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Universidade Federal de Pelotas
Instituto de Física e Matemática
Departamento de Matemática e Estatística
Introdução à Probabilidade
João Gilberto Corrêa da Silva
Pelotas, 2004
Prefácio
Esse texto foi elaborado ao longo dos poucos anos em que lecionei uma disciplina de
Introdução à Probabilidade para o Curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Federal
de Pelotas. De fato, os tópicos abordados nesse curso são os conteúdos dos primeiros quatro
capítulos e partes dos capítulos 6, 7 e 8. Ao longo desse percurso, tentei desenvolver um texto
mais completo. O resultado é apresentado nos capítulos 5 a 9. Esses capítulos ainda estão
inconclusos, principalmente o capítulo 9. Estava programada a preparação de capítulos sobre
tópicos mais avançados, mas, com a interrupção daquela disciplina, a motivação foi desviada para
outros temas.
Ainda não tive condições de fazer uma revisão cuidadosa, mesmo dos capítulos 1 a 4,
que considero razoavelmente desenvolvidos. Por outro lado, também não tive tempo de fazer uma
revisão nas referências cruzadas a exercícios, figuras, tabelas, seções, etc. Por essa razão, sei que
estão presentes inconsistências e erros.
Apesar dessas restrições e ressalvas, estou disponibilizando o presente texto, na
esperança de que possa ser útil a estudantes e profissionais interessados na base matemática e nas
aplicações da Probabilidade.
Pelotas, 21 de novembro de 2008
João Gilberto Corrêa da Silva
Conteúdo
Página
1. Introdução .................................................................................................. 1
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito ...................................................... 23
3. Probabilidade em Espaço Básico Discreto e em Espaço Básico Contínuo ... 105
4 Variável Aleatória e Distribuição de Probabilidade Univariadas .................. 165
5. Variável Aleatória e Distribuição de Probabilidade Multivariadas .............. 247
6. Valor Esperado e Características de Distribuição de Probabilidade ............ 337
7. Distribuições de Probabilidades Discretas Especiais .................................. 419
8. Distribuições de Probabilidades Contínuas Especiais ................................ 533
9. Função Geradora de Momentos ................................................................ 589
Respostas a Exercícios .................................................................................. 633
Apêndice ...................................................................................................... 645
1 Introdução
Conteúdo
1.1 Origens da Probabilidade ............................................................................................1
1.2 Interpretações de Probabilidade ..................................................................................5
1.2.1 Interpretação clássica..............................................................................................6
1.2.2 Interpretação de probabilidade como freqüência relativa .........................................9
1.2.3 Interpretação subjetiva de probabilidade ............................................................... 12
1.2.4 Interpretações objetiva e subjetiva de probabilidade .............................................. 14
1.2.5 Interpretação abstrata de probabilidade ................................................................. 15
1.3 Probabilidade, Estatística e Método Científico .......................................................... 15
1.4 Modelagem Matemática e Teoria Matemática da Probabilidade ................................ 18
1.5 Bibliografia............................................................................................................... 22
1.1 Origens da Probabilidade
Os conceitos de acaso e incerteza são tão antigos como a civilização. As pessoas
sempre tiveram que enfrentar as incertezas de clima, de suprimento de alimento e de
outros aspectos de seu ambiente, e que se esforçar para reduzir essas incertezas e seus
efeitos. A idéia de jogo também tem origem bastante antiga. Cerca de 3.500 anos a.C.,
eram praticados no Egito e em outros lugares jogos de azar com objetos de osso, que
podem ser considerados percussores do dado. Foram encontrados em tumbas no Egito
cubos com marcas bastante semelhantes às dos modernos dados que datam de 2.000
anos a.C. O homem antigo também usava mecanismos de sorte para propósitos de
predição. Entretanto, surpreendentemente, parece que os gregos, romanos e nações
medievais da Europa não alcançaram qualquer noção clara das leis do acaso. Assim, 4
séculos antes de Cristo, Aristóteles define o significado de “uma probabilidade” como
sendo o que “o homem conhece acontecer ou não acontecer, ser ou não ser, mais
Introdução à Probabilidade 2
freqüentemente assim e assim”. Uma idéia semelhante foi mantida até a Renascença.
Entretanto, o acaso era suficientemente familiar, especialmente em conexão com jogos.
Idéias primitivas de freqüência relativa já estavam presentes, mas a doutrina do acaso
demorou a surgir.
O conceito científico de probabilidade não teve uma única fonte. Ele resultou da
confluência, ao longo de vários séculos, de um número de ramificações originadas de
diferentes regiões. A teoria da probabilidade originou-se de jogos; da coleta de fatos
estatísticos requeridos pelo estado referentes a soldados e finanças; do seguro marítimo
para cobertura de riscos referentes à destruição de navios e pirataria; estudos de
mortalidade decorrente de pragas; e estudos de erros em astronomia. Seu intenso
desenvolvimento, a partir de meados do século 18, decorreu da extensão de suas
aplicações, através da estatística, em áreas crescentes do conhecimento, principalmente
em biologia, agricultura, economia, meteorologia, psicologia e sociologia.
O ramo primitivo mais importante da probabilidade é o dos jogos de azar.
Problemas matemáticos relacionados com jogos de azar foram considerados, embora
com pouco sucesso, por alguns matemáticos italianos no século 16, entre eles: Lucas
Pacioli, Geronimo Cardano e Niccolo Tartaglia. Cardamo foi o primeiro a deixar um
manuscrito em que é exposto o conceito de leis do acaso (“Liber de ludo aleae”)
(Tratado de jogos de sorte). Galileu deixou um fragmento, do final desse século, que
mostra que ele compreendia claramente o método de cálculo de chances em jogos de
dados. Seu trabalho explicita a idéia da regularidade no padrão de eventos casuais
discretos que podem ser repetidos, tais como o lançamento de um dado.
Um outro ramo da probabilidade originou-se do seguro comercial contra riscos,
que se desenvolveu em cidades italianas, no início da Renascença. As bases teóricas do
seguro de vida foram estabelecidas mais tarde, no século 17. Em 1662, o estatístico
inglês John Graunt (“Natural and political observations made upon the bills of
mortality”), instigado pela informação referente à mortalidade decorrente da grande
praga que abalara a Inglaterra, chamou a atenção para a regularidade revelada pelas
séries de dados de registros de mortes. Logo em seguida, o matemático e astrônomo
inglês Edmund Halley desenvolveu tabelas de mortalidade e um cálculo de anuidades a
1. Introdução 3
partir de tais tabelas. Seu trabalho, publicado em 1693, constituiu-se na primeira
tentativa de relacionar mortalidade e idade em uma população.
As bases matemáticas iniciais da probabilidade foram formuladas no século 17,
pelos matemáticos franceses Blaise Pascal e Pierre de Fermate pelo matemático e físico
holandês Christian Huygens, inspirados por problemas referentes a jogos de azar.
Pascal lançou as bases para o cálculo de probabilidades em um tratado de geometria
publicado em 1653 (“De alea geometriae”) (Sobre a geometria da sorte). Na mesma
época, Fermat tratava problemas de jogos dentro da teoria geral das combinações. Em
1654, Pascal e Fermat trocaram uma série de correspondências sobre problemas de
jogos de azar. Os resultados foram estendidos por Huygens e publicados em sua obra
“De ratiociniis in ludo aleae” (Sobre o raciocínio em jogos de sorte, 1657). Essa teoria
foi ulteriormente desenvolvida pelo matemático suíço Jacques Bernoulli, juntamente
com a teoria das permutações e combinações e o estabelecimento da hoje denominada
“lei dos grandes números”, que se tornou básica para a teoria da amostragem moderna.
Bernoulli pode ser considerado o fundador da teoria da probabilidade como um ramo
da matemática. Sua obra póstuma “Ars conjectandi” (A arte de conjeturar, 1713), é
percussora da fusão dos métodos a priori da probabilidade combinatória e dos métodos
a posteriori do início da teoria estatística. A pesquisa em probabilidade efetuada pelos
matemáticos do século 18 culminou com a imensa obra de Pierre-Simon Laplace,
consolidada em “Théorie analytique des probabilités”, publicada em 1812, que
estabeleceu as idéias que dominaram no século 19.
Influenciado pelo sucesso da Física Newtoniana, Laplace advogou uma visão do
universo estritamente determinista, segundo a qual uma inteligência onisciente seria
capaz de predizer o curso da natureza em detalhes com exatidão infalível. É atribuído a
ele ter proclamado: "Uma vez se tenha descoberto a lei universal, então, conhecidas as
posições iniciais e as velocidades de todas as partículas neste mundo, se poderá predizer
a história futura". Segundo essas idéias, a probabilidade entra na ciência da natureza
apenas como uma teoria de erros, ou seja, como um estudo sistemático dos desvios de
uma média que aparece em medidas repetidas de uma quantidade. Essas idéias foram
Introdução à Probabilidade 4
desenvolvidas por Laplace, Adrien-Marie Legendre e Carl Friedrich Gauss, até a
metade do século 19.
O cálculo matemático de probabilidade logo forneceu recursos para o tratamento
de dados estatísticos relativos a finanças públicas, administração da saúde, conduta de
eleições e outros assuntos sociais, além de seguro. Os franceses Marie Jean Antoine
Nicolas de Caritat (Marquês de Condorcet) e Adolphe Quetelet desenvolveram as bases
de uma ciência social baseada na probabilidade.
Com Laplace, Condorcet e mais tarde Siméon-Denis Poisson, começa-se a
encontrar idéias de probabilidade aplicadas a problemas práticos. Por exemplo, Laplace
(“Exposition du système du monde”, 1796) discutiu a plausibilidade da hipótese
nebulosa do sistema solar com base na probabilidade das órbitas planetárias situarem-se
tão próximas de um plano como elas se situavam, Condorcet (“Essai sur l’application
de l’analyse à la probabilité des décisions rendues à la pluralité des voix”, 1785) estava
interessado com a probabilidade de decisões sob vários sistemas de votação, e Poisson
(“Recherches sur la probabilité des jugements en matière criminelle et en matière civile,
prédédées des règles rénérales du calcul des probabilités”, 1837) estava especificamente
envolvido com a probabilidade de conclusões corretas a partir de evidências
imperfeitas. Um famoso ensaio do inglês Thomas Bayes (“An essay towards solving a
problem in the doctrine of chances”, 1763) abriu horizontes para aplicações de
probabilidade, com a consideração de probabilidade no raciocínio indutivo, ou seja, o
uso das probabilidades de eventos observados para comparar a plausibilidade de
hipóteses que poderiam explicá-las.
A abordagem de probabilidade originada para a solução de problemas de jogos
pressupunha a igual verossimilhança dos resultados alternativos possíveis. A aplicação
da probabilidade a problemas práticos, onde geralmente não ocorre essa simetria,
apresentava dificuldades. Surgiram, então, críticas ao conceito clássico de probabilidade
consolidado por Laplace, que se iniciaram principalmente com o filósofo e economista
inglês John Stuart Mills e o economista e matemático francês Antoine-Augustin
Cournot, em meados do século passado.
1. Introdução 5
Uma nova concepção de probabilidade decorreu da observação da regularidade
das ocorrências de resultados de processos e de eventos naturais. A observação da
regularidade de eventos causais discretos, tais como o lançamento de um dado e
observação da face que resulta voltada para cima, já havia sido explicitada no trabalho
de Galileu. A noção de que medidas em fenômenos naturais devem exibir semelhantes
regularidades, que podem ser expressas matematicamente, parece ter-se originado em
astronomia, em conexão com medidas de percursos de astros. Surgiu, então, a
interpretação de probabilidade baseada nessa propriedade, ou seja, na estabilidade da
freqüência relativa da ocorrência de resultados de processos e de eventos em uma
seqüência de repetições ou realizações. Esse enfoque foi primeiramente formulado em
uma teoria matemática por John Venn, em 1866. Uma versão mais elaborada dessa
teoria foi apresentada pelo físico alemão Richard von Mises, em 1919.
Uma abordagem radicalmente oposta originou-se na terceira década deste século,
com a concepção da teoria da probabilidade como uma teoria de graus de crença ou de
certeza. Os matemáticos e filósofos Frank Plumton Ramsey, em 1926, e mais tarde
Bruno de Finetti, em 1937, fizeram uma tentativa sistemática para basear a teoria
matemática da probabilidade em noções de crença parcial. Uma abordagem também
subjetiva foi adotada pelo geofísico Harold Jeffreys e pelo economista John Maynard
Keynes, com a concepção de probabilidade como uma teoria de graus de crença
razoável. Segundo essa teoria, formulada em sua forma mais avançada por Jeffrey
(1939), qualquer proposição tem uma probabilidade numérica mensurável. Essas idéias
foram ulteriormente seguidas por Leonard Savage, em 1954, que se tornou o fundador
de uma escola em probabilidade e estatística adepta do subjetivismo.
1.2 Interpretações de Probabilidade
Além das muitas aplicações da teoria da probabilidade, o conceito de
probabilidade aparece freqüentemente na vida e na conversação diária. São
freqüentemente utilizadas expressões tais como: “provavelmente choverá amanhã”, “É
muito provável que o avião chegará atrasado”, “Há boa chance de que nossa equipe
Introdução à Probabilidade 6
ganhará o jogo de logo mais”. Todas essas expressões são baseadas no conceito de
probabilidade, ou verossimilhança, de que algum evento específico ocorrerá.
Embora o conceito de probabilidade seja uma parte comum e natural da
experiência, não há uma interpretação científica única do termo probabilidade aceita
por todos filósofos, estatísticos e outros cientistas. As várias interpretações de
probabilidade que têm sido propostas desde as primeiras formulações de sua teoria têm
sido criticadas. De fato, o significado de probabilidade ainda é um tema controvertido
em muitas discussões filosóficas. Métodos alternativos foram elaborados para
fundamentar a matemática da probabilidade, a partir dessas definições. Apesar das
diversas interpretações de probabilidade, os correspondentes procedimentos de cálculo
alternativos aproximam-se em uma estrutura lógica comum. Neste texto serão
abordadas cinco diferentes interpretações de probabilidade muito úteis nas aplicações
da teoria da probabilidade.
1.2.1 Interpretação clássica
A interpretação clássica da probabilidade emergiu do tratamento matemático de
jogos de azar,que foi sedimentado na teoria de Laplace. Por exemplo, quando é
lançada uma moeda, há dois possíveis resultados: cara ou coroa. Se for presumido que
esses dois resultados têm a mesma possibilidade de ocorrência, então eles são
igualmente prováveis. Como a soma das probabilidades das duas únicas possibilidades é
um, as probabilidades de cara e de coroa devem ser ambas iguais a 1 2 . Pelo mesmo
argumento, a probabilidade de resultar uma face particular no lançamento de um dado é
1/6; a probabilidade de extrair uma carta particular de um baralho de 52 cartas é 1/52.
De modo mais geral, se o resultado de algum processo deve ser um de n diferentes
resultados que têm igual possibilidade de ocorrer, então a probabilidade de cada um
desses resultados é 1/n. Em todos esses jogos, os resultados a priori possíveis
constituem um número finito de alternativas supostas perfeitamente simétricas.
A pressuposição de igual possibilidade, ou igual verossimilhança, ou
eqüiprobabilidade, e de mútua exclusividade dos resultados simples possíveis permite
o cálculo de probabilidades de eventos mais genéricos. Por exemplo, considere-se a
1. Introdução 7
probabilidade da ocorrência de face par no lançamento de um dado. Três dos seis
resultados possíveis têm esse atributo; portanto, a probabilidade de resultar um número
lançamento de um dado é 3/6 = 1/2. Semelhantemente, a probabilidade de que o
resultado de um lançamento seja um número maior que 4 é 1/3.
Esse argumento pode ser generalizado para um evento genérico como segue:
Suponha-se que um processo possa ter um número n de resultados mutuamente
exclusivos e igualmente possíveis e que nA desses n resultados implicam na ocorrência
de um evento A; os restantes resultam na não ocorrência de A. Os nA resultados são
ditos favoráveis a A e os demais n-nA, desfavoráveis a A. Então, a probabilidade do
evento A é o quociente nA/n do número de resultados favoráveis e o número de todos
os resultados possíveis.
Probabilidades determinadas por essa definição clássica são denominadas
probabilidades a priori. Quando se diz que a probabilidade de obter uma cara é 1/2, se
chega a esse resultado puramente por raciocínio dedutivo. Esse resultado não requer
que qualquer moeda seja lançada, nem mesmo que esteja disponível para lançamento.
Semelhantemente, em outros jogos os resultados a priori possíveis constituem um
número finito de alternativas supostas perfeitamente simétricas, tais como as
alternativas representadas pelos seis lados de um dado e as 52 cartas de um baralho.
Essa abordagem clássica, a priori, é limitada por algumas dificuldades. A primeira
delas é que a pressuposição de resultados igualmente possíveis é essencialmente
baseada no conceito de probabilidade que se quer definir. Ou seja, a proposição de que
os resultados são igualmente possíveis é o mesmo que a proposição de que os
resultados têm a mesma probabilidade. Assim, por exemplo, dizer que se uma moeda é
perfeita (e seu lançamento é isento), a probabilidade de uma cara é 1/2 é dizer a mesma
cousa de dois modos diferentes. Nada é dito sobre como determinar se uma moeda
particular é perfeita ou não. Jacques Bernoulli estabeleceu uma regra para as condições
sob as quais resultados podem ser pronunciados corretamente como igualmente
possíveis. Esta regra é conhecida como princípio da razão insuficiente, princípio da
igual distribuição da ignorância, ou princípio da indiferença. Esse princípio
estabelece que resultados são igualmente prováveis se não há razão para que um ocorra
Introdução à Probabilidade 8
em vez do outro. Esse princípio tem alguma plausibilidade em jogos de azar, onde
usualmente há concordância com respeito à análise correta do processo em resultados
alternativos simples de igual possibilidade. Em casos que não tenham analogia óbvia
com jogos de azar, a confiança nesse princípio torna-se dúbia. O uso seguro do
princípio da eqüiprobabilidade está vinculado à questão de simetria das alternativas
simples sob consideração.
Entretanto, o desenvolvimento de uma teoria de probabilidade sob a
pressuposição de objetos ideais é perfeitamente aceitável, já que ela é um requerimento
comum de teorias matemáticas. A geometria, por exemplo, trata de círculos
conceitualmente perfeitos, linhas com espessura nula, etc., mas é um ramo útil do
conhecimento que pode ser aplicado a diversos problemas práticos.
Outra dificuldade do conceito é a não provisão de método sistemático para a
assinalação de probabilidades a resultados que não são equiprováveis. Mesmo no
lançamento de uma moeda, a eqüiprobabilidade dos dois resultados possíveis – cara e
coroa – fundamenta-se na pressuposição de que a moeda é perfeita. Entretanto, essa
pressuposição é uma idealização que não tem correspondência exata na prática. Então,
quais são as probabilidades de cara e coroa se a moeda não é perfeita? Mais importante,
as alternativas de eventos importantes, particularmente de eventos naturais, usualmente
não são igualmente possíveis e são desconhecidas. As seguintes questões são
ilustrativas: qual é a probabilidade de que uma criança nascida em Pelotas seja um
menino? Qual é a probabilidade de que um homem morra antes dos 55 anos? Qual é a
probabilidade de que chova no próximo natal? É desejável que questões legítimas e
importantes como essas sejam abrangidas pela teoria da probabilidade. Entretanto, a
abordagem clássica da probabilidade não é aplicável nesses casos. A consideração
desses problemas demanda a extensão ou alteração da definição de probabilidade.
Outra limitação da abordagem clássica é sua restrição à situação de número finito
de resultados possíveis. Em muitas situações, o número dessas alternativas é infinito.
Assim, por exemplo, qual é a probabilidade de que um número extraído do conjunto
dos números inteiros positivos seja par, pressupondo-se que todos os números têm a
mesma possibilidade de ocorrência? Intuitivamente, a resposta a esta questão pode ser
1. Introdução 9
obtida pelo seguinte argumento: limitando-se consideração aos 10 primeiros inteiros
positivos, tem-se 5 números pares, de modo que a razão do número de casos favoráveis
para o número de casos possíveis é 1/2; se forem considerados os 100 primeiros
inteiros positivos, tem-se 50 números pares, de modo que a razão é 1/2; de modo geral,
os primeiros 2n números inteiros positivos incluem n números pares, logo, a razão é
n/2n =1/2; e, quando n tende para infinito, a razão permanece igual a 1/2. Esse
argumento é aparentemente plausível, assim como a resposta, mas não é falho: uma
ordenação diferente dos números inteiros positivos produz um diferente resultado.
Assim, também se pode ordenar os inteiros positivos como segue: 1, 2, 4; 3, 6, 8, 5, 10,
12, ..., tomando o primeiro número ímpar, o primeiro par de pares, o segundo número
ímpar, o segundo par de números pares, e assim sucessivamente. Com essa ordenação,
poder-se-ia argumentar que a probabilidade de extrair um número par do conjunto dos
inteiros positivos é 2/3. Também se pode ordenar os números inteiros positivos de
modo que a razão oscile e nunca se aproxime de qualquer valor definido quando n
cresce. Assim, abordagem clássica de probabilidade não é aplicável a essas situações.
1.2.2 Interpretação de probabilidade como freqüência relativa
Esse conceito deriva-se da compreensão comum de que a probabilidade de um
resultado particular de um processo significa a freqüência relativa com que o resultado
ocorre quando o processo é repetido um certo número de vezes. Em outras palavras, a
probabilidade de um resultado é a proporção das repetições do processo que conduzem
a esse resultado.
Os primeiros proponentes dessa abordagem “freqüentista” sugeriram a
probabilidadede um resultado específico de um processo como uma freqüência relativa
desse resultado “ao final de muitas realizações” do processo. Por exemplo, a
probabilidade de obter uma cara quando uma moeda é lançada é considerada 1/2
porque a freqüência relativa da obtenção de cara seria aproximadamente 1/2 quando a
moeda é lançada um grande número de vezes. Esse conceito vago não é satisfatório.
Venn foi o primeiro a definir a probabilidade de um evento como o valor limite que sua
freqüência relativa aproxima quando o número de realizações cresce indefinidamente.
Introdução à Probabilidade 10
Uma versão mais elaborada da teoria do limite da freqüência foi apresentada por von
Mises, que definiu a probabilidade de um evento A resultante de um processo como o
limite da freqüência nA/n do evento quando o número n de repetições do processo tende
para infinito, onde nA é o número de ocorrências do evento A quando o evento é
repetido n vezes. Esse limite é o primeiro axioma da teoria proposta por von Mises.
Embora essa definição seja aparentemente atrativa, ela é falha em decorrência da
inexistência, em geral, do referido limite no sentido matemático.
As definições de Venn e de von Mises basearam-se em observações empíricas
referentes à estabilidade de freqüências relativas em longas séries de observações
aleatórias efetuadas sob condições uniformes, ou seja, na regularidade estatística, que
constitui a base empírica da teoria estatística. Assim, por exemplo, pode-se observar
que a variação da freqüência relativa nA/n do evento “cara” em uma seqüência de
lançamentos de uma moeda varia de modo acentuado para valores pequenos de n, mas
a amplitude das flutuações gradualmente torna-se menor à medida que n cresce,
tendendo a estabilizar-se em torno de algum valor ideal definido muito próximo de 1/2.
De fato, parece razoável supor que para um experimento com uma moeda há um
número, seja p, que é a probabilidade da ocorrência de uma “cara”. Agora, se a moeda
parece bem balanceada, simétrica e seus lançamentos sucessivos são efetuados de modo
isento e uniforme, pode-se utilizar o conceito clássico e declarar que p é
aproximadamente igual a 1/2. Estabelecer p igual a 1/2 é apenas uma aproximação, já
que para uma moeda particular não se pode estar seguro de que as duas alternativas
possíveis – cara e coroa – são exatamente igualmente possíveis. Mas pelo exame do
balanço e simetria da moeda e da isenção de seu lançamento, essa pressuposição pode
parecer muito razoável. Alternativamente, poder-se-ia lançar a moeda um grande
número de vezes e utilizar a freqüência relativa de uma cara como uma aproximação
para p.
Suponha-se que a moeda não seja balanceada de modo que não se esteja certo, a
partir de um exame de que dois casos – cara e coroa, sejam igualmente possíveis de
resultar. Nesses casos, ainda se pode postular a existência de um número p como a
1. Introdução 11
probabilidade de que apareça uma cara, mas a definição clássica não é mais aplicável
para determinar o valor de p.
A pesquisa científica usualmente trata de fenômenos que se manifestam com
semelhante incerteza, que impossibilita a predição exata. Suponha-se, por exemplo, que
seja desejado predizer se a próxima criança nascida em uma certa localidade seja do
sexo feminino ou masculino. Esse é um evento individualmente incerto e não pode ser
predito com exatidão. Entretanto, observa-se a existência de uma certa regularidade ao
longo de muitos nascimentos semelhante àquela do lançamento de uma moeda. Se, por
exemplo, encontra-se no exame de registros de nascimentos que cerca de 51 por cento
dos nascidos são meninos, pode ser razoável postular que a probabilidade de um
nascimento de menino nesta localidade seja igual a um número p e tomar 0,51 como sua
aproximação.
Essa idéia pode ser generalizada para fenômenos ou processos que podem ser
repetidos. Pressupõe-se que se pode conduzir uma série de observações, ou
experimentos, sob condições similares ou uniformes. Ou seja, efetua-se uma observação
em um experimento aleatório; repete-se o experimento sob condições semelhantes e
toma-se outra observação; e se procede de modo semelhante em sucessivas repetições
do experimento. Embora as condições permaneçam semelhantes em todas as repetições,
ocorre uma variação não controlável que se manifesta ao acaso ou aleatoriamente de
modo que as observações são individualmente não previsíveis. Em muitas situações as
observações podem ser classificadas em certas categorias cujas freqüências relativas são
muito estáveis. Esse fato sugere a postulação de um número p para cada evento
particular, denominado de probabilidade do evento, e a aproximação de p pela
freqüência relativa com que as observações repetidas satisfazem o evento.
Naturalmente, essa conjetura não pode ser provada nem refutada através de
experiência, pois não se pode jamais efetuar uma seqüência infinita de experimentos.
Entretanto, ela é fortemente suportada pela experiência. Ela é a base do conceito
axiomático de probabilidade e do desenvolvimento da teoria matemática da
probabilidade.
Introdução à Probabilidade 12
Observe-se que, contrariamente à interpretação clássica, agora a probabilidade
não é suposta conhecida a priori. Ela é conhecida, aproximadamente, após a realização
de uma série de observações ou experimentos. Por essa razão, probabilidades
determinadas por essa abordagem são denominadas probabilidades a posteriori.
1.2.3 Interpretação subjetiva de probabilidade
A abordagem clássica e a abordagem freqüentista (a priori e a posteriori,
respectivamente) aplicam-se a fenômenos ou processos com o requisito comum de que
possam ser repetidos, pelo menos conceitualmente, sob condições mais ou menos
uniformes. Por exemplo, lançamentos sucessivos de uma moeda para o caso a priori, e
nascimentos sucessivos para o caso a posteriori. Entretanto, muitas situações
importantes não podem ser concebidas como satisfazendo à estrutura de repetições sob
condições semelhantes. Por exemplo, pode-se querer responder questões tais como:
qual é a probabilidade de que eu tenha sucesso em minha entrevista de amanhã? Ou
qual é a probabilidade de que a situação da economia de nosso país esteja melhor ao fim
do próximo ano? Ou qual é a probabilidade da existência de vida orgânica em Saturno?
Problemas como esse não são solucionados pela abordagem clássica e pela abordagem
freqüentista. Entretanto, são abrangidas pela interpretação subjetiva de probabilidade e
constituem parte legítima da teoria da probabilidade.
Segundo a interpretação subjetiva, ou pessoal, de probabilidade, a probabilidade
que uma pessoa assinala a um resultado possível de um processo representa seu próprio
julgamento da verossimilhança de que o resultado seja obtido. Esse julgamento é
baseado nas crenças da pessoa e na informação sobre o processo. Uma outra pessoa,
que possa ter diferentes crenças ou diferente informação, pode assinalar uma
probabilidade diferente ao mesmo resultado. Por essa razão, é apropriado falar de
probabilidade subjetiva
pessoal de um resultado, em vez de falar de uma verdadeira
probabilidade daquele resultado.
Suponha-se, por exemplo, que uma moeda deva ser lançada uma vez. Uma
pessoa sem qualquer informação especial sobre a moeda ou o modo como ela será
lançada pode considerar uma cara ou uma coroa como resultados igualmente
1. Introdução 13
verossímeis. Essa pessoa, então, assinalaria a probabilidade subjetiva 1/2 à possibilidade
de obter uma cara. Entretanto, uma pessoa que esteja realmente lançando a moeda pode
sentir que seja muito mais verossímil que seja obtida uma cara do que uma coroa. Para
que esta pessoa seja capaz de assinalar probabilidadessubjetivas aos resultados, ela
deve expressar a intensidade de sua crença em termos numéricos. Suponha, por
exemplo, que ela considera que a verossimilhança de obter uma cara é um terço da de
obter uma coroa. Ela deve, então, assinalar a probabilidade 1/4 à possibilidade de obter
uma cara quando a moeda é lançada.
Essa interpretação subjetiva de probabilidade pode ser formalizada. Em geral, se
um julgamento de uma pessoa referente à verossimilhança relativa de várias
combinações de resultados satisfaz certas condições de consistência, pode ser
demonstrado que suas probabilidades subjetivas dos diferentes resultados possíveis
podem ser determinadas de modo único. Entretanto, há duas dificuldades básicas com a
interpretação subjetiva. Em primeiro lugar, parece ser humanamente inatingível o
requerimento de que o julgamento de uma pessoa referente às verossimilhanças
relativas de um número infinito de eventos seja completamente consistente e livre de
contradições. Em segundo lugar, a interpretação subjetiva não provê base “objetiva”
para dois ou mais cientistas que trabalham juntos alcançarem uma avaliação comum do
estado de conhecimento em alguma área científica de interesse comum.
Por outro lado, o reconhecimento da interpretação subjetiva de probabilidade tem
o efeito saudável de enfatizar alguns dos aspectos subjetivos da ciência. Uma avaliação
particular de um cientista da probabilidade de algum evento incerto deve ser, em última
instância, sua própria avaliação baseada em toda a evidência que lhe é disponível. Essa
avaliação pode ser baseada, em parte, na interpretação de probabilidade como
freqüência relativa, já que o cientista pode levar em conta a freqüência relativa da
ocorrência do evento em consideração ou de eventos semelhantes no passado. Ela
também pode ser baseada, em parte, na interpretação clássica de probabilidade, pois o
cientista pode tomar em consideração o número total de eventos elementares possíveis
que ele considera igualmente possíveis de ocorrer. Entretanto, a assinalação final de
probabilidades numéricas é responsabilidade do próprio cientista.
Introdução à Probabilidade 14
1.2.4 Interpretações objetiva e subjetiva de probabilidade
São freqüentemente contrastadas a concepção objetiva (clássica e freqüentista) e
a concepção subjetiva de probabilidade. Entretanto, é questionável o estabelecimento
de um contraste claro entre o objetivismo e o subjetivismo da probabilidade.
Os defensores da concepção de freqüência reconhecem que uma análise adequada
de probabilidade requer a combinação da definição do conceito com a idéia de
distribuição aleatória de eventos em uma série de ocasiões. Por outro lado, os adeptos
da concepção clássica têm que recorrer a alguma forma de um princípio de indiferença
para a determinação da igual possibilidade de certas alternativas elementares. Pode ser
questionada a possibilidade da casualidade e da igual possibilidade serem levadas em
conta de modo satisfatório sem referência aos estados de conhecimento ou ignorância.
Se esse questionamento é correto, deve-se admitir que uma consideração adequada do
significado da probabilidade não pode ser feita em termos puramente objetivos.
Por outro lado, a teoria da crença não implica necessariamente uma identificação
de probabilidade com crença como um fenômeno psicológico. Pode-se dizer que a
atitude em opiniões revela estimações subjetivas de probabilidade. Entretanto, a
derivação das leis da probabilidade no contexto da teoria da crença não lhes confere o
estado de leis psicológicas de crença. Em vez disso, ela os torna padrão de
racionalidade ou consistência na distribuição de crenças ou em preferências. Portanto,
seria uma simplificação exagerada considerar a teoria da crença como uma
consideração de probabilidade em termos puramente subjetivos, ou seja, psicológicos.
Felizmente, pode ser desenvolvida uma teria matemática da probabilidade sem
referência à controvérsia em torno das diferentes interpretações de probabilidade. Essa
teoria é correta e pode ser aplicada de modo útil, independentemente da interpretação
de probabilidade que seja usada em uma situação particular. As teorias que serão
apresentadas nesse texto têm servido como guias e ferramentas valiosas na pesquisa
científica.
1. Introdução 15
1.2.5 Interpretação abstrata de probabilidade
No curso do desenvolvimento das diferentes interpretações de probabilidade,
foram sugeridas diversas definições de probabilidade. Correspondentemente, foram
ideados métodos alternativos para basear a construção da matemática da probabilidade
naquelas definições. Esses procedimentos de cálculo alternativos tomam diferentes
visões do significado de sua noção fundamental, mas, em geral, eles têm uma estrutura
lógica comum.
Esta observação oferece um ponto de partida para tentativas para a criação de um
cálculo de probabilidade abstrato. Essa abordagem abstrai dos cálculos segundo as
várias interpretações de probabilidade sua estrutura comum, ou seja, as propriedades
formais que são levadas em conta independentemente de qualquer definição de
probabilidade.
Assim, Kolmogorov propôs uma abordagem axiomática em que a probabilidade é
definida como uma função de conjuntos que satisfaz as propriedades da freqüência
relativa e estende o conceito de probabilidade a situações mais gerais. Esse conceito e a
correspondente teoria dele derivada incorpora a matemática da probabilidade na teoria
geral da medida.
Por outro lado, abordagens abstratas de um tipo logístico foram construídas por
Keynes e por Jeffrey. Nesses sistemas, a probabilidade figura como uma relação lógica
não definida entre proporções ou atributos.
1.3 Probabilidade, Estatística e Método Científico
A conexão entre a probabilidade clássica e a estatística (no sentido de ciência da
regularidade em agregados de fenômenos naturais) não ocorreu em um ponto do tempo
identificável. O ponto crítico deve ter sido a realização de que as probabilidades não
deveriam ser sempre calculadas a priori, como em jogos de azar, mas eram constantes
mensuráveis do mundo natural. Na teoria clássica de probabilidade, as probabilidades
de eventos primitivos ou elementares eram sempre especificadas em base a priori; por
exemplo, os dados eram supostos perfeitos no sentido de que cada lado tinha uma igual
Introdução à Probabilidade 16
chance de cair voltado para cima, as cartas eram baralhadas e distribuídas ao acaso.
Uma boa parte da teoria da probabilidade era relacionada com a matemática pura de
derivar probabilidades de eventos complicados a partir desses eventos elementares cujas
probabilidades eram conhecidas. Entretanto, probabilidades básicas referentes a
fenômenos naturais não são conhecidas. O conhecimento aproximado dessas
probabilidades tem que ser obtido através de inferência derivada de realizações
repetidas dos correspondentes fenômenos. Levou algum tempo para que as implicações
dessa noção fossem completamente compreendidas. Assim que chegou essa
compreensão, a estatística adotou a probabilidade e passou a constituir o suporte para o
imenso desenvolvimento que ocorreu desde a metade do século passado.
A idéia da regularidade das ocorrências de eventos casuais discretos, tais como o
lançamento de um dado e observação da face que resulta voltada para cima, emergiu
relativamente cedo e é explicitada no trabalho de Galileu. A noção de que medidas em
fenômenos naturais devem exibir semelhantes regularidades, denominadas
regularidades estatísticas, que podem ser expressas matematicamente, parece ter-se
originado em astronomia, em conexão com medidas de percursos de astros. Logo que
ficou conhecido que as medidas de uma grandeza eram sujeitas a erro, surgiramvárias
hipóteses referentes ao padrão de tais erros. Simpson (1757) foi o primeiro a considerar
distribuições contínuas, ou seja, uma distribuição de uma variável que podia tomar
qualquer valor em um intervalo contínuo. Antes do final do século 18, Laplace e Carl
Friedrich Gauss tinham considerado diversas distribuições especificadas
matematicamente e, particularmente, tinham descoberto a mais famosa delas, a
distribuição normal.
Nesses estudos, era presumida a existência de um valor “verdadeiro” da
distribuição em consideração. Desvios desse valor eram atribuídos a “erros”. No início
do século 19, ocorreu um avanço considerável com o reconhecimento, especialmente
por Quetelet, de que seres vivos também exibiam distribuições de freqüência de
aparência definida. Próximo de 1880, o antropólogo Francis Galton e o matemático
Karl Pearson mostraram que essas distribuições eram freqüentemente assimétricas, no
sentido de que a forma da curva de freqüência para valores acima da média não era uma
1. Introdução 17
imagem de espelho da curva para valores abaixo da média. Como conseqüência, em
particular, tornou-se impossível sustentar que os desvios da média eram “erros” ou que
existia um valor “verdadeiro”. A própria distribuição de freqüência devia ser
reconhecida como propriedade fundamental do agregado. Padrões semelhantes de
regularidade foram imediatamente reconhecidos em quase todos os ramos da ciência:
genética, biologia, meteorologia, economia e sociologia.
A moderna teoria estatística teve início em 1890, na Inglaterra. Francis Ysidoro
Edgeworth, professor de economia, estava chamando a atenção para as regularidades
estatísticas em resultados de eleições, versos gregos e acasalamento de abelhas, e estava
para propor uma generalização marcante da lei do erro. Por outro lado, estimulado pelo
trabalho de Francis Galton em evolução e pelo biologista Walter Weldon, o matemático
Karl Pearson passou a envolver-se profundamente nas aplicações da estatística a
problemas biológicos da herança e da evolução. Entre 1893 e 1912, ele escreveu uma
série de 18 artigos (intitulados “Mathematical contributions to the theory of evolution”)
que apresentaram métodos que iniciaram a construção da teoria estatística. A estas se
seguiram as contribuições extraordinárias do matemático inglês Ronald Aylmer Fisher à
teoria e metodologia estatística, e de matemáticos russos (Andrei Markov, Aleksandr
Chuprov e Andrey Nikolayevich Kolmogorov), franceses (Émile Borel em Paul Lévy) e
italianos (Corrado Gini, Bruno di Finetti)
A partir de meados do século 19, a probabilidade e a estatística passaram a
participar da física teórica. Inicialmente, ela apareceu na teoria do calor. Em 1860, o
físico escocês James Clerk Maxwell, deduziu as leis dos gases com base em argumentos
referentes às distribuições de posições e velocidades das moléculas, baseados em
probabilidade. Em 1877, o físico austríaco Ludwig Eduard Boltzmann interpretou a
impossibilidade de reversão de processos térmicos como uma tendência para uma
distribuição mais provável das energias das moléculas. Ele mostrou que a segunda lei da
termodinâmica, referente à troca de energia, podia ser explicada pela aplicação de leis
da mecânica e da teoria da probabilidade aos movimentos dos átomos, fundando as
bases da mecânica estatística. Em 1900, surgiu a mecânica quântica, com a teoria da
radiação posta em uma base de probabilidade pelo físico alemão Max Plank. Com o
Introdução à Probabilidade 18
desenvolvimento ulterior da física quântica, a probabilidade invadiu a teoria atômica,
culminando com o princípio da incerteza, descoberto pelo físico alemão Werner Karl
Heisenberg, em 1927. Esse princípio estabelece que a posição e a velocidade de um
objeto não podem ser ambas medidas exatamente, ao mesmo tempo.
O princípio da incerteza marcou o final do sonho de Laplace de uma teoria da
ciência fundamentada em um modelo do universo totalmente determinista. Certamente,
não se pode predizer os acontecimentos futuros com exatidão, nem sequer se pode
medir o estado presente do universo de forma exata. Em geral, a mecânica quântica não
prediz a ocorrência única de um evento. Em seu lugar, prediz um certo número de
ocorrências alternativas possíveis e provê a probabilidade de cada uma dessas
ocorrências. Assim, a mecânica quântica introduz na ciência um elemento inevitável de
incapacidade de predição exata, ou seja, uma casualidade.
A visão determinista da natureza foi substituída pela visão probabilista. O
conceito de probabilidade tornou-se uma das noções fundamentais da ciência moderna e
da filosofia da natureza.
1.4 Modelagem Matemática e Teoria Matemática da Probabilidade
A modelagem matemática é um procedimento usual do método científico de
aquisição de conhecimento. Quando o cientista encontra evidência de uma regularidade
confirmada em alguma classe de fenômenos observáveis, ele tenta formar uma teoria
matemática referente a essa classe de fenômenos. Então, ele escolhe como ponto de
partida algumas das características mais essenciais e elementares da regularidade
evidenciada pelos dados, e as expressa, em uma forma simplificada e idealizada como
proposições matemáticas que são estabelecidas como os axiomas básicos da teoria. A
partir dos axiomas, são, então, obtidas várias proposições por deduções puramente
lógicas, sem qualquer outro recurso à experiência. Dessa forma, é construído em uma
base axiomática um sistema de proposições logicamente consistente que constitui a
teoria matemática do cientista.
1. Introdução 19
A geometria e a mecânica teórica são dois exemplos clássicos desse
procedimento. A geometria, por exemplo, é um sistema de proposições puramente
matemáticas, destinadas a formar um modelo matemático de uma grande classe de fatos
empíricos relacionados com a posição e configuração em espaços de vários corpos. Ela
se suporta em um número de axiomas relativamente pequeno, que são introduzidos sem
prova. No estabelecimento da base de uma teoria, o matemático tenta imitar, tão
estritamente quanto possível, a regularidade observada nesses fatos empíricos. Assim,
ele sabe que certas ações, tais como o uso apropriado de uma régua ou de uma peça de
giz, podem produzir ousas conhecidas na linguagem comum, tais como pontos, linhas
retas etc. O estudo empírico das propriedades dessas cousas provê evidência de certas
regularidades. Ele então postula a existência de correspondentes conceituais dessas
cousas: os pontos, linhas retas etc. da geometria pura, e estabelece as características
fundamentais das regularidades observadas, em uma forma idealizada, como os axiomas
geométricos. Uma vez escolhidos os axiomas, o sistema completo de proposições
geométricas é obtido a partir deles por deduções puramente lógicas. A escolha dos
axiomas é guiada pelas regularidades encontradas nos fatores empíricos disponíveis.
Entretanto, os axiomas podem ser escolhidos de diferentes modos, e,
correspondentemente, há vários diferentes sistemas de geometria: a geometria
euclidiana, a geometria de Lobtschewski, etc. Cada uma dessas geometrias é um
sistema de proposições matemáticas logicamente consistente, fundamentado em seu
próprio conjunto de axiomas. Semelhantemente, a mecânica teórica é um sistema de
proposições matemáticas destinado a formar um modelo matemático de fatos
observados referentes ao equilíbrio e movimento de corpos.
Cada proposição de um tal sistema é verdadeira no sentido matemático, desde
que seja corretamente deduzida dos axiomas. Entretanto, não provê qualquer prova
sobre os eventos que irão de fato ocorrer. Por exemplo, os pontos, linhas, planos etc.
considerados em geometria pura não sãocousas perceptíveis que se conhece a partir de
experiência imediata. Argumentos matemáticos são fundamentalmente incapazes de
provar fatos físicos.
Introdução à Probabilidade 20
Todavia certas proposições de uma teoria matemática podem ser testadas pela
experiência. Assim, a proposição euclidiana referente à soma dos ângulos de um
triângulo pode ser diretamente comparada com medias reais de triângulos concretos. Se
em testes sistemáticos desse caráter observa-se que as conseqüências verificáveis da
teoria conformam com exatidão suficiente com fatos empíricos disponíveis, pode-se
sentir mais ou menos justificado em pensar que há alguma semelhança entre a teoria
matemática e a estrutura do mundo perceptível. Espera-se, também que a concordância
entre a teoria e a experiência continuará a ocorrer com eventos futuros e para
conseqüências da teoria ainda não submetidas à verificação direta.
Naturalmente, a confiança na concordância futura entre teoria e experiência se
tornará mais elevada na medida em que cresça a evidência acumulada de tal
concordância. O grau de concordância que se pode razoavelmente esperar não é sempre
o mesmo. Enquanto em alguns casos os instrumentos mais sensíveis não lograram
descobrir a menor discordância, há outros casos em que a lei científica leva em conta
apenas certas características dos fatos observados, sendo os desvios interpretados como
erros ou distúrbios.
Em uma situação em que é encontrada evidência de uma concordância mais ou
menos exata e permanente entre a teoria e os fatos, a teoria matemática adquire um
valor prático, independentemente de seu interesse puramente matemático. Então, a
teoria pode ser aplicada para vários propósitos importantes, que podem ser
classificados em três categorias: descrição, análise e predição.
A aplicação de uma teoria para propósitos de descrição pode permitir a redução
de um grande conjunto de dados empíricos a um pequeno número de características que
representem, em uma forma condensada, a informação relevante provida pelos dados.
Assim, o conjunto complicado de observações astronômicas referentes aos movimentos
dos planetas é resumido, em uma forma condensada, pelo sistema de Copérnico.
Ademais, os resultados de uma teoria podem ser aplicados como ferramentas para uma
análise científica do fenômeno sob consideração. Quase todas as pesquisas científicas
utilizam aplicações dessa categoria. Suponha-se, por exemplo, que se está tentando
descobrir se a variação de um certo fator tem alguma influência sobre um fenômeno de
1. Introdução 21
interesse. Para tal, tenta-se desenvolver uma teoria, segundo a qual tal influência não
tem lugar, e comparar as conseqüências desta teoria com as observações. A
manifestação de discordância em algum ponto é indicação de que a teoria deve ser
alterada de modo a levar em conta a influência do fator em consideração. A teoria
também pode ser usada para predição de eventos que acontecerão sob dadas
circunstâncias. Assim, com o auxílio de teoria da geometria e da mecânica, um
astrônomo é capaz de predizer a data de um eclipse. Esta é uma aplicação direta do
princípio mencionado anteriormente de que a concordância entre teoria e fatos é
esperada perdurar para eventos futuros.
O desenvolvimento de uma teoria que estabeleça um modelo matemático dos
fenômenos que evidenciam regularidade estatística é muito útil para esses propósitos.
Essa teoria deve levar em conta as características dos fatos fundamentais deste modo de
regularidade. No estabelecimento das bases dessa teoria, deve-se tentar imitar tão
estritamente quanto possível o processo de construção clássico descrito e ilustrado
anteriormente com a geometria. No caso da probabilidade, sabe-se que com certas
ações, ou seja, a realização de seqüências de certos experimentos, pode-se produzir
conjuntos de números conhecidos como freqüências relativas. O estudo empírico do
comportamento da freqüência relativa provê evidência de uma certa forma típica de
regularidade, conhecida como regularidade estatística. No estabelecimento da base de
uma teoria matemática da probabilidade, o matemático deve levar em conta, tão
estritamente quanto possível, essa regularidade observada nos fatos empíricos, postular
a existência de correspondentes conceituais dos fatos básicos da regularidade estatística
e, então, estabelecer as características fundamentais dessas regularidades observadas,
em uma forma idealizada, como os axiomas da probabilidade. A teoria matemática mais
amplamente aceita foi estabelecida por Kolmogorov. A teoria geral da probabilidade
desenvolvida por Kolmogorov incorpora a matemática da probabilidade no contexto da
teoria geral de conjuntos de pontos mensuráveis, conhecida como teoria da medida.
