RESUMO EPIDEMIOLOGIA
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RESUMO EPIDEMIOLOGIA


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CASO 01 \u2013 HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA
EPIDEMIOLOGIA E SAÚDE
\u2022 Conceito de saúde: Completo estado de bem-estar físico, mental e social, não apenas ausência de doença.
\u2022 Conceito de epidemiologia: Estudo dos fatores que determinam a frequência e a distribuição das doenças nas coletividades humanas. Estuda os problemas de saúde em grupos de pessoas.
\u2022 Objetivos da epidemiologia:
\u2022 Descrever a distribuição e a magnitude dos problemas de saúde nas populações humanas;
\u2022 Proporcionar dados para planejamento, execução e avaliação das ações de prevenção, controle e tratamento das doenças;
\u2022 Identificar fatores etiológicos no surgimento de enfermidades.
 
HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA
Processo no qual o ser humano passa por múltiplas situações, que exigem do seu meio interno um trabalho de compensações e adaptações sucessivas. A questão saúde x doença, portanto, não é um problema de presença/ausência, mas um equilíbrio dinâmico de fatores que constituem a história natural da doença. A HND trata-se de como o processo patológico ocorreria sem interferências, ou seja, sem haver tratamento, prevenção...
Divide-se em dois períodos: pré-patológico, ou epidemiológico, patológico. Abrange dois domínios que se completam mutuamente: o meio ambiente, onde ocorrem as pré-condições, e o meio interno, onde se processam modificações bioquímicas, fisiológicas e histológicas progressivamente. Constitui um tríade: meio ambiente, agente etiológico e suscetível, podendo haver um vetor no processo.
O período pré-patológico contem a fase de suscetibilidade, inicial, ou de fatores ambientais. Nela, não há doença propriamente dita, mas há condições que favorecem o seu aparecimento. As pessoas, contudo, não apresentam o mesmo risco de adoecer: "um dos princípios básicos do raciocínio epidemiológico baseia-se na constatação de que as pessoas não nascem iguais nem vivem iguais. Muitas passam as vidas em condições ou possuem características e atributos ou hábitos que facilitam ou dificultam a ocorrência de danos à saúde: são os fatores de risco ou de proteção.
Já o período patológico contem as seguintes fases: deinteração estímulo-suscetível, de alterações fisio-histo-biológicas (juntas, formam a fase pré-clínica), de sinais e sintomas, ou clínica, e a de cronicidade, ou de incapacidade residual.
\u200bNa fase pré-clínica, não há sintomas, mas o organismo já apresenta alterações patológicas. Ou seja, embora ainda não sejam percebidos os sintomas, já há algo fora do normal ocorrendo no organismo. A etapa vai desde o início do processo patológico até o aparecimento de sintomas.
Na fase clínica, a doença já se encontra em estágio adiantado, exteriorizando-se através dos sintomas. É nesta fase que o indivíduo procura o atendimento médico.
Na fase de incapacidade residual, se a doença não progrediu até a morte ou não houve cura completa, as alterações anatômicas e funcionais se estabilizam e voltam ao normal, podendo deixar sequelas.
Existem também períodos específicos, conhecidos como de incubação e de latência. O período de incubação (infecciosas) é o intervalo entre a exposição efetiva do hospedeiro suscetível a um agente biológico e o início dos sinais e sintomas clínicos da doença nesse hospedeiro.. Já o período de latência (não-infecciosas) é o intervalo entre a exposição a agentes químicos tóxicos e o início dos sinais e sintomas.
Há também padrões de progressão nas doenças, que podem ser separados em cinco categorias:
\u2022 evolução aguda e fatal;
\u2022 evolução aguda, clinicamente evidente, mas com recuperação;
\u2022 evolução subclínica, que acontece sem que o doente perceba sintomas da doença;
\u2022 evolução crônica progressiva com óbito em longo prazo;
\u2022 evolução crônica com períodos assintomáticos.
\u2022  
O homem, assim como o meio ambiente, é participante intrínseco tanto na HND quanto na prevenção de patologias. Com base na história natural da doença, o homem tem parte durante o período pré-patológico - nas interações BEINGS (Biológico, Envoltório/ambiente, Imunidade, Nutrição, Genético e Social) e medidas de prevenção primária - e o patológico, através das medidas secundária e terciária de prevenção, aliadas aos fatores BEINGS, sempre presentes na HND.
 
