Defeito do Negócio Jurídico
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Defeito do Negócio Jurídico


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Dos defeitos do negócio jurídico
Introdução
 Este capítulo trata das hipóteses em que a vontade se manifesta com algum 
vício que torne o negócio anulável. Nele o Código Civil brasileiro menciona e regula seis defeitos: erro,dolo,coação, estado de perigo, lesão e fraude contra
credores. No art. 170,II, diz ser anulável o negócio jurídico que conter tais vícios, sendo de quatro anos o prazo decadencial para se pleteia anulação deste, contando, no caso de coação, do dia que ela cessar; no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico. Vícios do consentimento: os referidos defeitos, exceto a fraude contra credores, são chamados de vícios do consentimento, porque provocam uma manifestação de vontade não correspondente com o íntimo e verdadeiro querer do agente. Criam uma divergência, um conflito entre a vontade manifestada e a real intenção de quem a exteriorizou. Vício social: a fraude contra credores não conduz a um descompasso entre oíntimo querer do agente e a sua declaração, mas é exteriorizada com a intenção de prejudicar terceiros. Por essa razão, é considerada vício social.
Defeitos do negócio jurídico são, pois, as imperfeições que nele podem surgir, decorrentes de anomalias na formação da vontade ou na sua declaração.
Erro ou Ignorância
 O erro consiste em uma falsa representação da realidade. Nessa modalidade de vício de consentimento, o agente engana-se sozinho. O código civil equiparou o erro à ignorância. Erro é a ideia falsa da realidade. Ignorância é o completo desconhecimento da realidade. 
Espécies
Erro substancial e erro acidental
 Erro substancial ou essencial é o que recai sobre circunstâncias e aspectos 
relevantes do negócio. Há de ser a causa determinante, ou seja, se conhecida a realidade o negócio não seria realizado. 
 Erro acidental é o que opõe ao substancial, porque se refere a circunstância de somenos importância e que não acarreta efetivo prejuízo, ou seja, a qualidade secundárias do objeto ou da pessoa. Se conhecida a realidade, mesmo assim o negócio seria realizado, embora de outro modo. O erro é subtancial, segundo o art. 139, quando ocorre:
\u2022 Erro sobre a natureza do negócio (erro in negotio) 
\u2022 Erro sobre o objeto principal da declaração (erro in corpore)
\u2022 Erro sobre algumas das qualidade essenciais do objeto principal
\u2022 Erro quanto a indentidade ou qualidade da pessoa a quem se refere a declaração de vontade
\u2022 Erro de direito 
Erro Escusável
 Erro escusável é o erro justificável, desculpável, exatamente o contrário deerro grosseiro ou inescusável, de erro decorrente do não emprego da diligência ordinária.
 Dispõe o art. 138 do Código Civil:
\u201cArt. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade 
emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência 
normal,em face das circunstâncias do negócio\u201d.
 Para que o negócio jurídico seja anulado o novo Código Civil explicitou a necessidade de que o erro seja escusável, adotando um padrão abstrato, o do homem médio, para a escusabilidade, adoutou-se assim, a conduta do agente com a da média das pessoas. No entanto, a orientação do Enuciado n. 12 da Jornada de Direito Civil, promovida pelo Centro de Estudos Judiciarios é do seguinte teor: \u201c Na sistemática do art. 138, é irrelevante ser ou não escusável 
o erro, porque o dispositivo adota o princípio da confiança\u201d . Tese está que é acolhida pela a maioria da doutrina nacional. Portanto, a doutrina brasileira atual, tem entendido que o art. 138 adotou o critério da cognoscibilidade, necessitando que o erro seja conhecido pelo outro contratante para que seja anulável. No entanto, o STJ, em acordo de 19 de Agosto de 2010, proclamou: \u201cO erro que enseja a anulação de negócio jurídico, além de essencial, 
deve ser inescusável, decorrente da falsa representação da realidade própria do 
homem mediano, perdoável, no mais das vezes, pelo desconhecimento natural das 
circunstâncias eparticularidades do negócio jurídico\u201d. Não há, portanto, um entendimento pacífico sobre o assunto. 
Erro Real O erro, para inválida o negócio jurídico, deve ser também real, isto é, efetivo, causador de prejuízo ao interessado. Portanto, para o negócio jurídicoser anulado não basta, pois, ser cognoscível e substâncial, deve ainda este ser real. Para ser anulável o erro deve ser: Substâncial, Cognoscido, e Real. 
O Falso Motivo
 O art. 140 do Código Civil, que cuida do chamado \u201cerro sobre os motivos\u201d,prescreve:
\u201cArt. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso comorazão determinante.\u201d
 O motivo do negócio, ou seja, as razões psicologicas que leva a pessoa a realizá-lo, não precisa ser mencionado pelas partes, no entando, o negócio somente poderar ser anulado por erro no motivo quando estiver 
expressamente escrito no negócio a razão determinande da manifestação da vontade, e essa se mostre erronea posteriomente. O Erro sobre o motivo é o que acontece quando se doa uma casa a um parente, e mais tarde se descobre que não há nenhuma relação parental entre o doador e o donatário. O doador pretendia doar a casa a seu suposto parente somente por que acreditava que este tinha consigo alguma ligação sanguínea, e mais tarde se verifica erronea essa suposição. Portanto, esta doação só poderia ser anulada se o motivo tivesse expressamente descrito na carta de doação. 
Transmição Erronea da Vontade 
 O Códico Civil equiparou o erro à trasmição defeituosa da vontade. Dispõe o Art. 141° : 
\u201cArt. 141. A transmissão errônea da vontade por meios interpostos é anulável nos mesmos casos em que o é a declaração direta.\u201d Se o declarante não se encontra na presença do declaratário valendo-se 
de inteposta pessoa (mensageiro) ou de um meio de comunicação (Telefone,Fax,etc.) e a transmição de vontade, nesses casos, não se faz com fidelidade, estabelecendo divergências entre o querido e o que foi 
transmitido erroneamente, caracteriza-se o vício que propicia a anulação do negócio, nos mesmos moldes da declaração direta.
Convalecimento do Erro
\u201cArt. 144. O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, aquem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante.\u201d
 O erro não incidi na anulação do negócio jurídico quando a pessoa a quem a manifestação da vontade se dirige, se oferece para corrigir tal erro. Tal oferta 
afasta o prejuízo do que se enganou, deixando o erro de ser real e, portanto, anulável. Obejetiva o diploma a dar a máxima efetividade ao negócio jurídico, consedendo às partes a oportunidade de corridir tal equivoco. 
Ex.: João pensa que comprou o lote n. 2 da quadra A, quando, na verdade, adquiriu o n. 2 da quadra B. Trata -se de erro substancial, mas antes de anular o negócio o vendedor entrega-lhe o lote n. 2 da quadra A, não havendo assim qualquer dano a João. O negócio será válido, pois foi possível a sua execução de acordo com a vontade real. Se tal execução não fosse possível, de nada adiantariaa boa vontade do vendedor.
Dolo
 Dolo é o astifício ou expediente astucíoso, empregado para induzir alguém à prática de um ato que o prejudique, e aproveite do autor do dolo ou a terceiro. Em suma, consite em manobras e sugestões maliciosas produzida por 
uma das parte ou por terceiro, afim de conseguir uma emissão de vontade que lhe traga proveito. O dolo difere do erro pois este é espontâneo, no sentido em que a vítima se engana sozinho, enquanto o dolo é provocado intencionalmente pela outra parte ou por terceiro, fazendo-se com que está se engane. O Dolo criminal também não se confude com o dolo civil, neste, em sentido amplo, é todo