Esse texto aborda uma versão elementar dessa teoria, que é desenvolvida a partir da
base conceitual axiomática apresentado na Seção 2.9.
Introdução à Probabilidade 22
1.5 Bibliografia
BELL, E.T. Historia de las matemáticas. México: Fondo de Cultura Económica,
1949. 656p.
CRAMÉR, H. Mathematical methods of statistics. Princeton, N.J.: Princeton
University Press, 1946.
DE GROOT, M.H. Probability and statistics. Menlo Park, California: Addison-
Wesley, 1975.
KRUSKAL, W.H.; TANUR, J.M. (Editores). International encyclopedia of
statistics. New York: Macmillan, 1978. v. 2. 1350p.
The new encyclopaedia Britannica. 30 volumes. 15. ed. Chicago: Encyclopaedia
Britannica, Inc., 1979.
2 Probabilidade em Espaço Básico Finito
Conteúdo
2.1 Introdução.................................................................................................................23
2.2 Experimento Aleatório e Eventos ............................................................................25
2.3 Modelo Matemático de Probabilidade .....................................................................33
2.4 Conceito Clássico de Probabilidade.........................................................................36
2.5 Contagem de Pontos do Espaço Básico ...................................................................45
2.5.1 Regra da multiplicação.........................................................................................46
2.5.2 Regras das permutações .......................................................................................54
2.5.3 Regra dos arranjos................................................................................................60
2.5.4 Regra das combinações ........................................................................................65
2.5.5 Contagem automática...........................................................................................72
2.6 Propriedades da Probabilidade .................................................................................75
2.7 Probabilidade a Priori...............................................................................................78
2.8 Conceito Empírico de Probabilidade .......................................................................80
2.9 Complementos..........................................................................................................87
2.10 Exercícios de Revisão ..............................................................................................95
2.11 Bibliografia.............................................................................................................103
2.1 Introdução
Em geral, eventos referentes a fenômenos naturais e experimentos não podem ser
previstos com exatidão. Previsões desses eventos compreendem a atribuição de graus
de chances de suas ocorrências. O conceito de probabilidade originou-se do interesse
na previsão de eventos dessa origem.Os diversos conceitos de probabilidade
distinguem-se, principalmente, pelas pressuposições alternativas que são adotadas
referentes ao conhecimento prévio referente a essas chances.
O desenvolvimento histórico da probabilidade e suas diversas interpretações
foram descritos, de modo resumido, no Capítulo 1. Essas diversas interpretações
implicam procedimentos de cálculo alternativos que, entretanto, compreendem
essencialmente uma mesma base e aproximam-se em uma estrutura lógica comum.
Introdução à Probabilidade 24
Nesse Capítulo e no próximo, são estabelecidos os denominados conceitos
objetivos de probabilidade, ou seja, o conceito clássico, o conceito empírico e o
conceito axiomático baseado em propriedades fundamentais da freqüência relativa.
Historicamente, esses conceitos foram desenvolvidos nessa ordem, na busca de maior
generalidade. A base conceitual é desenvolvida construtivamente, de modo a deixar
claro a progressiva extensão de alcance que é lograda, a partir da pressuposição de
espaço básico finito equiprovável, até a consideração de espaço básico contínuo.
No presente Capítulo é introduzida a estrutura conceitual da probabilidade e são
apresentadas algumas de suas propriedades mais importantes para o cálculo de
probabilidades na situação mais simples de espaço básico finito. A ampla gama de
fenômenos e processos para cujo estudo a probabilidade é relevante é definida na
Seção 2.2; nessa Seção, são estabelecidos os conceitos de experimento aleatório,
espaço básico e evento. Na Seção 2.3, são abordados aspectos lógicos da derivação de
um modelo de probabilidade e das abordagens clássica e empírica. Na Seção 2.4, é
formulado o conceito mais primitivo de probabilidade, originado do estudo de jogos de
azar. Embora aparentemente bastante restritivo pela pressuposição de espaço básico
equiprovável, o usualmente denominado "conceito clássico de probabilidade" tem
aplicações em muitas áreas importantes, particularmente em amostragem. No fim
dessa Seção, são formuladas as principais propriedades da probabilidade que
estabelecem os procedimentos do cálculo de probabilidades na situação de espaço
básico equiprovável. A base matemática do processo de contagem envolvido nesse
cálculo de probabilidades é revisada na Seção 2.5. A Seção 2.6 enuncia as principais
propriedades ou regras da probabilidade para espaço básico finito. O conceito empírico
de probabilidade, originado principalmente a partir das aplicações da probabilidade às
ciências naturais, e as principais propriedades da probabilidade nesse contexto são
estabelecidos na Seção 2.8. Por fim, na Seção 2.9, faz-se uma extensão da teoria da
análise combinatória revisada na Seção 2.5, incluindo os teoremas binomial e
multinomial, que constituem base matemática referida em diversas oportunidade no
texto.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 25
2.2 Experimento Aleatório e Eventos
O conceito de probabilidade é relevante para o estudo de fenômenos aleatórios,
ou seja, fenômenos cujas realizações não podem ser previstas exatamente. Ele se aplica
a "experimentos aleatórios" ou seja, experimentos cujos resultados em diversas
realizações ou repetições são variáveis e, portanto, incertos, mas que, entretanto,
satisfazem condições básicas que permitem previsão com a atribuição de graus de
chance de acerto:
Um experimento aleatório E é uma ação ou processo de observação e coleta de
dados referentes a um fenômeno que satisfaz às seguintes propriedades:
i) o resultado de uma realização de E não pode ser predito com certeza;
ii) a coleção dos resultados possíveis de E é conhecida antes de sua realização;
iii) o experimento E pode ser repetido sob, essencialmente, as mesmas
condições.
Esse conceito de experimento é mais abrangente do que o de "experimento
controlado" em pesquisa científica de campo e de laboratório. Ele compreende
qualquer ação ou processo que implique a observação e coleta de dados referentes a
fenômenos aleatórios. Em tais experimentos, a variação dos resultados de diferentes
realizações é inevitável, de modo que o resultado de uma realização particular é
incerto. Entretanto, a regularidade dessa variação permite a previsão do resultado de
uma realização particular do experimento com base nas ocorrências de um conjunto
numeroso de realizações. É sabido, por exemplo, que em uma longa seqüência de
lançamentos de uma moeda simétrica e balanceada, cerca de metade dos lançamentos
resultarão em cara. Então, é natural admitir que, em um lançamento particular, a
"chance" da ocorrência de cara é 1/2. É nessa regularidade previsível de um grande
conjunto de realizações de jogos de azar que se baseiam casas de jogos e apostadores.
Esse mesmo tipo de incerteza e regularidade é muito comum com fenômenos
naturais e, portanto, muito importante na ciência. Por exemplo, em genética, é incerto
Introdução à Probabilidade 26
se um descendente será macho ou fêmea, mas são sabidas, aproximadamente, a
proporção de machos e a proporção de fêmeas em muitos nascimentos.
Semelhantemente, um departamento de trânsito não pode prever quais carros se
acidentarão em um fim de semana particular, mas pode predizer de modo bastante
satisfatório o número de ocorrências de acidentes de carro.
São formulados, a seguir, outros exemplos de experimentos aleatórios, que serão
utilizados nas ilustrações de conceitos que seguem.
Exemplo 2.1
Considerem-se os seguintes experimentos:
a) pôr uma vaca em cria;
b) efetuar o plantio de cinco sementes de trigo;
c) pôr 100 sementes em uma câmara de germinação;
d) examinar individualmente suínos de uma granja, até encontrar o primeiro que
manifeste uma infecção viral;
e) preparar vinho de uva de um vinhedo; e
f) administrar um hormônio de crescimento a um bovino de corte para acelerar sua
preparação para o abate.
Cada realização de um desses experimentos terá um resultado particular que se
diferenciará dos demais resultados possíveis por um número de diferentes características. Em
um experimento aleatório, entretanto, geralmente há interesse em apenas uma ou poucas
características. Assim, nesses experimentos pode-se ter o interesse restrito às seguintes
características:
a) sexo do terneiro;
b) grau de infeção das folhas pela ferrugem;
c) número de sementes que germinam;
d) seqüência dos diagnósticos dos animais examinados;
e) concentração de açúcar no mosto; e
f) peso e ganho de peso doze semanas após a administração do hormônio.
A especificação da característica ou das características de interesse deve fazer parte da
descrição do experimento aleatório. Portanto, as descrições completas dos experimentos
aleatórios que estão sendo utilizados para ilustração correspondem ao que segue:
a) pôr uma vaca em cria e observar o sexo do terneiro;
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 27
b) efetuar o plantio de cinco sementes de trigo e observar o grau de infeção de ferrugem
nas folhas;
c) pôr 100 sementes em uma câmara de germinação e observar o número de sementes
que germinam;
d) examinar individualmente suínos de uma granja, até encontrar o primeiro que
manifeste uma infecção viral, e registrar a seqüência dos diagnósticos dos animais
examinados;
e) preparar vinho de uva de um vinhedo e determinar a concentração de açúcar no
mosto; e
f) administrar um hormônio de crescimento a um bovino de corte para acelerar sua
preparação para o abate e registrar o peso e o ganho de peso doze semanas após a
administração do hormônio.
Pode-se verificar que esses experimentos são experimentos aleatórios. Por
exemplo, o resultado da ação de pôr uma vaca em cria e observaro sexo do terneiro
não pode ser previsto; entretanto, a coleção dos resultados possíveis é conhecida
antecipadamente: macho e fêmea; ademais, esse experimento pode ser repetido sob as
mesmas condições essenciais, pela colocação em cria de outras vacas do mesmo
rebanho sob consideração.
O estudo de um experimento aleatório requer o estabelecimento claro da coleção
de seus resultados possíveis.
A coleção de todos os resultados possíveis, ou resultados elementares, de um
experimento aleatório constitui seu espaço básico 1.
Assim, o espaço básico de um experimento aleatório é o conjunto cujos
elementos são os resultados elementares desse experimento. Por essa razão, a
conceituação, as propriedades e a notação pertinentes a espaço básico e resultados de
experimento aleatório são análogas àquelas referentes a conjunto.
O espaço básico é denotado por S. Cada resultado elementar de um espaço
básico S é um elemento de S, ou um ponto desse espaço, e é denotado por s. Denota-se
que s é um elemento do espaço básico S por s∈S, e distinguem-se diferentes elementos
Introdução à Probabilidade 28
ou pontos do espaço básico através de subscritos. Assim, por exemplo, os elementos de
um espaço básico de três resultados elementares podem ser denotados por s1, s2 e s3, e
o espaço básico por S = {s1, s2, s3}.
Cada elemento s do espaço básico S é, também, um subconjunto unitário de S,
denominado de evento simples ou elementar:
Cada resultado elementar de um experimento aleatório constitui um evento
simples, ou evento elementar, denotado por {s}.
Observe-se que s representa um resultado elementar de S e {s} o evento
elementar cujo único resultado possível é s.
O espaço básico de um experimento aleatório é especificado por uma lista de
todos os resultados possíveis do experimento, com o uso de símbolos convenientes
para identificar esses resultados, ou por uma sentença que caracterize a coleção de
todos os resultados possíveis. Para ilustração, considere-se os experimentos aleatórios
do Exemplo 2.1.
Exemplo 2.1. (continuação)
Os espaços básicos dos experimentos aleatórios do Exemplo 2.1 podem ser
especificados como segue:
a) S = {M, F}, onde M e F representam sexo masculino e sexo feminino,
respectivamente;
b) S = {SI, IFr, IM, IFo, IG}, onde SI, IFr, IM, IFo e IG representam ausência de
infeção e os graus de infeção fraca, média, forte e grave, respectivamente;
c) S = {0, 1, 2,..., 100};
d) S = {C, SC, SSC, SSSC,...}, onde S designa sem infecção e C, com infecção, e a
seqüência SSC, por exemplo, indica que o terceiro animal é o primeiro que manifesta infecção;
e) a concentração de açúcar no mosto é expressa pela proporção de açúcar em uma
unidade de volume do mosto; então, designando a concentração de açúcar no mosto por t, o
espaço básico pode ser especificado por: S = {t: 0≤ t ≤1, t um número real}, isto é, o conjunto
dos números reais t compreendidos entre 0 e 1, incluídos 0 e 1;
1 Esse conceito é geralmente designado de "espaço amostral". Nesse texto, adota-se a designação de "espaço básico"
para evitar confusão que pode decorrer do uso da expressão "espaço amostral", com outro significado, no contexto da
inferência estatística.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 29
f) o experimento considera duas características: peso e ganho de peso, a primeira
expressa por uma variável real não negativa e a segunda por uma variável real; então,
designando peso e ganho de peso por x e y, respectivamente, o espaço básico pode ser
especificado por: S = {(x, y): x é um número real não negativo e y é um número real}.
Esses exemplos salientam que a complexidade do espaço básico depende da
natureza do experimento aleatório. Por outro lado, para um mesmo experimento
aleatório pode ser especificado mais de um espaço básico.
Exemplo 2.2
Experimento: Lançamento de um dado e observação da face que resulta voltada para
cima.
O espaço básico desse experimento é:
ou, se há interesse no número de pontos na face:
S2 = {1, 2, 3, 4, 5, 6}.
Entretanto, se há interesse apenas em observar se o número de pontos é par ou ímpar, o espaço
básico reduz-se a:
S3 = {ímpar, par}.
Os dois primeiros espaços básicos provêem mais informação do que o terceiro. De fato,
se for conhecido o resultado que ocorreu no espaço básico S1 ou no espaço básico S2, pode-se
determinar o resultado referente ao espaço básico S3; entretanto o conhecimento do resultado
em S3 não permite a determinação do resultado em S1 ou S2. Freqüentemente, é desejável
considerar o espaço básico que provê a informação mais detalhada referente aos resultados do
experimento. Entretanto, o espaço básico resumido pode ser mais conveniente para alguns
propósitos.
Exemplo 2.3
Experimento: Seleção de três unidades provenientes de uma linha de produção para
inspeção de qualidade e classificação de cada unidade como não defeituosa ou defeituosa.
O espaço básico que provê informação mais detalhada referente aos resultados desse
experimento é:
S1 = {NNN, NND, NDN, DNN, NDD, DND, DDN, DDD},
Introdução à Probabilidade 30
onde N e D representam, respectivamente, unidade sem defeito e unidade defeituosa. Esse
espaço básico caracteriza a ordem da seleção das unidades e distingue a ausência ou presença
de defeitos. Um espaço básico alternativo para este experimento é:
S2 = {"NNN", "NND", "NDD", "DDD"},
que distingue apenas as unidades defeituosas e não defeituosas entre as três unidades
selecionadas para inspeção, ignorando a ordem de seleção das unidades ("NND", por exemplo,
corresponde aos resultados elementares NND, NDN, e DNN do espaço básico S1). Entretanto,
se há interesse apenas no número de unidades defeituosas entre as três unidades selecionadas,
o espaço básico apropriado é:
S3 = {0, 1, 2, 3}.
Observe-se que os espaços básicos S2 e S3 guardam relação um a um, ou seja, a cada
resultado possível de S2 corresponde um resultado possível de S3, e vice-versa. Portanto, esses
espaços básicos têm a mesma estrutura. Entretanto, a estrutura do espaço básico S1 é distinta.
A compreensão da estrutura do espaço básico e sua especificação podem ser
auxiliadas por um diagrama. Cada um dos resultados possíveis do experimento é
representado por um ponto acompanhado do símbolo que o representa.
Exemplo 2.4
Sejam os espaços básicos que podem ser especificados para o experimento "seleção de
três unidades provenientes de uma linha de produção para inspeção de qualidade e
classificação de cada unidade como não defeituosa e defeituosa": S1 = {NNN, NND, NDN,
DNN, NDD, DND, DDN, DDD}, S2 = {"NNN", "NND", "NDD", "DDD"} e S3 = {0, 1, 2, 3}
(Exemplo 2.3).
Os diagramas dos espaços básicos S1, S2 e S3 são apresentados na Figura 2.1.
Figura 2.1. Diagramas dos espaços básicos do experimento do Exemplo 2.3: a)
S1; b) S2 e S3.
Exemplo 2.5
Duas bolas devem ser retiradas de uma caixa que contém 2 bolas brancas e uma bola
preta, sem reposição da primeira bola extraída antes da retirada da segunda bola. Especifique
dois espaços básicos alternativos para esse experimento e os represente graficamente.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 31
Considerando as duas bolas brancas distintamente e denotando essas duas bolas por B1,
B2 e a bola preta por P, o espaço básico do experimento é: S1 = {B1B2, B1P, B2B1, B2P, PB1,
PB2}. Alternativamente, se não se distingue as duas bolas brancas, de modo que B1 = B2 = B, o
espaço básico é simplificado para S2 = {BB, BP, PB}.
A primeira especificaçãodetalhada do espaço básico e a segunda mais simples são
representadas pelos diagramas a) e b), respectivamente, da Figura 2.2.
Figura 2.2. Duas especificações alternativas para o espaço básico do experimento
de retirada de duas bolas, sem reposição, de uma caixa com duas
bolas brancas e uma bola preta.
Espaços básicos podem ser classificados quanto ao número de seus resultados
elementares semelhantemente a conjuntos:
Um espaço básico cujo número de resultados elementares é menor que algum
número inteiro positivo é um espaço básico finito; um espaço básico que
compreende um número de resultados elementares maior que qualquer número
inteiro positivo é um espaço básico infinito. Um espaço básico infinito cujos
resultados elementares podem ser enumerados é um espaço básico infinito
contável, Um espaço básico finito ou infinito contável é um espaço básico discreto.
Um espaço básico cujos elementos constituem um "continuum", tal como o conjunto
dos pontos de um segmento de reta, é um espaço básico contínuo.
Os espaços básicos dos experimentos aleatórios a, b e c são exemplos de espaço
básico finito. O espaço básico do experimento d é um exemplo de espaço básico
infinito contável. A variável que exprime a característica considerada no experimento
aleatório e é uma variável numérica definida no intervalo dos números reais [0; 1];
assim, o espaço básico desse experimento é um exemplo de espaço básico contínuo. O
Introdução à Probabilidade 32
experimento f ilustra espaço básico contínuo bidimensional, porque considera duas
características, ambas expressas por variáveis reais, a primeira definida no intervalo (0,
∞) e a segunda, no intervalo (-∞, ∞).
O resultado de uma realização de um experimento aleatório é um e apenas um
resultado possível ou resultado elementar, ao qual corresponde um e apenas um evento
simples ou elementar. Em geral, entretanto, pode haver interesse em alguma
característica ou propriedade comum a vários resultados elementares. A coleção de
resultados elementares com uma característica ou propriedade comum constitui um
evento composto. Assim, no Exemplo 2.1 b, pode-se ter interesse nos eventos
compostos correspondentes à ocorrência de plantas com infeção, ou seja, no evento
{IFr, IM, IFo, IG}, ou na ocorrência de plantas com grau de infecção abaixo da média,
ou seja, no evento {SI, IFr}. Eventos simples e eventos compostos são ambos
subconjuntos do espaço básico, e são designados, genericamente, de eventos:
Um subconjunto de resultados elementares do espaço básico com uma
característica ou propriedade comum é um evento.
Um evento ocorre em um experimento aleatório quando o resultado do
experimento é um dos resultados elementares que o constituem.
Assim, por exemplo, o evento {SI, IFr} ocorre no experimento do Exemplo 2.1
b se o resultado do experimento é SI ou IFr.
Eventos são comumente denotados pelas primeiras letras maiúsculas do alfabeto,
A, B, C,... Uma exemplificação mais ampla da caracterização e representação de
eventos é provida a seguir.
Exemplo 2.1 (continuação)
Um evento elementar particular de cada um dos experimentos do Exemplo 2.1.
a) evento "terneiro macho": {M};
b) evento "infeção acima da média": {IFo, IG};
c) evento "pelo menos noventa sementes germinam": {90, 91,..., 100};
d) evento "no máximo três animais são examinados": {C, SC, SSC};
e) evento "concentração de açúcar entre 0,4 e 0,6": {t: 0,4≤t≤0,6, t real};
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 33
f) evento "animal com peso acima de 400 kg e com ganho de peso positivo": {(x, y):
x>400; y>0, x e y reais}.
2.3 Modelo Matemático de Probabilidade
A abordagem científica para a descrição, análise e predição com vistas à
aquisição de conhecimento referente a fenômenos e processos físicos requer a
construção de modelos matemáticos. Assim, por exemplo, a segunda lei da cinemática
de Newton estabelece que um objeto sujeito a uma força desloca-se com uma
aceleração proporcional à força, o que pode ser expresso por F = ma. Essa expressão é
um exemplo de modelo matemático de um fenômeno físico, que consiste de símbolos
que representam características do fenômeno (no caso F, m e a que representam
números que exprimem as grandezas de força, massa e aceleração) relacionadas por
uma equação. A lei estabelece que esse modelo matemático pode ser utilizado para
descrever e prever o fenômeno físico.
A prova de que um modelo matemático exprime corretamente a realidade é
impossível; a correção de um modelo matemático pode ser somente verificada através
de experimento. Assim, por exemplo, a utilização da equação F = ma permite a
derivação de uma expressão que provê a distância que um objeto percorrerá em queda
livre em um dado tempo. A adequabilidade e utilidade do modelo para esse propósito
somente podem ser evidenciadas pela concordância entre a distância prevista e a
distância real percorrida por um objeto em queda livre. Quanto mais elevada for essa
concordância e quanto maior for o número de realizações desse experimento, maior
será a confiabilidade na lei.
Semelhantemente, em geometria são estabelecidos os conceitos matemáticos de
pontos, linhas, figuras, etc. Esses conceitos, juntamente com um conjunto apropriado
de axiomas, constituem um modelo matemático. A partir desses axiomas, são
estabelecidos teoremas que exprimem propriedades da geometria. Esses teoremas
referem-se a esse modelo matemático, não a pontos, linhas ou figuras físicas. Esse
modelo revela-se útil para aplicação em situações práticas e por essa razão a geometria
tornou-se uma parte importante da matemática.
Introdução à Probabilidade 34
Mais comumente, os mecanismos da causa de um fenômeno são tão complexos
que se torna improdutivo tentar o estabelecimento de um modelo determinista.
Considere-se, por exemplo, a situação mais simples de um experimento aleatório:
lançamento de uma moeda. É inviável a determinação analítica de qual das duas faces
da moeda resultará voltada para cima, a partir da posição inicial e da massa e
aceleração da moeda, das forças que atuam durante seu deslocamento, e com base nas
leis do movimento. Entretanto, pode ser assegurado que há apenas dois resultados
possíveis, se é excluída de consideração a ocorrência (extremamente remota) de
posição vertical da moeda. Se alguém examina a moeda antes do lançamento, observa
que ela tem duas faces, uma das quais pode ser identificada como cara e outra como
coroa, e avalia sua simetria geométrica, concluirá que não há qualquer razão para
atribuir expectativa mais elevada para a ocorrência de uma das faces do que da outra.
Por essa razão, indubitavelmente, atribuirá igual possibilidade para as duas faces. Diz-
se, nesse caso, que os dois resultados possíveis são igualmente verossímeis.
Constrói-se um modelo matemático para exprimir igual verossimilhança dos
resultados possíveis de um experimento aleatório pela assinalação de números iguais
aos resultados igualmente verossímeis. Convencionalmente, esses números são
atribuídos de modo que sua soma seja 1 e os números assinalados são denominados de
probabilidades dos resultados do experimento. Assim, para o experimento de
lançamento de uma moeda, assinala-se 1/2 à cara e 1/2 à coroa. A probabilidade 1/2
assinalada à cara é a proporção do número de resultados igualmente verossímeis que
correspondem à cara relativamente ao número total de resultados igualmente
verossímeis desse experimento.
A assinalação do número 1/2 à cara e à coroa constitui um modelo matemático
para a admissão de igual verossimilhança desses dois resultados possíveis. Observe-se,
entretanto, que esse modelo é baseadoem considerações a priori. As probabilidades
assinaladas à cara e à coroa referem-se a uma "moeda conceitual", ou seja, à moeda do
modelo matemático. A adequabilidade das probabilidades para moedas reais é uma
questão que apenas pode ser respondida pela experiência.
Há situações em um modelo de probabilidade completo não pode ser
estabelecido por considerações a priori. Por exemplo, seria impossível especificar a
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 35
probabilidade de que uma máquina produza uma peça defeituosa sem a observação do
desempenho da máquina. E mesmo com tal observação, é impossível especificar a
"verdadeira" probabilidade; apenas aproximações para essa probabilidade podem ser
obtidas por experiência. Entretanto, a postulação da existência de tal probabilidade
pode ser muito útil e importante para propósitos práticos. Assim, nesse caso, ainda se
constrói um modelo, mas não se assinalam como probabilidades números específicos
determinados por considerações a priori, já que não se sabe que números atribuir. A
experimentação, ou seja, a observação de um conjunto de peças produzidas pela
máquina pode prover uma orientação para a escolha desses números. Entretanto, deve-
se salientar que dois desses experimentos, ou seja, as observações de dois distintos
conjuntos de peças produzidas por essa máquina usualmente produzirão resultados
diferentes. Por exemplo, em um conjunto de 100 lançamentos de uma moeda podem
ocorrer 49 caras, ou seja, a proporção de caras pode ser 0,49, e em outro conjunto a
proporção pode ser 0,52. Esse exemplo ilustra a dificuldade da idealização de um
modelo matemático para probabilidade a partir de considerações a posteriori.
Entretanto, quando não há base sólida para considerações a priori e a intuição falha,
não se pode postular as probabilidades reais como conhecidas. A aproximação dessas
probabilidades através da experimentação pode tornar-se a melhor alternativa.
Na próxima Seção, considera-se a definição de probabilidade e o
estabelecimento de modelos de probabilidade para experimentos aleatórios na situação
simples em que o conjunto de resultados possíveis é finito e esses resultados podem ser
considerados igualmente verossímeis por concordância convencional. Não se provará
que as "probabilidades verdadeiras" são aquelas admitidas por considerações a priori;
postular-se-á probabilidades baseadas na pressuposição de igual verossimilhança nas
situações em que a intuição, o senso comum, a simetria do experimento, etc., conduz
ao consenso de que os resultados são igualmente verossímeis. Deve ser salientado,
entretanto, que o experimento é sempre o teste final da validade do modelo que se
admite ou postula.
Introdução à Probabilidade 36
2.4 Conceito Clássico de Probabilidade
Intuitivamente, a probabilidade de um evento de um experimento aleatório é uma
medida da chance de sua ocorrência em uma realização do experimento. É natural
pensar que uma medida da chance de ocorrência de um evento seja provida pela
proporção de vezes em que se esperaria a ocorrência do evento se o experimento fosse
repetido sob, essencialmente, as mesmas condições. Assim, a probabilidade depende
da natureza do experimento e do espaço básico associado. Em algumas situações, a
proporção de vezes em que é esperada a ocorrência de um evento pode ser determinada
por derivação lógica, sem a realização efetiva do experimento. Em outras situações, é
necessário repetir o experimento um número elevado de vezes para obter informação
sobre essa proporção, através da correspondente freqüência de ocorrências observadas.
Nesse caso, a verdadeira proporção (probabilidade) é desconhecida e podem ser
obtidas apenas aproximações.
Esse fato suscitou muita polêmica no passado e originou diversos conceitos de
probabilidade. O conceito mais primitivo é o chamado conceito clássico. Esse conceito
é aplicável quando uma simetria da estrutura do experimento aleatório assegura que
todos os resultados elementares têm a mesma chance de ocorrência em uma realização
particular do experimento, ou seja, que os resultados elementares são igualmente
verossímeis.
Essa propriedade foi inicialmente observada em "jogos de azar", como o
processo de lançamento de um dado ideal e observação da face que resulta voltada
para cima. Como o dado tem seis faces e é simétrico e balanceado, é natural esperar-se
que cada uma das seis faces ocorra em 1/6 das vezes. Por essa razão, atribui-se igual
probabilidade 1/6 a cada um dos 6 resultados elementares, isto é, a cada uma das 6
faces.
Essa propriedade de eqüiprobabilidade também ocorre em processos de "escolha
aleatória" de um elemento de um conjunto, em que é assegurada igual chance de
escolha para todos os elementos do conjunto. Seja, por exemplo, o experimento
"escolha aleatória de uma garrafa de uma caixa com seis garrafas e identificação da
garrafa escolhida". Como uma entre as 6 garrafas deve ser escolhida e todas as 6
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 37
garrafas têm a mesma chance de ser escolhida, conclui-se, logicamente, sem realizar o
experimento, que é esperado que cada garrafa ocorra em 1/6 das vezes, e atribui-se
probabilidade 1/6 a cada uma das seis faces.
Esses dois experimentos aleatórios têm estruturas análogas. Se as seis faces do
dado e as seis garrafas são identificadas pelos números 1, 2, 3, 4, 5 e 6, o espaço básico
comum dos dois experimentos é S = {1, 2, 3, 4, 5, 6}. Então, pode-se expressar as
probabilidades dos resultados elementares por: P(s) = 1\6, s∈S. A probabilidade de
qualquer evento pode ser derivada a partir dessa probabilidade comum dos resultados
elementares. Considere-se, por exemplo, o evento A: face (ou garrafa) identificada por
número par, isto é, A = {2, 4, 6}; como a proporção de ocorrências de face par é a
soma das proporções de ocorrências de cada uma das faces (ou garrafas) identificadas
pelos números 2, 4 e 6, deve-se ter:
P(A) = P(2) + P(4) + P(6) = 1 13
6 2
× = .
A derivação lógica de probabilidades ilustrada por esses exemplos é generalizada
para eventos de experimentos aleatórios com espaço básico constituído por resultados
elementares igualmente verossímeis, ou seja, espaço básico equiprovável, como
segue:
Conceito clássico de probabilidade: Se o espaço básico S de um experimento
aleatório compreende n(S) resultados elementares igualmente verossímeis, a
probabilidade de cada um desses resultados possíveis é 1/n(S). Se um evento A
consiste de n(A) desses n(S) resultados elementares, então:
n(A)P(A)
n(S)
= .
Observe-se que n(S) é o número dos resultados possíveis do experimento e n(A)
é o número desses resultados que implicam na ocorrência do evento A, isto é, o
número de resultados favoráveis à ocorrência de A. Assim, a probabilidade de um
evento A de um espaço básico equiprovável pode ser expressa por:
número de resultados favoráveis a AP(A) =
número de resultados possíveis
.
Introdução à Probabilidade 38
Em um experimento aleatório com espaço básico equiprovável todos os pontos
do espaço básico têm a mesma probabilidade. Por essa razão, diz-se que o
correspondente modelo de probabilidade é uniforme:
O modelo de probabilidade para experimento com espaço básico equiprovável é
designado modelo de probabilidade uniforme. Uma função P(.) que atribui igual
probabilidade a todos os resultados elementares de um experimento com espaço
básico equiprovável é designada função de probabilidade uniforme.
Apesar de aparentemente bastante restritiva, a condição de eqüiprobabilidade do
espaço básico é de grande importância prática. Essa condição ocorre na seleção de um
subconjunto de unidadesde um conjunto de unidades de interesse, ou sob
consideração, por processo que atribua a todos as unidades a mesma probabilidade de
constituir a amostra. Tais subconjunto e conjunto são usualmente designados de
amostra e população, respectivamente, e esse processo de seleção é denominado de
amostragem aleatória.
A aplicação do conceito clássico de probabilidade é ilustrada, a seguir, através de
exemplos simples.
Exemplo 2.6.
Experimento: Extração aleatória de um saco de sementes de uma pilha com 2 sacos de
sementes da variedade A e 3 da variedade B. Determine a probabilidade do evento E: saco de
sementes da variedade A.
Há 5 resultados possíveis igualmente prováveis na seleção aleatória de um saco de uma
pilha de 5 sacos dos quais 2 de sementes da variedade A e 3 de sementes da variedade B.
Denotando os 2 sacos de sementes da variedade A por A1 e A2 e os 3 sacos de sementes da
variedade B por B1, B2 e B3, o espaço básico detalhado desse experimento é S = {A1, A2, B1,
B2, B3}. Por outro lado, E = {A1, A2}, já que os dois resultados possíveis A1 e A2 são
favoráveis ao evento E. Portanto, em decorrência da eqüiprobabilidade do espaço básico S,
n(E) 2
P(E) = =
n(S) 5
.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 39
Exemplo 2.7
Experimento: Extração aleatória de dois sacos de sementes da pilha de 5 sacos
considerada no Exemplo 2.6, com a reposição do primeiro saco extraído antes da extração do
segundo saco. Sejam os seguintes eventos: E1: dois sacos da variedade A; E2: dois sacos da
variedade B; e E3: um saco de cada variedade.
Na extração do primeiro saco, qualquer um dos 5 sacos de sementes pode resultar (A1,
A2, B1, B2, B3). Como o segundo saco extraído é reposto antes da segunda extração,
novamente, qualquer um dos 5 sacos de sementes pode resultar na segunda extração (A1, A2,
B1, B2, B3). Portanto, um espaço básico detalhado para esse experimento é: S = {A1A1, A1,A2,
A1B1, A1B2, A1B3, A2A1, A2,A2, A2B1, A2B2, A2B3, B1A1, B1,A2, B1B1, B1B2, B1B3, B2A1,
B2,A2, B2B1, B2B2, B2B3, B3A1, B3,A2, B3B1, B3B2, B3B3}, onde B2A1, por exemplo, denota o
resultado elementar "saco B2 na primeira extração e saco A1 na segunda extração". A extração
aleatória implica que esse espaço básico é equiprovável.
Os resultados de S favoráveis ao evento E1 são os resultados possíveis que
correspondem a dois sacos da variedade A; logo, E1 = {A1A1, A1,A2, A2A1, A2,A2}. De fato, na
primeira extração, qualquer dos dois sacos da variedade A (A1 ou A2) é favorável ao evento E1
se, novamente, um dos dois sacos da variedade A (A1 ou A2) resultar na segunda extração.
Portanto,
1
1
n(E ) 4
P(E ) =
n(S) 25
= .
As especificações dos eventos E2 e E3 são: E2 = {B1B1, B1B2, B1B3, B2B1, B2B2, B2B3,
B3B1, B3B2, B3B3} e E3 = {A1B1, A1B2, A1B3, A2B1, A2B2, A2B3, B1A1, B1,A2, B2A1, B2,A2,
B3A1, B3,A2}. Logo,
2
9
P(E ) =
25
e 3
12
P(E ) =
25
.
Em geral, o número de resultados possíveis n(S) e o número de resultados
favoráveis ao evento de interesse n(E) podem ser derivados diretamente ou por
argumento lógico, de modo que as enumerações do espaço básico S e do evento E se
tornam desnecessárias. Esse procedimento alternativo é particularmente muito
conveniente se o tamanho do espaço básico S é considerável.
Introdução à Probabilidade 40
Exemplo 2.7 (continuação)
Reconsiderem-se as determinações das probabilidades dos eventos E1, E2 e E3 do
Exemplo 2.7.
Pode-se argumentar como segue: qualquer um dos 5 sacos de sementes pode resultar na
extração do primeiro saco; portanto, há 5 resultados na primeira extração que associados a
resultados da segunda extração podem constituir resultados possíveis do experimento. Como o
segundo saco extraído é reposto antes da segunda extração, novamente qualquer dos 5 sacos
pode resultar na segunda extração. Portanto, há 5×5=25 resultados possíveis na extração de
dois dos cinco sacos. Por outro lado, na primeira extração, qualquer um dos 2 sacos da
variedade A será favorável ao evento E1 se, novamente, um dos 2 sacos da variedade A
resultar na segunda extração. Logo, o número de resultados favoráveis ao evento E1 é 2×2=4.
Portanto,
1
2 2 4
P(E ) =
5 5 25
×
=
× .
Pelo mesmo raciocínio, pode-se determinar a probabilidade do evento E2:
2
3 3 9
P(E ) =
5 5 25
×
=
×
.
O evento E3 ocorre quando resulta um saco da variedade A na primeira extração e um
saco da variedade B na segunda extração, ou um saco da variedade B na primeira extração e
um saco da variedade A na segunda extração. Portanto, o número de resultados favoráveis ao
evento E3 é: 2×3 + 3×2 = 12; logo,
3
2 3 + 3 2 12
P(E ) =
5 5 25
× ×
=
×
.
Exemplo 2.8
Mesma situação do experimento do Exemplo 2.7, mas sem reposição do saco que
resulta na primeira extração.
Como na situação anterior, qualquer um dos 5 sacos de sementes pode resultar na
extração do primeiro saco; portanto, há 5 resultados na extração do primeiro saco (A1, A2, B1,
B2, B3) que podem associar-se a resultados da extração do segundo saco para constituírem
resultados possíveis do experimento. Entretanto, como agora o primeiro saco extraído não é
reposto, qualquer um dos outros 4 sacos pode resultar na segunda extração (um dos sacos A1,
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 41
A2, B1, B2 ou B3 foi excluído da pilha na primeira extração). Portanto, o número de resultados
possíveis do experimento é 5×4 = 20.
A extração de qualquer um dos dois sacos da variedade A (A1 e A2), seguida da extração
do restante saco da variedade A (A1 ou A2), é favorável ao evento E1. Portanto, o número de
resultados favoráveis ao evento E1 é 2×1. Logo,
1
2 1 1
P(E ) =
5 4 10
×
=
×
.
Por raciocínio análogo, obtém-se:
2
3 2 3
P(E ) =
5 4 10
×
=
×
.
Um saco de cada uma das variedades ocorre quando se sucedem as extrações de 1 saco
da variedade A (A1 ou A2) e 1 saco da variedade B (B1, B2 ou B3), ou 1 saco da variedade B e 1
saco da variedade A. Observe-se que, se é retirado um dos 2 sacos da variedade A na primeira
extração, os 3 sacos da variedade B continuam na pilha, e, se é retirado um dos 3 sacos da
variedade B na primeira extração, os 2 sacos da variedade A continuam na pilha. Portanto,
3
2 3 3 2 3
P(E ) =
5 4 5
× + ×
=
×
.
Esses exemplos ressaltam a importância da condição de eqüiprobabilidade do
espaço básico para a aplicação do conceito clássico de probabilidade. É importante
observar que, mesmo na situação de experimento aleatório com estrutura simétrica, a
eqüiprobabilidade dos resultados possíveis depende da especificação do espaço básico.
Para ilustração, considere-se o seguinte exemplo de um experimento aleatório simples.
Exemplo 2.9
Experimento: Dois lançamentos sucessivos de uma moeda ideal (ou, equivalentemente,
um lançamento de duas moedas ideais) e observação das faces que se voltam para cima.
Considere-se o evento "duas caras".
Poder-se-ia argumentar que há 3 resultados possíveis para esse experimento: duas caras,
duas coroas, e uma cara e uma coroa, que um desses resultados implica no evento sob
consideração, ou seja, duas caras, e que, portanto, a probabilidade de duas caras seria 1/3.
Entretanto, esse raciocínio é falho, porque esses três resultados possíveis não são igualmente
verossímeis: o terceiro resultado – uma cara e uma coroa, pode ocorrer de dois modos
Introdução à Probabilidade 42
distintos: cara no primeiro lançamento e coroa no segundo, e coroa no primeiro lançamento e
cara no segundo.
De fato, como será argumentado na Seção 2.5.1, a igual verossimilhança dos dois
resultados possíveis do lançamento de uma moeda ideal implicaa igual verossimilhança dos
quatro resultados possíveis de dois lançamentos dessa moeda, que podem ser denotados por
CC, cc, Cc e cC, onde C e c designam cara e coroa, respectivamente. Apenas o primeiro desses
resultados possíveis corresponde a duas caras. Portanto, a probabilidade correta de duas caras é
1/4.
Observe-se que nesse exemplo há duas especificações alternativas do espaço básico: S1
= {CC, cc, Cc, cC} e S2 = {"CC", "cc", "Cc"}, onde na segunda especificação não é levada em
conta a ordem dos dois lançamentos da moeda, ou seja, "Cc" simboliza uma cara no primeiro
lançamento e uma coroa no segundo ou uma coroa no primeiro lançamento e uma cara no
segundo. A condição de eqüiprobabilidade é satisfeita apenas pelo espaço básico mais
detalhado S1, que, por essa razão, é o mais conveniente para o presente propósito.
Em geral, a eqüiprobabilidade do espaço básico que é implicada pela simetria de
um experimento aplica-se ao espaço básico formulado mais detalhadamente; não a
espaços básicos simplificados.
O exemplo que segue ilustra falha que pode decorrer da enumeração incorreta do
espaço básico.
Exemplo 2.10
Experimento: Extração aleatória de uma carta de um baralho ideal de 52 cartas. Seja o
evento "ás ou ouro".
Poder-se-ia argumentar que há 4 azes e 13 ouros e que, portanto, há 17 resultados
possíveis com o atributo em consideração; conseqüentemente, a probabilidade de um ás ou
ouro seria 17/52. Entretanto, esse argumento é incorreto, porque esses 17 resultados não
correspondem a 17 dos 52 resultados elementares igualmente verossímeis. De fato o ás de ouro
é tanto um ás como um ouro, de modo que realmente há 16 resultados elementares favoráveis
ao evento "às ou ouro"; portanto, a probabilidade correta desse evento é 16/52 = 4/13.
Exercícios 2.1
1. Duas bolas devem ser retiradas de uma caixa que contém uma bola branca, uma bola preta
e uma bola vermelha. Estabeleça duas especificações (uma detalhada e outra mais simples)
para o espaço básico desse experimento, sob cada uma das duas seguintes situações: a) a
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 43
primeira bola retirada é reposta na caixa antes da retirada da segunda bola; b) a primeira
bola retirada não é reposta. Represente cada um desses espaços básicos através de um
diagrama de pontos.
2. Reconsidere o exercício anterior supondo, agora, que a caixa contém duas bolas brancas e
duas bolas pretas.
3. Especifique um espaço básico para cada um dos seguintes experimentos aleatórios:
a) extrair uma maçã de uma caixa que contém duas maçãs, uma da cultivar A e outra da
cultivar B e identificar a maçã resultante;
b) extrair uma maçã de uma caixa que contém duas maçãs da cultivar A e três da cultivar
B e identificar a maçã extraída;
c) extrair duas maçãs da caixa considerada no experimento aleatório do item anterior,
com a reposição da primeira maçã antes da extração da segunda, e identificar as duas
maçãs;
d) extrair duas maçãs da caixa considerada no experimento b), sem reposição da primeira
maçã extraída, e identificar as duas maçãs;
e) dar um copo de vinho de cada uma de três cantinas a um provador para degustação e
registrar o resultado do teste de degustação, identificando com as letras C e I,
respectivamente, as identificações correta e incorreta de cada origem do vinho;
f) observar o número de acidentes de trânsito em uma cidade no próximo ano;
g) lançar uma moeda e um dado simultaneamente e observar a figura da face da moeda e
o número da face do dado que resultam voltadas para cima;
h) lançar uma moeda sucessivamente, até o aparecimento de uma cara voltada para cima,
e registrar o número de lançamentos efetuados;
i) ligar um aparelho novo de televisão e registrar o número de horas de seu
funcionamento sem necessidade de reparo;
j) mensurar a temperatura do solo a 5 cm de profundidade em um local, no próximo dia 5
de janeiro, em graus Celsius;
k) determinar a reserva de gás natural em uma área particular e registrar seu volume em
m3.
4. Verifique que os experimentos caracterizados no exercício 3 satisfazem as três
propriedades ou condições de um experimento aleatório.
5. Identifique os espaços básicos especificados no exercício 3 que são: finitos, infinitos
contáveis, discretos e contínuos.
Introdução à Probabilidade 44
6. Especifique os seguintes eventos dos respectivos experimentos aleatórios de que trata o
exercício 3:
a) uma maçã da cultivar A;
b) uma maçã da cultivar A;
c) E1: duas maçãs da cultivar A; E2: duas maçãs de uma mesma cultivar; E3: uma maçã de
cada uma das duas cultivares;
d) E4: duas maçãs da cultivar A; E5: uma maçã de cada uma das duas cultivares;
e) A: três identificações corretas; B: uma identificação correta; C: pelo menos uma
identificação correta;
f) A: 5 acidentes; B: no máximo 5 acidentes; C: pelo menos 5 acidentes;
g) A: cara e face 6; B: cara e face maior que 3; C: coroa e face ímpar;
h) A: cara no quarto lançamento; B: coroa no quarto lançamento; C: cara depois do
quarto lançamento;
i) A: pelo menos 1.600 horas; B: entre 1.200 e 2.300 horas;
j) A: 21°C; B: entre 18 e 27°C; C: pelo menos 15°C;
k) A: pelo menos 1.500.000 m3; B: menos que 2.000.000 m3.
7. Três alunos de uma classe de segundo grau constituída de 16 meninos e 14 meninas são
selecionados aleatoriamente e classificados segundo seu sexo.
a) Especifique o espaço básico equiprovável desse experimento aleatório, denotando
menina e menino pelas letras F e M, respectivamente.
b) Defina um outro espaço básico cujos elementos são os números de meninas
selecionadas.
8. Considere o experimento de lançamento não tendencioso de um par de tetraedros
balanceados, um branco e um vermelho, cada um com as faces numeradas de 1 a 4, e
observação dos números nas faces que resultam voltadas para cima.
a) Formule duas especificações alternativas para o espaço básico desse experimento: uma
levando em conta a distinção de cores dos dois tetraedros e a outra ignorando as cores.
b) Qual dessas duas especificações constitui um espaço básico equiprovável?
c) Especifique os seguintes eventos: A = número 3 no tetraedro branco; B: número 3 em
um dos dois tetraedros; C = número 3 no tetraedro branco e número 4 no vermelho; D:
soma igual a 4; E: soma menor que 4.
d) Supondo que os tetraedros são balanceados e lançados de modo isento, determine as
probabilidades dos eventos especificados no item anterior.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 45
9. Um experimento consiste do lançamento de uma moeda e, se ocorrer cara, de um segundo
lançamento dessa moeda; se ocorrer coroa, então é lançado um dado; é efetuado o registro
da figura na face da moeda (C: cara, c: coroa) e do número da face do dado (1, 2,..., 6).
a) Especifique o espaço básico desse experimento aleatório.
b) Especifique cada um dos seguintes eventos: A: número menor que 4 no dado; B: duas
caras; C: duas coroas.
c) Determine as probabilidades dos eventos especificados no item anterior, na suposição
de que a moeda e o dado sejam balanceados e lançados de modo não tendencioso.
10. Considere o experimento de perguntar a três mulheres escolhidas aleatoriamente se elas
usam sabão em pó de uma marca "X" e registrar a resposta de cada uma delas, denotando-a
por S ou N, respectivamente para sim ou não.
a) Formule o espaço básico.
b) Especifique o evento "pelo menos uma mulher usa sabão em pó da marca X".
c) Descreva os eventos A e B cujas especificações são: A = {NSS, SSN, SNS} e B =
{NSS, SSN, SNS, SNN, NSN, NNS, NNN}.
11. Quais dos seguintes eventos são iguais, ou seja, compreendem os mesmos resultados
elementares: A = {1, 3}, B = {s: s é uma face de umdado}, C = {s: s é o número de caras
no lançamento de seis moedas}, D = {0, 1, 2,..., 6}, E = {s: s2-4s+3 = 0}?
12. Determine as probabilidades dos eventos especificados nos itens a), b), c) e d) do exercício
6, na suposição de extração aleatória.
13. Supondo que o provador não possui habilidade especial para a identificação da
procedência do vinho (ou seja, supondo igual probabilidade de identificação correta e
identificação incorreta da procedência de cada copo de vinho), determine a probabilidade
de cada um dos eventos especificados no exercício 6 e).
