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Produção Textos Científicos

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Produção de Textos Científicos
2/200
Produção de Textos Científicos
Autora: Profa. Dra. Sheila Pelegri de Sá
Como citar este documento: SÁ, Sheila Pelegri de. Produção de Textos Científicos. Valinhos: 2015.
Sumário
Apresentação da Disciplina 03
Unidade 1: As questões a serem observadas na produção de um texto 06
Assista a suas aulas 24
Unidade 2: O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa 
e o plágio
32
Assista a suas aulas 51
Unidade 3: O processo de seleção das referências bibliográficas 59
Assista a suas aulas 75
Unidade 4: O resumo e a resenha, o fichamento e a paráfrase 83
Assista a suas aulas 99
2/200
3/200
Unidade 5: Os operadores argumentativos 106
Assista a suas aulas 122
Unidade 6: Os gêneros discursivos na esfera científica 130
Assista a suas aulas 146
Unidade 7: A revisão do trabalho acadêmico 154
Assista a suas aulas 171
Unidade 8: A construção do texto científico e a linguagem usada na academia 178
Assista a suas aulas 193
Sumário
3/305
4/200
Apresentação da Disciplina
As práticas educacionais de um docente de nível superior centram-se, via de regra, na 
transmissão, sistematização e divulgação de saberes e conteúdos relacionados ao universo 
acadêmico no qual está inserido. Ainda que as tecnologias atuais favoreçam novas formas 
de produção e aquisição do conhecimento (virtuais, multimídia, robóticas etc.), a essência 
do trabalho do professor – e dos alunos – baseia-se na administração de conteúdos escritos, 
sejam eles os pontos de partida para um determinado saber ou os mecanismos de divulgação 
dos resultados de pesquisas. Dessa forma, a leitura e a escrita seguem como instrumentos 
essenciais na universidade, ainda que as suas plataformas de divulgação tenham sido 
ampliadas com as novas tecnologias.
Ler é, sobretudo, interpretar. Na linguagem escrita formal, a leitura implica a interpretação 
de um código específico, a língua padrão, bem como do seu conjunto de regras previamente 
conhecidas, com a finalidade de depreender uma ou mais mensagens. Por essa razão, 
escrever é utilizar esse código de maneira coesa e coerente, possibilitando ao leitor a correta 
interpretação das informações que se deseja divulgar.
As práticas acadêmicas demandam a leitura e redação de textos que pertencem a um gênero 
particular: o científico. Ao sistematizar, produzir e divulgar saberes e conteúdos, o pesquisador 
deve estruturar o texto de modo a garantir credibilidade ao discurso.
5/200
Diferentemente de outros gêneros textuais, o texto científico exige uma linguagem objetiva, 
precisa e formal, além do uso adequado da norma-padrão da língua e de um vocabulário 
técnico específico. Isso se dá em razão de pressupor-se que a sua circulação acontece na esfera 
acadêmica, ou seja, em seu meio característico.
Além disso, trata-se de um gênero que resulta da necessidade de estabelecer e difundir o 
conhecimento científico, de modo que as estruturas envolvidas na construção do discurso 
demandam métodos e técnicas de redação que vão desde o planejamento e descrição das 
etapas da pesquisa até as diferentes formas de organizar dados e divulgar resultados.
Esta disciplina tem por objetivo refletir sobre tais métodos e técnicas, apresentando e 
caracterizando as etapas de construção e divulgação do trabalho científico.
6/200
Unidade 1
As questões a serem observadas na produção de um texto
Objetivos
1. Apresentar a disciplina, apontando a natureza e 
características do texto científico no contexto da prática 
docente;
2. refletir acerca da natureza do texto no contexto da 
linguagem e da comunicação;
3. pontuar as especificidades da produção do texto escrito.
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto7/200
INTRODUÇÃO
Etimologicamente, a palavra texto tem origem no substantivo latino textus, originado do 
verbo texere, que significa tecer, construir. Atualmente, em amplo sentido, o conceito de texto 
transcende a ideia de composição escrita, ou seja, conjunto ordenado de palavras e frases, e 
pode também ser utilizado para fazer referência a imagens, gráficos e outras composições.
Em essência, contudo, a palavra texto preserva o seu sentido original: todo texto é um tecido. É 
o entrelaçamento de sentenças que isoladamente não garantem o sentido transmitido em sua 
totalidade. Ou seja, é o resultado da organização de um discurso com o objetivo de transmitir 
uma mensagem. Tal entrelaçamento se dá por meio do uso de recursos coesivos, como você 
verá mais adiante.
Na definição de Jean-Paul Bronckart, num sentido primeiro, “a noção de texto designa toda 
unidade de produção de linguagem que veicula uma mensagem linguisticamente organizada 
e que tende a produzir um efeito de coerência sobre o destinatário” (2012, p. 71).
A comunicação pode ser realizada por meio de diferentes textos. Nem todos, entretanto, são 
compostos essencialmente por palavras. Essa distinção ocorre na esfera da linguagem.
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto8/200
1 Linguagem verbal e não 
verbal
Entende-se por linguagem 
qualquer sistema de signos 
simbólicos empregados na 
intercomunicação social 
para expressar e comunicar 
ideias e sentimentos, isto é, 
conteúdos da consciência 
(BECHARA, 2009, p. 18).
Como se vê, de modo geral denomina-
se linguagem qualquer sistema que 
estabeleça a transmissão e interpretação 
de mensagens e texto (enunciado ou 
discurso) o produto desta comunicação.
Todo texto verbal é produto de uma 
determinada língua, ou seja, de uma 
convenção, um sistema arbitrário de signos 
comuns a uma determinada comunidade 
de falantes.
De acordo com Evanildo Bechara, 
“Entende-se por signo ou sinal a 
unidade, concreta ou abstrata, real ou 
imaginária, que, uma vez conhecida, leva 
ao conhecimento de algo diferente dele 
mesmo: as nuvens negras e densas no 
céu manifestam ou são o sinal de chuva 
iminente; o -s final em livros é o signo 
ou sinal de pluralizador, assim como em 
cantas é o signo de 2ª pessoa do singular” 
(BECHARA, 2009, p. 18).
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto9/200
Os signos empregados no processo 
comunicacional podem ser sonoros, 
gráficos, textuais, etc. 
A transmissão e interpretação de 
mensagens por meio de sons (alarmes, 
buzinas, bipes etc.), cores (semáforos, 
uniformes etc.), sinais gráficos (sinalização 
de trânsito, ícones etc.) e gestos (LIBRAS, 
mímica etc.) são exemplos da chamada 
linguagem não verbal. Dessa forma, 
pode-se afirmar que todas as formas de 
comunicação que transmitem mensagens 
por meio de palavras são da ordem da 
linguagem verbal.
Ainda, conteúdos comunicacionais 
podem ser mistos, ou seja, compostos 
pelas linguagens verbal e não verbal, o 
que é comum na publicidade e nas artes 
dramáticas, como o cinema, por exemplo.
1.1 A língua falada e a língua 
escrita
Os processos de comunicação que 
envolvem o uso de palavras – a linguagem 
verbal – ocorrem tanto na oralidade, ou 
seja, por meio da fala, quanto na escrita, 
por meio do registro gráfico. Cada uma 
das modalidades e níveis da linguagem 
admitem aderências específicas em 
relação à norma-padrão, de acordo com o 
interlocutor e a situação de uso.
A norma-padrão, muitas vezes confundida 
com a norma culta, é um modelo de uso da 
língua baseado na gramática normativa e 
aceito em uma determinada época como 
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto10/200
regra geral, ainda que não pratique necessariamente todas as regras prescritas na gramática 
normativa. Denomina-se culta a prática da língua realizada em um meio social considerado 
culto, o que, via de regra, pressupõe um maior conhecimento da gramática normativa.
Por exemplo: um recado deixado em uma rede social não é escrito da mesma forma que se 
escreve um relatório para o trabalho. Da mesma maneira, a forma como você fala ao encontrar 
um amigo em uma situação social não é a mesma como se expressa em uma entrevista. Ainda,as regras utilizadas na escrita quase sempre não são as mesmas que você usa ao falar.
Assim, partindo de uma acepção ampla de comunicação por meio de diferentes linguagens, 
concluímos que a transmissão de mensagens por meio de palavras – a linguagem verbal – pode 
variar e adaptar-se às situações de uso, considerando a formalidade ou informalidade e a 
oralidade ou escrita.
Dessa forma, quanto maior a intimidade entre emissor e receptor, menor a formalidade e, 
portanto, a preocupação com a aderência à norma-padrão da língua. 
Há também que se considerar que existem diferenças na produção do sentido em textos orais 
e escritos. Normalmente, na fala admitem-se certas repetições e expressões menos exatas, 
pois a comunicação oral conta com o suporte do contexto de enunciação, como a entonação 
e, muitas vezes, as expressões faciais e corporais. Na escrita, contudo, há maior necessidade 
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto11/200
de clareza e concisão, já que o interlocutor 
normalmente não está presente no ato de 
contato com o texto.
É importante ressaltar que as seleções do 
vocabulário, bem como o estilo utilizado 
em cada contexto comunicacional, 
denotam a intenção do emissor e deles 
depende a interpretação do receptor.
1.2 Discurso e enunciação
Se a comunicação por meio da linguagem 
verbal se constitui em cada comunidade 
linguística pelo conhecimento comum dos 
falantes de um determinado sistema a que 
se chama língua, a sua prática efetiva é o 
que se chama discurso.
O discurso, que é a língua em ação, é 
dinâmico e intimamente ligado ao contexto 
de produção. Ao contrário da língua e dos 
signos linguísticos, que são historicamente 
condicionados e relativamente estáticos. 
