Fundamentos Geográficos do Turismo AP2
34 pág.

Fundamentos Geográficos do Turismo AP2


DisciplinaFundamentos do Turismo141 materiais6.207 seguidores
Pré-visualização24 páginas
Fundamentos Geográficos do Turismo \u2013 AP2 
Resumo: Aula 8: Geografia regional 
Região: um conceito 
O termo região deriva do latim regi e se à unidade político-territorial adotada pelo Império Romano para sua divisão 
interna. Sua raiz está no verbo regere, que significa \u201cgovernar\u201d, atribuindo, portanto, na concepção original de região, 
uma conotação eminentemente política. 
O termo região não faz parte exclusivamente das bases teóricas da ciência geográfica, fazendo parte do linguajar dos 
leigos neste assunto, neste caso considerados os homens comuns, cujo cotidiano habitual e profissional não exige o uso 
e a aplicação do conceito de região ou de outros conceitos da Geografia. 
O conceito de região está vinculado à noção fundamental de diferenciação de área, ou seja, a aceitação da ideia de que 
a superfície terrestre é constituída por áreas diferentes entre si. 
A utilização do termo entre os geógrafos, no entanto, não se faz de modo harmônico: ele é muito complexo. Queremos 
dizer que há diferentes conceituações de Região. Cada uma delas tem um significado próprio e se insere dentro de uma 
das correntes do pensamento geográfico. 
As principais correntes do pensamento geográfico ou paradigma (modelo adotado e compartilhamento por uma 
determinada comunidade científica. Tem sentido mais amplo que teoria, pois representa um conjunto de crenças e 
valores) da Geografia destacadas por Corrêa são: 
1. Determinismo ambiental: teria sido o primeiro paradigma a caracterizar a Geografia do final do século XIX, 
período caracterizado pela fase monopolista e imperialista do capitalismo. Os defensores do determinismo ambiental 
afirmam que as condições naturais, principalmente as climáticas, destacando a variação térmica no decorrer das 
diferentes estações do ano, são seriam profundamente determinantes no comportamento dos ser humano, interferindo 
em sua capacidade de desenvolvimento. As regiões são parcelas 
Da superfície terrestre dimensionada segundo escalas territoriais diversificadas e caracterizadas pela uniformidade 
resultante da combinação ou integração em áreas dos elementos da natureza. Uma região natural é um ecossistema 
onde seus elementos acham-se integrados e são integradas. 
2. Possibilismo e região: focaliza as relações entre o homem e o meio natural. Vidal de La Blache, afirmava que as 
relações do homem com a natureza eram bastante complexas, mas que a natureza deveria ser compreendida como 
fornecedora de possibilidades para que o homem a modificasse. Seria o homem o principal agente geográfico e não a 
natureza. De acordo com o Possibilismo, podemos pensar a região como uma parcela da superfície terrestre cuja ação 
humana a transforma a fim de satisfazer suas necessidades, construindo uma paisagem e interações próprias daquela 
região. Esta seria por La Blache como algo vivo, uma individualidade, ou mesmo uma personalidade geográfica. 
3. Nova Geografia e região: é definida como um conjunto de lugares onde as diferenças internas entre esses lugares 
são menores que as existentes entre eles e qualquer elemento de outro conjunto de lugares. Na divisão regional a partir 
da Nova Geografia, temos dois enfoques distintos, que não são excludentes. O primeiro define as regiões simples 
consideradas uma divisão regional de acordo com apenas um critério ou variável, originando, por exemplo, regiões de 
acordo com o tipo de relevo, ou o tipo de solo, ou a criação de bovinos. Já as regiões complexas levariam inúmeras 
variáveis ou critérios. Um exemplo pode ser a divisão de um país em regiões econômicas, onde se faz necessário basear-
se em critérios e variáveis como produção industrial, produção agropecuária, prestação de serviços e etc. o segundo 
enfoca as regiões homogêneas como parcelas da superfície terrestre cujas áreas agregadas a esta não apresentam 
significativa variabilidade dos critérios analisados, tais como clima, formação vegetal, densidade demográfica. As 
regiões funcionais são definidas de acordo com o fluxo de pessoas, informações, mercadorias, ideias sobre a superfície 
terrestre. Regiões que podem ser paisagisticamente muito diferentes. Em relação ao turismo, a região funcional é aquela 
que apresenta fluxo turístico receptivo e que um dos municípios que a compõe não tem atrativo nem fluxos turísticos 
receptivo, mas fornece produtos ou mão de obra para os demais municípios turísticos que compõem a região. 