14. Na suposição de que os tetraedros e a moeda e o dado sejam balanceados e os lançamentos
sejam efetuados de modo isento, determine as probabilidades dos eventos especificados no
exercício 8 c) e no exercício 9 b).
2.5 Contagem de Pontos do Espaço Básico
O cálculo da probabilidade na situação de espaço básico equiprovável reduz-se
às contagens dos números de resultados elementares do espaço básico S e do número
desses resultados que implicam na ocorrência de eventos de S.
Introdução à Probabilidade 46
Em situações em que a estrutura do experimento é simples e o tamanho do
espaço básico é pequeno, contagens de resultados elementares são efetuadas sem
dificuldade. Entretanto, em muitos experimentos, o processo de contagem pode se
tornar difícil e trabalhoso. Para essas circunstâncias, são convenientes métodos
sistemáticos de contagem ou enumeração que constituem a parte da matemática
usualmente designada de "análise combinatória".
As regras básicas de contagem são revisadas a seguir.
2.5.1 Regra da multiplicação
A primeira regra de contagem aplica-se à situação em que o experimento
aleatório E compreende a realização simultânea ou sucessiva de dois experimentos
mais simples E1 e E2. Nessa situação, cada resultado elementar s do experimento E
consiste de um par ordenado de resultados parciais s1 e s2, respectivamente dos
experimentos E1 e E2.
Dois resultados parciais s1 e s2 constituem um par ordenado se o par (s1, s2) é
diferente do par (s2, s1).
Nesse texto denota-se o par ordenado de resultados parciais (s1, s2) mais
simplesmente por s1s2.
Exemplo 2.11
Considere-se o experimento de dois lançamentos sucessivos de uma moeda e
observação das faces que resultam voltadas para cima (Exemplo 2.9). Determine o número de
resultados elementares do espaço básico desse experimento aleatório.
Cada resultado elementar desse experimento é o par ordenado constituído pelo resultado
parcial de cada um dos dois lançamentos sucessivos da moeda. Assim, se a face observada no
primeiro lançamento da moeda é par (P) e a face observada no segundo lançamento é ímpar
(I), o resultado elementar dos dois lançamentos sucessivos é PI; se o primeiro lançamento
resulta em ímpar e o segundo em par, o resultado é IP. Desse modo, PI e IP são dois resultados
elementares distintos. O espaço básico é constituído pela associação de cada um dos dois
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 47
resultados que podem ser obtidos no primeiro lançamento da moeda com cada um dos dois
resultados que podem ser obtidos no segundo lançamento; portanto, n(S) = 2×2 = 4.
O processo de contagem ilustrado por esse exemplo é generalizado pela seguinte
regra:
Regra da multiplicação para pares ordenados: Se o primeiro elemento de um
par ordenado pode assumir n1 valores distintos e para cada um desses n1 valores o
segundo elemento do par pode assumir n2 valores distintos, então o número de
distintos pares ordenados que podem ser constituídos é n1×n2.
Essa regra da multiplicação aplica-se para a contagem do número de resultados
possíveis de um experimento que compreende a realização de dois experimentos mais
simples, como segue:
Se um experimento aleatório E compreende a realização de dois experimentos
E1 e E2 o primeiro dos quais pode ter n1 resultados distintos e para cada um desses
resultados o segundo experimento pode ter n2 resultados distintos, então o
experimento combinado E pode ter n1×n2 resultados distintos.
Cada um dos resultados elementares de qualquer evento do experimento
E compreende a associação de um resultado elementar do experimento E1 e um
resultado elementar do experimento E2. Logo, a regra da multiplicação também é
aplicável à contagem do número de resultados favoráveis a eventos do espaço básico
S: Se n1(A) e n2(A) são os números dos resultados elementares dos experimentos E1 e
E2, respectivamente, que associados constituem os resultados do experimento E que
são favoráveis a um evento A, então, o número dos resultados do experimento
combinado que são favoráveis a A é n1(A)×n2(A).
No presente contexto, interessa a utilização da regra da multiplicação para a
contagem dos resultados elementares de um experimento E que compreende a
realização de dois experimentos parciais E1 e E2 cujos resultados elementares são
Introdução à Probabilidade 48
equiprováveis. O cálculo de probabilidades de eventos do experimento E fundamenta-
se no seguinte princípio ou propriedade:
Se os n1 resultados elementares de um experimento E1 são igualmente
verossímeis e os n2 resultados de um experimento E2 são igualmente verossímeis ,
então os n1×n2 resultados elementares do experimento composto dos experimentos
E1 e E2 também são igualmente verossímeis.
Essa implicação da igual verossimilhança dos resultados de dois experimentos
parciais e a igual verossimilhança dos resultados do experimento combinado pode ser
considerada como um axioma ou um teorema, dependendo do sistema lógico adotado.
Aqui, ela é adotada simplesmente como uma regra testada útil para a construção de
modelos de probabilidade com essa estrutura. Essa regra é consistente com definições
e regras subseqüentes referentes à "probabilidade condicionada" (Seção 3.5).
Essa regra ressalta a importância de que na listagem e contagem dos resultados
elementares do experimento combinado E pela regra da multiplicação seja distinguido
a qual dos dois experimentos E1 e E2 corresponde cada um dos resultados parciais
associados para constituir um resultado elementar de E, ou um fator do produto n1×n2.
Assim, no experimento de dois lançamentos sucessivos de uma moeda (Exemplo 2.9),
pode-se especificar dois espaços básicos alternativos S1 = {CC, cc, Cc, cC} e S2 =
{"CC", "cc", "Cc"}, onde Cc é denota a ocorrência de cara no primeiro lançamento e
coroa no segundo, e "Cc" denota a ocorrência de cara e coroa sem levar em conta as
ordens dos lançamentos em que ocorrem cara e coroa. A aplicação da regra da
multiplicação gera o espaço básico S1, não o S2 (Exemplo 2.11); portanto, a igual
verossimilhança dos resultados tanto do experimento E1 como E2 aplica-se aos
resultados elementares do espaço básico S1, conforme foi antecipado pelo Exemplo
2.9.
O Exemplo 2.7 e o Exemplo 2.8 ilustram o uso da regra da multiplicação. Outra
ilustração é provida pelo exemplo que segue.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 49
Exemplo 2.12
Experimento: Escolha por um agricultor de uma cultivar e de uma época de semeadura
para o cultivo do arroz. São disponíveis para o agricultor duas cultivares de arroz (C1 e C2)
cada uma das quais pode ser semeada em três épocas (E1, E2 e E3). a) Quantos resultados
alternativos podem decorrer desse processo de escolha? b) Se o agricultor proceder às
escolhas da cultivar e da época de semeadura de modo aleatório, qual é a probabilidade de que
ele escolha semear a cultivar C1 na época E1 ou na época E2?
Esse experimento compreende dois experimentos mais simples: escolha de uma cultivar
e escolha de uma época de semeadura. O primeiro experimento pode ter n1 = 2 resultados: C1 eC2, e para qualquer dessas cultivares que seja escolhida o segundo experimento pode ter n2 = 3
resultados: E1, E2 e E3. O número de resultados possíveis do experimento combinado, ou seja,
do processo de escolha de uma cultivar e de uma época de semeadura é, portanto, n1×n2 = 2×3
= 6.
b) Os resultados dos dois experimentos parciais que associados constituem resultados
favoráveis ao evento A: semeadura da cultivar C1 na época E1 ou na época E2, são,
respectivamente, C1 e (E1, E2). Logo, o número de resultados favoráveis a esse evento é 1×2 =
2. Portanto, segundo o conceito clássico de probabilidade:
2 1
P(A) = =
6 3
.
A estrutura do espaço básico de um experimento aleatório em que se aplica a
regra da multiplicação pode ser representada por um diagrama de árvore. Um
diagrama de árvore para um conjunto de n1×n2 pares ordenados inicia-se em um ponto
à esquerda, a partir do qual origina-se um ramo de primeira geração para cada um dos
n1 distintos valores que o primeiro elemento do par pode assumir. Na extremidade de
cada um desses n1 ramos de primeira geração, origina-se um ramo de segunda geração
para cada um dos n2 distintos valores que o segundo elemento do par pode assumir.
Portanto, o número total de ramos de segunda geração, ou o número de caminhos
alternativos que podem ser percorridos da origem à extremidade de um ramo de
segunda geração, é n1×n2. Cada um desses ramos de segunda geração, ou desses
caminhos, corresponde a um dos n1×n2 possíveis pares ordenados.
Introdução à Probabilidade 50
Exemplo 2.12 (continuação)
Considere-se a construção de um diagrama de árvore para representar a estrutura do
espaço básico do experimento aleatório de que trata o Exemplo 2.12.
O diagrama de árvore (Figura 2.3) se inicia em um ponto à esquerda, a partir do qual
originam-se 3 ramos, correspondentes às 3 épocas de semeadura alternativas E1, E2 e E3; na
extremidade de cada um desses 3 ramos, originam-se 2 novos ramos, correspondentes às 2
cultivares alternativas C1 e C2. As 3×2 = 6 alternativas possíveis do processo de escolha de
uma época de plantio e de uma cultivar (E1C1, E1C2, E2C1, E2C2, E3C1, E3C2) são representadas
pelos 6 caminhos distintos ao longo dos ramos da árvore.
Figura 2.3. Diagrama de árvore que representa o processo de escolha de cultivar
e época de semeadura para o cultivo de arroz, quando são
disponíveis duas cultivares que podem ser semeadas em três épocas.
A regra da multiplicação estende-se para a situação em que os resultados
elementares do espaço básico são conjuntos ordenados de mais de dois resultados
parciais.
Exemplo 2.13
Experimento: Cinco lançamentos sucessivos de uma moeda e observação das cinco
faces que resultam voltadas para cima. a) Determine: i) o número de resultados possíveis
desse experimento; ii) o número desses resultados que são favoráveis ao evento E: cara nos
três primeiros lançamentos. b) Determine a probabilidade desse evento E, na suposição de que
a moeda é balanceada e que os lançamentos são isentos.
a) i) O espaço básico desse experimento é constituído pela associação de cada um
dos dois resultados que podem ser obtidos no primeiro lançamento da moeda com cada um dos
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 51
dois resultados que podem ser obtidos no segundo lançamento, com cada um dos dois
resultados que podem resultar no terceiro lançamento, etc., de modo que n(S) = 2×2×2×2×2 =
25 = 32.
ii) O evento E ocorrerá se todos os 3 primeiros lançamentos da moeda resultarem
em cara, qualquer que sejam os resultados do quarto e do quinto lançamento. Há apenas uma
possibilidade de resultarem 3 caras nos 3 primeiros lançamentos, e há dois resultados possíveis
em cada um dos dois últimos lançamentos. Portanto, o número de resultados favoráveis a
ocorrência do evento E é: 1×2×2 = 4.
b) A probabilidade do evento E é, portanto,
4 1
P(E) = =
32 8
.
O processo de contagem ilustrado por esse exemplo é generalizado pela seguinte
regra:
Regra geral da multiplicação. Se o primeiro elemento de um conjunto
ordenado de r elementos pode assumir n1 valores distintos, para cada um dos quais o
segundo elemento do conjunto pode assumir n2 valores distintos, para cada um dos
quais o terceiro elemento pode assumir n3 valores distintos,..., e para cada um dos nr-
1 valores distintos que o elemento r-1 pode assumir, o r-ésimo elemento pode
assumir nr valores distintos, então o número de conjuntos ordenados que podem ser
constituídos é n1×n2×...×nr.
A estrutura de um espaço básico constituído por conjuntos ordenados de r
elementos também pode ser representada por um diagrama de árvore. Para essa
situação, o diagrama é estendido pela adição de ramos de terceira geração, originados
na extremidade de cada um dos ramos de segunda geração; de ramos de quarta
geração, originados nas extremidades de cada um dos ramos de terceira geração, e
assim sucessivamente, até ramos de r-ésima geração, originados nas extremidades de
cada um dos ramos de geração r-1.
Exemplo 2.14
Considere-se uma extensão do experimento aleatório do Exemplo 2.12 em que o
agricultor, além da cultivar e da época de semeadura, tem que escolher um de três métodos de
Introdução à Probabilidade 52
plantio (M1, M2 e M3) e um fungicida entre os quatro disponíveis no mercado (F1, F2, F3 e F4).
Quantas alternativas o agricultor tem que considerar para proceder à decisão?
Há n1×n2×n3×n4 = 3×2×3×4 = 72 quádruplos da forma (Ci, Ej, Mk, Fl), i = 1, 2, 3, j = 1,
2, k = 1, 2, 3, l = 1, 2, 3, 4. Assim, há 72 modos de escolha de uma de 3 cultivares, uma de 2
épocas de plantio, um de 3 métodos de plantio e um de 4 fungicidas.
Exercícios 2.2
1. Uma indústria adota um processo de três estágios para a fabricação de um certo tipo de
equipamento que tem 4 linhas de montagem alternativas para o primeiro estágio, 3 para o
segundo estágio e 5 para o terceiro estágio. De quantas formas diferentes quanto a linhas
de montagem esses equipamentos podem ser produzidos por essa indústria?
2. Uma pessoa que está para escolher uma refeição composta de uma salada, um prato
quente, uma sobremesa e uma bebida, tem à disposição um cardápio de 6 saladas, 3 pratos
quentes, 5 sobremesas e 4 bebidas.
a) Quantas distintas refeições essa pessoa tem disponível para sua escolha?
b) Suponha que 2 das 6 saladas têm maionese, 1 dos 3 pratos quentes é de galinha, 3 das
5 sobremesas contém ovo e 2 das 4 bebidas são vinho branco. Entre quantas distintas
refeições que estão disponíveis no cardápio pode ser escolhida uma constituída de uma
salada sem maionese, um prato quente de galinha, uma sobremesa sem ovo, e um
vinho branco?
c) Se a pessoa efetua sua escolha aleatoriamente, qual é a probabilidade de que seja
escolhida uma refeição constituída por uma salada sem maionese, um prato quente de
galinha, uma sobremesa sem ovo e vinho branco?
3. Um experimento está sendo planejado para pesquisar o rendimento de 4 cultivares de soja
em 3 espaçamentos de plantio diferentes.
a) Quantas parcelas são necessárias, se cada combinação de cultivar e rendimento deve
ser atribuída a uma e apenas uma parcela?
b) Quantas parcelas são necessárias, se cada uma dessas combinações deve ser atribuída a
quatro parcelas?
4. No percurso de sua casa para o local de trabalho, uma pessoa pode utilizar quatro rotas
alternativas A, B, C e D. Essas mesmas rotas podem ser utilizadas para o retorno para
casa.
a) Esquematize, através de um diagrama de árvore, os caminhos alternativos que essa
pessoa pode utilizar para ir ao trabalho e voltar para casa. Quantos são esses caminhos?
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 53
b) Supondo quea rota de ida para o trabalho e a de volta para casa sejam escolhidas
aleatoriamente, qual é a probabilidade de que a pessoa: i) utilize a mesma rota na ida e
na volta para o trabalho? ii) não utilize a mesma rota na ida e na volta para o trabalho?
c) Responda questões semelhantes às formuladas nos itens a) e b) sob a condição de que
a pessoa não utilize a mesma rota na ida e na volta ao trabalho.
5. Suponha que as rotas B e C consideradas no exercício 4 sejam de um único sentido e que a
pessoa possa utilizar a rota B somente no percurso de casa para o trabalho e a rota C
apenas no sentido contrário. Responda às mesmas questões formuladas naquele exercício
sob estas novas condições.
6. Nas eleições majoritárias simultâneas para Presidente da República, Governador do Estado
e Prefeito do Município, há, respectivamente, 6, 4 e 3 candidatos.
a) De quantos modos um eleitor pode marcar sua cédula para todos esses três cargos?
b) Quantas escolhas alternativas um eleitor tem para votar, se ele exerce sua opção de não
votar em: i) Presidente? ii) Governador? iii) Presidente e Governador?
c) Suponha que um dado eleitor está indeciso e, por essa razão, decide escolher os
candidatos aleatoriamente. Qual é a probabilidade de que esse eleitor escolha um
candidato da preferência dos atuais governantes, se são da preferência desses
governantes 2 dos candidatos a Presidente, 2 dos candidatos a Governador e um dos
candidatos a Prefeito?
7. Um sistema compreende seis mecanismos cada um dos quais pode ser conectado em uma
de quatro posições.
a) De quantos modos esse sistema pode ser disposto quanto às formas alternativas de
conexões de seus 6 mecanismos: i) se a ordem de conexão desses mecanismos é
irrelevante? ii) se essa ordem é importante?
b) Suponha que os 6 mecanismos sejam instalados em uma ordem preestabelecida. De
quantos modos o sistema pode ser disposto, se os dois primeiros mecanismos não
puderem estar conectados em igual posição?
c) Ainda supondo que os 6 mecanismos sejam instalados em uma determinada ordem, de
quantos modos o sistema pode ser disposto, se dois sistemas adjacentes não puderem
estar conectados em igual posição?
d) Quantas maneiras de disposição são possíveis, se apenas as duas primeiras posições de
cada um dos 6 mecanismos forem usadas?
8. Quantos resultados possíveis constituem o espaço básico de cada um dos seguintes
experimentos aleatórios: a) lançamento de um dado branco e um dado preto e observação
Introdução à Probabilidade 54
das faces que se voltam para cima; b) lançamento de uma moeda e um dado e observação
das faces que se voltam para cima; c) preenchimento de um teste de 12 questões em que
cada uma delas deve ser respondida com uma de duas respostas alternativas: verdadeiro ou
falso.
9. Um teste de múltipla escolha consiste de dez questões, cada uma das quais permite uma
escolha entre três alternativas.
a) De quantas maneiras diferentes um estudante pode escolher suas respostas a essas
questões?
b) Supondo que apenas uma alternativa de cada questão seja correta e que um estudante
responda as questões aleatoriamente, qual é a probabilidade de que ele acerte: i) todas
as questões? ii) as primeiras seis questões?
10. Uma caixa contém três pedras identificadas pelos números 1, 2 e 3. Considere o
experimento de 3 extrações sucessivas aleatórias de uma pedra dessa caixa, com a
reposição da pedra após cada extração, e registro da seqüência de números resultante.
a) Construa um diagrama de árvore para determinar os resultados possíveis desse
experimento.
b) De quantos modos distintos podem resultar: i) três números iguais? ii) três números
diferentes? iii) exatamente dois números iguais?
c) Obtenha as probabilidades dos eventos definidos no item anterior.
11. Um baralho consiste de 52 cartas, das quais 13 são de cada um de 4 naipes diferentes:
ouros, copas, espadas e paus. O conjunto de cartas de cada naipe é constituído de 9 cartas
numeradas de 2 a 10, um ás (também carta número 1), um valete, uma dama e um rei.
Considere a extração aleatória de 3 cartas desse baralho, com reposição.
a) Determine a probabilidade de que resulte uma carta de ouros, uma de paus e uma de
copas: i) nesta ordem? ii) em qualquer ordem.
b) Qual é a probabilidade de que sejam extraídas duas cartas de ouros e, em seguida, uma
carta de paus ou de espadas?
12. Reconsidere o exercício 11 sob a condição de que as cartas extraídas não sejam repostas.
2.5.2 Regras das permutações
A regra da multiplicação aplica-se à contagem do número de resultados possíveis
de um experimento que compreende dois ou mais experimentos mais simples com
espaços básicos completamente diferentes (seleções de uma cultivar, uma época de
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 55
semeadura, um método de plantio e um fungicida, Exemplo 2.14), ou com mesmo
espaço básico (lançamentos sucessivos de uma moeda, Exemplo 2.13).
Essa regra aplica-se particularmente à extração sucessiva de elementos de um
conjunto com reposição do elemento extraído antes da próxima extração (Exemplo
2.7), ou sem reposição dos elementos extraídos (Exemplo 2.8). Considere-se, agora, a
seleção sucessiva de todos os elementos de um conjunto sem reposição. Esse processo
gera uma seqüência ordenada dos elementos do conjunto tal que cada um desses
elementos aparece uma e apenas uma vez na seqüência.
Uma seqüência ordenada de n elementos é denominada uma permutação
desses n elementos.
Embora uma seqüência ordenada seja freqüentemente denotada pela listagem de
seus elementos entre parênteses, é usual denotar uma permutação pela justaposição de
seus elementos segundo sua ordem na permutação. Assim, acb é uma permutação das
letras a, b e c.
O número de permutações que podem ser formadas com os elementos de um
conjunto é determinado pela seguinte regra:
Regra das permutações. O número de permutações de n elementos distintos,
denotado por Pn, é:
Pn = n×(n-1)×(n-2)×...×2×1.
Equivalentemente, Pn = 1×2×...×n. Esta expressão é o produto dos n primeiros
números naturais, que é designado de fatorial de n e denotado por n! Por definição, 0!
=1; portanto, P0 = 1.
Exemplo 2.15
Liste as permutações das três primeiras letras do alfabeto: a, b e c, e determine o seu
número.
As distintas seqüências ordenadas das 3 letras a, b e c são: abc, acb, bac, bca, cab e cba.
Portanto, o número de seqüências ordenadas, ou permutações, das 3 letras, é 6, ou seja, P3 =
3×2×1 = 6.
Introdução à Probabilidade 56
De modo geral, permutar n objetos equivale a colocá-los dentro de uma caixa de
n compartimentos em dispostos lado a lado, em alguma ordem (Figura 2.4). O número
de permutações dos n objetos é o número de diferentes configurações que podem
resultar da disposição dos n objetos na caixa.
Figura 2.4. Ilustração do processo de permutação de n objetos o1, o2,..., on.
As permutações distinguem-se pela ordem dos elementos. Assim, a regra das
permutações pode ser derivada pelo seguinte argumento e a utilização da regra da
multiplicação: cada um dos n elementos pode ser o primeiro em uma ordenação
particular dos n elementos; cada um desses n elementos que seja escolhido como
primeiro pode associar-se com cada um dos n-1 elementos restantes, de modo que,
pela regra da multiplicação, tem-se n×(n-1) diferentes ordenações possíveis para os
dois primeiros elementos; cada uma dessas n×(n-1) ordenações pode associar-se com
cada um dos n-2 elementos restantes, de modo que, segundo a mesma regra, tem-se
n×(n-1)×(n-2) ordenações distintas até o terceiro elemento; em geral, há n×(n-1)×(n-
2)×...×[n-(r-1)] distintas ordenações dosr primeiros elementos, cada uma das quais
pode associar-se com cada um dos r-1 restantes elementos; o número de fatores desse
produto cresce, enquanto os fatores vão decrescendo de uma unidade, até a etapa r=n,
quando é incluído o n-ésimo elemento da ordenação e o fator torna-se igual a 1.
Exemplo 2.16
Um experimento é conduzido para a comparação de cinco cultivares de feijão A, B, C,
D e E quanto à produção de grãos. Ao fim do experimento, as cultivares são ordenadas
segundo as grandezas de suas médias observadas. a) Quantas diferentes listagens das cultivares
podem resultar, supondo que não podem resultar duas cultivares com mesma produção? b)
Em quantas dessas listagens as cultivares A e B aparecem nos dois primeiros lugares? c)
Supondo que as 5 cultivares não diferem quanto à produtividade, qual é a probabilidade de que
as cultivares A e B se revelem as mais produtivas por mero acaso?
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 57
a) Qualquer uma das cinco cultivares pode resultar como mais produtiva. Para cada uma
delas que resulte mais produtiva, há quatro cultivares restantes que podem resultar com a
segunda maior produção. Portanto, há 5×4=20 diferentes ordenações das 5 cultivares para os
dois primeiros lugares em produção. Para cada um desses 20 resultados distintos, há 3
cultivares restantes qualquer uma das quais pode ter a terceira produção mais elevada;
portanto, há 5×4×3 = 60 ordenações distintas das 5 cultivares para as 3 primeiras colocações.
Para cada uma dessas 60 ordenações, há duas cultivares restantes qualquer uma das quais pode
ter a penúltima produção; logo, há 5×4×3×2 = 120 distintas ordenações para as 4 cultivares de
maiores produções entre as 5. Como há apenas uma cultivar restante, o número total de
ordenações ou permutações das 5 cultivares quanto às grandezas de suas médias é 5×4×3×2×1
= 120.
Naturalmente, esse mesmo resultado pode ser obtido pela aplicação direta da regra das
permutações: o número de diferentes listagens das 5 cultivares que podem resultar é: P5 =
5×4×3×2×1 = 120.
b) Em uma lista em que as cultivares A e B ocupam os dois primeiros lugares, as 3
cultivares restantes, ou seja, C, D e E, devem ocupar o terceiro, quarto e quinto lugares. O
número de listas em que A e B aparecem nos dois primeiros lugares é o número de diferentes
ordenações de C, D e E nas 3 últimas posições, isto é: P3 = 3×2×1 = 6.
c) Segundo os resultados obtidos nos itens anteriores,
6 1
P(A e B sejam as mais produtivas) = =
120 20
.
Permutações com repetições
Essa regra das permutações pressupõe que os n elementos são distintos. Dessa
forma, essa regra não se aplica a situações em que os n elementos não são todos
distintos, como ilustrado no exemplo que segue.
Exemplo 2.17
Quantas permutações podem ser obtidas com as letras da palavra “consolo”?
Considerando, por um momento, as três repetições da letra "o" como três letras distintas
(pela aposição de subscritos; por exemplo, “co1nso2lo3”), o número de permutações das 7
"letras" é P7 = 7! Entretanto, como, de fato, o1, o2 e o3 simbolizam a mesma letra "o", as
ordenações dessas 7 "letras" em que o1, o2 e o3 ocupam as mesmas 3 posições particulares
Introdução à Probabilidade 58
constituem uma mesma permutação. Esse número de ordenações é P3 = 3! Agora, para cada
ordenação daquelas 7 "letras" há P3 = 3! ordenações que constituem uma mesma permutação.
Portanto, há apenas P7/P3 = 7!/3! = 7×6×5×4 = 840 permutações (diferentes) das letras da
palavra “consolo”.
Esse argumento pode ser generalizado como segue:
Regra das permutações com repetições. O número de permutações de n
elementos que se classificam em k categorias, com ni elementos iguais na i-ésima
categoria (n1+n2+...+nk = n) e elementos de diferentes categorias distintos, denotado
por
1 2 kn(n ,n ,...,n )
P , é:
!n...!n!n
!nP
k21
)n,...,n,n(n k21 = .
Para verificar essa expressão, observe-se que n1! das n! permutações dos n
elementos são idênticas em decorrência da identidade dos n1 elementos da categoria 1.
Assim, apenas n!/n1! ordenações podem diferir quanto aos elementos das demais
categorias. Entretanto, n2! dessas ordenações são idênticas, dada a identidade dos n2
elementos da categoria 2, de modo que apenas n!/n1!n2! ordenações podem diferir
quanto aos elementos das categorias 3, 4,..., k. Estendendo-se esse raciocínio, conclui-
se que apenas n!/n1! n2!...nk! ordenações dos n elementos são distintas.
Exemplo 2.17 (continuação)
Qual é a probabilidade de que a escolha aleatória de uma das permutações das letras da
palavra "consolo" resulte em uma "palavra" terminada com a letra "o"?
Para responder a essa questão, observe-se que a letra "o" aparece repetida 3 vezes na
palavra "consolo". Qualquer que seja uma dessas 3 repetições dessa letra, as demais 6 letras
dessa palavra devem antecedê-la para completar uma "palavra" com todas as sete "letras" da
palavra "consolo". Logo, considerando, por um momento, as três repetições da letra "o" como
se fossem 3 letras distintas, tem-se 3×P6 "palavras" terminadas em "o". Então, pelo mesmo
argumento anterior, segue-se que o número de palavras distintas que podem ser constituídas
com as 7 letras da palavra "consolo" terminadas em "o" é 6 33×P P = 360 .
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 59
Como o número de permutações de letras da palavra "consolo", obtido anteriormente, é
840, a probabilidade de que uma dessas permutações escolhida aleatoriamente termine em "o"
é: 360/840 = 3/7.
Permutações circulares
O conceito estabelecido anteriormente de permutação como uma seqüência
ordenada de elementos distintos supõe a disposição dos elementos em linha. Em
algumas situações, pode ser de interesse considerar a disposição de elementos em
círculo.
Uma permutação de elementos dispostos em um círculo é designada de
permutação circular.
Duas disposições circulares de um mesmo conjunto de elementos distintos
constituem uma mesma permutação circular se as ordenações dos elementos em torno
de um círculo são iguais, ou seja, se cada um dos elementos é precedido e seguido nas
duas disposições pelos mesmos elementos no sentido do deslocamento dos ponteiros
de um relógio. Em outras palavras, uma permutação circular não se altera se todos os
elementos se deslocam um mesmo número de posições em um mesmo sentido em
torno do círculo. Por exemplo, se cinco pessoas estão sentadas em torno de uma mesa,
não se obtém uma nova permutação circular se elas mudam de lugares mantendo as
mesmas posições relativas, como ocorre quando todas elas se deslocam para a próxima
posição à direita.
Exemplo 2.18
Em quantas distintas configurações de vizinhanças em torno de uma mesa podem
sentar-se cinco pessoas para jogar cartas?
Para uma das 5 pessoas em uma posição fixa, as outras quatro pessoas podem sentar-se
em P4 = 4! disposições diferentes em torno da mesa. Como a fixação dessa pessoa em qualquer
das outras quatro posições gera a mesma configuração de vizinhança se todas as 5 pessoas
mantém as mesmas posições relativas, há P4 = 4! = 24 configurações de vizinhanças distintas
das 5 pessoas em torno da mesa. Em outras palavras, o número de permutações circulares de 5
pessoas em torno de uma mesa é P4 = 4! = 24.
O argumento ilustrado no Exemplo 2.18 é generalizado pela seguinte regra:
Introdução à Probabilidade 60
Regra das permutações circulares. O número de permutações circulares de n
elementos distintos, designado por PCn, é:
PCn = (n-1)(n-2)...2.1,
ou seja,
PCn = (n-1)! = Pn-1.
Exemplo 2.18 (continuação)
Se 5 pessoas A, B, C, D e E se sentam em 5 cadeiras em torno de uma mesa demodo
aleatório, qual é a probabilidade de que, A e B situem-se em posições contíguas?
Para o indivíduo A em uma posição fixa e o B na posição contígua à sua direita, os
indivíduos B, C e D podem dispor-se em P3 = 3! diferentes ordenações nas outras 3 posições
em torno da mesa. Semelhantemente, para B em uma posição fixa e A na posição imediata à
direita de B, os demais 3 indivíduos podem dispor-se em P3 = 3! diferentes ordenações nas
outras 3 posições. Se A ou B mudam de posição em torno da mesa com todos os 5 indivíduos
mantendo as mesmas posições relativas, a configuração de vizinhança das 5 pessoas não se
altera. Portanto, o número de disposições das 5 pessoas em torno de uma mesa com A e B em
posições contíguas é: 2× P3 = 2×3! = 12.
Como o número de configurações de vizinhanças distintas das 5 pessoas em torno da
mesa, determinado anteriormente, é 24, segue-se que a probabilidade de que A e B situem-se
em posições contíguas é 12/24 = 1/2.
2.5.3 Regra dos arranjos
A regra das permutações aplica-se à extração sucessiva de todos os elementos de
um conjunto sem reposição do elemento extraído antes da próxima extração.
Considere-se, agora, a seleção sucessiva de parte dos elementos de um conjunto sem
reposição dos elementos.
Uma seqüência ordenada de r elementos tomados de um conjunto de n
elementos (r≤n) é denominada um arranjo de tamanho r desses n elementos.
Adota-se para arranjo a mesma notação de permutação. Assim, ac é um arranjo
das letras a e c.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 61
Observe-se que um arranjo com r=n é uma permutação. Logo, a regra dos
arranjos que segue é uma generalização da regra das permutações:
Regra dos arranjos. O número de arranjos de r elementos tomados de um
conjunto de n elementos distintos, denotado por A n
r , é:
A n
r = n(n-1)(n-2)...(n-r+1) (r fatores).
Outras notações também são usadas para denotar o número de arranjos de r
elementos selecionados de um conjunto de n elementos: A(n, r), Anr, nAr, e (n)r.
A partir das expressões das regras das permutações e dos arranjos e tendo em
conta que, por definição, 0! = 1, pode-se derivar a seguinte relação:
n
r n!A =
(n - r)!
, ou seja: r nn
n-r
PA =
P
.
Exemplo 2.19
Enumere os arranjos de duas letras tomadas do conjunto das três primeiras letras do
alfabeto: a, b e c, e obtenha e o seu número.
As distintas seqüências ordenadas que podem ser constituídas com duas das três letras a,
b e c são: ab, ac, ba, bc, ca e cb. Logo, o número de seqüências ordenadas, ou arranjos, de 2
dessas 3 letras é 6, isto é, 23A = 3×2 = 6.
De modo geral, arranjar r objetos de um conjunto de n objetos equivale a colocar
um subconjunto de r dos n objetos dentro de uma caixa de r compartimentos dispostos
lado a lado, em alguma ordem (Figura 2.5). O número de arranjos de r dos n objetos é
o número de configurações que podem resultar da disposição dos objetos na caixa que
diferem quanto à composição de objetos e à sua ordem.
Figura 2.5.Ilustração do processo de arranjo de r objetos tomados de um
conjunto de n objetos o1, o2,..., on.
Introdução à Probabilidade 62
Exemplo 2.20
Três integrantes de uma turma de 24 estudantes do Curso de Matemática devem ser
escolhidos para constituir uma comissão representativa da turma, composta de presidente,
secretário e tesoureiro. a) Quantas composições alternativas podem ser consideradas para a
escolha da comissão? b) Quantas dessas comissões são integradas por 5 dos 24 estudantes
cujo primeiro nome tem inicial A? c) Se a escolha da comissão for procedida por processo
aleatório, qual é a probabilidade de que seja escolhida uma comissão constituída por
estudantes com primeiro nome iniciado pela letra A?
a) O número de comissões de 3 estudantes com funções distintas (presidente,
secretário e tesoureiro) que podem ser formadas com integrantes de uma turma de 24
estudantes é o número de arranjos de 3 estudantes tomados desse conjunto de 24
estudantes, ou seja: 324A = 24×23×22=12.144 .
b) Uma comissão de 3 estudantes com primeiro nome iniciado pela A terá que ser
constituída de 3 dos 5 estudantes cujo primeiro nome tem inicial A. Logo, o número dessas
comissões é: 35A = 5×4×3 = 60 .
c) Logo, a probabilidade da escolha aleatória de uma comissão integrada por 3
estudantes com primeiro nome iniciado pela letra A é: 60/12.144 = 5/1.012.
Exemplo 2.21
Cada um de três antibióticos A, B e C deve ser aplicado a um animal diferente de um
subconjunto de três animais selecionados aleatoriamente de um conjunto de doze animais. a)
Quantas assinalações dos antibióticos que diferem quanto à relação entre antibióticos e animais
são possíveis? b) Se 6 dos 12 animais são sadios e os demais apresentam a infecção para cujo
controle destina-se a aplicação dos antibióticos, qual é a probabilidade de que esses
antibióticos sejam aplicados a animais sadios, que, portanto, não manifestarão resposta ao
antibiótico?
a) O número de assinalações dos 3 antibióticos A, B e C a 3 dos 12 animais que diferem
quanto aos animais e à atribuição dos animais é igual ao número de arranjos de 3 dos 12
animais, ou seja, 312A = 12×11×10 = 1.320 .
Naturalmente, esse resultado pode ser derivado sem o recurso à regra dos arranjos.
Considerem-se as assinalações dos antibióticos A, B e C como três etapas de um experimento.
Qualquer um dos 12 animais disponíveis pode ser escolhido para a aplicação do antibiótico A.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 63
Para qualquer escolha de um animal para A, há 11 animais restantes, qualquer um dos quais
pode ser escolhido para a assinalação do antibiótico B. Assim, quanto à assinalação dos
antibióticos A e B, o número de escolhas possíveis, de acordo com a regra do produto, é 12×11
= 132. Por sua vez, após qualquer uma destas 132 diferentes assinalações dos antibióticos A e
B, há 10 animais restantes a qualquer um dos quais pode ser assinalado o antibiótico C. Logo,
o número total das possíveis assinalações dos três antibióticos é 12×11×10 = 1.320.
b) Os 3 antibióticos serão assinalados a 3 animais sadios se esses animais forem
selecionados do subconjunto de 6 animais sadios. Logo, o número de assinalações dos
antibióticos a animais sadios é: 36A = 6×5×4 = 120 . Portanto, a probabilidade de que os 3
antibióticos sejam aplicados a animais sadios é: 120/1320 = 1/11.
Exercícios 2.3
1. No processo de inspeção de qualidade de um produto fabricado por seis máquinas, o
engenheiro supervisor inspeciona as seis máquinas diariamente. Para evitar que os
operários saibam quando ele os irá inspecionar, a ordem de inspeção varia e é determinada
para cada dia. Entre quantas distintas ordenações, o engenheiro deve escolher aquela a ser
adotada em um dia particular?
2. Seis pessoas encaminham-se para formar uma fila para tomar um ônibus. a) De quantos
modos essas seis pessoas podem formar a fila? b) Em quantas disposições essas pessoas
podem colocar-se na fila de modo que duas delas particulares ocupem o primeiro e o
último lugar? c) Em quantas disposições essas pessoas podem colocar-se na fila se duas
delas se recusam a se situarem em posições contíguas? d) Se essas pessoas se dispõem na
fila em ordem aleatória, qual é a probabilidade de que: i) as duas pessoas consideradas no
item b) ocupem os extremos da fila? ii) as duas pessoas referidas no item c) se situem em
posições contíguas?
3. Cinco homens e quatro mulheres devem sentar-se em uma fila de cadeiras numeradas de 1
a 9. a) Em quantas disposições distintas essas pessoas podem ocupar as 9 cadeiras? b) Se
a disposição das 9 pessoas nas 9 cadeiras é escolhida aleatoriamente,qual é a
probabilidade de que as mulheres ocupem os lugares pares?
4. Determine o número de "palavras" distintas que podem ser formadas com as letras da
palavra: a) "problema"; b) "concordo".
5. Cinco bolas vermelhas e uma bola branca são colocadas nos seis compartimentos de uma
caixa dispostos em linha. a) Em quantas disposições diferentes essas bolas podem ser
Introdução à Probabilidade 64
colocadas na caixa se as bolas vermelhas distinguem-se pelos tamanhos? b) Em quantas
disposições diferentes essas bolas podem ser colocadas na caixa se não se distinguem as
bolas vermelhas? c) Em quantas dessas disposições: i) a bola branca situa-se em um
compartimento extremo da caixa? ii) as bolas vermelhas situam-se em posições contíguas?
d) Qual é a probabilidade de que: i) a bola branca se situe em um compartimento extremo
da caixa? ii) as bolas vermelhas situem-se em posições contíguas?
6. De quantos modos diferentes pode-se plantar 2 pinheiros, 3 carvalhos e 4 eucaliptos em
uma linha, se não se distingue entre árvores de uma mesma espécie? Se o plantio é
efetuado aleatoriamente, qual é a probabilidade de que os 2 pinheiros, 3 carvalhos e 4
eucaliptos sejam plantados nessa ordem?
7. Em um painel luminoso podem ser dispostas seis lâmpadas em uma linha horizontal. a)
Quantos sinais diferentes podem ser formados nesse painel, cada um constituído de seis
lâmpadas acesas simultaneamente, das quais 3 são azuis, 2 verdes e uma vermelha? b) Em
quantos desses sinais as 2 lâmpadas azuis situam-se nos extremos do painel? c) Se as 6
lâmpadas são dispostas no painel de modo aleatório, qual é a probabilidade de que as 2
lâmpadas azuis se situem nos extremos do painel?
8. Os membros de uma família de seis pessoas devem sentar-se em torno de uma mesa para a
refeição.
a) De quantos modos diferentes as seis pessoas podem dispor-se em torno da mesa
quanto a suas posições relativamente a uma janela em uma das quatro paredes da sala?
b) De quantos modos diferentes as seis pessoas podem dispor-se em torno da mesa
quanto a suas posições relativas?
c) De quantos modos diferentes as seis pessoas podem dispor-se em torno da mesa
levando em conta apenas os vizinhos imediatos de cada um?
9. Um mecanismo compreende doze componentes diferentes conectados em linha que podem
ser montados em qualquer ordem. a) De quantos modos distintos esses componentes
podem ser dispostos para formar o mecanismo? b) De quantos modos podem falhar três
componentes desse mecanismo?
10. Quatro homens e seis mulheres entram em uma sala de espera que tem um banco de 4
lugares. a) De quantos modos distintos essas dez pessoas podem sentar-se nesse banco?
b) Em quantas dessas disposições das 10 pessoas no banco há: i) apenas homens? ii)
apenas mulheres? iii) 2 homens e 2 mulheres? c) Se as 10 pessoas sentam-se no banco de
modo aleatório, qual é a probabilidade de que o banco seja ocupado: i) apenas por
homens? ii) apenas por mulheres? iii) por 2 homens e 2 mulheres?
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 65
11. Quatro pneus devem ser colocados nas quatro rodas de um carro. a) Em quantos modos
diferentes os quatro pneus podem ser colocados: i) se os quatro pneus podem ser
colocados em quaisquer das quatro rodas? ii) se dois dos quatro pneus são mais novos e
devem ser colocados nas rodas dianteiras? b) Se os pneus são colocados nas 4 rodas de
modo aleatório, qual é a probabilidade de que os 2 pneus mais novos sejam colocados nas
rodas dianteiras?
12. O controle de qualidade de uma indústria classifica os defeitos que podem resultar em uma
peça em defeitos menores e em defeitos maiores, os quais compreendem 8 e 6 tipos,
respectivamente. De quantas maneiras podem ocorrer: a) um defeito menor e um defeito
maior? b) dois defeitos de cada uma das duas categorias? c) dois defeitos distintos de
cada uma das duas categorias?
2.5.4 Regra das combinações
A regra dos arranjos trata da enumeração das seqüências ordenadas de r
elementos tomados de um conjunto de n elementos distintos. Em algumas situações, há
interesse no número de subconjuntos de r elementos que podem ser selecionados de
um conjunto de n elementos distintos, não importando a ordem da seleção dos
elementos. Por exemplo, na formação de uma comissão representativa de um conjunto
de pessoas, a ordem dos membros na lista da comissão é usualmente irrelevante.
Um subconjunto de r elementos tomados de um conjunto de n elementos
distintos é denominado uma combinação de tamanho r desses n elementos.
Embora uma combinação seja um subconjunto, não se adota para combinação a
notação de conjunto; é usual denotar uma combinação pela justaposição de seus
elementos, de modo semelhante às notações de permutação e arranjo. Assim, ac é uma
combinação das letras a e c. Observe-se que os 2 arranjos ac e ca constituem a mesma
combinação ac (ou ca).
Como combinação significa o mesmo que subconjunto, determinar o número de
combinações de r elementos tomados de um conjunto de n elementos é o mesmo que
determinar o número de subconjuntos de r elementos que podem ser constituídos com
esses n elementos. Esse número é determinado pela regra que segue:
Introdução à Probabilidade 66
Regra das combinações. O número de combinações de r elementos tomados de
um conjunto de n elementos distintos, denotado por Cn
r , é:
r
n
n
r
r AC
P
=
n(n 1)(n 2)...(n r 1)
r(r 1)(r 2)...2.1
− − − +=
− −
.
Outras notações também são utilizadas para denotar o número de combinações
de r elementos tomados de um conjunto de n elementos: C(n, r), Cn, r, nCr e ( )nr .
Exemplo 2.22
Enumere as combinações de duas letras tomadas do conjunto das três primeiras letras do
alfabeto: a, b e c, e determine o seu número.
Os subconjuntos de duas letras que podem ser formados com as letras a, b e c são: {a,
b}, {a, c} e {b, c}. Logo as combinações de duas letras tomadas do conjunto das 3 letras a, b e
c são: ab, ac e bc. Portanto, o número de combinações dessas 3 letras é 3, ou seja,
2
3C = 3×2 2 =3.
De modo geral, combinar r objetos de um conjunto de n objetos equivale a
colocar um subconjunto de r dos n objetos dentro de uma caixa (Figura 2.6). O
número de combinações de r dos n objetos é o número de configurações que diferem
quanto à composição de objetos.
Figura 2.6. Ilustração do processo de combinação de r objetos tomados de
um conjunto de n objetos o1, o2,..., on.
Se r<n, o número de combinações de tamanho r de elementos de um conjunto de
n elementos é menor que o número de arranjos de tamanho r desses mesmos
elementos.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 67
Exemplo 2.23
Considere-se o conjunto das cinco primeiras letras do alfabeto: {a, b, c, d, e}. O número
de arranjos de tamanho 3 dessas 5 letras é 5!/(5-3)! = 60. Observe-se, por exemplo, que há 3! =
6 arranjos de tamanho 3 constituídas das 3 letras a, b e c, já que essas 3 letras podem ser
ordenadas de 3×2×1 = 6 modos: abc, acb, bac, bca, cab e cba. Entretanto, esses 6 arranjos
constituem uma mesma combinação, ou seja, o subconjunto {a, b, c}. Semelhantemente, a
qualquer outra combinação de tamanho 3 das 5 letras correspondem 3! arranjos, cada um
originado de uma diferente ordenação das mesmas 3 letras. Dessa forma:
3 3
5 5=A C ×3! ;
donde:
3
3 5
5
A
3!
C = 10= .
Essas 10 combinações são os subconjuntos: {a, b, c}, {a, b, d}, {a, b, e}, {a, c, d}, {a, c, e},
{a, d, e}, {b, c, d}, {b, c, e}, {b, d, e}, {c, d, e}.
O argumento utilizado nesse exemplo pode ser generalizado para a justificação
da regra das combinações pela aplicação da regra da multiplicação a um processo deduas etapas, da seguinte forma: a coleção dos arranjos de r elementos tomados de um
conjunto de n elementos pode ser obtida pela seleção dos rnC subconjuntos de r
elementos tomados desse conjunto, seguida das Pr permutações dos r elementos de
cada um desses subconjuntos. Segue-se, portanto, que:
r
r
n
r
n PCA ×= ;
donde:
r
n
n
r
r AC
P
= .
Propriedades das combinações: Se n é um número inteiro positivo e r é um
número inteiro não negativo tal que r ≤ n, então:
1) Cn
r = n!
r!(n r)!−
;
2) Cn
1 = n;
3) Cn
n = 1;
Introdução à Probabilidade 68
4) Cn
0 = 1;
5) r n rn nC C
−= .
Essas propriedades são derivadas diretamente da regra das combinações. Por
exemplo, a primeira e a última propriedade podem ser provadas como segue:
r
n
n
r
r A n(n 1)(n 2)...(n r 1)C
P r!
− − − += =
n(n 1)(n 2)...(n r 1) (n r)!
r! (n r)!
− − − + −=
−
n!
r!(n r)!
=
−
;
e
n r
n
n!C
(n r)! [n (n r)]!
− =
− − −
rn
n! n! C
(n r)! r! r! (n r)!
= = =
− −
.
A propriedade 5 também pode ser provada com o argumento de que quando se
seleciona um subconjunto de r elementos de um conjunto de n elementos distintos,
deixa-se um subconjunto de n-r elementos e, assim, há tantos modos de selecionar r
elementos quanto são os modos de (deixar de) selecionar n-r elementos.
