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v.1 obras selecionadas de lutero,  os primordios, escritos de 1517 a 1519

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diz), de modo que os fra- 
des mendicantes podem procurar dinheiro sem licença de seus superiores. 
Ocorre que, para esse Psêudolo~l, é muito melhor a remissão de uma pena, 
iiiesmo inventada, do que a obediência salutar. Mas como em lugar algum se 
abrisse um caminho para arrebanhar dinheiro para que compremi" essa gra- 
va (isto é, comprem de novoxl, não que aqueles a vendam, e sim porque a ex- 
ccssiva semelhança das coisas obriga a mal-usar a palavra), então ele diz fi- 
iialmente: "Pois o reino dos céus não deve estar mais aberto aos ricos do que 
:!os pobres", querendo, de novo, abrir o céu por meio de indulgências. Po- 
rem subtraio minha pena para que ela não se enfureça merecidamente com 
eles. Que seja suficiente ter mostrado aos crentes que a pestilência de seus dis- 
cursos está envolta em tão insigne ignorância e rudeza (como convinha), que 
:I tampa é digna da panela16. 
Tese 34 
Pois aquelas graças das indulgências se referem somente as penas de sa- 
t iyfa~ão sacramental, determinadas por seres humanos. 
Esta tese está abundantemente clara a partir das teses 5 e 20 acima. 
240 Aqui h$ um erro de Lutero, que junta duas orientacoes da Instrucrio. Segunda a instruçso, 
exigia-se, além da coniissão contrita e de freqilència piedosa às missas, um sacrificio finan- 
cciro dc acordo com as posses do penitente. Principes pagavam 25 florins renanos de ouro, 
o s prelados e a alta nobreza 10, pessoas com renda anual de até 500 florins pagariam 6 , pes- 
s m s com renda de até 200 ilarins pagariam 3. Os demais pagariam de meio a um florim. 
%,l>i.c i i s pobres. a ins t ru~ão afirma: "Os que não têm dinheiro devem substituir sua contri- 
h i i i ~ i i ~ por ora$& e jejum, pois o reina dos céus não deve estar mais aberto aos ricas do 
i(iictx<s pobres." Esposas e filhos cujos esposas ou pais Ihes proibiam a compra de iiidi~l- 
8i.liçi;ls devem. contra a vontadedesses, tomar d o que têm para comprar indulgências. Po- 
hirs sir, i>s qiie nieiidigam ou que ganham apenas o necessário para o sustento diirio. 
?.I1 I's?iid<>lu L' o iitiilo <Ir itnia das comCdias de Pluiito; aqui. C sin6nimo de mentiroso. 
?.I2 N?ilii>i<r,il. iio ori~iiial. 
I I)t.!8td,> t>»10tr1, 1 1 0 ~1rigirlill. 
!4,1 I i i t i i i \c <Ic tini ilil<i 1p<i1>uIar. 
I Tese 35 I Não pregam cristãmente os que ensinam não ser necessária a contrição àqueles que querem resgalar almas ou adquirir breves confessionais24'. 
245 Cf. p. 25. nota 16. 
246 Sc. da penitência. 
247 Cf. Mt 7.3. 
248 1.utero reiine nesta frase os conceitos usados para caracterizar doutrinas suspeitas em pro- 
cessos de heresia. 
i 24') Sc. o mundo. 
