Aula 1 – O ser humano e o trabalho
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Aula 1 – O ser humano e o trabalho


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CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM RECURSOS NATURAIS DO CENTRO OUESTE BAIANO
TÉCNICO EM SEGURANÇA DO TRABALHO
TURMA: STRAPRO1A/PRHB
DOCENTE: LUCAS DOS SANTOS COSTA
Aula 1 \u2013 O ser humano e o trabalho 
O ser humano e o trabalho 
Objetivos
Compreender as relações humanas no trabalho. Conhecer processos de modificação do comportamento. Reconhecer o potencial do trabalho em equipe.
Identificar as características do comportamento empreendedor, da inteligência emocional e as implicações do absenteísmo no trabalho.
1.1 Comportamento humano
Segundo a teoria da aprendizagem social, de Bandura (1979), os comportamentos são adquiridos e mantidos sob três modos de regulação: (1) controle externo de estímulos, (2) processos de retroalimentação de respostas e (3) mediação central.
1. Como vimos nos capítulos iniciais, alguns padrões de resposta estão submetidos ao controle externo de estímulos. As reações biológicas aos estímulos como as mudanças nas reações cardiovasculares e gastrointestinais e o comportamento emocional podem ser colocados sob controle de eventos ambientais por meio da associação imediata com experiências ou a partir de respostas emocionais de outros. A esta última dá-se o nome de \u201caprendizagem vicária\u201d. Até mesmo o comportamento instrumental, também chamado de \u201ccomportamento operante\u201d, é igualmente regulado por estímulos ambientais que, devido à sua associação a diferentes possibilidades de reforçamento, produzem consequências que tendem a acompanhar certas linhas de ação.
Nesse caso, as reações acompanham as ações imediatamente, ao mesmo tempo em que elas ocorrem, atuando sobre elas e modificando-as, funcionando como estímulos aos comportamentos.
2. Neste outro sistema de controle comportamental, comparecem os processos de retroalimentação de respostas que funcionam através de consequências reforçadoras, ao invés de serem efetuadas através de estímulos ambientais.
Os comportamentos podem ser sucessivamente eliminados e reinstalados pela modificação de suas consequências imediatas. Esses efeitos consequentes podem incluir experiências sensoriais que são produzidas pela própria atividade por meio de resultados tangíveis ou simbólicos organizados exteriormente, ou por reações de autoavaliação. A suscetibilidade do comportamento ao controle por meio do reforçamento é também demonstrada pelo fato de que até variações sutis na frequência e padrão dos resultados levam a características de desempenho diferentes. Aqui, o que muda é a consequência de determinado comportamento, ou o resultado da ação que retrocede, funcionando como reforçamento.
3. Bandura (1979) concede especial atenção a esse terceiro, que seria o mais influente mecanismo regulador, atuante através da mediação central. Nesse nível cognitivamente superior, os estímulos são codificados e organizados.
O pensamento intervém formando hipóteses preliminares sobre as causas que governam a ocorrência de recompensas e punições, testando estas hipóteses na base das consequências diferenciais que acompanham as respectivas ações. Uma vez estabelecidas regras e estratégias implícitas servem para orientar desempenhos apropriados em situações específicas. Estas regras e estratégias podem vir carregadas de afeto, além de operações encobertas de autorreforçamento. 
Segundo Bandura (1979), nesse esquema conceitual, o homem não é nem um sistema conduzido internamente, tampouco um reagente passivo e automático à estimulação externa. Ao contrário, o funcionamento psicológico envolve uma interação recíproca entre o comportamento e o seu ambiente controlador. O tipo de comportamento apresentado pela pessoa determina boa parte de suas contingências ambientais que, por sua vez, influenciam o seu comportamento.
