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Direito Penal II   Teoria de Pena   completo

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e na medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
É comum acontecer que mesmo antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória, o agente venha a ser preso provisoriamente. Hipóteses: Prisão em flagrante, prisão preventiva e prisão temporária.
Assim, se condenado, o período cumprido a título de prisão provisória será computado quando do cumprimento da pena.
Problema: Poderá o condenado ser beneficiado com a detração se a prisão cautelar foi decretada em processo pelo qual foi absolvido?
Rogério Greco: Se ele vinha respondendo a outros processos ao mesmo tempo, o período pelo ser levado em consideração em outro processo, por força do artigo 111 da LEP� que ordena que a definição do regime leve em conta a soma das penas impostas e não o seu cumprimento em separado.
E se os processos não tramitarem simultaneamente? Ou seja, se após ser absolvido em processo em que cumpriu prisão provisória acaba por cometer novo crime, 01 após a absolvição? Neste caso, não seria possível a detração, pois não se pode falar em espécie de conta corrente junto ao Estado. Em caso de prisão injusta, deve-se buscar os meios indenizatórios corriqueiros.
Outro critério: Que o crime em que se pleiteia a detração tenha ocorrido antes do crime pelo qual fora absolvido e preso (STJ: HC 178.894 e HC 155049)
Prisão administrativa não se confunde com a prisão civil imposta pelo descumprimento da obrigação alimentar.
A internação diz respeito ao período em até o primeiro exame de cessação de periculosidade.
A detração penal pode impactar no regime de cumprimento da pena imposto pelo Juiz do processo ou seria matéria de competência exclusiva do Juiz da Execução?
Art. 387 do CPP§ 2o  O tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou de internação, no Brasil ou no estrangeiro, será computado para fins de determinação do regime inicial de pena privativa de liberdade.  (Incluído pela Lei nº 12.736, de 2012).
Exemplo: Se condenado a pena de 9 anos cumprira pena provisória de 01 ano qual será o regime a ser aplicado?
Admite-se a detração no caso de pena restritiva de direitos (Art. 55 do CP), mas não se admite no caso de pena de multa.
Também não tem cabimento na hipótese de SURSIS, pois o período mínimo de prova é de 02 anos, bem como não tem impacto em relação ao prazo prescricional da pretensão punitiva (RHC 85026)
Prisão especial 
Art. 295.  Serão recolhidos a quartéis ou a prisão especial, à disposição da autoridade competente, quando sujeitos a prisão antes de condenação definitiva:
I - os ministros de Estado;
II – os governadores ou interventores de Estados, ou Territórios, o prefeito do Distrito Federal, seus respectivos secretários e chefes de Polícia;
II - os governadores ou interventores de Estados ou Territórios, o prefeito do Distrito Federal, seus respectivos secretários, os prefeitos municipais, os vereadores e os chefes de Polícia; (Redação dada pela Lei nº 3.181, de 11.6.1957)
III - os membros do Parlamento Nacional, do Conselho de Economia Nacional e das Assembléias Legislativas dos Estados;
IV - os cidadãos inscritos no "Livro de Mérito";
V - os oficiais das Forças Armadas e do Corpo de Bombeiros;
V – os oficiais das Forças Armadas e os militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; (Redação dada pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)
VI - os magistrados;
VII - os diplomados por qualquer das faculdades superiores da República;
VIII - os ministros de confissão religiosa;
IX - os ministros do Tribunal de Contas;
X - os cidadãos que já tiverem exercido efetivamente a função de jurado, salvo quando excluídos da lista por motivo de incapacidade para o exercício daquela função;
XI - os guardas-civis dos Estados e Territórios, ativos ou inativos. (Incluído pela Lei nº 4.760, de 1965)
XI - os delegados de polícia e os guardas-civis dos Estados e Territórios, ativos e inativos. (Redação dada pela Lei nº 5.126, de 20.9.1966)
§ 1o A prisão especial, prevista neste Código ou em outras leis, consiste exclusivamente no recolhimento em local distinto da prisão comum. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)
§ 2o Não havendo estabelecimento específico para o preso especial, este será recolhido em cela distinta do mesmo estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)
§ 3o A cela especial poderá consistir em alojamento coletivo, atendidos os requisitos de salubridade do ambiente, pela concorrência dos fatores de aeração, insolação e condicionamento térmico adequados à existência humana. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)
§ 4o O preso especial não será transportado juntamente com o preso comum. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)
§ 5o Os demais direitos e deveres do preso especial serão os mesmos do preso comum. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)
Súmula 717 do STF: NÃO IMPEDE A PROGRESSÃO DE REGIME DE EXECUÇÃO DA PENA, FIXADA EM SENTENÇA NÃO TRANSITADA EM JULGADO, O FATO DE O RÉU SE ENCONTRAR EM PRISÃO ESPECIAL. 
A reforma introduzida no Código de Processo Penal pela Lei nº 10.258/2001 visou a eliminar privilégios injustificáveis em uma democracia e estabeleceu de maneira clara que a prisão especial, prevista neste Código ou em outras leis, consiste exclusivamente no recolhimento do preso em local distinto da prisão comum (art. 295, § 1º). À falta de estabelecimento específico para o preso especial, este será recolhido em cela distinta do mesmo estabelecimento (art. 295, § 2 º). 3. Inobstante ainda aplicável a Lei nº 5.256/1967, que prevê a prisão domiciliar na ausência de estabelecimento próprio para a prisão especial, devem ser considerados os contornos da prisão especial introduzidos pela Lei nº 10.258/2001. 4. O Superior Tribunal de Justiça não examinou a questão da progressão de regime, a inviabilizar a análise do tema por esta Corte Suprema, sob pena de supressão de instância, em afronta às normas constitucionais de competência. Precedentes 5. Nos termos do art. 654 do CPP, “o habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público”. Na hipótese, clara a exordial subscrita pelo paciente e devidamente instruídos os autos, possibilitando a análise do pleito e tornando despicienda a remessa dos autos à Defensoria Pública. 6. Agravo regimental não provido.(HC 116233 AgR, Relator(a):  Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 25/06/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-166 DIVULG 23-08-2013 PUBLIC 26-08-2013) 
I – A superveniência do trânsito em julgado da condenação faz cessar o direito de policial militar ser recolhido em prisão especial, nos termos do art. 295 do Código de Processo Penal. II – Não logrou o impetrante demonstrar a existência de risco à incolumidade física do paciente, uma vez que o juízo da execução determinou seu recolhimento em cela separada dos demais presos. III - Ordem denegada.(HC 102020, Relator(a):  Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 23/11/2010, DJe-240 DIVULG 09-12-2010 PUBLIC 10-12-2010 EMENT VOL-02448-01 PP-00056 RTJ VOL-00219- PP-00487) 
Previsão específica no Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil
Art. 7º São direitos do advogado: V - não ser recolhido preso, antes de sentença transitada em julgado, senão em sala de Estado Maior, com instalações e comodidades condignas, assim reconhecidas pela OAB, e, na sua falta, em prisão domiciliar; (Vide ADIN 1.127-8)�
2. PRISÃO ESPECIAL. Advogado. Prisão preventiva. Cumprimento. Estabelecimento com cela individual, higiene regular e condições de impedir contato com presos comuns. Suficiência. Falta, ademais, de contestação do paciente. Interpretação do art. 7º, V, da Lei nº 8.906/94 - Estatuto da Advocacia, à luz do princípio da igualdade. Constrangimento ilegal não caracterizado. HC denegado. Precedentes. Atende à prerrogativa profissional do advogado