I Por que, pergunto, eles dão aos seres humanos essa dilação246, para peri- 
I 
go destes? E de que aproveita que Ihes sejam pregadas tais coisas, ainda que 
fossem verdadeiras, senão que se busca o dinheiro e não a salvação das al- 
nias?,Ora, como são impias e falsas, com muito mais razão devem ser rejeita- 
das. E certo que também eu permiti, mais acima, que possam ser remitidas as 
penas mesmo as pessoas que não estão contritas, o que eles negam. Aqui, in- 
versamente, creio que deve ser negado o que eles afirmam. E tenho sobre os 
breves de confissão a mesma opinião como sobre as penas: em ambos os ca- 
sos não se precisa de contrição, nem no que diz respeito a sua compra nem no 
que diz respeito ao seu uso, o que eles negam. O mesmo vale também no caso 
das penas a serem remitidas, uma vez que a remissão da pena é parte do breve 
de confissão. Mas no tocante a redenção das almas discordo totalmente e pe- 
ço que provem o que dizem. Eu pelo menos creio que na redenção das almas 
deve ser visto algo muitissimo diferente do que na remissão das penas, pois 
nas remissões da pena o ser humano recebe um bem, enquanto que na reden- 
cão das almas ele faz um bem. Ora, o impio pode receber um bem, porém de 
modo algum fazer um bem, e não pode agradar a Deus a obra daquela pessoa 
que, ela mesma, não agrada a Deus, como está escrito em Gn 4.4: "O Senhor 
se agradou de Abel e de suas ofertas." Depois, é contra a Escritura que al- 
guém se comisere de uma outra pessoa antes do que de sua [própria] alma e 
que tire o argueiro do olho do irmão antes de tirar a trave de seu próprio 
olh0247, e e completamente [contra a Escritura] que um servo do diabo redima 
uma filha de Deus, e isso junto ao próprio Deus. É ridículo que um inimigo 
interceda por um amigo do rei. Que loucura é essa? pergunto eu. Para magni- 
ficar a remissão de uma pena de pouquissimo valor e inútil para a salvação, 
eles rebaixam os pecados, ao passo que só a penitência destes é que deveria 
ser magnificada. Se isso não é herético, malsoante, escandaloso, ofensivo a 
ouvidos piedosos, o que, afinal, existe que se possa designar com esses nomes 
mons t ruosos~~? Acaso os inquisidores da depravação herética atormentam e 
vexam os católicos e as opiniões católicas com esses títulos para que unica- 
I mente a eles seja permitido inundar29 de heresias impunemente e a seu bel- prazer? Dizem eles, entretanto, que essa redenção não se estriba na obra de quem redime, mas sim no mérito daquele a ser redimido. Respondo: quem 
clibse isso? De onde é provado? Então por que aquele a ser redimido iião é li- 
0cri:rdo por seu próprio mérito, sem a obra de quem redime? Mas então não 
crcsccria o dinheiro cobiçado por causa da salvação das almas. Então por que 
ii:to cliamamos os turcos e os judeus, para que, junto conosco, também depo- 
sitciii seu dinheiro, não por causa de nossa cobiça, mas por causa da reden- 
c.'io das almas? O fato de não serem batizados parece não constituir um obs- 
iiculo, pois aqui não é necessário senão o dinheiro de quem dá, de forma al- 
[:liriia a alma de quem se perde. Pois essa doação só se estriba na alma a ser 
icdimida. Creio que mesmo que um asno depositasse ouro, também ele redi- 
iiiiria; pois se se exigisse alguma disposição, também a graça seria necessária, 
já quc um cristão pecador desagrada mais a Deus do que qualquer descrente, 
c i) zurrar não desfigura o asno tanto quanto a impiedade desfigura o cristão. 
Em segundo lugar, é certo que eu disse que se podem dar aos pecadores 
cartas de confissão, assim como remissões de penas, porém não o disse para 
que eles sejam encorajados, sim, nem mesmo para que lhes seja permitido 
coiiiprar tais coisas, como ensinam impia e cruelmente. E isto eu provo: 
1. Todo ensinamento de Cristo é uma exortação á penitência e visa fazer 
coiii que os seres humanos se afastem do diabo o quanto antes, como diz o 
11clesiástico: "Não tardes em te converter ao Senhor" [Eclo 5.81, e como diz 
11 Senhor mesmo: "Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora." [Mt 25.13.1 
l i Paulo: "Apressemo-nos para entrar naquele descanso." [Hb 4.11.l E Pe- 
clro: "Visto, pois, que todas essas coisas hão de ser destruidas, importa que 
\cjais como os que [vivem] em santo procedimento e piedade, apressando-vos 
crri direção ao advento do dia", etc. [2 Pe 3.1 1s.I Estes, contudo, ensinaram 
cssas coisas porque sua preocupação não consistia em como juntar dinheiro, 
iii;is em salvar almas. Aqueles, entretanto, como que seguramente, Ihes dão 
iiiiia misera dilação e, no que deles depende, deixam-nos em perigo de morte 
cicriia, de modo que não sei se, com tal dedicação, estão excusados do homi- 
cídio de almas. Com efeito, aqui não se busca a salvação de quem dá, mas a 
clirdiva de quem se perde. Pois, se fossem bons pastores de almas e verdadei- 
iiiriiente cristãos, envidariam todos os esforços no sentido de induzir o peca- 
cI11r ao temor de Deus, ao horror do pecado, e não cessariam de chorar, orar, 
iidriioestar, increpar, até que tivessem ganho a alma do irmão. Se ele contj- 
iiii;isse a dar dinheiro, perseverando no mal, jogariam o dinheiro na cara dele 
c diriam com o apóstolo: "Não procuro os teus bens, mas a ti mesmo" [2 Co 
12.141; e mais uma vez: "O teu dinheiro