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v.1 obras selecionadas de lutero,  os primordios, escritos de 1517 a 1519

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disso, Deus quer que 
os seres humanos sejam sujeitos ao sacerdote, o que não aconteceria se não 
siiuhéssemos que Deus aprova o que o sacerdote faz. 
Vês, pois, que tudo ainda não passa de opiniões. Ademais, quanto ao 
qric Ângelo aduz de seu Francisco Maronis - que as indulgências serviriam 
i;iiiibém para aumentar a graça e a glória -, ele não adverte que as indulgên- 
cias iião são boas obras, mas sim remissões de boas obras por causa de uma 
oiitra obra menor. Pois mesmo que seja meritória a boa obra por causa da 
qii:iI são dadas indulgências, elas não são meritórias por esta razão, visto que 
;i obra, feita para si, não seria menos meritória, e talvez até mais. As indul- 
gCiicias, porém, tomadas em si, são, antes, demeritórias, porque são remis- 
sGcs de boas obras. Assim pois, como em toda matéria posta em dúvida é per- 
iiiiiido a qualquer um debater e opor-se, digo também eu que, nesta parte, di- 
virjo do B. Tomás e do B. Boaventura, até que provem melhor sua [posição] 
c rcfutem a nossa. Exceto opiniões, nada vejo que eles apresentem como pro- 
v;i, iicm mesmo um único cânone, ao passo que acima, na tese 5, eu apresen- 
I74 (iofiedo de Trani, canonista do seculo XIII. lecionou em Bolonha, vindo a ser, posterior- 
iiieiitc. auditor da Ciiria. Faleceu em 1245. Foi um dos primeiros a formular comentários As 
ilecreiai.;: Sunrmo ruper rubricis decreralium. 
175 lleiiriqiie dc Seguria. nascido ein Susa. lecioiiou em Bolonlia e Paris, atuou na Cúiia, v im 
<li> ;i ver designado arcebispo de Ernhrun e cardeal-bispo de Ouia. Faleceu ein 1271. Sii;! 
<>hc;i I.rcruro in decr~foirr Gre~orii IX foi impressa em Parir ç Ibtrashiirgn, crn 1512. 
I70 ( ' ; toc ) t t i \ i ; t de l:lo~cr,q;t (1273-1348). Iecic>r,w~ a r , l k ~ l ~ , ~ ~ l ~ a c l'Adu$!. l k r ~ l r c su:ts c ~ l ~ r a s 
iIrs1;ii;iiii~sc N~>v<,ll<,. i i i i i c,,iiiciiihiii~ As decici;iir gie~oi~;iiiar. e ;isg/o.~,w <irdb,urio ;i ;iiiih;i\ 
;i\ ~>; i i l cv di> ( i i rprdr iirric. 
tei tantas passagens da Escritura em favor de minha posição. E agora, para 
também não falar sem cânones, vê só: 
4. A quarta razão é a seguinte: no capitulo cum ex eo, li. V. de pe. et 
re.t7l, se diz: "Pelas indulgências a satisfação penitencial é enfraquecida." 
Embora o papa diga essa palavra mais por dor do que por graça, os canoriis- 
tas a entendem como reza. Logo, se a satisfação penitencial é enfraquecida, é 
evidente que unicamente a pena canônica é remitida, já que a satisfação peni- 
tencial não é outra coisa do que a terceira parte da Penitência eclesiástica e 
sacramental. Pois a satisfação evangélica em nada diz respeito a Igreja, como 
expusemos acima. 
Se alguém me objetar que o papa não nega que também ourras penas 
perdem sua força, mas que apenas afirma e que rião fala de maneira exclusiva 
quando diz: "A satisfação penitencial perde sua força", respondo: prova, 
então, que ele também relaxa outras e que não fala de maneira exclusiva. Co- 
mo não o fazes, eu provo que ele fala de maneira exclusiva através do capitu- 
lo Cum ex eo, supracitado, onde diz que aos questores de esmolas"8 não é 
permitido propor ao povo nada além do que está contido em suas cartas. 
Ora, nada está contido em qualquer carta apostólica além de remissões da sa- 
tisfação sacramental, como diz o próprio papa: A satisfação penitencial per- 
de sua força por meio de indulgências indiscriminadas e supérfluas. Mais ain- 
da: com essa palavra o papa restringe as indulgências mais rigidamente ain- 
da, pois se só as indulgências supérfluas erifraquecem a satisfação sacramen- 
tal, então as moderadas e legiiimas não enfraquecem nem mesmo a própria 
satisfação penitencial, muito menos quaisquer outras penas. Mas essas coisas 
não pertencem a minha jurisdição ou profissão. Os canonistas que se ocupem 
disso. 
