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LAPAROTOMIA EXPLORATÓRIA EM EQÜINOS: INDICAÇÕES E TÉCNICAS Dra. Robeta F. de Godoy-UNB

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de medicamentos via retal ou palpação retal por leigos.
3.2.4. O animal defecou?
Nos casos de obstrução do intestino grosso podemos verificar a ausência de defecação ou a presença de poucas cíbalas cobertas com muco.
Quando não há obstrução total do lúmen intestinal, a defecação permanece presente.
Em nenhum caso devemos considerar a defecação como um sinal absoluto de cura do animal!
3.2.5. O animal urinou?
O animal pode urinar pouco devido à desidratação.
É muito comum que a posição de micção que o animal adota e a pequena quantidade de urina sejam confundidas com cólicas renais, que são raríssimas nesta espécie.
3.3. Exame clínico
O exame clínico do paciente com cólica pode, juntamente com outros procedimentos, ser de grande importância no estabelecimento do diagnóstico específico do processo e permite uma avaliação segura da condição geral do paciente. 
Os sinais clínicos da cólica são óbvios, mesmo para um leigo. Mas, devido a grande variedade de causas de cólica e da resposta individual de cada animal, um diagnóstico específico deve ser buscado, para que se possa instituir um tratamento específico para cada caso.
3.3.1. Inspeção
O exame clínico deve ser iniciado pela observação do animal, procurando-se identificar a atitude do mesmo, as manifestações de dor, as modificações do formato do abdômen e a aparência externa.
Os sinais de dor são variáveis e podem incluir:
-“cavar” ou pateamento dos membros anteriores;
-olhar para o flanco;
-escoicear o abdômen com os membros posteriores;
-tentativas de deitar, levantando-se em seguida;
-adotar posição de micção repetidas vezes;
-decúbito prolongado;
-bruxismo;
-posição de cão sentado;
-atirar-se ao solo, rolar;
-sudorese;
-gemidos.
Devemos estar atentos à presença de edemas e escoriações de pele, que podem nos indicar a duração da cólica e que na verdade o processo é mais antigo do que se imagina.
O tipo de manifestação de cólica apresentado pelo animal e sua duração podem sugerir a afecção. As cólicas moderadas e intermitentes geralmente estão associadas a obstruções do intestino grosso, enquanto que as cólicas severas geralmente estão associadas a obstruções estrangulativas do intestino delgado ou sobrecarga gástrica.
Um cavalo que “brinca com a água” sem ingeri-la, com sinais leves de cólica, apresenta, na maioria dos casos compactação do cólon maior (flexura pélvica).
Outro aspecto importante é a alteração no formato do abdômen, que ocorre nos casos de compactação e/ou timpanismo do intestino grosso. De um modo geral, a distensão do flanco direito evidencia uma distensão de ceco, enquanto do lado esquerdo evidencia uma distensão de cólon maior esquerdo.
Também é importante observar a bolsa escrotal do animal para verificar se há alterações no formato da bolsa escrotal e no posicionamento dos testículos, pois nos casos de hérnias inguinais que irão conter segmentos do intestino, os testículos vão se encontrar retraídos ou a bolsa escrotal vai se apresentar com aumento de volume.
3.3.2. Temperatura
É importante observar a temperatura retal (termometria retal) e a temperatura das extremidades (orelhas e membros).
O achado mais comum nos casos de cólica é a temperatura retal normal (37,5(C a 38,5(C).
A temperatura abaixo do normal pode indicar choque severo, desidratação severa. 
A temperatura aumentada indica um envolvimento infeccioso ou atividade física excessiva.
Em relação à temperatura das extremidades, o encontro de extremidades frias indica hipovolemia e choque.
3.3.3. Freqüência cardíaca e respiratória
Normal: 	FC= 24 a 48 bpm (adultos)
		FR= 12 a 20 mpm (adultos)
Freqüências cardíacas aumentadas estão associadas à dor, hipovolemia, choque e endotoxemia. 
Quando a freqüência cardíaca é superior a 65 bpm, indica processos severos com desidratação e diminuição da perfusão.
De um modo geral podemos considerar que um animal que apresenta FC até 60 bpm é um candidato ao tratamento clínico, enquanto um animal quer apresenta FC de 60 a 80 bpm é um candidato à cirurgia. Freqüência cardíaca acima de 100 bpm geralmente é incompatível com a vida e geralmente o animal vem a óbito.
