ACP do MPSP   acesso universal e gratuito ao ensino pré esco
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ACP do MPSP acesso universal e gratuito ao ensino pré esco


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ACP proposta com o objetivo de assegurar o acesso universal e gratuito à educação infantil pré-escolar
 
EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA VARA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE DO FORO REGIONAL DE PINHEIROS 
 
 O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO, por seu Promotor de Justiça designado, vem, mui respeitosamente à presença de V. Exa. para, nos termos do art. 129, inc. III da Constituição Federal, art. 25, inc. IV, a, da Lei 8.625/93, art. 103, VIII da Lei Complementar Estadual 734/93, arts. 4º, 5º, 19 e 21 da Lei 7.347/85, arts. 208 e ss. da Lei 8.069/90, arts. 3º, 83 e 90 da Lei 8/078/90 propor esta 
 
AÇÃO CIVIL PÚBLICA 
DE RITO SUMÁRIO 
PARA CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER PARA 
GARANTIR O ACESSO UNIVERSAL E GRATUITO À 
EDUCAÇÃO INFANTIL PRÉ-ESCOLAR NO ÂMBITO DA 
JURISDIÇÃO DESSA VARA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE 
 
em face do MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, representado judicialmente em Juízo, por força do art. 12, II, do Código de Processo Civil, por seu Prefeito Municipal, DR. CELSO ROBERTO PITTA DO NASCIMENTO, domiciliado no Palácio das Indústrias - Parque D. Pedro II, nesta Capital, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. 
 
1. DOS FATOS 
 
 É de conhecimento público e notório que o MUNICÍPIO DE SÃO PAULO vem sistematicamente negligenciando a oferta de educação infantil a milhares de crianças pela insuficiência de vagas nas Escolas Municipais de Educação Infantil - EMEIs, agravada também pelo sistemático descumprimento das leis orçamentárias quanto à construção e ampliação da rede existente. 
 Numerosos exemplos podem ser ofertados relatando a desídia municipal no provimento de vagas suficientes para atender em condições de igualdade todas as crianças em idade de escolarização infantil. À guisa de meros - mas chocantes - exemplos, apresentamos na seqüência quadro dramático extraído de inquéritos civis e procedimentos preparatórios de tais inquéritos em tramitação nesta Promotoria de Justiça. 
 
1.1 Os dados levantados p[elo próprio Município de São Paulo (IC 1/97) 
 
 Consta de notícias veiculadas pela imprensa no dia 30 de dezembro de 1996, especialmente pelo jornal \u201cO ESTADO DE SÃO PAULO\u201d, que cerca de 200 mil crianças ficarão sem vagas em pré-escolas, segundo estudos feitos pela Fundação Instituto de Administração da Universidade São Paulo (FIA-USP), cuja cópia encontra-se em anexo ao presente pedido. 
 O estudo indica que cerca de 44,1% das crianças compreendidas entre 4 e 6 anos de idade não encontrarão vagas na rede pública de pré-escola, incluindo estabelecimentos de ensino que devem ser mantidos conjuntamente pelo ESTADO e pelo MUNICÍPIO. 
 A apresentação dos resultados da PESQUISA SOBRE CENSO, MATRÍCULA E FREQÜÊNCIA ESCOLAR, desenvolvida pela Fundação Instituto de Administração (FIA-USP), instituição conveniada com a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade São Paulo, e coordenada pelos Profs. José Afonso Mazzon e Helio Janny Teixeira, solicitada diretamente pela Secretaria Municipal de Educação do Município de São Paulo, evidencia que: 
 
 a) São estimadas matrículas de 275.048 crianças na pré-escola, no ano de 1997, em toda a cidade de São Paulo, segundo divisão feita entre as onze delegacias regionais de ensino municipal; 
 b) Estima-se que, pelo menos, 202.747 crianças de 4 a 6 anos de idade, ficarão fora da escola na cidade de São Paulo, no ano de 1997, o que corresponde a 38,9% das crianças, segundo a base de estimativa provável no limite inferior; 
 c) De um total de 530.299 crianças estimadas que vivem na cidade de São Paulo entre 4 e 6 anos, 36,8%, ou seja, 194.979 não freqüentam a pré-escola ou creche e das 335.320 que freqüentam, 41,4% estão na rede particular; 
 d) Há diversas regiões da cidade onde mais de 40% do total das crianças de 4 a 6 anos estão fora da escola: (DREM 6, 10, 3 e 5). 
 e) 44,1% das crianças que estão fora da escola entre 4 e 6 anos tem como motivo a falta de vaga em escola pública e outros 22,8% não podem pagar escola particular, ou seja, 66,9% das crianças fora da escola nessa idade por insuficiência de atendimento do Poder Público; 
 f) Nas classes sócio-econômicas C, D, e E, a falta de vaga em creche ou pré-escola pública é o maior motivo de não estarem matriculadas as crianças de 4 a 6 anos e a impossibilidade de pagamento, o segundo motivo mais relevante; 
 
 Segundo dados da própria Secretaria Municipal de Educação, de 1989 a 1993 tem havido sistematicamente decréscimo de vagas para educação infantil de crianças de 4 a 6 anos de idade. O ligeiro acréscimo verificado em 1996 não repõe sequer o número de vagas existentes em 1989, conforme o quadro seguinte: 
 
MATRÍCULAS 
 
 1989 
 1992 
 1993 
 1996 
 
VAGAS 
 208.721 
 200.704 
 182.790 
 199.758 
 
 
 O MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, por sua vez, tem se mostrado absolutamente incapaz ao longo de gestões administrativas passadas de compreender a importância da educação no processo formador do cidadão, economizando vergonhosamente e deixando criminosamente de implementar os investimentos devidos na manutenção e no desenvolvimento do ensino, tema esse objeto de ações e inquéritos civis próprios no âmbito desta Promotoria de Justiça. 
 
2. DO RITO SUMÁRIO 
 
 Conforme dispõe o art. 5º, § 3º da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a ação judicial intentada por qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída e, ainda, o Ministério Público, nos casos de não oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público ou de sua oferta irregular, será de rito sumário. 
 Trata-se de aplicação das normas processuais previstas nos arts. 275 e ss. do Código de Processo Civil, independentemente de qualquer outra regulamentação, por força do disposto no art. 275, inc. II, g, que garante a observância do procedimento sumário nas causas, qualquer que seja o valor, nos demais casos previstos em lei, como a hipótese vertente. 
 
3 DOS DISPOSITIVOS LEGAIS E CONSTITUCIONAIS PERTINENTES AO TEMA: 
 
 O direito fundamental à educação é tema afeto a inúmeros diplomas legais em todas as órbitas da Federação. Além de objeto da Constituição Federal e de leis nacionais como a que estabelece diretrizes e bases para a educação (Lei 9.394/96) e o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), é também alvo de disciplina nas Cartas estaduais e nas leis de organização interna dos municípios. 
 
3. A Constituição Federal 
 
 Antes mesmo daquele dispositivo específico, a própria Constituição Federal já consagrara a educação como direito social fundamental, dispondo sobre ela, dentre outros, nos seguintes artigos: 
 
 Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. 
 [...] 
 Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
 Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: 
 I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
 [...] 
 IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
 [...] 
 VI - gestão democrática