Ou seja, as variações no uso da língua 
acontecem o tempo todo e dependem dos 
perfis dos falantes e das situações de uso, 
porém a sua normatização e o significado 
dicionarizado dos signos permanecem 
“oficiais” por longos espaços de tempo.
Todo discurso é, portanto, um ato 
de enunciação. É o resultado do 
conhecimento prévio de um enunciador 
(emissor, falante) sobre uma determinada 
língua somado a uma situação 
particular de comunicação em que esse 
conhecimento é posto em prática. Sempre 
que você se pergunta o que alguém “quis 
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto12/200
dizer” com uma determinada mensagem, trata-se de uma pergunta sobre a enunciação.
Portanto, a enunciação está relacionada à intenção do emissor em relação à interpretação que 
o receptor fará de sua mensagem.
Disso conclui-se que todo texto é o produto de uma enunciação.
2 A produção do texto escrito
Todo texto resulta de um comportamento verbal concreto, ou seja, está situado em um 
contexto “físico” relacionado às coordenadas espaciotemporais de um agente. Assim, é sempre 
o produto de quatro parâmetros precisos:
a. o lugar de produção;
b. o momento de produção;
c. o emissor;
d. o receptor.
Na oralidade, ou seja, nas situações de fala, via de regra emissor e receptor situam-se no 
mesmo local ou em proximidade suficiente para que se possa considerar o receptor um 
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto13/200
coprodutor ou interlocutor.
Na escrita, ao contrário, as coordenadas 
espaciotemporais do emissor e do 
receptor não coincidem, de modo que o 
receptor não age como interlocutor, salvo 
em situações em que é possível redigir 
respostas, como é o caso de cartas, fóruns 
e espaços para comentários.
Assim, pode-se dizer que, depois de 
escrito, o texto possui uma existência 
independente do autor. Entre o contexto 
de escrita de um texto e o de sua leitura, 
é possível haver uma lacuna temporal 
imensa, de modo que as circunstâncias de 
escrita e leitura sejam bastante diferentes, 
o que interfere na produção de sentido.
2.1 As propriedades do texto
Como foi dito, a essência do sentido 
etimológico da palavra texto se mantém. 
Ou seja, um texto não é um aglomerado 
indistinto de sentenças, ou um amontoado 
ou soma de frases. Para que se constitua 
como unidade textual, é preciso que haja 
um encadeamento semântico. Ou seja, é 
preciso que as sentenças estejam ligadas e 
possuam relação de sentido entre si.
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto14/200
Existem propriedades que garantem o 
relacionamento semântico entre as partes 
do texto e, com isso, a construção do seu 
sentido global.
A coesão textual é a principal responsável 
pela textualidade, ou seja, pelo 
encadeamento semântico em um texto. É 
por meio do uso adequado de conectivos 
que um texto se torna fluido e organizado, 
sem repetições desnecessárias de palavras, 
o que contribui para a coerência textual.
O uso adequado dos procedimentos 
coesivos costuma ocorrer sem grandes 
dificuldades na fala, sobretudo quando se 
considera a maior tolerância às repetições 
nessa situação de comunicação.
 
Para saber mais
Para saber mais sobre a norma gramatical no universo da produção textual, 
aprofundando seus conhecimentos sobre as noções de língua, linguagem e semântica, 
leia o capítulo “Teoria Gramatical” da Moderna Gramática Brasileira, de Evanildo Bechara.
A fim de compreender melhor os mecanismos de coesão textual que garantem o correto 
encadeamento semântico das partes do texto, consulte a consagrada obra Para entender 
o texto, de José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli.
Ambas constam nas referências bibliográficas desta aula.
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto15/200
Na escrita, entretanto, é preciso lançar 
mão de estratégias:
A coesão pode ser feita com uso de 
pronomes, verbos, numerais, advérbios, 
em um processo chamado coesão por 
retomada ou antecipação, como no 
exemplo:
O jornalista não conseguiu entrar em 
contato com a assessoria de imprensa. Eles 
não atenderam ao telefone.
O pronome “eles” retoma a expressão 
“assessoria de imprensa”.
A coesão também pode ser feita com o uso 
de sinônimos (hiperônimos), substantivos, 
adjetivos e verbos, no processo chamado 
retomada por palavra lexical. Exemplo:
Carlos não conseguiu chegar a tempo para 
realizar a prova. O estudante perdeu o 
ônibus.
O hiperônimo “estudante” retoma o termo 
“Carlos”.
A estratégia coesiva em geral mais 
passível de erros é a chamada coesão por 
encadeamento de segmentos textuais, 
ou seja, a ligação entre as partes do texto 
por meio de conectores ou operadores 
discursivos. Os mais conhecidos são: então, 
portanto, já que, no entanto, mas, porque, 
ora, assim, daí, dessa forma, isto é. Mas há 
vários outros.
Cada operador estabelece um tipo de 
relação de sentido entre as partes do texto, 
de modo que, quando usados de maneira 
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto16/200
inadequada, comprometem a coerência 
textual.
Há operadores que marcam:
1. Gradação, como: até, até mesmo, no 
máximo, quando muito etc.
2. Relação de conjunção argumentativa, 
ou seja, argumentos em favor de uma 
conclusão, como: e, também, ainda, 
nem não só, mas também, tanto... 
como, além de, além disso etc.
3. Relação de disjunção argumentativa, 
ou seja, que levam a conclusões 
opostas, como: ou, ou então, caso 
contrário, seja... seja etc.
4. Relação de conclusão, como: 
portanto, logo, por conseguinte.
5. Relação de comparação, como: tanto 
quanto, mais que, menos que.
6. Explicação ou justificativa, como: já 
que, pois, que.
7. Relação de contrajunção, ou seja, 
contrapõem enunciados, como: mas, 
contudo, todavia, porém, entretanto, 
no entanto, porém. Ou relações de 
concessão como: embora, ainda que, 
mesmo que, apesar de que.
8. Introdução de argumento decisivo, 
como: aliás, além de tudo, ademais.
9. Generalização ou amplificação, 
como: de fato, realmente, é verdade 
que.
10. Introdução de exemplos, como: 
por exemplo, como.
Entre outros.
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto17/200
Já a coerência textual é a responsável pelalógica interna do texto. É preciso que os 
argumentos caminhem semanticamente 
em uma única direção, de modo que 
as informações presentes no texto 
mantenham-se coerentes.
É por meio da coesão e coerência textuais 
que se garante a adequada textualidade 
sem a qual o sentido global do texto fica 
comprometido.
2.2 Escrita e leitura: sistemas 
de produção e processamento 
textual
Conforme referido na introdução desta 
disciplina, o gênero textual que dá conta 
da produção e divulgação do pensamento 
científico possui uma natureza bastante 
específica. É por meio dele que 
informações e saberes resultantes da 
prática acadêmica tornam-se públicos, de 
modo que, além das propriedades descritas 
anteriormente, é ainda necessário que 
haja adequação do texto à realidade de 
leitura, ou seja, ao perfil dos receptores 
(enunciatários, leitores) e ao seu contexto 
de leitura.
Dessa forma, assim como se deve 
considerar nas demais produções textuais, 
na redação do texto científico é necessário 
considerar que seus leitores colocarão em 
ação diversas estratégias cognitivas.
De modo geral, o processo de 
interpretação (decodificação) e construção 
de sentido na leitura de um texto evoca 
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto18/200
três conhecimentos necessários ao leitor:
O conhecimento linguístico, da ordem 
do conhecimento gramatical e lexical, 
é o conjunto de saberes relativos ao 
uso da língua na qual se estabelece o 
processo comunicacional. Trata-se do 
reconhecimento, por parte do leitor, das 
estruturas sintáticas, repertório lexical 
e recursos coesivos necessários ao 
estabelecimento de uma interpretação 
semântica da malha textual.
O conhecimento enciclopédico, ou 
“de mundo”, refere-se ao conjunto de 
informações espaço temporalmente 
situadas, bem como aqueles relativos às 
vivências próprias ou de terceiros, que 
permitem reconhecer e interpretar ações e 
valores presentes nos textos.
O conhecimento interacional refere-se 
à habilidade de interação entre emissor 
e receptor por meio da linguagem, 
permitindo reconhecer objetivos e 
propósitos pretendidos pelo emissor, 
reconhecimento de informações, seleção 
da variante linguística e adequação do 
gênero textual à situação comunicativa.
Ainda, dá conta das estratégias textuais 
relativas ao gênero em que esse se 
enquadra.
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto19/200
 
Para saber mais
Para conhecer mais profundamente as estratégias de produção textual no contexto 
educacional, consulte o material disponibilizado pelo Ministério da Educação no Portal 
do professor:
<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000013609.pdf>
Leia também o Curso de Redação, do professor Antônio Suarez Abreu, presente nas 
referências bibliográficas desta aula.
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000013609.pdf
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto20/200
Glossário
Oralidade: toda situação de comunicação que ocorre por meio da fala. A linguagem oral 
é, em geral, mais espontânea e informal e se caracteriza pela proximidade física entre 
emissor e receptor. Ainda assim, há práticas orais bastante formais, como os discursos, 
palestras e conferências.
Semântica: é o estudo sincrônico ou diacrônico da significação como parte dos sistemas 
das línguas naturais, o componente do sentido das palavras e da interpretação das 
sentenças e dos enunciados no processo de comunicação.
Hiperônimo: é o vocábulo relativo a um sentido mais genérico de determinada palavra, 
em que há a relação de continente/conteúdo. Por exemplo:
“Avistei uma vaca amarelada. A linha do horizonte estava repleta de ruminantes”. 
Em que “ruminante” retoma o termo “vaca”. Assim, as “vacas” estão contidas no grupo de 
“ruminantes”.
