esbravejam.
Nós	os	ajudaremos.	Apontamos	os	defeitos	mais	comuns	e	indicamos	soluções.	Entre	os	recursos	de
edição	estão	desde	a	substituição	de	locuções	por	apenas	um	termo	até	a	organização
dos	parágrafos.
A	segunda	parte	 traz	conteúdos	gramaticais	de	apoio.	Um	deles	é	a	pontuação.	Afinal,	 a	primeira
dica	para	tornar	a	frase	objetiva	e	clara	é	deixá-la	mais	curta	com	o	uso	de	pontos.	Tratamos	ainda	de
verbos	e	pronomes,	dois	temas	cheios	de	manhas.
Na	 rabeira,	 trazemos	 ciladas	da	 língua	 capazes	de	nocautear	 até	 renomados	 autores.	É	o	 caso	da
crase,	que	não	foi	feita	pra	humilhar	nin-guém,	mas	responde	por	mil	trapalhadas.	Finalmente,	sugerimos
modelos	editados	segundo	as	técnicas	apresentadas	nos	capítulos	anteriores.
Bom	proveito.
Parte	I
O	que	é	passar	a	limpo
\u201cSeparar	alhos	de	bugalhos	é	um	longo	caminho.\u201d
Sonia	Racy
Sargento	Getúlio,	 personagem	do	 escritor	 baiano	 João	Ubaldo	Ribeiro,	 é	 um	homem	mau.	Cruel.
Matador	profissional.	Um	dia,	conta	João	Ubaldo	no	livro	Sargento	Getúlio,	o	policial	é	escalado	para
levar	 um	 prisioneiro	 da	 Bahia	 até	 Aracaju.	 Durante	 o	 percurso,	 toma-se	 de	 tal	 ódio	 pelo	 cabra	 que,
quando	todos	os	palavrões	do	mundo	parecem	insuficientes	para	ofendê-lo,	cria	vocabulário	próprio.	E
desanda	 a	 xingar	 o	 prisioneiro	 numa	 língua	 particular,	 sem	 sentido,	 como	 animal	 enraivecido	 uivando
para	a	lua.
Quem	 nunca	 se	 sentiu	 como	 sargento	 Getúlio	 um	 dia?	 De	 mal	 com	 as	 palavras,	 brigado	 com	 a
gramática,	 incapaz	de	domar	o	próprio	 idioma?	Quem	nunca	 inventou	uma	 língua,	 como	ele,	 e	 acabou
uivando	para	a	lua?
Quer	 ver?	 A	 frase	 a	 seguir	 foi	 retirada	 de	 tese	 de	 doutorado	 sobre	 obesidade	 apresentada	 à
Faculdade