Exemplo 2.24
O Departamento de Matemática e Estatística tem que escolher uma comissão de 5
membros que devem ser escolhidos aleatoriamente de seu corpo docente constituído de 12
matemáticos e os 8 estatísticos. a) Quantas distintas comissões devem ser consideradas para
escolha? b) Qual é a probabilidade de que a comissão seja constituída de 3 matemáticos e 2
estatísticos?
a) O número de subconjuntos de 5 docentes que podem ser escolhidos entre os 12
matemáticos é:
5
20
20×19×18 17 16C = =15.504
5 4 3×2
× ×
× ×
.
b) O número de subconjuntos de 3 docentes que podem ser escolhidos do conjunto dos
12 matemáticos é 312
12×11×10C = = 220
3×2
e o número de subconjuntos de 2 docentes que pode
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 69
ser formado do conjunto de 8 é 28
8×7C = = 28
2
. Então, pela regra da multiplicação, o número de
comissões a serem consideradas para escolha é 220×28 = 6.160. Logo, a probabilidade de que
a comissão seja constituída de 3 matemáticos e 2 estatísticos é: 6.160/15.504 = 0,397.
Exemplo 2.25
Uma mão de bridge é um subconjunto de 13 cartas extraídas de um baralho de 52 cartas,
sem consideração da ordem de extração. Qual é a probabilidade de um jogador de bridge obter
uma mão de cartas apenas de copas e ouros? Qual é a probabilidade de obter uma mão de
cartas apenas de dois naipes?
De um baralho de 52 cartas podem ser extraídos 1352
52!C =
13! 39!
= 635.013.559.600
subconjuntos de 13 cartas; portanto, n(S) = 635.013.559.600. Por outro lado, sejam:
A: mão constituída apenas de copas e ouros, e
B: mão constituída apenas de dois naipes.
Como há 13 cartas de cada naipe, tem-se:
13
26
26!n(A) = C = 10.400.597
13!13!
= ;
e como há 24C =6 combinações de dois naipes, uma das quais é constituída por copas e ouros,
2 13
4 26n(B) = C ×C =6×10.400.597 = 62.403.582.
Portanto,
13
26
13
52
Cn(A) 10.400.597P(A) = = = 0,000016379
n(S) C 635.013.559.600
= ; e
2 13
4 26
13
52
C Cn(B) 62.403.582P(B) = = = = 0,00009827
n(S) C 635.013.559.600
× .
Exemplo 2.26
Doze provadores de vinho são disponíveis dos quais 8 são mais experientes (designados
M1, M2,..., M8) e 4 são menos experientes (m1, m2, m3, m4). Três desses 12 provadores devem
ser selecionados para uso em um experimento de degustação. a) Considerando importante a
ordem de seleção, quantos grupos de 3 provadores distintos podem ser selecionados? b)
Quantos grupos de 3 provadores distintos podem ser selecionados com os dois primeiros
provadores mais experientes e o último menos experiente? c) Se os 3 provadores forem
Introdução à Probabilidade 70
selecionados aleatoriamente (por processo que atribua a todos os provadores restantes após
cada seleção a mesma probabilidade de serem selecionados), qual é a probabilidade de que os
dois primeiros provadores sejam mais experientes e o último menos experiente?
a) Há 12 provadores distintos dos quais 3 devem ser selecionados, um após o outro (sem
repetição). O número desses grupos de 3 provadores que podem resultar desse processo de
seleção que se distinguem pela composição de provadores e pela ordem de seleção é: 312A =
12×11×10 = 1.320.
b) O número de modos em que os dois primeiros provadores mais experientes podem
ser selecionados, com a consideração da ordem de seleção, é o número de arranjos de 2
provadores do grupo de 8 provadores mais experientes: M1, M2,...,M8, ou seja: 28A = 8×7 = 56.
O número de modos em que o terceiro provador selecionado pode resultar menos experiente
quando os dois primeiros são mais experientes é o número de modos em que pode ser
selecionado um dos provadores m1, m2, m3 e m4, ou seja, 14A = 4. Logo, pela regra da
multiplicação, o número de modos em que podem resultar os dois primeiros provadores mais
experientes e o terceiro menos experiente é: 28A ×
1
4A = 56×4 = 224 .
c) A escolha aleatória de um grupo ordenado de 3 dos 12 provadores assegura que todos
os 312A =1.320 distintos grupos ordenados de 3 dos 12 provadores são igualmente prováveis. O
evento A: os dois primeiros provadores mais experientes e o terceiro menos experiente,
consiste de 14
2
8 AA × grupos ordenados. Portanto, a probabilidade deste evento pode ser obtida
pelo modelo de probabilidade uniforme:
2 1
8 4
3
12
A A 224 28
165A 1.320
P(A) =
× = = .
Exemplo 2.27
Considere-se a situação do exemplo anterior, mas suponha-se, agora, que a ordem de
seleção dos três provadores é irrelevante (o que corresponde à seleção simultânea dos três
provadores). a) Quantos distintos grupos são possíveis? b) Em quantos desses grupos dois
provadores são mais experientes e um menos experiente? c) Se os 3 provadores são
selecionados aleatoriamente (de modo que cada grupo de 3 provadores tenha igual chance de
ser selecionado), qual é a probabilidade de que resultem dois provadores mais experientes e
um menos experiente?
a) O número de grupos não ordenados de 3 dos 12 provadores é:
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 71
==
××
××
13
1011123
12C 2
220.
b) O número de combinações de 2 provadores tomados dos 8 provadores mais
experientes é: ==
×
×
12
782
8C 28, e o número de combinações de 1 provador tomado dos 4
provadores menos experientes é: 14C = 4. Então, pela regra da multiplicação, o número de
escolhas possíveis que satisfazem às condições especificadas é: =× 14
2
8 CC 28×4 = 112.
c) Segundo o processo de seleção, os 220 grupos distintos de 3 dos 12 provadores
disponíveis são todos igualmente prováveis. O número de grupos com exatamente dois
provadores mais experientes e 1 menos experiente é 112. Logo, pelo conceito de probabilidade
em espaço básico finito equiprovável, a probabilidade do evento A: dois provadores mais
experientes e um provador menos experiente, é:
2 1
8 4
3
12
C C 112 28
P(A) =
C 220 55
×
= = .
Exemplo 2.28
Em uma região, há 15 agricultores associados a uma cooperativa dos quais 9 são
favoráveis, 4 são desfavoráveis e 2 são indiferentes à adoção de uma nova tecnologia. Três
desses agricultores devem ser selecionados, aleatoriamente, para entrevista em uma pesquisa
de opinião sobre a adoção da referida tecnologia. a) Qual é a probabilidade de que pelo menos
dois dos agricultores selecionados sejamfavoráveis à adoção da nova tecnologia? b) Qual é a
probabilidade de que os dois primeiros agricultores selecionados sejam favoráveis e o terceiro
desfavorável à adoção da tecnologia?
a) O evento de interesse não envolve a ordem das pessoas no processo de amostragem.
O número de diferentes grupos de 3 pessoas que podem ser selecionados de um conjunto de 15
pessoas é 315C = 455. Em um processo de seleção aleatória esses 455 grupos podem ocorrer
com uma mesma probabilidade. O evento A: pelo menos dois agricultores favoráveis, ocorre
se e somente se um dos dois seguintes eventos ocorre: A1: dois agricultores favoráveis, e A2:
três agricultores favoráveis; ademais, A1 e A2 não têm resultados elementares em comum.
Logo,
n(A) = n(A1) + n(A2),
onde n(A) é o número de resultados elementares que implicam na ocorrência de A.
Introdução à Probabilidade 72
Para calcular n(A1), observe-se que o evento A1 significa, de fato, dois agricultores
favoráveis e um não favorável (ou seja, desfavorável ou indiferente). Como 9 dos 15
agricultores são favoráveis, o número de grupos de 2 agricultores favoráveis que podem ser
escolhidos é =
×
×
=
12
89C29 36. Da mesma forma, 1 agricultor não favorável ocorre se qualquer
um dos 6 agricultores desfavoráveis ou indiferentes é selecionado. Logo,
n(A1) = 16
2
9 CC × = 36×6 = 216.
Por semelhante raciocínio, obtém-se:
n(A2) = 3 09 6
9 8 7
C C 1
3 2 1
× ×
× = ×
× ×
= 84.
Portanto,
n(A) = 216 + 84 = 300.
Então, segundo o modelo de probabilidade uniforme, obtém-se:
P(A) =
n(A)
n(S)
=
300 60
455 91
= .
b) Esta questão envolve a consideração da ordem das pessoas no processo de seleção.
Portanto, deve ser empregada a regra dos arranjos. O número de grupos ordenados de 3
pessoas de um conjunto de 15 é 315A = 15×14×13 = 2.730. Por outro lado, as duas primeiras
pessoas serão favoráveis se provirem das 9 favoráveis e a terceira será desfavorável se provir
das 4 desfavoráveis. Logo, o número de grupos de 3 agricultores os dois primeiros dos quais
são favoráveis e o terceiro é desfavorável é: 14
2
9 AA × = (9×8) ×4 = 288. Portanto, P(dois
primeiros favoráveis e terceiro desfavorável) = 14
2
9 AA × / 315A = 395
48
.
2.5.5 Contagem automática
A aplicação dessas regras de contagem pode torna-se trabalhosa para valores de
n razoavelmente elevados. O programa Excel do Microsoft Office provê facilidades
para o cálculo automático de números de permutações (fatoriais) e de combinações.
Essas facilidades são acessadas através do botão "ƒx" da barra de ferramentas da janela
do Excel. Para tal, pressiona-se o botão "ƒx" e, em seguida, na janela "Colar função"
que se abre, seleciona-se a categoria de função "Matemática e trigonométrica". Então,
tem-se disponíveis, em "Nome de função", as funções "FATORIAL" e "COMBIN".
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 73
A seleção de uma dessas funções abre a janela correspondente, onde devem ser
preenchidos os valores apropriados dos "argumentos". A função FATORIAL retorna o
fatorial de um número inteiro não negativo. É definida como "FATORIAL(num)",
onde o único argumento "num" é o número cujo fatorial é desejado calcular, ou seja,
num=n em n! Por exemplo, preenchendo núm=10, obtém-se o resultado: 4.628.800.
A função COMBIN retorna o número de combinações de r elementos tomados
de um conjunto de n elementos, ou seja rnC . É definida como "COMBIN(núm;
núm_escolhido)", onde os argumentos "núm" e "núm_escolhido" correspondem,
respectivamente, a n e r em rnC . Por exemplo, preenchendo núm=20 e
núm_escolhido=4, é retornado o resultado 4.845.
Os outros procedimentos de contagem, como aqueles para cálculos de número de
arranjos rnA e de número de permutações com repetições 1 2 kn(n ,n ,...,n )P , podem ser
automatizados através do uso reiterado da função FATORIAL (por exemplo, rnA =
n!/(n-r)!) O número de permutações com repetições pode ser obtido mais diretamente
através da função MULTINOMIAL.
Exercícios 2.4
1. Quantas amostras distintas de três domicílios podem ser escolhidas para uma pesquisa
referente a um conjunto residencial de 30 domicílios?
2. O preço de uma excursão à Europa inclui cinco paradas a serem selecionadas de um
conjunto de dez cidades. De quantos modos uma pessoa pode planejar sua excursão: a) se
a ordem das paradas é importante? b) se a ordem das paradas não é importante?
3. Suponha que são disponíveis 10 ingredientes para preparar pizza.
a) Quantos tipos diferentes de pizza podem ser preparados com: i) exatamente um
ingrediente? ii) exatamente dois ingredientes? iii) no máximo três ingredientes?
b) Quantas pizzas diferentes podem ser preparadas com duas metades diferentes, cada
uma com exatamente um ingrediente?
4. Um mecânico sabe que duas das seis velas de um carro estão com mau funcionamento. Se
ele retira aleatoriamente duas delas para substituição, qual é a probabilidade de que ele
efetue a substituição correta das duas velas defeituosas?
Introdução à Probabilidade 74
5. Um pesquisador em tecnologia de alimentos tem disponíveis 10 voluntários para avaliação
organolética em um experimento e deseja extrair uma amostra aleatória de 5 desses
voluntários. Para tal, ele decide escrever todas as combinações de 5 nomes em cartões e,
então, extrair um dos cartões ao acaso. a) Quantos cartões ele deve utilizar? b) Se 6
desses 10 voluntários são experientes, qual é a probabilidade de que: i) todos os
escolhidos sejam experientes? ii) sejam escolhidos 3 experientes e 2 inexperientes?
6. O Departamento de Matemática, Estatística e Computação da UFPEL tem 27 docentes,
sendo 12 de Matemática, 6 de Estatística e 9 de Informática. Uma comissão representativa
do Departamento deve ser constituída de 9 docentes: 4 de Matemática, 2 de Estatística e 3
de Informática. a) Quantas distintas formações podem ser consideradas para compor a
comissão com essa constituição? b) Se a comissão for escolhida aleatoriamente, qual é a
probabilidade de que ela resulte com essa constituição?
7. Cada uma de cinco pessoas recebe para degustação uma colher de sorvete de baunilha de
cada uma de duas diferentes origens A e B. Se todas as cinco pessoas respondem
aleatoriamente, qual é a probabilidade de que: a) todas elas identifiquem corretamente as
origens dos sorvetes? b) pelo menos quatro delas identifiquem as origens corretamente?
8. Um teste compreende 10 questões cada uma das quais deve ser marcada como verdadeira
ou falsa.
a) De quantos modos diferentes o teste pode ser respondido?
b) Se para cada questão apenas uma das duas respostas alternativas é correta, de quantos
modos diferentes as questões podem ser respondidas de modo que: i) a metade das
questões seja correta; ii) 7 sejam corretas e 3 incorretas? iii) pelo menos 7 sejam
corretas?
c) Qual é a probabilidade de que um estudante que escolhe a resposta de cada questão
aleatoriamente acerte pelo menos 70% das respostas?
9. Uma equipe de futebol joga dez partidas em uma competição.
a) De quantos modos essa equipe pode terminar a competição com cinco vitórias, três
derrotas e dois empates?
b) Suponha que as probabilidades de vitória, empate e derrota em cada uma das 10
partidas sejam iguais. i) Qual é a probabilidade de que essa equipe termine a
competição com 5 vitórias, 3 derrotas e 2 empates? ii) Qual é a probabilidade de que
ela termine a competição com pelo menos 5 vitórias?
10. Uma mão de bridge consiste de um conjunto de 13 cartas selecionadas de um baralho de
52 cartas (exercício 11, Exercícios 2.2).
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 75
a) Quantas diferentes mãos de bridge podem ser extraídas de um baralho?b) Quantas dessas mãos podem ser constituídas de: i) apenas de cartas de ouros? ii)
apenas cartas de ouros e copas?
c) Supondo que as cartas são distribuídas aleatoriamente, qual é a probabilidade de que
um jogador: i) receba uma mão constituída apenas de cartas de ouros e copas? ii)
receba uma mão constituída de cartas de apenas dois naipes?
2.6 Propriedades da Probabilidade
O conceito clássico de probabilidade implica quatro propriedades ou condições
essenciais do cálculo de probabilidades para experimentos aleatórios com espaço
básico equiprovável:
1) A probabilidade de um evento elementar é igual a 1/n(S): P({s}) = 1/n(S),
para todo s∈S.
2) A probabilidade de um evento é um número racional não negativo, ou seja,
P(A)≥0 para qualquer evento A.
3) A probabilidade do espaço básico é igual a um: P(S) = 1.
4) A probabilidade de um evento é a soma das probabilidades dos resultados
elementares que implicam na sua realização:
s A
P(A) = P(s)
∈
∑ .
Essas propriedades seguem imediatamente da expressão de definição da
probabilidade estabelecida pelo conceito clássico:
1) Por definição,
n({s}) 1P({s}) = =
n(S) n(S)
, para todo s∈S.
dado que n({s}) = 1.
2) Se S é um espaço básico equiprovável, P(A) = n(A)/n(S). Mas n(A) e n(S) são
números inteiros não negativos e, ademais, n(S)>0; logo, o quociente n(A)/n(S), ou
seja, P(A), é um número racional não negativo.
3) Por definição, P(S) = n(S)/n(S) = 1.
4) Como n(A) é o número de resultados elementares do evento A:
Introdução à Probabilidade 76
n(A) 1 1 1P(A) = ... (n(A) termos)
n(S) n(S) n(S) n(S)
= + + +
s A s A
1= = P(s)
n(S)∈ ∈
∑ ∑ .
Observe-se que o espaço básico é o evento que compreende todos os resultados
possíveis. Portanto, o espaço básico ocorre em todas as realizações do experimento.
Por essa razão, ele é denominado "evento certo".
A partir dessas propriedades ou condições básicas podem ser derivadas outras
propriedades cujo emprego torna mais simples o cálculo de probabilidades para espaço
básico equiprovável. O emprego dessas propriedades é conveniente quando se pode
estabelecer alguma relação do evento A de interesse com eventos cujas probabilidades
são mais facilmente determinadas. As principais dessas propriedades são listadas a
seguir. Um conjunto mais completo de propriedades da probabilidade é formulado no
contexto mais geral de espaço básico discreto, na Seção 3.4.
5) Se A e B são eventos que não têm resultado elementar em comum, então:
a) a probabilidade da ocorrência de pelo menos um desses eventos, ou seja, do
evento "A ou B", é a soma das probabilidades desses eventos:
P(A ou B) = P(A) + P(B);
b) a probabilidade da ocorrência simultânea desses eventos, ou seja, do evento
"A e B", é nula:
P(A e B) = 0.
Observe-se que, se os eventos A e B não têm resultado elementar em comum,
então eles não podem ocorrer simultaneamente. Por essa razão, diz-se que nessas
circunstâncias o evento "A e B" é um "evento impossível".
6) Se A e B são eventos que têm um subconjunto de resultados elementares em
comum, então:
a) a probabilidade da ocorrência de pelo menos um desses eventos é a soma das
probabilidades desses eventos menos a probabilidade de sua ocorrência simultânea:
P(A ou B) = P(A) + P(B) – P(A e B);
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 77
b) a probabilidade da ocorrência simultânea dos eventos A e B é a soma das
probabilidades dos resultados elementares comuns a A e B, ou seja, é a probabilidade
do evento constituído pelos resultados elementares comuns a A e B.
7) Se A e B são dois eventos tais que todo resultado possível de S que não
implica na ocorrência de A implica na ocorrência de B e A e B não podem ocorrer
simultaneamente, então:
P(B) = 1 – P(A).
Observe-se que nessa situação "A ou B" = S e "A e B" é um evento impossível.
Dois eventos com essa propriedade são denominados "eventos contrários".
Essas propriedades podem ser derivadas a partir das quatro primeiras
propriedades. Para ilustração, considere-se a propriedade 5a. Pelas propriedades 3 e 4,
s Aou B
1P(A ou B) =
n(S)∈
∑
s A s B
1 1=
n(S) n(S)∈ ∈
+∑ ∑ ,
já que, como A e B não têm resultado elementar em comum, qualquer resultado
elementar do evento "A ou B" é um resultado elementar do evento A ou do evento B,
mas não de ambos; logo,
P(A ou B) = P(A) P(B)+ .
O exemplo que segue ilustra o uso dessas regras. Ilustração mais ampla é provida
por exemplos da próxima Seção.
Exemplo 2.29
Reconsidere-se a determinação de probabilidades de eventos do experimento aleatório
do Exemplo 2.7: "extração aleatória de dois sacos de sementes de uma pilha de 5 sacos dos
quais 2 são de sementes da variedade A e 3 da variedade B, com a reposição do primeiro saco
extraído antes da extração do segundo saco".
O evento E3: um saco de cada variedade pode ser expresso como:
E3 = "AB ou BA",
onde AB e BA são os eventos "saco da variedade A na primeira extração e saco da variedade B
na segunda extração" e "saco da variedade B na primeira extração e saco da variedade A na
Introdução à Probabilidade 78
segunda extração", respectivamente. Como AB e BA são eventos que não têm resultado
elementar em comum, segundo a propriedade 5, tem-se:
P(E3) = P(AB) + P(BA)
2 3 3 2 6 6 12
5 5 5 5 25 25 25
× ×
= + = + =
× ×
.
Observe-se que a probabilidade desse evento E3 também pode ser obtida a partir das
probabilidades dos eventos E1: dois sacos da variedade A, e E2: dois sacos da variedade B. De
fato, como os eventos "E1 ou E2" e E3 são eventos contrários, e os eventos E1 e E2 não têm
resultado elementar em comum, pelas propriedades 7 e 5, tem-se:
P(E3) = 1 - P(E1 ou E2);
= 1 – [P(E1) + P(E2)]
=
4 9 12
1
25 25 25
− + =
.
2.7 Probabilidade a Priori
A propriedade 1 da probabilidade determinada pelo conceito clássico (Seção 2.6)
é conseqüência imediata da condição de igual verossimilhança dos resultados
elementares do espaço básico. Foi observado anteriormente que, mesmo quando a
igual verossimilhança dos resultados elementares é implicada por propriedades de
simetria do experimento aleatório, essa igual verossimilhança aplica-se aos resultados
elementares do espaço básico especificado de modo detalhado, não a "resultados
elementares" de espaços básicos simplificados (Exemplo 2.9). Observe-se, entretanto,
que resultados elementares de um espaço básico simplificado S2 são agregados de
resultados elementares do espaço básico equiprovável S1. Portanto, probabilidades de
resultados elementares do espaço básico S2 podem ser determinadas a partir das
probabilidades conhecidas dos resultados elementares do espaço básico equiprovável
S1 pela aplicação das propriedades 1 e 4.
Pode-se verificar, com base nas relações entre as estruturas dos espaços básicos
S2 e S1 e entre as probabilidades dos resultados elementares de S2 e S1, que a atribuição
de probabilidades a eventos do espaço básico não equiprovável S2 satisfaz às seguintes
propriedades básicas:
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 79
1) A probabilidade de um evento é um número real não negativo, ou seja,
P(A)≥0 para qualquer evento A.
2) A probabilidade do espaço básico é igual a um: P(S) = 1.
3) A probabilidade de um evento é a soma das probabilidades dos resultados
elementares que implicam na sua realização:
s A
P(A) = P(s)
∈
∑ .
A partir dessas propriedades ou princípios básicos pode ser derivado um
conjunto de propriedades, análogas àquelas implicadas pelo conceito clássico, que
estabelecem os procedimentos para o cálculo de probabilidades para espaçobásico
finito geral cujas probabilidades dos resultados elementares são conhecidas.
Probabilidades determinadas por esses procedimentos são usualmente denominadas
probabilidades a priori.
Exercícios 2.5
(Responda os exercícios que seguem com o emprego de propriedades da probabilidade.)
1. Obtenha a probabilidade dos seguintes eventos do experimento de lançamento de um dado
balanceado e observação do número de pontos na face que se volta para cima: a) A:
número 2; b) B: número par; c) C: número igual a 3 ou 5; d) "B ou C"; e) "A e B"; f) "A
ou B"; g) D: número ímpar.
2. Um estudante tem que fazer um teste de dez questões cada uma com duas respostas
alternativas uma das quais é correta, e cuja aprovação requer o acerto de pelo menos 8
questões. Se ele responde cada uma das questões aleatoriamente, qual é a probabilidade de
que ele seja aprovado?
3. Quatro lâmpadas são extraídas aleatoriamente de uma caixa que contém 30 lâmpadas boas
e 10 queimadas. Qual é a probabilidade de que no máximo uma dessas quatro lâmpadas
seja queimada?
4. Qual é a probabilidade de que a pessoa de que trata o exercício 2 dos Exercícios 2.2 não
escolha uma refeição constituída de uma salada sem maionese, um prato quente de galinha,
uma sobremesa sem ovo e vinho branco?
5. Considere o exercício 7 dos Exercícios 2.4. Qual é a probabilidade de que pelo menos
uma das cinco pessoas não identifique corretamente as origens dos sorvetes?
6. Três bolas são extraídas aleatoriamente, com reposição, de uma caixa que contém 6 bolas
brancas e 3 bolas pretas. Determine a probabilidade de que: a) a primeira e a última bola
Introdução à Probabilidade 80
sejam brancas; b) pelo menos uma dessas duas bolas seja branca c); a primeira e a última
bola sejam de cores diferentes.
7. Responda as mesmas questões formuladas no exercício 6, se as três bolas forem extraídas
sem reposição.
8. Segundo as regras de controle de qualidade de uma indústria um lote de 100 artigos que
ela produz é aceito se em uma amostra aleatória de 5 desses artigos pelo menos 4 são
perfeitos. Qual é a probabilidade de que um lote que tem 10 artigos defeituosos seja
aceito?
9. Três cartas vermelhas e três brancas são misturadas e apresentadas a uma pessoa para
identificação. a) Qual é a probabilidade de que essa pessoa identifique corretamente todas
as 6 cartas, tendo o conhecimento de que a metade delas é de cada uma das duas cores? b)
Qual é a probabilidade de que ela identifique corretamente: i) exatamente 4 cartas? ii)
exatamente 5 cartas? iii) pelo menos 4 cartas?
10. Prove as propriedades da probabilidade 5b, 6 e 7 listadas na Seção 2.6.
2.8 Conceito Empírico de Probabilidade
A determinação de probabilidades de eventos de espaço básico equiprovável ou
de espaço básico finito mais geral, considerada nas Seções anteriores, pressupõe o
conhecimento das probabilidades dos resultados elementares do experimento. Por essa
razão, essas probabilidades são denominadas probabilidades a priori.
Em muitos experimentos, é impossível especificar o espaço básico de modo que
os resultados elementares possam ser considerados igualmente verossímeis, ou derivar
as probabilidades de resultados elementares de espaço básico mais simplificado a
partir do conhecimento das probabilidades de um espaço básico equiprovável mais
detalhado. Assim, por exemplo, quando é lançado um dado não balanceado, não se
pode considerar as faces como igualmente verossímeis. Nessas circunstâncias, as
probabilidades dos resultados elementares não são conhecidas a priori e não se pode
determinar probabilidades de eventos baseadas nessa pressuposição. Semelhantemente,
essa abordagem não se aplica para a resposta a questões como: Qual é a probabilidade
de que uma criança nascida no Estado do Rio Grande do Sul seja uma menina? Qual é
a probabilidade de que uma pessoa nascida nesse Estado complete 60 anos? Qual é a
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 81
probabilidade de que uma lata de compota produzida por uma indústria com
capacidade nominal de 1 kg tenha um peso líquido entre 990 e 1010 g? Qual é a
probabilidade de que ocorra chuva na primeira quinzena do próximo mês de janeiro?
Questões como essas são importantes e é desejável que possam ser abrangidas pela
teoria da probabilidade. Entretanto, nessas situações, probabilidades de eventos não
podem ser obtidas por derivação lógica, usando propriedade de simetria do
experimento e a conseqüente pressuposição de eqüiprobabilidade do espaço básico, ou
a partir dessa pressuposição. Para a solução de problemas semelhantes a esses é
necessário alterar ou estender o conceito de probabilidade. Esse conceito mais
abrangente é baseado na freqüência relativa da ocorrência do evento quando o
experimento é repetido sob as mesmas condições essenciais. Por essa razão, as
probabilidades que permite determinar são denominadas probabilidades a posteriori.
Quando um experimento é repetido n vezes, define-se a freqüência relativa de
um evento A como a proporção de vezes em que o evento A ocorreu:
A freqüência relativa de um evento A em n realizações de um experimento
aleatório é a proporção de ocorrências de A:
n
n(A)f (A) =
n
,
onde n(A) é o número de vezes em que o evento A ocorre.
Exemplo 2.30
Em um experimento de 100 lançamentos sucessivos de uma moeda aparentemente
simétrica e balanceada foi observada a face voltada para cima em cada um dos lançamentos. A
Tabela 2.1 apresenta as freqüências relativas da ocorrência de "cara" determinadas a cada um
dos 100 lançamentos. Pode-se observar que essa freqüência relativa nos 100 lançamentos é
52/100 = 0,52. Ademais, a variação das freqüências relativas de "cara" mostrada na Figura 2.7
indica que ela tende a estabilizar-se em torno de um número próximo de 1/2. Esse resultado é
esperado, já que, sendo a moeda simétrica e balanceada, pode ser antecipado que em um
conjunto numeroso de lançamentos ocorra cara em cerca da metade das vezes. Isso sugere que
se pode utilizar a freqüência relativa 0,52 como uma aproximação para a probabilidade da
ocorrência de cara em um lançamento particular da moeda em consideração. Alternativamente,
como a moeda parece ser simétrica e balanceada, pode-se usar o conceito clássico de
Introdução à Probabilidade 82
probabilidade e estabelecer que a probabilidade de cara é igual a 1/2. Observe-se, entretanto,
que essa pressuposição é apenas uma aproximação para a verdadeira probabilidade, já que para
uma moeda particular não se pode ter certeza absoluta de que os dois resultados possíveis –
cara e coroa, sejam exatamente igualmente verossímeis.
Tabela 2.1. Resultados parciais de 100 lançamentos sucessivos de uma moeda e
correspondentes freqüências relativas do evento "cara".
n 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 ... 100
C x x x x x x x x
c x x x x x x x x x
fn(C) 0
2
1
3
2
4
3
5
3
6
3
7
3
8
4
9
5
10
6
11
6
12
6
13
6
14
7
15
7
16
7
...
100
52
Figura 2.7. Representação gráfica da variação da freqüência relativa de "cara"
em 100 lançamentos sucessivos de uma moeda.
Suponha-se, agora, que a moeda não é balanceada, de modo que se pode estar seguro de
que os dois resultados – cara e coroa, não são igualmente verossímeis. Nesse caso, ainda se
pode postular que a probabilidade da ocorrência de "cara" é um número P(cara), cujo valor,
entretanto, não pode ser fundamentado no conceito clássico de probabilidade. Nessa
circunstância, se tem que recorrer à abordagem de freqüência relativa.
Essa situação ocorre em muitas pesquisascientíficas. Considere-se o caso
simples da previsão do sexo do terneiro da próxima parição de uma vaca do rebanho
de uma região. Em um conjunto de nascimentos, observa-se a existência de uma
regularidade semelhante à regularidade da freqüência relativa da ocorrência de "cara"
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 83
no lançamento de uma moeda. Assim, se o exame de um conjunto numeroso de
registros de nascimentos de terneiros nessas fazendas revela que cerca de 54% dos
nascimentos são de fêmeas, pode-se utilizar 0,54 como uma aproximação para a
probabilidade do nascimento de uma fêmea.
A freqüência relativa de um evento de um experimento aleatório flutua quando
varia o número n de repetições do experimento. Ela também varia com diferentes
seqüências de n repetições do experimento. Entretanto, a experiência comum com um
grande número de experimentos aleatórios, em muitos campos, indica que, se o
experimento é repetido sob condições razoavelmente uniformes, a freqüência relativa
de um evento tende a estabilizar-se em torno de um número único, quando o número
de repetições cresce indefinidamente. Isso significa que, embora a ocorrência de um
evento de um experimento aleatório em uma realização individual do experimento não
seja previsível, a freqüência relativa do evento é previsível.
Esse fato sugere que se postule que, para um evento A de um experimento
aleatório, existe um número P(A) em torno do qual tende a estabilizar-se a freqüência
relativa de A, e que se tome esse número como a probabilidade do evento A. Esse
conceito empírico de probabilidade é formulado a seguir:
A probabilidade de um evento A é o número real P(A) em torno do qual tende
a estabilizar-se a freqüência relativa fn(A) quando o número n de realizações do
experimento cresce indefinidamente:
n
nf (A) P(A)↑→ .
Em geral, esse número P(A) é desconhecido e se pode obter apenas uma
aproximação para ele através da freqüência relativa fn(A) de um número
convenientemente grande de realizações do experimento. A derivação dessas
aproximações ou "estimativas" para probabilidades é do âmbito da inferência
estatística. Uma vez obtidas essas estimativas, elas são tratadas como se fossem as
verdadeiras probabilidades. Entretanto, deve-se ter sempre em mente que se tratam
apenas de aproximações para probabilidades desconhecidas.
Introdução à Probabilidade 84
Propriedades da probabilidade
A freqüência relativa tem propriedades análogas às propriedades da
probabilidade para espaço básico equiprovável, fundamentadas no conceito clássico
(Seção 2.6). Particularmente, ela satisfaz às seguintes propriedades básicas (exercício
12, Exercícios 2.6):
a) A freqüência relativa de um evento é um número racional não negativo: f(A) ≥
0, para qualquer evento A;
b) a freqüência relativa do espaço básico é igual a 1: f(S) = 1; e
b) a freqüência relativa de um evento é a soma das freqüências relativas dos
resultados elementares: f(A) =
i
i
s A
f(s )
∈
∑ .
É natural admitir que essas propriedades se estendam para a probabilidade
definida pelo conceito empírico. A relação harmoniosa entre as propriedades da
probabilidade derivadas nos contextos do conceito clássico e do conceito empírico
justifica o desenvolvimento de uma teoria da probabilidade fundamentada nas três
propriedades básicas da probabilidade comuns para esses dois contextos. Admitindo
essas três propriedades como princípios básicos, ou axiomas, pode-se derivar as
propriedades ou regras do cálculo de probabilidades para espaço básico finito geral.
Essa mesma abordagem pode ser imediatamente estendida para espaço básico infinito
contável e, portanto, para espaço básico discreto. Por essa razão, não se formulará aqui
o conceito axiomático e as correspondentes propriedades da probabilidade para espaço
básico finito. Essa base conceitual e metodológica será estabelecida no contexto mais
geral de espaço básico discreto, no próximo Capítulo.
Exercícios 2.6
1. Segure uma moeda em cima de uma superfície plana com o dedo indicador de uma mão e
a golpeie com o indicador da outra mão de modo que ela gire rapidamente até deitar com
uma das duas faces voltada para cima. Repita isso 50 vezes, desconsiderando qualquer
repetição em que a moeda não gire por vários segundos ou em que ela bata em algum
obstáculo, e registre o número de caras.
a) Qual é a freqüência relativa do número de caras?
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 85
b) Qual é a sua estimativa da probabilidade de obter uma cara nesse experimento
aleatório?
2. Considere o experimento aleatório de lançamento de uma moeda. A experiência mostra
que a probabilidade (freqüência relativa de uma longa série de lançamentos) de cara é
próxima de 1/2. Suponha que você lança a moeda repetidamente até obter uma cara. Repita
esse experimento 50 vezes, registrando para cada repetição o resultado do primeiro
lançamento e o número de lançamentos necessário para obter uma cara.
a) Com base nos resultados registrados, estime a probabilidade de uma cara no primeiro
lançamento. Que valor deve ser esperado para essa probabilidade?
b) Use seus resultados empíricos para estimar a probabilidade de que a primeira cara
apareça em um lançamento de número ímpar (ou seja, no lançamento 1, 3, 5,...).
3. Lance um par de dados 100 vezes e registre a soma dos pontos nas faces voltadas para
cima em cada lançamento.
a) Qual é a freqüência relativa da ocorrência de soma igual a nove nesses 100
lançamentos?
b) Com base nesse experimento, estime a probabilidade de obter soma igual a 9 em um
lançamento particular desse par de dados.
4. A probabilidade é uma medida da verossimilhança da ocorrência de um evento. Assinale
um dos números 0, 0,01, 0,3, 0,5, 0,6 ou 0,99 como a probabilidade de cada um dos
eventos caracterizados a seguir:
a) evento impossível; nunca pode ocorre;
b) evento certo; ocorrerá em cada realização do experimento;
c) evento muito inverossímil, mas que ocorre de vez em quando em uma longa série de
repetições do experimento;
d) evento cuja freqüência de ocorrência é pouco maior do que de não ocorrência;
e) evento cuja freqüência de ocorrência é igual à de não ocorrência.
5. São listados, a seguir, quatro modelos diferentes de atribuições de probabilidades aos
resultados do experimento de lançamento de um dado particular. Pode-se saber se alguma
dessas atribuições é correta apenas por um experimento de lançamento do dado um grande
número de vezes. Entretanto, alguns dos modelos não são atribuições legítimas de
probabilidade. Distinga entre esses modelos quais são legítimos e quais não são legítimos,
justificando sua resposta.
Introdução à Probabilidade 86
6. Faça uma assinalação de probabilidades aos resultados possíveis de cada um dos seguintes
experimentos aleatórios:
a) Lançamento de uma moeda balanceada, com igual verossimilhança para cara e coroa.
b) Um lançamento da moeda considerada no exercício 1 do modo indicado naquele
exercício.
c) Lançamento de duas moedas com os quatro resultados possíveis: (cara, cara), (cara,
coroa), (coroa, cara) e (coroa, coroa). Muitos modelos legítimos podem ser construídos
para esse experimento. Atribua probabilidades aproximadamente corretas com base em
um experimento.
7. Use o conceito empírico de probabilidade para explicar porque qualquer modelo legítimo
de probabilidade deve satisfazer a seguinte propriedade: “A probabilidade de que um
evento não ocorra é igual a um menos a probabilidade de que o evento ocorra”.
8. Suponha que você está jogando com uma moeda perfeita, de modo que a probabilidade de
obter cara em cada lançamento é 1/2. É permitidoque você baseie sua aposta em um
experimento de lançamento da moeda 10 vezes ou 100 vezes. Para cada uma das situações
caracterizadas a seguir, qual desses números de lançamentos da moeda você escolheria
para basear sua aposta? Justifique as respostas.
a) Você vence se a freqüência relativa de caras situa-se entre 0,4 e 0,6.
b) Você vence se exatamente a metade dos lançamentos resulta em caras.
9. Suponha que uma tabela de "números aleatórios" de um dígito foi construída através de
um mecanismo de sorteio que extrai sucessivamente números do conjunto {0, 1, 2, 3, 4, 5,
6, 7, 8, 9}, com a reposição imediata de cada número extraído. Considere o experimento de
extração aleatória de um número de um dígito dessa tabela.
a) Especifique um espaço básico para esse experimento.
b) Esse espaço básico é equiprovável? Justifique a resposta.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 87
c) Repita esse experimento 100 vezes e determine as freqüências relativas de cada um
dos números 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10. Os resultados obtidos suportam a
postulação de eqüiprobabilidade do espaço básico?
10. Suponha que no experimento de extração aleatória de um número de um dígito da tabela
de números aleatórios considerada no exercício 9 os resultados de interesse são s1: número
menor que 4, s2: número entre 4 e 6 inclusive, e s3: número maior que 6. Responda as
mesmas questões formuladas naquele exercício.
a) Especifique um espaço básico para esse experimento.
b) Esse espaço básico é equiprovável? Justifique a resposta.
c) Atribua probabilidades aos resultados elementares do espaço básico.
d) Repita 100 vezes o experimento de extração de um número de um dígito dessa tabela e
determine as freqüências relativas de cada um dos resultados elementares s1, s2 e s3 do
espaço básico S. Os resultados obtidos suportam sua atribuição de probabilidades?
11. Se você acompanhasse a variação da flutuação de uma bolsa de valores por um intervalo
de tempo, você esperaria que a freqüência relativa de altas fosse próxima da freqüência
relativa de baixas? Seria possível que, acontecendo isso, o mercado de ações subisse
constantemente em um intervalo de um ano?
12. Mostre que a freqüência relativa satisfaz às seguintes propriedades: 1) a freqüência
relativa de qualquer evento é um número racional não negativo; 2) a freqüência relativa de
um evento é a soma das freqüências relativas dos resultados elementares que implicam em
sua ocorrência; e 3) a freqüência relativa do espaço básico é igual a 1.
2.9 Complementos
1) Teorema binomial
a) Os números rnC são freqüentemente denominados coeficientes binomiais,
porque são os coeficientes da expressão desenvolvida da n-ésima potência do binômio
a+b, ou seja, de (a+b)n.
Se n é um número inteiro positivo, (a+b)n = (a+b)×(a+b)× ...×(a+b) (n fatores).
Para as primeiras potências, tem-se:
(a+b)2 = (a+b) (a+b)
= a.a + a.b + b.a + b.b
= a2 + 2ab + b2;
Introdução à Probabilidade 88
(a+b)3 = (a+b) (a+b) (a+b)
= a.a.a + a.a.b + a.b.a + a.b.b + b.a.a + b.a.b + b.b.a + b.b.b
= a3 + 3a2b + 3ab2 + b3;
(a+b)4 = (a+b) (a+b) (a+b) (a+b)
= a.a.a.a + a.a.a.b + a.a.b.a + a.a.b.b. + a.b.a.a + a.b.a.b
+ a.b.b.a + a.b.b.b + b.a.a.a + b.a.a.b + b.a.b.a + b.a.b.b
+ b.b.a.a + b.b.a.b + b.b.b.a + b.b.b.b
= a4 + 4a3b + 6a2b2 + 4ab3 + b4.
Os termos dessas expressões são produtos de potências de a e b multiplicados
por coeficientes. Assim, na expansão de (a+b)4, os termos são da forma a4, a3b, a2b2,
ab3 e b4 e seus coeficientes são, respectivamente, 1, 4, 6, 4 e 1. Pode-se observar que o
coeficiente de a3b é 4 porque há 14C = 4 modos de selecionar 1 dos 4 fatores a+b que
proveja o b (e os restantes que provejam o a); o coeficiente de a2b2 é 6 porque há 24C =
6 modos de selecionar 2 dos 4 fatores a+b que provejam o b (e os outros dois o a). Por
semelhante razão os coeficientes de a4, ab3 e b4 são 04C = 1,
3
4C = 4 e
4
4C = 1,
respectivamente.
De modo mais geral, se n é inteiro positivo, os termos da expansão de (a+b)n são
da forma an-r br, r = 0, 1, 2,..., n, e seus correspondentes coeficientes são rnC , r = 0, 1, 2,
..., n.
Teorema binomial: Se n é um número inteiro positivo,
(a+b)n = 0nC a
nb0 + 1nC a
n-1b1 + 2nC a
n-2b2 + ...
+ 2nnC
− a2bn-2 + 1nnC
− a1bn-1 + nnC a
0bn
= ∑
=
−
n
0r
rrnr
n baC .
Essa expansão da n-ésima potência do binômio a+b é atribuível à Sir Isaac
Newton. Por essa razão, ela é usualmente denominada expansão binomial de Newton.
Segundo essa expressão e a propriedade 5 das combinações estabelecida na
Seção 2.5.4, observa-se que os coeficientes dos termos de ordens r e n-r da expansão
de (a+b)n, respectivamente an-rbr e arbn-r, são iguais.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 89
b) Demonstre o teorema binomial por indução matemática, a partir da verificação
de sua validade para n = 1, 2, 3 e 4.
c) A seguinte expressão é um caso particular do teorema binomial:
∑
=
=+
n
0r
rr
n
n bC)b1( , para qualquer inteiro positivo n.
2) Propriedades dos coeficientes binomiais
Cálculos referentes a coeficientes binomiais podem ser facilitados pelo uso das
propriedades que seguem:
a) Se n e r são inteiros positivos e r < n, então r r r 1n n 1 n 1C C C
−
− −
= + .
Esta é uma fórmula de recorrência muito útil: ela permite a determinação do
número de combinações de n elementos a partir do conhecimento do número de
combinações de n-1 elementos.
Esta propriedade pode ser provada pela substituição de a=1 em (a + b)n e
exprimindo-o na forma:
(1+b)n = (1+b) (1+b)n-1
= (1+b)n-1 + b(1+b)n-1.
e igualando os coeficientes de br das expansões dos dois membros dessa igualdade.
Como o coeficiente de br no primeiro membro é rnC e o coeficiente de b
r no segundo
membro é a soma do coeficiente de br em (1+b)n-1, ou seja, r 1nC − , e do coeficiente de
br-1 em (1+b)n-1, isto é, 1r 1nC
−
−
, obtém-se: 1r 1n
r
1n
r
n CCC
−
−−
+= .
b) Se n e r são inteiros positivos e se define 0Crn = quando r > n, então
k
r k r k
m n m n
r 0
C C C− +
=
=∑ .
Empregando a mesma técnica utilizada na demonstração da propriedade anterior,
igualem-se os coeficientes de bk das expressões nos dois membros da equação:
(1+b)m+n = (1+b)m (1+b)n.
O coeficiente de bk na expansão do primeiro membro é k nmC + e o coeficiente de b
k na
expansão do segundo membro, ou seja, em
(1+b)m (1+b)n = [ mmm
1
m
0
m bC...bCC +++ ]×[
nn
n
1
n
0
n bC...bCC +++ ],
Introdução à Probabilidade 90
é a soma dos produtos que se obtém multiplicando o termo independente de b do
primeiro fator pelo coeficiente de bk do segundo fator, o coeficiente de b do primeiro
fator pelo coeficiente de bk-1 do segundo fator e assim sucessivamente, até o
coeficiente de bk do primeiro fator pelo termo independente de b do segundo fator:
0
n
k
m
1k
n
2
m
1k
n
1
m
k
n
0
m CC...CCCCCC ++++
−+ = ∑
=
−
k
0r
rk
n
r
mCC .
Portanto,
rk
n
k
0r
r
m
k
nm CCC
−
=
+ ∑= .
c) Número de subconjuntos de um conjunto de n elementos:
Um conjunto de n elementos compreende 2n subconjuntos.
De fato, qualquer conjunto U de n elementos compreende como subconjuntos o
conjunto vazio ∅, a coleção de todos os conjuntos de um elemento de U (conjuntos
elementares), a coleção de todos os conjuntos de dois elementos de U, a coleção de
todos os conjuntos de três elementos de U,..., a coleção de todos os conjuntos de n-1
elementos de U e, finalmente, o conjunto de todos os elementos de U (o próprio
conjunto U). Os númerosde conjuntos nessas coleções sucessivas de subconjuntos de
U são, respectivamente, 1, Cn
1 , Cn
2 , Cn
3 , ..., Cn
n−1 e 1, cuja soma é:
Cn
0 + Cn
1 + Cn
2 + Cn
3 +...+ Cn
n−1+ Cn
n = (1+1)n = 2n,
já que essa soma é um caso particular da expansão de (a + b)n, com a = b = 1.
d) Prove a propriedade b dos coeficientes binomiais através da expressão de todos
os coeficientes binomiais em termos de fatoriais e, então, de simplificação algébrica.
e) Através da expressão dos coeficientes binomiais em termos de fatoriais e
simplificação algébrica, mostre que:
i) r r 1n n 1rC nC
−
−
= ; ii) 1rn
r
n Cr
r1nC −+−= ; iii) 1rn
r
1n C)1r(Cn
+
−
+= ;
iv) r r 1 rn n nn C (r 1)C r C
+
= + + ; v) r rn n 1
nC C
n r −
=
−
.
f) Utilizando valores particulares para a e b na expressão do teorema binomial,
mostre que:
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 91
i)
n
r r n
n
r 0
(a 1) C a
=
− =∑ ; ii) 0C)1( rn
n
0r
r
=−∑
=
.
g) Pela aplicação repetida da propriedade a) dos coeficientes binomiais, mostre
que:
∑
+
=
+−
−
=
1r
1i
1ir
in
r
n CC .
h) Com o uso da propriedade b) dos coeficientes binomiais, mostre que:
i)
n
r 2 n
n 2n
r 0
(C ) C
=
=∑ ; ii) m n m r m nn r n m
r 0
C C 2 C−
−
=
=∑ .
i) Propriedades dos coeficientes binomiais são importantes na teoria da
probabilidade. Assim, na Seção 7.1.3, 9), a) é derivada uma relação de coeficientes
binomiais a partir da qual pode ser obtida a seguinte propriedade:
r+1
r i-1 r-i+1
n i+k-2 n-i-k+1
i=1
C = C C∑ .
A propriedade g) é um caso especial dessa relação.
3) Triângulo de Pascal
a) Disponham-se os coeficientes das expansões das primeiras potências do
binômio a + b (apresentadas em 1) em forma de um triângulo como segue:
Expansão de Coeficientes
(a+b)0 1
(a+b)1 1 1
(a+b)2 1 2 1
(a+b)3 1 3 3 1
(a+b)4 1 4 6 4 1
Cada linha do triângulo dos coeficientes das expansões binomiais inicia e
termina com o número 1 e cada outro coeficiente maior que 1 é a soma dos dois
coeficientes que lhe são adjacentes na linha acima.