Léxico: repertório de palavras existentes numa determinada língua e que pode ser 
agrupado por campos semânticos, ou seja, por grandes conjuntos de sentido.
Glossário
Oralidade: toda situação de comunicação que ocorre por meio da fala. A linguagem oral 
é, em geral, mais espontânea e informal e se caracteriza pela proximidade física entre 
emissor e receptor. Ainda assim, há práticas orais bastante formais, como os discursos, 
palestras e conferências.
Semântica: é o estudo sincrônico ou diacrônico da significação como parte dos sistemas 
das línguas naturais, o componente do sentido das palavras e da interpretação das 
sentenças e dos enunciados no processo de comunicação.
Hiperônimo: é o vocábulo relativo a um sentido mais genérico de determinada palavra, 
em que há a relação de continente/conteúdo. Por exemplo:
“Avistei uma vaca amarelada. A linha do horizonte estava repleta de ruminantes”. 
Em que “ruminante” retoma o termo “vaca”. Assim, as “vacas” estão contidas no grupo de 
“ruminantes”.
Léxico: repertório de palavras existentes numa determinada língua e que pode ser 
agrupado por campos semânticos, ou seja, por grandes conjuntos de sentido.
Questão
reflexão
?
para
21/200
Como você viu, o texto não é um amontoado de frases 
e parágrafos. Para garantir um bom entendimento da 
matéria textual, é necessário adequar a comunicação 
a uma série de fatores. Pesquise e reflita sobre que é 
essencial para produzir um texto claro e adequado.
22/200
Considerações Finais 
Em síntese, é possível entender todo o texto como a materialização de 
uma situação de comunicação. É preciso adequar cada mensagem ao seu 
contexto, em que pesam o lugar e o momento de produção, o emissor e o 
receptor dessa. 
Na linguagem verbal escrita, que é o recorte específico desta disciplina, é 
necessário buscar clareza, coesão e coerência, com o uso correto léxico e da 
norma-padrão.
Unidade 1 • As questões a serem observadas na produção de um texto23/200
Referências
ABREU, Antônio Suárez. Curso de redação. São Paulo: Ática, 2004. 
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37. ed. rev., ampl. e atual. conforme o 
novo Acordo Ortográfico. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
BRONCKART, Jean-Paul. Atividade de linguagem, textos: por um interacionismo 
sociodiscursivo. Tradução de Anna Raquel Machado. São Paulo: EDUC, 2012.
KOCH, Ingedore V.; ELIAS, Vanda M. Ler e Compreender os Sentidos do Texto. São Paulo: 
Contexto, 2006.
PLATÃO; FIORIN. Para entender o texto: leitura e redação. 3. ed. São Paulo: Ática, 2003.
24/200
Aula 1 - Tema: As Questões a serem 
observadas na Produção de um Texto – Bloco I 
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
0606c420da4b8f08d95c700e38c2e7cf>.
Aula 1 - Tema: As Questões a serem 
observadas na Produção de um Texto – Bloco II 
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f-
1d/1017b95fa34e74aa080c40481e3114d3>.
Assista a suas aulas
http://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/0606c420da4b8f08d95c700e38c2e7cf
http://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/0606c420da4b8f08d95c700e38c2e7cf
http://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/0606c420da4b8f08d95c700e38c2e7cf
http://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/1017b95fa34e74aa080c40481e3114d3
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25/200
1. Tendo em mente a tecnologia como parte fundamental do novo cenário 
educacional, a leitura e a escrita:
a) tornaram-se práticas obsoletas;
b) estão sendo adaptadas para novos modelos educacionais, como as videoaulas;
c) seguem como instrumentos essenciais na universidade;
d) mantêm-se nos mesmos modelos de aquisição de conteúdos da década de 1970;
e) são importantes, mas não essenciais na educação.
Questão 1
26/200
2. A palavratexto se origina no termo latino textus, originado do verbo 
texere (tecer), daí ser possível afirmar que:
a) textos são unidades de sentido independentes, cujo significado se constrói basicamente a 
partir do repertório do leitor;
b) todo texto é um conjunto ordenado de palavras e frases, cujo sentido se constrói na 
interação entre elas, o repertório do autor e do leitor;
c) em um texto, cada frase possui o seu sentido independente;
d) somente consideramos textos as mensagens compostas por palavras;
e) nem todo texto utiliza uma linguagem.
Questão 2
27/200
3. Assinale a única alternativa correta:
a) A linguagem é verbal, visual e sonora. Entretanto, não pode se realizar em todas as formas 
ao mesmo tempo.
b) A língua é o sistema de signos empregados para comunicar.
c) A linguagem verbal é composta por toda forma de comunicação que emprega palavras.
d) Cores, gestos e signos são considerados linguagem verbal.
e) A linguagem não verbal é apenas escrita.
Questão 3
28/200
4. De acordo com a aula, a norma-padrão é:
a) o conjunto de regras de uso da língua consensuais entre os gramáticos e divulgadas em 
manuais;
b) um modelo de uso da língua baseado na gramática normativa e aceito como regra geral;
c) a norma que expressa o uso da língua por parte da camada da sociedade considerada mais 
culta;
d) o padrão de uso da língua realizado informalmente;
e) um modelo de uso da língua baseado na literatura erudita.
Questão 4
29/200
5. Assinale a única alternativa correta:
a) No processo comunicacional, devem ser considerados para a construção de sentido 
somente o emissor, local e receptor.
b) Eventualmente, coesão, coerência e adequação devem ser consideradas na produção do 
texto científico, mas não necessariamente.
c) Coerência é o conjunto de operadores discursivos utilizados para dar sentido às partes do 
texto.
d) Na produção textual, o emissor evoca três conhecimentos por parte do leitor, que são 
fundamentais para a decodificação e construção de sentido na leitura: o linguístico, o de 
mundo e o interacional.
e) O conhecimento interacional refere-se às vivências do leitor.
Questão 5
30/200
Gabarito
1. Resposta: C.
leitura e escrita são práticas essenciais na 
aquisição e produção de conhecimento. Na 
universidade, como em outros ambientes 
educacionais, as novas tecnologias 
oferecem outras plataformas e recursos 
para além do papel, tinta, livros impressos 
etc., que ampliam o acesso aos textos e 
os complementam com a possibilidade 
de aliar imagem, som e outras estratégias 
sem, contudo, substituírem ou colocarem 
em desuso as práticas textuais tradicionais.
2. Resposta: B.
a ideia de entrelaçamento, de tessitura, 
está intimamente ligada ao processo 
de produção de sentido na composição 
textual. Palavra a palavra, frase a frase, 
parágrafo a paragrafo, a depreensão de 
sentido no texto está ligada à habilidade de 
compreender a relação entre cada uma de 
suas partes.
3. Resposta: C.
a diferença entre a linguagem verbal e a 
não verbal reside no emprego de palavras 
(em sua modalidade oral ou escrita) 
para a comunicação. Todas as formas de 
comunicação que não usam palavras são 
chamadas de linguagem não verbal.
4. Resposta: B.
31/200
Gabarito
a norma-padrão é aquela que manifesta 
as regras documentadas na gramática 
normativa e que preza a clareza, evitando 
desvios, gírias, coloquialismos e outros 
usos da língua que não os aceitos pelos 
gramáticos de cada época.
5. Resposta: D.
a “a” é incorreta, pois, no processo 
comunicacional, para a produção de 
sentido, há que se levar em consideração o 
emissor, a mensagem (o código, ou língua), 
o receptor, a época e o lugar em que a 
comunicação ocorre.
A “b” é incorreta, pois coesão, coerência 
e adequação (de nível, de modalidade, 
etc.) são essenciais na produção do texto 
científico.
A “c” é incorreta, pois, ao uso correto dos 
operadores discursivos, dá-se o nome de 
coesão textual.
A “e” é incorreta, pois o conhecimento 
interacional está ligado à habilidade de 
interação entre emissor e receptor durante 
o processo comunicacional.
32/200
Unidade 2
O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o 
plágio
Objetivos
a. Definir o conceito de projeto de pesquisa;
b. apresentar as etapas essenciais no planejamento da 
pesquisa científica;
c. apresentar o conceito de plágio na esfera da pesquisa 
científica.
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio33/200
Introdução
 Quando se pretende realizar uma 
pesquisa de natureza científica, o primeiro 
passo é redigir um roteiro pormenorizado 
do que se pretende realizar, desde 
a elaboração das etapas de coleta e 
análise de dados até a apresentação dos 
resultados obtidos.
É importante também apresentar a 
delimitação do tema e justificar a validade 
e viabilidade desse, bem como apresentar 
as reflexões teóricas que sustentarão a sua 
abordagem.
Dessa forma, o primeiro texto que se redige 
é o projeto de pesquisa.
Para iniciar a redação do projeto de 
pesquisa, é preciso ter em mente duas 
coisas:
1ª – Trata-se de um texto de natureza 
acadêmica. Deve, portanto, seguir 
a norma-padrão, obedecendo 
rigorosamente às regras de uso 
da língua, ao nível formal e à 
impessoalidade.
2ª – Um projeto é uma proposta de 
trabalho. Além de conter todas as 
etapas previstas para a realização da 
pesquisa, deve ser claro e coerente, 
de modo que ao seu leitor não reste 
margem de dúvida sobre a sua 
exequibilidade.
1. O projeto de pesquisa
A pesquisa científica não se baseia na 
observação inocente; é preciso ter ideias 
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio34/200
preconcebidas. Nenhuma investigação 
parte de um olhar aleatório para o 
“cosmos”. Há sempre alguma espécie de 
interesse que motiva o pesquisador a se 
dedicar a algo, em detrimento das demais 
abordagens possíveis. 
Assim, antes de propor uma atividade de 
investigação científica, é fundamental 
delimitar com clareza o tema que se deseja 
pesquisar.
