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Direito Penal II   Teoria de Pena   completo

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retribuição equivalente representa o momento jurídico da igualdade formal, que oculta a submissão total da instituição carcerária, como aparelho exaustivo para produzir sujeitos dóceis e úteis, uma fábrica de proletários.
A prevenção especial seria apenas uma garantia de manutenção das relações sociais
Denominada também de incapacitação seletiva. A prevenção especial seria uma forma de impor disciplina da classe trabalhadora. A prevenção geral preservaria a ordem social fundada na relação capital trabalho.
Consequências práticas da prevenção especial negativa: (a) Produz maior reincidência, tendo em vista a manutenção do histórico criminal, da desclassificação social, desintegração social (dissolução de laços familiares, de trabalho, afetivos). (b) Subcultura da prisão produz deformações psíquicas e emocionais que facilita a criação de carreiras criminosas. (c) Etiquetamento (labelling aproach)
Prevenção especial positiva revelou-se um verdadeiro fracasso em relação ao discurso declarado, todavia, tem eficácia para manutenção dos status quo. 
Pena como tratamento curativo é um fracasso.
Ênfase na área de drogas e patrimônio.
A prevenção geral como afirmação da ideologia dominante
A prevenção geral positiva teria por objetivo apenas conferir soluções penais simbólicas no imaginário popular e sua conversibilidade em votos seja pelo seus efeitos políticos de conservação/reprodução do poder.
Busca da satisfação retórica da opinião pública.
As teorias unificadas como integração das funções manifestas ou declaradas da pena: Busca da superação dos defeitos individuais de cada uma das teorias X soma dos defeitos das teorias particulares, dado que filosoficamente não é possível reunir concepções contraditórias.
Conclusão. Para que serve a pena segundo o discurso crítico? 
Proteção seletiva de bens jurídicos , com ênfase em classes hegemônicas.
Estigmatização seletiva de indivíduos excluídos das relações de produção e do poder político da formação social
Repressão seletiva de marginalizados sociais, sem utilidade real nas relações de produção mas com utilidade simbólica no processo de reprodução das condições desiguais.
Porque fazer dogmática penal, então?
Para excluir ou reduzir o poder de intervenção do Estado na esfera de liberdade individual, partindo do pressuposto que a lei estabelece uma série de garantais aos cidadãos. 
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MÓDULO II Sistemas prisionais e garantias constitucionais relacionadas a aplicação da pena
SISTEMAS PRISIONAIS (Séc. XIX)
Primeira prisão destinada ao recolhimento de criminosos: House of correction, construída em Londres entre 1550 e 1552.
Livros marcantes da época: (1776) The state of prison in England and Walles (John Howard); Dos delitos e das penas (1764 – Beccaria); Teoria das penas e das recompensas (1818 – Jeremias Bentham)
Pensilvânico (Filadélfia, belga ou celular) : Isolamento absoluto, sem trabalho e visitas), reclusão e leitura da Bíblia. Problema: Impossibilitava a readaptação.
Problema: Como educar para retornar a liberdade em regime de não liberdade e silêncio?
Auburniano (silent system) (Nova York): Possibilitava o trabalho, mas mantinha o recolhimento noturno em total silêncio.
Desencadeou a comunicação com as mãos ou outros sinais.
Progressivo (Inglaterra e Irlanda): (a) Período de prova em que havia o isolamento, (b) permissão do trabalho em comum com silêncio absoluto, (c) peninteciária industrial ou agrícola em regime de semi-liberdade e (d) permissão do livramento condicional.
Garantias constitucionais relacionadas à aplicação da pena
a) Responsabilidade penal pessoal 
Art. 5º (...) 
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;
Trecho da sentença de Tiradentes: Portanto condenam ao Réu Joaquim José da Silva Xavier por alcunha o Tiradentes Alferes que foi da tropa paga da Capitania de Minas a que com baraço e pregão seja conduzido pelas ruas publicas ao lugar da forca e nella morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Villa Rica aonde em lugar mais publico della será pregada, em um poste alto até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos, e pregados em postes pelo caminho de Minas no sitio da Varginha e das Sebolas aonde o Réu teve as suas infames práticas e os mais nos sitios (sic) de maiores povoações até que o tempo também os consuma; declaram o Réu infame, e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens applicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Villa Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados e no mesmo chão se levantará um padrão pelo qual se conserve em memória a infamia deste abominavel Réu
Princípio da personalidade das penas.
Exemplo: O condenado não pode se fazer substituir por terceiro para prestar serviço a comunidade (HC 68309, STF. Min. Celso de Melo) ou mesmo o pagamento da multa.
Do referido princípio decorre também a conclusão de que a punição somente pode se basear na culpa – Responsabilidade penal subjetiva.
Apenas a pena criminal de perdimento de bens (art. 43, inciso II do Código penal) que poderá atingir os herdeiros, o que não ocorrerá em caso de multa.
b) Individualização da pena
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
A individualização atinge as três fases. A aplicação da pena: cada crime tem a sua pena estabelecida); a sua aplicação: cada réu deve ter sua pena individualizada segundo a culpabilidade; e a execução: cada condenado deve cumprir a pena de forma a obter os melhores resultados);
A sentença deve se ater tanto quanto possível ao caso concreto e evitar análise de argumentos que transcendam o comportamento do autor (Paulo Queiroz).
Pessoa Jurídica: Art. 6º da Lei 9.605/98
Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente observará:
        I - a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas conseqüências para a saúde pública e para o meio ambiente;
        II - os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental;
        III - a situação econômica do infrator, no caso de multa.
Direito Penal do fato X Direito Penal do Autor
Ninguém poderia ser condenado ou ter a sua pena aumentada senão pelo que praticou e jamais pelo modo de vida que escolheu.
Fundamento: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. 
c) Limitação das penas 
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
  Traição
         Art. 355. Tomar o nacional armas contra o Brasil ou Estado aliado, ou prestar serviço nas fôrças armadas de nação em guerra contra o Brasil: 
        Pena - morte, grau máximo; reclusão, de vinte anos, grau mínimo. 
Cobardia qualificada 
         Art. 364. Provocar o militar, por temor, em presença do inimigo, a debandada de tropa ou guarnição; impedir a reunião de uma ou outra, ou causar alarme com o fim de nelas produzir confusão, desalento ou desordem: 
        Pena - morte, grau máximo; reclusão, de vinte anos, grau mínimo. 
Questões polêmicas
Tiro certeiro da polícia.
Derrubada de aeronaves
b) de caráter perpétuo;
Problema: Tribunal Penal Internacional; 
Art. 5º (...) § 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Art. 75. (...) 1. Sem prejuízo do disposto no artigo 110, o Tribunal pode impor à pessoa condenada por um dos crimes previstos no artigo 5o do