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LAPAROTOMIA EXPLORATÓRIA EM EQÜINOS: INDICAÇÕES E TÉCNICAS Dra. Robeta F. de Godoy-UNB

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nasogástrica atua como uma forma de tratamento, pois o esvaziamento gástrico promove alívio da cólica. Além disto, a análise do conteúdo gástrico que sai da sonda nasogástrica tem uma importância fundamental na decisão clínica/cirurgia.
O material e o procedimento são simples e trazem informações úteis.
Material: sonda nasogástrica flexível, de preferência de silicone, e lubrificante (furacin, óleo vegetal ou mineral, água).
Procedimento:
-o cavalo deve ser contido com um cachimbo ou pito, preferencialmente em um tronco de contenção adequado. O auxiliar deverá se posicionar do lado contrário ao veterinário que irá passar a sonda;
-segura-se o focinho e abre-se a narina correspondente;
-introduz-se a sonda um pouco e então flexiona-se a cabeça do animal para que a sonda não vá para a traquéia;
-observa-se se o animal deglutiu a sonda;
-podemos observar a sonda passar dentro do esôfago na região cervical esquerda;
-progride-se a sonda até a mesma se localizar no estômago (odor de conteúdo estomacal).
OBS: devemos ter cuidado para não progredir a sonda em excesso e romper o estômago. Também devemos ter certeza absoluta de que a sonda não está na traquéia para não colocarmos água no pulmão do animal.
-após a colocação da sonda no estômago, iremos proceder a lavagem gástrica, que deve ser feita de preferência com água morna;
-colocamos água na sonda, o suficiente para que a água chegue ao estômago e então posicionamos a extremidade da sonda para baixo para que o conteúdo estomacal saia por sifonagem;
-medimos o pH do conteúdo estomacal e avaliamos seu aspecto;
-o estômago deve ser lavado até que saia muco pela sonda;
-a sonda deve ser mantida até o estabelecimento de um diagnóstico e também para a administração de medicamentos orais quando necessário.
O pH normal do conteúdo estomacal é ácido (3), assim, quando obtemos um conteúdo gástrico com pH elevado, saberemos que o animal está sofrendo de um refluxo intestinal, ou seja, o conteúdo intestinal está voltando para o estômago. Quando obtemos um conteúdo gástrico com pH elevado e volume maior que 4 litros, é indicativo de laparotomia exploratória.
Quando a sondagem nasogástrica é improdutiva e nem a água que colocamos volta, devemos lidar com a suspeita de ruptura gástrica, o que, se confirmada, indica a eutanásia.
4.3. Palpação retal
A palpação retal é outro procedimento especial importantíssimo na determinação da etiologia da cólica e na decisão clínica/cirurgia. Embora possamos avaliar apenas 30% dos órgãos abdominais por este procedimento, as informações que podemos obter são essenciais. Portanto, a palpação retal é um procedimento que deve ser rotineiro no exame do animal com cólica.
Material: luva de palpação retal e lubrificante
O animal deve ser bem contido, de preferência em um tronco de contenção, pois nem todos animais aceitam a palpação retal, principalmente quando estão sentindo dor. Se necessário podemos usar um tranqüilizante leve.
Na realização do exame retal devemos ser muito cuidadosos com a manipulação para não causarmos ruptura de alças intestinais ou de reto.
Estruturas palpáveis e sua localização em um animal saudável:
Lado direito: corpo e base do ceco; tênias do ceco.
Dorsalmente ao reto: aorta abdominal e seus ramos; artéria mesentérica cranial; alças do cólon menor; duodeno; rim esquerdo?; ligamento nefro-esplênico.
Lado esquerdo: baço; cólon maior dorsal e ventral; flexura pélvica.
Ventralmente ao reto: superfície peritoneal; alças do cólon menor; intestino delgado; útero e ovários; bexiga urinária; anéis inguinais.
A maioria das alterações verificadas na palpação retal são indicativas de cirurgia, são elas: distensão de alças de cólon maior, palpação de corpos estranhos no cólon menor, alças do intestino delgado distendidas, tênias cecais ou do cólon tensas, alças encarceradas no anel inguinal, baço aumentado e deslocado com alças encarceradas no ligamento nefro-esplênico, segmentos deslocados, compactação severa, principalmente.