Segundo Selltiz (1965, p. 33-34), “o tema 
geral de um estudo pode ser sugerido por 
alguma vantagem prática ou interesse 
cientifico ou intelectual em benefício 
dos conhecimentos sobre certa situação 
particular”. Ou seja, a escolha do tema está 
relacionada ao interesse do investigador 
e às vantagens que os resultados daquela 
pesquisa trazem à sociedade em geral e à 
comunidade científica em particular.
Delimitar o tema permite estabelecer o 
recorte necessário para propor o problema 
de pesquisa. É fundamental, portanto, 
primeiramente, buscar o maior número 
de informações possível sobre o tema 
selecionado, de modo a evitar propor uma 
investigação que não traga contribuições 
relevantes, seja pela quantidade de 
trabalhos realizados anteriormente, seja 
por resvalar no óbvio, seja por não se tratar 
de um tema que necessite de atualizações, 
ou mesmo para evitar deter-se em 
detalhes que não têm importância.
Dessa forma, é imprescindível realizar 
um levantamento prévio da bibliografia 
disponível sobre o tema, buscando 
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio35/200
informações em bibliotecas, sites e outras 
bases de dados que disponibilizem textos 
científicos (livros, capítulos de livros, 
artigos, e resenhas) que tratam em alguma 
medida do tema selecionado.
Há ainda a necessidade de garantir 
que o tema (ou assunto) escolhido 
seja proporcional em suas partes, ou 
seja, passível de se verificar com os 
instrumentos disponíveis ao pesquisador. 
É preciso que não seja demasiadamente 
extenso nem muito restrito e que tenha 
valor científico (interesse à comunidade 
acadêmica), além de, obviamente, ser 
exposto de forma clara e coerente.
Portanto, durante a delimitação do tema, 
é importante considerar aspectos como 
a inovação, a atualização e a utilidadedaquilo que se pretende investigar, bem 
como a pertinência e a exequibilidade da 
pesquisa.
1.1 A estrutura
Como foi dito, o projeto de pesquisa é uma 
espécie de roteiro. É um documento destinado 
a propor organizadamente cada um dos 
passos do pesquisador. Deve, portanto, partir 
de um problema de pesquisa, ou seja, de uma 
pergunta a ser feita a partir de um tema que 
se deseja estudar.
Qualquer questão não resolvida e que dá 
margem à discussão, em qualquer domínio 
do conhecimento, pode ser transformada 
em um problema de pesquisa.
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio36/200
Exemplos de problemas científicos:
a. Qual é a composição da atmosfera de 
Vênus?
b. Será que a propaganda de cigarro 
induz ao hábito de fumar?
Como se sabe, a ciência não investiga 
apenas fatos, mas dúvidas que são 
levantadas a partir de determinados fatos.
O problema de pesquisa pode ter motivações 
de ordem prática ou intelectual. Os de ordem 
prática são aqueles cujas respostas podem 
subsidiar determinadas ações ou predizer 
acontecimentos para planejar ações. Já os de 
ordem intelectual são voltados à exploração 
de objetos ou saberes pouco conhecidos ou 
pouco explorados especificamente, ou para a 
descrição de determinados fenômenos.
Em ambos os casos, na maioria das vezes 
o problema de pesquisa resulta ou dos 
valores sociais do pesquisador (ligados a 
seus interesses ou posturas investigativas) 
ou dos incentivos sociais disponíveis (editais 
que divulgam subsídios para pesquisas em 
determinadas áreas), ou de ambos.
Assim, definido o tema, o primeiro passo é 
responder a um “o que fazer?”.
Um problema de investigação delimitado 
expressa a possível relação entre, no 
mínimo, duas variáveis conhecidas.
É preciso que se considerem as seguintes 
premissas:
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio37/200
• Pergunta inteligente = que indique possíveis caminhos para o pesquisador.
• Imaginação criativa + conhecimento disponível.
De acordo com Kerlinger (1980, p. 35): “Um problema é uma questão que pergunta como as 
variáveis estão relacionadas”. 
Em seguida, o projeto deverá apresentar os seus objetivos gerais e específicos, ou seja, será 
necessário expor pontualmente a meta que o pesquisador deseja atingir. Isso se faz primeiramente, 
de maneira mais ampla, explicando aonde se deseja chegar com a discussão proposta e, em seguida, 
de maneira mais pontual, elencando os itens que compõem o problema de pesquisa.
Após explanar o que se deseja pesquisar e atingir, é necessário expor a contribuição dessa pesquisa 
para o universo acadêmico. Essa explicação denomina-se justificativa.
Na sequência, devem ser redigidas as hipóteses. Por hipótese, entende-se uma possível explicação 
para o problema de pesquisa que norteará todo o processo de investigação, sugerindo possíveis 
relações entre os fenômenos que se está estudando.
Trata-se, portanto, de expor conjecturas que permitam ao pesquisador seguir em determinadas 
direções.
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio38/200
Convém que, a partir da exposição das 
hipóteses, seja redigida uma condensação, 
uma espécie de resenha, que apresente 
alguns dos textos teóricos que oferecerão 
sustentação para a reflexão proposta, 
relacionando-os à abordagem que se 
pretende realizar. Esta parte do projeto 
denomina-se fundamentação teórica.
A partir da exposição desses primeiros 
elementos, com os quais se expõe claramente 
o que se deseja pesquisar e em qual direção 
seguir, deve-se construir um plano de 
trabalho, que irá apresentar um cronograma 
no qual se deve prever quanto tempo será 
destinado para o cumprimento de cada etapa 
do trabalho. 
Em seguida, deve-se explanar a forma como 
serão tratadas as variáveis na pesquisa. Mas 
o que são variáveis?
Segundo José Carlos Köche, são 
[...] aqueles aspectos, 
propriedades, características 
individuais ou fatores 
mensuráveis ou parcialmente 
mensuráveis, através dos 
diferentes valores que 
assumem, discerníveis em 
um objeto de estudo, para 
testar a relação enunciada 
em uma proposição (2009, p. 
112).
Ou seja, as variáveis são o escopo do 
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio39/200
trabalho, as diferentes informações com as 
quais se pretende lidar durante a pesquisa.
Apresentado o escopo do trabalho, por 
meio da identificação das variáveis que 
serão trabalhadas, ou seja, do recorte 
proposto, deve-se descrever os métodos 
de coleta e análise de dados, ou seja, 
redigir um item denominado metodologia, 
destinado a explicitar a forma como serão 
levantados e interpretados os dados 
necessários para a realização da pesquisa.
2. Etapas da pesquisa
Com base nas orientações expostas no 
tema anterior, você poderá organizar o seu 
projeto de pesquisa a partir, por exemplo, 
das etapas a seguir:
• Escolha do tema.
• Formulação do problema.
• Revisão de literatura.
• Justificativa.
• Objetivos gerais e específicos.
• Fundamentação teórica.
• Metodologia (coleta e tabulação de 
dados).
• Análise e discussão dos resultados.
• Conclusão da análise dos resultados.
• Redação e apresentação do trabalho 
científico. 
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio40/200
A revisão da literatura 
Como foi dito anteriormente, logo após 
a delimitação do tema, é necessário 
estabelecer um levantamento sistemático 
do que já foi publicado a respeito dele. Este 
levantamento denomina-se revisão da 
literatura. Ao realizá-la, deve-se levar em 
consideração o que já foi publicado sobre 
o assunto e por quem, quais aspectos já 
foram abordados e as lacunas existentes 
na literatura. 
A revisão de literatura é muito importante, 
já que fornecerá elementos que evitem a 
duplicação de pesquisas sobre o mesmo 
enfoque do tema e favorecerá a definição 
de contornos mais precisos do problema a 
ser estudado.
A justificativa
Trata-se da etapa em que se pergunta 
sobre o “porquê” da realização da 
pesquisa, procurando identificar as razões 
da preferência pelo tema escolhido e sua 
importância em relação a outros temas. 
Pergunte-se sobre a relevância do tema e 
qual a razão dessa relevância, se houver. 
Procure saber quais os pontos positivos na 
abordagem proposta, bem como quais as 
vantagens e benefícios que sua pesquisa 
irá proporcionar.
A justificativa deverá convencer o leitor 
do projeto da importância e relevância da 
pesquisa proposta.
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio41/200
Os objetivos
Trata-se da intenção ao propor a pesquisa: sintetize o que pretende alcançar com a pesquisa. 
Os objetivos devem estar coerentes com a justificativa e o problema proposto. 
a. Objetivo geral: síntese do que se pretende alcançar;
b. objetivos específicos: explicitarão os detalhes e serão um desdobramento do objetivo 
geral.
Os objetivos informarão para que você está propondo a pesquisa, isto é, quais os resultados 
que pretende alcançar ou qual a contribuição que sua pesquisa irá efetivamente proporcionar.
Metodologia
Definirá o tipo de pesquisa, o universo da pesquisa, a amostragem, os instrumentos de coleta 
de dados e a forma como o pesquisador pretende tabular e analisar seus dados.
Universo da pesquisa = a totalidade de indivíduos que possuem as mesmas 
características definidas para um determinado estudo.
Amostra = parte da população ou do universo, selecionada de acordo com uma regra 
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio42/200
ou plano. A amostra pode ser 
probabilística e não probabilística.
Análise e discussão dos 
resultados
Nessa etapa, você interpretará e analisará 
os dados que tabulou e organizou naetapa 
anterior. A análise deve ser feita para 
atender aos objetivos da pesquisa e para 
comparar e confrontar dados e provas 
com o objetivo de confirmar ou rejeitar 
a(s) hipótese(s) ou os pressupostos da 
pesquisa.