Essa disposição dos coeficientes de uma expansão binomial, denominada
triângulo de Pascal, é útil para a construção dos coeficientes quando não é disponível
uma tabela de coeficientes.
Introdução à Probabilidade 92
Uma forma alternativa do triângulo de Pascal é obtida pela expressão dos
coeficientes na forma de combinações:
Expansão de Coeficientes
(a+b)0 00C
(a+b)1 01C
1
1C
(a+b)2 02C
1
2C
2
2C
(a+b)3 03C
1
3C
2
3C
3
3C
(a+b)4 04C
1
4C
2
4C
3
4C
4
4C
Pode-se observar, agora, que o subscrito do símbolo que denota combinação é o
expoente do binômio e o superescrito é a ordem do termo da expansão.
b) Construa as próximas duas linhas do triângulo e escreva as expansões de (a+b)5
e (a+b)6.
c) Mostre, com esse método de construção, que o r-ésimo coeficiente da n-ésima
linha é o coeficiente binomial 1rnC
− . (Utilize indução matemática e a propriedade a dos
coeficientes binomiais.)
4) Expansões binomiais com expoentes negativos ou fracionários
a) O símbolo de combinação rnC pode ser generalizado de um inteiro positivo n
para qualquer número real t, pela seguinte definição:
r
t
t(t 1)(t 2)...(t r 1)C
r!
− − − += , r = 1, 2,... e rtC = 1 para r=0.
b) r nC− = (-1)
n r 1rnC −+ para n > 0.
De fato,
r
n
( n)( n 1)( n 2)...( n r 1)C
r!−
− − − − − − − +=
= (-1)r n(n 1)(n 2)...(n r 1)
r!
+ + + −
= (-1)r r 1rnC −+ .
c) Mostre que r r1C ( 1)− = − .
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 93
d) Se n > 0, a expansão binomial de (a+b)-n, para a+b≠0, derivada com as mesmas
regras conhecidas da expansão binomial de (a+b)n, provê a série infinita:
(a+b)-n = 0nC a
-nb0+ 1nC a
-n-1b1+ 2nC a
-n-2b2+...+ rnC a
-n-rbr+...
Esta expressão tem aparência semelhante à da expansão binomial de (a+b)n, n >
0. Entretanto, há uma considerável distinção entre as duas expressões. A expansão de
(a+b)n compreende exatamente n+1 termos, um termo para cada potência de a,
enquanto a expansão de (a+b)-n tem os termos iniciais semelhantes aos dessa expansão,
mas não tem um último termo; ela compreende infinitos termos, um para cada
expoente negativo de a menor ou igual a –n.
e) Admitindo que os termos da expansão infinita de (a+b)-n, a+b≠0, podem ser
divididos por a-n (a≠0), à semelhança do que é permitido com uma soma de número
finito de termos, obtém-se:
(a+b)-n = a-n[ 0nC b
0+ 1nC a
-1b1+ 2nC a
-2b2+...+ rnC a
-rbr+...].
Como
(a+b)-n = a-n
n
a
b1
−
+ , a≠0,
substituindo p = b/a, obtém-se:
(1+p)-n = ...pC...pCpCpC1 rrx
33
n
22
n
1
n ++++++
= r rn
r 0
C p
∞
=
∑ , p≠-1.
f) No caso especial n=1, essa última expressão provê o desenvolvimento em série
de (1+p)-1:
(1+p)-1 = 1 - p +p2 –p3 + (-1)rpr + ... r
r=0
(-p)
∞
= ∑ .
Observação: A expressão da expansão binomial de (a+b)-n foi gerada por uma
expansão formal segundo as regras previamente provadas para a expansão binomial
com expoente positivo. Não foi estabelecida garantia ou condições de que a expressão
obtida em d) e, conseqüentemente, as que lhe seguem, tenham comportamento
semelhante ao que é conhecido para expansões binomiais com expoente inteiro
Introdução à Probabilidade 94
positivo. De fato, pode-se observar que substituindo p=1 na expressão da expansão de
(1+p)-1, resulta:
=
2
1 1 – 1 + 1 – 1 + ...,
expressão que não tem sentido. Isso evidencia que aquela expressão não é válida para
todo p≠-1. De fato, pode-se provar com tratamento matemático mais avançado que
aquele desenvolvimento em série de (1+p)-1 é válido apenas para –1<p<1 (Seção 7;13,
3), d)).
5) Regra das permutações com repetições
A regra das permutações com repetições pode ser derivada como segue: O
número de permutações de n elementos em k subconjuntos com n1 elementos no
primeiro subconjunto, n2 no segundo subconjunto,..., nk elementos no k-ésimo
subconjunto, é:
1 2 kn(n ,n ,...,n )
1 2 k
n!P
n !n !...n !
= .
Observe-se que há 1nnC modos de formar o primeiro subconjunto. Para cada um
dessas permutações, há 2
1
n
nnC − modos de formar o segundo conjunto; para cada um dos
primeiro e segundo subconjuntos, há 3
21
n
nnnC −− modos de formar o terceiro
subconjunto, e assim por diante. Portanto, segundo a regra da multiplicação, tem-se:
)n,...,n,n(n k21P =
1n
nC 2 1
n
nnC − 3 21
n
nnnC −− ... k 1k21
n
n...nnnC
−
−−−−
=
1 1
n!
n !(n n )!−
. 1
2 1 2
(n n )!
n !(n n n )!
−
− −
... 1 2 k 1
k
(n n n ... n )!
n !0!
−− − − −
=
!n!...n!n
!n
k21
.
Observe-se que essa expressão é uma generalização da expressão que provê o
número de combinações de r elementos tomados de um conjunto de n elementos
distintos, ou seja:
n
r n!C
r!(n r)!
=
−
.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 95
Portanto, 1 2 kn ,n ,...,nnC é uma notação alternativa sugestiva para )n,...,n,n(n k21P .
6) Teorema multinomial
a) O teorema binomial pode ser generalizado para a expansão da n-ésima potência
de um multinômio, como segue: Se n é um número inteiro positivo,
n
k
1j
ja
∑
=
= ∑ ∏
∏= =
=
k
1j
k
1i
n
ik
1i
i
ia
!n!n .
onde a soma no segundo membro é sobre todos inteiros não negativos n1, n2,..., nk tais
que n1 + n2 + ... + nk = n. Por essa razão, o número de permutações com repetições:
)n,...,n,n(n k21P = !n!...n!n
!n
k21
.
também é referido como coeficiente multinomial.
b) A expressão particular do teorema multinomial para n=2 provê uma fórmula
importante em algumas aplicações:
=
∑∑∑
===
k
1j
j
k
1i
i
2
k
1j
j aaa = ∑∑
= =
k
1i
k
1j
jiaa .
2.10 Exercícios de Revisão
1. Especifique um espaço básico e o correspondente espaço de eventos para cada um dos
seguintes experimentos aleatórios:
a) plantio de uma semente e observação do resultado da germinação;
b) plantio de duas sementes e observação do resultado da germinação.
2. Especifique um espaço básico para cada um dos seguintes experimentos aleatórios:
a) escolha aleatória de duas sementes de um pacote contendo 5 sementes de idêntica
aparência, sendo que 2 são de plantas de flores brancas e 3 de plantas de flores azuis, e
observação das cores das flores das plantas resultantes;
b) escolha aleatória de uma entre seis garrafas de vinho tinto das cultivares C1, C2, C3, C4,
C5 e C6 e registro da identificação do rótulo da garrafa escolhida;
c) escolha aleatória de uma entre seis garrafas de vinho tinto das cultivares C1, C2, C3, C4,
C5 e C6 de cada uma de duas caixas, uma com rótulos brancos e a outra com rótulos
verdes, e registro da identificação dos rótulos das duas garrafas escolhidas;
Introdução à Probabilidade 96
d) aplicação de um hormônio de crescimento a 100 animais de um rebanho e observação
do número de animais que revelam resposta positiva;
e) pesagem dos animais de um rebanho de 50 bovinos da raça Hereford e determinação
do número de animais com peso superior a 300 kg;
f) levantamento referente ao consumo de vinho no Rio Grande do Sul em que 1.000
pessoas são solicitadas a responder "sim" ou "não" à questão: "você bebeu vinho na
semana passada?" e consideração do número de respostas positivas;
g) degustação de compota de pêssego de cada uma das cultivares C1, C2, C3 e C4 por um
provador, com omissão da identificação das cultivares para o provador, e classificação
quanto à preferência com respeito a uma propriedade organolética;
h) observação do número de mortes em acidentes de trânsito na cidade de Pelotas no
próximo ano;
i) registro da temperatura no próximo dia 29 de março às 9 horas no Posto Meteorológico
da UFPEL;
j) determinação do número de ovos nas fezes e do número de helmintos nas vísceras de
um bovino da raça Ibagé, após um período de dois meses em uma pastagem infectada.
3. Especifique os seguintes eventos para o experimento aleatório do exercício 1 b): A: duas
sementes germinam; B: pelo menos uma semente germina; e C: nenhuma semente
germina.
4. Especifique os seguintes eventos para os experimentos aleatórios do exercício 2:
a) A: primeira semente de planta de flor branca; B: duas sementes de plantas de flores da
mesma cor: C: duas sementes de plantas com flores de cores diferentes;
b) A: garrafa de vinho de cultivar identificada com número par; B: garrafa de vinho de
cultivar identificada com número menor que 4, C: complemento de B;
c) A: ambas garrafas com vinho da cultivar C3, B: garrafas cuja soma das identificações
das cultivares é 5, C: garrafa cuja soma das identificações é no mínimo 10;
d) mais de 30 animais reagem à aplicação do hormônio;
e) pelo menos 45 animais com peso superior a 300 kg;
f) pelo menos 850 pessoas respondem "sim";
g) cultivares C3 e C4 nos dois primeiros lugares;
h) menos de 120 mortes;
i) temperatura acima de 21°C;
j) pelo menos 5.000 ovos e mais de 500 helmintos.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 97
5. Em um experimento aleatório de plantio de quatro sementes, especifique os seguintes
eventos: A: duas sementes germinam; B: pelo menos uma semente germina; C: nenhuma
semente germina.
6. Uma caixa contém três pedras identificadas pelos números 1, 2 e 3. Considere o
experimento de 3 extrações aleatórias sucessivas de uma pedra dessa caixa, com a
reposição da pedra após cada extração, e registrar a seqüência de números resultante. a)
Construa um diagrama de árvore para determinar os resultados possíveis desse
experimento. b) De quantas diferentes formas podem resultar: i) três números iguais? ii)
três números distintos? c) dois números iguais?
7. Três atletas A, B e C competem em uma corrida de 800 metros. Suponha que esses atletas
têm a mesma habilidade e que não pode ocorrer empate. a) Qual é a probabilidade de que
o A termine a corrida na frente de B? b) Qual é a probabilidade de que A termine a corrida
na frente de ambos B e C?
8. Suponha que 15 carros deverão correr na próxima competição de fórmula 1. Quantas
diferentes formações de três pilotos poderão subir ao pódio como os três primeiros
colocados na competição?
9. Considere a formação de "palavras" de três letras com as letras a, b, c, d, e, f. Quantas
dessas palavras podem ser formadas: a) sem repetição de letras? b) com repetição de
letras? c) com uma ou mais letras repetidas?
10. Dez estudantes de um colégio são selecionados para formar a equipe de basquete para uma
competição. a) Entre quantas diferentes composições deverá ser escolhida a equipe para
entrar em cancha no primeiro jogo? b) Quantas dessas composições incluem um estudante
cujo nome é Afonso?
11. Quantas linhas são necessárias para conectar todos os possíveis pares de 15 pontos em um
plano?
12. Uma caixa contém 2 lâmpadas de 25 watts, 3 de 40 watts e 4 de 100 watts. a) Em quantos
modos diferentes podem ser selecionadas 3 lâmpadas dessa caixa? b) Quantas dessas
seleções de 3 lâmpadas incluiriam as duas lâmpadas de 25 watts? c) Quantas incluiriam
nenhuma lâmpada de 25 watts? d) Quantas seleções de lâmpadas incluiriam exatamente
uma de cada uma dessas três diferentes potências elétricas?
13. Suponha que 6 bolas de uma urna que contém 4 bolas pretas e 2 brancas são retiradas
aleatoriamente, uma por uma, e dispostas em uma fila. Qual é a probabilidade de que: a) as
duas bolas nos extremos da fila sejam brancas? b) as duas bolas extremas não sejam
brancas? c) as duas bolas brancas situem-se em posições contíguas?
Introdução à Probabilidade 98
14. Determine as probabilidades dos eventos especificados no exercício 4 a), b), c).
15. Um lote de dezesseis unidades de um certo artigo consiste de 10 unidades perfeitas, 4 com
defeitos menores e 2 com defeitos graves. Uma unidade desse artigo é escolhida ao acaso.
Determine a probabilidade de que: a) a unidade não tenha defeitos; b) a unidade não tenha
defeitos graves; c) a unidade seja perfeita ou tenha defeitos menores.
16. Considere o mesmo lote de unidades de um artigo do exercício anterior. Duas unidades são
escolhidas ao acaso, repondo-se a primeira extraída antes da extração da segunda.
Determine a probabilidade de que: a) ambos as unidades sejam perfeitas; b) ambas
tenham defeitos graves; c) pelo menos uma seja perfeita; d) no máximo uma seja perfeita;
e) exatamente uma seja perfeita; f) nenhuma tenha defeitos graves; g) nenhuma seja
perfeita.
17. Suponha que um lote de dezesseis unidades do artigo considerado no exercício 15 seja
aceito para despacho se três unidades escolhidas ao acaso são perfeitas. Qual é a
probabilidade de que aquele lote particular seja aceito?
18. O Departamento de Estatística de uma universidade oferece duas disciplinas de Estatística
designadas de "Estatística I" e "Estatística II". No primeiro semestre letivo, são oferecidas
4 turmas de Estatística I e nosegundo semestre, 3 turmas de Estatística II.
a) Se um estudante deseja fazer essas duas disciplinas em um mesmo ano letivo, quantas
diferentes escolhas de turmas são possíveis?
b) Se forem admitidos para cada turma dessas disciplinas no máximo 40 estudantes, qual
é o número máximo de estudantes que podem se matricular nessas disciplinas em um
ano letivo?
c) Se forem oferecidas no turno da manhã 2 turmas de Estatística I e 3 de Estatística II,
qual é a probabilidade de que um estudante resulte matriculado em turmas da manhã
nessas duas disciplinas se matricula aleatoriamente nas turmas oferecidas?
d) O professor José Antônio deve lecionar 2 turmas de Estatística I e 1 de Estatística II.
Qual é a probabilidade de que um estudante que se matricula aleatoriamente venha a
ter esse professor: i) em ambos semestres? ii) em nenhum dos dois semestres?
19. Um saco contém 1.500 batatas das quais 1.100 são classificadas como de primeira e 400
como de segunda. Extraindo-se uma amostra de três batatas, determine a probabilidade de
que: a) as três batatas sejam de primeira; b) pelo menos uma batata seja de segunda.
20. Um geneticista que pesquisa gado leiteiro tem quatro touros e oito vacas que podem ser
usados em um experimento. Quantos diferentes pares constituídos de um macho e uma
fêmea ele pode constituir?
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 99
21. Uma pessoa afirma que tem habilidade para distinguir entre café percolado e café
instantâneo. Em um experimento para testar esta afirmada habilidade, o indivíduo deve
provar 10 xícaras de café, cinco com cada um dos dois tipos de café. Para melhoria do
experimento, são usados xícaras iguais e o café das duas origens é preparado
simultaneamente. Então, as dez xícaras de café são oferecidas ao indivíduo, sem
identificação de seu conteúdo, para prova e indicação das cinco que contém café
percolado.
a) De quantas formas ele pode selecionar 5 entre as dez xícaras de café?
b) De quantas formas ele pode selecionar as 5 xícaras de café percolado?
c) Qual é a probabilidade de que selecione corretamente as cinco xícaras com café
percolado por palpite em vez de por habilidade sensorial?
22. Em um experimento, foram semeados com trigo quatro conjuntos (blocos) de cinco talhões
(parcelas) - um talhão com cada uma das cinco cultivares A, B, C, D e E. Em todos os
blocos a cultivar C foi a mais produtiva. Qual é a probabilidade de que esse resultado tenha
decorrido exclusivamente por acaso?
23. Em um experimento semelhante ao do exercício anterior, a cultivar C teve a produção
mais elevada em três dos quatro blocos e a segunda produção mais elevada no bloco
restante. Qual é a probabilidade de ela se ter destacado tanto ou mais do que neste
experimento exclusivamente por acaso?
24. Em um experimento de vinte parcelas, instalam-se quatro repetições de cada uma de cinco
cultivares (A, B, C, D e E) atribuídas às parcelas completamente ao acaso. Na ordenação
dos resultados das vinte parcelas, as parcelas com o tratamento C ficaram nos quatro
primeiros lugares. Qual é a probabilidade de que isto tenha decorrido por mero acaso?
25. Quatro provadores (sejam 1, 2, 3 e 4) deverão ordenar três diferentes marcas de vinho
(sejam A, B e C) quanto à preferência, sem conhecimento das marcas que lhes são dadas
para degustar. Cada provador classifica como 1 a marca que mais lhe agrada, como 2 a
segunda e como 3 a que menos lhe agrada, e então são somados os pontos atribuídos para
cada marca de vinho. Suponha que os provadores realmente não podem discriminar entre
as marcas, de modo que cada um está atribuindo sua ordenação ao acaso. Determine a
probabilidade de que: a) a marca A receba o total de pontos igual a 4; b) alguma marca
receba o total de pontos igual a 4; c) alguma marca receba uma soma de pontos de 5 ou
menos.
26. Em herança mendeliana simples, um caráter físico de uma planta ou animal é determinado
por um par simples de genes. O caráter "cor" da ervilha é um exemplo. Ele é determinado
Introdução à Probabilidade 100
por um par de genes A e V que representam, respectivamente, as cores amarela e verde. O
gene A é dominante, de modo que plantas com o genótipo (par de genes) VV terão ervilhas
verdes e aquelas com os genótipos AA e AV terão ervilhas amarelas. Os descendentes
(progênie) recebem um gene de cada pai com igual probabilidade para cada gene de cada
pai.
a) Determine a probabilidade de que do cruzamento de ervilhas de coloração amarela
resulte uma planta com ervilhas: i) amarelas; ii) verdes.
b) Em um cruzamento entre ervilhas AV e AV, qual é a proporção da progênie que terá
grãos amarelos? Qual é a proporção de ervilhas amarelas que terão o genótipo AA?
27. Um outro caráter mendeliano simples é a rugosidade. As ervilhas podem ser lisas ou
rugosas. Esse caráter é determinado por um par de genes L e R, respectivamente para as
alternativas lisa e rugosa. O caráter liso é dominante, de modo que ervilhas LL e LR são
lisas, enquanto que ervilhas RR são rugosas.
a) Se ervilhas AV - LR são cruzadas com ervilhas VV - RR, quais são os resultados
possíveis? Quais são suas correspondentes probabilidades?
b) Responda semelhantes questões para cruzamentos entre ervilhas AV - LR e VV- LR.
c) Responda semelhantes questões para cruzamentos entre ervilhas AV - LR e AV - LR.
28. Suponha que um estudante responde cada uma das 12 questões do teste de múltipla
escolha de que trata o exercício 9 dos Exercícios 2.2 , escolhendo aleatoriamente uma
das correspondentes três alternativas, e que uma e apenas uma dessas alternativas é correta.
a) Qual é a probabilidade de que ele acerte todas as questões?
b) Qual é a probabilidade de que ele erre todas as questões?
c) Qual é a probabilidade de que ele acerte a metade das questões?
d) Qual é a probabilidade de que ele acerte pelo menos a metade das questões?
29. Há evidência de que entre as formas inferiores de vida animal podem ser transmitidas
características de um animal para outro junto com a transferência da substância química
conhecida como RNA. Em um experimento referente a esse comportamento de
transferência, oito salamandras são distribuídas aleatoriamente em dois grupos de quatro
animais. Um grupo constituirá o grupo experimental e ou outro o grupo controle.
a) Mostre que os dois grupos podem se formados com 70 diferentes constituições.
b) Qual é a probabilidade de que as quatro salamandras mais ágeis resultem em um
mesmo grupo?
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 101
c) Qual é a probabilidade de que três das quatro salamandras mais ágeis situem-se no
mesmo grupo?
d) Todas as salamandras do grupo experimental recebem RNA de uma salamandra que
foi treinada para maior agilidade. As salamandras do outro grupo (o grupo controle)
recebem RNA de uma salamandra não treinada. O pesquisador está disposto a acreditar
que o comportamento é transferido com o RNA se seu experimento revelar um número
de animais x mais rápidos no grupo experimental tal que a probabilidade de um
número de salamandras mais rápidas nesse grupo igual ou superior a x sob a hipótese
de que o comportamento não é transferido com o RNA se revelar inferior a 0,05. Qual
deve ser o número x de animais mais rápidos no grupo experimental para que o
pesquisador possa acreditar que o comportamento sob consideração é transferido com
o RNA?
30. Em um exame para admissão de laboratoristas, os candidatos são solicitados a efetuar
cinco análises químicas e redigir o relatório de seus resultados. Para diminuir o trabalho de
avaliação, os examinadores decidem avaliar apenas uma amostra aleatória de dois dos
cinco relatórios redigidos por cada candidato. Com base nos resultadosda avaliação, os
candidatos são classificados em três categorias: A, se seus dois relatórios estão corretos;
B, se um relatório está correto e o outro incorreto; e C, se os dois relatórios contém
incorreções.
a) Qual é a probabilidade de um candidato receber o grau A quando ele submeteu cinco
relatórios corretos?
b) Qual é a probabilidade de um candidato receber o grau C quando ele submeteu: i)
cinco relatórios corretos? ii) quatro relatórios corretos? iii) dois relatórios corretos?
iv) um relatório correto? v) nenhum relatório correto?
31. Decida se cada uma das seguintes sentenças é verdadeira ou falsa, indicando com as letras
V ou F entre parênteses, respectivamente. Se a sentença for falsa, explique porque.
( ) O conceito de probabilidade é útil para o estudo de fenômenos que podem ser
previstos exatamente.
( ) Um experimento aleatório é um processo de observação e coleta de dados relevantes
referentes a um fenômeno aleatório.
( ) Um processo de observação e coleta de dados relevantes referentes a um fenômeno
aleatório é um experimento aleatório.
( ) Um experimento aleatório pode ser repetido sob condições essencialmente
semelhantes.
Introdução à Probabilidade 102
( ) A observação e o registro da hora do nascer do sol em um próximo determinado dia é
um exemplo de experimento aleatório.
( ) A observação e o registro do número de frutos de um determinado pessegueiro na
próxima safra é um exemplo de experimento aleatório.
( ) O espaço básico de um experimento aleatório é o conjunto dos resultados possíveis
desse experimento.
( ) O espaço básico de um experimento aleatório é único.
( ) Um evento unitário de um experimento aleatório é um resultado possível desse
experimento.
( ) O espaço básico de um experimento aleatório é discreto se e somente se o conjunto
dos resultados elementares desse experimento é finito.
( ) Um espaço básico contínuo não é enumerável.
( ) Um evento de um experimento aleatório é um subconjunto de seu espaço básico.
( ) O conceito clássico de probabilidade é aplicável em amostragem aleatória.
( ) Um espaço básico equiprovável é finito.
( ) Como um dado tem 6 faces, então a probabilidade de qualquer de duas faces é 1/6.
( ) O conceito clássico de probabilidade é aplicável a experimentos cujas probabilidades
dos resultados elementares são desconhecidas.
( ) A regra da multiplicação é útil para a contagem do número de composições de
resultados parciais de experimentos aleatórios que compreendem duas ou mais etapas.
( ) A regra das permutações é uma aplicação da regra da multiplicação para a contagem
do número de diferentes modos de extração de n elementos de um conjunto com
reposição de cada elemento antes da extração do seguinte.
( ) A regra dos arranjos permite o cálculo das distintas ordenações de a elementos de um
conjuntos de n elementos.
( ) O número de permutações de n elementos dispostos em linha é a n-ésima parte do
número de permutações de n elementos dispostos em círculo.
( ) O número de combinações de r elementos tomados de um conjunto de n elementos é
menor do que o número de correspondentes arranjos, porque combinações de mesmos
elementos não se distinguem.
( ) abc e cba são duas combinações distintas de 3 das letras a, b, c, d, e, mas constituem
um mesmo arranjo.
( ) A freqüência relativa de um evento A que ocorre em nA das n realizações de um
experimento aleatório é a razão nA/n.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 103
( ) O conceito empírico de probabilidade estabelece que a probabilidade de um evento A
é o limite da freqüência relativa fA desse evento quando o número de realizações do
experimento tende a infinito.
( ) A probabilidade de um evento A de um espaço básico equiprovável é a soma das
probabilidades dos resultados elementares que implicam na ocorrência de A.
( ) Se dois eventos A e B não têm resultado elementar em comum, então o evento "A e
B" é um evento impossível.
( ) A probabilidade da ocorrência do evento "A ou B" é a soma das probabilidades
desses eventos.
( ) A probabilidade de um evento elementar de um espaço básico finito pode ser nula.
( ) Se A e B são dois eventos tais que todo resultado possível de A é, também, um
resultado possível de B, então P(A)≤P(B).
( ) A soma das probabilidades de dois eventos que não podem ocorrer simultaneamente
pode ser maior do que 1.
( ) O número de eventos de um espaço básico de n resultados elementares é 2n.
2.11 Bibliografia
BATTACHARYYA, G.K.; JOHNSON, R.A. Statistical concepts and methods. New
York: John Wiley, 1977. 639p.
DEVORE, J.L. Probability and statistics for engineering and the sciences.
Monterey, California: Brooks/Cole, 1982. 640p.
GOLDBERG, S. Probability, an introduction. Englewood Cliffs, New Jersey:
Prentice-Hall, 1960. 322p.
FREUND, J.E. Mathematical statistics. 2. ed. London: Prentice-Hall, 1972. 463p.
FREUND, J.E.; WALPOLE, R.E. Mathematical statistics. 3.ed. Englewood Cliffs, N.
J.: Prentice-Hall., 1980. 548 p.
LARSON, H.J. Introduction fo probability theory and statistical inference. New
York: John Wiley, 1969. 387p.
MEYER, P.L. Probabilidade, aplicações à estatística. Rio de Janeiro: Livros
Técnicos e Científicos, 1976. 391p.
Introdução à Probabilidade 104
MILLER, I.; FREUND, J.E. Probability and statistics for engineers. Englewood
Cliffs, N. J.: Prentice-Hall, 1965. 432p.
MOOD, A.M.; GRAYBILL, F.A.; BOES, D.C. Introduction to the theory of
statistics. 3.ed. Tokyo: McGraw-Hill / Kogakusha, 1974. 564p.
WALPOLE, R.E.; MYERS, R.H. Probability and statistics for engineers and
scientists. 2.ed. New York: Macmillan, 1978. 580p.
2 Probabilidade em Espaço Básico Finito
Conteúdo
2.1 Introdução.................................................................................................................23
2.2 Experimento Aleatório e Eventos ............................................................................25
2.3 Modelo Matemático de Probabilidade .....................................................................33
2.4 Conceito Clássico de Probabilidade.........................................................................36
2.5 Contagem de Pontos do Espaço Básico ...................................................................45
2.5.1 Regra da multiplicação.........................................................................................46
2.5.2 Regras das permutações .......................................................................................54
2.5.3 Regra dos arranjos................................................................................................60
2.5.4 Regra das combinações ........................................................................................65
2.5.5 Contagem automática...........................................................................................72
2.6 Propriedades da Probabilidade .................................................................................75
2.7 Probabilidade a Priori...............................................................................................78
2.8 Conceito Empírico de Probabilidade .......................................................................80
2.9 Complementos..........................................................................................................87
2.10 Exercícios de Revisão ..............................................................................................95
2.11 Bibliografia.............................................................................................................103
2.1 Introdução
Em geral, eventosreferentes a fenômenos naturais e experimentos não podem ser
previstos com exatidão. Previsões desses eventos compreendem a atribuição de graus
de chances de suas ocorrências. O conceito de probabilidade originou-se do interesse
na previsão de eventos dessa origem. Os diversos conceitos de probabilidade
distinguem-se, principalmente, pelas pressuposições alternativas que são adotadas
referentes ao conhecimento prévio referente a essas chances.
O desenvolvimento histórico da probabilidade e suas diversas interpretações
foram descritos, de modo resumido, no Capítulo 1. Essas diversas interpretações
implicam procedimentos de cálculo alternativos que, entretanto, compreendem
essencialmente uma mesma base e aproximam-se em uma estrutura lógica comum.
Introdução à Probabilidade 24
Nesse Capítulo e no próximo, são estabelecidos os denominados conceitos
objetivos de probabilidade, ou seja, o conceito clássico, o conceito empírico e o
conceito axiomático baseado em propriedades fundamentais da freqüência relativa.
Historicamente, esses conceitos foram desenvolvidos nessa ordem, na busca de maior
generalidade. A base conceitual é desenvolvida construtivamente, de modo a deixar
claro a progressiva extensão de alcance que é lograda, a partir da pressuposição de
espaço básico finito equiprovável, até a consideração de espaço básico contínuo.
No presente Capítulo é introduzida a estrutura conceitual da probabilidade e são
apresentadas algumas de suas propriedades mais importantes para o cálculo de
probabilidades na situação mais simples de espaço básico finito. A ampla gama de
fenômenos e processos para cujo estudo a probabilidade é relevante é definida na
Seção 2.2; nessa Seção, são estabelecidos os conceitos de experimento aleatório,
espaço básico e evento. Na Seção 2.3, são abordados aspectos lógicos da derivação de
um modelo de probabilidade e das abordagens clássica e empírica. Na Seção 2.4, é
formulado o conceito mais primitivo de probabilidade, originado do estudo de jogos de
azar. Embora aparentemente bastante restritivo pela pressuposição de espaço básico
equiprovável, o usualmente denominado "conceito clássico de probabilidade" tem
aplicações em muitas áreas importantes, particularmente em amostragem. No fim
dessa Seção, são formuladas as principais propriedades da probabilidade que
estabelecem os procedimentos do cálculo de probabilidades na situação de espaço
básico equiprovável. A base matemática do processo de contagem envolvido nesse
cálculo de probabilidades é revisada na Seção 2.5. A Seção 2.6 enuncia as principais
propriedades ou regras da probabilidade para espaço básico finito. O conceito empírico
de probabilidade, originado principalmente a partir das aplicações da probabilidade às
ciências naturais, e as principais propriedades da probabilidade nesse contexto são
estabelecidos na Seção 2.8. Por fim, na Seção 2.9, faz-se uma extensão da teoria da
análise combinatória revisada na Seção 2.5, incluindo os teoremas binomial e
multinomial, que constituem base matemática referida em diversas oportunidade no
texto.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 25
2.2 Experimento Aleatório e Eventos
O conceito de probabilidade é relevante para o estudo de fenômenos aleatórios,
ou seja, fenômenos cujas realizações não podem ser previstas exatamente. Ele se aplica
a "experimentos aleatórios" ou seja, experimentos cujos resultados em diversas
realizações ou repetições são variáveis e, portanto, incertos, mas que, entretanto,
satisfazem condições básicas que permitem previsão com a atribuição de graus de
chance de acerto:
Um experimento aleatório E é uma ação ou processo de observação e coleta de
dados referentes a um fenômeno que satisfaz às seguintes propriedades:
i) o resultado de uma realização de E não pode ser predito com certeza;
ii) a coleção dos resultados possíveis de E é conhecida antes de sua realização;
iii) o experimento E pode ser repetido sob, essencialmente, as mesmas
condições.
Esse conceito de experimento é mais abrangente do que o de "experimento
controlado" em pesquisa científica de campo e de laboratório. Ele compreende
qualquer ação ou processo que implique a observação e coleta de dados referentes a
fenômenos aleatórios. Em tais experimentos, a variação dos resultados de diferentes
realizações é inevitável, de modo que o resultado de uma realização particular é
incerto. Entretanto, a regularidade dessa variação permite a previsão do resultado de
uma realização particular do experimento com base nas ocorrências de um conjunto
numeroso de realizações. É sabido, por exemplo, que em uma longa seqüência de
lançamentos de uma moeda simétrica e balanceada, cerca de metade dos lançamentos
resultarão em cara. Então, é natural admitir que, em um lançamento particular, a
"chance" da ocorrência de cara é 1/2. É nessa regularidade previsível de um grande
conjunto de realizações de jogos de azar que se baseiam casas de jogos e apostadores.
Esse mesmo tipo de incerteza e regularidade é muito comum com fenômenos
naturais e, portanto, muito importante na ciência. Por exemplo, em genética, é incerto
Introdução à Probabilidade 26
se um descendente será macho ou fêmea, mas são sabidas, aproximadamente, a
proporção de machos e a proporção de fêmeas em muitos nascimentos.
Semelhantemente, um departamento de trânsito não pode prever quais carros se
acidentarão em um fim de semana particular, mas pode predizer de modo bastante
satisfatório o número de ocorrências de acidentes de carro.
São formulados, a seguir, outros exemplos de experimentos aleatórios, que serão
utilizados nas ilustrações de conceitos que seguem.
Exemplo 2.1
Considerem-se os seguintes experimentos:
a) pôr uma vaca em cria;
b) efetuar o plantio de cinco sementes de trigo;
c) pôr 100 sementes em uma câmara de germinação;
d) examinar individualmente suínos de uma granja, até encontrar o primeiro que
manifeste uma infecção viral;
e) preparar vinho de uva de um vinhedo; e
f) administrar um hormônio de crescimento a um bovino de corte para acelerar sua
preparação para o abate.
Cada realização de um desses experimentos terá um resultado particular que se
diferenciará dos demais resultados possíveis por um número de diferentes características. Em
um experimento aleatório, entretanto, geralmente há interesse em apenas uma ou poucas
características. Assim, nesses experimentos pode-se ter o interesse restrito às seguintes
características:
a) sexo do terneiro;
b) grau de infeção das folhas pela ferrugem;
c) número de sementes que germinam;
d) seqüência dos diagnósticos dos animais examinados;
e) concentração de açúcar no mosto; e
f) peso e ganho de peso doze semanas após a administração do hormônio.
A especificação da característica ou das características de interesse deve fazer parte da
descrição do experimento aleatório. Portanto, as descrições completas dos experimentos
aleatórios que estão sendo utilizados para ilustração correspondem ao que segue:
a) pôr uma vaca em cria e observar o sexo do terneiro;
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 27
b) efetuar o plantio de cinco sementes de trigo e observar o grau de infeção de ferrugem
nas folhas;
c) pôr 100 sementes em uma câmara de germinação e observar o número de sementes
que germinam;
d) examinar individualmente suínos de uma granja, até encontrar o primeiro que
manifeste uma infecção viral, e registrar a seqüência dos diagnósticos dos animais
examinados;
e) preparar vinho de uva de um vinhedo e determinar a concentração de açúcar no
mosto; e
f) administrar um hormônio de crescimento a um bovino de corte paraacelerar sua
preparação para o abate e registrar o peso e o ganho de peso doze semanas após a
administração do hormônio.
Pode-se verificar que esses experimentos são experimentos aleatórios. Por
exemplo, o resultado da ação de pôr uma vaca em cria e observar o sexo do terneiro
não pode ser previsto; entretanto, a coleção dos resultados possíveis é conhecida
antecipadamente: macho e fêmea; ademais, esse experimento pode ser repetido sob as
mesmas condições essenciais, pela colocação em cria de outras vacas do mesmo
rebanho sob consideração.
O estudo de um experimento aleatório requer o estabelecimento claro da coleção
de seus resultados possíveis.
A coleção de todos os resultados possíveis, ou resultados elementares, de um
experimento aleatório constitui seu espaço básico 1.
Assim, o espaço básico de um experimento aleatório é o conjunto cujos
elementos são os resultados elementares desse experimento. Por essa razão, a
conceituação, as propriedades e a notação pertinentes a espaço básico e resultados de
experimento aleatório são análogas àquelas referentes a conjunto.
O espaço básico é denotado por S. Cada resultado elementar de um espaço
básico S é um elemento de S, ou um ponto desse espaço, e é denotado por s. Denota-se
que s é um elemento do espaço básico S por s∈S, e distinguem-se diferentes elementos
Introdução à Probabilidade 28
ou pontos do espaço básico através de subscritos. Assim, por exemplo, os elementos de
um espaço básico de três resultados elementares podem ser denotados por s1, s2 e s3, e
o espaço básico por S = {s1, s2, s3}.
Cada elemento s do espaço básico S é, também, um subconjunto unitário de S,
denominado de evento simples ou elementar:
Cada resultado elementar de um experimento aleatório constitui um evento
simples, ou evento elementar, denotado por {s}.
Observe-se que s representa um resultado elementar de S e {s} o evento
elementar cujo único resultado possível é s.
O espaço básico de um experimento aleatório é especificado por uma lista de
todos os resultados possíveis do experimento, com o uso de símbolos convenientes
para identificar esses resultados, ou por uma sentença que caracterize a coleção de
todos os resultados possíveis. Para ilustração, considere-se os experimentos aleatórios
do Exemplo 2.1.
Exemplo 2.1. (continuação)
Os espaços básicos dos experimentos aleatórios do Exemplo 2.1 podem ser
especificados como segue:
a) S = {M, F}, onde M e F representam sexo masculino e sexo feminino,
respectivamente;
b) S = {SI, IFr, IM, IFo, IG}, onde SI, IFr, IM, IFo e IG representam ausência de
infeção e os graus de infeção fraca, média, forte e grave, respectivamente;
c) S = {0, 1, 2,..., 100};
d) S = {C, SC, SSC, SSSC,...}, onde S designa sem infecção e C, com infecção, e a
seqüência SSC, por exemplo, indica que o terceiro animal é o primeiro que manifesta infecção;
e) a concentração de açúcar no mosto é expressa pela proporção de açúcar em uma
unidade de volume do mosto; então, designando a concentração de açúcar no mosto por t, o
espaço básico pode ser especificado por: S = {t: 0≤ t ≤1, t um número real}, isto é, o conjunto
dos números reais t compreendidos entre 0 e 1, incluídos 0 e 1;
1 Esse conceito é geralmente designado de "espaço amostral". Nesse texto, adota-se a designação de "espaço básico"
para evitar confusão que pode decorrer do uso da expressão "espaço amostral", com outro significado, no contexto da
inferência estatística.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 29
f) o experimento considera duas características: peso e ganho de peso, a primeira
expressa por uma variável real não negativa e a segunda por uma variável real; então,
designando peso e ganho de peso por x e y, respectivamente, o espaço básico pode ser
especificado por: S = {(x, y): x é um número real não negativo e y é um número real}.
Esses exemplos salientam que a complexidade do espaço básico depende da
natureza do experimento aleatório. Por outro lado, para um mesmo experimento
aleatório pode ser especificado mais de um espaço básico.
Exemplo 2.2
Experimento: Lançamento de um dado e observação da face que resulta voltada para
cima.
O espaço básico desse experimento é:
ou, se há interesse no número de pontos na face:
S2 = {1, 2, 3, 4, 5, 6}.
Entretanto, se há interesse apenas em observar se o número de pontos é par ou ímpar, o espaço
básico reduz-se a:
S3 = {ímpar, par}.
Os dois primeiros espaços básicos provêem mais informação do que o terceiro. De fato,
se for conhecido o resultado que ocorreu no espaço básico S1 ou no espaço básico S2, pode-se
determinar o resultado referente ao espaço básico S3; entretanto o conhecimento do resultado
em S3 não permite a determinação do resultado em S1 ou S2. Freqüentemente, é desejável
considerar o espaço básico que provê a informação mais detalhada referente aos resultados do
experimento. Entretanto, o espaço básico resumido pode ser mais conveniente para alguns
propósitos.
Exemplo 2.3
Experimento: Seleção de três unidades provenientes de uma linha de produção para
inspeção de qualidade e classificação de cada unidade como não defeituosa ou defeituosa.
O espaço básico que provê informação mais detalhada referente aos resultados desse
experimento é:
S1 = {NNN, NND, NDN, DNN, NDD, DND, DDN, DDD},
Introdução à Probabilidade 30
onde N e D representam, respectivamente, unidade sem defeito e unidade defeituosa. Esse
espaço básico caracteriza a ordem da seleção das unidades e distingue a ausência ou presença
de defeitos. Um espaço básico alternativo para este experimento é:
S2 = {"NNN", "NND", "NDD", "DDD"},
que distingue apenas as unidades defeituosas e não defeituosas entre as três unidades
selecionadas para inspeção, ignorando a ordem de seleção das unidades ("NND", por exemplo,
corresponde aos resultados elementares NND, NDN, e DNN do espaço básico S1). Entretanto,
se há interesse apenas no número de unidades defeituosas entre as três unidades selecionadas,
o espaço básico apropriado é:
S3 = {0, 1, 2, 3}.
Observe-se que os espaços básicos S2 e S3 guardam relação um a um, ou seja, a cada
resultado possível de S2 corresponde um resultado possível de S3, e vice-versa. Portanto, esses
espaços básicos têm a mesma estrutura. Entretanto, a estrutura do espaço básico S1 é distinta.
A compreensão da estrutura do espaço básico e sua especificação podem ser
auxiliadas por um diagrama. Cada um dos resultados possíveis do experimento é
representado por um ponto acompanhado do símbolo que o representa.
Exemplo 2.4
Sejam os espaços básicos que podem ser especificados para o experimento "seleção de
três unidades provenientes de uma linha de produção para inspeção de qualidade e
classificação de cada unidade como não defeituosa e defeituosa": S1 = {NNN, NND, NDN,
DNN, NDD, DND, DDN, DDD}, S2 = {"NNN", "NND", "NDD", "DDD"} e S3 = {0, 1, 2, 3}
(Exemplo 2.3).
Os diagramas dos espaços básicos S1, S2 e S3 são apresentados na Figura 2.1.
Figura 2.1. Diagramas dos espaços básicos do experimento do Exemplo 2.3: a)
S1; b) S2 e S3.
Exemplo 2.5
Duas bolas devem ser retiradas de uma caixa que contém 2 bolas brancas e uma bola
preta, sem reposição da primeira bola extraída antes da retirada da segunda bola. Especifique
dois espaços básicos alternativos para esse experimento e os represente graficamente.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 31
Considerando as duas bolas brancas distintamente e denotando essas duas bolaspor B1,
B2 e a bola preta por P, o espaço básico do experimento é: S1 = {B1B2, B1P, B2B1, B2P, PB1,
PB2}. Alternativamente, se não se distingue as duas bolas brancas, de modo que B1 = B2 = B, o
espaço básico é simplificado para S2 = {BB, BP, PB}.
A primeira especificação detalhada do espaço básico e a segunda mais simples são
representadas pelos diagramas a) e b), respectivamente, da Figura 2.2.
Figura 2.2. Duas especificações alternativas para o espaço básico do experimento
de retirada de duas bolas, sem reposição, de uma caixa com duas
bolas brancas e uma bola preta.
Espaços básicos podem ser classificados quanto ao número de seus resultados
elementares semelhantemente a conjuntos:
Um espaço básico cujo número de resultados elementares é menor que algum
número inteiro positivo é um espaço básico finito; um espaço básico que
compreende um número de resultados elementares maior que qualquer número
inteiro positivo é um espaço básico infinito. Um espaço básico infinito cujos
resultados elementares podem ser enumerados é um espaço básico infinito
contável, Um espaço básico finito ou infinito contável é um espaço básico discreto.
Um espaço básico cujos elementos constituem um "continuum", tal como o conjunto
dos pontos de um segmento de reta, é um espaço básico contínuo.
Os espaços básicos dos experimentos aleatórios a, b e c são exemplos de espaço
básico finito. O espaço básico do experimento d é um exemplo de espaço básico
infinito contável. A variável que exprime a característica considerada no experimento
aleatório e é uma variável numérica definida no intervalo dos números reais [0; 1];
assim, o espaço básico desse experimento é um exemplo de espaço básico contínuo. O
Introdução à Probabilidade 32
experimento f ilustra espaço básico contínuo bidimensional, porque considera duas
características, ambas expressas por variáveis reais, a primeira definida no intervalo (0,
∞) e a segunda, no intervalo (-∞, ∞).
O resultado de uma realização de um experimento aleatório é um e apenas um
resultado possível ou resultado elementar, ao qual corresponde um e apenas um evento
simples ou elementar. Em geral, entretanto, pode haver interesse em alguma
característica ou propriedade comum a vários resultados elementares. A coleção de
resultados elementares com uma característica ou propriedade comum constitui um
evento composto. Assim, no Exemplo 2.1 b, pode-se ter interesse nos eventos
compostos correspondentes à ocorrência de plantas com infeção, ou seja, no evento
{IFr, IM, IFo, IG}, ou na ocorrência de plantas com grau de infecção abaixo da média,
ou seja, no evento {SI, IFr}. Eventos simples e eventos compostos são ambos
subconjuntos do espaço básico, e são designados, genericamente, de eventos:
Um subconjunto de resultados elementares do espaço básico com uma
característica ou propriedade comum é um evento.
Um evento ocorre em um experimento aleatório quando o resultado do
experimento é um dos resultados elementares que o constituem.
Assim, por exemplo, o evento {SI, IFr} ocorre no experimento do Exemplo 2.1
b se o resultado do experimento é SI ou IFr.
Eventos são comumente denotados pelas primeiras letras maiúsculas do alfabeto,
A, B, C,... Uma exemplificação mais ampla da caracterização e representação de
eventos é provida a seguir.
Exemplo 2.1 (continuação)
Um evento elementar particular de cada um dos experimentos do Exemplo 2.1.
a) evento "terneiro macho": {M};
b) evento "infeção acima da média": {IFo, IG};
c) evento "pelo menos noventa sementes germinam": {90, 91,..., 100};
d) evento "no máximo três animais são examinados": {C, SC, SSC};
e) evento "concentração de açúcar entre 0,4 e 0,6": {t: 0,4≤t≤0,6, t real};
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 33
f) evento "animal com peso acima de 400 kg e com ganho de peso positivo": {(x, y):
x>400; y>0, x e y reais}.
2.3 Modelo Matemático de Probabilidade
A abordagem científica para a descrição, análise e predição com vistas à
aquisição de conhecimento referente a fenômenos e processos físicos requer a
construção de modelos matemáticos. Assim, por exemplo, a segunda lei da cinemática
de Newton estabelece que um objeto sujeito a uma força desloca-se com uma
aceleração proporcional à força, o que pode ser expresso por F = ma. Essa expressão é
um exemplo de modelo matemático de um fenômeno físico, que consiste de símbolos
que representam características do fenômeno (no caso F, m e a que representam
números que exprimem as grandezas de força, massa e aceleração) relacionadas por
uma equação. A lei estabelece que esse modelo matemático pode ser utilizado para
descrever e prever o fenômeno físico.
A prova de que um modelo matemático exprime corretamente a realidade é
impossível; a correção de um modelo matemático pode ser somente verificada através
de experimento. Assim, por exemplo, a utilização da equação F = ma permite a
derivação de uma expressão que provê a distância que um objeto percorrerá em queda
livre em um dado tempo. A adequabilidade e utilidade do modelo para esse propósito
somente podem ser evidenciadas pela concordância entre a distância prevista e a
distância real percorrida por um objeto em queda livre. Quanto mais elevada for essa
concordância e quanto maior for o número de realizações desse experimento, maior
será a confiabilidade na lei.