Tese 21 
Erram, porlanto, os coniissários de indulgências que afirmam que apes- 
soa é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa. 
Esta tese eu afirmo inteiramente e demonstro. 
Pois resta pelo menos a terceira pena, isto é, a evangélica, sim, também a 
quinta, a saber, morte e doença, e em muitos aquela que é a maior de todas, a 
saber, o horror da morte, tremor da consciência, fraqueza de fé, pusilanimi- 
dade do espírito. Comparar estas penas com as remitidas por indulgências é 
como comparar uma coisa com sua sombra. Contudo, também não é inten- 
ção do papa que eles fabulem tão frívola e impunemente, como fica claro a 
partir do capitulo Cum ex eo. 
i77 I>~crerole.s d . Gre~oriipapoe IX, livro V, titulo XXXVIII, capitulo 14, i": Corpusiurisco- 
rionici. v . 2. cols. 88-9. 
17H l'l;it;i-\e dor ci>i~iis~!irios de indulgêiicias. 
Se dissessem: "Também nós não dizemos que essas penas são suprimi- 
das pelas indulgências", respondo: por que, então, não instruis o povo para 
tliic este saiba que penas tu remites, mas gritas que são remitidas absoluta- 
iiicnte todas as penas que uma pessoa deve pagar perante Deus e a Igreja por 
xiis pecados? Como é que o povo vai compreender por si mesmo se falas de 
iiiodo tão obscuro e liberal? 
Tese 22 
Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena 
</ire, segundo os cânones, elas deveriam ler pago nesta vida. 
Não defendo esta tese mais extensamente do que a oitava, da qual flui 
como corolário, pois os cânones penitenciais não se estendem a outra vida. 
l'orque toda pena temporal é transformada na pena da morte; mais ainda: 
por causa da pena da morte, ela é suprimida e deve ser suprimida. Sim, ima- 
gina (para argumentar mais extensamente) que a Igreja Romana fosse tal 
qiial ainda era na época do B. Gregório, quando não estava sobre outras 
Igrejas, pelo menos não sobre a da Grécia. [Neste caso,] claro está que as pe- 
ii:is canõnicas não obrigavam os gregos, assim como hoje nào obrigam os 
ci-islãos não sujeitos ao papa, como na Turquia, Tartária e Livônia. Portan- 
1 0 . eles não têm necessidade de nenhuma dessas indulgências, e sim somente 
05 que estão colocados no orbe da Igreja Romana. Logo, se elas não obrigam 
csics vivos, muito menos os mortos, que não estão sob Igreja alguma. 
Tese 23 
Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele certa- 
~ri<,tl/r só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos. 
Fntendo esta tese com referência a penas de todo gênero e assim a defen- 
i l ( ~ . I'ois, como foi suficientemente dito, não há dúvida de que a remissão da 
s;iiisl'ação penitencial pode ser dada a qualquer pessoa. Ou melhor: corrijo 
rsi:i tese e digo que a remissão de todas as penas não pode ser dada absoluta- 
iiiciiic a ninguém, seja aos mais perfeitos, seja aos imperfeitos. E provo: pois 
iiiesiiio que Deus não imponha aos mais perfeitos os flagelos ou a quarta es- 
[iicic de penas, pelo menos não a todos e sempre, permanece, não obstante, a 
iriccirn, a saber, a evangélica, sim, também a quarta, isto é, a morte e as pe- 
ii:is yiic estão relacionadas com a morte. Pois mesmo que Deus pudesse tor- 
i i ; i i i i~dos perfeitos na graça, talvez sem penas, ele não decidiu fazê-lo; deci- 
i l i i i . isto siiri. ioriiar todos conformes B imagem de seu Filho, isto é, á cruzl7q. 
I 
Mas que necessidade há de tantas palavras? Por mais magnificamente que se 
exalte a remissão das penas, o que, pergunto eu, se consegue junto àquela 
pessoa que tem ante os olhos a morte, bem como o temor da morte e do juí- 
zo? Se se prega a esta pessoa toda outra remissão, porém não se concede que 
estas sejam remitidas, não sei se se traz qualquer consolo. Portanto, atende 
ao horror da morte e do inferno e, querendo ou não, absolutamente não te 
preocuparás com remissões de penas. Assim, as indulgências serão vilificadas 
não por nosso esforço, mas por uma necessidade objetiva, já que não supri- 
mem o temor da morte. 
Tese 24 
Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada 
por