Redação e apresentação do 
trabalho científico
Nessa etapa, o pesquisador deverá redigir 
seu relatório de pesquisa: artigo, TCC, 
dissertação ou tese.
Azevedo (1998, p. 22) argumenta que 
o texto deverá ser escrito de modo 
apurado, isto é, “gramaticalmente 
correto, fraseologicamente claro, 
terminologicamente preciso e 
estilisticamente agradável”. 
As normas de documentação da 
Associação Brasileira de Normas Técnicas 
(ABNT) deverão ser consultadas visando à 
padronização das indicações bibliográficas 
e à apresentação gráfica do texto. 
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio43/200
As normas e orientações do próprio curso de pós-graduação também deverão ser consultadas.
 
Para saber mais
Para aprofundar seus conhecimentos na prática de redação do projeto de pesquisa, 
cumprindo as exigências de normalização (formatação) estabelecidas pela ABNT, 
consulte o artigo:
<http://www.tecmundo.com.br/tutorial/59480-aprenda-usar-normas-abnt-trabalhos-academicos.
htm>
Leia também o Redação Científica, de João Bosco Medeiros (Atlas, 2006), e aprofunde-se 
nos conceitos que envolvem cada uma das etapas de elaboração do projeto.
Link (2)
<http://www.puc-rio.br/sobrepuc/admin/vrac/plagio.html>. Acesso em: maio 2015.
<https://www.youtube.com/watch?v=x8UrA1fX754>. Acesso em: maio 2015.
http://www.tecmundo.com.br/tutorial/59480-aprenda-usar-normas-abnt-trabalhos-academicos.htm
http://www.tecmundo.com.br/tutorial/59480-aprenda-usar-normas-abnt-trabalhos-academicos.htm
http://www.puc-rio.br/sobrepuc/admin/vrac/plagio.html
https://www.youtube.com/watch?v=x8UrA1fX754
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio44/200
3. Plágio
Plágio é a reprodução de qualquer propriedade intelectual sem a correta citação da autoria.
O plágio no universo acadêmico caracteriza-se pela citação de ideias, frases, textos completos 
ou fragmentos de livros, revistas, internet etc., sem o mencionar corretamente o autor que o 
divulgou/publicou.
Comete-se plágio ao pesquisar uma fonte de dados bibliográfica e reproduzi-la em seu 
trabalho sem lhe dar o devido crédito, sem citar o seu autor como fonte de pesquisa. Trata-se 
de uma violação dos direitos autorais de outrem. Tal atitude tem implicações cíveis e penais. 
E o “desconhecimento da lei” não serve de desculpa, pois a lei é pública e explícita. 
Na universidade, espera-se que o aluno seja capaz de formular as próprias ideias, ainda que 
em articulação, veiculando-as com pesquisas realizadas em fontes publicadas.
A habilidade de articular as próprias ideias com aquelas oriundas das fontes que compõem 
o instrumental teórico e o escopo da pesquisa é essencial para demonstrar amadurecimento 
intelectual e é, portanto, critério para a avaliação que os docentes farão desse pesquisador.
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio45/200
Tipos de plágio
Garschagen (2006) aponta, pelo menos, 
três tipos de plágio: 
Integral: o “engano” de copiar literalmente 
o trabalho de alguém.
Parcial: que ocorre quando o trabalho 
é um “mosaico” formado por cópias de 
parágrafos e frases de autores diversos, 
sem mencionar suas obras.
Conceitual: a utilização da ideia do 
autor escrevendo de outra forma, porém, 
novamente, sem citar a fonte original.
A propriedade intelectual, em qualquer 
de suas formas, é protegida por lei. De 
acordo com o Ministério da Cultura 
(MinC), a propriedade intelectual “lida 
com os direitos de propriedade das coisas 
intangíveis oriundas das inovações e 
criações da mente”.
Implicações legais:
Código Civil: Art. 524 “a lei assegura ao 
proprietário o direito de usar, gozar e dispor 
de seus bens, e de reavê-los do poder de 
quem quer que, injustamente, os possua”.
Código Penal: Crime contra o Direito 
Autoral, previsto nos Artigos 7, 22, 24, 33, 
101 a 110, e 184 a 186 (direitos do autor 
formulados pela Lei 9.610/1998) e 299 
(falsidade ideológica).
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio46/200
 
Para saber mais
Para saber mais sobre as etapas da pesquisa científica e a elaboração do 
projeto de pesquisa, leia: Como elaborar projetos de pesquisa, de A. C Gil, 
presente nas referências bibliográficas desta aula.
Conheça as regras de normalização de trabalhos acadêmicos consultando as 
NBRs da ABNT:
ASSOCIAÇÃO Brasileira de Normas Técnicas. NBR 14724: informação e 
documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro, 2011.
______. NBR 6022: Apresentação de artigos em publicações periódicas. Rio de 
Janeiro, 2003.
______. NBR 6024: informação e documentação: numeração progressiva das 
seções de um documento escrito: apresentação. Rio de Janeiro, 2003.
______. NBR 10520: informação e documentação: citações em documentos: 
apresentação. Rio de Janeiro, 2002.
______. NBR 6023: informação e documentação: referências: elaboração. Rio 
de Janeiro, 2002.
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio47/200
Glossário
Escopo: espaço, gama ou limite de operações. Intenção, alvo.
Exequibilidade: característica do que é exequível, ou seja, passível de ser executado. 
A exequibilidade é a possibilidade de executar o que se pretende, considerando-se o 
contexto e as ferramentas disponíveis.
Variável: elemento básico a que se podem atribuir diferentes valores e que entra na 
composição de um conjunto.
Questão
reflexão
?
para
48/200
O projeto de pesquisa é uma etapa essencial para a 
redação de um artigo científico. A partir das etapas 
descritas e da importância de não se cometer o 
plágio, procure refletir sobre as características formais 
necessárias para a redação adequada de um texto dessa 
natureza.
49/200
Considerações Finais
O projeto de pesquisa é, como se viu, um subgênero dentro do gênero texto científico. 
Possui características específicas, uma vez que deve atender estruturalmente à 
necessidade de proposição de uma investigação na esfera acadêmica.
Além de exigir o cumprimento das regras de uso da modalidade formal e padrão 
da escrita, exige, por parte do redator, clareza, concisão e o cumprimento de cada 
uma das etapas descritas nesta aula. Por fim, para garantir a qualidade do projeto, é 
imprescindível respeitar os direitos autorais, realizando a correta citação de fontes de 
informação e evitando o plágio.
Unidade 2 • O planejamento do trabalho acadêmico: a delimitação do tema, as etapas da pesquisa e o plágio50/200
Referências 
AZEVEDO, Israel Belo de. O prazer da produção científica. 7. ed. Piracicaba: UNIMEP, 1999.
GARSCHAGEN, B. Universidade em tempos de plágio. 2006. Disponível em: <http://
observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=366ASP006>. Acesso em: 13 jun. 
2015.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2008.
KÖCHE, J. C. Fundamentos de metodologia científica: teoria da ciência e iniciação à pesquisa. 
26. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, 
2007.
MEDEIROS, João Bosco. Redação científica. São Paulo: Atlas, 2006.
SELLTIZ et al. Métodos de Pesquisa nas Relações Sociais. São Paulo, EPU, 1965. 
51/200
Assista a suas aulas
Aula 2 - Tema: O Planejamento do trabalho 
acadêmico: A delimitação do tema, as etapas 
da pesquisa e o plágio – Bloco I
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f-
1d/8a3aa2c23c2d4a4a0a3056c517586f49>.
Aula 2 - Tema: O Planejamento do trabalho 
acadêmico: A delimitação do tema, as etapas 
da pesquisa e o plágio – Bloco II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ce-
f650a71df89decc6ae022067b9117e>. 
http://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/8a3aa2c23c2d4a4a0a3056c517586f49
http://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/8a3aa2c23c2d4a4a0a3056c517586f49
http://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/8a3aa2c23c2d4a4a0a3056c517586f49
http://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/cef650a71df89decc6ae022067b9117e
http://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/cef650a71df89decc6ae022067b9117e
http://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/cef650a71df89decc6ae022067b9117e
52/200
1. No universo da redação científica, a principal função do projeto de 
pesquisa é:
a) apresentar os resultados obtidos;
b) ser uma ferramenta precisa de coleta de dados;
c) divulgar para a comunidade acadêmica o que já foi publicado sobre determinado tema;
d) propor uma pesquisa científica, explicitando cada uma das etapas que se pretende 
cumprir;
e) ser uma ferramenta inovadora para a análise dos dados.
Questão 1
53/200
2. Em relação à delimitação do tema, é possível afirmar que:
a) tema e problema são a mesma coisa;
b) a viabilidade e exequibilidade não são relevantes;
c) a inovação, utilidade e atualização são aspectos a serem considerados;
d) nem todo tema deve, necessariamente, contribuir para o pensamento científico;
e) não há necessidade de levantar a bibliografia já existente sobe o tema; isso será feito 
durante a pesquisa.
Questão 2
54/200
3. Um problema de pesquisa é:
a) uma questão resolvida da qual se discorda;
b) a resposta a uma questão que se deseja estudar;
c) algo que independe da curiosidade do pesquisador ou de subsídios preexistentes;
d) uma parte opcional na redação do projeto;
e) uma pergunta a ser feita a partir de um tema que se deseja estudar.
Questão 3
55/200
4. Por hipótese entende-se uma possível explicação para o problema de 
pesquisa. Portanto, é correto afirmar que:
a) as hipóteses expõem conjecturas que permitem ao pesquisador seguir em determinadas 
direções;
b) as hipóteses são parte facultativa do projeto de pesquisa;
c) as hipóteses não devem ser comprovadas na análise de dados, sob o risco de se cometer 
plágio;
d) as hipóteses buscam responder aos questionamentos presentes na bibliografia preliminar;
e) as hipóteses funcionam como um contra-argumento à justificativa.