4.4. Paracentese e análise do líquido peritoneal
A paracentese é a colheita o líquido peritoneal. É um procedimento simples e seguro e que nos traz informações importantes no diagnóstico e na decisão clínica/cirurgia.
Material:
Cânula mamária ou agulha 40x12
Lâmina de bisturi
Tubos com EDTA para armazenar o líquido peritoneal
Tricótomo
Luvas estéreis
PVPI tópico
Procedimento
-é realizada uma tricotomia e assepsia cirúrgica em uma área quadrada de aproximadamente 10 cm x 10 cm, caudal ao processo xifóide, na região mais ventral do abdômen (fig. 1);
-calçando luvas estéreis, o veterinário realiza uma estocada com a lâmina de bisturi na área central da tricotomia, na região da linha branca;
-esta incisão com o bisturi pode abranger a pele e uma parte da linha branca, mas não deve ser profunda o suficiente para entrar na cavidade abdominal;
-posiciona-se a cânula mamária (fig. 2) ou agulha (fig. 1) no local da incisão e a inserimos até adentrar na cavidade abdominal;
-geralmente o líquido peritoneal flui por gravidade e coletamos 5 a 10 mL em tubo com EDTA para envio ao laboratório para sua análise;
-a campo e mesmo no hospital, podemos avaliar de imediato a cor e o aspecto do líquido, o que já nos oferece informações importantes.
-Erros na paracentese: perfurar alça intestinal (quando se utiliza agulha) ou não atingir a cavidade abdominal (animais muito gordos) (fig. 1).
Líquido abdominal normal:
-amarelo claro e transparente, proteínas abaixo de 2,5% e leucócitos abaixo de 3000/μL
O uso de cânula mamária é preferível à agulha, pois a cânula é romba e não perfura acidentalmente a alça intestinal, também possui um comprimento maior.
Quando obtemos um líquido peritoneal sanguinolento a amarronzado, suspeitamos de obstrução estrangulativa, principalmente do intestino delgado.
A obtenção de conteúdo alimentar indica que já houve ruptura intestinal ou punção acidental na paracentese.
5. INDICAÇÕES DE QUE UM PACIENTE COM CÓLICA DEVE SER ENVIADO PARA A LAPAROTOMIA EXPLORATÓRIA
1- Dor severa/ incontrolável, que não passa com analgésico;
2-Refluxo gástrico: mais de 4 L e pH aumentado;
3-Exame retal: distensão de alças, presença de CE, deslocamento de segmentos;
4-Auscultação intestinal: ausência de borborigmas;
5-Líquido peritoneal: presença de hemácias, leucócitos acima de 3000/mm3, Proteína > 2,5%, aspecto turvo.
 
Na presença de um ou mais destes fatores, o animal deve ser monitorado para estabelecer se é um caso cirúrgico ou não lembrando sempre que “É preferível enviar um animal para a laparotomia sem necessidade do que demorar a mandar o animal para a laparotomia”.
6. AFECÇÕES CIRÚRGICAS
6.1. CLASSIFICAÇÃO DAS AFECÇÕES CIRÚRGICAS
A) Obstruções simples ( problemas de fluxo da ingesta. Inicialmente não há comprometimento da circulação (não estrangulante)
		-fecalomas
		-enterólitos 
		-compactações
		-sablose (acúnulo de areaia)
		-trico e fitobezoares
		-enovelados de vermes, etc.
Obstruções estrangulativas ( comprometimento circulatório grave com comprometimento do fluxo alimentar. Primeiramente venoso e depois arterial (hipovolemia).
		-torção
		-vôlvulos
		-intussuscepções
		-hérnia inguinal dos garanhões
C) Infarto não estrangulante ( sem interferência com o fluxo da ingesta, mas com comprometimento vascular grave.
		-aneurisma por S. vulgaris
6.2. OBSTRUÇÕES SIMPLES
Evolução mais longa;
Compactação: flexura pélvica, cólon menor e íleo;
Corpos estranhos: enterólitos, fito ou tricobezoares;
Hipertrofia do íleo: cólicas leves intermitentes, que ficam mais constantes e graves com o tempo até necessitar de cirurgia;
Deslocamento de cólon maior;
Enovelado de vermes (Parascaris equorum)
6.3. OBSTRUÇÕES ESTRANGULATIVAS
Evolução mais aguda;
Intussuscepções: 
-mais frequente no jejuno;
-fator predisponente: parasitismo por P. equorum