4. Geografia Crítica e região: Geografia Crítica possibilita pensarmos região como uma dimensão espacial das 
especialidades sociais em uma totalidade espaço-social, capaz de opor resistência à homogeneização da sociedade e do 
espaço pelo capital monopolístico e hegemônico. Esta região seria uma resposta da sociedade, que dirige e organiza 
aquela parcela da superfície terrestre como forma de resistência, a fim de destacar justamento as diferenças. No turismo, 
podemos ter o surgimento de regiões espontâneas, a partir da percepção e integração das elites regionais, principalmente 
empreendedores do setor turístico, que muitas vezes, à revelia do poder público, estabelece uma região turística própria, 
a partir das singularidades percebidas e valorizadas pela referida elite regional, desvinculadas das singularidades 
destacadas pelo poder público, que estabelece a regionalização turística oficial. 
Regionalização no Brasil 
Enquanto a região se caracteriza como um conceito, apresenta um pressuposto epistemológico mais rigoroso e uma 
delimitação conceitual mais consistente, a regionalização se caracteriza como um instrumento geral de análise, um 
pressuposto metodológico que, a partir da diversidade espacial, propicia que qualquer parcela da superfície terrestre seja 
objeto de regionalização. A regionalização vincula-se a uma interpretação, a uma decisão política. As primeiras divisões 
regionais propostas para o Brasil foram baseadas somente em aspectos fisiológicos, ligados à natureza. Aos aspectos 
climáticos como: a vegetação e o relevo. Na época a natureza era considerada duradoura e as atividades humanas 
mutáveis. 
A divisão de 1970 continua em vigor. Apenas foram realizadas algumas adequações, como a fusão dos estados do Rio 
de Janeiro e da Guanabara, a criação dos estados do Tocantins e do Mato Grosso do Sul, além das transformações dos 
antigos territórios em estados, com exceção de Fernando de Noronha, que passou a integrar o estado de Pernambuco. 
Novas mudanças ocorrerão no futuro em relação à regionalização brasileira, pois muitos discordam da divisão da 
divisão regional oficial vigente. São três as regiões geoeconômicas ou complexas regionais, como: Amazônica; Centro-
Sul; Nordeste. 
Regionalização e turismo 
Em 2003 foi criado o Ministério do Turismo. A Presidência da República ordenou a priorização do turismo como 
elemento propulsor do desenvolvimento socioeconômico do país e, para isso, a equipe do MT construiu e lançou o 
Plano Nacional do Turismo, baseado nas seguintes premissas: 
\uf0b7 Parceria e gestão descentralizada; interiorização e segmentação da atividade turística; diversificação dos 
mercados, produtos e destinos; inovação na forma e no conteúdo das relações e interações dos arranjos produtivos; 
adoção de pensamento estratégico, exigindo planejamento, análise, pesquisa e informações consistentes; incremento do 
turismo interno; o turismo como fator de construção da cidadania e de integração social; desconcentração de renda por 
meio da regionalização (é transformar a ação centrada na unidade municipal em uma política mobilizadora, 
possibilitando o envolvimento de diversas unidades municipais em prol do desenvolvimento do turismo, provocando 
mudanças, sistematizando o planejamento e coordenando de forma articulada e compartilhada o processo de 
desenvolvimento regional). 
É compreendida pelo MT como