Semelhantemente, em geometria são estabelecidos os conceitos matemáticos de
pontos, linhas, figuras, etc. Esses conceitos, juntamente com um conjunto apropriado
de axiomas, constituem um modelo matemático. A partir desses axiomas, são
estabelecidos teoremas que exprimem propriedades da geometria. Esses teoremas
referem-se a esse modelo matemático, não a pontos, linhas ou figuras físicas. Esse
modelo revela-se útil para aplicação em situações práticas e por essa razão a geometria
tornou-se uma parte importante da matemática.
Introdução à Probabilidade 34
Mais comumente, os mecanismos da causa de um fenômeno são tão complexos
que se torna improdutivo tentar o estabelecimento de um modelo determinista.
Considere-se, por exemplo, a situação mais simples de um experimento aleatório:
lançamento de uma moeda. É inviável a determinação analítica de qual das duas faces
da moeda resultará voltada para cima, a partir da posição inicial e da massa e
aceleração da moeda, das forças que atuam durante seu deslocamento, e com base nas
leis do movimento. Entretanto, pode ser assegurado que há apenas dois resultados
possíveis, se é excluída de consideração a ocorrência (extremamente remota) de
posição vertical da moeda. Se alguém examina a moeda antes do lançamento, observa
que ela tem duas faces, uma das quais pode ser identificada como cara e outra como
coroa, e avalia sua simetria geométrica, concluirá que não há qualquer razão para
atribuir expectativa mais elevada para a ocorrência de uma das faces do que da outra.
Por essa razão, indubitavelmente, atribuirá igual possibilidade para as duas faces. Diz-
se, nesse caso, que os dois resultados possíveis são igualmente verossímeis.
Constrói-se um modelo matemático para exprimir igual verossimilhança dos
resultados possíveis de um experimento aleatório pela assinalação de números iguais
aos resultados igualmente verossímeis. Convencionalmente, esses números são
atribuídos de modo que sua soma seja 1 e os números assinalados são denominados de
probabilidades dos resultados do experimento. Assim, para o experimento de
lançamento de uma moeda, assinala-se 1/2 à cara e 1/2 à coroa. A probabilidade 1/2
assinalada à cara é a proporção do número de resultados igualmente verossímeis que
correspondem à cara relativamenteao número total de resultados igualmente
verossímeis desse experimento.
A assinalação do número 1/2 à cara e à coroa constitui um modelo matemático
para a admissão de igual verossimilhança desses dois resultados possíveis. Observe-se,
entretanto, que esse modelo é baseado em considerações a priori. As probabilidades
assinaladas à cara e à coroa referem-se a uma "moeda conceitual", ou seja, à moeda do
modelo matemático. A adequabilidade das probabilidades para moedas reais é uma
questão que apenas pode ser respondida pela experiência.
Há situações em um modelo de probabilidade completo não pode ser
estabelecido por considerações a priori. Por exemplo, seria impossível especificar a
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 35
probabilidade de que uma máquina produza uma peça defeituosa sem a observação do
desempenho da máquina. E mesmo com tal observação, é impossível especificar a
"verdadeira" probabilidade; apenas aproximações para essa probabilidade podem ser
obtidas por experiência. Entretanto, a postulação da existência de tal probabilidade
pode ser muito útil e importante para propósitos práticos. Assim, nesse caso, ainda se
constrói um modelo, mas não se assinalam como probabilidades números específicos
determinados por considerações a priori, já que não se sabe que números atribuir. A
experimentação, ou seja, a observação de um conjunto de peças produzidas pela
máquina pode prover uma orientação para a escolha desses números. Entretanto, deve-
se salientar que dois desses experimentos, ou seja, as observações de dois distintos
conjuntos de peças produzidas por essa máquina usualmente produzirão resultados
diferentes. Por exemplo, em um conjunto de 100 lançamentos de uma moeda podem
ocorrer 49 caras, ou seja, a proporção de caras pode ser 0,49, e em outro conjunto a
proporção pode ser 0,52. Esse exemplo ilustra a dificuldade da idealização de um
modelo matemático para probabilidade a partir de considerações a posteriori.
Entretanto, quando não há base sólida para considerações a priori e a intuição falha,
não se pode postular as probabilidades reais como conhecidas. A aproximação dessas
probabilidades através da experimentação pode tornar-se a melhor alternativa.
Na próxima Seção, considera-se a definição de probabilidade e o
estabelecimento de modelos de probabilidade para experimentos aleatórios na situação
simples em que o conjunto de resultados possíveis é finito e esses resultados podem ser
considerados igualmente verossímeis por concordância convencional. Não se provará
que as "probabilidades verdadeiras" são aquelas admitidas por considerações a priori;
postular-se-á probabilidades baseadas na pressuposição de igual verossimilhança nas
situações em que a intuição, o senso comum, a simetria do experimento, etc., conduz
ao consenso de que os resultados são igualmente verossímeis. Deve ser salientado,
entretanto, que o experimento é sempre o teste final da validade do modelo que se
admite ou postula.
Introdução à Probabilidade 36
2.4 Conceito Clássico de Probabilidade
Intuitivamente, a probabilidade de um evento de um experimento aleatório é uma
medida da chance de sua ocorrência em uma realização do experimento. É natural
pensar que uma medida da chance de ocorrência de um evento seja provida pela
proporção de vezes em que se esperaria a ocorrência do evento se o experimento fosse
repetido sob, essencialmente, as mesmas condições. Assim, a probabilidade depende
da natureza do experimento e do espaço básico associado. Em algumas situações, a
proporção de vezes em que é esperada a ocorrência de um evento pode ser determinada
por derivação lógica, sem a realização efetiva do experimento. Em outras situações, é
necessário repetir o experimento um número elevado de vezes para obter informação
sobre essa proporção, através da correspondente freqüência de ocorrências observadas.
Nesse caso, a verdadeira proporção (probabilidade) é desconhecida e podem ser
obtidas apenas aproximações.
Esse fato suscitou muita polêmica no passado e originou diversos conceitos de
probabilidade. O conceito mais primitivo é o chamado conceito clássico. Esse conceito
é aplicável quando uma simetria da estrutura do experimento aleatório assegura que
todos os resultados elementares têm a mesma chance de ocorrência em uma realização
particular do experimento, ou seja, que os resultados elementares são igualmente
verossímeis.
Essa propriedade foi inicialmente observada em "jogos de azar", como o
processo de lançamento de um dado ideal e observação da face que resulta voltada
para cima. Como o dado tem seis faces e é simétrico e balanceado, é natural esperar-se
que cada uma das seis faces ocorra em 1/6 das vezes. Por essa razão, atribui-se igual
probabilidade 1/6 a cada um dos 6 resultados elementares, isto é, a cada uma das 6
faces.
Essa propriedade de eqüiprobabilidade também ocorre em processos de "escolha
aleatória" de um elemento de um conjunto, em que é assegurada igual chance de
escolha para todos os elementos do conjunto. Seja, por exemplo, o experimento
"escolha aleatória de uma garrafa de uma caixa com seis garrafas e identificação da
garrafa escolhida". Como uma entre as 6 garrafas deve ser escolhida e todas as 6
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 37
garrafas têm a mesma chance de ser escolhida, conclui-se, logicamente, sem realizar o
experimento, que é esperado que cada garrafa ocorra em 1/6 das vezes, e atribui-se
probabilidade 1/6 a cada uma das seis faces.
Esses dois experimentos aleatórios têm estruturas análogas. Se as seis faces do
dado e as seis garrafas são identificadas pelos números 1, 2, 3, 4, 5 e 6, o espaço básico
comum dos dois experimentos é S = {1, 2, 3, 4, 5, 6}. Então, pode-se expressar as
probabilidades dos resultados elementares por: P(s) = 1\6, s∈S. A probabilidade de
qualquer evento pode ser derivada a partir dessa probabilidade comum dos resultados
elementares. Considere-se, por exemplo, o evento A: face (ou garrafa) identificada por
número par, isto é, A = {2, 4, 6}; como a proporção de ocorrências de face par é a
soma das proporções de ocorrências de cada uma das faces (ou garrafas) identificadas
pelos números 2, 4 e 6, deve-se ter:
P(A) = P(2) + P(4) + P(6) = 1 13
6 2
× = .
A derivação lógica de probabilidades ilustrada por esses exemplos é generalizada
para eventos de experimentos aleatórios com espaço básico constituído por resultados
elementares igualmente verossímeis, ou seja, espaço básico equiprovável, como
segue:
Conceito clássico de probabilidade: Se o espaço básico S de um experimento
aleatório compreende n(S) resultados elementares igualmente verossímeis, a
probabilidade de cada um desses resultados possíveis é 1/n(S). Se um evento A
consiste de n(A) desses n(S) resultados elementares, então:
n(A)P(A)
n(S)
= .
Observe-se que n(S) é o número dos resultados possíveis do experimento e n(A)
é o número desses resultados que implicam na ocorrência do evento A, isto é, o
número de resultados favoráveis à ocorrência de A. Assim, a probabilidade de um
evento A de um espaço básico equiprovável pode ser expressa por:
número de resultados favoráveis a AP(A) =
número de resultados possíveis
.
Introdução à Probabilidade 38
Em um experimento aleatório com espaço básico equiprovável todos os pontos
do espaço básico têm a mesma probabilidade. Por essa razão, diz-se que o
correspondente modelo de probabilidade é uniforme:
O modelo de probabilidade para experimento com espaço básico equiprovável é
designado modelo de probabilidade uniforme. Uma função P(.) que atribui igual
probabilidade a todos os resultados elementares de um experimentocom espaço
básico equiprovável é designada função de probabilidade uniforme.
Apesar de aparentemente bastante restritiva, a condição de eqüiprobabilidade do
espaço básico é de grande importância prática. Essa condição ocorre na seleção de um
subconjunto de unidades de um conjunto de unidades de interesse, ou sob
consideração, por processo que atribua a todos as unidades a mesma probabilidade de
constituir a amostra. Tais subconjunto e conjunto são usualmente designados de
amostra e população, respectivamente, e esse processo de seleção é denominado de
amostragem aleatória.
A aplicação do conceito clássico de probabilidade é ilustrada, a seguir, através de
exemplos simples.
Exemplo 2.6.
Experimento: Extração aleatória de um saco de sementes de uma pilha com 2 sacos de
sementes da variedade A e 3 da variedade B. Determine a probabilidade do evento E: saco de
sementes da variedade A.
Há 5 resultados possíveis igualmente prováveis na seleção aleatória de um saco de uma
pilha de 5 sacos dos quais 2 de sementes da variedade A e 3 de sementes da variedade B.
Denotando os 2 sacos de sementes da variedade A por A1 e A2 e os 3 sacos de sementes da
variedade B por B1, B2 e B3, o espaço básico detalhado desse experimento é S = {A1, A2, B1,
B2, B3}. Por outro lado, E = {A1, A2}, já que os dois resultados possíveis A1 e A2 são
favoráveis ao evento E. Portanto, em decorrência da eqüiprobabilidade do espaço básico S,
n(E) 2
P(E) = =
n(S) 5
.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 39
Exemplo 2.7
Experimento: Extração aleatória de dois sacos de sementes da pilha de 5 sacos
considerada no Exemplo 2.6, com a reposição do primeiro saco extraído antes da extração do
segundo saco. Sejam os seguintes eventos: E1: dois sacos da variedade A; E2: dois sacos da
variedade B; e E3: um saco de cada variedade.
Na extração do primeiro saco, qualquer um dos 5 sacos de sementes pode resultar (A1,
A2, B1, B2, B3). Como o segundo saco extraído é reposto antes da segunda extração,
novamente, qualquer um dos 5 sacos de sementes pode resultar na segunda extração (A1, A2,
B1, B2, B3). Portanto, um espaço básico detalhado para esse experimento é: S = {A1A1, A1,A2,
A1B1, A1B2, A1B3, A2A1, A2,A2, A2B1, A2B2, A2B3, B1A1, B1,A2, B1B1, B1B2, B1B3, B2A1,
B2,A2, B2B1, B2B2, B2B3, B3A1, B3,A2, B3B1, B3B2, B3B3}, onde B2A1, por exemplo, denota o
resultado elementar "saco B2 na primeira extração e saco A1 na segunda extração". A extração
aleatória implica que esse espaço básico é equiprovável.
Os resultados de S favoráveis ao evento E1 são os resultados possíveis que
correspondem a dois sacos da variedade A; logo, E1 = {A1A1, A1,A2, A2A1, A2,A2}. De fato, na
primeira extração, qualquer dos dois sacos da variedade A (A1 ou A2) é favorável ao evento E1
se, novamente, um dos dois sacos da variedade A (A1 ou A2) resultar na segunda extração.
Portanto,
1
1
n(E ) 4
P(E ) =
n(S) 25
= .
As especificações dos eventos E2 e E3 são: E2 = {B1B1, B1B2, B1B3, B2B1, B2B2, B2B3,
B3B1, B3B2, B3B3} e E3 = {A1B1, A1B2, A1B3, A2B1, A2B2, A2B3, B1A1, B1,A2, B2A1, B2,A2,
B3A1, B3,A2}. Logo,
2
9
P(E ) =
25
e 3
12
P(E ) =
25
.
Em geral, o número de resultados possíveis n(S) e o número de resultados
favoráveis ao evento de interesse n(E) podem ser derivados diretamente ou por
argumento lógico, de modo que as enumerações do espaço básico S e do evento E se
tornam desnecessárias. Esse procedimento alternativo é particularmente muito
conveniente se o tamanho do espaço básico S é considerável.
Introdução à Probabilidade 40
Exemplo 2.7 (continuação)
Reconsiderem-se as determinações das probabilidades dos eventos E1, E2 e E3 do
Exemplo 2.7.
Pode-se argumentar como segue: qualquer um dos 5 sacos de sementes pode resultar na
extração do primeiro saco; portanto, há 5 resultados na primeira extração que associados a
resultados da segunda extração podem constituir resultados possíveis do experimento. Como o
segundo saco extraído é reposto antes da segunda extração, novamente qualquer dos 5 sacos
pode resultar na segunda extração. Portanto, há 5×5=25 resultados possíveis na extração de
dois dos cinco sacos. Por outro lado, na primeira extração, qualquer um dos 2 sacos da
variedade A será favorável ao evento E1 se, novamente, um dos 2 sacos da variedade A
resultar na segunda extração. Logo, o número de resultados favoráveis ao evento E1 é 2×2=4.
Portanto,
1
2 2 4
P(E ) =
5 5 25
×
=
× .
Pelo mesmo raciocínio, pode-se determinar a probabilidade do evento E2:
2
3 3 9
P(E ) =
5 5 25
×
=
×
.
O evento E3 ocorre quando resulta um saco da variedade A na primeira extração e um
saco da variedade B na segunda extração, ou um saco da variedade B na primeira extração e
um saco da variedade A na segunda extração. Portanto, o número de resultados favoráveis ao
evento E3 é: 2×3 + 3×2 = 12; logo,
3
2 3 + 3 2 12
P(E ) =
5 5 25
× ×
=
×
.
Exemplo 2.8
Mesma situação do experimento do Exemplo 2.7, mas sem reposição do saco que
resulta na primeira extração.
Como na situação anterior, qualquer um dos 5 sacos de sementes pode resultar na
extração do primeiro saco; portanto, há 5 resultados na extração do primeiro saco (A1, A2, B1,
B2, B3) que podem associar-se a resultados da extração do segundo saco para constituírem
resultados possíveis do experimento. Entretanto, como agora o primeiro saco extraído não é
reposto, qualquer um dos outros 4 sacos pode resultar na segunda extração (um dos sacos A1,
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 41
A2, B1, B2 ou B3 foi excluído da pilha na primeira extração). Portanto, o número de resultados
possíveis do experimento é 5×4 = 20.
A extração de qualquer um dos dois sacos da variedade A (A1 e A2), seguida da extração
do restante saco da variedade A (A1 ou A2), é favorável ao evento E1. Portanto, o número de
resultados favoráveis ao evento E1 é 2×1. Logo,
1
2 1 1
P(E ) =
5 4 10
×
=
×
.
Por raciocínio análogo, obtém-se:
2
3 2 3
P(E ) =
5 4 10
×
=
×
.
Um saco de cada uma das variedades ocorre quando se sucedem as extrações de 1 saco
da variedade A (A1 ou A2) e 1 saco da variedade B (B1, B2 ou B3), ou 1 saco da variedade B e 1
saco da variedade A. Observe-se que, se é retirado um dos 2 sacos da variedade A na primeira
extração, os 3 sacos da variedade B continuam na pilha, e, se é retirado um dos 3 sacos da
variedade B na primeira extração, os 2 sacos da variedade A continuam na pilha. Portanto,
3
2 3 3 2 3
P(E ) =
5 4 5
× + ×
=
×
.
Esses exemplos ressaltam a importância da condição de eqüiprobabilidade do
espaço básico para a aplicação do conceito clássico de probabilidade. É importante
observar que, mesmo na situação de experimento aleatório com estrutura simétrica, a
eqüiprobabilidade dos resultados possíveis depende da especificação do espaço básico.
Para ilustração, considere-se o seguinte exemplo de um experimento aleatório simples.
Exemplo 2.9
Experimento: Dois lançamentos sucessivos de uma moeda ideal (ou, equivalentemente,
um lançamento de duas moedas ideais) e observação das faces que se voltam para cima.
Considere-se o evento "duas caras".
Poder-se-ia argumentar que há 3 resultados possíveis para esse experimento: duas caras,
duas coroas, e uma cara e uma coroa, que um desses resultados implica no evento sob
consideração, ou seja, duas caras, e que, portanto, a probabilidade de duas caras seria 1/3.
Entretanto, esse raciocínio é falho, porque esses três resultados possíveis não são igualmente
verossímeis: o terceiro resultado – uma cara e uma coroa, pode ocorrer de dois modos
Introduçãoà Probabilidade 42
distintos: cara no primeiro lançamento e coroa no segundo, e coroa no primeiro lançamento e
cara no segundo.
De fato, como será argumentado na Seção 2.5.1, a igual verossimilhança dos dois
resultados possíveis do lançamento de uma moeda ideal implica a igual verossimilhança dos
quatro resultados possíveis de dois lançamentos dessa moeda, que podem ser denotados por
CC, cc, Cc e cC, onde C e c designam cara e coroa, respectivamente. Apenas o primeiro desses
resultados possíveis corresponde a duas caras. Portanto, a probabilidade correta de duas caras é
1/4.
Observe-se que nesse exemplo há duas especificações alternativas do espaço básico: S1
= {CC, cc, Cc, cC} e S2 = {"CC", "cc", "Cc"}, onde na segunda especificação não é levada em
conta a ordem dos dois lançamentos da moeda, ou seja, "Cc" simboliza uma cara no primeiro
lançamento e uma coroa no segundo ou uma coroa no primeiro lançamento e uma cara no
segundo. A condição de eqüiprobabilidade é satisfeita apenas pelo espaço básico mais
detalhado S1, que, por essa razão, é o mais conveniente para o presente propósito.
Em geral, a eqüiprobabilidade do espaço básico que é implicada pela simetria de
um experimento aplica-se ao espaço básico formulado mais detalhadamente; não a
espaços básicos simplificados.
O exemplo que segue ilustra falha que pode decorrer da enumeração incorreta do
espaço básico.
Exemplo 2.10
Experimento: Extração aleatória de uma carta de um baralho ideal de 52 cartas. Seja o
evento "ás ou ouro".
Poder-se-ia argumentar que há 4 azes e 13 ouros e que, portanto, há 17 resultados
possíveis com o atributo em consideração; conseqüentemente, a probabilidade de um ás ou
ouro seria 17/52. Entretanto, esse argumento é incorreto, porque esses 17 resultados não
correspondem a 17 dos 52 resultados elementares igualmente verossímeis. De fato o ás de ouro
é tanto um ás como um ouro, de modo que realmente há 16 resultados elementares favoráveis
ao evento "às ou ouro"; portanto, a probabilidade correta desse evento é 16/52 = 4/13.
Exercícios 2.1
1. Duas bolas devem ser retiradas de uma caixa que contém uma bola branca, uma bola preta
e uma bola vermelha. Estabeleça duas especificações (uma detalhada e outra mais simples)
para o espaço básico desse experimento, sob cada uma das duas seguintes situações: a) a
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 43
primeira bola retirada é reposta na caixa antes da retirada da segunda bola; b) a primeira
bola retirada não é reposta. Represente cada um desses espaços básicos através de um
diagrama de pontos.
2. Reconsidere o exercício anterior supondo, agora, que a caixa contém duas bolas brancas e
duas bolas pretas.
3. Especifique um espaço básico para cada um dos seguintes experimentos aleatórios:
a) extrair uma maçã de uma caixa que contém duas maçãs, uma da cultivar A e outra da
cultivar B e identificar a maçã resultante;
b) extrair uma maçã de uma caixa que contém duas maçãs da cultivar A e três da cultivar
B e identificar a maçã extraída;
c) extrair duas maçãs da caixa considerada no experimento aleatório do item anterior,
com a reposição da primeira maçã antes da extração da segunda, e identificar as duas
maçãs;
d) extrair duas maçãs da caixa considerada no experimento b), sem reposição da primeira
maçã extraída, e identificar as duas maçãs;
e) dar um copo de vinho de cada uma de três cantinas a um provador para degustação e
registrar o resultado do teste de degustação, identificando com as letras C e I,
respectivamente, as identificações correta e incorreta de cada origem do vinho;
f) observar o número de acidentes de trânsito em uma cidade no próximo ano;
g) lançar uma moeda e um dado simultaneamente e observar a figura da face da moeda e
o número da face do dado que resultam voltadas para cima;
h) lançar uma moeda sucessivamente, até o aparecimento de uma cara voltada para cima,
e registrar o número de lançamentos efetuados;
i) ligar um aparelho novo de televisão e registrar o número de horas de seu
funcionamento sem necessidade de reparo;
j) mensurar a temperatura do solo a 5 cm de profundidade em um local, no próximo dia 5
de janeiro, em graus Celsius;
k) determinar a reserva de gás natural em uma área particular e registrar seu volume em
m3.
4. Verifique que os experimentos caracterizados no exercício 3 satisfazem as três
propriedades ou condições de um experimento aleatório.
5. Identifique os espaços básicos especificados no exercício 3 que são: finitos, infinitos
contáveis, discretos e contínuos.
Introdução à Probabilidade 44
6. Especifique os seguintes eventos dos respectivos experimentos aleatórios de que trata o
exercício 3:
a) uma maçã da cultivar A;
b) uma maçã da cultivar A;
c) E1: duas maçãs da cultivar A; E2: duas maçãs de uma mesma cultivar; E3: uma maçã de
cada uma das duas cultivares;
d) E4: duas maçãs da cultivar A; E5: uma maçã de cada uma das duas cultivares;
e) A: três identificações corretas; B: uma identificação correta; C: pelo menos uma
identificação correta;
f) A: 5 acidentes; B: no máximo 5 acidentes; C: pelo menos 5 acidentes;
g) A: cara e face 6; B: cara e face maior que 3; C: coroa e face ímpar;
h) A: cara no quarto lançamento; B: coroa no quarto lançamento; C: cara depois do
quarto lançamento;
i) A: pelo menos 1.600 horas; B: entre 1.200 e 2.300 horas;
j) A: 21°C; B: entre 18 e 27°C; C: pelo menos 15°C;
k) A: pelo menos 1.500.000 m3; B: menos que 2.000.000 m3.
7. Três alunos de uma classe de segundo grau constituída de 16 meninos e 14 meninas são
selecionados aleatoriamente e classificados segundo seu sexo.
a) Especifique o espaço básico equiprovável desse experimento aleatório, denotando
menina e menino pelas letras F e M, respectivamente.
b) Defina um outro espaço básico cujos elementos são os números de meninas
selecionadas.
8. Considere o experimento de lançamento não tendencioso de um par de tetraedros
balanceados, um branco e um vermelho, cada um com as faces numeradas de 1 a 4, e
observação dos números nas faces que resultam voltadas para cima.
a) Formule duas especificações alternativas para o espaço básico desse experimento: uma
levando em conta a distinção de cores dos dois tetraedros e a outra ignorando as cores.
b) Qual dessas duas especificações constitui um espaço básico equiprovável?
c) Especifique os seguintes eventos: A = número 3 no tetraedro branco; B: número 3 em
um dos dois tetraedros; C = número 3 no tetraedro branco e número 4 no vermelho; D:
soma igual a 4; E: soma menor que 4.
d) Supondo que os tetraedros são balanceados e lançados de modo isento, determine as
probabilidades dos eventos especificados no item anterior.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 45
9. Um experimento consiste do lançamento de uma moeda e, se ocorrer cara, de um segundo
lançamento dessa moeda; se ocorrer coroa, então é lançado um dado; é efetuado o registro
da figura na face da moeda (C: cara, c: coroa) e do número da face do dado (1, 2,..., 6).
a) Especifique o espaço básico desse experimento aleatório.
b) Especifique cada um dos seguintes eventos: A: número menor que 4 no dado; B: duas
caras; C: duas coroas.
c) Determine as probabilidades dos eventos especificados no item anterior, na suposição
de que a moeda e o dado sejam balanceados e lançados de modo não tendencioso.
10. Considere o experimento de perguntar a três mulheres escolhidas aleatoriamente se elas
usam sabão em pó de uma marca "X" e registrar a resposta de cada uma delas, denotando-a
por S ou N, respectivamente para sim ou não.
a) Formule o espaço básico.
b) Especifique o evento "pelo menos uma mulher usa sabão em póda marca X".
c) Descreva os eventos A e B cujas especificações são: A = {NSS, SSN, SNS} e B =
{NSS, SSN, SNS, SNN, NSN, NNS, NNN}.
11. Quais dos seguintes eventos são iguais, ou seja, compreendem os mesmos resultados
elementares: A = {1, 3}, B = {s: s é uma face de um dado}, C = {s: s é o número de caras
no lançamento de seis moedas}, D = {0, 1, 2,..., 6}, E = {s: s2-4s+3 = 0}?
12. Determine as probabilidades dos eventos especificados nos itens a), b), c) e d) do exercício
6, na suposição de extração aleatória.
13. Supondo que o provador não possui habilidade especial para a identificação da
procedência do vinho (ou seja, supondo igual probabilidade de identificação correta e
identificação incorreta da procedência de cada copo de vinho), determine a probabilidade
de cada um dos eventos especificados no exercício 6 e).
14. Na suposição de que os tetraedros e a moeda e o dado sejam balanceados e os lançamentos
sejam efetuados de modo isento, determine as probabilidades dos eventos especificados no
exercício 8 c) e no exercício 9 b).
2.5 Contagem de Pontos do Espaço Básico
O cálculo da probabilidade na situação de espaço básico equiprovável reduz-se
às contagens dos números de resultados elementares do espaço básico S e do número
desses resultados que implicam na ocorrência de eventos de S.
Introdução à Probabilidade 46
Em situações em que a estrutura do experimento é simples e o tamanho do
espaço básico é pequeno, contagens de resultados elementares são efetuadas sem
dificuldade. Entretanto, em muitos experimentos, o processo de contagem pode se
tornar difícil e trabalhoso. Para essas circunstâncias, são convenientes métodos
sistemáticos de contagem ou enumeração que constituem a parte da matemática
usualmente designada de "análise combinatória".
As regras básicas de contagem são revisadas a seguir.
2.5.1 Regra da multiplicação
A primeira regra de contagem aplica-se à situação em que o experimento
aleatório E compreende a realização simultânea ou sucessiva de dois experimentos
mais simples E1 e E2. Nessa situação, cada resultado elementar s do experimento E
consiste de um par ordenado de resultados parciais s1 e s2, respectivamente dos
experimentos E1 e E2.
Dois resultados parciais s1 e s2 constituem um par ordenado se o par (s1, s2) é
diferente do par (s2, s1).
Nesse texto denota-se o par ordenado de resultados parciais (s1, s2) mais
simplesmente por s1s2.
Exemplo 2.11
Considere-se o experimento de dois lançamentos sucessivos de uma moeda e
observação das faces que resultam voltadas para cima (Exemplo 2.9). Determine o número de
resultados elementares do espaço básico desse experimento aleatório.
Cada resultado elementar desse experimento é o par ordenado constituído pelo resultado
parcial de cada um dos dois lançamentos sucessivos da moeda. Assim, se a face observada no
primeiro lançamento da moeda é par (P) e a face observada no segundo lançamento é ímpar
(I), o resultado elementar dos dois lançamentos sucessivos é PI; se o primeiro lançamento
resulta em ímpar e o segundo em par, o resultado é IP. Desse modo, PI e IP são dois resultados
elementares distintos. O espaço básico é constituído pela associação de cada um dos dois
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 47
resultados que podem ser obtidos no primeiro lançamento da moeda com cada um dos dois
resultados que podem ser obtidos no segundo lançamento; portanto, n(S) = 2×2 = 4.
O processo de contagem ilustrado por esse exemplo é generalizado pela seguinte
regra:
Regra da multiplicação para pares ordenados: Se o primeiro elemento de um
par ordenado pode assumir n1 valores distintos e para cada um desses n1 valores o
segundo elemento do par pode assumir n2 valores distintos, então o número de
distintos pares ordenados que podem ser constituídos é n1×n2.
Essa regra da multiplicação aplica-se para a contagem do número de resultados
possíveis de um experimento que compreende a realização de dois experimentos mais
simples, como segue:
Se um experimento aleatório E compreende a realização de dois experimentos
E1 e E2 o primeiro dos quais pode ter n1 resultados distintos e para cada um desses
resultados o segundo experimento pode ter n2 resultados distintos, então o
experimento combinado E pode ter n1×n2 resultados distintos.
Cada um dos resultados elementares de qualquer evento do experimento
E compreende a associação de um resultado elementar do experimento E1 e um
resultado elementar do experimento E2. Logo, a regra da multiplicação também é
aplicável à contagem do número de resultados favoráveis a eventos do espaço básico
S: Se n1(A) e n2(A) são os números dos resultados elementares dos experimentos E1 e
E2, respectivamente, que associados constituem os resultados do experimento E que
são favoráveis a um evento A, então, o número dos resultados do experimento
combinado que são favoráveis a A é n1(A)×n2(A).
No presente contexto, interessa a utilização da regra da multiplicação para a
contagem dos resultados elementares de um experimento E que compreende a
realização de dois experimentos parciais E1 e E2 cujos resultados elementares são
Introdução à Probabilidade 48
equiprováveis. O cálculo de probabilidades de eventos do experimento E fundamenta-
se no seguinte princípio ou propriedade:
Se os n1 resultados elementares de um experimento E1 são igualmente
verossímeis e os n2 resultados de um experimento E2 são igualmente verossímeis ,
então os n1×n2 resultados elementares do experimento composto dos experimentos
E1 e E2 também são igualmente verossímeis.
Essa implicação da igual verossimilhança dos resultados de dois experimentos
parciais e a igual verossimilhança dos resultados do experimento combinado pode ser
considerada como um axioma ou um teorema, dependendo do sistema lógico adotado.
Aqui, ela é adotada simplesmente como uma regra testada útil para a construção de
modelos de probabilidade com essa estrutura. Essa regra é consistente com definições
e regras subseqüentes referentes à "probabilidade condicionada" (Seção 3.5).
Essa regra ressalta a importância de que na listagem e contagem dos resultados
elementares do experimento combinado E pela regra da multiplicação seja distinguido
a qual dos dois experimentos E1 e E2 corresponde cada um dos resultados parciais
associados para constituir um resultado elementar de E, ou um fator do produto n1×n2.
Assim, no experimento de dois lançamentos sucessivos de uma moeda (Exemplo 2.9),
pode-se especificar dois espaços básicos alternativos S1 = {CC, cc, Cc, cC} e S2 =
{"CC", "cc", "Cc"}, onde Cc é denota a ocorrência de cara no primeiro lançamento e
coroa no segundo, e "Cc" denota a ocorrência de cara e coroa sem levar em conta as
ordens dos lançamentos em que ocorrem cara e coroa. A aplicação da regra da
multiplicação gera o espaço básico S1, não o S2 (Exemplo 2.11); portanto, a igual
verossimilhança dos resultados tanto do experimento E1 como E2 aplica-se aos
resultados elementares do espaço básico S1, conforme foi antecipado pelo Exemplo
2.9.
O Exemplo 2.7 e o Exemplo 2.8 ilustram o uso da regra da multiplicação. Outra
ilustração é provida pelo exemplo que segue.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 49
Exemplo 2.12
Experimento: Escolha por um agricultor de uma cultivar e de uma época de semeadura
para o cultivo do arroz. São disponíveis para o agricultor duas cultivares de arroz (C1 e C2)
cada uma das quais pode ser semeada em três épocas (E1, E2 e E3). a) Quantos resultados
alternativos podem decorrer desse processo de escolha? b) Se o agricultor proceder às
escolhas da cultivar e da época de semeadura de modo aleatório,qual é a probabilidade de que
ele escolha semear a cultivar C1 na época E1 ou na época E2?
Esse experimento compreende dois experimentos mais simples: escolha de uma cultivar
e escolha de uma época de semeadura. O primeiro experimento pode ter n1 = 2 resultados: C1 e
C2, e para qualquer dessas cultivares que seja escolhida o segundo experimento pode ter n2 = 3
resultados: E1, E2 e E3. O número de resultados possíveis do experimento combinado, ou seja,
do processo de escolha de uma cultivar e de uma época de semeadura é, portanto, n1×n2 = 2×3
= 6.
b) Os resultados dos dois experimentos parciais que associados constituem resultados
favoráveis ao evento A: semeadura da cultivar C1 na época E1 ou na época E2, são,
respectivamente, C1 e (E1, E2). Logo, o número de resultados favoráveis a esse evento é 1×2 =
2. Portanto, segundo o conceito clássico de probabilidade:
2 1
P(A) = =
6 3
.
A estrutura do espaço básico de um experimento aleatório em que se aplica a
regra da multiplicação pode ser representada por um diagrama de árvore. Um
diagrama de árvore para um conjunto de n1×n2 pares ordenados inicia-se em um ponto
à esquerda, a partir do qual origina-se um ramo de primeira geração para cada um dos
n1 distintos valores que o primeiro elemento do par pode assumir. Na extremidade de
cada um desses n1 ramos de primeira geração, origina-se um ramo de segunda geração
para cada um dos n2 distintos valores que o segundo elemento do par pode assumir.
Portanto, o número total de ramos de segunda geração, ou o número de caminhos
alternativos que podem ser percorridos da origem à extremidade de um ramo de
segunda geração, é n1×n2. Cada um desses ramos de segunda geração, ou desses
caminhos, corresponde a um dos n1×n2 possíveis pares ordenados.
Introdução à Probabilidade 50
Exemplo 2.12 (continuação)
Considere-se a construção de um diagrama de árvore para representar a estrutura do
espaço básico do experimento aleatório de que trata o Exemplo 2.12.
O diagrama de árvore (Figura 2.3) se inicia em um ponto à esquerda, a partir do qual
originam-se 3 ramos, correspondentes às 3 épocas de semeadura alternativas E1, E2 e E3; na
extremidade de cada um desses 3 ramos, originam-se 2 novos ramos, correspondentes às 2
cultivares alternativas C1 e C2. As 3×2 = 6 alternativas possíveis do processo de escolha de
uma época de plantio e de uma cultivar (E1C1, E1C2, E2C1, E2C2, E3C1, E3C2) são representadas
pelos 6 caminhos distintos ao longo dos ramos da árvore.
Figura 2.3. Diagrama de árvore que representa o processo de escolha de cultivar
e época de semeadura para o cultivo de arroz, quando são
disponíveis duas cultivares que podem ser semeadas em três épocas.
A regra da multiplicação estende-se para a situação em que os resultados
elementares do espaço básico são conjuntos ordenados de mais de dois resultados
parciais.
Exemplo 2.13
Experimento: Cinco lançamentos sucessivos de uma moeda e observação das cinco
faces que resultam voltadas para cima. a) Determine: i) o número de resultados possíveis
desse experimento; ii) o número desses resultados que são favoráveis ao evento E: cara nos
três primeiros lançamentos. b) Determine a probabilidade desse evento E, na suposição de que
a moeda é balanceada e que os lançamentos são isentos.
a) i) O espaço básico desse experimento é constituído pela associação de cada um
dos dois resultados que podem ser obtidos no primeiro lançamento da moeda com cada um dos
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 51
dois resultados que podem ser obtidos no segundo lançamento, com cada um dos dois
resultados que podem resultar no terceiro lançamento, etc., de modo que n(S) = 2×2×2×2×2 =
25 = 32.
ii) O evento E ocorrerá se todos os 3 primeiros lançamentos da moeda resultarem
em cara, qualquer que sejam os resultados do quarto e do quinto lançamento. Há apenas uma
possibilidade de resultarem 3 caras nos 3 primeiros lançamentos, e há dois resultados possíveis
em cada um dos dois últimos lançamentos. Portanto, o número de resultados favoráveis a
ocorrência do evento E é: 1×2×2 = 4.
b) A probabilidade do evento E é, portanto,
4 1
P(E) = =
32 8
.
O processo de contagem ilustrado por esse exemplo é generalizado pela seguinte
regra:
Regra geral da multiplicação. Se o primeiro elemento de um conjunto
ordenado de r elementos pode assumir n1 valores distintos, para cada um dos quais o
segundo elemento do conjunto pode assumir n2 valores distintos, para cada um dos
quais o terceiro elemento pode assumir n3 valores distintos,..., e para cada um dos nr-
1 valores distintos que o elemento r-1 pode assumir, o r-ésimo elemento pode
assumir nr valores distintos, então o número de conjuntos ordenados que podem ser
constituídos é n1×n2×...×nr.
A estrutura de um espaço básico constituído por conjuntos ordenados de r
elementos também pode ser representada por um diagrama de árvore. Para essa
situação, o diagrama é estendido pela adição de ramos de terceira geração, originados
na extremidade de cada um dos ramos de segunda geração; de ramos de quarta
geração, originados nas extremidades de cada um dos ramos de terceira geração, e
assim sucessivamente, até ramos de r-ésima geração, originados nas extremidades de
cada um dos ramos de geração r-1.
Exemplo 2.14
Considere-se uma extensão do experimento aleatório do Exemplo 2.12 em que o
agricultor, além da cultivar e da época de semeadura, tem que escolher um de três métodos de
Introdução à Probabilidade 52
plantio (M1, M2 e M3) e um fungicida entre os quatro disponíveis no mercado (F1, F2, F3 e F4).
Quantas alternativas o agricultor tem que considerar para proceder à decisão?
Há n1×n2×n3×n4 = 3×2×3×4 = 72 quádruplos da forma (Ci, Ej, Mk, Fl), i = 1, 2, 3, j = 1,
2, k = 1, 2, 3, l = 1, 2, 3, 4. Assim, há 72 modos de escolha de uma de 3 cultivares, uma de 2
épocas de plantio, um de 3 métodos de plantio e um de 4 fungicidas.
Exercícios 2.2
1. Uma indústria adota um processo de três estágios para a fabricação de um certo tipo de
equipamento que tem 4 linhas de montagem alternativas para o primeiro estágio, 3 para o
segundo estágio e 5 para o terceiro estágio. De quantas formas diferentes quanto a linhas
de montagem esses equipamentos podem ser produzidos por essa indústria?
2. Uma pessoa que está para escolher uma refeição composta de uma salada, um prato
quente, uma sobremesa e uma bebida, tem à disposição um cardápio de 6 saladas, 3 pratos
quentes, 5 sobremesas e 4 bebidas.
a) Quantas distintas refeições essa pessoa tem disponível para sua escolha?
b) Suponha que 2 das 6 saladas têm maionese, 1 dos 3 pratos quentes é de galinha, 3 das
5 sobremesas contém ovo e 2 das 4 bebidas são vinho branco. Entre quantas distintas
refeições que estão disponíveis no cardápio pode ser escolhida uma constituída de uma
salada sem maionese, um prato quente de galinha, uma sobremesa sem ovo, e um
vinho branco?
c) Se a pessoa efetua sua escolha aleatoriamente, qual é a probabilidade de que seja
escolhida uma refeição constituída por uma salada sem maionese, um prato quente de
galinha, uma sobremesa sem ovo e vinho branco?
3. Um experimento está sendo planejado para pesquisar o rendimento de 4 cultivares de soja
em 3 espaçamentos de plantio diferentes.
a) Quantas parcelas são necessárias, se cada combinação de cultivar e rendimento deve
ser atribuída a uma e apenas uma parcela?
b) Quantas parcelas são necessárias, se cada uma dessas combinações deve ser atribuída a
quatro parcelas?
4. No percurso de sua casa para o local de trabalho, uma pessoa pode utilizar quatro rotas
alternativas A, B, C e D. Essas mesmas rotas podem ser utilizadaspara o retorno para
casa.
a) Esquematize, através de um diagrama de árvore, os caminhos alternativos que essa
pessoa pode utilizar para ir ao trabalho e voltar para casa. Quantos são esses caminhos?
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 53
b) Supondo que a rota de ida para o trabalho e a de volta para casa sejam escolhidas
aleatoriamente, qual é a probabilidade de que a pessoa: i) utilize a mesma rota na ida e
na volta para o trabalho? ii) não utilize a mesma rota na ida e na volta para o trabalho?
c) Responda questões semelhantes às formuladas nos itens a) e b) sob a condição de que
a pessoa não utilize a mesma rota na ida e na volta ao trabalho.
5. Suponha que as rotas B e C consideradas no exercício 4 sejam de um único sentido e que a
pessoa possa utilizar a rota B somente no percurso de casa para o trabalho e a rota C
apenas no sentido contrário. Responda às mesmas questões formuladas naquele exercício
sob estas novas condições.
6. Nas eleições majoritárias simultâneas para Presidente da República, Governador do Estado
e Prefeito do Município, há, respectivamente, 6, 4 e 3 candidatos.
a) De quantos modos um eleitor pode marcar sua cédula para todos esses três cargos?
b) Quantas escolhas alternativas um eleitor tem para votar, se ele exerce sua opção de não
votar em: i) Presidente? ii) Governador? iii) Presidente e Governador?
c) Suponha que um dado eleitor está indeciso e, por essa razão, decide escolher os
candidatos aleatoriamente. Qual é a probabilidade de que esse eleitor escolha um
candidato da preferência dos atuais governantes, se são da preferência desses
governantes 2 dos candidatos a Presidente, 2 dos candidatos a Governador e um dos
candidatos a Prefeito?
7. Um sistema compreende seis mecanismos cada um dos quais pode ser conectado em uma
de quatro posições.
a) De quantos modos esse sistema pode ser disposto quanto às formas alternativas de
conexões de seus 6 mecanismos: i) se a ordem de conexão desses mecanismos é
irrelevante? ii) se essa ordem é importante?
b) Suponha que os 6 mecanismos sejam instalados em uma ordem preestabelecida. De
quantos modos o sistema pode ser disposto, se os dois primeiros mecanismos não
puderem estar conectados em igual posição?
c) Ainda supondo que os 6 mecanismos sejam instalados em uma determinada ordem, de
quantos modos o sistema pode ser disposto, se dois sistemas adjacentes não puderem
estar conectados em igual posição?
d) Quantas maneiras de disposição são possíveis, se apenas as duas primeiras posições de
cada um dos 6 mecanismos forem usadas?
8. Quantos resultados possíveis constituem o espaço básico de cada um dos seguintes
experimentos aleatórios: a) lançamento de um dado branco e um dado preto e observação
Introdução à Probabilidade 54
das faces que se voltam para cima; b) lançamento de uma moeda e um dado e observação
das faces que se voltam para cima; c) preenchimento de um teste de 12 questões em que
cada uma delas deve ser respondida com uma de duas respostas alternativas: verdadeiro ou
falso.
9. Um teste de múltipla escolha consiste de dez questões, cada uma das quais permite uma
escolha entre três alternativas.
a) De quantas maneiras diferentes um estudante pode escolher suas respostas a essas
questões?
b) Supondo que apenas uma alternativa de cada questão seja correta e que um estudante
responda as questões aleatoriamente, qual é a probabilidade de que ele acerte: i) todas
as questões? ii) as primeiras seis questões?
10. Uma caixa contém três pedras identificadas pelos números 1, 2 e 3. Considere o
experimento de 3 extrações sucessivas aleatórias de uma pedra dessa caixa, com a
reposição da pedra após cada extração, e registro da seqüência de números resultante.
a) Construa um diagrama de árvore para determinar os resultados possíveis desse
experimento.
b) De quantos modos distintos podem resultar: i) três números iguais? ii) três números
diferentes? iii) exatamente dois números iguais?
c) Obtenha as probabilidades dos eventos definidos no item anterior.
11. Um baralho consiste de 52 cartas, das quais 13 são de cada um de 4 naipes diferentes:
ouros, copas, espadas e paus. O conjunto de cartas de cada naipe é constituído de 9 cartas
numeradas de 2 a 10, um ás (também carta número 1), um valete, uma dama e um rei.
Considere a extração aleatória de 3 cartas desse baralho, com reposição.
a) Determine a probabilidade de que resulte uma carta de ouros, uma de paus e uma de
copas: i) nesta ordem? ii) em qualquer ordem.
b) Qual é a probabilidade de que sejam extraídas duas cartas de ouros e, em seguida, uma
carta de paus ou de espadas?
12. Reconsidere o exercício 11 sob a condição de que as cartas extraídas não sejam repostas.
2.5.2 Regras das permutações
A regra da multiplicação aplica-se à contagem do número de resultados possíveis
de um experimento que compreende dois ou mais experimentos mais simples com
espaços básicos completamente diferentes (seleções de uma cultivar, uma época de
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 55
semeadura, um método de plantio e um fungicida, Exemplo 2.14), ou com mesmo
espaço básico (lançamentos sucessivos de uma moeda, Exemplo 2.13).
Essa regra aplica-se particularmente à extração sucessiva de elementos de um
conjunto com reposição do elemento extraído antes da próxima extração (Exemplo
2.7), ou sem reposição dos elementos extraídos (Exemplo 2.8). Considere-se, agora, a
seleção sucessiva de todos os elementos de um conjunto sem reposição. Esse processo
gera uma seqüência ordenada dos elementos do conjunto tal que cada um desses
elementos aparece uma e apenas uma vez na seqüência.
Uma seqüência ordenada de n elementos é denominada uma permutação
desses n elementos.
Embora uma seqüência ordenada seja freqüentemente denotada pela listagem de
seus elementos entre parênteses, é usual denotar uma permutação pela justaposição de
seus elementos segundo sua ordem na permutação. Assim, acb é uma permutação das
letras a, b e c.
O número de permutações que podem ser formadas com os elementos de um
conjunto é determinado pela seguinte regra:
Regra das permutações. O número de permutações de n elementos distintos,
denotado por Pn, é:
Pn = n×(n-1)×(n-2)×...×2×1.
Equivalentemente, Pn = 1×2×...×n. Esta expressão é o produto dos n primeiros
números naturais, que é designado de fatorial de n e denotado por n! Por definição, 0!
=1; portanto, P0 = 1.
Exemplo 2.15
Liste as permutações das três primeiras letras do alfabeto: a, b e c, e determine o seu
número.
As distintas seqüências ordenadas das 3 letras a, b e c são: abc, acb, bac, bca, cab e cba.
Portanto, o número de seqüências ordenadas, ou permutações, das 3 letras, é 6, ou seja, P3 =
3×2×1 = 6.
Introdução à Probabilidade 56
De modo geral, permutar n objetos equivale a colocá-los dentro de uma caixa de
n compartimentos em dispostos lado a lado, em alguma ordem (Figura 2.4). O número
de permutações dos n objetos é o número de diferentes configurações que podem
resultar da disposição dos n objetos na caixa.