Um dos principais entraves ao desenvolvimento de programas de mudança no comportamento se encontra na não especificação do que deve ser realizado; ou então, na prática ainda mais comum, de definir as metas estabelecidas em termos de estados internos presumidos, ou seja, metas baseadas na crença de que o trabalhador já conhece o que deve realizar. À medida que os objetivos permanecerem ambíguos, as experiências de aprendizagem se dão desordenadamente e quaisquer que sejam os procedimentos aplicados tendem a ser determinados mais pelas preferências pessoais dos agentes de mudança (líderes, no caso dos grupos) do que pelas necessidades do trabalhador.
As metas desejadas devem ser claramente definidas, em termos de comportamento observável, para que, consequentemente, os métodos e condições de aprendizagem apropriados ao programa de mudança comportamental sejam selecionados. A seleção de metas envolve escolhas de valores. O papel do agente da mudança no processo de decisão deve consistir, principalmente, na exploração de cursos alternativos de ação praticável e suas prováveis consequências, na base da qual os trabalhadores podem fazer escolhas bem informadas. Ainda assim, o sistema de valores do agente de mudança acaba interferindo neste processo de seleção de metas, o que não pode ser tomado como algo ruim necessariamente, já que o líder pode habilmente apresentar seus valores como preferências pessoais, desde que os valores do trabalhador não tenham uma discrepância muito grande com os do agente de mudança. Problemas comportamentais de proporções amplas nunca podem ser adequadamente eliminados individualmente. Eles exigem tratamento e prevenção nos sistemas sociais. Bandura (1979) sugere que a \u201cengenharia social\u201d intervenha amplamente nas decisões sobre as prioridades culturais para criar condições para o enriquecimento existencial e a liberdade de comportamento, ao invés de produzir efeitos humanos aversivos. Com isso, incrementar-se-ia o sistema de tomada de decisão coletivo, possibilitando uma participação maior das coletividades, permitindo aos membros participarem de modo mais direto no estabelecimento dos objetivos de seu grupo.
Essa seria uma das funções dos sistemas sociais que são compartilhados gerando benefícios a si mesmos, como a mudança de valores e objetivos coletivos no estabelecimento de prioridades e metas mais humanas. Outra grande contribuição de Bandura (1979) diz respeito à modificação do comportamento emocional, em que se utilizam modelos no processo de aprendizagem social.
Partimos de um exemplo condizente com o objetivo deste curso: o manejo do medo. É muito comum em trabalhos que envolvem riscos e ameaças claras à integridade física dos trabalhadores, que eles sintam medo ao executarem alguma tarefa. Ouve-se falar de histórias escabrosas de um ou outro colega que sofreram graves lesões, ou que até perderam a vida, além de alguns programas de treinamento e desenvolvimento de segurança no trabalho que utilizam \u201cvídeos educativos\u201d associando a execução de uma tarefa à desgraça e à tragédia. O que estas histórias e esses vídeos podem fazer é aumentar a insegurança de seus colaboradores, pois mostram modelos executando tarefas comuns combinados a efeitos negativos, devastadores, reforçando o medo.
A atenção do observador aos modelos se dirige muito mais a esses efeitos negativos, ao corpo queimado, à perna amputada na execução de uma tarefa do que o suposto comportamento preventivo. O risco existe, ele é real, inerente à tarefa e pode ser útil enquanto reforço negativo ao uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), mas o medo e, sobretudo, o comportamento de medo deve ser contornado. Ele inibe a ação positiva frente aos colegas, quanto à tarefa e à autoridade. Segundo Bandura (1979), a extinção vicária desse comportamento emocional de medo é obtida por meio da observação de eventos modelados onde as respostas de aproximação de um modelo com relação a objetos temidos não produzam efeitos desfavoráveis ou possam levar a consequências positivas. O trabalhador pode adquirir um comportamento seguro, extinguindo o comportamento emocional de medo, observando os colegas em tarefas de alto risco com sucesso e segurança, de forma que a utilização dos EPIs seja o princípio e foco da aprendizagem.