Questão 4
56/200
5. Sobre o plágio, só é incorreto afirmar que:
a) comete-se plágio ao pesquisar uma fonte de dados bibliográfica e reproduzi-la em seu 
trabalho sem lhe dar o devido crédito;
b) a propriedade intelectual, em qualquer de suas formas, é protegida por lei;
c) ao alegar o desconhecimento da lei, o autor do plágio pode conseguir atenuar a 
penalidade imposta a quem comete este tipo de crime;
d) na universidade, espera-se do aluno que este seja capaz de formular as próprias ideias;
e) o plágio parcial ocorre quando o trabalho é um “mosaico” formado por cópias de 
parágrafos e frases de autores diversos, sem mencionar suas obras.
Questão 5
57/200
Gabarito
1. Resposta: D.
o projeto de pesquisa é o texto destinado 
a apresentar um roteiro de investigação 
que se deseja realizar a um orientador, 
departamento ou agência de fomento.
2. Resposta: C.
quando se delimita um tema de pesquisa, 
é muito importante considerar o que já 
foi publicado sobre ele, de modo a avaliar 
a questão da inovação na abordagem 
do tema, bem como a necessidade de 
atualização. Além disso, é importante 
refletir sobre a utilidade desse tema no 
universo da pesquisa acadêmica, já que 
determinados temas, embora curiosos, não 
contribuem diretamente para a construção 
de saberes.
3. Resposta: E.
o problema de pesquisa é a pergunta a 
respeito do tema escolhido que norteará 
todo o percurso da investigação.
4. Resposta: A.
as hipóteses são as respostas possíveis, 
inferidas, que são levantadas a partir 
do problema de pesquisa e indicam o 
direcionamento que a pesquisa receberá.
5. Resposta: C.
não há qualquer atenuante para a 
58/200
alegação de desconhecimento por parte 
do autor do plágio. Independentemente 
do conhecimento prévio acerca da obra 
plagiada, ao não citar o seu autor original, 
configura-se o desrespeito aos direitos 
autorais.
Gabarito
59/200
Unidade 3
O processo de seleção das referências bibliográficas
Objetivos
a. Definir as diferentes fontes de informação;
b. entender as diretrizes de pesquisa bibliográfica;
c. explorar técnicas de levantamento e interpretação de textos.
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas60/200
1 O que são fontes de 
informação e como selecioná-
las
No universo da redação acadêmica, é 
imprescindível ter em mente que os dados 
a serem apresentados e analisados devem 
sempre ser originados de um universo 
tangível, ou seja, não se pode especular 
ou inferir simplesmente, conduzindo a 
argumentação sem o apoio de informações 
extraídas de dados empíricos. É preciso 
que a abordagem do tema parta de 
informações concretas, colhidas em fontes 
confiáveis de informação.
Nesse sentido, jamais se devem inserir 
em um texto científico dados cuja origem 
não seja mencionada ou não possa ser 
comprovada. Daí, inclusive, a exigência da 
correta referência bibliográfica em cada 
citação realizada, pois ao referir-se com 
exatidão à obra e autor dos quais se origina 
o dado mencionado, além de preservar os 
direitos autorais, o pesquisador permite 
aos seus leitores irem às obras citadas para 
conferirem os dados e ampliarem a sua 
leitura.
Se você deseja citar uma notícia veiculada 
em um jornal impresso ou site, por 
exemplo, para que ela fundamente ou 
reforce os seus argumentos, é essencial 
que a sua origem seja mencionada com 
precisão.
Ter esse cuidado significa, neste primeiro 
momento, não apenas evitar que dados 
falaciosos sejam divulgados, mas, 
principalmente, garantir a seriedade 
de seu texto, demonstrando a lisura na 
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas61/200
abordagem do tema e no desenvolvimento 
do problema que resultam de selecionar 
adequadamente os dados.
Existem diferentes fontes de dados, assim 
como inúmeras ferramentas de coleta 
e análise. De todo modo, o percurso da 
pesquisa que resultará no texto científico 
tem início com a leitura do que já foi 
publicado acerca do tema selecionado, seja 
em fontes impressas (livros e periódicos) ou 
digitais.
1.1 A pesquisa bibliográfica
O primeiro passo para estruturar um texto 
que propõe ou divulga uma pesquisa 
científica deve ser levantar e avaliar o que 
já foi publicado sobre o tema escolhido 
e, mais especificamente, quais os dados 
textuais disponíveis para subsidiar 
teoricamente o problema de pesquisa 
proposto.
Assim, o principal objetivo de uma 
pesquisa bibliográfica – aquela cujos dados 
são oriundos de fontes publicadas – é 
levantar um histórico sobre o tema para, 
em seguida, obter informações atualizadas 
sobre o que se deseja pesquisar.
Isso significa consultar bases de dados, 
bibliotecas (físicas e virtuais) e referências 
bibliográficas presentes em trabalhos 
publicados, selecionando obras e volumes 
que possam estar relacionados ao tema.
Após o levantamento das fontes de dados 
bibliográficas que permitem avaliar o 
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas62/200
status do tema pesquisado no universo 
acadêmico e a seleção das obras que 
melhor podem embasar a discussão 
proposta pelo problema de pesquisa, a 
leitura dos dados bibliográficos pode 
também indicar as respostas ao problema, 
ou seja, pode também ser fonte para 
a confirmação ou não das hipóteses, 
levantando contradições ou reiterando o 
posicionamento do pesquisador.
Quanto maior, mais coerente e exata for a 
base de dados bibliográficos que corroboraas hipóteses, melhor e mais fundamentada 
será a pesquisa. Ainda assim, um trabalho 
bem elaborado leva em consideração 
argumentos que refutam a hipótese, 
expondo-os e estabelecendo, assim, uma 
discussão consistente.
Outra importante função do levantamento 
bibliográfico é evitar a repetição de 
trabalhos já realizados, permitindo ao 
pesquisador a proposição de um novo 
recorte ou abordagem do escopo quando 
o problema original já estiver saturado 
de publicações e não necessitar de 
atualizações.
Por fim, cabe ressaltar a importância das 
fontes bibliográficas como subsídios 
para a redação do texto científico, 
sobretudo quando oferecem argumentos 
de autoridade, extraídos de autores 
consagrados nos campos do saber 
elencado para a pesquisa em questão.
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas63/200
1.2 Tipos de fontes bibliográfi-
cas
Como você viu, a pesquisa bibliográfica 
é aquela cuja fonte de dados são textos 
publicados. Tais publicações podem ser de 
diferentes tipos, desde os livros completos, 
capítulos de livros, artigos publicados em 
periódicos científicos, revistas, jornais até 
sites e portais. Seja qual for a plataforma 
que divulga os textos dessa natureza, a 
depender da originalidade das informações 
que eles apresentam, são divididos em três 
categorias:
Fontes primárias são aquelas que contêm 
trabalhos originais, cujo conhecimento 
é original. Além disso, são aquelas 
publicadas pela primeira vez pelos autores. 
Podem ser livros, periódicos, artigos, 
jornais etc.
Já as fontes secundárias contêm trabalhos 
não originais e que basicamente citam, 
revisam e interpretam trabalhos originais: 
são resumos, traduções, resenhas, por 
exemplo.
As fontes terciárias são as que contêm 
índices categorizados de trabalhos 
primários e secundários, com ou sem 
resumo: são os estudos recapitulativos.
1.3 Fases da pesquisa 
bibliográfica
Ao dar início à coleta de dados por meio 
da fonte bibliográfica, o pesquisador 
deve seguir algumas etapas que, findo o 
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas64/200
percurso, colaborarão bastante para a estrutura do texto científico que resultará dela.
Para tanto, incialmente, é fundamental determinar os objetivos da pesquisa: tratar-se-á de 
uma investigação sobre o que já foi publicado acerca do tema, um levantamento das teorias 
disponíveis para embasar a análise de dados, um levantamento de dados publicados acerca do 
escopo do trabalho, ou todas essas possibilidades combinadas?
Uma vez determinados os objetivos, o pesquisador deverá elaborar um plano de trabalho, no 
qual sistematize o material com o qual pretende trabalhar, os prazos e os estilos de leitura de 
cada fonte. 
A seguir, será necessário identificar e localizar as fontes para obter o material que fornecerá 
os dados, ou seja, as publicações. Para tanto, é importante estar atento aos detalhamentos 
de cada publicação, como editora, coleção (quando houver), ano, edição etc., pois muitas 
obras sofrem alterações e atualizações, tanto gráficas quanto de conteúdo, de modo que as 
referências bibliográficas devem estar sempre precisamente relacionadas aos textos que de 
fato forem consultados. Da mesma maneira, materiais recolhidos de fontes digitais, sobretudo 
on-line, estão sujeitos a alterações e deslocamentos, de modo que as datas de acesso devem 
sempre constar nas referências, assim como as URLs completas, para garantir a posterior 
localização exata do texto-fonte.
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas65/200
Feito isso, inicia-se o percurso de leitura, 
que vem a ser a pesquisa bibliográfica em 
si.
De acordo com Lima e Mioto (2007, p. 
41), Salvador (1986) orienta que sejam 
realizadas leituras sucessivas do material 
para obter as informações e/ou dados 
necessários em cada momento da 
pesquisa, identificando-as como:
• Leitura de reconhecimento do 
material bibliográfico: leitura rápida 
que tem o objetivo de localizar e 
selecionar o material que pode 
apresentar informações e/ou dados 
referentes ao tema. Trata-se do 
momento de incursão em bibliotecas 
e bases de dados computadorizadas 
para a localização de obras 
relacionadas ao tema.