A freqüência respiratória aumentada é um indicativo de dor, choque e distensão abdominal.
3.3.4. Pulso
O pulso normal do cavalo é cheio e forte. No exame clínico devemos avaliar a freqüência e qualidade do pulso.
O local onde devemos aferi-lo é a artéria facial. Nos casos de pulso fraco a filiforme, o animal apresenta desidratação e choque, sendo acompanhado por extremidades frias.
3.3.5. Coloração das mucosas e TPC
Podemos avaliar as mucosas oral e conjuntival.
O normal são mucosas róseas levemente pálidas e TPC menor que 2 segundos.
Na fase inicial da cólica geralmente as mucosas se apresentam pálidas devido à dor que causa a liberação de catecolaminas e conseqüente vasoconstricção periférica.
Nos casos de endotoxemia as mucosas se apresentam vermelho escuro a vermelho tijolo, sendo que a mucosa oral pode apresentar um halo de mucosa cianótica ao redor dos dentes.
Quando o animal apresenta mucosas cianóticas (azuis ou arroxeadas) isto indica choque e casos terminais, sendo, muitas vezes, indicativa da necessidade de eutanásia.
O tempo de perfusão ou preenchimento capilar (TPC) é um indicativo da perfusão periférica e do estado de hidratação.
O normal é até 2 segundos. Quando o TPC está aumentado, variando de 2 a 4 segundos, indica desidratação moderada a severa. Quando o TPC é superior a 4 segundos indica um comprometimento severo da perfusão e choque.
3.3.6. Avaliação clínica da desidratação
De pose dos dados obtidos acima, associados à avaliação do turgor (prega) cutâneo e da umidade da mucosa oral, podemos estimar a porcentagem de desidratação do animal. Isto é muito útil a campo, quando não dispomos de um laboratório clínico para nos fornecer dados de desidratação mais precisos, ou para estimarmos a desidratação e iniciar a fluidoterapia enquanto os resultados laboratoriais não chegam. De um modo geral podemos estimar clinicamente a desidratação do seguinte modo:
Leve (5%):TPC de 2 a 4 seg./ elasticidade da pele diminuída.
Moderada (10%): TPC de 4 a 6 seg./ extremidades frias e mucosas secas.
Severa (15%): TPC> 6 seg./ sede intensa/ extremidades frias/ mucosas secas/ retração do globo ocular e depressão. 
3.3.7. Avaliação da motilidade intestinal (peristaltismo)
A avaliação da motilidade intestinal é realizada pela auscultação das fossas paralombares direita e esquerda. Para sabermos avaliar a motilidade intestinal de um cavalo com cólica é imprescindível que treinemos nossa audição em cavalos com motilidade intestinal normal, para então podermos avaliar se nosso paciente está com motilidade normal, hipomotilidade ou hipermotilidade.
Em um animal saudável, com as vísceras posicionadas corretamente, iremos auscultar os quatro quadrantes das fossas paralombares:
Fossa paralombar direita: 	-ventral: ceco
-dorsal: ceco
Fossa paralombar esquerda:	-ventral: cólon maior esquerdo 
-dorsal: intestino delgado e cólon menor
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Na ausculta intestinal podemos encontrar motilidade normal, atonia intestinal, hipomotilidade e hipermotilidade (cólicas espasmódicas).
A ausência de motilidade (atonia) é um indicativo importante da necessidade de cirurgia.
PROCEDIMENTOS LABORATORIAIS E ESPECIAIS
4.1. Avaliação laboratorial da desidratação
Quando temos um laboratório de patologia clínica a nossa disposição podemos realizar duas dosagens rápidas e simples, porém de grande importância na determinação do grau de desidratação. Estas dosagens são o hematócrito (HT) ou volume globular (VG) e a proteína total (PT).
Com estes dados podemos calcular a desidratação com mais precisão:
desidratação leve (6%): VG 50 %; PT 8g/dl;
desidratação moderada (8%): VG 55 %; PT 9 g/dl;
desidratação severa (10%):VG > 55%; PT > 9g/ dl.
4.2. Sondagem nasogástrica
A sondagem