MEDIDAS PREVENTIVAS
\u200bSão medidas preventivas aquelas usadas para evitar as doenças ou suas consequências, além de trata-las. Podem ser classificadas em inespecíficas ou específicas. Medidas inespecíficas, gerais ou amplas promovem o bem-estar das pessoas. Já as medidas específicas ou restritas incluem as técnicas próprias para lidas com cada dano à saúde em particular.
As medidas de prevenção, com base nas fases da HND, situam-se em todo o processo, sendo cada tipo em uma fase distinta. Existem 3 tipos de prevenção:primária, secundária e terciária.
A primária ocorre no estágio pré-patológico, e tem como objetivo eliminar os fatores de risco para impedir o contagio pelo homem. Comporta dois níveis de prevenção: 1º - promoção à saúde (educação sanitária, saneamento básico, uso da camisinha, etc.) e2º - proteção específica (vacinação, por exemplo).
Na prevenção secundária, que ocorre nas fases pré-clínica e clínica, o objetivo é detectar a doença e tratá-la o mais rápido possível. Assim, é dividida em3º - diagnóstico e tratamento precoces (exames de rastreamento) e 4º - limitação do dano.
Já na prevenção terciária, há o 5º e último nível de prevenção -  reabilitação, ou seja, evitar complicações e sequelas.
Há também outro critério de classificação de prevenção, mais restrito, o qual engloba as medidas praticadas por indivíduos que, no momento, não sentem os efeitos de uma doença. Estas medidas dirigem-se à diminuição do risco de aparecerem futuras doenças. São as medidas universais, seletivas e individualizadas.
As medidas universais são recomendadas a todas as pessoas, pois os benefícios ultrapassam em muito os custos e riscos. Aplicadas com ou sem assistência profissional (ex: higiene, dieta e exercícios). Asmedidas seletivas são aconselhadas a subgrupos, a segmentos populacionais com alto risco de adoecer (ex: proteção no trabalho, vacinação antirrábica em animais e abstinência de álcool e fumo em grávidas). Já as medidas individualizadas, são aplicadas unicamente na presença de uma condição que coloca o individuo em alto risco para o desenvolvimento futuro da doença (ex: quimioprofilaxia contra a tuberculose, controle da hipertensão e da hipercolesterolemia).
As medidas de profilaxia podem e devem ser utilizadas com a finalidade de impedir ou diminuir o risco de transmissão de uma doença. Consistem em um conjunto de atividades, no sentido de proteger uma população da ocorrência ou da evolução de um fenômeno desfavorável à saúde. Profilaxia é, na realidade, o conjunto de medidas visando a prevenção da doença em nível populacional.
A pesquisa científica pode compreender e analisar melhor todo o processo conforme surgirem os avanços científico-tecnológicos, utilizando-os, dessa maneira, para otimizar as medidas preventivas de uma maneira geral.
 
CASO 02 \u2013 MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIA
MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIA
A Medicina Baseada em Evidências (MBE) é definida como o elo entre a boa pesquisa científica e a prática clinica. A MBE utiliza provas científicas existentes e disponíveis no momento, com boa validade interna e externa, para a aplicação de seus resultados na prática clínica. Quando é abordado o tema do tratamento e fala-se em evidências, elas relacionam-se com a efetividade, eficiência, eficácia e segurança:
\u2022 Eficácia: indica a utilidade ou o benefício (ex: procedimento clínico), quando aplicado em condições bem controladas. Para ser eficaz, o procedimento deve ser capaz de produzir o efeito desejado, em situações "ideais de uso". Trata-se do resultado obtido em "laboratório";
\u2022 Efetividade: é o grau em que uma determinada intervenção, procedimento ou serviço produz um resultado benéfico, quando empregado no "mundo real", em uma população bem definida; é o resultado verdadeiramente observado nas condições habituais de uso, por isso a efetividade