• Leitura exploratória: é também uma 
leitura rápida, mas seu objetivo é 
verificar se as informações e/ou 
dados selecionados interessam 
de fato para o estudo; requer 
conhecimento sobre o tema, domínio 
da terminologia e habilidade no 
manuseio das publicações científicas. 
É o momento da leitura dos sumários 
e de manuseio das obras para 
verificar a existência das informações 
que respondem aos objetivos 
propostos.
• Leitura seletiva: é a que procura 
selecionar o material que de 
fato interessa, relacionando-o 
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas66/200
diretamente aos objetivos da 
pesquisa. Momento de seleção das 
informações e/ou dados pertinentes e 
relevantes, quando são identificadas 
e descartadas as informações e/ou 
dados secundários.
• Leitura reflexiva ou crítica: é o estudo 
crítico do material, orientado por 
critérios determinados a partir do 
ponto de vista do autor da obra, 
tendo como finalidade ordenar 
e sumarizar as informações ali 
contidas. É a leitura realizada nos 
textos escolhidos como definitivos 
e busca responder aos objetivos 
da pesquisa. Trata-se do momento 
de compreensão das afirmações e 
justificativas do autor.
• Leitura interpretativa: é o momento 
mais complexo e tem por objetivo 
relacionar as ideias expressas na obra 
com o problema para o qual se busca 
resposta. Implica a interpretação 
das ideias do autor, acompanhada 
de uma inter-relação dessas com o 
propósito do pesquisador. Requer 
um exercício de associação de 
ideias, transferência de situações, 
comparação de propósitos, liberdade 
de pensar e capacidade de criar. O 
critério norteador nesse momento é o 
propósito do pesquisador.
A partir da realização desses diferentes 
estilos de leitura do material, o pesquisador 
escolhe as ferramentas que melhor 
sistematizarão os dados colhidos, que 
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas67/200
podem ser a tomada de apontamentos, a 
confecção de fichas, resumos e resenhas 
que, finalmente, apoiarão redação do 
trabalho acadêmico.
2. A seleção bibliográfica
A pesquisa bibliográfica parte de um 
procedimento que deve ser criterioso: a sua 
seleção. Do universo de obras disponíveis, 
é necessário filtrar aquelas que, de fato, 
podem contribuir para o desenvolvimento 
da pesquisa, tanto do ponto de vista da 
fundamentação teórica quanto da oferta 
de dados.
Como você viu, antes de começar a ler, é 
essencial elaborar um roteiro de trabalho. 
Ele funcionará como uma primeira 
estrutura do seu texto, com base nas 
reflexões resultantes dos vários aspectos 
que podem apresentar o problema de 
pesquisa. Tais reflexões nortearão as 
leituras, pois, sem uma ideia-diretriz, a 
estrutura não se sustenta.
Portanto, antes de começar a ler a 
bibliografia, é preciso ter em mente as 
grandes linhas que serão os pilares do 
trabalho.
Esses pilares surgem, em geral, da intuição 
do próprio pesquisador, ou são sugeridos 
pela tese a ser defendida, a partir do 
problema, de sugestões do orientador ou 
de estudos anteriores.
São essas ideias – ou pilares – que 
funcionam como caminhos, como 
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas68/200
elementos que devem ser aproveitados na 
composição do trabalho.
O roteiro é chamado de “provisório”, pois 
será reformulado ao longo da pesquisa, já 
que novas ideias tendem a surgir e algumas 
antigas podem perder a força.
O plano definitivo só se estabelece ao 
fim da pesquisa, após a seleção dos 
materiais que de fato contribuem para o 
desenvolvimento da análise pretendida.
2.1 Bibliografia técnica e 
especial
O objetivo da seleção técnica da 
bibliografia é a descrição e a classificação 
de livros e documentos similares, segundo 
critérios como autor, gênero, conteúdo,data etc., por meio dos quais é possível 
levantar as obras que atendem ao escopo.
Dessa técnica, originam-se os boletins, 
repertórios e catálogos bibliográficos. 
São eles o ponto de partida para elaborar 
a bibliografia no âmbito do plano de 
trabalho. 
A partir da seleção técnica, é possível 
localizar as obras que especificamente dão 
conta da discussão proposta. Trata-se de 
uma escolha criteriosa, daí chamar-se a 
bibliografia de especial.
As obras oriundas dessa técnica são 
especializadas no levantamento de 
publicações, tanto em áreas restritas 
quanto determinadas.
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas69/200
2.2 As bases de dados
As bases de dados referenciais listam 
referências bibliográficas de determinados 
assuntos, cujo conteúdo abrange a 
descrição dos dados dos artigos de 
periódicos. Geralmente, incluem somente 
o resumo do artigo.
As bases de dados textuais são aquelas 
que, além de incluir todas as informações 
dadas numa base referencial, dão acesso 
imediato ao texto completo do artigo, 
tais como as bases Scielo, Lilacs, Portal da 
Capes, Ovid.
2.3 Localização das fontes
Após a etapa da pesquisa que levanta o 
material bibliográfico, é preciso localizar 
e obter o documento recuperado. Esse 
material pode ser obtido de diversas 
maneiras: 
a. serviço on-line: o artigo;
b. bibliotecas: a revista e o livro;
c. sistema de empréstimo entre 
bibliotecas (EEB) 
d. separata: junto a colega ou 
orientador 
e. pedido on-line (Comut).
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas70/200
 
Para saber mais
Para saber mais sobre a pesquisa bibliográfica como fonte de informações, leia 
Metodologia do trabalho científico, de Antônio Joaquim Severino (Cortez, 2000), 
especialmente o capítulo III.
Leia também o Como elaborar projetos de pesquisa, de Antônio Carlos Gil 
(Atlas, 2002), com especial atenção ao item 4.3.
Links
<http://www.scielo.br/pdf/rk/v10nspe/a0410spe>. Acesso em: maio 2015.
<http://www.portaleducacao.com.br/administracao/artigos/34257/tipos-fontes-e-formas-de-
coletas-de-dados>. Acesso em: maio 2015.
http://www.scielo.br/pdf/rk/v10nspe/a0410spe
http://www.portaleducacao.com.br/administracao/artigos/34257/tipos-fontes-e-formas-de-coletas-de-dados
http://www.portaleducacao.com.br/administracao/artigos/34257/tipos-fontes-e-formas-de-coletas-de-dados
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas71/200
Glossário
Empírico: baseado na experiência e na observação.
Inferir: concluir, deduzir.
Refutam: que constestam, desmentem, negam.
Tangível: tocável, alcançável, suficientemente claro ou definido para ser percebido ou 
entendido.
Questão
reflexão
?
para
72/200
Com base nas informações apresentadas sobre a etapa da 
pesquisa bibliográfica, estabeleça uma relação concreta entre a 
leitura e o desenvolvimento de um artigo científico.
73/200
Considerações Finais
Como você viu, não é possível iniciar uma reflexão científica sem estar 
familiarizado com a pesquisa bibliográfica. Essa é uma etapa essencial 
não apenas por oferecer os dados que, num primeiro momento, podem ser 
utilizados como fontes para a análise que pretende responder ao problema 
de pesquisa, mas, sobretudo, por ser a etapa que dá início ao plano de 
trabalho, por meio da qual é possível verificar o cenário atualizado no 
qual o pesquisador deverá se inserir, além de oferecer as bases teóricas e 
metodológicas para o estabelecimento da análise.
Unidade 3 • O processo de seleção das referências bibliográficas74/200
Referências 
GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
LAKATOS, E.M.; MARCONI, M. A. Fundamentos da metodologia científica. 4. ed. São Paulo: 
Atlas, 2001.
LIMA, T.; MIOTO, R. Procedimentos metodológicos na construção do conhecimento científico: a 
pesquisa bibliográfica. Revista Katálysis. Florianópolis, v. 10, n. esp., p. 37-45, 2007.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 2007.
75/200
Aula 3 - Tema: Processo de Seleção das 
Referências Bibliográficas – Bloco I
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f-
1d/2b9cfc63e6e449cba047f463d9a05c98>.
Aula 3 - Tema: Processo de Seleção das 
Referências Bibliográficas – Bloco II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-
piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/43f-
59c3df8c551defe81603420487036>. 
Assista a suas aulas
http://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/2b9cfc63e6e449cba047f463d9a05c98
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http://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/43f59c3df8c551defe81603420487036
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76/200
1. Em relação à seleção de dados baseada na pesquisa bibliográfica, só é 
correto afirmar que:
a) as fontes bibliográficas só oferecem dados secundários. Os dados primários devem ser 
colhidos em pesquisas de campo e estudos de caso;
b) as fontes bibliográficas em papel oferecem dados empíricos e as digitais dão conta das 
teorias e métodos;
c) jamais se devem inserir em um texto científico dados cuja origem não seja mencionada ou 
não possa ser comprovada;
d) para a confecção de um artigo científico, a pesquisa bibliográfica é opcional;
e) os dados publicados em livros e outros materiais não necessitam de atualizações.
Questão 1
77/200
2. Qual o primeiro passo para estruturar um texto que propõe ou divulga 
uma pesquisa científica?
a) Redigir o projeto.
b) Estruturar o questionário para levantamento de dados na pesquisa de campo.
c) Redigir o artigo científico.
d) Levantar e avaliar o que já foi publicado sobre o tema.
e) Checar as hipóteses.
