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LAPAROTOMIA EXPLORATÓRIA EM EQÜINOS: INDICAÇÕES E TÉCNICAS Dra. Robeta F. de Godoy-UNB

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ou Anoplocephala perfoliata;
-a de jejuno ocorre mais em potros (parasitismo);
-a intussuscepção ceco-cólica está associada ao parasitismo por A. perfoliata;
-a evolução é bastante aguda e o animal vem a óbito em 12 a 14 horas.
Encarceramentos:
No ligamento nefro-esplênico: cólon maior esquerdo;
No anel inguinal/hérnia inguinal do garanhão: jejuno e íleo, geralmente ocorre após a monta;
No forame epiplóico: jejuno;
Lipoma pedunculado: jejuno.
Vôlvulos/torções:
-Mais freqüente no jejuno, ceco e cólon maior;
-Muitas vezes são irreparáveis;
-Evolução aguda.
LAPAROTOMIA EXPLORATÓRIA
Definição: Consiste na abertura e posterior fechamento da cavidade abdominal.
Indicações: 	-Específica= quando o diagnóstico clínico já foi estabelecido; 
-Exploratória= o diagnóstico clínico é incerto; realiza-se a cirurgia visando estabelecer o diagnóstico e posterior tratamento de patologias cirúrgicas (vôlvulo, corpos estranhos, intussuscepção, compactações não corrigidas clinicamente).
LAPAROTOMIA EM EQUINOS
Vias de acesso: Laparotomia mediana
Indicações: Na maioria das intervenções exploratórias dos orgãos situados na cavidade abdominal, pois permite uma ampla visualização e adequado manuseio das vísceras.
Preparo cirúrgico: tricotomia abdominal ampla, sondagem nasogástrica e/ou tiflocentese (punção do ceco), quando necessários.
Técnica anestésica: anestesia geral inalatória
Posicionamento do animal: decúbito dorsal
Técnica cirúrgica propriamente dita:
Incisão na linha média, de aproximadamente 20 cm (podendo ser ampliada até 50 cm dependendo da necessidade), utilizando bisturi para incisão de pele e tesoura para incidir a linha branca ou alba, o tecido adiposo retro-peritoneal e o peritôneo. 
Exploração da cavidade abdominal: seguindo a anatomia e tendo como ponto de referência o ceco
Ceco
 Prega íleo-cecal Prega cecocólica
 Íleo Cólon ventral direito
 
 Jejuno Cólon ventral esquerdo
 Duodeno Cólon dorsal esquerdo
 
 Estômago Cólon dorsal direito
 
 Cólon Menor
Outras estruturas que devem ser avaliadas: diafragma, forame epiplóico, baço, bexiga, anéis inguinais, reto, artéria mesentérica cranial.
Correção das afecções intestinais:
-descompressão de gás, fluido ou ingesta;
-fragmentação manual de compactações ou fecalitos; 
-reposicionamento de alças intestinais deslocadas; 
-remoção de corpos estranhos, enterólitos ou fecalitos; 
-enterotomias, enterectomias (ressecção) e anastomose.
Instrumental adicional: clamps intestinais, aspirador cirúrgico, mesa de cólon, mangueira de água, etc.
Síntese da parede abdominal:
Feita em três planos:
1( plano= peritônio + gordura retro-peritoneal + linha branca com pontos simples separados, ponto simples contínuo ou Sultan com fio de boa qualidade e calibre apropriado. Nylon 0,60, Suturamid 4, poliglactina 910 3 ou ácido poliglicólico 2.
2( plano= tecido celular subcutâneo com padrão subcutâneo com poliglactina 910 0.
3( plano= pele, com pontos simples separados ou Wolff ou ainda ancorado de Ford ou simples contínuo, com nylon 0,60 ou suturamid 2.
Tratamento pós-operatório:
Antibioticoterapia:
Penicilina benzatina: 40.000 UI/kg – IM – a cada 48 horas + Gentamicina: 6,6 mg/kg IV – SID
Ceftiofur: 2 mg/kg IM BID
Curativo local:
Diário com iodo 2%
Fluidoterapia
Drogas estimulantes da motilidade intestinal
Tratar e/ou prevenir as principais complicações
Outros Cuidados: 
- monitorização constante do paciente (exame clínico completo)
- jejum até ausência completa de refluxo gástrico (verificado através da passagem de sonda naso-gástrica)
- jejum alimentar até restabelecimento da função intestinal. Iniciar a alimentação com volumosos (pasto) em pequena quantidade. O retorno com o concentrado (ração) deve ser gradual.
8. ENTEROTOMIA, ENTERECTOMIA E ANSTOMOSE
8.1. Enterotomia na flexura pélvica
	Realizada nos casos de compactação de flexura pélvica e/ou cólon maior para esvaziamento intestinal. Com o cólon maior posicionado na mesa de cólon, realizamos uma incisão na flexura pélvica, na face anti-mesentérica. Após a retirada de todo conteúdo colônico realizamos a síntese da flexura pélvica com fio poliglactina (vycril) 0, uma camada de Schimieden e uma de Cushing.
8.2. Enterotomia de cólon menor
	Realizada para retirada de corpos estranhos e em compactação de cólon menor. O procedimento é semelhante ao anterior, devendo a incisão ser realizada na tênia do cólon menor.
8.3. Enterectomia e anastomose
	Realizada nos casos de afecções isquemiantes, nas quais é necessário retirar um segmento intestinal. Na maioria dos casos envolve o jejuno. Ao realizar uma enterectomia devemos cuidar para que nenhum segmento fique sem suprimento sanguíneo. Após delimitar o segmento que será retirado, colocamos dois clamps intestinais para diminuir a contaminação da cavidade e ligamos os vasos sanguíneos que serão incididos. Com um bisturi fazemos uma incisão na alça, retirando a porção necrosada. A sutura deve ser realizada com vycril 0. O padrão utilizado pode ser simples contínuo, simples separado. Devemos suturar o mesentério com vycril 0 e padrão simples contínuo.
9. COMPLICAÇÕES
A laparotomia nos eqüinos é um tipo de cirurgia que apresenta uma grande chance de apresentar complicações pós-operatórias. As principais complicações são: evisceração, laminite, flebite da jugular, coagulação intravascular disseminada, contaminação da ferida e endotoxemia. Deste modo devemos estar atentos a qualquer sinal destas complicações para tratá-las o mais precocemente possível e, melhor ainda, instituir um tratamento preventivo.
10. REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
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AUER, J.A. Equine Surgery. Philadelphia:Saunders,1992. P.481-482
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WHITE, N.A. The equine acute abdomen. Pennsylvania: Lea & Febiger, 1990.
Cólon maior
Ceco
Ceco
ID e cólon menor
Ventral
Dorsal
Esquerdo Direito
Flexura pélvica