Figura 2.4. Ilustração do processo de permutação de n objetos o1, o2,..., on.
As permutações distinguem-se pela ordem dos elementos. Assim, a regra das
permutações pode ser derivada pelo seguinte argumento e a utilização da regra da
multiplicação: cada um dos n elementos pode ser o primeiro em uma ordenação
particular dos n elementos; cada um desses n elementos que seja escolhido como
primeiro pode associar-se com cada um dos n-1 elementos restantes, de modo que,
pela regra da multiplicação, tem-se n×(n-1) diferentes ordenações possíveis para os
dois primeiros elementos;cada uma dessas n×(n-1) ordenações pode associar-se com
cada um dos n-2 elementos restantes, de modo que, segundo a mesma regra, tem-se
n×(n-1)×(n-2) ordenações distintas até o terceiro elemento; em geral, há n×(n-1)×(n-
2)×...×[n-(r-1)] distintas ordenações dos r primeiros elementos, cada uma das quais
pode associar-se com cada um dos r-1 restantes elementos; o número de fatores desse
produto cresce, enquanto os fatores vão decrescendo de uma unidade, até a etapa r=n,
quando é incluído o n-ésimo elemento da ordenação e o fator torna-se igual a 1.
Exemplo 2.16
Um experimento é conduzido para a comparação de cinco cultivares de feijão A, B, C,
D e E quanto à produção de grãos. Ao fim do experimento, as cultivares são ordenadas
segundo as grandezas de suas médias observadas. a) Quantas diferentes listagens das cultivares
podem resultar, supondo que não podem resultar duas cultivares com mesma produção? b)
Em quantas dessas listagens as cultivares A e B aparecem nos dois primeiros lugares? c)
Supondo que as 5 cultivares não diferem quanto à produtividade, qual é a probabilidade de que
as cultivares A e B se revelem as mais produtivas por mero acaso?
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 57
a) Qualquer uma das cinco cultivares pode resultar como mais produtiva. Para cada uma
delas que resulte mais produtiva, há quatro cultivares restantes que podem resultar com a
segunda maior produção. Portanto, há 5×4=20 diferentes ordenações das 5 cultivares para os
dois primeiros lugares em produção. Para cada um desses 20 resultados distintos, há 3
cultivares restantes qualquer uma das quais pode ter a terceira produção mais elevada;
portanto, há 5×4×3 = 60 ordenações distintas das 5 cultivares para as 3 primeiras colocações.
Para cada uma dessas 60 ordenações, há duas cultivares restantes qualquer uma das quais pode
ter a penúltima produção; logo, há 5×4×3×2 = 120 distintas ordenações para as 4 cultivares de
maiores produções entre as 5. Como há apenas uma cultivar restante, o número total de
ordenações ou permutações das 5 cultivares quanto às grandezas de suas médias é 5×4×3×2×1
= 120.
Naturalmente, esse mesmo resultado pode ser obtido pela aplicação direta da regra das
permutações: o número de diferentes listagens das 5 cultivares que podem resultar é: P5 =
5×4×3×2×1 = 120.
b) Em uma lista em que as cultivares A e B ocupam os dois primeiros lugares, as 3
cultivares restantes, ou seja, C, D e E, devem ocupar o terceiro, quarto e quinto lugares. O
número de listas em que A e B aparecem nos dois primeiros lugares é o número de diferentes
ordenações de C, D e E nas 3 últimas posições, isto é: P3 = 3×2×1 = 6.
c) Segundo os resultados obtidos nos itens anteriores,
6 1
P(A e B sejam as mais produtivas) = =
120 20
.
Permutações com repetições
Essa regra das permutações pressupõe que os n elementos são distintos. Dessa
forma, essa regra não se aplica a situações em que os n elementos não são todos
distintos, como ilustrado no exemplo que segue.
Exemplo 2.17
Quantas permutações podem ser obtidas com as letras da palavra “consolo”?
Considerando, por um momento, as três repetições da letra "o" como três letras distintas
(pela aposição de subscritos; por exemplo, “co1nso2lo3”), o número de permutações das 7
"letras" é P7 = 7! Entretanto, como, de fato, o1, o2 e o3 simbolizam a mesma letra "o", as
ordenações dessas 7 "letras" em que o1, o2 e o3 ocupam as mesmas 3 posições particulares
Introdução à Probabilidade 58
constituem uma mesma permutação. Esse número de ordenações é P3 = 3! Agora, para cada
ordenação daquelas 7 "letras" há P3 = 3! ordenações que constituem uma mesma permutação.
Portanto, há apenas P7/P3 = 7!/3! = 7×6×5×4 = 840 permutações (diferentes) das letras da
palavra “consolo”.
Esse argumento pode ser generalizado como segue:
Regra das permutações com repetições. O número de permutações de n
elementos que se classificam em k categorias, com ni elementos iguais na i-ésima
categoria (n1+n2+...+nk = n) e elementos de diferentes categorias distintos, denotado
por
1 2 kn(n ,n ,...,n )
P , é:
!n...!n!n
!nP
k21
)n,...,n,n(n k21 = .
Para verificar essa expressão, observe-se que n1! das n! permutações dos n
elementos são idênticas em decorrência da identidade dos n1 elementos da categoria 1.
Assim, apenas n!/n1! ordenações podem diferir quanto aos elementos das demais
categorias. Entretanto, n2! dessas ordenações são idênticas, dada a identidade dos n2
elementos da categoria 2, de modo que apenas n!/n1!n2! ordenações podem diferir
quanto aos elementos das categorias 3, 4,..., k. Estendendo-se esse raciocínio, conclui-
se que apenas n!/n1! n2!...nk! ordenações dos n elementos são distintas.
Exemplo 2.17 (continuação)
Qual é a probabilidade de que a escolha aleatória de uma das permutações das letras da
palavra "consolo" resulte em uma "palavra" terminada com a letra "o"?
Para responder a essa questão, observe-se que a letra "o" aparece repetida 3 vezes na
palavra "consolo". Qualquer que seja uma dessas 3 repetições dessa letra, as demais 6 letras
dessa palavra devem antecedê-la para completar uma "palavra" com todas as sete "letras" da
palavra "consolo". Logo, considerando, por um momento, as três repetições da letra "o" como
se fossem 3 letras distintas, tem-se 3×P6 "palavras" terminadas em "o". Então, pelo mesmo
argumento anterior, segue-se que o número de palavras distintas que podem ser constituídas
com as 7 letras da palavra "consolo" terminadas em "o" é 6 33×P P = 360 .
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 59
Como o número de permutações de letras da palavra "consolo", obtido anteriormente, é
840, a probabilidade de que uma dessas permutações escolhida aleatoriamente termine em "o"
é: 360/840 = 3/7.
Permutações circulares
O conceito estabelecido anteriormente de permutação como uma seqüência
ordenada de elementos distintos supõe a disposição dos elementos em linha. Em
algumas situações, pode ser de interesse considerar a disposição de elementos em
círculo.
Uma permutação de elementos dispostos em um círculo é designada de
permutação circular.
Duas disposições circulares de um mesmo conjunto de elementos distintos
constituem uma mesma permutação circular se as ordenações dos elementos em torno
de um círculo são iguais, ou seja, se cada um dos elementos é precedido e seguido nas
duas disposições pelos mesmos elementos no sentido do deslocamento dos ponteiros
de um relógio. Em outras palavras, uma permutação circular não se altera se todos os
elementos se deslocam um mesmo número de posições em um mesmo sentido em
torno do círculo. Por exemplo, se cinco pessoas estão sentadas em torno de uma mesa,
não se obtém uma nova permutação circular se elas mudam de lugares mantendo as
mesmas posições relativas, como ocorre quando todas elas se deslocam para a próxima
posição à direita.
Exemplo 2.18
Em quantas distintas configurações de vizinhanças em torno de uma mesa podem
sentar-se cinco pessoas para jogar cartas?
Para uma das 5 pessoas em uma posição fixa, as outras quatro pessoas podem sentar-se
em P4 = 4! disposições diferentes em torno da mesa. Como a fixação dessa pessoa em qualquer
das outras quatro posições gera a mesma configuração de vizinhança se todas as 5 pessoas
mantém as mesmas posições relativas, há P4 = 4! = 24 configurações de vizinhanças distintas
das 5 pessoas em torno da mesa. Em outras palavras, o número de permutações circulares de 5
pessoas em torno de uma mesa é P4 = 4! = 24.
O argumento ilustrado no Exemplo 2.18 é generalizado pela seguinte regra:
Introdução à Probabilidade 60
Regra das permutações circulares.O número de permutações circulares de n
elementos distintos, designado por PCn, é:
PCn = (n-1)(n-2)...2.1,
ou seja,
PCn = (n-1)! = Pn-1.
Exemplo 2.18 (continuação)
Se 5 pessoas A, B, C, D e E se sentam em 5 cadeiras em torno de uma mesa de modo
aleatório, qual é a probabilidade de que, A e B situem-se em posições contíguas?
Para o indivíduo A em uma posição fixa e o B na posição contígua à sua direita, os
indivíduos B, C e D podem dispor-se em P3 = 3! diferentes ordenações nas outras 3 posições
em torno da mesa. Semelhantemente, para B em uma posição fixa e A na posição imediata à
direita de B, os demais 3 indivíduos podem dispor-se em P3 = 3! diferentes ordenações nas
outras 3 posições. Se A ou B mudam de posição em torno da mesa com todos os 5 indivíduos
mantendo as mesmas posições relativas, a configuração de vizinhança das 5 pessoas não se
altera. Portanto, o número de disposições das 5 pessoas em torno de uma mesa com A e B em
posições contíguas é: 2× P3 = 2×3! = 12.
Como o número de configurações de vizinhanças distintas das 5 pessoas em torno da
mesa, determinado anteriormente, é 24, segue-se que a probabilidade de que A e B situem-se
em posições contíguas é 12/24 = 1/2.
2.5.3 Regra dos arranjos
A regra das permutações aplica-se à extração sucessiva de todos os elementos de
um conjunto sem reposição do elemento extraído antes da próxima extração.
Considere-se, agora, a seleção sucessiva de parte dos elementos de um conjunto sem
reposição dos elementos.
Uma seqüência ordenada de r elementos tomados de um conjunto de n
elementos (r≤n) é denominada um arranjo de tamanho r desses n elementos.
Adota-se para arranjo a mesma notação de permutação. Assim, ac é um arranjo
das letras a e c.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 61
Observe-se que um arranjo com r=n é uma permutação. Logo, a regra dos
arranjos que segue é uma generalização da regra das permutações:
Regra dos arranjos. O número de arranjos de r elementos tomados de um
conjunto de n elementos distintos, denotado por A n
r , é:
A n
r = n(n-1)(n-2)...(n-r+1) (r fatores).
Outras notações também são usadas para denotar o número de arranjos de r
elementos selecionados de um conjunto de n elementos: A(n, r), Anr, nAr, e (n)r.
A partir das expressões das regras das permutações e dos arranjos e tendo em
conta que, por definição, 0! = 1, pode-se derivar a seguinte relação:
n
r n!A =
(n - r)!
, ou seja: r nn
n-r
PA =
P
.
Exemplo 2.19
Enumere os arranjos de duas letras tomadas do conjunto das três primeiras letras do
alfabeto: a, b e c, e obtenha e o seu número.
As distintas seqüências ordenadas que podem ser constituídas com duas das três letras a,
b e c são: ab, ac, ba, bc, ca e cb. Logo, o número de seqüências ordenadas, ou arranjos, de 2
dessas 3 letras é 6, isto é, 23A = 3×2 = 6.
De modo geral, arranjar r objetos de um conjunto de n objetos equivale a colocar
um subconjunto de r dos n objetos dentro de uma caixa de r compartimentos dispostos
lado a lado, em alguma ordem (Figura 2.5). O número de arranjos de r dos n objetos é
o número de configurações que podem resultar da disposição dos objetos na caixa que
diferem quanto à composição de objetos e à sua ordem.
Figura 2.5.Ilustração do processo de arranjo de r objetos tomados de um
conjunto de n objetos o1, o2,..., on.
Introdução à Probabilidade 62
Exemplo 2.20
Três integrantes de uma turma de 24 estudantes do Curso de Matemática devem ser
escolhidos para constituir uma comissão representativa da turma, composta de presidente,
secretário e tesoureiro. a) Quantas composições alternativas podem ser consideradas para a
escolha da comissão? b) Quantas dessas comissões são integradas por 5 dos 24 estudantes
cujo primeiro nome tem inicial A? c) Se a escolha da comissão for procedida por processo
aleatório, qual é a probabilidade de que seja escolhida uma comissão constituída por
estudantes com primeiro nome iniciado pela letra A?
a) O número de comissões de 3 estudantes com funções distintas (presidente,
secretário e tesoureiro) que podem ser formadas com integrantes de uma turma de 24
estudantes é o número de arranjos de 3 estudantes tomados desse conjunto de 24
estudantes, ou seja: 324A = 24×23×22=12.144 .
b) Uma comissão de 3 estudantes com primeiro nome iniciado pela A terá que ser
constituída de 3 dos 5 estudantes cujo primeiro nome tem inicial A. Logo, o número dessas
comissões é: 35A = 5×4×3 = 60 .
c) Logo, a probabilidade da escolha aleatória de uma comissão integrada por 3
estudantes com primeiro nome iniciado pela letra A é: 60/12.144 = 5/1.012.
Exemplo 2.21
Cada um de três antibióticos A, B e C deve ser aplicado a um animal diferente de um
subconjunto de três animais selecionados aleatoriamente de um conjunto de doze animais. a)
Quantas assinalações dos antibióticos que diferem quanto à relação entre antibióticos e animais
são possíveis? b) Se 6 dos 12 animais são sadios e os demais apresentam a infecção para cujo
controle destina-se a aplicação dos antibióticos, qual é a probabilidade de que esses
antibióticos sejam aplicados a animais sadios, que, portanto, não manifestarão resposta ao
antibiótico?
a) O número de assinalações dos 3 antibióticos A, B e C a 3 dos 12 animais que diferem
quanto aos animais e à atribuição dos animais é igual ao número de arranjos de 3 dos 12
animais, ou seja, 312A = 12×11×10 = 1.320 .
Naturalmente, esse resultado pode ser derivado sem o recurso à regra dos arranjos.
Considerem-se as assinalações dos antibióticos A, B e C como três etapas de um experimento.
Qualquer um dos 12 animais disponíveis pode ser escolhido para a aplicação do antibiótico A.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 63
Para qualquer escolha de um animal para A, há 11 animais restantes, qualquer um dos quais
pode ser escolhido para a assinalação do antibiótico B. Assim, quanto à assinalação dos
antibióticos A e B, o número de escolhas possíveis, de acordo com a regra do produto, é 12×11
= 132. Por sua vez, após qualquer uma destas 132 diferentes assinalações dos antibióticos A e
B, há 10 animais restantes a qualquer um dos quais pode ser assinalado o antibiótico C. Logo,
o número total das possíveis assinalações dos três antibióticos é 12×11×10 = 1.320.
b) Os 3 antibióticos serão assinalados a 3 animais sadios se esses animais forem
selecionados do subconjunto de 6 animais sadios. Logo, o número de assinalações dos
antibióticos a animais sadios é: 36A = 6×5×4 = 120 . Portanto, a probabilidade de que os 3
antibióticos sejam aplicados a animais sadios é: 120/1320 = 1/11.
Exercícios 2.3
1. No processo de inspeção de qualidade de um produto fabricado por seis máquinas, o
engenheiro supervisor inspeciona as seis máquinas diariamente. Para evitar que os
operários saibam quando ele os irá inspecionar, a ordem de inspeção varia e é determinada
para cada dia. Entre quantas distintas ordenações, o engenheiro deve escolher aquela a ser
adotada em um dia particular?
2. Seis pessoas encaminham-se para formar uma fila para tomar um ônibus. a) De quantos
modos essas seis pessoas podem formar a fila? b) Em quantas disposições essas pessoas
podem colocar-se na fila de modo que duas delas particulares ocupem o primeiro e o
último lugar? c) Em quantas disposições essas pessoas podem colocar-se na fila se duas
delas se recusam a se situarem em posições contíguas? d) Se essas pessoas se dispõem na
fila em ordem aleatória, qual é a probabilidade de que: i) as duas pessoas consideradas no
item b) ocupem os extremos da fila? ii) as duas pessoas referidas no item c) se situem em
posiçõescontíguas?
3. Cinco homens e quatro mulheres devem sentar-se em uma fila de cadeiras numeradas de 1
a 9. a) Em quantas disposições distintas essas pessoas podem ocupar as 9 cadeiras? b) Se
a disposição das 9 pessoas nas 9 cadeiras é escolhida aleatoriamente, qual é a
probabilidade de que as mulheres ocupem os lugares pares?
4. Determine o número de "palavras" distintas que podem ser formadas com as letras da
palavra: a) "problema"; b) "concordo".
5. Cinco bolas vermelhas e uma bola branca são colocadas nos seis compartimentos de uma
caixa dispostos em linha. a) Em quantas disposições diferentes essas bolas podem ser
Introdução à Probabilidade 64
colocadas na caixa se as bolas vermelhas distinguem-se pelos tamanhos? b) Em quantas
disposições diferentes essas bolas podem ser colocadas na caixa se não se distinguem as
bolas vermelhas? c) Em quantas dessas disposições: i) a bola branca situa-se em um
compartimento extremo da caixa? ii) as bolas vermelhas situam-se em posições contíguas?
d) Qual é a probabilidade de que: i) a bola branca se situe em um compartimento extremo
da caixa? ii) as bolas vermelhas situem-se em posições contíguas?
6. De quantos modos diferentes pode-se plantar 2 pinheiros, 3 carvalhos e 4 eucaliptos em
uma linha, se não se distingue entre árvores de uma mesma espécie? Se o plantio é
efetuado aleatoriamente, qual é a probabilidade de que os 2 pinheiros, 3 carvalhos e 4
eucaliptos sejam plantados nessa ordem?
7. Em um painel luminoso podem ser dispostas seis lâmpadas em uma linha horizontal. a)
Quantos sinais diferentes podem ser formados nesse painel, cada um constituído de seis
lâmpadas acesas simultaneamente, das quais 3 são azuis, 2 verdes e uma vermelha? b) Em
quantos desses sinais as 2 lâmpadas azuis situam-se nos extremos do painel? c) Se as 6
lâmpadas são dispostas no painel de modo aleatório, qual é a probabilidade de que as 2
lâmpadas azuis se situem nos extremos do painel?
8. Os membros de uma família de seis pessoas devem sentar-se em torno de uma mesa para a
refeição.
a) De quantos modos diferentes as seis pessoas podem dispor-se em torno da mesa
quanto a suas posições relativamente a uma janela em uma das quatro paredes da sala?
b) De quantos modos diferentes as seis pessoas podem dispor-se em torno da mesa
quanto a suas posições relativas?
c) De quantos modos diferentes as seis pessoas podem dispor-se em torno da mesa
levando em conta apenas os vizinhos imediatos de cada um?
9. Um mecanismo compreende doze componentes diferentes conectados em linha que podem
ser montados em qualquer ordem. a) De quantos modos distintos esses componentes
podem ser dispostos para formar o mecanismo? b) De quantos modos podem falhar três
componentes desse mecanismo?
10. Quatro homens e seis mulheres entram em uma sala de espera que tem um banco de 4
lugares. a) De quantos modos distintos essas dez pessoas podem sentar-se nesse banco?
b) Em quantas dessas disposições das 10 pessoas no banco há: i) apenas homens? ii)
apenas mulheres? iii) 2 homens e 2 mulheres? c) Se as 10 pessoas sentam-se no banco de
modo aleatório, qual é a probabilidade de que o banco seja ocupado: i) apenas por
homens? ii) apenas por mulheres? iii) por 2 homens e 2 mulheres?
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 65
11. Quatro pneus devem ser colocados nas quatro rodas de um carro. a) Em quantos modos
diferentes os quatro pneus podem ser colocados: i) se os quatro pneus podem ser
colocados em quaisquer das quatro rodas? ii) se dois dos quatro pneus são mais novos e
devem ser colocados nas rodas dianteiras? b) Se os pneus são colocados nas 4 rodas de
modo aleatório, qual é a probabilidade de que os 2 pneus mais novos sejam colocados nas
rodas dianteiras?
12. O controle de qualidade de uma indústria classifica os defeitos que podem resultar em uma
peça em defeitos menores e em defeitos maiores, os quais compreendem 8 e 6 tipos,
respectivamente. De quantas maneiras podem ocorrer: a) um defeito menor e um defeito
maior? b) dois defeitos de cada uma das duas categorias? c) dois defeitos distintos de
cada uma das duas categorias?
2.5.4 Regra das combinações
A regra dos arranjos trata da enumeração das seqüências ordenadas de r
elementos tomados de um conjunto de n elementos distintos. Em algumas situações, há
interesse no número de subconjuntos de r elementos que podem ser selecionados de
um conjunto de n elementos distintos, não importando a ordem da seleção dos
elementos. Por exemplo, na formação de uma comissão representativa de um conjunto
de pessoas, a ordem dos membros na lista da comissão é usualmente irrelevante.
Um subconjunto de r elementos tomados de um conjunto de n elementos
distintos é denominado uma combinação de tamanho r desses n elementos.
Embora uma combinação seja um subconjunto, não se adota para combinação a
notação de conjunto; é usual denotar uma combinação pela justaposição de seus
elementos, de modo semelhante às notações de permutação e arranjo. Assim, ac é uma
combinação das letras a e c. Observe-se que os 2 arranjos ac e ca constituem a mesma
combinação ac (ou ca).
Como combinação significa o mesmo que subconjunto, determinar o número de
combinações de r elementos tomados de um conjunto de n elementos é o mesmo que
determinar o número de subconjuntos de r elementos que podem ser constituídos com
esses n elementos. Esse número é determinado pela regra que segue:
Introdução à Probabilidade 66
Regra das combinações. O número de combinações de r elementos tomados de
um conjunto de n elementos distintos, denotado por Cn
r , é:
r
n
n
r
r AC
P
=
n(n 1)(n 2)...(n r 1)
r(r 1)(r 2)...2.1
− − − +=
− −
.
Outras notações também são utilizadas para denotar o número de combinações
de r elementos tomados de um conjunto de n elementos: C(n, r), Cn, r, nCr e ( )nr .
Exemplo 2.22
Enumere as combinações de duas letras tomadas do conjunto das três primeiras letras do
alfabeto: a, b e c, e determine o seu número.
Os subconjuntos de duas letras que podem ser formados com as letras a, b e c são: {a,
b}, {a, c} e {b, c}. Logo as combinações de duas letras tomadas do conjunto das 3 letras a, b e
c são: ab, ac e bc. Portanto, o número de combinações dessas 3 letras é 3, ou seja,
2
3C = 3×2 2 =3.
De modo geral, combinar r objetos de um conjunto de n objetos equivale a
colocar um subconjunto de r dos n objetos dentro de uma caixa (Figura 2.6). O
número de combinações de r dos n objetos é o número de configurações que diferem
quanto à composição de objetos.
Figura 2.6. Ilustração do processo de combinação de r objetos tomados de
um conjunto de n objetos o1, o2,..., on.
Se r<n, o número de combinações de tamanho r de elementos de um conjunto de
n elementos é menor que o número de arranjos de tamanho r desses mesmos
elementos.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 67
Exemplo 2.23
Considere-se o conjunto das cinco primeiras letras do alfabeto: {a, b, c, d, e}. O número
de arranjos de tamanho 3 dessas 5 letras é 5!/(5-3)! = 60. Observe-se, por exemplo, que há 3! =
6 arranjos de tamanho 3 constituídas das 3 letras a, b e c, já que essas 3 letras podem ser
ordenadas de 3×2×1 = 6 modos: abc, acb, bac, bca, cab e cba. Entretanto, esses 6 arranjos
constituem uma mesma combinação, ou seja, o subconjunto {a, b, c}. Semelhantemente, a
qualquer outra combinação de tamanho 3 das 5 letras correspondem 3! arranjos, cada um
originado de uma diferente ordenação das mesmas 3 letras. Dessa forma:
3 3
5 5=A C ×3! ;
donde:
3
3 5
5
A
3!
C = 10= .
Essas 10 combinações são os subconjuntos: {a, b, c}, {a,b, d}, {a, b, e}, {a, c, d}, {a, c, e},
{a, d, e}, {b, c, d}, {b, c, e}, {b, d, e}, {c, d, e}.
O argumento utilizado nesse exemplo pode ser generalizado para a justificação
da regra das combinações pela aplicação da regra da multiplicação a um processo de
duas etapas, da seguinte forma: a coleção dos arranjos de r elementos tomados de um
conjunto de n elementos pode ser obtida pela seleção dos rnC subconjuntos de r
elementos tomados desse conjunto, seguida das Pr permutações dos r elementos de
cada um desses subconjuntos. Segue-se, portanto, que:
r
r
n
r
n PCA ×= ;
donde:
r
n
n
r
r AC
P
= .
Propriedades das combinações: Se n é um número inteiro positivo e r é um
número inteiro não negativo tal que r ≤ n, então:
1) Cn
r = n!
r!(n r)!−
;
2) Cn
1 = n;
3) Cn
n = 1;
Introdução à Probabilidade 68
4) Cn
0 = 1;
5) r n rn nC C
−= .
Essas propriedades são derivadas diretamente da regra das combinações. Por
exemplo, a primeira e a última propriedade podem ser provadas como segue:
r
n
n
r
r A n(n 1)(n 2)...(n r 1)C
P r!
− − − += =
n(n 1)(n 2)...(n r 1) (n r)!
r! (n r)!
− − − + −=
−
n!
r!(n r)!
=
−
;
e
n r
n
n!C
(n r)! [n (n r)]!
− =
− − −
rn
n! n! C
(n r)! r! r! (n r)!
= = =
− −
.
A propriedade 5 também pode ser provada com o argumento de que quando se
seleciona um subconjunto de r elementos de um conjunto de n elementos distintos,
deixa-se um subconjunto de n-r elementos e, assim, há tantos modos de selecionar r
elementos quanto são os modos de (deixar de) selecionar n-r elementos.
Exemplo 2.24
O Departamento de Matemática e Estatística tem que escolher uma comissão de 5
membros que devem ser escolhidos aleatoriamente de seu corpo docente constituído de 12
matemáticos e os 8 estatísticos. a) Quantas distintas comissões devem ser consideradas para
escolha? b) Qual é a probabilidade de que a comissão seja constituída de 3 matemáticos e 2
estatísticos?
a) O número de subconjuntos de 5 docentes que podem ser escolhidos entre os 12
matemáticos é:
5
20
20×19×18 17 16C = =15.504
5 4 3×2
× ×
× ×
.
b) O número de subconjuntos de 3 docentes que podem ser escolhidos do conjunto dos
12 matemáticos é 312
12×11×10C = = 220
3×2
e o número de subconjuntos de 2 docentes que pode
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 69
ser formado do conjunto de 8 é 28
8×7C = = 28
2
. Então, pela regra da multiplicação, o número de
comissões a serem consideradas para escolha é 220×28 = 6.160. Logo, a probabilidade de que
a comissão seja constituída de 3 matemáticos e 2 estatísticos é: 6.160/15.504 = 0,397.
Exemplo 2.25
Uma mão de bridge é um subconjunto de 13 cartas extraídas de um baralho de 52 cartas,
sem consideração da ordem de extração. Qual é a probabilidade de um jogador de bridge obter
uma mão de cartas apenas de copas e ouros? Qual é a probabilidade de obter uma mão de
cartas apenas de dois naipes?
De um baralho de 52 cartas podem ser extraídos 1352
52!C =
13! 39!
= 635.013.559.600
subconjuntos de 13 cartas; portanto, n(S) = 635.013.559.600. Por outro lado, sejam:
A: mão constituída apenas de copas e ouros, e
B: mão constituída apenas de dois naipes.
Como há 13 cartas de cada naipe, tem-se:
13
26
26!n(A) = C = 10.400.597
13!13!
= ;
e como há 24C =6 combinações de dois naipes, uma das quais é constituída por copas e ouros,
2 13
4 26n(B) = C ×C =6×10.400.597 = 62.403.582.
Portanto,
13
26
13
52
Cn(A) 10.400.597P(A) = = = 0,000016379
n(S) C 635.013.559.600
= ; e
2 13
4 26
13
52
C Cn(B) 62.403.582P(B) = = = = 0,00009827
n(S) C 635.013.559.600
× .
Exemplo 2.26
Doze provadores de vinho são disponíveis dos quais 8 são mais experientes (designados
M1, M2,..., M8) e 4 são menos experientes (m1, m2, m3, m4). Três desses 12 provadores devem
ser selecionados para uso em um experimento de degustação. a) Considerando importante a
ordem de seleção, quantos grupos de 3 provadores distintos podem ser selecionados? b)
Quantos grupos de 3 provadores distintos podem ser selecionados com os dois primeiros
provadores mais experientes e o último menos experiente? c) Se os 3 provadores forem
Introdução à Probabilidade 70
selecionados aleatoriamente (por processo que atribua a todos os provadores restantes após
cada seleção a mesma probabilidade de serem selecionados), qual é a probabilidade de que os
dois primeiros provadores sejam mais experientes e o último menos experiente?
a) Há 12 provadores distintos dos quais 3 devem ser selecionados, um após o outro (sem
repetição). O número desses grupos de 3 provadores que podem resultar desse processo de
seleção que se distinguem pela composição de provadores e pela ordem de seleção é: 312A =
12×11×10 = 1.320.
b) O número de modos em que os dois primeiros provadores mais experientes podem
ser selecionados, com a consideração da ordem de seleção, é o número de arranjos de 2
provadores do grupo de 8 provadores mais experientes: M1, M2,...,M8, ou seja: 28A = 8×7 = 56.
O número de modos em que o terceiro provador selecionado pode resultar menos experiente
quando os dois primeiros são mais experientes é o número de modos em que pode ser
selecionado um dos provadores m1, m2, m3 e m4, ou seja, 14A = 4. Logo, pela regra da
multiplicação, o número de modos em que podem resultar os dois primeiros provadores mais
experientes e o terceiro menos experiente é: 28A ×
1
4A = 56×4 = 224 .
c) A escolha aleatória de um grupo ordenado de 3 dos 12 provadores assegura que todos
os 312A =1.320 distintos grupos ordenados de 3 dos 12 provadores são igualmente prováveis. O
evento A: os dois primeiros provadores mais experientes e o terceiro menos experiente,
consiste de 14
2
8 AA × grupos ordenados. Portanto, a probabilidade deste evento pode ser obtida
pelo modelo de probabilidade uniforme:
2 1
8 4
3
12
A A 224 28
165A 1.320
P(A) =
× = = .
Exemplo 2.27
Considere-se a situação do exemplo anterior, mas suponha-se, agora, que a ordem de
seleção dos três provadores é irrelevante (o que corresponde à seleção simultânea dos três
provadores). a) Quantos distintos grupos são possíveis? b) Em quantos desses grupos dois
provadores são mais experientes e um menos experiente? c) Se os 3 provadores são
selecionados aleatoriamente (de modo que cada grupo de 3 provadores tenha igual chance de
ser selecionado), qual é a probabilidade de que resultem dois provadores mais experientes e
um menos experiente?
a) O número de grupos não ordenados de 3 dos 12 provadores é:
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 71
==
××
××
13
1011123
12C 2
220.
b) O número de combinações de 2 provadores tomados dos 8 provadores mais
experientes é: ==
×
×
12
782
8C 28, e o número de combinações de 1 provador tomado dos 4
provadores menos experientes é: 14C = 4. Então, pela regra da multiplicação, o número de
escolhas possíveis que satisfazem às condições especificadas é: =× 14
2
8 CC 28×4 = 112.
c) Segundo o processo de seleção, os 220 grupos distintos de 3 dos 12 provadores
disponíveis são todos igualmente prováveis. O número de grupos com exatamente dois
provadores mais experientes e 1 menos experiente é 112. Logo, pelo conceito de probabilidade
em espaço básico finito equiprovável, a probabilidade do evento A: dois provadores mais
experientes e um provador menos experiente, é:
2 1
8 4
3
12
C C 112 28
P(A) =
C 220 55
×
= = .
Exemplo 2.28
Em uma região, há 15 agricultores associados a uma cooperativa dos quais 9 são
favoráveis, 4 são desfavoráveis e 2 são indiferentes à adoçãode uma nova tecnologia. Três
desses agricultores devem ser selecionados, aleatoriamente, para entrevista em uma pesquisa
de opinião sobre a adoção da referida tecnologia. a) Qual é a probabilidade de que pelo menos
dois dos agricultores selecionados sejam favoráveis à adoção da nova tecnologia? b) Qual é a
probabilidade de que os dois primeiros agricultores selecionados sejam favoráveis e o terceiro
desfavorável à adoção da tecnologia?
a) O evento de interesse não envolve a ordem das pessoas no processo de amostragem.
O número de diferentes grupos de 3 pessoas que podem ser selecionados de um conjunto de 15
pessoas é 315C = 455. Em um processo de seleção aleatória esses 455 grupos podem ocorrer
com uma mesma probabilidade. O evento A: pelo menos dois agricultores favoráveis, ocorre
se e somente se um dos dois seguintes eventos ocorre: A1: dois agricultores favoráveis, e A2:
três agricultores favoráveis; ademais, A1 e A2 não têm resultados elementares em comum.
Logo,
n(A) = n(A1) + n(A2),
onde n(A) é o número de resultados elementares que implicam na ocorrência de A.
Introdução à Probabilidade 72
Para calcular n(A1), observe-se que o evento A1 significa, de fato, dois agricultores
favoráveis e um não favorável (ou seja, desfavorável ou indiferente). Como 9 dos 15
agricultores são favoráveis, o número de grupos de 2 agricultores favoráveis que podem ser
escolhidos é =
×
×
=
12
89C29 36. Da mesma forma, 1 agricultor não favorável ocorre se qualquer
um dos 6 agricultores desfavoráveis ou indiferentes é selecionado. Logo,
n(A1) = 16
2
9 CC × = 36×6 = 216.
Por semelhante raciocínio, obtém-se:
n(A2) = 3 09 6
9 8 7
C C 1
3 2 1
× ×
× = ×
× ×
= 84.
Portanto,
n(A) = 216 + 84 = 300.
Então, segundo o modelo de probabilidade uniforme, obtém-se:
P(A) =
n(A)
n(S)
=
300 60
455 91
= .
b) Esta questão envolve a consideração da ordem das pessoas no processo de seleção.
Portanto, deve ser empregada a regra dos arranjos. O número de grupos ordenados de 3
pessoas de um conjunto de 15 é 315A = 15×14×13 = 2.730. Por outro lado, as duas primeiras
pessoas serão favoráveis se provirem das 9 favoráveis e a terceira será desfavorável se provir
das 4 desfavoráveis. Logo, o número de grupos de 3 agricultores os dois primeiros dos quais
são favoráveis e o terceiro é desfavorável é: 14
2
9 AA × = (9×8) ×4 = 288. Portanto, P(dois
primeiros favoráveis e terceiro desfavorável) = 14
2
9 AA × / 315A = 395
48
.
2.5.5 Contagem automática
A aplicação dessas regras de contagem pode torna-se trabalhosa para valores de
n razoavelmente elevados. O programa Excel do Microsoft Office provê facilidades
para o cálculo automático de números de permutações (fatoriais) e de combinações.
Essas facilidades são acessadas através do botão "ƒx" da barra de ferramentas da janela
do Excel. Para tal, pressiona-se o botão "ƒx" e, em seguida, na janela "Colar função"
que se abre, seleciona-se a categoria de função "Matemática e trigonométrica". Então,
tem-se disponíveis, em "Nome de função", as funções "FATORIAL" e "COMBIN".
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 73
A seleção de uma dessas funções abre a janela correspondente, onde devem ser
preenchidos os valores apropriados dos "argumentos". A função FATORIAL retorna o
fatorial de um número inteiro não negativo. É definida como "FATORIAL(num)",
onde o único argumento "num" é o número cujo fatorial é desejado calcular, ou seja,
num=n em n! Por exemplo, preenchendo núm=10, obtém-se o resultado: 4.628.800.
A função COMBIN retorna o número de combinações de r elementos tomados
de um conjunto de n elementos, ou seja rnC . É definida como "COMBIN(núm;
núm_escolhido)", onde os argumentos "núm" e "núm_escolhido" correspondem,
respectivamente, a n e r em rnC . Por exemplo, preenchendo núm=20 e
núm_escolhido=4, é retornado o resultado 4.845.
Os outros procedimentos de contagem, como aqueles para cálculos de número de
arranjos rnA e de número de permutações com repetições 1 2 kn(n ,n ,...,n )P , podem ser
automatizados através do uso reiterado da função FATORIAL (por exemplo, rnA =
n!/(n-r)!) O número de permutações com repetições pode ser obtido mais diretamente
através da função MULTINOMIAL.
Exercícios 2.4
1. Quantas amostras distintas de três domicílios podem ser escolhidas para uma pesquisa
referente a um conjunto residencial de 30 domicílios?
2. O preço de uma excursão à Europa inclui cinco paradas a serem selecionadas de um
conjunto de dez cidades. De quantos modos uma pessoa pode planejar sua excursão: a) se
a ordem das paradas é importante? b) se a ordem das paradas não é importante?
3. Suponha que são disponíveis 10 ingredientes para preparar pizza.
a) Quantos tipos diferentes de pizza podem ser preparados com: i) exatamente um
ingrediente? ii) exatamente dois ingredientes? iii) no máximo três ingredientes?
b) Quantas pizzas diferentes podem ser preparadas com duas metades diferentes, cada
uma com exatamente um ingrediente?
4. Um mecânico sabe que duas das seis velas de um carro estão com mau funcionamento. Se
ele retira aleatoriamente duas delas para substituição, qual é a probabilidade de que ele
efetue a substituição correta das duas velas defeituosas?
Introdução à Probabilidade 74
5. Um pesquisador em tecnologia de alimentos tem disponíveis 10 voluntários para avaliação
organolética em um experimento e deseja extrair uma amostra aleatória de 5 desses
voluntários. Para tal, ele decide escrever todas as combinações de 5 nomes em cartões e,
então, extrair um dos cartões ao acaso. a) Quantos cartões ele deve utilizar? b) Se 6
desses 10 voluntários são experientes, qual é a probabilidade de que: i) todos os
escolhidos sejam experientes? ii) sejam escolhidos 3 experientes e 2 inexperientes?
6. O Departamento de Matemática, Estatística e Computação da UFPEL tem 27 docentes,
sendo 12 de Matemática, 6 de Estatística e 9 de Informática. Uma comissão representativa
do Departamento deve ser constituída de 9 docentes: 4 de Matemática, 2 de Estatística e 3
de Informática. a) Quantas distintas formações podem ser consideradas para compor a
comissão com essa constituição? b) Se a comissão for escolhida aleatoriamente, qual é a
probabilidade de que ela resulte com essa constituição?
7. Cada uma de cinco pessoas recebe para degustação uma colher de sorvete de baunilha de
cada uma de duas diferentes origens A e B. Se todas as cinco pessoas respondem
aleatoriamente, qual é a probabilidade de que: a) todas elas identifiquem corretamente as
origens dos sorvetes? b) pelo menos quatro delas identifiquem as origens corretamente?
8. Um teste compreende 10 questões cada uma das quais deve ser marcada como verdadeira
ou falsa.
a) De quantos modos diferentes o teste pode ser respondido?
b) Se para cada questão apenas uma das duas respostas alternativas é correta, de quantos
modos diferentes as questões podem ser respondidas de modo que: i) a metade das
questões seja correta; ii) 7 sejam corretas e 3 incorretas? iii) pelo menos 7 sejam
corretas?
c) Qual é a probabilidade de que um estudante que escolhe a resposta de cada questão
aleatoriamente acerte pelo menos 70% das respostas?
9. Uma equipe de futebol joga dez partidas em uma competição.
a) De quantos modos essa equipe pode terminar a competição com cinco vitórias, três
derrotas e dois empates?
b) Suponha que as probabilidades de vitória, empate e derrota em cada uma das 10
partidas sejam iguais. i) Qual é a probabilidade de que essa equipe termine a
competição com 5 vitórias, 3 derrotas e 2 empates? ii) Qual é a probabilidade de que
ela termine a competição com pelo menos 5 vitórias?10. Uma mão de bridge consiste de um conjunto de 13 cartas selecionadas de um baralho de
52 cartas (exercício 11, Exercícios 2.2).
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 75
a) Quantas diferentes mãos de bridge podem ser extraídas de um baralho?
b) Quantas dessas mãos podem ser constituídas de: i) apenas de cartas de ouros? ii)
apenas cartas de ouros e copas?
c) Supondo que as cartas são distribuídas aleatoriamente, qual é a probabilidade de que
um jogador: i) receba uma mão constituída apenas de cartas de ouros e copas? ii)
receba uma mão constituída de cartas de apenas dois naipes?
2.6 Propriedades da Probabilidade
O conceito clássico de probabilidade implica quatro propriedades ou condições
essenciais do cálculo de probabilidades para experimentos aleatórios com espaço
básico equiprovável:
1) A probabilidade de um evento elementar é igual a 1/n(S): P({s}) = 1/n(S),
para todo s∈S.
2) A probabilidade de um evento é um número racional não negativo, ou seja,
P(A)≥0 para qualquer evento A.
3) A probabilidade do espaço básico é igual a um: P(S) = 1.
4) A probabilidade de um evento é a soma das probabilidades dos resultados
elementares que implicam na sua realização:
s A
P(A) = P(s)
∈
∑ .
Essas propriedades seguem imediatamente da expressão de definição da
probabilidade estabelecida pelo conceito clássico:
1) Por definição,
n({s}) 1P({s}) = =
n(S) n(S)
, para todo s∈S.
dado que n({s}) = 1.
2) Se S é um espaço básico equiprovável, P(A) = n(A)/n(S). Mas n(A) e n(S) são
números inteiros não negativos e, ademais, n(S)>0; logo, o quociente n(A)/n(S), ou
seja, P(A), é um número racional não negativo.
3) Por definição, P(S) = n(S)/n(S) = 1.
4) Como n(A) é o número de resultados elementares do evento A:
Introdução à Probabilidade 76
n(A) 1 1 1P(A) = ... (n(A) termos)
n(S) n(S) n(S) n(S)
= + + +
s A s A
1= = P(s)
n(S)∈ ∈
∑ ∑ .
Observe-se que o espaço básico é o evento que compreende todos os resultados
possíveis. Portanto, o espaço básico ocorre em todas as realizações do experimento.
Por essa razão, ele é denominado "evento certo".
A partir dessas propriedades ou condições básicas podem ser derivadas outras
propriedades cujo emprego torna mais simples o cálculo de probabilidades para espaço
básico equiprovável. O emprego dessas propriedades é conveniente quando se pode
estabelecer alguma relação do evento A de interesse com eventos cujas probabilidades
são mais facilmente determinadas. As principais dessas propriedades são listadas a
seguir. Um conjunto mais completo de propriedades da probabilidade é formulado no
contexto mais geral de espaço básico discreto, na Seção 3.4.
5) Se A e B são eventos que não têm resultado elementar em comum, então:
a) a probabilidade da ocorrência de pelo menos um desses eventos, ou seja, do
evento "A ou B", é a soma das probabilidades desses eventos:
P(A ou B) = P(A) + P(B);
b) a probabilidade da ocorrência simultânea desses eventos, ou seja, do evento
"A e B", é nula:
P(A e B) = 0.
Observe-se que, se os eventos A e B não têm resultado elementar em comum,
então eles não podem ocorrer simultaneamente. Por essa razão, diz-se que nessas
circunstâncias o evento "A e B" é um "evento impossível".
6) Se A e B são eventos que têm um subconjunto de resultados elementares em
comum, então:
a) a probabilidade da ocorrência de pelo menos um desses eventos é a soma das
probabilidades desses eventos menos a probabilidade de sua ocorrência simultânea:
P(A ou B) = P(A) + P(B) – P(A e B);
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 77
b) a probabilidade da ocorrência simultânea dos eventos A e B é a soma das
probabilidades dos resultados elementares comuns a A e B, ou seja, é a probabilidade
do evento constituído pelos resultados elementares comuns a A e B.
7) Se A e B são dois eventos tais que todo resultado possível de S que não
implica na ocorrência de A implica na ocorrência de B e A e B não podem ocorrer
simultaneamente, então:
P(B) = 1 – P(A).
Observe-se que nessa situação "A ou B" = S e "A e B" é um evento impossível.
Dois eventos com essa propriedade são denominados "eventos contrários".
Essas propriedades podem ser derivadas a partir das quatro primeiras
propriedades. Para ilustração, considere-se a propriedade 5a. Pelas propriedades 3 e 4,
s Aou B
1P(A ou B) =
n(S)∈
∑
s A s B
1 1=
n(S) n(S)∈ ∈
+∑ ∑ ,
já que, como A e B não têm resultado elementar em comum, qualquer resultado
elementar do evento "A ou B" é um resultado elementar do evento A ou do evento B,
mas não de ambos; logo,
P(A ou B) = P(A) P(B)+ .
O exemplo que segue ilustra o uso dessas regras. Ilustração mais ampla é provida
por exemplos da próxima Seção.
Exemplo 2.29
Reconsidere-se a determinação de probabilidades de eventos do experimento aleatório
do Exemplo 2.7: "extração aleatória de dois sacos de sementes de uma pilha de 5 sacos dos
quais 2 são de sementes da variedade A e 3 da variedade B, com a reposição do primeiro saco
extraído antes da extração do segundo saco".
O evento E3: um saco de cada variedade pode ser expresso como:
E3 = "AB ou BA",
onde AB e BA são os eventos "saco da variedade A na primeira extração e saco da variedade B
na segunda extração" e "saco da variedade B na primeira extração e saco da variedade A na
Introdução à Probabilidade 78
segunda extração", respectivamente. Como AB e BA são eventos que não têm resultado
elementar em comum, segundo a propriedade 5, tem-se:
P(E3) = P(AB) + P(BA)
2 3 3 2 6 6 12
5 5 5 5 25 25 25
× ×
= + = + =
× ×
.
Observe-se que a probabilidade desse evento E3 também pode ser obtida a partir das
probabilidades dos eventos E1: dois sacos da variedade A, e E2: dois sacos da variedade B. De
fato, como os eventos "E1 ou E2" e E3 são eventos contrários, e os eventos E1 e E2 não têm
resultado elementar em comum, pelas propriedades 7 e 5, tem-se:
P(E3) = 1 - P(E1 ou E2);
= 1 – [P(E1) + P(E2)]
=
4 9 12
1
25 25 25
− + =
.
2.7 Probabilidade a Priori
A propriedade 1 da probabilidade determinada pelo conceito clássico (Seção 2.6)
é conseqüência imediata da condição de igual verossimilhança dos resultados
elementares do espaço básico. Foi observado anteriormente que, mesmo quando a
igual verossimilhança dos resultados elementares é implicada por propriedades de
simetria do experimento aleatório, essa igual verossimilhança aplica-se aos resultados
elementares do espaço básico especificado de modo detalhado, não a "resultados
elementares" de espaços básicos simplificados (Exemplo 2.9). Observe-se, entretanto,
que resultados elementares de um espaço básico simplificado S2 são agregados de
resultados elementares do espaço básico equiprovável S1. Portanto, probabilidades de
resultados elementares do espaço básico S2 podem ser determinadas a partir das
probabilidades conhecidas dos resultados elementares do espaço básico equiprovável
S1 pela aplicação das propriedades 1 e 4.