Questão 2
78/200
3. Assinale a única alternativa incorreta no que se refere à coleta e análise 
de dados de fontes bibliográficas:
a) Quanto maior, mais coerente e exata for a base de dados bibliográficos que corrobora as 
hipóteses, melhor e mais fundamentada será a pesquisa.
b) A pesquisa bibliográfica é aquela cuja fonte de dados são textos publicados. 
c) Livros completos ou capítulos, artigos publicados em periódicos científicos, revistas, 
jornais, sites e portais são exemplos de dados bibliográficos.
d) Outra importante função do levantamento bibliográfico é evitar a repetição de trabalhos 
já realizados.
e) Materiais recolhidos de fontes digitais, sobretudo on-line, são definitivos e não estão 
sujeitos a alterações e deslocamentos.
Questão 3
79/200
4. Segundo Salvador (1986), a leitura interpretativa:
a) tem por objetivo relacionar as ideias expressas na obra com o problema para o qual se 
busca resposta;
b) procura determinar o material que de fato interessa, relacionando-o diretamente aos 
objetivos da pesquisa;
c) é o momento mais complexo e tem por objetivo relacionar as ideias expressas na obra com 
o problema para o qual se busca resposta;
d) é o estudo crítico do material orientado por critérios determinados a partir do ponto de 
vista do autor da obra, tendo como finalidade ordenar e sumarizar as informações ali contidas;
e) consiste em uma leitura rápida que objetiva localizar e selecionar o material que pode 
apresentar informações e/ou dados referentes ao tema.
Questão 4
80/200
5. Em relação às bases de dados, só não é correto afirmar que:
a) o objetivo da seleção técnica da bibliografia é a descrição e a classificação de livros e 
documentos similares, segundo critérios como autor, gênero, conteúdo, data etc.
b) os boletins, repertórios e catálogos bibliográficossão o ponto de partida para elaborar a 
bibliografia no âmbito do plano de trabalho;
c) a partir da seleção técnica, é possível localizar as obras que especificamente dão conta da 
discussão proposta;
d) as obras que se originam na seleção técnica e especial são especializadas no 
levantamento de publicações, tanto em áreas restritas quanto determinadas;
e) a seleção de dados nas fontes bibliográficas não obedece a critérios que especificam 
obras segundo a sua relação com o tema e problema.
Questão 5
81/200
Gabarito
1. Resposta: C.
Sejam dados colhidos em pesquisas 
bibliográficas ou outras fontes, jamais 
se deve deixar de fazer a correta 
referência à sua origem e autoria. A 
alternativa A é incorreta, pois as fontes 
bibliográficas podem oferecer dados 
primários, secundários e terciários. A B é 
incorreta, pois as plataformas (impresso 
ou digital) não interferem na natureza 
dos dados divulgados. A D é incorreta, 
pois nenhuma pesquisa, independente 
do formato do seu relatório final (artigo, 
TCC, monografia, tese), pode ter início sem 
a pesquisa bibliográfica. A E é incorreta, 
pois, independentemente da plataforma 
de divulgação, dados sujeitos ao contexto 
(época, lugar, circunstâncias) são passíveis 
de alterações e a eles cabem atualizações.
2. Resposta: D. 
O primeiro passo, após a escolha do tema, 
é levantar o que há disponível sobre ele 
publicado. Só após essa primeira checagem 
é possível estabelecer objetivos e hipóteses 
a serem checadas. A partir delas, escreve-
se o projeto e, seguidas as etapas da 
pesquisa, redige-se o artigo que divulga os 
resultados.
3. Resposta: E.
Todos os textos divulgados on-line estão 
sujeitos a alterações e descolamentos, 
82/200
que podem ser resultado de migrações 
de hospedagem, redesenho de sites 
e plataformas, atualizações de dados 
ou extinção de páginas. Por isso, é 
imprescindível citar a data de acesso nas 
referências. 
4. Resposta: C.
A leitura interpretativa implica na 
interpretação das ideias do autor, 
acompanhada de uma inter-relação 
dessas com o propósito do pesquisador. 
Requer um exercício de associação 
de ideias, transferência de situações, 
comparação de propósitos, liberdade de 
pensar e capacidade de criar. O critério 
norteador nesse momento é o propósito do 
pesquisador.
5. Resposta: E.
A natureza técnica e especial da seleção 
de dados bibliográfica está diretamente 
relacionada à necessidade de filtrar as 
obras segundo a sua relação com o tema 
proposto.
Gabarito
83/200
Unidade 4
O resumo e a resenha, o fichamento e a paráfrase
Objetivos
a. Apresentar e definir as diferentes técnicas de 
estudo na construção do saber científico: resumo, 
resenha, fichamento e paráfrase;
b. refletir sobre as características de coleta de 
informações;
c. utilizar os recursos necessários para o 
aprimoramento da pesquisa.
Unidade 4 • O resumo e a resenha, o fichamento e a paráfrase84/200
Introdução
Ao longo do processo de pesquisa bibliográfica, chega o momento em que a leitura seletiva, 
ou seja, o processo de identificação e seleção de obras que devem participar da estruturação 
do projeto e, posteriormente, fornecerem reflexões, métodos e dados para o desenvolvimento 
da investigação, demanda o uso de técnicas de registro e organização do montante de 
informações levantadas, de modo que seja possível retornar a elas e aprofundar-se de acordo 
com as necessidades resultantes do andamento do projeto.
Dessa maneira, é essencial criar métodos para registro e organização das leituras realizadas, 
que podem variar de acordo com as especificidades de cada investigação, bem como com o 
perfil do pesquisador.
Assim, este é o momento de você conhecer as principais estratégias de síntese e análise de 
dados bibliográficos.
1. Resumo e Resenha
1.1 O resumo
Partindo-se do princípio de que a memória humana seleciona certas informações e apaga 
outras, num processo de seleção intrinsecamente ligado às motivações que são próprias 
Unidade 4 • O resumo e a resenha, o fichamento e a paráfrase85/200
ao sujeito e de suas características 
pessoais, não se pode apostar na leitura 
apenas como a garantia de absorção e 
armazenamento dos dados que serão 
evocados para a realização da reflexão 
necessária no processo interpretativo que 
compõe a prática de pesquisa.
O resumo é, portanto, uma forma de 
reunir e apresentar por escrito, de maneira 
concisa, coerente e, frequentemente, 
seletiva, as informações básicas de um 
texto preexistente. É a condensação de 
uma situação, cena, fala ou texto escrito, 
pondo-se em destaque os elementos de 
maior interesse e importância.
Pode-se dizer, portanto, que se trata 
do resultado de um processo mental de 
compreensão, desencadeado por meio da 
exposição a uma situação de comunicação.
A finalidade do resumo é, basicamente, 
difundir as informações contidas em livros, 
artigos ou outros documentos, bem como 
auxiliar o(a) estudante e / ou profissional 
nos seus estudos teóricos.
Para realizar um resumo, é necessário 
cumprir algumas etapas:
Todo resumo deve ser precedido da 
completa referência bibliográfica, de modo 
que, ao manuseá-lo, seja sempre simples 
localizar a que obra ele se refere.
Em relação à sua dimensão, o resumo 
deve corresponder, em geral, a 1/3 do da 
extensão do texto original. Via de regra, 
notas e comunicações devem ter até 
100 palavras, monografias e artigos até 
Unidade 4 • O resumo e a resenha, o fichamento e a paráfrase86/200
250 palavras e relatórios e teses até 500 
palavras.
Ao começar a escrever, primeiramente, 
deve-se apresentar de forma sucinta o 
assunto, sendo seletivo e evitando repetir 
as ideias essenciais.
É importante evitar transcrições e, 
quando o fizer, apresentá-las entre aspas, 
sempre respeitando a ordem das ideias 
apresentadas.
Do ponto de vista do estilo, é necessário 
empregar a norma-padrão, buscando uma 
linguagem clara, coesa, coerente e concisa.
Outro aspecto essencial na redação do 
resumo é manter-se fiel às ideias do 
autor, empregando expressões do texto só 
quando se fizer necessário.
O resumo deve ser composto de uma 
sequência de frases interligadas e não 
de uma enumeração de tópicos, que o 
transformaria numa simples lista.
É importante também evitar expressões 
como “o autor disse”, “o autor falou”, 
“segundo o autor”, “de acordo com o livro”.
1.1.1 Tipos de resumo
O resumo indicativo ou descritivo é 
aquele que faz referência às partes mais 
importantes do texto. Em geral, descreve 
apenas a natureza, forma e propósito da 
obra. Dispensa comentários e juízos de 
valor e não dispensa a leitura do texto-
fonte.
Já o resumo informativo ou analítico é o 
Unidade 4 • O resumo e a resenha, o fichamento e a paráfrase87/200
que contém todas as informações principais apresentadas no texto, dispensando sua leitura 
prévia.
Por fim, o resumo informativo/indicativo informa o conteúdo e as principais ideias do autor, 
mostra os objetivos e o assunto, os métodos e as técnicas, os resultados e as conclusões. Não 
apresenta, contudo, julgamentos de valor e comentários pessoais.
1.2 A resenha
Resumo crítico, recensão crítica ou resenha crítica é o texto que contém um resumo das 
informações seguido de avaliação do autor.
A resenha vem a ser, portanto, uma síntese seguida de comentário da obra a que se refere.
Em geral, ela é feita para revistas especializadas de diversas áreas da ciência, arte e filosofia e 
tem o objetivo de permitir ao pesquisador realizar uma seleção bibliográfica com o auxílio da 
avaliação de um especialista na área sobre a qual o texto discorre.
Para elaborar uma resenha completa, o ideal é seguir um roteiro que contenha os seguintes 
tópicos:
1. Referência do autor
Unidade 4 • O resumo e a resenha, o fichamento e a paráfrase88/200
2. Credenciais do autor
Informações gerais sobre o autor.
Autoridade no campo científico?
Quem fez o estudo?
Quando?
Por quê?
Em que local?
3. Conhecimento
Resumo detalhado das ideias 
principais.
De que trata a obra?