Pode-se verificar, com base nas relações entre as estruturas dos espaços básicos
S2 e S1 e entre as probabilidades dos resultados elementares de S2 e S1, que a atribuição
de probabilidades a eventos do espaço básico não equiprovável S2 satisfaz às seguintes
propriedades básicas:
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 79
1) A probabilidade de um evento é um número real não negativo, ou seja,
P(A)≥0 para qualquer evento A.
2) A probabilidade do espaço básico é igual a um: P(S) = 1.
3) A probabilidade de um evento é a soma das probabilidades dos resultados
elementares que implicam na sua realização:s A
P(A) = P(s)
∈
∑ .
A partir dessas propriedades ou princípios básicos pode ser derivado um
conjunto de propriedades, análogas àquelas implicadas pelo conceito clássico, que
estabelecem os procedimentos para o cálculo de probabilidades para espaço básico
finito geral cujas probabilidades dos resultados elementares são conhecidas.
Probabilidades determinadas por esses procedimentos são usualmente denominadas
probabilidades a priori.
Exercícios 2.5
(Responda os exercícios que seguem com o emprego de propriedades da probabilidade.)
1. Obtenha a probabilidade dos seguintes eventos do experimento de lançamento de um dado
balanceado e observação do número de pontos na face que se volta para cima: a) A:
número 2; b) B: número par; c) C: número igual a 3 ou 5; d) "B ou C"; e) "A e B"; f) "A
ou B"; g) D: número ímpar.
2. Um estudante tem que fazer um teste de dez questões cada uma com duas respostas
alternativas uma das quais é correta, e cuja aprovação requer o acerto de pelo menos 8
questões. Se ele responde cada uma das questões aleatoriamente, qual é a probabilidade de
que ele seja aprovado?
3. Quatro lâmpadas são extraídas aleatoriamente de uma caixa que contém 30 lâmpadas boas
e 10 queimadas. Qual é a probabilidade de que no máximo uma dessas quatro lâmpadas
seja queimada?
4. Qual é a probabilidade de que a pessoa de que trata o exercício 2 dos Exercícios 2.2 não
escolha uma refeição constituída de uma salada sem maionese, um prato quente de galinha,
uma sobremesa sem ovo e vinho branco?
5. Considere o exercício 7 dos Exercícios 2.4. Qual é a probabilidade de que pelo menos
uma das cinco pessoas não identifique corretamente as origens dos sorvetes?
6. Três bolas são extraídas aleatoriamente, com reposição, de uma caixa que contém 6 bolas
brancas e 3 bolas pretas. Determine a probabilidade de que: a) a primeira e a última bola
Introdução à Probabilidade 80
sejam brancas; b) pelo menos uma dessas duas bolas seja branca c); a primeira e a última
bola sejam de cores diferentes.
7. Responda as mesmas questões formuladas no exercício 6, se as três bolas forem extraídas
sem reposição.
8. Segundo as regras de controle de qualidade de uma indústria um lote de 100 artigos que
ela produz é aceito se em uma amostra aleatória de 5 desses artigos pelo menos 4 são
perfeitos. Qual é a probabilidade de que um lote que tem 10 artigos defeituosos seja
aceito?
9. Três cartas vermelhas e três brancas são misturadas e apresentadas a uma pessoa para
identificação. a) Qual é a probabilidade de que essa pessoa identifique corretamente todas
as 6 cartas, tendo o conhecimento de que a metade delas é de cada uma das duas cores? b)
Qual é a probabilidade de que ela identifique corretamente: i) exatamente 4 cartas? ii)
exatamente 5 cartas? iii) pelo menos 4 cartas?
10. Prove as propriedades da probabilidade 5b, 6 e 7 listadas na Seção 2.6.
2.8 Conceito Empírico de Probabilidade
A determinação de probabilidades de eventos de espaço básico equiprovável ou
de espaço básico finito mais geral, considerada nas Seções anteriores, pressupõe o
conhecimento das probabilidades dos resultados elementares do experimento. Por essa
razão, essas probabilidades são denominadas probabilidades a priori.
Em muitos experimentos, é impossível especificar o espaço básico de modo que
os resultados elementares possam ser considerados igualmente verossímeis, ou derivar
as probabilidades de resultados elementares de espaço básico mais simplificado a
partir do conhecimento das probabilidades de um espaço básico equiprovável mais
detalhado. Assim, por exemplo, quando é lançado um dado não balanceado, não se
pode considerar as faces como igualmente verossímeis. Nessas circunstâncias, as
probabilidades dos resultados elementares não são conhecidas a priori e não se pode
determinar probabilidades de eventos baseadas nessa pressuposição. Semelhantemente,
essa abordagem não se aplica para a resposta a questões como: Qual é a probabilidade
de que uma criança nascida no Estado do Rio Grande do Sul seja uma menina? Qual é
a probabilidade de que uma pessoa nascida nesse Estado complete 60 anos? Qual é a
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 81
probabilidade de que uma lata de compota produzida por uma indústria com
capacidade nominal de 1 kg tenha um peso líquido entre 990 e 1010 g? Qual é a
probabilidade de que ocorra chuva na primeira quinzena do próximo mês de janeiro?
Questões como essas são importantes e é desejável que possam ser abrangidas pela
teoria da probabilidade. Entretanto, nessas situações, probabilidades de eventos não
podem ser obtidas por derivação lógica, usando propriedade de simetria do
experimento e a conseqüente pressuposição de eqüiprobabilidade do espaço básico, ou
a partir dessa pressuposição. Para a solução de problemas semelhantes a esses é
necessário alterar ou estender o conceito de probabilidade. Esse conceito mais
abrangente é baseado na freqüência relativa da ocorrência do evento quando o
experimento é repetido sob as mesmas condições essenciais. Por essa razão, as
probabilidades que permite determinar são denominadas probabilidades a posteriori.
Quando um experimento é repetido n vezes, define-se a freqüência relativa de
um evento A como a proporção de vezes em que o evento A ocorreu:
A freqüência relativa de um evento A em n realizações de um experimento
aleatório é a proporção de ocorrências de A:
n
n(A)f (A) =
n
,
onde n(A) é o número de vezes em que o evento A ocorre.
Exemplo 2.30
Em um experimento de 100 lançamentos sucessivos de uma moeda aparentemente
simétrica e balanceada foi observada a face voltada para cima em cada um dos lançamentos. A
Tabela 2.1 apresenta as freqüências relativas da ocorrência de "cara" determinadas a cada um
dos 100 lançamentos. Pode-se observar que essa freqüência relativa nos 100 lançamentos é
52/100 = 0,52. Ademais, a variação das freqüências relativas de "cara" mostrada na Figura 2.7
indica que ela tende a estabilizar-se em torno de um número próximo de 1/2. Esse resultado é
esperado, já que, sendo a moeda simétrica e balanceada, pode ser antecipado que em um
conjunto numeroso de lançamentos ocorra cara em cerca da metade das vezes. Isso sugere que
se pode utilizar a freqüência relativa 0,52 como uma aproximação para a probabilidade da
ocorrência de cara em um lançamento particular da moeda em consideração. Alternativamente,
como a moeda parece ser simétrica e balanceada, pode-se usar o conceito clássico de
Introdução à Probabilidade 82
probabilidade e estabelecer que a probabilidade de cara é igual a 1/2. Observe-se, entretanto,
que essa pressuposição é apenas uma aproximação para a verdadeira probabilidade, já que para
uma moeda particular não se pode ter certeza absoluta de que os dois resultados possíveis –
cara e coroa, sejam exatamente igualmente verossímeis.
Tabela 2.1. Resultados parciais de 100 lançamentos sucessivos de uma moeda e
correspondentes freqüências relativas do evento "cara".
n 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 ... 100
C x x x x x x x x
c x x x x x x x x x
fn(C) 0
2
1
3
2
4
3
5
3
6
3
7
3
8
4
9
5
10
6
11
6
12
6
13
6
14
7
15
7
16
7
...
100
52
Figura 2.7. Representação gráfica da variação da freqüência relativa de "cara"
em 100 lançamentos sucessivos de uma moeda.
Suponha-se, agora, que a moeda não é balanceada, de modo que se pode estar seguro de
que os dois resultados – cara e coroa, não são igualmente verossímeis. Nesse caso, ainda se
pode postular que a probabilidadeda ocorrência de "cara" é um número P(cara), cujo valor,
entretanto, não pode ser fundamentado no conceito clássico de probabilidade. Nessa
circunstância, se tem que recorrer à abordagem de freqüência relativa.
Essa situação ocorre em muitas pesquisas científicas. Considere-se o caso
simples da previsão do sexo do terneiro da próxima parição de uma vaca do rebanho
de uma região. Em um conjunto de nascimentos, observa-se a existência de uma
regularidade semelhante à regularidade da freqüência relativa da ocorrência de "cara"
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 83
no lançamento de uma moeda. Assim, se o exame de um conjunto numeroso de
registros de nascimentos de terneiros nessas fazendas revela que cerca de 54% dos
nascimentos são de fêmeas, pode-se utilizar 0,54 como uma aproximação para a
probabilidade do nascimento de uma fêmea.
A freqüência relativa de um evento de um experimento aleatório flutua quando
varia o número n de repetições do experimento. Ela também varia com diferentes
seqüências de n repetições do experimento. Entretanto, a experiência comum com um
grande número de experimentos aleatórios, em muitos campos, indica que, se o
experimento é repetido sob condições razoavelmente uniformes, a freqüência relativa
de um evento tende a estabilizar-se em torno de um número único, quando o número
de repetições cresce indefinidamente. Isso significa que, embora a ocorrência de um
evento de um experimento aleatório em uma realização individual do experimento não
seja previsível, a freqüência relativa do evento é previsível.
Esse fato sugere que se postule que, para um evento A de um experimento
aleatório, existe um número P(A) em torno do qual tende a estabilizar-se a freqüência
relativa de A, e que se tome esse número como a probabilidade do evento A. Esse
conceito empírico de probabilidade é formulado a seguir:
A probabilidade de um evento A é o número real P(A) em torno do qual tende
a estabilizar-se a freqüência relativa fn(A) quando o número n de realizações do
experimento cresce indefinidamente:
n
nf (A) P(A)↑→ .
Em geral, esse número P(A) é desconhecido e se pode obter apenas uma
aproximação para ele através da freqüência relativa fn(A) de um número
convenientemente grande de realizações do experimento. A derivação dessas
aproximações ou "estimativas" para probabilidades é do âmbito da inferência
estatística. Uma vez obtidas essas estimativas, elas são tratadas como se fossem as
verdadeiras probabilidades. Entretanto, deve-se ter sempre em mente que se tratam
apenas de aproximações para probabilidades desconhecidas.
Introdução à Probabilidade 84
Propriedades da probabilidade
A freqüência relativa tem propriedades análogas às propriedades da
probabilidade para espaço básico equiprovável, fundamentadas no conceito clássico
(Seção 2.6). Particularmente, ela satisfaz às seguintes propriedades básicas (exercício
12, Exercícios 2.6):
a) A freqüência relativa de um evento é um número racional não negativo: f(A) ≥
0, para qualquer evento A;
b) a freqüência relativa do espaço básico é igual a 1: f(S) = 1; e
b) a freqüência relativa de um evento é a soma das freqüências relativas dos
resultados elementares: f(A) =
i
i
s A
f(s )
∈
∑ .
É natural admitir que essas propriedades se estendam para a probabilidade
definida pelo conceito empírico. A relação harmoniosa entre as propriedades da
probabilidade derivadas nos contextos do conceito clássico e do conceito empírico
justifica o desenvolvimento de uma teoria da probabilidade fundamentada nas três
propriedades básicas da probabilidade comuns para esses dois contextos. Admitindo
essas três propriedades como princípios básicos, ou axiomas, pode-se derivar as
propriedades ou regras do cálculo de probabilidades para espaço básico finito geral.
Essa mesma abordagem pode ser imediatamente estendida para espaço básico infinito
contável e, portanto, para espaço básico discreto. Por essa razão, não se formulará aqui
o conceito axiomático e as correspondentes propriedades da probabilidade para espaço
básico finito. Essa base conceitual e metodológica será estabelecida no contexto mais
geral de espaço básico discreto, no próximo Capítulo.
Exercícios 2.6
1. Segure uma moeda em cima de uma superfície plana com o dedo indicador de uma mão e
a golpeie com o indicador da outra mão de modo que ela gire rapidamente até deitar com
uma das duas faces voltada para cima. Repita isso 50 vezes, desconsiderando qualquer
repetição em que a moeda não gire por vários segundos ou em que ela bata em algum
obstáculo, e registre o número de caras.
a) Qual é a freqüência relativa do número de caras?
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 85
b) Qual é a sua estimativa da probabilidade de obter uma cara nesse experimento
aleatório?
2. Considere o experimento aleatório de lançamento de uma moeda. A experiência mostra
que a probabilidade (freqüência relativa de uma longa série de lançamentos) de cara é
próxima de 1/2. Suponha que você lança a moeda repetidamente até obter uma cara. Repita
esse experimento 50 vezes, registrando para cada repetição o resultado do primeiro
lançamento e o número de lançamentos necessário para obter uma cara.
a) Com base nos resultados registrados, estime a probabilidade de uma cara no primeiro
lançamento. Que valor deve ser esperado para essa probabilidade?
b) Use seus resultados empíricos para estimar a probabilidade de que a primeira cara
apareça em um lançamento de número ímpar (ou seja, no lançamento 1, 3, 5,...).
3. Lance um par de dados 100 vezes e registre a soma dos pontos nas faces voltadas para
cima em cada lançamento.
a) Qual é a freqüência relativa da ocorrência de soma igual a nove nesses 100
lançamentos?
b) Com base nesse experimento, estime a probabilidade de obter soma igual a 9 em um
lançamento particular desse par de dados.
4. A probabilidade é uma medida da verossimilhança da ocorrência de um evento. Assinale
um dos números 0, 0,01, 0,3, 0,5, 0,6 ou 0,99 como a probabilidade de cada um dos
eventos caracterizados a seguir:
a) evento impossível; nunca pode ocorre;
b) evento certo; ocorrerá em cada realização do experimento;
c) evento muito inverossímil, mas que ocorre de vez em quando em uma longa série de
repetições do experimento;
d) evento cuja freqüência de ocorrência é pouco maior do que de não ocorrência;
e) evento cuja freqüência de ocorrência é igual à de não ocorrência.
5. São listados, a seguir, quatro modelos diferentes de atribuições de probabilidades aos
resultados do experimento de lançamento de um dado particular. Pode-se saber se alguma
dessas atribuições é correta apenas por um experimento de lançamento do dado um grande
número de vezes. Entretanto, alguns dos modelos não são atribuições legítimas de
probabilidade. Distinga entre esses modelos quais são legítimos e quais não são legítimos,
justificando sua resposta.
Introdução à Probabilidade 86
6. Faça uma assinalação de probabilidades aos resultados possíveis de cada um dos seguintes
experimentos aleatórios:
a) Lançamento de uma moeda balanceada, com igual verossimilhança para cara e coroa.
b) Um lançamento da moeda considerada no exercício 1 do modo indicado naquele
exercício.
c) Lançamento de duas moedas com os quatro resultados possíveis: (cara, cara), (cara,
coroa), (coroa, cara) e (coroa, coroa). Muitos modelos legítimos podem ser construídos
para esse experimento. Atribua probabilidades aproximadamente corretas com base em
um experimento.
7. Use o conceito empírico de probabilidade para explicar porque qualquer modelo legítimo
de probabilidade deve satisfazer a seguintepropriedade: “A probabilidade de que um
evento não ocorra é igual a um menos a probabilidade de que o evento ocorra”.
8. Suponha que você está jogando com uma moeda perfeita, de modo que a probabilidade de
obter cara em cada lançamento é 1/2. É permitido que você baseie sua aposta em um
experimento de lançamento da moeda 10 vezes ou 100 vezes. Para cada uma das situações
caracterizadas a seguir, qual desses números de lançamentos da moeda você escolheria
para basear sua aposta? Justifique as respostas.
a) Você vence se a freqüência relativa de caras situa-se entre 0,4 e 0,6.
b) Você vence se exatamente a metade dos lançamentos resulta em caras.
9. Suponha que uma tabela de "números aleatórios" de um dígito foi construída através de
um mecanismo de sorteio que extrai sucessivamente números do conjunto {0, 1, 2, 3, 4, 5,
6, 7, 8, 9}, com a reposição imediata de cada número extraído. Considere o experimento de
extração aleatória de um número de um dígito dessa tabela.
a) Especifique um espaço básico para esse experimento.
b) Esse espaço básico é equiprovável? Justifique a resposta.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 87
c) Repita esse experimento 100 vezes e determine as freqüências relativas de cada um
dos números 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10. Os resultados obtidos suportam a
postulação de eqüiprobabilidade do espaço básico?
10. Suponha que no experimento de extração aleatória de um número de um dígito da tabela
de números aleatórios considerada no exercício 9 os resultados de interesse são s1: número
menor que 4, s2: número entre 4 e 6 inclusive, e s3: número maior que 6. Responda as
mesmas questões formuladas naquele exercício.
a) Especifique um espaço básico para esse experimento.
b) Esse espaço básico é equiprovável? Justifique a resposta.
c) Atribua probabilidades aos resultados elementares do espaço básico.
d) Repita 100 vezes o experimento de extração de um número de um dígito dessa tabela e
determine as freqüências relativas de cada um dos resultados elementares s1, s2 e s3 do
espaço básico S. Os resultados obtidos suportam sua atribuição de probabilidades?
11. Se você acompanhasse a variação da flutuação de uma bolsa de valores por um intervalo
de tempo, você esperaria que a freqüência relativa de altas fosse próxima da freqüência
relativa de baixas? Seria possível que, acontecendo isso, o mercado de ações subisse
constantemente em um intervalo de um ano?
12. Mostre que a freqüência relativa satisfaz às seguintes propriedades: 1) a freqüência
relativa de qualquer evento é um número racional não negativo; 2) a freqüência relativa de
um evento é a soma das freqüências relativas dos resultados elementares que implicam em
sua ocorrência; e 3) a freqüência relativa do espaço básico é igual a 1.
2.9 Complementos
1) Teorema binomial
a) Os números rnC são freqüentemente denominados coeficientes binomiais,
porque são os coeficientes da expressão desenvolvida da n-ésima potência do binômio
a+b, ou seja, de (a+b)n.
Se n é um número inteiro positivo, (a+b)n = (a+b)×(a+b)× ...×(a+b) (n fatores).
Para as primeiras potências, tem-se:
(a+b)2 = (a+b) (a+b)
= a.a + a.b + b.a + b.b
= a2 + 2ab + b2;
Introdução à Probabilidade 88
(a+b)3 = (a+b) (a+b) (a+b)
= a.a.a + a.a.b + a.b.a + a.b.b + b.a.a + b.a.b + b.b.a + b.b.b
= a3 + 3a2b + 3ab2 + b3;
(a+b)4 = (a+b) (a+b) (a+b) (a+b)
= a.a.a.a + a.a.a.b + a.a.b.a + a.a.b.b. + a.b.a.a + a.b.a.b
+ a.b.b.a + a.b.b.b + b.a.a.a + b.a.a.b + b.a.b.a + b.a.b.b
+ b.b.a.a + b.b.a.b + b.b.b.a + b.b.b.b
= a4 + 4a3b + 6a2b2 + 4ab3 + b4.
Os termos dessas expressões são produtos de potências de a e b multiplicados
por coeficientes. Assim, na expansão de (a+b)4, os termos são da forma a4, a3b, a2b2,
ab3 e b4 e seus coeficientes são, respectivamente, 1, 4, 6, 4 e 1. Pode-se observar que o
coeficiente de a3b é 4 porque há 14C = 4 modos de selecionar 1 dos 4 fatores a+b que
proveja o b (e os restantes que provejam o a); o coeficiente de a2b2 é 6 porque há 24C =
6 modos de selecionar 2 dos 4 fatores a+b que provejam o b (e os outros dois o a). Por
semelhante razão os coeficientes de a4, ab3 e b4 são 04C = 1,
3
4C = 4 e
4
4C = 1,
respectivamente.
De modo mais geral, se n é inteiro positivo, os termos da expansão de (a+b)n são
da forma an-r br, r = 0, 1, 2,..., n, e seus correspondentes coeficientes são rnC , r = 0, 1, 2,
..., n.
Teorema binomial: Se n é um número inteiro positivo,
(a+b)n = 0nC a
nb0 + 1nC a
n-1b1 + 2nC a
n-2b2 + ...
+ 2nnC
− a2bn-2 + 1nnC
− a1bn-1 + nnC a
0bn
= ∑
=
−
n
0r
rrnr
n baC .
Essa expansão da n-ésima potência do binômio a+b é atribuível à Sir Isaac
Newton. Por essa razão, ela é usualmente denominada expansão binomial de Newton.
Segundo essa expressão e a propriedade 5 das combinações estabelecida na
Seção 2.5.4, observa-se que os coeficientes dos termos de ordens r e n-r da expansão
de (a+b)n, respectivamente an-rbr e arbn-r, são iguais.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 89
b) Demonstre o teorema binomial por indução matemática, a partir da verificação
de sua validade para n = 1, 2, 3 e 4.
c) A seguinte expressão é um caso particular do teorema binomial:
∑
=
=+
n
0r
rr
n
n bC)b1( , para qualquer inteiro positivo n.
2) Propriedades dos coeficientes binomiais
Cálculos referentes a coeficientes binomiais podem ser facilitados pelo uso das
propriedades que seguem:
a) Se n e r são inteiros positivos e r < n, então r r r 1n n 1 n 1C C C
−
− −
= + .
Esta é uma fórmula de recorrência muito útil: ela permite a determinação do
número de combinações de n elementos a partir do conhecimento do número de
combinações de n-1 elementos.
Esta propriedade pode ser provada pela substituição de a=1 em (a + b)n e
exprimindo-o na forma:
(1+b)n = (1+b) (1+b)n-1
= (1+b)n-1 + b(1+b)n-1.
e igualando os coeficientes de br das expansões dos dois membros dessa igualdade.
Como o coeficiente de br no primeiro membro é rnC e o coeficiente de b
r no segundo
membro é a soma do coeficiente de br em (1+b)n-1, ou seja, r 1nC − , e do coeficiente de
br-1 em (1+b)n-1, isto é, 1r 1nC
−
−
, obtém-se: 1r 1n
r
1n
r
n CCC
−
−−
+= .
b) Se n e r são inteiros positivos e se define 0Crn = quando r > n, então
k
r k r k
m n m n
r 0
C C C− +
=
=∑ .
Empregando a mesma técnica utilizada na demonstração da propriedade anterior,
igualem-se os coeficientes de bk das expressões nos dois membros da equação:
(1+b)m+n = (1+b)m (1+b)n.
O coeficiente de bk na expansão do primeiro membro é k nmC + e o coeficiente de b
k na
expansão do segundo membro, ou seja, em
(1+b)m (1+b)n = [ mmm
1
m
0
m bC...bCC +++ ]×[
nn
n
1
n
0
n bC...bCC +++ ],
Introdução à Probabilidade 90
é a soma dos produtos que se obtém multiplicando o termo independente de b do
primeiro fator pelo coeficiente de bk do segundo fator, o coeficiente de b do primeiro
fator pelo coeficiente de bk-1 do segundo fator e assim sucessivamente, até o
coeficiente de bk do primeiro fator pelo termo independente de b do segundo fator:
0
n
k
m
1k
n
2
m
1k
n
1
m
k
n
0
m CC...CCCCCC ++++
−+ = ∑
=
−
k
0r
rk
n
r
mCC .
Portanto,
rk
n
k
0r
r
m
k
nm CCC
−
=
+ ∑= .
c) Número de subconjuntos de um conjunto de n elementos:
Um conjunto de n elementos compreende 2n subconjuntos.
De fato, qualquer conjunto U de n elementos compreende como subconjuntos o
conjunto vazio ∅, a coleção de todos os conjuntos de um elemento de U (conjuntos
elementares),a coleção de todos os conjuntos de dois elementos de U, a coleção de
todos os conjuntos de três elementos de U,..., a coleção de todos os conjuntos de n-1
elementos de U e, finalmente, o conjunto de todos os elementos de U (o próprio
conjunto U). Os números de conjuntos nessas coleções sucessivas de subconjuntos de
U são, respectivamente, 1, Cn
1 , Cn
2 , Cn
3 , ..., Cn
n−1 e 1, cuja soma é:
Cn
0 + Cn
1 + Cn
2 + Cn
3 +...+ Cn
n−1+ Cn
n = (1+1)n = 2n,
já que essa soma é um caso particular da expansão de (a + b)n, com a = b = 1.
d) Prove a propriedade b dos coeficientes binomiais através da expressão de todos
os coeficientes binomiais em termos de fatoriais e, então, de simplificação algébrica.
e) Através da expressão dos coeficientes binomiais em termos de fatoriais e
simplificação algébrica, mostre que:
i) r r 1n n 1rC nC
−
−
= ; ii) 1rn
r
n Cr
r1nC −+−= ; iii) 1rn
r
1n C)1r(Cn
+
−
+= ;
iv) r r 1 rn n nn C (r 1)C r C
+
= + + ; v) r rn n 1
nC C
n r −
=
−
.
f) Utilizando valores particulares para a e b na expressão do teorema binomial,
mostre que:
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 91
i)
n
r r n
n
r 0
(a 1) C a
=
− =∑ ; ii) 0C)1( rn
n
0r
r
=−∑
=
.
g) Pela aplicação repetida da propriedade a) dos coeficientes binomiais, mostre
que:
∑
+
=
+−
−
=
1r
1i
1ir
in
r
n CC .
h) Com o uso da propriedade b) dos coeficientes binomiais, mostre que:
i)
n
r 2 n
n 2n
r 0
(C ) C
=
=∑ ; ii) m n m r m nn r n m
r 0
C C 2 C−
−
=
=∑ .
i) Propriedades dos coeficientes binomiais são importantes na teoria da
probabilidade. Assim, na Seção 7.1.3, 9), a) é derivada uma relação de coeficientes
binomiais a partir da qual pode ser obtida a seguinte propriedade:
r+1
r i-1 r-i+1
n i+k-2 n-i-k+1
i=1
C = C C∑ .
A propriedade g) é um caso especial dessa relação.
3) Triângulo de Pascal
a) Disponham-se os coeficientes das expansões das primeiras potências do
binômio a + b (apresentadas em 1) em forma de um triângulo como segue:
Expansão de Coeficientes
(a+b)0 1
(a+b)1 1 1
(a+b)2 1 2 1
(a+b)3 1 3 3 1
(a+b)4 1 4 6 4 1
Cada linha do triângulo dos coeficientes das expansões binomiais inicia e
termina com o número 1 e cada outro coeficiente maior que 1 é a soma dos dois
coeficientes que lhe são adjacentes na linha acima.
Essa disposição dos coeficientes de uma expansão binomial, denominada
triângulo de Pascal, é útil para a construção dos coeficientes quando não é disponível
uma tabela de coeficientes.
Introdução à Probabilidade 92
Uma forma alternativa do triângulo de Pascal é obtida pela expressão dos
coeficientes na forma de combinações:
Expansão de Coeficientes
(a+b)0 00C
(a+b)1 01C
1
1C
(a+b)2 02C
1
2C
2
2C
(a+b)3 03C
1
3C
2
3C
3
3C
(a+b)4 04C
1
4C
2
4C
3
4C
4
4C
Pode-se observar, agora, que o subscrito do símbolo que denota combinação é o
expoente do binômio e o superescrito é a ordem do termo da expansão.
b) Construa as próximas duas linhas do triângulo e escreva as expansões de (a+b)5
e (a+b)6.
c) Mostre, com esse método de construção, que o r-ésimo coeficiente da n-ésima
linha é o coeficiente binomial 1rnC
− . (Utilize indução matemática e a propriedade a dos
coeficientes binomiais.)
4) Expansões binomiais com expoentes negativos ou fracionários
a) O símbolo de combinação rnC pode ser generalizado de um inteiro positivo n
para qualquer número real t, pela seguinte definição:
r
t
t(t 1)(t 2)...(t r 1)C
r!
− − − += , r = 1, 2,... e rtC = 1 para r=0.
b) r nC− = (-1)
n r 1rnC −+ para n > 0.
De fato,
r
n
( n)( n 1)( n 2)...( n r 1)C
r!−
− − − − − − − +=
= (-1)r n(n 1)(n 2)...(n r 1)
r!
+ + + −
= (-1)r r 1rnC −+ .
c) Mostre que r r1C ( 1)− = − .
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 93
d) Se n > 0, a expansão binomial de (a+b)-n, para a+b≠0, derivada com as mesmas
regras conhecidas da expansão binomial de (a+b)n, provê a série infinita:
(a+b)-n = 0nC a
-nb0+ 1nC a
-n-1b1+ 2nC a
-n-2b2+...+ rnC a
-n-rbr+...
Esta expressão tem aparência semelhante à da expansão binomial de (a+b)n, n >
0. Entretanto, há uma considerável distinção entre as duas expressões. A expansão de
(a+b)n compreende exatamente n+1 termos, um termo para cada potência de a,
enquanto a expansão de (a+b)-n tem os termos iniciais semelhantes aos dessa expansão,
mas não tem um último termo; ela compreende infinitos termos, um para cada
expoente negativo de a menor ou igual a –n.
e) Admitindo que os termos da expansão infinita de (a+b)-n, a+b≠0, podem ser
divididos por a-n (a≠0), à semelhança do que é permitido com uma soma de número
finito de termos, obtém-se:
(a+b)-n = a-n[ 0nC b
0+ 1nC a
-1b1+ 2nC a
-2b2+...+ rnC a
-rbr+...].
Como
(a+b)-n = a-n
n
a
b1
−
+ , a≠0,
substituindo p = b/a, obtém-se:
(1+p)-n = ...pC...pCpCpC1 rrx
33
n
22
n
1
n ++++++
= r rn
r 0
C p
∞
=
∑ , p≠-1.
f) No caso especial n=1, essa última expressão provê o desenvolvimento em série
de (1+p)-1:
(1+p)-1 = 1 - p +p2 –p3 + (-1)rpr + ... r
r=0
(-p)
∞
= ∑ .
Observação: A expressão da expansão binomial de (a+b)-n foi gerada por uma
expansão formal segundo as regras previamente provadas para a expansão binomial
com expoente positivo. Não foi estabelecida garantia ou condições de que a expressão
obtida em d) e, conseqüentemente, as que lhe seguem, tenham comportamento
semelhante ao que é conhecido para expansões binomiais com expoente inteiro
Introdução à Probabilidade 94
positivo. De fato, pode-se observar que substituindo p=1 na expressão da expansão de
(1+p)-1, resulta:
=
2
1 1 – 1 + 1 – 1 + ...,
expressão que não tem sentido. Isso evidencia que aquela expressão não é válida para
todo p≠-1. De fato, pode-se provar com tratamento matemático mais avançado que
aquele desenvolvimento em série de (1+p)-1 é válido apenas para –1<p<1 (Seção 7;13,
3), d)).
5) Regra das permutações com repetições
A regra das permutações com repetições pode ser derivada como segue: O
número de permutações de n elementos em k subconjuntos com n1 elementos no
primeiro subconjunto, n2 no segundo subconjunto,..., nk elementos no k-ésimo
subconjunto, é:
1 2 kn(n ,n ,...,n )
1 2 k
n!P
n !n !...n !
= .
Observe-se que há 1nnC modos de formar o primeiro subconjunto. Para cada um
dessas permutações, há 2
1
n
nnC − modos de formar o segundo conjunto; para cada um dos
primeiro e segundo subconjuntos, há 3
21
n
nnnC −− modos de formar o terceiro
subconjunto, e assim por diante. Portanto, segundo a regra da multiplicação, tem-se:
)n,...,n,n(n k21P =
1n
nC 2 1
n
nnC − 3 21
n
nnnC −− ... k 1k21
n
n...nnnC
−
−−−−
=
1 1
n!
n !(n n )!−
. 1
2 1 2
(n n )!
n !(n n n )!
−
− −
... 1 2 k 1
k
(n n n ... n )!
n !0!
−− − − −
=
!n!...n!n
!n
k21
.
Observe-se que essa expressão é uma generalização da expressão que provê o
número de combinações de r elementos tomados de um conjunto de n elementos
distintos, ou seja:
n
r n!C
r!(n r)!
=
−
.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 95
Portanto, 1 2 kn ,n ,...,nnC é uma notação alternativa sugestiva para )n,...,n,n(n k21P .
6) Teorema multinomiala) O teorema binomial pode ser generalizado para a expansão da n-ésima potência
de um multinômio, como segue: Se n é um número inteiro positivo,
n
k
1j
ja
∑
=
= ∑ ∏
∏= =
=
k
1j
k
1i
n
ik
1i
i
ia
!n
!n .
onde a soma no segundo membro é sobre todos inteiros não negativos n1, n2,..., nk tais
que n1 + n2 + ... + nk = n. Por essa razão, o número de permutações com repetições:
)n,...,n,n(n k21P = !n!...n!n
!n
k21
.
também é referido como coeficiente multinomial.
b) A expressão particular do teorema multinomial para n=2 provê uma fórmula
importante em algumas aplicações:
=
∑∑∑
===
k
1j
j
k
1i
i
2
k
1j
j aaa = ∑∑
= =
k
1i
k
1j
jiaa .
2.10 Exercícios de Revisão
1. Especifique um espaço básico e o correspondente espaço de eventos para cada um dos
seguintes experimentos aleatórios:
a) plantio de uma semente e observação do resultado da germinação;
b) plantio de duas sementes e observação do resultado da germinação.
2. Especifique um espaço básico para cada um dos seguintes experimentos aleatórios:
a) escolha aleatória de duas sementes de um pacote contendo 5 sementes de idêntica
aparência, sendo que 2 são de plantas de flores brancas e 3 de plantas de flores azuis, e
observação das cores das flores das plantas resultantes;
b) escolha aleatória de uma entre seis garrafas de vinho tinto das cultivares C1, C2, C3, C4,
C5 e C6 e registro da identificação do rótulo da garrafa escolhida;
c) escolha aleatória de uma entre seis garrafas de vinho tinto das cultivares C1, C2, C3, C4,
C5 e C6 de cada uma de duas caixas, uma com rótulos brancos e a outra com rótulos
verdes, e registro da identificação dos rótulos das duas garrafas escolhidas;
Introdução à Probabilidade 96
d) aplicação de um hormônio de crescimento a 100 animais de um rebanho e observação
do número de animais que revelam resposta positiva;
e) pesagem dos animais de um rebanho de 50 bovinos da raça Hereford e determinação
do número de animais com peso superior a 300 kg;
f) levantamento referente ao consumo de vinho no Rio Grande do Sul em que 1.000
pessoas são solicitadas a responder "sim" ou "não" à questão: "você bebeu vinho na
semana passada?" e consideração do número de respostas positivas;
g) degustação de compota de pêssego de cada uma das cultivares C1, C2, C3 e C4 por um
provador, com omissão da identificação das cultivares para o provador, e classificação
quanto à preferência com respeito a uma propriedade organolética;
h) observação do número de mortes em acidentes de trânsito na cidade de Pelotas no
próximo ano;
i) registro da temperatura no próximo dia 29 de março às 9 horas no Posto Meteorológico
da UFPEL;
j) determinação do número de ovos nas fezes e do número de helmintos nas vísceras de
um bovino da raça Ibagé, após um período de dois meses em uma pastagem infectada.
3. Especifique os seguintes eventos para o experimento aleatório do exercício 1 b): A: duas
sementes germinam; B: pelo menos uma semente germina; e C: nenhuma semente
germina.
4. Especifique os seguintes eventos para os experimentos aleatórios do exercício 2:
a) A: primeira semente de planta de flor branca; B: duas sementes de plantas de flores da
mesma cor: C: duas sementes de plantas com flores de cores diferentes;
b) A: garrafa de vinho de cultivar identificada com número par; B: garrafa de vinho de
cultivar identificada com número menor que 4, C: complemento de B;
c) A: ambas garrafas com vinho da cultivar C3, B: garrafas cuja soma das identificações
das cultivares é 5, C: garrafa cuja soma das identificações é no mínimo 10;
d) mais de 30 animais reagem à aplicação do hormônio;
e) pelo menos 45 animais com peso superior a 300 kg;
f) pelo menos 850 pessoas respondem "sim";
g) cultivares C3 e C4 nos dois primeiros lugares;
h) menos de 120 mortes;
i) temperatura acima de 21°C;
j) pelo menos 5.000 ovos e mais de 500 helmintos.
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 97
5. Em um experimento aleatório de plantio de quatro sementes, especifique os seguintes
eventos: A: duas sementes germinam; B: pelo menos uma semente germina; C: nenhuma
semente germina.
6. Uma caixa contém três pedras identificadas pelos números 1, 2 e 3. Considere o
experimento de 3 extrações aleatórias sucessivas de uma pedra dessa caixa, com a
reposição da pedra após cada extração, e registrar a seqüência de números resultante. a)
Construa um diagrama de árvore para determinar os resultados possíveis desse
experimento. b) De quantas diferentes formas podem resultar: i) três números iguais? ii)
três números distintos? c) dois números iguais?
7. Três atletas A, B e C competem em uma corrida de 800 metros. Suponha que esses atletas
têm a mesma habilidade e que não pode ocorrer empate. a) Qual é a probabilidade de que
o A termine a corrida na frente de B? b) Qual é a probabilidade de que A termine a corrida
na frente de ambos B e C?
8. Suponha que 15 carros deverão correr na próxima competição de fórmula 1. Quantas
diferentes formações de três pilotos poderão subir ao pódio como os três primeiros
colocados na competição?
9. Considere a formação de "palavras" de três letras com as letras a, b, c, d, e, f. Quantas
dessas palavras podem ser formadas: a) sem repetição de letras? b) com repetição de
letras? c) com uma ou mais letras repetidas?
10. Dez estudantes de um colégio são selecionados para formar a equipe de basquete para uma
competição. a) Entre quantas diferentes composições deverá ser escolhida a equipe para
entrar em cancha no primeiro jogo? b) Quantas dessas composições incluem um estudante
cujo nome é Afonso?
11. Quantas linhas são necessárias para conectar todos os possíveis pares de 15 pontos em um
plano?
12. Uma caixa contém 2 lâmpadas de 25 watts, 3 de 40 watts e 4 de 100 watts. a) Em quantos
modos diferentes podem ser selecionadas 3 lâmpadas dessa caixa? b) Quantas dessas
seleções de 3 lâmpadas incluiriam as duas lâmpadas de 25 watts? c) Quantas incluiriam
nenhuma lâmpada de 25 watts? d) Quantas seleções de lâmpadas incluiriam exatamente
uma de cada uma dessas três diferentes potências elétricas?
13. Suponha que 6 bolas de uma urna que contém 4 bolas pretas e 2 brancas são retiradas
aleatoriamente, uma por uma, e dispostas em uma fila. Qual é a probabilidade de que: a) as
duas bolas nos extremos da fila sejam brancas? b) as duas bolas extremas não sejam
brancas? c) as duas bolas brancas situem-se em posições contíguas?
Introdução à Probabilidade 98
14. Determine as probabilidades dos eventos especificados no exercício 4 a), b), c).
15. Um lote de dezesseis unidades de um certo artigo consiste de 10 unidades perfeitas, 4 com
defeitos menores e 2 com defeitos graves. Uma unidade desse artigo é escolhida ao acaso.
Determine a probabilidade de que: a) a unidade não tenha defeitos; b) a unidade não tenha
defeitos graves; c) a unidade seja perfeita ou tenha defeitos menores.
16. Considere o mesmo lote de unidades de um artigo do exercício anterior. Duas unidades são
escolhidas ao acaso, repondo-se a primeira extraída antes da extração da segunda.
Determine a probabilidade de que: a) ambos as unidades sejam perfeitas; b) ambas
tenham defeitos graves; c) pelo menos uma seja perfeita; d) no máximo uma seja perfeita;
e) exatamente uma seja perfeita; f) nenhuma tenha defeitos graves; g) nenhuma seja
perfeita.
17. Suponha que um lote de dezesseis unidades do artigo considerado no exercício 15 seja
aceito para despacho se três unidades escolhidas ao acaso são perfeitas. Qual é a
probabilidade de que aquelelote particular seja aceito?
18. O Departamento de Estatística de uma universidade oferece duas disciplinas de Estatística
designadas de "Estatística I" e "Estatística II". No primeiro semestre letivo, são oferecidas
4 turmas de Estatística I e no segundo semestre, 3 turmas de Estatística II.
a) Se um estudante deseja fazer essas duas disciplinas em um mesmo ano letivo, quantas
diferentes escolhas de turmas são possíveis?
b) Se forem admitidos para cada turma dessas disciplinas no máximo 40 estudantes, qual
é o número máximo de estudantes que podem se matricular nessas disciplinas em um
ano letivo?
c) Se forem oferecidas no turno da manhã 2 turmas de Estatística I e 3 de Estatística II,
qual é a probabilidade de que um estudante resulte matriculado em turmas da manhã
nessas duas disciplinas se matricula aleatoriamente nas turmas oferecidas?
d) O professor José Antônio deve lecionar 2 turmas de Estatística I e 1 de Estatística II.
Qual é a probabilidade de que um estudante que se matricula aleatoriamente venha a
ter esse professor: i) em ambos semestres? ii) em nenhum dos dois semestres?
19. Um saco contém 1.500 batatas das quais 1.100 são classificadas como de primeira e 400
como de segunda. Extraindo-se uma amostra de três batatas, determine a probabilidade de
que: a) as três batatas sejam de primeira; b) pelo menos uma batata seja de segunda.
20. Um geneticista que pesquisa gado leiteiro tem quatro touros e oito vacas que podem ser
usados em um experimento. Quantos diferentes pares constituídos de um macho e uma
fêmea ele pode constituir?
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 99
21. Uma pessoa afirma que tem habilidade para distinguir entre café percolado e café
instantâneo. Em um experimento para testar esta afirmada habilidade, o indivíduo deve
provar 10 xícaras de café, cinco com cada um dos dois tipos de café. Para melhoria do
experimento, são usados xícaras iguais e o café das duas origens é preparado
simultaneamente. Então, as dez xícaras de café são oferecidas ao indivíduo, sem
identificação de seu conteúdo, para prova e indicação das cinco que contém café
percolado.
a) De quantas formas ele pode selecionar 5 entre as dez xícaras de café?
b) De quantas formas ele pode selecionar as 5 xícaras de café percolado?
c) Qual é a probabilidade de que selecione corretamente as cinco xícaras com café
percolado por palpite em vez de por habilidade sensorial?
22. Em um experimento, foram semeados com trigo quatro conjuntos (blocos) de cinco talhões
(parcelas) - um talhão com cada uma das cinco cultivares A, B, C, D e E. Em todos os
blocos a cultivar C foi a mais produtiva. Qual é a probabilidade de que esse resultado tenha
decorrido exclusivamente por acaso?
23. Em um experimento semelhante ao do exercício anterior, a cultivar C teve a produção
mais elevada em três dos quatro blocos e a segunda produção mais elevada no bloco
restante. Qual é a probabilidade de ela se ter destacado tanto ou mais do que neste
experimento exclusivamente por acaso?
24. Em um experimento de vinte parcelas, instalam-se quatro repetições de cada uma de cinco
cultivares (A, B, C, D e E) atribuídas às parcelas completamente ao acaso. Na ordenação
dos resultados das vinte parcelas, as parcelas com o tratamento C ficaram nos quatro
primeiros lugares. Qual é a probabilidade de que isto tenha decorrido por mero acaso?
25. Quatro provadores (sejam 1, 2, 3 e 4) deverão ordenar três diferentes marcas de vinho
(sejam A, B e C) quanto à preferência, sem conhecimento das marcas que lhes são dadas
para degustar. Cada provador classifica como 1 a marca que mais lhe agrada, como 2 a
segunda e como 3 a que menos lhe agrada, e então são somados os pontos atribuídos para
cada marca de vinho. Suponha que os provadores realmente não podem discriminar entre
as marcas, de modo que cada um está atribuindo sua ordenação ao acaso. Determine a
probabilidade de que: a) a marca A receba o total de pontos igual a 4; b) alguma marca
receba o total de pontos igual a 4; c) alguma marca receba uma soma de pontos de 5 ou
menos.
26. Em herança mendeliana simples, um caráter físico de uma planta ou animal é determinado
por um par simples de genes. O caráter "cor" da ervilha é um exemplo. Ele é determinado
Introdução à Probabilidade 100
por um par de genes A e V que representam, respectivamente, as cores amarela e verde. O
gene A é dominante, de modo que plantas com o genótipo (par de genes) VV terão ervilhas
verdes e aquelas com os genótipos AA e AV terão ervilhas amarelas. Os descendentes
(progênie) recebem um gene de cada pai com igual probabilidade para cada gene de cada
pai.
a) Determine a probabilidade de que do cruzamento de ervilhas de coloração amarela
resulte uma planta com ervilhas: i) amarelas; ii) verdes.
b) Em um cruzamento entre ervilhas AV e AV, qual é a proporção da progênie que terá
grãos amarelos? Qual é a proporção de ervilhas amarelas que terão o genótipo AA?
27. Um outro caráter mendeliano simples é a rugosidade. As ervilhas podem ser lisas ou
rugosas. Esse caráter é determinado por um par de genes L e R, respectivamente para as
alternativas lisa e rugosa. O caráter liso é dominante, de modo que ervilhas LL e LR são
lisas, enquanto que ervilhas RR são rugosas.
a) Se ervilhas AV - LR são cruzadas com ervilhas VV - RR, quais são os resultados
possíveis? Quais são suas correspondentes probabilidades?
b) Responda semelhantes questões para cruzamentos entre ervilhas AV - LR e VV- LR.
c) Responda semelhantes questões para cruzamentos entre ervilhas AV - LR e AV - LR.
28. Suponha que um estudante responde cada uma das 12 questões do teste de múltipla
escolha de que trata o exercício 9 dos Exercícios 2.2 , escolhendo aleatoriamente uma
das correspondentes três alternativas, e que uma e apenas uma dessas alternativas é correta.
a) Qual é a probabilidade de que ele acerte todas as questões?
b) Qual é a probabilidade de que ele erre todas as questões?
c) Qual é a probabilidade de que ele acerte a metade das questões?
d) Qual é a probabilidade de que ele acerte pelo menos a metade das questões?
29. Há evidência de que entre as formas inferiores de vida animal podem ser transmitidas
características de um animal para outro junto com a transferência da substância química
conhecida como RNA. Em um experimento referente a esse comportamento de
transferência, oito salamandras são distribuídas aleatoriamente em dois grupos de quatro
animais. Um grupo constituirá o grupo experimental e ou outro o grupo controle.
a) Mostre que os dois grupos podem se formados com 70 diferentes constituições.
b) Qual é a probabilidade de que as quatro salamandras mais ágeis resultem em um
mesmo grupo?
2. Probabilidade em Espaço Básico Finito 101
c) Qual é a probabilidade de que três das quatro salamandras mais ágeis situem-se no
mesmo grupo?
d) Todas as salamandras do grupo experimental recebem RNA de uma salamandra que
foi treinada para maior agilidade. As salamandras do outro grupo (o grupo controle)
recebem RNA de uma salamandra não treinada. O pesquisador está disposto a acreditar
que o comportamento é transferido com o RNA se seu experimento revelar um número
de animais x mais rápidos no grupo experimental tal que a probabilidade de um
número de salamandras mais rápidas nesse grupo igual ou superior a x sob a hipótese
de que o comportamento não é transferido com o RNA se revelar inferior a 0,05. Qual
deve ser o número x de animais mais rápidos no grupo experimental para que o
pesquisador possa acreditar que o comportamento sob consideração é transferido com
o RNA?
30. Em um exame para admissão de laboratoristas, os candidatos são solicitados a efetuar